Ultraviolence

22 A Star For Nick.


Notas iniciais
VOLTEEEEEI. Olá, galerinha. Como estão? Meu maior problema foi... Corrigir o capitulo. Odeio betar, odeio, odeio, odeio. Nos vemos lá embaixo.

You won't, you won't

Get me very far

A falta de luz torna a sala tão sombria quanto as pessoas que estão ao meu lado, na enorme mesa de ferro. Dezenas de velas tentam iluminar inutilmente o enorme salão subterrâneo da máfia mexicana. Sinto o suor se acumular em minha testa e meu rosto, devido ao nervosismo nato e o receio dos fatos que virão em seguida. Suspiro lentamente e giro minha cabeça para a esquerda, vendo Percy Jackson deliciar com uma dose exagerada de uísque italiano. Seus cabelos estão molhados e perfeitamente posicionados sem nenhum fio sair do local, seus finos lábios bebericam a bebida como quem aprecia o mais delicioso néctar dos deuses. Ele encara-me e estica o copo em minha direção.

Tomo o copo de suas mãos grandes e calejadas, e ingiro boa parte do líquido, sentindo a bebida queimar por todo o meu sistema digestivo. Devolvo o copo para ele, que o aceita de bom grado. Continuo observando as pessoas ao meu redor vejo um dos irmãos Stolls próximo a uma mulher morena, pálida e de aparência fria. Não era feia, sua beleza podia ser comparada com as dos famosos vampiros centenários que as adolescentes suspiram e enfiam as mãos na calcinha durante a noite. Katie tinha lábios vermelhos marcantes causados por um batom forte e olhos negros tão destruidores como uma metralhadora. Sua roupa é longa e de tecido caro, suas mãos são lisas e unhas bem pintadas, mas ela carrega uma tristeza tão profunda que, na minha opinião, ela preferia viver na miséria do que ali, cercado de luxo.

Enquanto a observo disfarçadamente, deixo meu cérebro fazer uma rápida conexão entre nós. Ela foi simpática comigo, mas a simpatia vinha da boa educação dela, ou por obrigação de anfitriã. Ela sente-se obrigada a está ali, cercada de tudo o que a moral e bom censo condena, ela que preferiu viver com um empregado de quinta categoria do que viver com um mafioso. Ela é totalmente o oposto de mim. Pois, sinto-me confortável pelo maravilhoso vestido longo azul que cobre minha pele, gosto de sentir os olhares que Percy direciona a mim e principalmente gosto de – quase — tudo que provem da máfia. E ela, apesar de estar cercada com joias e tecidos caros, é tão infeliz como uma condenada injustamente.

A mesa na qual estou se estende por longos três metros, cercado de homens e mulheres que não temeria em nenhum momento arrancar a vida de um do outro. Quase dez pessoas estão ali, contando comigo. Outras meses estão espalhadas pelos cantos aleatórios do salão decadente de luz e um enorme palco está posto no meio do local. E apesar de não saber muito o que vai acontecer, já suponho que não seja coisa muito boa.

Os barulhos de gargalhadas e vozes se espalham cada vez mais feroz pela sala, inspiro e respiro diversas vezes, em busca de algo puro como oxigênio, mas tudo ali cheira a nicotina e maconha. Perseu não parece se abalar com o que acontece ao redor dele, então tento ignorar o máximo possível, colocando para dentro o máximo de álcool que consigo beber sutilmente. Não posso parecer fraca, não perante a tantos inimigos.

Vejo os dois Stolls levantarem-se e o salão todo calar suas bocas para ouvi-los. O respeito que todos tem para ele pode ser confundido com o próprio medo. Olho para Percy mais uma vez que está tão quieto quando eu, e vejo sua mão repousar sobre a mesa, por cima do tecido de renda talhado. Olho ao redor, ninguém parece nos observar, ninguém parece importar-se conosco e então, elevo minha mão esquerda para cima de Perseu e sinto o choque elétrico passar por minha pele. Sinto minha cabeça rodar quando ele vira para mim e principalmente, sinto algo revirar no meu estomago quando ele sorrir, como se considerasse meu gesto e não fizesse a menor questão para impedi-lo.

