Uchiha and Haruno
21 Cinzas
Notas iniciais
アッシュ
Caiu exausta na cama, balançou os pés fazendo com que os sapatos voassem, esticou os braços para abraçar o travesseiro e apagou antes de pensar no modo que encararia os pais e principalmente o moreno que dormia a seu lado.
Tudo aconteceu nesse mês que passou
MENOS
Seu casamento
***
BAILE DE CARNAVAL
Afastou-se de Sasuke ofegante, as bochechas coradas e o coração pronto para lhe saltar a garganta, não era médica, mas sabia que se tivesse problemas cardíacos já teria caído morta no chão.
–- Não... Não faça mais isso, por favor! -- Pediu com a voz vacilante e notou que ninguém a levaria a sério, nem ela mesma.
–- Qual o problema Sakura? -- O moreno deu um passo à frente e a viu dando dois para trás -- Somos amigos, noivos... Nos gostamos -- Sorriu e viu como gostava de vê-la ruborizada e acanhada em sua frente, isso dizia que ela também gostava dele não é? Afinal, nunca iludir-se fez mal a alguém!
–- Já disse que mesmo nos casando, não quero que crie qualquer expectativa comigo... Seu...seu -- Esbarrou no parapeito assustando-se e em um único deslize, Sasuke já segurava sua cintura -- Abusado, insolente, mal caráter, cafajestes -- Destilou adjetivos tentando em vão empurrá-lo para longe -- Me solte Sasuke!
–- Com uma condição -- Sorriu matreiro e Sakura teve vontade de realmente possuir os venenos de Hera, eles pareciam muito úteis nessas situações.
–- Que condição? -- Rosnou
–- Que a Hera beije o Gavião e não apenas o Gavião beije a Hera -- Os sussurros dele lhe invadiram os sentidos e escorregaria pelo chão se os braços fortes não estivessem bem presos a sua cintura.
–- Me solte logo e pare de besteiras Sasuke!
–- Não é besteira -- Deu um passo para frente prendendo-a entre sua cintura e o cimento do parapeito -- Quero sentir seus lábios no meu por vontade própria -- As respirações mesclavam-se levemente -- Somos jovens noivos, e o jornalista que está lá embaixo nos fotografando talvez gostasse de clicar um momento romântico na sacada, não acha?
–- Jornalista... -- Tentou virar, mas ainda presa desistiu para voltar-se aos olhos negros -- Se eu fosse um pouco mais maldosa, consideraria isso assédio, isso se eu não encarasse essa tentativa forçada de beija-lo como um estupro. -- Sorriu quando Sasuke afrouxou a mão e deu um passo atrás
–- Você realmente sabe como estragar um clima... Nunca te forçaria a nada, nem agiria contra sua vontade... Não quero que pense que sou esse tipo nojento de homem -- Os olhos negros repousaram visivelmente chateados no chão -- Desculpe!
Poucas vezes Sakura sentiu-se tão mal consigo mesma, sabia que se ele insistisse mais uma vez o beijaria, como sempre desejou fazer, mas uma última tentativa de evitar cair em tentação acabou sendo de mal gosto e lhe tirou a chance e pior, havia realmente deixado o moreno chateado com sua colocação.
Era uma tola mesmo.
Não soube precisar em que momento as pernas mexeram-se, nem como percorreu a extensão do parapeito para tocar o ombro do homem cabisbaixo que seguia até a porta de vidro.
Soube apenas que tocar seu ombro nu causou-lhe arrepios impróprios e os olhos negros surpresos intimidou-a a tal ponto que desistiu do pedido oral de desculpas e apenas demonstrou seu arrependimento.
Pela primeira vez, ela tocava a boca masculina primeiro.
Pela primeira vez, ela ficava na ponta dos pés antes de sentir a cintura ser presa ao corpo dele.
Pela primeira vez, deixou a língua deslizar por livre e espontânea vontade para encontrar a dele, macia, gentil e incrivelmente prazerosa.
