Two Hearts That Be As One
2 Dois
Notas iniciais
Capítulo II
Era fato que a amizade de Jane e Maura evoluiu. Chegou a um nível em que elas tinham tanta intimidade que Jane tomava café da manhã todos os dias em sua casa, e Maura não se importava com isso, ela adorava ter o mal humor da morena pela manhã. Elas não se davam conta que tinham tantas coisas em comum: perdera seus parceiros mais chegados Frost e Susie. E após a morte de Susie, elas se aproximaram mais ainda.
Jane não queria perder mais ninguém. Muito menos perder Maura. Só a possibilidade de algo acontecer com a loira a deixava com o corpo arrepiado de medo. Então, depois da morte de Susie, essa era a desculpa da morena: aproveitar todos os momento que podia com a loira, porque ela não tinha o poder de saber o que iria acontecer no futuro, e o futuro não seria no dia seguinte, ou na próxima semana. O futuro era instantes que se seguia do decorrer das horas. O futuro podia mudar naquele mesmo instante, no minuto seguinte. O futuro era e é imprevisível.
Para Maura perder Jane estava totalmente fora de cogitação, pois ela foi a única amiga verdadeira que teve em toda a sua vida. Já perdera Susie, que era uma amiga também, além de Jane, mas não era Jane, Susie nunca obtivera de Maura intimidade para falarem das vidas pessoas de cada uma, ou de dormirem num colchão no meio da sala da morena, ou de tomarem vinho na casa da loira, elas eram amigas. Não tao íntimas, mas eram. E com Jane era diferente. Totalmente. Quantas vezes ela quase perdeu a morena? A primeira vez com Hoyt a prendendo no chão, a segunda vez a levando para o meio do mato para matá-la, a terceira vez quando ele seduzira a então ficante de Frankie, a quarta quando ele estava morrendo de câncer. Quatro vezes um louco pervertido e obsessivo pela morena tentara a matar. Ou ela nem falava quando ela deu um tiro em si própria para salvar o irmão e os demais da BPD, ou pulando em um rio, de águas pesadas, para salvar um cara que tinha certeza de que ele era inocente. Quantas vezes Maura quase perdera Jane? Só nessas tentativas, ela quase morrera junto, não seria da mesma morte, mas ela morreria por dentro. O seu mundo ruiria se Jane a deixasse para sempre.
O elo estava solidado entre elas, e nada, ou qualquer problema seria capaz de abalar esse vínculo que elas possuíam.
Naquele dia de quinta-feira pela manhã não era diferente. Elas estavam entrando na BPD, Maura um pouco a frente com seu belíssimo vestido preto, com laterais brancas, três dedos acima do joelhos, seu sapato de salto alto também preto, e sua bolsa ao lado. Seus cabelos no corte novo a deixou mais nova, com a franja caindo em sua testa, dando a ela uma aura de inocência que era natural de Maura. Jane um passo atrás da loira com a mão em suas costas, a conduzindo para a cafeteria.
Korsak e Frankie estavam sentados de frente para a porta, e puderam ver a entrada triunfal das duas mulheres mais lindas do departamento.
– Aposto cinquenta pratas que elas vão namorar – sussurrou Vincent.
– Aposto cinquenta que elas não namoraram. Essas rosquinhas estão te fazendo mal, Sargento – e riu, debochando do mais velho.
– Bom dia rapazes.
– Bom dia, Dra. Isles.
– Bom dia.
– Bom dia, Jane.
– O que há com ela? — arriscou Frankie.
– O mesmo mal humor de sempre, Frankie. Nada diferente – cutuca Maura. — Bom, preciso descer. — virou-se para a morena – Pode levar café para mim? Não poderei ficar aqui, tenho um relatório para mandar para o Governador.
– Sim. Te vejo daqui a pouco.
– Falou com ela sobre assistirmos a final do RedSox lá?
– Ih, nem lembrei. Vou pegar café, falo com vocês depois.
– Já prevejo cinquentinha no meu bolso.
***
Jane estava preparando o café, sentiu seu celular vibrar no sinto da calça, e logo viu que era uma mensagem de sua mãe, pensou em ignorar, mas sabia que ela iria mandar mais de uma caso ela ignorasse. “Precisamos arrumar o seu sofá” — revirou os olhos. “Céus, será que ninguém entende que eu gosto daquele sofá? Não ligo para o buraco que Jo Friday fez, aquele é o meu velho e amigo sofá” — pensou. “Mãe, não! E eu estou no trabalho, silêncio!” — respondeu. Naquela manhã sua mãe e Maura estava querendo a todo custo fazer a morena mudar de ideia quanto a arrumar ou comprar um sofá novo. Motivo maior para que Jane já ficasse mal humorada, e sabia que elas não iriam sossegar até que fizessem isso. Conhecendo Maura, a morena sabia que a loira iria tentar persuadi-la de qualquer jeito para que ela cedesse, e deixasse Maura tomar as rédeas da situação chamado: um novo sofá para Jane.
