Notas iniciais
Alguém aí galera? Se tiver, aproveitem! ;)

O resto da aula correu normalmente, exceto pelo fato de que Quinn não conseguia tirar Rachel da cabeça. E como se não bastasse, o cheiro da morena estava lhe matando aos poucos. Ela mordia o lábio inferior num ato de ansiedade. Estar tão próxima era mais difícil do que ela imaginava.

Deus, ela é tão linda! Tão, tão linda!

Controle-se!

Estou fazendo o meu melhor!

Não é o que parece.

Qual é... Pelo menos pensar eu posso!

Você está pensando tão alto que não será uma surpresa se ela ouvir!

Quinn revirou os olhos para si mesma por seus pensamentos.

Em determinado momento, a morena esbarrou o cotovelo no braço de Quinn, sussurrando um pedido de desculpas logo em seguida. A loira quase disse para ela que poderia esbarrar quantas vezes quisesse em qualquer parte de seu corpo. Corou com o próprio pensamento.

Quando o sinal tocou, Rachel se despediu gentilmente de Quinn e saiu rápido da sala. A cheerleader, por sua vez, deixou que ela fosse. Sua vontade era puxar mais e mais assuntos e passar o resto do dia descobrindo coisas sobre Rachel Berry. Mas sabia que era melhor ir devagar. O que não sabia era se conseguiria, de fato, ir devagar.


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Durante o dia, Quinn não encontrou Rachel outras vezes. Não dividiram mais aulas e a morena não apareceu no refeitório durante o intervalo. A loira até “procurou” por Tina Cohen Chang para verificar se estaria com ela. Não estava. Queria poder pelo menos olhar para a morena.


Apesar de sua imensa frustração, Quinn não deixou nada transparecer. Conversou animadamente com os amigos, expressou a saudade que sentira de Mike, pedindo para que ele contasse mais coisas sobre o Japão. O assunto rendeu muito, pois todos estavam curiosos e cheios de perguntas, já que de manhã, não tiveram tempo de conversar sobre tudo.

Quando as aulas acabaram, Quinn, Brittany e Santana foram para o treino das cheerios. Puck e Mike também tinham treino do time de futebol. Depois de inúmeros xingamentos e ameaças de morte, as meninas se encontraram com os rapazes no estacionamento da escola e após uma rápida conversa, se despediram. Mike estava sem o seu carro, por isso voltou com Quinn.

Ao chegar a casa, a loira foi direto pra cama. Tentou evitar os pensamentos ruins, mas estes eram ainda mais frequentes quando ela estava sozinha. Sua mente se dividia entre o otimismo e o medo. Em alguns momentos, ela sentia que poderia ter Rachel, que as coisas simplesmente dariam certo. Em tantos outros, se perguntava incansavelmente se a morena iria querê-la ao seu lado. A resposta que encontrava era sempre “não!”.

Com esse pensamento, ela começava a chorar baixinho, tentando lutar contra seus próprios sentimentos, como fizera a vida inteira. Parecia incrível que uma garota como Quinn pudesse ser dona de tanta insegurança, mas a verdade é que ela era, por mais que tentasse demonstrar o contrário. Esconder seus sentimentos, desejos e vontades, apenas demonstrava o quanto era frágil diante deles. Quem a conhecia de perto sabia disso. Diante dos outros, a capitã das líderes de torcida do McKinley High, fria e orgulhosa. Sozinha, Lucy Quinn Fabray, um verdadeiro poço de insegurança.

Mais uma vez, com os olhos inchados e lágrimas ainda percorrendo sua face, vencida pelo cansaço, ela adormeceu com um rosto lindo e uma voz perfeita em mente.

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– Filha, acorda! Vamos jantar... – A mulher disse com uma voz suave, acariciando o rosto pálido com uma das mãos. Não foi o suficiente. Ela se sentou na cama e começou a observá-la.


