Ultraviolence
12 Black Beauty.
Notas iniciais
Piper.
''Life is beautiful, but you don't have a clue''
Eu tinha oito anos quando meu pai conheceu Aphodite, eu nunca havia conhecido minha mãe e para mim sua ausência nunca foi um problema, contudo meu pai era meu porto seguro e não havia nada que eu amasse mais do que ouvi as histórias que ele contava para mim momentos antes de eu ir para a cama.
Um dia, eu deveria já ter uns nove anos, meu pai chegou em casa transtornado. Ele havia perdido tudo: a casa, o carro e um dinheiro que ele guardava. Ele estava furioso de um modo que eu nunca vira na minha vida, seus olhos viviam com olheiras e sua boca estava cortada como se tivesse apanhado.
Ele me prometeu que ia recuperar tudo e iriamos voltar a morar no Texas. Então, dez noites antes do Natal, ele saiu de casa e me deixou só, prometendo voltar logo. Ele voltou quatro horas depois acompanhado com uma mulher bonita e dois homens, meu pai chorava e pedia desculpas compulsivamente.
A mulher bonita segurou meus braços com força e sorriu falsamente. Aquele foi o sorriso mais falso que eu já vi em toda a minha vida. Ela me apertou com força enquanto eu gritava e implorava para me deixarem ficar com meu pai, eu chorava e meu pai também. Até que houve um momento que nossos olhos se encontraram, ele sentou na cadeira de madeira que havia na varanda e disse algo que até hoje me aterroriza em meus sonhos.
–Vá, Pips. Eu estou mandando.
Aquela foi a última vez que eu vi meu pai.
Meu nome é Piper McLean e meu pai era um modelo, eu nunca conheci minha mãe e fui praticamente vendida para uma cafetina. Durante anos meu único serviço era arrumar as camas da casa de festa que Aphodite tinha espalhada por NY, devo dizer que era um pouco traumatizante entrar no quarto e encontrar algemas, cadeiras eróticas, vibradores, vídeos pornôs, chicotes e afim.
Meu pai nunca veio atrás de mim, nunca mandou uma carta sequer para pedir meu pai. Mas, se é para ser honesta,eu não sou do tipo que perdoa.
Quando eu fiz doze anos e comecei a tomar corpo, Aphodite logo percebeu esse detalhe e mandou me ensinarem a dançar pole-dance, a desfilar e tudo. Mandou os barmans ensinarem-me a preparar bebidas e tudo, mas ela não permitia que ninguém tocasse em mim. Apesar de o homem dela, Ares, e o marido dela, Hefesto, serem loucos para transar comigo.
Loucos.
Do tipo de se esgueirar no meio da noite na hora de confiscar os quartos e me prensarem na parede com força passando as mãos em minhas partes intimas. Mas, graças aos céus, nunca passava disso.
Eu sabia que se cedesse para um deles, minha vida seria bem mais fácil. Poderia até mesmo me livrar deles e de Aphodite. Mas, era insuportável encarar a perna deficiente e o rosto imundo de Hefesto, que ninguém sabe por que raios uma mulher como Aphodite casaria com ele, ou a agressividade de Ares, o cara era um brutamonte. E por mais que eu guarde um ódio no meu peito por Aphodite, ela me livrou diversas vezes de ser abusada tanto pelos homens dela como pelos homens que trabalham nas casas de prostituições.
–Eu não consigo entender porque tanta insistência de Ares e Hefesto em você, Piper. Mas, eu sinto grata por você não ceder a eles como as outras fazem. Isso te torna especial, querida. –Ela passou a mão em meu rosto carinhosamente. –Agora vá, traga mais garotas para a nossa ‘’ família’’.
Eu não era uma prostituta, mas sinceramente o que eu fazia era bem pior do que ceder meu corpo por algumas cédulas de cinquenta. Era bem pior mesmo. Eu as chamava.
Aquelas meninas com um corpo curvilíneo, com um belo rosto e que passam necessidade. Aquelas que não têm mais nenhuma alternativa de vida, aquelas que vagam pela madrugada, sozinhas, aquelas que choram todas as noites, aquelas que foram abusadas por membros da família ou que sofreram agressão de alguém. Eram elas.
Era Zoe, Drew, Katie, Nissa e muitas outras. Eu as aliciava e mostrava que poderiam ter uma vida melhor trabalhando comigo e Aphodite para Percy Jackson.
Percy Jackson era o nome mais podre que qualquer pessoa possa conhecer. Era temido por todas as gangues fragmentadas que se esgueirava por NY, responsável por todo o narcotráfico da América, colocou o govenador de NY no poder apenas para ter livre acesso aos esquemas governamentais contra a Quinta Coorte. Assassino frio, todos conhecem a história da doce Rachel. Manipulador, obsessivo, louco.