Já em direção à sala de Maura, a morena estava pensando em como fazer para mudar as ideias de Maura sobre ter um novo sofá. Ela não queria, pois sabia que ela – Jane – iria deixar cair pizza, molho, ketchup, e não iria se importar em passar apenas um pano, e tudo voltaria ao normal, e se Maura desse um sofá novo para ela, ela não deixaria ninguém ao menos colocar os pés em cima do estofado, a não ser ela mesma e, claro, Maura.
– Hey.
– Oi Jane.
– Você ainda não aceitou que eu não quero mudar de sofá? Really? Roxo?
– Você precisa de um sofá novo, e o seu aniversário está quase perto, aceite com um presente de aniversário, Jane.
Jane ia retrucar, mas os telefones começaram a tocar indicando um novo homicídio.
***
O bosque.
Jane odiava quando algum corpo era deixado ali: primeiro por causa dos pernilongos, segundo: por falta de provas, e pistas do assassino, terceiro: não havia câmeras de segurança nos caminhos, apenas na entrada e saída do parque. Mas o mais chocante era quando o corpo se tratava de crianças. Ela não teve a oportunidade de ter a sua criança, mas não era justo com aquela menina, e nem com as outras. Quem seria capaz de fazer algo com uma menina daquelas?
Sabia que não adiantava procurar por ali, pois não havia muita coisa ao redor, além de sangue seco, que provavelmente seria da vítima. Maura não iria falar nada mais antes de fazer a autópsia, teria que esperar até que surgisse o nome da vítima para poder contatar aos pais.
Pais... o mais difícil em ser um detetive, era contar para a família que seu filho, esposo, esposa, seja lá qual for o grau de parentesco, havia sido friamente assassinado, era algo completamente difícil.
Você nunca está preparado para perder alguém. E Jane sabia disso. Ela nunca esteve preparada para perder alguém próximo a ela, ela nunca estaria. Enquanto olhava ao redor, olhou para Maura por alguns minutos, e nesse pouco tempo, soube que se perdesse Maura, ela se perderia, e nunca se acharia novamente. Nunca conseguiu entender o tamanho do poder que Maura exerce sobre ela. Nunca parou para pensar nisso, e na verdade, nem queria; pois sabia que o que a loira fizesse para ela, seria bom, e ela gostaria. Mesmo com a ideia do sofá ser trocada, ela sabia que a loira ia fazer com ou sem o consentimento dela, e ela sabia que a luta já estava perdida mesmo. “Tenho certeza que eu nunca poderei te perder, Maura” pensava. Perder Maura era como perder metade de si mesma.
Maura não era diferente dos pensamentos de Jane. Ao analisar o corpo, ela pensou caso fosse uma filha dela ali. A menina não tinha mais que dezessete anos, isso era perceptível para os olhos clínicos de Maura.
Enquanto se levantava para e os auxiliares recolhiam o corpo de dentro da gaiola, por Deus, só uma pessoa fria demais colocaria alguém dentro de uma gaiola. Maura estava acostumada com a morte, e com as pessoas mortas, mas ela se surpreendia a cada dia com a maneira que uma pessoa podia ser morta. Ela nunca iria entender essa sede de sangue que alguns psicopatas têm, que esses maníacos têm. A vida ser interrompida pelo simples prazer de matar, torturar... Maura não conseguia conceber essa ideia, essa lógica mental. Até porque isso para ela era falha mental, quase um retardo mental que levava essas pessoas ao próprio abismo, e ela ficava ainda mais surpresa pelo fato de que eles – maníacos psicopatas – não se importavam em estar se afundando cada vez mais na escuridão de suas almas inquietas, e de suas mentes conturbadas.
A vida era o maior milagre para Maura. Ela não acreditava em outras vidas além daquela, não mesmo, para ela, as coisas deviam ser palpáveis e provadas cientificamente que existia, e se ninguém, nenhum doutor, nenhum cientista sabe o que acontece com as almas depois que morrem, porque ela acreditaria que podia existir uma vida extra? Para ela, o que se faz em vida, em morte jamais poderá ser feito novamente. Isso não queria dizer que ela debatia e era veemente contra quem acreditava nisso, suas opiniões ela guardava para si, justamente para não gerar conflitos desnecessários para todos. Mas a vida, aquela que ela tinha, era tão frágil quanto um recém-nascido, e ela sabia que a vida pode ser tirada muito rápido. Ela pensou novamente em Jane, e nunca queria que a morena a deixasse, ela não estava compreendendo esse medo que estava sentindo de perder a morena, mas sabia que se a perdesse, ela morreria, não seria a morte física, mas ela morreria internamente, e essa é a pior morte que o ser humano pode ter: estar vivo sem viver.
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