–Maquiavel disse que era melhor ser temido do que amado. –Falou Travis, seu terno estava excessivamente colado e suspiro quando vejo a escassez de bunda que ele tem. –Eu não desejo amor de ninguém, não preciso do amor de ninguém já tenho minha amada, no qual traço todas as noites... –Ele falou rindo acompanhado por todo o salão, Katie era chacota deles. –E traço muito bem, não é querida? –Ele volta a atazana-la, ela sorri cínica, afirmando. Ele a levanta e toma-a em seus braços, beijando sua boca com excesso de força e sem nenhum jeito. Parecia um beijo de buldogue, mas quem sou eu para falar isso agora? Ele a derruba na cadeira novamente e faz um gesto com as mãos, fazendo que entrasse dezenas de pessoas, acorrentadas e unidas por uma enorme vara de madeira. Se eu tivesse qualquer líquido em minha boca, já teria cuspido. As pessoas estão imundas, nuas e maltratadas. Cortes em seus corpos são nítidos mesmo a tamanha distancia, tento fechar os olhos, mas não posso mostrar fraqueza. Levanto o queixo com mais certeza e tomo outro gole de uísque.

–Nenhum grande poder vem sem sacrifício e sem dor. Tomamos posse desses miseráveis que irão ajudar-nos a ultrapassar o ritual e termos mais e mais combatentes para nossa família. -Urros, gritos, palmas são contrapostas por todo o salão, o barulho era perturbador e os irmãos, principalmente Connor que é o que fez o último discurso, se diverte com a cena. –Primeiro as damas. –Ele gritou.

Uma mulher foi pega, estava exposta e suas faces brilhavam com tamanhas lágrimas, suas feições eram dolorosas, mas em contrapartida uma mulher surgiu calça de couro, blusa branca e jaqueta do mesmo material da calça. O salto ecoa por todo o local, demostrava poder, destruição e nenhum medo.

Ela arrasta a mulher e a coloca de joelhos no chão imundo, passa para trás da mulher e sorri. Um sorriso tão diabólico e maléfico que causa um vento frio em minha espinha. Ela pega uma faca enorme e desliza pela garganta da mulher e o liquido escarlate desce, a mulher ferida grita de agonia e seu corpo cede alguns segundo depois.

–Lou Ellen. –Grita Connor em plena felicidade, a sala explode em palmas e gritos grotescos. Perseu bate palmas minimamente e mas suas feições são ríspidas e inertes. Olho ao redor, apenas eu e Katie não batemos palmas. Pelo mesmo motivo. –Homem.

Um homem é tomado, assim como a mulher. O estado físico de cada um deles é o mesmo, deplorável. Ele grita, implora, diz que tem filhos para criar e uma mãe doente. Ele implora, jogam ele de joelho no chão. Um outro homem bem vestido surge por ali, de algum buraco do inferno, ele sorri. Carrega um fuzil na mão, ele atira a uma distância de dois metros do homem. O som toma a sala, a cabeça foi estourada. Os miolos estão espalhados no chão...

A morte é aplaudida, a dor é ovacionada, o mal é perpetuado tudo em um mesmo momento, em um mesmo instante, como em um ritual. Quero gritar, tentar impedir que aquela gente toda morra por mero capricho. Vejo Percy aumentar a dose de uísque e procurar algo no bolso, imito seu gesto com a bebida, e tomo um único gole.

Um cigarro surge nos dedos de Perseu e eu encaro-o por meros segundos, até a atenção ser desviada por um outro grito. E mais outro, gritos irrompem a sala, mas não se comparam com a comemoração que as pessoas fazem com a morte deles.

Por fim, quando a fila está diminuído, restam cinco. Vejo todos me encararem, e os punhos de Perseu se fecharem com raiva, infelizmente estava voando e tentando ignorar tudo que acontecia ao redor.

–Vou repetir novamente para a senhorita ouvir. –Disse Connor sorrindo. –Restou cinco imundos daqueles e estou convidando você a participar do ritual, claro que não é sua iniciação a máfia mexicana, já que a senhorita pertence a máfia americana. Mas será uma ótima experiência para a senhorita. –Ele continuou, eu não sei o que fazer nesse exato momento. Apesar de ter o treinamento, não quero fazer isso. Não quero.

Olho para Perseu por alguns instantes e vejo ele se levantar, com toda a classe e elegância que é digna dele.

–Como é um convite, Annabeth irá recusar. Infelizmente, para você, ela não é obrigada a nada. –Argumentou Perseu.