Ela é tão linda, dormindo como se tudo estivesse em paz. Tão serena, tão calma. Como se pudesse nos enganar para sempre. Como se não fossemos capazes de perceber que ela está sempre gritando por dentro, sempre por alguma coisa que é difícil demais de falar.

– Quinn, querida, acorde! Você vai perder o sono à noite! – Dessa vez, ela aumentou a voz e se aproximou mais da filha, que começava a demonstrar os primeiros sinais de que estava despertando.

Abriu os olhos devagar e encontrou o sorriso amoroso da mãe.

– Oi! – Respondeu sonolenta, com um sorriso também.

– Isso vai virar uma coisa entre a gente então?

– Isso o que? – A loira mais nova perguntou franzindo as sobrancelhas.

– Eu chegando em casa e vindo acordar você. Quando foi que se tornou tão dorminhoca, hein? – Quinn soltou um risinho e em seguida, um suspiro cansado. Sua mãe percebeu.

– Está tudo bem?

– Uhum! – Não olhou nos olhos. Não conseguia, sabia que estava mentindo. Mas em sua cabeça, era melhor assim.

– Ok! – Fingiu se convencer. Ela sabia que a filha precisava de espaço e tempo. Quinn não podia ser apressada, em nada. A garota tinha sempre seu próprio tempo e fazia as coisas na hora em que julgava ser a melhor. – Vamos jantar então? Seu pai já chegou!

– Tudo bem! – Ainda tinha a voz sonolenta. Levantou-se esfregando os olhos, até ficar sentada na cama, de frente para a mãe. Judy acariciou o rosto da filha com a mão direita. Quinn sorriu ternamente. – Me dá um abraço!

Judy sorriu e se aproximou dela, dando-lhe um abraço que só uma mãe sabe dar. Quinn fechou os olhos com força, segurando as lágrimas e apertando os braços ao redor da mãe. E foi quando a angústia desta cresceu, pois a mulher sabia que a filha estava passando por alguma coisa difícil e que evitaria a todo custo contar. Mas ao invés de pressiona-la naquele momento, ela resolveu esperar mais um pouco. “Apenas mais um pouco!”, prometeu para si mesma.

– Eu sempre estarei ao seu lado Quinnie! A mamãe ama você!

– Eu também te amo mãe! Obrigada...


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Terça-feira, segunda semana de aula.



Quinn chegou antes ao McKinley naquela manhã. Não porque quis ou porque isso diminuiria sua ansiedade, que ficava cada vez mais constante. Mas simplesmente porque ela não conseguia ficar em casa. Sentia-se a pior pessoa do mundo por estar escondendo tudo de seus pais. No dia anterior, depois do momento que teve com a mãe, a loira não conseguiu parar de pensar em toda a situação, sentindo-se desleal e mentirosa. E isso estava acabando com ela. Sua vontade era ir correndo para casa, convocar uma reunião com os pais e vomitar tudo que estava sentindo. Mas não conseguia. Ela nunca conseguia.


Para piorar, depois de mais um teatro durante o jantar, Quinn recebera uma mensagem de Frannie que dizia:

Já estou com saudades! Está tudo bem? Conversou com nossos pais? Imagino que ainda não né... Coragem Quinnie, você é forte e eu tenho muito orgulho de ser sua irmã! Te amo muito! Boa noite meu bem ;)

Isso só aumentou sua culpa, como se não bastassem todas as outras coisas que ela já estava sentindo. Não conseguiu dormir. Ficou se revirando na cama. E agora estava dentro do carro, no estacionamento da escola, tentando pensar em algum jeito de fazer sua dor diminuir. Olhou-se no espelho. Que lástima... A maquiagem não escondeu muito bem os olhos inchados e vermelhos por causa do choro. Suspirou, colocou os fones de ouvido e fechou os olhos. Desejou que fosse possível sumir, ou dormir e só acordar quando tudo estivesse resolvido.


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– Hey branquela! Dormimos juntas ontem à noite?


