Ultraviolence
13 Because Of You.
Notas iniciais
You gave to me and my heart can sing. I was a kid who could only drink, Dance on tables, makin' deal with devils, Like a drunk beauty queen
Eu estava sozinha no meu apartamento. Piper, minha empregada, tinha decidido ir resolver seus problemas em uma das casas de prostituição de Aphodite. Afinal, ela conseguiu êxito na missão e isso dava a ela chances de permanecer viva, apesar de mínimas.
Era sábado de manhã por volta de dez horas. O sol já tinha um brilho fraco por causa do início do inverno e minha vida continuava a mesma ladainha de sempre. Nico havia sumido, não deu qualquer sinal de vida após o nosso último encontro. Silena provavelmente esqueceu-se da minha mera existência. Percy só manda mensagens na beira da madrugada. E minha mãe continua insistindo que eu volte para a Califórnia.
Não nego que por diversas vezes já pensei em retornar para a casa de minha família. Nunca fomos amorosos um com o outro, e assumo que todos temos culpa no cartório, principalmente minha mãe que apesar de toda sua devoção em prol do bem e da salvação, aparenta esconder um segredo cabeludo. É tenho quase certeza ser sobre meu pai.
Falando no meu pai...
Eu nunca o conheci. Nunca vi um registro sequer de sua imagem, nem a voz, nem qualquer história sobre ele. O engraçado dessa história é que tanto meu irmão, um ano mais velho, quanto eu somos filho do mesmo homem e minha mãe nunca sequer morou junto com ele. Nunca sequer teve um relacionamento que durou mais que meses. E mesmo assim duas crianças são concebidas e o pai abandona-as como se elas fossem cães miseráveis e indignos.
Faltava um pouco mais de um mês para meu aniversário de dezoito anos. E estou empolgada, assumo. Aparentemente, uma nova fase da minha vida irá chegar.
Levantei-me da cama e fui até a cozinha e preparei um lanche rápido.
Tomei meu café da manhã calmamente com meus pés em cima do sofá. Até a companhia tocar, obrigando-me a abrir a porta.
Seria Percy? Um sorriso idiota acabou por escapar da minha boca, mas afastei o pensamento em seguida, com um movimento girei a chave na maçaneta e abri a porta.
Eu estou quase uma vidente.
Ali estava ele. Com seu típico terno preto e cabelos penteados para trás como se ele tivesse acabado de molhar, a barba bem feita e olhos verdes tão convidativos como a beira de um abismo. Ele abriu um pequeno sorriso torto para mim e eu arregalei o olho.
–Querida Chase, — Ele falou. Sua boca emitia um som baixo e rouco. –Espero que não tenha sentido minha falta.
–Os dias passam mais seu convencimento e ego inflado continua o mesmo, não é? –Comentei.
–Convencimento é um luxo no qual eu me permito ter. –Ele respondeu, mexeu no paletó e me encarou. –Não irá me convidar para entrar?
Sorri e rolei meus olhos, afastei-me dando a ele a passagem. Percy entrou no meu apartamento.
–Espero que tenha gostado do presente, querida. –Ele falou tocando meu rosto e eu sorri.
–Eu amei.
–Que bom. Desculpe demorar tanto para vim ver você, mas eu tive uma semana relativamente complicada. –Ele falou com um ar cansado, sentou-se no sofá e colocou a bandeja em cima de um criado mudo. Ele retirou o paletó e o deixou dobrado ao lado do sofá.
–Quer conversar sobre algo? –Perguntei sentando-me ao lado dele.
–Sim. A garota de Aphodite que estava aqui com você. Piper, não é? –Eu assenti. –Ela conseguiu o cartão do prédio do Governo. Há dois anos, eu coloquei um homem como governador de NY para ajudar em meus projetos, quer dizer, não atrapalhar eles, mas Zeus conseguiu aprovação do presidente para começar um projeto para acabar com as máfias, a minha no caso, e a corrupção. E ele está com planos de retirar Cronos, o governador, do poder e colocar o vice dele, uma marionete ambulante. Ele tem um dossiê contra a minha máfia, o mais completo que você possa imaginar, mais de trezentas páginas com o nome de todos os integrantes e de todos os mortos. Annabeth, eu sei que talvez você não esteja preparada para isso ainda, mas... Você, Nico, Silena, Clarisse e a irmã do Nico iram invadir a sede do governo e roubar o dossiê.