–Não se pode negar um convite do anfitrião, afinal é antiético. –Disse Travis sorrindo diabolicamente.

–Ótimo, adoro discutir ética com quem massacra vinte e cinco pessoas... –Comentei, levanto-me

da cadeira. Senti todos os olhares voltarem para mim, engoli em seco e continuei. Não podia começar e dá para trás. –Eu não vou matar ninguém, nenhum daqueles miseráveis fizeram algo a minha pessoa, nenhum de vocês irão me obrigar a fazer algo que eu não quero. Ninguém e se vocês quiserem ir matarem eles, podem ir. Mas eu não vou, eu sou Annabeth Chase e nenhum de vocês me obrigam a nada.

Pela primeira vez desde que cheguei na sala subterrânea, o silencio predominou, os irmãos buldogues fecharam e abriram a boca diversas vezes e eu voltei a sentar, já sentindo a tontura causada pelo álcool.

Alguns segundos depois, senti a boca de Perseu perto da minha orelha, senti o hálito embriagado no meu rosto.

–Levante-se. –Ele sussurra, esticando suas mãos. Então, eu escuto o primeiro tiro, grito se espalham pela sala e Percy empurra a mesa de ferro com uma força descomunal, atrasando as pessoas que estavam sentadas e desviando os olhares de nós. Ele segura minha mão firmemente e puxa-me para uma corrida sem fim e proposital, pelos corredores imundos até achar a escada que subia para o andar superior.

Larguei os saltos altos no momento em que percebi que a medida que fossemos subindo eles atrasariam a mim e a Percy. Chutei-os para longe no momento em que Perseu sacou três armas de dentro do paletó. Ele estendeu uma para mim e eu sorri. Ele saiu na frente enquanto fiquei com a retaguarda. Olhei ao redor, ninguém estava no andar o que era estranho, até que vi o primeiro corpo estendido no chão, sangue era jorrado do corpo do homem.

–Já limparam o andar, vamos!

–Quem limpou? –Perguntei, minhas passadas eram largas para acompanhar as de Perseu, mas eu andava de costas para poder ter a visão completa e direta de todo o nosso lado oposto.

Regra número um: Não deixe imprevistos acontecerem.

Um homem surgiu, disparando no meu lado.

Abaixei a cabeça simultaneamente com Perseu, atirei três vezes, todas três acertando na barriga do homem. O tiro foi certeiro, ele caiu e minhas mãos não tremeram.

–Continue.

Continuei correndo, dessa vez mais rápido. Os gritos intensificaram, ouvi Percy mandando eu ir mais rápido para a entrada da mansão, os tiros aumentara. Eu gritei quando uma sequência começou, mas eu a vi. Correndo em minha direção, com os saltos nas mãos e o batom borrado. Katie vinha ferozmente e eu deixei que acompanhasse-me, fora baleada no ombro e mesmo assim, corria como se não houvesse amanhã.

Fomos recebidos no enorme portão de ferro negro por diversos tiros e ouvir Perseu praguejar, puxei a mão de Katie para ajudar a ir mais rápido e vi o enorme carro preto a nossa espera. Perseu pulou dentro dele e eu fui logo depois, carregando Katie a tiracolo.

–Vamos, porra!! Quer que o carro seja bombardeado?

O homem acelerou de uma vez e saímos dali o mais rápido possível.

–Katherine, você sabe que ele irá até o inferno por você, não sabe? –Perseu disse sem olhar para ela. Virei-me rapidamente para ver o ferimento, a bala estava alojada e quando toquei seus ombros ela gritou. –Cubra isso para não infeccionar, iremos parar na Cidade do México para ir ao hospital. Fui baleado de raspão.

Rasguei um pedaço do meu vestido azul que agora estava imundo e enrolei no ferimento do ombro de Katie, firme e apertado.

O tiro de raspão que machucou Percy foi do lado direito da barriga a bala cortara mais o paletó do que a pele e eu agradeci por isso. Tirei a blusa dele e apertei o ferimento com a parte limpa do tecido e ouvi ele suspirar.

–Voce está sangrando... –Ele sussurra apontando para minha testa. Passo os meus dedos e sinto o sangue. Suspiro.

–Não é nada. Como conseguiu aniquilar um andar todo e ainda conseguir um carro?