– Bom dia Santana! – Respondeu enquanto fechava o armário. – Não que eu me lembre... – Se virou para a latina, que fez uma careta.

– Uau, parece que você nem sequer dormiu... Bom, comigo tenho certeza que não, você se lembraria! De qualquer forma, isso nem é uma possibilidade... Eu pertenço à outra loira!

– Oooook! Aonde você quer chegar? – Ela perguntou, demonstrando o cansaço que de fato sentia, e certa impaciência.

– Bem, o que eu quero dizer é que você nem me cumprimentou ali atrás e agora você está aí, com essa cara de quem passou a noite inteira em claro sabe-se lá o porquê! – Respondeu estranhando a atitude da amiga.

– Eu não te vi, senão com certeza teria te cumprimentado, não sou mal educada ou qualquer coisa do tipo, embora você mereça minha ignorância às vezes. – O tom de voz era ríspido e fez com que a latina franzisse as sobrancelhas, apertando os olhos, numa expressão de questionamento e indignação. Dessa vez ela tinha certeza de que nada tinha feito.

– Eu não vou perder meu tempo com você hoje! Me procure quando tiver curado esse mau humor! Que se dane! – Ela se virou para ir embora. Quinn revirou os olhos, arrependida, e tentou segurar a amiga pelo pulso.

– Hey, me desculpa! – Pediu com uma expressão triste. Santana a olhou durante alguns segundos antes de responder, como se tentasse entender o comportamento da outra com muita dificuldade.

– Desculpo, mas não faço a menor questão de ficar perto de você hoje. – A latina comentou com frieza e saiu andando, como se não desse a menor importância.

Doía em ambas quando esse tipo de coisa acontecia. Doía principalmente porque lealdade sempre foi a coisa mais importante para elas. Mas a amizade das duas era assim. Juntavam-se as personalidades fortes e quando divergiam, era como se uma explosão acontecesse. Toda vez. Então simplesmente davam um tempo (curto, porque não conseguiam esperar demais) e voltavam a se falar como se nada tivesse acontecido.

Naquele momento, entre todas as outras coisas, Quinn sentia-se uma idiota por ter tratado sua amiga tão mal sem motivo algum. Mas ela estava cansada demais para se preocupar com Santana agora. Sabia que no dia seguinte, ou até antes, fariam as pazes e pronto.


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Durante o resto do dia, o humor de Quinn não melhorou. No intervalo, Brittany e Santana sequer apareceram onde os amigos se reuniam. E a loira tinha certeza que era por causa da briga que tiveram mais cedo. Preferiu não comentar nada com Puck e Mike. Ao invés disso, tentava interagir normalmente, mas eles acabaram percebendo que ela não estava realmente ali.


– Tudo bem Q.? – Mike perguntou um pouco preocupado. Puck apenas observava a amiga com cautela.

– Ta! Ta tudo bem sim... Eu só to bastante cansada! – Desviou o olhar para baixo. Os amigos se entreolharam de forma questionadora. – Eu preciso ir ao banheiro meninos. Nos vemos mais tarde, ok? – Esboçou um sorriso que não convenceu nenhum dos dois e se dirigiu até a saída do refeitório.

Andava sem rumo pelos corredores, de cabeça erguida e séria, mas com o olhar perdido. Estava perdida. Não conseguia lidar com a quantidade de sentimentos explodindo em seu peito. O fato de que suas próximas aulas não foram com Rachel e ela sequer tinha visto a morena naquela terça, mais uma vez, fez o humor de Quinn piorar.

Mas o que destruiu seu dia de verdade aconteceu no final das aulas. A loira saiu da sala tentando se esconder de Puck ou Mike, não queria conversar. Santana não seria um problema, sabia que a amiga também queria evita-la. E Brittany, obviamente, estava com a latina.