Arregalei os olhos.
–Lembra o que eu falei sobre você aprender tudo? Matar, roubar, torturar, assaltar? Você irá aprender tudo nesta missão, se encontrar alguém no caminho? Irá matar. Irá roubar junto com os outros um dossiê e traremos um convidado conosco.
–Vou aprender na prática, então?
–Prefere ser uma dondoca? –Ele perguntou tocando meus lábios.
–Não. Voce vai matar Piper?
Ele me olhou fixamente e tocou minha bochecha.
–Pretendo se ela não se tornar uma legionária. O mundo lá fora é cruel e a garota McLean não merece está nele.
–Irônico você falando de crueldade. –Rebati.
–O que você quer dizer com isso? Eu fiz o que eu precisei para ser quem eu sou, Annabeth. Eu não vou manter uma garota viva que conhece tudo sobre a minha máfia e como ela funciona, eu não crio um inimigo, Annabeth. Eu me livro deles. Se Piper quiser continuar como uma legionária, trabalhando para a Quinta Coorte e para mim, ela será bem-vinda. Agora, se ela quiser sair... –Ele mantinha um tom autoritário, dando a última palavra sobre aquela questão.
–Ela é apenas uma garota. –Respondi olhando para minhas pernas.
–O mundo é cruel, querida. É eu não me importo de ser o vilão da história. Se você convencer ela, a ficar com você, te fazer companhia ou alguns favores, você toma conta dela. Eu só não quero problemas, Annabeth. Só isso. Eu já tenho problemas suficiente com todos os países desse continente, entende? –Ele indicou seu colo e sorriu para mim. Entendi o recado e sentei-me nas suas pernas, e beijei sua bochecha. –Não é fácil ser um mafioso, querida.
–Tudo bem. Não vou estressar você. –Respondi. Eu havia tentando o máximo. Percy só teria misericórdia dela, se ela continuasse na Quinta Coorte. Encostei seus lábios nos meus e rocei-os. Senti a textura dos lábios salgados e molhados de Percy, invadi a boca dele com minha língua aprofundando o beijo. Meus olhos se fecharam automaticamente, sentindo as sensações únicas que um único beijo trazia para mim. As mãos de Percy apertavam minha cintura enquanto eu sentia meu pulmão implorar por oxigênio. –Vem vamos para o quarto. –Convidei, ele sorriu e levantou-se.
Peguei as mãos dele e ele olhou para mim como se eu tivesse feito algo errado, levei ele até o quarto e sorri.
–Posso te fazer algumas perguntas ao invés de transarmos loucamente nessa cama?
–Faça. –Ele tirou a blusa e deixou na poltrona, depois se deitou na cama.
–Quantos anos você tem?
–Trinta e quatro. O dobro da sua idade.
Eu bem que suspeitava que ele já estava na casa dos trintas.
–Você conheceu seu pai?
–Sim, ele mora em outro país. Um dia você irá conhecer ele, é tão bom como minha mãe.
Sorri. Sentei-me na beirada da cama.
–O que você vê em mim? Uma garota de dezessete anos, que nem sequer terminou o primeiro semestre da faculdade. Pobre de Jó.
–Você sabe a resposta dessa, Annabeth. Você é linda, tem uma bunda incrível, uma ninfeta, com todo respeito, e não ouse negar, mas existe algo em você que vai ajudar muito em meus planos. Algo que te tornará grande e tão temida quanto eu.
–O quê? –Perguntei curiosa.
–Ainda não é o momento, querida. Não irei te assustar enquanto o momento não chegar, mas se te serve para algo, eu gosto muito de você, Annabeth.
Sorri.
–Que tal almoçamos no The Black, ali na Quinta Avenida?
–Um encontro?
–Chame do que quiser, querida. Agora, eu estou tão estressado ultimamente... Eu sei que acabou de tomar café, mas já está na hora do almoço. Arrume-se, enquanto pego minhas coisas.
Sorri para ele e depositei um beijo em seus lábios, ele sorriu na minha boca, surpreendendo-me. Imitei seu gesto carinho com certo receio.
–Esse é o beijo que você vai me dar? Sério?
Ele gargalhou, era um som tão melódico de se ouvir que parecia notas da mais fina e delicada partitura. Percy Jackson, para mim, não era esse tão poderoso e odiável monstro que contavam por aí.
Talvez fosse. Não sei. Esse homem de olhos verdes ativou uma bipolaridade desconhecida dentro de mim.
