Ultraviolence
25 Dum Dum.
Notas iniciais
You'll never be the same
Born to die up fast
Of living my world
You'll be forever changed
Quando eu levantei na manhã de uma quinta feira nublada, eu tomei um susto. Primeiro que pela primeira vezes em muito dias, eu vi Percy em uma bermuda de tecido fino azul e sem blusa, apesar de fazer um pouco de frio. Mas o pior era tromba que estava formada em seu rosto.
–Quando você ia dizer que sua nada adorável mãe viria? –Ele pergunta se virando para mim.
Dou de ombros e ele suspira.
–Talvez eu precise de um aconchego de mãe. –Suponho. Percy não sorri, mas não comenta nada.
–Quer comer algo, Annie? Silena passou aqui de manhã e lotou a geladeira. –Ele oferece, não estou com fome. Não estou conseguindo comer muito.
Ele sorriu para mim, e eu me aproximei dele. Ia me sentar do lado oposto do sofá, mas Percy esticou os braços indicando que eu deveria me aconchegar ali. Sorriu e ele recebe meu corpo com cuidado. Eu nunca esperei que Perseu pudesse fazer aquilo por mim e não posso negar que ele esteja me ajudando muito. Acho que se eu estivesse só nessa, não me aguentaria nem ficar de pé.
Ajeito minhas pernas no sofá, já que não posso ficar em uma posição desconfortável. E fico ali vendo algum programa bobo na televisão. Não sei em que momento começo a chorar, e até Perseu estranha minha atitude quando pergunta o que está acontecendo. Eu estava chorando por que na determinada cena do filme a mulher estava filmando os primeiros passos de seu filho...
–Annabeth, se você for chorar por cada bebe que ver por aí, nós teremos um problemão. –Ele fala enquanto acaricia meus cabelos. Guia-me até o quarto e me deita na cama novamente. Então, eu durmo.
...
Acordo com uma voz feminina cantando e o barulho das panelas na cozinha. Quero gritar para mandar parar, mas sinto minha barriga doer quando faço menção de me levantar.
Continuo ouvindo a música ao longe e penso que alguém deixou o rádio ligado. Depois de um tempo, quando eu escuto um trecho bíblico na música, eu finalmente percebo quem era.
–Mãe? –Chamo.
–Annabeth, estou indo. –Ela responde. Alguns instantes depois, ela surge na porta. Surge com suas típicas roupas: o cabelo longo solto, a blusa de manga e a saia longa que batia abaixo dos joelhos. –Oh, minha querida... Aonde você foi se meter? –Ela se adentrou o quarto e veio até a cama. Várias rugas já ocupavam os cantos dos seus olhos.
Como eu estava deitada de lado, minha mãe veio por trás e me abraçou. Eu me lembrava dela fazer isso quando eu tinha pesadelos quando era menina. Fechei meus olhos por alguns instantes.
–Mamãe está aqui, meu bem. Lembra do conto do filho pródigo que abandonou a casa e mesmo assim o pai o perdoou? Eu perdoo você, Annabeth. E eu espero que Deus também.
Deixo que ela continue me abraçando.
–Tudo que aquele maldito tiver dando de material a você, você vai recolher e me entregar. Irei colocar na feirinha da igreja e tenho certeza que o pastor irá adorar te ter de volta.
–Eu não irei voltar para a igreja, mãe. Eu saí de lá há anos quando aquele imundo do senhor Gibbins...
–Annabeth, ninguém julga a igreja por seus fiéis... Voce nunca aprenderá? Deus tirou teu filho como castigo por você ter vindo para o caminho da morte. Assim como Abraão ia sacrificar o filho Isaac para Deus. O nosso Senhor tomou teu filho que é cria do seguidor do demônio. Annabeth, sua penitencia foi paga... Aceite a verdade, menina. –Ela fala, seu tom rude é exatamente como eu me lembro e ela mesmo brigando alisa minhas bochechas. Tento ignorá-la e pensar que aquilo é o mais maternal que ela consegue ser... comigo.
–Para com isso... Não encha minha cabeça com essas coisas. Voce devia me apoiar, me ajudar quando eu preciso e não me encher com essas besteiras. –Digo baixinho. –Volte para a cozinha, mãe.
Ela suspira e levanta da cama, saindo do quarto em seguida.
Aaron pagar pelos pecados de Percy? Aaron ser sacrifício pelos meus erros e o do pai? Deus está usando meu filho como um animal para abate...
Por que Athena não pode ser uma mãe normal? Uma mãe como Sally? Que tem o sorriso materno e genuíno.