Dirigiu-se rapidamente em direção às portas principais da escola, saindo com pressa. Mas no momento em que chegou ao estacionamento, o que viu a fez parar no lugar onde estava, como se seus pés estivessem colados ao chão. Rachel e Jason estavam conversando animadamente, de uma forma até carinhosa. Seu coração disparou de raiva e também medo, e ela engoliu em seco, antecipando o sofrimento. Franziu as sobrancelhas e apertou os olhos com força, tentando impedir as lágrimas de caírem. Abriu-os novamente porque não conseguia não olhar, ela tinha que ver o que aconteceria a seguir. E o que ela viu doeu. Deus, como doeu! Jason se aproximou de Rachel e sussurrou algo em seu ouvido, beijando seu rosto demoradamente em seguida. A garota sorriu timidamente para ele, que devolveu com um sorriso convencido. Quinn enxergou vermelho. Foi correndo em direção a seu carro. Tudo que ela queria era sair daquele lugar o mais rápido possível.


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Enquanto dirigia, suas mãos tremiam no volante. Ela não enxergava nada além de Rachel sendo beijada por Jason. Sentia raiva, sentia uma fúria extrema. Não saberia dizer como chegou a sua casa, que caminho fez ou se havia respeitado qualquer lei de trânsito. Provavelmente não. Ela estava completamente cega. Colocou o carro na garagem, pegou as chaves, entrou em casa. Tudo de forma mecânica. Foi até a cozinha beber água. Suas mãos tremiam enquanto ela enchia o copo. Até sua respiração estava trêmula. Bebeu um gole. Dois. De olhos fechados e tentando desviar seus pensamentos para outro lugar, longe de Rachel, de Jason e de tudo o que estava sentindo. Mas não conseguiu. Como se estivesse lhe provocando, Jason entrava em sua mente e estava com o mesmo sorriso convencido no rosto. Rachel sorria para ele e não para Quinn. O rapaz beijava seu rosto. Beijava seus lábios. Rachel correspondia, jogava seus braços ao redor dele. Rachel beijava Jason, não Quinn. Por que ela iria querer alguém como Quinn?


Isso explica porque ele nem se importou em trocar de lugar com você, eles provavelmente dividem inúmeras outras aulas juntos. Talvez quisesse testar Rachel também. Incitá-la a dizer que era muito melhor sentar perto dele do que de qualquer outra pessoa, incluindo você! Ela nem sequer apareceu hoje. Deveria estar com ele enquanto você só pensava nela. Rachel não te quer.

O copo estourou na parede espirrando água. Transformou-se em inúmeros pedaços de vidro espalhados pelo chão. O coração de Quinn estava em pedaços também. E agora ela chorava de raiva e apertava a borda da pia de mármore com as duas mãos. Contorcia o rosto numa expressão de raiva e dor. Socou a pia. Gritou de dor. Foi quando a campainha tocou. Dirigiu-se até a porta e pelo olho mágico viu que era Puck. Não abriu. Não queria que ele visse seu estado, não queria escutar nada dele naquele momento, principalmente porque sabia que teria que lidar com suas palavras. E Quinn não estava em condições de lidar com nada.

– Eu sei que você está aí! Abre a porta!

Não houve resposta. O rapaz suspirou irritado.

– Abre a porta Quinn! – Falou um pouco mais alto. Mais uma vez, sem resposta.

– Ou você abre essa droga ou eu vou dar um jeito de entrar! – Ele bateu com força na madeira e a loira fechou os olhos, derrotada. Sabia que ele seria capaz de fazer o que estava dizendo. Abriu. Deparou-se com o olhar de raiva e preocupação dele, que se tornou também triste no momento em que viu como a amiga estava. Ela abaixou os olhos e se afastou da porta, para que ele pudesse entrar. Entrou, colocando as duas mãos nos bolsos traseiros da calça e a observando fechar a porta, com cautela. Ele engoliu em seco, queria chorar também. Notou que ela apertava uma mão na outra e imaginou que tivesse se machucado. Tudo na aparência dela revelava o que a garota era capaz de fazer com si mesma e Puck sentia seus olhos arderem de vontade de chorar. Ela se encostou à parede e com a voz falha disse:

– Eu não quero você aqui!