Foi uma transformação o que aconteceu nas últimas três semanas e apesar de todo um discurso de Piper que eu deveria aceitar essa minha nova vida com bom grado e de todos os mimos que eu ganhava de Percy, havia uma parte do meu corpo que não admitia que aquilo acontecesse comigo. Uma parte madura, talvez, que gritava dizendo que eu tinha chances melhores do que me entregar a um homem odiado e carregado de miséria. Uma parte de mim que martelava todos os dias e a cada instante que eu deveria me livrar daquela relação antes que coisas ruins acontecessem ao meu redor, afinal, quem eu queria enganar? Minha vida ao lado se Percy Jackson seria uma incógnita. Ele obteve dinheiro e luxo de modo desonesto e sujo, transpassando cada linha da boa moral humana. Essa parte de mim perguntava:
‘‘Quantas pessoas ele já matou?’’
‘‘Quantas famílias ele já destruiu?’’
‘‘Quantas pessoas ele já condenou a miséria?’’
Eram perguntas que tinham respostas, mas existia em mim outra parte e ela não quer saber, pois teme que isso estrague tudo. Por que essa parte já aceitou a condição.
A condição de ser mulher de Perseu Jackson.
Eram duas partes, dentro da mesma pessoa, com objetivos e metas diferentes. Uma parte de uma garota sã, que cresceu na Califórnia com a mãe e o irmão; e outra parte de uma garota ambiciosa e sem escrúpulos que anseia por ser alguém já que está cansada da mesmice da vida. Eram duas partes distintas, mas elas me formavam e eu não conseguia decidir qual parte ouvir.
No momento em que Percy invadiu minha boca, afim de aprofundar o beijo eu me afastei devido aos pensamentos anteriores, senti minha pressão abaixar e o mundo ao meu redor dá alguns giros. E de repente, o foco voltou...
–Está tudo bem, Annabeth? –Perguntou Percy preocupado e deitando-me na cama.
–Só uma tontura. –Respondi. Olhei nos olhos arregalados dele. –Não se preocupe, Jackson. Eu não estou grávida, é certeza. É algum sintoma da TPM.
Ele suspirou aliviado e sorriu, depositando em seguida um beijo em minha testa. Será que ele não desejava um filho?
–Sendo assim, acho melhor ficarmos em casa e pedir comida já que a empregada, chamada Piper, se deu folga.
–Deixe a menina. Faz assim, aqui em baixo tem um restaurante, compre algo lá para nós dois. É bem gostosa a comida.
–Não mais que você, querida, mas irei lá. Fique aí. Eu vou voltar.
Assenti, vi ele pegar seus pertence e sair do quarto.
***
Percy demorou três horas para voltar, o que me leva a concluir que ele estava esperando o ovo quebrar e o pintinho crescer para ele, finalmente, poder comprar a comida, eu até perguntaria a ele o motivo da demora, mas sua cara não era das melhores.
–Desculpe a demora exaustiva, Annabeth... Aqui está a comida, arrume a mesa enquanto eu tomo um banho rápido para esfriar a cabeça.
–Tudo bem, vai lá.
Percy saiu às pressas rumando para o banheiro. Dei de ombros e fui pegar as coisas para pôr na mesa. Já me sentia bem melhor, afinal.
A campainha tocou, surpreendendo-me. Quem era? Piper tem a chave reserva para não incomodar-me, Percy está aqui. Fui até a porta pela segunda vez naquele dia, indo atender alguém. Minha cara de confusão se formou quando eu vi a presença do visitante ali, não era alguém que eu convidaria para um almoço íntimo com o atual estado do meu relacionamento com Percy. Os saltos enormes e vermelhos berrantes, o vestido estampado que ia até o meio de suas pernas grossas e um colar colorido ocupava seu pescoço pálido. Um olhos negros eram cobertos por toda uma maquiagem pesada e bem feita, uma boca carnuda era comprimida em uma expressão de nojo.
–Bianca? –Perguntei, tentando reafirmar se a figura a minha frente era realmente a irmã de Nicolas.
–Então, é você...De novo. Pelo amor dos céus, quantos anos você tem, criança? –Ela perguntou com um ar de nojo e superioridade. Levantei a cabeça para ela.
–O que você está falando? Quem você pensa que é para vir a minha casa com tamanha autoridade e falar assim comigo? –Perguntei levantando a voz e sentia o olhar dela percorrer o pequeno vestido florido que ocupava meu corpo.