É um dos homens mais lindos que ousaram pisar no planeta.
Pena que Annabeth Chase esteja tão fodidamente louca por ele, e ela tenha um lobo bom maior do que o lobo mal.
***
Era noite.
O apartamento de Annabeth estava com suas luzes acesas e a televisão ligada. Aphodite havia mandando meus trajes de festa pela manhã, afinal eu iria para a festa de aniversário do filhote do Zeus. É incrível como tudo se alinhou nos fins quando eu pensei que estava perto da minha cova.
Annabeth Chase conhece um cara que namora a irmã do filho de Zeus Grace e conseguiu colocar meu nome na lista de convidados. Então, basta conseguir o cartão de acesso com o filhote de Zeus e convencer Annabeth a ficar de quatro para Percy em alguma noite e quando ele tiver de bom humor, em pura extase, ela pedir piedade pela minha vida.
É minha única chance.
Minhas roupas... o que no mundo eu estava vestindo? Eu sempre desprezei vestidos. Eu não tinha vestidos. Mas, agora eu estava adornada num bonito vestido branco sem mangas que descia até os tornozelos, com um decote em forma de V tão baixo que era totalmente embaraçoso. Delicados braceletes dourados estavam em seus braços. Um colar intrincado de âmbar, coral e flores douradas resplandecia em meu peito e em meu cabelo...
— Ah, Deus — eu disse. — O que você fez comigo? –Perguntei para Annabeth e ela sorriu com olhos brilhantes, aquela menina tinha mãos de fada não merecia o futuro que estava descrito para ela.
Meu cabelo estava perfeito: brilhante, longo e castanho-chocolate, trançado com fitas douradas num lado de forma que caía no seu ombro. Ela até ousara colocar maquiagem em meu rosto, melhor do que eu jamais iria saber me produzir – toques sutis que faziam meus lábios vermelho-cereja e exibia todas as cores diferentes no meus olhos.
Eu estava... eu estava...
–Linda. Se Jason Grace não cair na sua laia, se jogue para Zeus...Tenha certeza que ele não vai rejeitar. –Ela disse sorrindo.
O telefone dela tocou e ela se levantou indo até a varanda. Eu não sei como ela conseguiu me colocar na lista da festa e nem sei quem é esse amigo dela. Mas, de uma coisa eu tenho certeza Percy Jackson não vai gostar nenhum pouco de saber disso.
–Seu acompanhante está lá embaixo. Cuidado, ele não é o ser mais correto de todos.
Sorri para ela e me olhei no espelho outra vez. Sorri, eu estava linda. Poucas vezes na minha vida eu podia admitir isso, sorri para Annabeth e suspirei. Abri a porta e sai.
***
–Então, você é Piper McLean? –Perguntou o homem loiro a minha frente com um sorriso tendencioso. –Amiga de Annabeth, não é? Engraçado que depois que Annabeth começou a ir para a cama com um mafioso de quinta categoria a vida dele se encheu de flores e unicórnios: dinheiro, sexo, amigos, casa em bairro chique. Quando conheci aquela loira metida, ela cantava durante uma noite toda para conseguir um prato de comida fajuta... E agora ela se acha a Michele Obama loira.
Sorri, não queria comentar nada sobre aquilo. Não é do meu interesse, afinal.
–Vamos. –Ele disse, abriu a porta do carro para mim e eu entrei tomando cuidado com meu vestido.
Ele entrou no carro e ligou o motor.
–Olhe Piper, Thalia Grace é um pouco ciumenta então... Voce será... –Ele pareceu pensar sobre algo. –Annabeth vadia Chase era minha prima, então você também é. Voce é uma prima distante que está aqui estudando em Harvard para administração. Pronto.
–Tudo bem, senhor Castellan.
–Eu já devo ter visto você em algum canto, garota.
–Tenho certeza que não, senhor. –Será que era de algumas das casas de Aphodite ou algo do tipo? Suspirei rezando para que não seja nada disso.
***
Era algo extraordinariamente estrondoso.
Aos meus pés um mármore negro lustroso se firmava me apoiando em salto altos, o teto se enchia de lustres que iluminava tudo, as paredes eram repletas de quadros e tapeçarias dos mais diversos tipos.
Era o palácio do governador de New York. Cronos.
Era um velho de meia idade, mantinha um ódio imensurável por Aphodite e ninguém sabe o porquê. Era um homem velho, podre de rico e ranzinza.
Era casado com Gaia, a filha de um homem rico que por sinal financiou a candidatura de Cronos, e ele havia dado auto poder suficiente para Zeus Grace comandar o maior plano do Governo Americano contra o crime organizado.