Sabia que estava cometendo um grave erro, deixar-se levar, deixar-se conquistar pela lábia daquele cretino, mas o que mais poderia fazer?
Se era seu destino, aceitaria de bom grado.
Depois do beijo, como a Cinderela a meia noite, correu para esconder-se em casa, e que solução melhor teria? Estava morrendo de vergonha por beijá-lo daquele modo, pois sabia que ele havia sentido o tamanho de seu desejo de ser tocada por ele, o tamanho de sua vontade de ser amada por ele, e somente por ele.
Estava bem encrencada.
Mas o que era desejo virou cinzas no dia seguinte, quando já no escritório abriu o jornal e viu sua foto no parapeito junto a Sasuke sendo libidinosamente beijada, mas a notícia era outra...
"Após beijar sua noiva em local isolado da badalada festa dos Haruno, o jovem Uchiha Sasuke entreteu-se com loira misteriosa em cantos escuros do local.
Aparentemente a jovem noiva da alta sociedade não está sabendo lidar com o insaciável desejo do futuro marido, deixando assim que encontre novas presas e possíveis amantes."
Não havia fotos ou referências, mas o nome Orichimaru estava presente na notícia, apenas para lembrá-la que ele havia prometido acabar com isso, mesmo que implicitamente e agora, o maior alvo dele, era ela.
Quando chegou em casa todos se movimentavam demais para o seu gosto, a propósito, pessoas na rua a viam e cochichavam algo que parecia de suma importância.
Sabia que era algo relacionado a falsa notícia, mas mesmo assim, preferiu ignorar um a um que lhe média da cabeça aos pés.
–- Você sabe que não fiz nada disso, não é? -- O mais desesperado aparentemente era Sasuke, o envolvido direto com o fato de comentarem que "Ele era muito areia para seu caminhozinho"
–- Claro que sei -- Deu de ombros tão tranquila quanto pode, o que poderia fazer agora que Tokyo inteiro já possuía um exemplar desse jornal xumbrega?
–- Você não está furiosa? -- Encarou o moreno por breves instantes e teve vontade de rir de seu semblante incrédulo
–- Desde quando sou uma pessoa que cai em estado de fúria? -- Sorriu levemente e derreteu-se por dentro quando Sasuke lhe lançou um sorriso aliviado e... apaixonado? Iludiu-se por breves instantes
–- Que bom que não acreditou nisso -- Murmurou, mas seu semblante mudou quando viu Tsunade afobada vindo em sua direção.
–- Então prepare-se para entrar no estado de fúria... -- Murmurou e a partir daquilo, tudo mudou.
***
Processada por um cliente que ela sequer lembrava, acusada de agir de má-fé, aproveitar-se de uma senhora de idade e além de tudo, ludibriar cobrando honorários altíssimos.
As pressas teve que voltar a Portugal, onde a economia ruía cada dia mais e o sistema judiciário funcionava debilmente graças a falta de funcionários.
Teve sua carteira de advogada presa e cassada e sua carreira ficou por um triz, assim como sua liberdade. Amigos tentaram ajudar, juízes moveram seus pauzinhos e logo, seu caso foi julgado e ela finalmente foi absolvida.
Mas o problema foi que essa absolvição levou um mês e meio para acontecer e nesse meio tempo, ela ficou presa em Portugal.
Sem passaporte, sem passagens e com pouquíssimos recursos.
Seu casamento teve que ser adiado, atrasando a festa e prejudicando a junção das empresas, trazendo assim grandes prejuízos.
O dia que recebeu seu passaporte de volta, foi o mesmo dia que viu seu "cliente" sendo preso, pois descobriu-se que haviam pago uma gorda quantia a ele pelas falsas acusações.
Não sabiam o nome do mandante, mas tinham uma pista, o dinheiro havia sido depositado do Japão
Então Sakura fazia ideia de quem poderia ter feito aquilo.