–Voce é uma criança. Uma garotinha que não é nada, o que diabos ele vê em você?
–Eu não sou uma criança, e por favor saia da minha casa! –Brandi.
–Escute-me bem, Annabeth Chase, por que eu só vou falar essa vez. Você é uma ninguém, e você não sabe onde está se metendo, a única coisa que você obterá nessa sua jornada de aventuras é o sofrimento. Não se condene a essa vida, criança. –Ela disse e cuspiu a última palavra. Eu realmente não estava entendo o que aquela mulher estava dizendo. Bianca DiAngelo era uma louca?
Ela deu um passo à frente, na tentativa de entrar na casa, mas eu me prostrei a sua frente. Ela então me empurrou com uma mão com uma força ordinária e eu bati meu corpo na parede.
–Eu posso ter pose de grã fina, mas eu sou alguém que pode encarnar como o diabo na sua vida. Agora, eu vou entrar e chamar aquele filho da puta que está fodendo você. –Ela abandonara de vez o sotaque delicado e falava como uma leoa protegendo algo.
Eu a encarei e senti os olhos cinzas provocarem os negros.
–Querida, já pôs a mesa? –Perguntou Perseu, então ele surgiu do corredor com uma toalha na cintura e os cabelos molhados. O peito nu parecia brilhar com a luz da tarde e eu sorri.
–Essa mulher não permite que eu ponha a nossa mesa, Percy. –Expliquei.
Percy deu um passo à frente e fechou os olhos.
–O que você está fazendo aqui, Bianca? –Ele perguntou e ela sorriu indo até ele, seus pés faziam um barulho do caramba no chão. Colocou a mãos no peitoral dele, fazendo-me fuzilar com seus olhos.
–Ó meu querido, eu vim buscar você. Salvar você das garras desta prostituta.
–O que está acontecendo, Percy?
Ela o olhou espantada e sorriu cínica.
–Perseu Jackson, como assim você ainda não convidou sua puta fodida para o nosso casamento?
PAUSA.
–Casamento? Vocês vão se casar? –Perguntei ainda não acreditando das palavras anteriores daquela francesa falsificada.
–Annabeth... –Iniciou Percy. Mas, logo foi cortado por uma Bianca enraivecida.
–Noivo desde... quatro anos atrás. Éramos, abre aspas, prometidos, fecha aspas, um ao outro desde pequeno. Mas, o pequeno Perseu se apaixonou loucamente pela doce e meiga Rachel Elizabeth Dare e teve tudo aquilo que não vem ao caso, odeio esse assunto, mas tudo está bem, agora podemos ficar juntos. Afinal, já dizia Poseidon, nós dois nos merecemos.
–Então, você supõe que por achar que a opinião de um homem e uma, abre aspas, paixão infantil, fecha aspas, isso te torna no direito de se auto nominar noiva de alguém? Ual, garota! Você tem problemas sérios.
Bianca teve a ousadia de rir, o que para mim foi uma afronta. Era uma risada calma e fria, mas com uma certa elegância.
–Faz-me rir sua tola. Não acredito que você se apaixonou por Percy? Eu pensei que você era uma idiota por ser meter em algo assim, mas você realmente se superou, criança.
–Eu não estou apaixonada pelo Jackson, Bianca. Assim, como pela cara dele, ele não está nem um pouco afim de casar com você.
–E ele quer casar com você? Eu vou te dizer uma coisa... Perseu Jackson não ama ninguém. Ele não me ama, ele não ama você, ele não ama nada. Só ama sentir o sofrimento da morte da pequena Lyanna e causar ainda mais dor as outras pessoas.
–Não fale de Lyanna. Jamais fale de Lyanna com essa sua boca imunda, Bianca. –Disse Percy com a voz alterada. Era um ódio profundo que Percy expressava com suas palavras.
–Qual a sua dificuldade em aceitar e seguir em frente?
–Bianca, saia dessa casa agora... Ou você vai prestar conta com o capeta alguns anos antes. –Bianca bufou de ódio e deu um passo a frente e sussurrou algo no ouvido de Percy, que eu não consegui ouvir. Ele mandou um saia daqui, ela rodou os olhos e sorriu para mim. –Nunca mais apareça nesse apartamento... –Ele apertou a bochecha dela com força, trazendo um gemido involuntário da boca dela. –E nunca mais fale de Lyanna.
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