Notas iniciais
O quão próximo duas pessoas podem chegar? O nível de uma amizade pode chegar até que ponto? Para Jane e Maura isso nunca havia sido questionado. O início foi turbulento, mas aos poucos, com o passar dos dias, das semanas, Jane pôde perceber que Maura era esquisita sim, mas ela admitia apenas para si mesma; Maura já havia percebido o quão teimosa, rabugenta, impaciente ela podia ser, mas estranhamente, ela adorava quando a morena ia até a sala de autópsias conversar com ela sobre o caso, e Jane também partilhava do mesmo sentimento em ir até a sala da legista esquisita para saber do que se passava, e também, porque Jane estranhamente adorava aquele jeito esquisito tá loira
A verdadeira amizade, sempre surge quando duas pessoas não sentem empatia uma pela outra, ou que apenas “não gosta do jeito de tal pessoa” mas quando ambos vão se conhecendo, vão analisando e tendo a certeza de que, embora haja muitas diferenças, um vai cedendo e aprendendo a conviver com as diferenças, e percebendo que as igualidades entre si, mesmo que sejam poucas, sobrepõem-se às diferenças de personalidades.
Os anos se passaram e a amizade, o amor delas só fez crescer. Jane tinha um instinto protetor com Maura que nem ela mesma entendia. A morena podia perceber qualquer perigo que já puxava Maura para atrás de si, a ponto de querer protegê-la. Passar a semana na casa da loira para Jane já não tinha mal nenhum, muito menos para Maura, que já até deixara um canto de seu guarda-roupa para ela. Maura percebeu que as diferenças que eram existente entre elas, fez com que ambas percebessem que isso não importaria e de fato não iria influenciar no que elas haviam construído até aquele presente momento, mas e quando você começa a perceber que o amor que sente por sua melhor amiga já passou do nível fraternal? Quando a necessidade de estar perto é maior que a necessidade deixá-la ir? Porque Maura estava sentindo isso, ela estava sentindo que estava tendo sentimentos por sua amiga que não era permitido, em uma amizade, sentir, ainda mais porque a pessoa em questão era sua única melhor amiga e de quebra, uma mulher. Não, Maura era livre de preconceitos, mas como iria ser se todos soubessem que? Não, impossível.
Os anos continuaram passando e o sentimento mudando. Maura pensava que sentia isso só, ledo engano! Jane havia percebido que seus sentimentos por Maura estava tomando proporções gigantescas, mas como ela iria dizer a Maura que estava tendo um sentimento por ela que ela nem sabia ao menos se era recíproco, mas que sabia que estava ali, e pulsava?
Você amar em silêncio é dolorido. Maura teve que ver Jane com o agente Dean, depois teve quer e conviver com Jane e Casey, ou então, Jane chorando por causa de Casey, e Maura pôde atribuir o pior dia da sua vida quando Jane foi pedida em casamento por Casey. “Como eu posso viver sem a minha melhor amiga?” mas o pensamento de Maura era “Como eu posso viver sem o amor da minha vida?” Para Maura, o mundo havia voltado a ser preto no branco no mesmo dia em que Jane havia lhe mostrado o anel. E depois de alguns dias, para o bem da loira, Jane não casaria mais com Casey, mas em contra partida, ela soube que pela própria morena que ela – Jane – estava esperando um filho daquele homem. A parte boa é que ele já estava no Afeganistão.
– Você vai dizer a ele, Jane?
– Que? Não. Eu estava pensando em outra coisa…
– Em que?
– Eu quero ter esse bebê, parece assustador, mas eu quero, e se… Maur, e se nós o criássemos juntas? Digo, se algo acontecer comigo, sabe, quando ele ou ela nascer, eu quero, eu quero muito que você cuide dessa criança para mim, caso eu…
– Jane…
– Eu sei que você não é obrigada a anular sua vida por causa de uma criança, e que não é sua responsabilidade, e que… Eu também estive pensando quando você disse sobre fazer uma conta poupança para ela ou ele… E eu vou fazer, mas eu quero que você venha comigo, porque se você aceitar a criar esse bebê comigo, eu quero que você participe de tudo, tudo mesmo, e então?
Maura estava digerindo a ideia ainda, o que Jane queria? Ela teria a guarda plena do bebê caso algo acontecesse com ela?
– Sim. Eu estarei com você nessa Jay.
Uma lembrança que parecia agora um pouco distante, visto que Jane perdera o bebê em pouco tempo de gestação… E para Jane ficar calada sobre seus sentimentos? Quando ela via a loira com Jack, ela sentia seu coração bombear o sangue mais depressa que o normal, e a raiva que sentia ao ver aquele homem beijando sua Maura era… repugnante. Mas Jack era um homem bom, até que ele precisou ir embora, e Maura preferiu que ele fosse, porque ela aguentaria ficar sem ele, mas a filha dele… Ele tinha que estar presente em todos os momentos de sua filha, e ele relutou até certo momento, e vira que seria em vão tentar um relacionamento à distância com a loira.
E então voltava Jane e ela novamente, no mesmo lugar. Querendo ou não, quem sempre estaria ali seria Jane para Maura e Maura para Jane, como sempre foi.
***
Mais um caso para elas resolverem, mais um dia em que alguém matara outra pessoa, inocente ou não, mas nunca deixaria de ser um ser humano. Naquela manhã Maura estava vendo um site de spa para ela ir com Jane, quando seus telefones tocaram.
– Rizzoli?
– Isles?
– Ok.
Ao chegarem na cena do crime, elas vieram conversando, até que foram interrompidas por Korsak, quando este pediu para conversar com Jane a sós. Ele nunca fazia isso, e Maura percebeu que algo de errado havia acontecido. E ela teve a certeza quando vira o outro legista atuando no mesmo caso em que ela fora chama.
– Korsak, por que há outro legista na mesma cena de crime?
– Doutora Isles…
– Maur, a vítima é a Susie.
– O que? Como assim?
– Você pode voltar para casa, eu te aviso de tudo.
Por que Susie? Porque ela? Maura conseguiu ter uma outra amiga, mesmo que não fosse Jane, ela tinha Susie. Elas falavam a mesma língua, entendiam dos mesmos assuntos, eram amigas, não tão íntimas, mas eram.
– Eu vou ficar bem. Vamos.
Jane apenas queria segurar Maura em seus braços e dizer que sentia muito, queria arrancar do rosto da mulher à sua frente a tristeza que se instalara ali naquele lindo rosto, seu coração estava apertado. Não bastava Frost que todos haviam perdido, Susie também? Jane perdera Frost, seu parceiro, e Maura perdera sua parceira de laboratório Susie Chang.
O quanto mais o destino brincaria com a vida delas? O que mais ele havia preparado para as duas? Porque os respectivos ex-namorados já haviam ido embora, os parceiros de trabalho de muitos anos também, o bebê de Jane…O que o destino mais uma vez reservaria para elas? Porque, parecia, mesmo que ambas não acreditassem plenamente em destino, elas sabiam que ele não brincava. Enquanto via Maura analisar o corpo de Susie, ela lembrou-se de quando Hoyt iria matá-la em sua frente, e o medo dela mesma morrer, deu medo de que Maura fosse a morta. Ela não podia deixar que Hoyt estragasse mais uma vida, e com certeza, não seria a dela, porque se Maura partisse para sempre, grande parde de Jane partiria junto, e elas mal sabiam que daquele dia triste, em que Susie Chang havia partido, seria o começo em que o destino, ou até a mesmo a vida começasse a trabalhar para juntar dois corações que passaram a vida toda em perdas quase que constantes. Estava na hora de trabalhar a favor do amor, a favor delas.
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