Após algum tempo, já com indícios de raiva, levanto da minha cama e vou até a cozinha onde vejo minha mãe cantando um cântico religioso.
–Voce sabia do que o senhor Gibbins fazia comigo e com as meninas e nunca fez nada! Voce sabia que eu quase ia ser estuprada por aquele monstro e não impediu.
–Eu deixei que Deus tomasse as providencias, Annabeth. É isso que as mulheres fazem. Os homens estragam tudo, Anna. Perseu Jackson te deu um ser imundo que foi castigado com morte. O teu pai me enganou por dois anos, e fingiu que era um bom homem e me corrompeu duas vezes. Teu pai me tornou imunda, mas agora estou limpa. Os homens fazem isso, Annabeth. Eles estragam nossas vidas, roubam nossas casas, estupram as mulheres... Eles destroem o mundo e o que eu, você e qualquer outra mulher pode fazer? Rezar para que Deus escute nossas preces. –Ela fala, seus lábios estão rígidos e secos. Tenho vontade de gritar com ela.
–Eu te contei que ele me alisava e que ele apertava meus seios e mesmo assim você mandou eu estudar a porra da bíblia com ele... Eu te contei que ele trancava as meninas e você me disse que era mentira. –Grito com ela, jogando as palavras que estavam entaladas dentro de mim. –Voce sempre me chamou de bêbada e vadia. Mas foi ele que me tornou assim. Voce me tornou assim, mamãe.
–Eu sou só uma pecadora, Annabeth. Só o Nosso Senhor pode nos julgar, eu te ensinei isso. -Ela grita. –Voce deveria esquecer isso. O pai do pastor me estuprou e também estuprou nossa vizinha, e a irmã dela. É isso que os homens fazem. Perseu te estuprou... E certeza que o pai do pastor está nesse momento gritando no inferno assim como Perseu irá. Quem peca, paga. Voce coitou com um demônio e teu filho nasceu como um demônio. E os anjos não permitem isso...
–NÃO FALE ASSIM DO MEU FILHO, SUA VACA! –Eu grito com ela.
–Eu não cuidei do senhor Gibbins, mas seu pai cuidou... Ele amanheceu com troncos de madeiras por todo os buracos do corpo dele e sem o pênis. Seu pai fez questão de arrancar cada olho dele e cada dente a mão. Senhor Gibbins foi castigado e sinceramente, não acredito que você me fez pegar um voo para tirar essa história a limpo, Annabeth.
–Por que você disse que Deus não permitiu que meu filho nascesse? Se ele permitiu que eu e Malcolm nascesse?
–Deus escreve certo por linhas tortas, meu anjo. Voce e Malcolm não cresceram em um inferno e seu filho, Annabeth, aonde ele iria crescer? No meio da morte. Deus puniu vocês, Annabeth. Assim como eu disse que faria...
–Eu não sei por que eu te chamei para cá... Eu só queria que você fosse uma mãe normal. Que chegasse aqui e me apoiasse. Que até um monstro como que você julga ser Percy tem uma mãe. Mas você não é a porra de uma mãe! -Falo saindo da cozinha, visivelmente abatida. Athena é o pior ser humano já existente.
–Voce me chamou por que eu sou sua mãe, por que as filhas chamam a mãe quando estão com problemas... Sabia que a mulher de seu irmão que está no coral da igreja, está gravida de gêmeos perfeitos? PERFEITOS!! –Ela grita perto do meu ouvido fazendo com que eu tampe eles. –E você, como Eva pecadora, foi amaldiçoada a carregar um filho sem cérebro, a parir uma besta! Por que você é assim, Annabeth? Por que você nunca me escuta?
–Sai daqui!! –Eu grito com as mãos no ouvido, eu começo a chorar.
–Não importa quanto bebes você e aquele cão miserável tenham, sempre serão mortos pela espada do anjo. Serão doentes, pragas... BESTAS. Voce vai parir bestas, Annabeth.
Eu me contorço em posição fetal, cubro meu corpo, tampo meus ouvidos e começo a gritar. Desesperadoramente. Grito tanto que até consigo desmaiar. Eu só queria ter uma mãe como Percy tem. Uma mãe que afagasse meus cabelos e sussurrasse no meu ouvido que estava tudo bem e que eu seria feliz. Eu só queria me sentir amada e protegida pelo ser que me botou no mundo.
Mas enquanto Athena grita versículos da bíblia, eu continuo gritando e gritando.
Fim da Parte I.
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