Luke andava ao meu lado e sorria falando uma vez ou outra com algumas pessoas. Sorria quando elas me cumprimentavam. Então, dois indivíduos tomaram minha frente.
Um homem loiro incrivelmente lindo de cabelos loiros e olhos azuis e uma mulher de cabelos negros repicados. Eram os irmãos Grace’s, herdeiros de uma imensa fortuna. Mas, os boatos que rolavam pelo esgueiro de Nova Iorque era que nenhum deles era maduro o suficiente para continuar o que o pai começou.
A mulher devia beirar seus vinte e oito anos. Mas, tinha uma pele lisa marcada com uma maquiagem forte que me dava ânsia de vomito. O vestido marrom era de uma proporção sem nexo algum como se o objetivo daquela criatura fosse causar.
Infelizmente, maturidade não chega para todos.
Ela me encarava com olhos felinos, como se me avaliasse se eu fosse uma possível inimiga ou amiga. Ela levou os olhos ao namorado e ele sorriu para ela. Luke aproximou-se de Thalia Grace e beijou seus lábios em um simples encostar de lábios.
–Olá, querida. Essa é Piper, sobrinha de minha mãe. –Mentiu o desgraçado com a cara deslavada. Ao mesmo tempo que o Castellan albino mentia sobre filha de quem eu era, eu sentia o olhar de Jason Grace sobre mim. Eu já havia conhecido ele, já fora com o pai em uma das boates de Aphodite.
–Sou Jason. Jason Grace. –Ele disse sendo diplomata comigo. Ele tinha um sorriso encantador e um físico divino. Seus olhos eram menos ferozes do que o da irmã. Uma barba rala era visível, sorri para ele.
–Piper McLean. Prazer, senhor Grace.
–O prazer é todo meu, senhorita. Quer um drink?
***
Um drink, dois drinks, três drinks, quatro drinks...
Jason Grace era um tagarela de primeira. Dono de um ego inflado e uma auto confiança medonha. Em algumas horas de conversa falou sobre toda sua glória na faculdade e como estava a um passo de se tornar o braço direito do seu pai.
–Então, você ainda não é o braço direito de Zeus Grace? –Perguntei levando a taça com alguma bebida estúpida a minha boca, sujando as bordas com meu batom.
–Eu trabalho para meu pai no último andar do prédio do Governo Americano. Então, sim... Eu sou o braço direito de Zeus Grace.
–Que bom. –Sorri maliciosa e ele correspondeu. Estávamos no bar e as mãos dele voaram para minhas pernas tocando as de leve, acariciando-as.
–Voce é tão linda, Piper.
–Eu sei. –Respondi. Ele veio até mim e apertou minhas pernas com mais força, sorri. –Que tal uma voltinha?
Ele sorriu. Levantou-se puxando minhas mãos.
***
Eu rebolava em cima do membro de Jason Grace, cada gemido dele ampliado. Estávamos dentro do carro dele, no banco de trás. Meu vestido levantado até a cintura e minha calcinha estava junto com o paletó dele em algum canto perto do volante.
Ele estocava dentro de mim em um ritmo frenético e forte. Minhas mãos se apoiavam no peito dele enquanto aceitava ser fodida por aquele homem que eu nem sequer conhecia apenas para salvar minha vida do cão sarneto que era Percy Jackson.
Não posso negar que ele era bom, mas também não posso negar o quanto aquilo me tornava cada vez mais próxima de ser uma legionária. Quanto mais eu tentava fugir das garras da Quinta Coorte, mas eu era atraída para aquele meio.
Levei minha mãos até os bolsos da calça de Jason Grace no momento em que ele gozou, aproveitei o ritmo eletrizante promovido pelo orgasmo para afanar a carteira que certamente teria o cartão.
Coloquei a carteira debaixo da minha perna e fingi um orgasmo. Não me permitiria gozar em um homem como esse, um filho de um corrupto.
–Voce é maravilhosa. –gemeu Jason e eu sorri.
–Voce também, agora vamos! Antes que Luke me mate.
Eu me afastei um pouco e ele se sentou ajeitando as calças e guardando o membro desfalecido dentro da box verde.
–Pode pegar minha calcinha? –Pedi rindo. Ele beijou meu pescoço e inclinou o corpo até lá. Em questões de segundos, peguei a carteira e abri. Procurei o cartão platinado e grosso, achei. Retirei ele e guardei nos meus seios e em seguida joguei a carteira dele no chão.
–Aqui. –Ele me deu minha calcinha e eu agradeci.
Ele terminou de se vestir enquanto eu ajeitava minha roupa.
–Foi maravilhoso te encontrar Jason. Sinto que uma nova fase da minha vida irá começar a partir de agora.
Chamada: liberdade.
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