Afinal, ela era sua presa
***
Sasuke deteve-se em meio ao espreguiçar, pois ainda de olhos fechados esbarrou em algo a seu lado. Estava pronto para esbravejar com quem quer que fosse, pois as empregadas na ausência da Sakura começavam a aborrece-lo com gracejos para cima e para baixo e não duvidava que uma delas estivesse realmente deitada em sua cama tentando lhe chamar a atenção.
Como se ele realmente quisesse e pudesse olhar para alguém.
Quase engoliu a língua quando viu cabelos rosados espalhados pelo travesseiro e um rosto sereno adormecido.
Ela finalmente, havia voltado.
Levantou com todo o cuidado da cama e seguiu até o banheiro, tomou banho, fez a barba, arrumou o cabelo depois de dias e invés de colocar o paletó para ir até a empresa, colocou apenas uma calça de moletom. Tinha planos melhores para aquele sábado.
Viu os olhos verdes abrindo-se lentamente após sentar-se na cama, por culpa dele ou não, ela estava despertando e tinham muito o que conversar.
–- Bom dia! – A voz aconchegante atingiu Sakura em cheio, antes de encara-lo olhou para o relógio e viu que havia dormido 1h30, 2 horas no máximo.
–- Bom dia! – Respondeu ainda relutante, levantou-se em um único pulo antes que Sasuke dissesse qualquer palavra – Vou ao banheiro!
–- Ok! – Assentiu e viu a mulher sumindo, ela parecia mais magra, mas igualmente bonita ou até mais, se bem, que a última vez que a vira bem havia sido vestida de Hera Venenosa, e talvez nada que ela usasse voltasse a deixa-la tão estonteante.
Talvez se não usasse nada...
–- E agora? – Murmurava para si mesma enquanto encaminhava-se ao banho e meditava, alias, havia lugar melhor para uma conversa consigo mesma?
Sabia por tudo que tinha passado, os problemas, as ameaças, o medo de ser presa, o medo de perder tudo... mas sabia que as empresas também passavam por problemas, muito dinheiro havia sido investido na fusão e o adiamento dela trazia consequências nada boas.
Sasuke provavelmente gostaria de mata-la por estragar tudo.
Seu pai também e seu sogro bem provável... E mesmo a culpa não sendo totalmente sua, sentiu-se culpada até os ossos.
Respirou profundamente, apertou a fivela do roupão à cintura e ainda secando os cabelos, saiu do banheiro. Esperava sinceramente não encontrar Sasuke no quarto, pois geralmente ele se enfiava no escritório e saia depois das 14h da tarde, mas naquele dia, não escondeu o espanto por vê-lo sentado na cama, em baixo dos edredons, confortável e relaxado mexendo no celular.
Seguiu até o armário para procurar alguma roupa, a essa altura nem importava qual, sabia apenas que não dava para usar calcinha, sutiã e roupão estando tão próxima de Sasuke.
–- Sakura – Ela estava tentando, mas Sasuke com certeza não estava colaborando, nem um pouco para ser sincera.
Não se vire, não se vire, não se vi...
Definitivamente, não precisou mover-se, pois ele fez isso por ela.
–- Me dê um bom motivo para estar me evitando – Desde quando Sasuke era tão maduro e calmo?
–- Não estou te evitando – Era óbvio que estava e ficou mais ainda quando desviou os olhos verdes do dele e tentou soltar-se.
–- Tsunade nos contou tudo o que aconteceu, por que não ligou? Eu iria para lá ficar com você... Sakura, preste atenção, você não precisa enfrentar tudo sozinha. – Ele parecia nervoso, pois a medida que falava mais parecia rosnar, mas isso não intimidou Sakura que o encarou determinada.
–- O problema era meu e ninguém precisava meter-se nele – Tocou a mão de Sasuke para desvencilha-se, mas instantaneamente baixou os olhos – Posso conviver com a culpa sozinha.
–- As empresas não ruirão ou faliram se é isso que te assusta, tivemos que pagar alguns juros, algumas taxas, perdemos algum dinheiro sim, mas nada que afundasse nossos pais – Suspirou – Você coloca um problema financeiro pequena na frente do seu problema com a justiça... E se não tivesse dado nada certo? Você seria presa em segredo? Sumiria por anos?