– Que pena, eu vim pra ficar! – A voz dele, por sua vez, não falhou. Era fria e Quinn tinha certeza de que o amigo estava morrendo de raiva. E tudo bem, ela sentia raiva também. Respirou fundo.

– Eu disse: Eu não quero você aqui! – Falou pausadamente, entre dentes.

– E o que é que você quer? – Perguntou de forma cínica. – Hã? ME RESPONDE! – Gritou. – É tudo sobre você! EU!EU!EU... O QUE VOCÊ QUER QUINN? Além de preocupar todo mundo? – Fez a última pergunta quase num sussurro, como se não tivesse acabado de gritar irritado com ela.

– Sai daqui! – Falou com a voz incrivelmente calma. – Eu não quero você aqui! Vai embora!

Depois dessas palavras, tudo aconteceu extremamente rápido. Puck foi até a porta, completamente tomado pela raiva. Destrancou, pegando as chaves e jogando-as longe, em algum canto da sala. Quinn se assustou pela primeira vez, dando alguns passos para trás. O rapaz então segurou na maçaneta redonda com uma das mãos e apoiou a outra na madeira, batendo a porta com força uma, duas, três, quatro vezes. Fazendo a loira fechar os olhos rapidamente, assustada pela segunda vez, e mais lágrimas caíram de seus olhos. Não sabia o que ele pretendia fazer, mas quando Puck se virou, o que ela viu em seus olhos não foi raiva, foi tristeza. Como se aquilo tudo lhe magoasse profundamente. Ele sustentava o olhar da amiga com seriedade e melancolia. Um silêncio pesado se formou entre eles. Quinn teve a impressão de que horas se passaram quando o amigo finalmente falou:

– O que você quer que eu faça? – Sua voz era baixa. Ele continuou sustentando o olhar dela de forma triste. Quinn ainda chorava. – O que você quer que eu faça pra te ajudar? Me diz... Eu não posso mais te ver assim! – Foi a vez de Puck chorar. Algumas lágrimas caíam de seus olhos sem permissão. Quinn se sentiu a pior pessoa do mundo, pra variar. Nada fez além de cobrir os olhos com as duas mãos. Não sabia o que dizer para melhorar a situação. Seu coração doía porque ela sabia de onde vinha a tristeza de Puck.

Ele se aproximou da amiga e carinhosamente, colocou seus braços fortes ao redor dela. Quinn finalmente se deixou levar. Por tudo que estava sentindo. Apertou os braços ao redor da cintura do amigo e suas lágrimas ensopavam a camiseta dele. Era como um refúgio para ela. O rapaz repousou uma das mãos nas costas da amiga, como se quisesse prendê-la ali, enquanto com a outra, acariciava sua nuca.

Não saberia dizer quanto tempo ficaram daquele jeito quando ele finalmente quebrou o silêncio:

– Vem, vamos subir! – Disse puxando-a em direção à escada.

Ele a levou até o quarto. Quinn deitou em sua cama, ficando de lado. Puck deitou em seguida e abraçou a amiga, virando-a para deitar em seu peito. A loira se aconchegou com um suspiro e com a voz falha, disse:

– Me desculpa!

– Shhh, ta tudo bem! Vamos descansar!

– Eu sei que você quer dizer alguma coisa...

– Não agora, só quero que você descanse. – Ele fechou os olhos e Quinn o imitou.

Ambos dormiram como se o turbilhão de emoções não tivesse causado uma explosão minutos atrás.


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Ela abriu os olhos devagar, olhava em direção ao teto. Sentiu que estava sendo observada. Mudou o foco do olhar. Puck estava sentado na cadeira de rodinhas, ao lado da cama, sério. Mas quando seus olhares se encontraram, ele esboçou um sorriso. Quinn devolveu, mas de forma triste. Sentia a culpa voltando a pesar em seus ombros.