–Por favor, não me diga que achou que eu fosse para uma máfia inimiga sem reforços... Ainda mais com você? Jamais. Sua segurança em primeiro lugar. –Ele tocou os meus cabelos, colocando por trás da minha orelha e beijou minha testa, encostei a cabeça em seu ombro e fechei os olhos.

–Obrigada por me defender, Pers.

* * *

Não houve nenhum ferimento severo em nenhum dos legionários que defenderam-nos. E nem em Katie ou em Percy. Apenas tiveram os ferimentos limpos e aplicado os analgésicos, além do repouso. O hospital estava cheio de legionários disfarçados e logo Silena chegou acompanhada de Sally.

Quem disse essas informações foram Nico que ficou comigo como acompanhante e recomendou – exigiu – que o médico fizesse uma bateria de exames para confirmar que realmente estava tudo bem. Então, eu estou deitada em uma cama de hospital nada confortável com Nico jogando algum joguinho besta no celular, o teto e tudo ao meu redor é branco e sinto náuseas e tontura.

Batidas na porta fazem com que Nico solte o celular por alguns instante e me encara. Uma mulher de branco sorri no momento em que entra no quarto.

–Bom dia, senhorita Chase. Sou a médica Pierce e a única que fala inglês fluente por aqui. E tenho notícias ótimas para a senhorita. Não ouve nenhum dano grave, apenas a distorção do músculo da sua perna direita que melhorará com o uso de analgésico forte e o corte, que já foi suturado, na cabeça e não houve nenhum dano com o bebe, apesar de ainda está no começo do primeiro trimestre. O que eu considero um milagre já que houve o susto e toda a pressão causada pelo tumulto.

Sabe o momento em que você está em uma rodovia e você decide ultrapassar o carro que está na frente e quando ultrapassa-o ver que tem um carro nessa mesma mão e sente que vai bater? Sabe quando todos os nervos do seu corpo está parando de funcionar em um determinado momento e que seus pulmões parecem estar enchendo-se d’agua?

Arregalei meus olhos de modo que sentir a pele rasgar, dei um sorriso torto e suspirei.

–Algo deve estar errado, Dra. Pierce. Voce deve ter pegado a ficha errada, sou Annabeth Pathernos Chase. Confira, não tem nenhuma possibilidade de que eu esteja grávida quando eu menstruei no mês anterior. –Argumento, não tenho coragem de encarar Nico, ele deve estar branco, quer dizer, ainda mais branco.

–Já estamos no dia 30 de setembro e... Você está com três semanas, Annabeth. Então, tanto é possível como você está gravida. Então...

Eu estou quase chorando de raiva, quando escuto as gargalhadas de Nico, que irrompem a sala.

–Eu não acredito nisso, Annabeth... Vamos lá, cade as câmeras?

Eu encarei Nico com raiva e arranquei o único fio transparente que estava em uma das veias do braço esquerdo. Fechei o cara para ele e fiz gesto para que ele saísse do quarto por alguns instantes, deixando-me a sós com a médica.

–Eu acabei de completar dezoito anos, eu mal terminei o Ensino Médio, eu não tenho uma vida garantida, eu bebi pra caralho ontem, ou seja... Eu não tenho condições, nenhum tipo de condições para criar uma criança. E nem o pai. Esse que não tem mesmo.

– Senhorita, o aborto nessa cidade é legalizado e você, apesar de ser americana pode realiza-lo, caso deseje. Mas caso sirva de consolo, milhares de mulheres passaram pela sua mesma situação e hoje criam seus filhos dignamente. Filho não é empecilho, senhorita. É a chance de mudar de vida, pode ser a sua.

–Deixe-me a sós, por alguns instantes. -Peço, virando meu corpo na cama ruim.

As lágrimas nunca pesaram tanto como nesse momento.

Notas finais
ANNABETH TÁ GRAVIDA, BRASEEL. MrsPassion recomenda: use sempre contraceptivos, camisinha sempre. Sexo também. Quero ver os xingamentos sim, quero ver como vai vim esse bebe e como Perseu reagirá. O que voces acham? Agora, o negocio vai acelerar... Annabeth tá carregando tudo que Athena passou e a parte 1 está bem proxima ao fim, e a PARTE II será narrada por...... PERSEU JACKSON E NICOLAS DIANGELO