–- Chega Sasuke – Puxou o braço machucando-se levemente pelo movimento brusco – Não diminua o problema, até porque não é só do financeiro que falo, eu li a matéria do Orochimaru sobre o cancelamento de nosso casamento, sei que minha mãe ficou chateada e sei que a sua teve que desculpar-se com pessoas de alta sociedade graças a nora descabeçada que estava quase sendo presa. – Voltou-se ao armário abrindo-o de forma nada sutil – De uma forma ou de outra causei um problema, uma vergonha para nossa família, um desfalque.
–- Por Kami, te prenderia no armário até você notar que não tem culpa de nada se eu fosse um pouco cruel – Esbravejou batendo as mãos nas coxas – Sua mãe estava preocupada, pois a única que tinha algumas informações suas era Tsunade e isso graças a uma juíza portuguesa, pois nem para ela você telefonou.
–- Escuta aqui – Respirou profundamente – Você sabe o preço de uma ligação Portugal – Japão? Não, não sabe! – Encostou-se as portas fechadas do armário – Quando cheguei na conexão da Alemanha tomaram meu passaporte no aeroporto mesmo, pois havia um mandado de prisão para mim, fiquei dois dias na delegacia presa em uma cela especial, pois de primeiro momento eles acreditavam que eu era de um grupo de golpistas que estava agindo na Espanha e França, além do mais acharam que meus documentos eram falsos – Murmurou – Fui enviada para Portugal como uma criminosa intelectual, só quando cheguei lá consegui álibis de juízes e promotores que me conheciam –Encarou Sasuke que a ouvia com atenção – Fiquei na casa da Juíza Margareth e provavelmente foi ela que deu algumas informações para Tsunade, porque meu celular ficou apreendido junto com meu passaporte e minha carteira de advogada.
–- Você deveria ter pedido para entrar em contato conosco, eu iria até lá, você sabe disso.
–- Não liguei exatamente por isso, por saber que Tsunade, Jiraya, meu pai e até você estariam na porta da delegacia no dia seguinte que os informasse. – Apontou o próprio corpo – Fui ao inferno e voltei, sei me cuidar sozinha, pois é assim que vivo há anos. – Virou-se para seguir até o banheiro, mas foi detida pelos braços do moreno.
–- Parabéns, você é ótima tomando a rédea da situação e cuidando de tudo sozinha, mas preste atenção Sakura – Seus rostos estava próximos demais e ela tinha péssimas, ou melhor, ótimas recordações da ultima vez que isso havia acontecido – Você não esta mais sozinha, e nunca mais ficará.
Não teve tempo para respostas, pois os lábios dele a calaram antes. Ela os conhecia, não tão bem como gostaria, mas conhecia o poder que ele tinha sobre ela, o poder que emanava daquele beijo, daquele corpo... daquele homem fabuloso.
Havia sido um período difícil do qual ela não via a hora de esquecer, e talvez render-se diante dele, apenas um pouco não fosse mal, afinal, ele seria seu marido, por tempo indeterminado ou não, sentir a língua macia e suave mesclando-se a sua não parecia tão ruim.
Sua cintura foi firmemente apertada e pensamentos não tão religiosos passaram por sua mente quando ouviu-se gemer baixinho.
“Separe-se dele, separe-se dele, separe-se dele logo”
Sua mente era bem barulhenta quando queria, mas não estava conseguindo raciocinar direito, não quando ele a puxava para si e descia os lábios por seu pescoço.
Ela o amava, mas e ele? Gostava dela ou via apenas como uma oportunidade de leva-la para cama e aporrinha-la pelo resto da vida com isso? A desejava ou desejava apenas ter um motivo para atormenta-la e julga-la?
Independente de qualquer coisa, ela tinha apenas 5 segundos para decidir o que fazer, e que Kami a guiasse pelo melhor caminho!
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