– Tudo bem? – O rapaz perguntou.

– Você roubou minha fala. – Ambos sorriram levemente. Quinn se sentou na cama tão devagar que era como se estivesse fazendo um esforço muito grande para executar qualquer movimento.

– Eu amo você! – Ela se assustou com a declaração tão repentina. Olhou para ele e deu um sorriso. Abriu a boca para responder, mas ele foi mais rápido. – É tão sem esforço, tão natural pra mim e imagino que seja pra todo mundo. Você é a melhor pessoa que eu conheço, acho impossível que alguém te conheça e não passe a te amar também.

– Isso não é verdade. Não sou a melhor pessoa que você conhece...

– Pra mim você é Quinn! Tudo que eu quero é que você acredite nisso. Acredite em você!

– Eu estou tentando Puck...

– Tenta mais! Tenta do jeito certo... Sabe por que eu vim pra cá? – Ela balançou a cabeça negativamente. – Eu vi você, na escola. Vi a sua reação diante do que aconteceu e eu sabia, eu tinha certeza que você ia entrar em desespero. E sabe Deus o que ia acontecer.

– Eu não suportei ver os dois juntos... Eu não aguentei! Ele tava completamente em cima dela e ela sorria como se estivesse completamente nas nuvens. – Algumas lágrimas caíram de seus olhos.

– Isso vai acontecer outras vezes até que você tome coragem e faça ela ser sua!

– Ela É minha! Minha e de mais ninguém... Ela foi feita pra mim!

– Ótimo, mas ela não sabe disso, concorda? – Quinn abaixou os olhos tristemente. – Quinn, me escuta e, por favor, por favor, pensa no que eu vou dizer! – Ela o encarou novamente. – Você tem que parar de lutar contra isso. Você tem que parar de lutar contra tudo o que você sente. Para! Isso não é ruim... Você não é ruim! Então para de tentar mudar o que você não pode e se aceita! Se aceita!

– Eu não sei por que pra mim é tão difícil... – A garota disse triste.

– Eu não quero ver você se acabar de novo... – O tom dele era de confissão.

– Eu sei! – Respondeu rapidamente. – Eu não quero que isso aconteça. – Começou a chorar novamente.

Puck se levantou da cadeira e sentou na cama, de frente para amiga. Segurou uma das mãos entre as suas e falou:

– Quinn, olha pra mim! – Ela obedeceu. – Nós vamos fazer isso juntos, ta bom? Eu vou estar ao seu lado sempre, como prometi que estaria! – O rapaz sorriu de forma encorajadora. Se Quinn não podia ganhar confiança sozinha, ele seria confiante pelos dois, até que ela passasse a ser também. Afagou o rosto da amiga e enxugou suas lágrimas com os polegares. – E você vai conquistar essa Rachel Berry!

– Você acha? – Perguntou insegura, mas esboçando um sorriso diante do entusiasmo do amigo.

– Eu tenho certeza! Como você disse... Ela foi feita pra você! – O sorriso da loira aumentou e ele ficou feliz por isso. – Vem cá, vem!

Abraçaram-se com força durante algum tempo, ambos mais tranquilos e felizes. Puck sabia que Quinn poderia fazer qualquer coisa, ela só precisava de incentivo. Precisava que alguém reforçasse o que ela, em algum lugar escondido dentro de si, lá no fundo, já sabia.

– Eu tava pensando... Dá tempo de fazer um jantar pros seus pais!

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Notas finais
Espero que tenha ficado claro que toda vez que uma frase estiver em itálico, é pensamento de algum personagem. Acredito que esteja fácil de perceber quem está pensando, porque sempre faço uma referência na mesma sentença ou um pouco antes. Me avisem se algo estiver confuso!! Sei que é tarde pra comentar isso (hehe), mas de qualquer forma, antes tarde do que nunca!Por hoje é só pessoal...Xoxo