Notas iniciais
Segunda cap porque sim :3 Eu sei que a fic não foi muito sucesso mas vai que as pessoas veem ela agora :3

Pintura, no meu ponto de vista, é a forma mais pura de expressão. Eu sempre gostei de apreciar obras de arte, e era deleitado por elas todos os dias da minha vida desde que me casei.

Minha esposa é uma linda mulher incrível, carinhosa, independente e... Talentosa.

Eu acho que minha esposa tem uma ótima mão para a pintura e ela tem se sustentado emocionalmente na sua arte.

Nós estamos passando por alguns problemas na relação ultimamente sabe. Eu sempre soube que ela queria um bebe, e eu queria um também, eu acho.

Na verdade eu não sei se quero, não sei se quero uma criança, mas no final das contas eu sou o problema.

Nos fomos a vários médicos, especialistas nisto, e o resultado foi um choque para nós, eu era estéril.

Eu, que sempre amei minha esposa não seria capaz de conceder o seu maior sonho, não poderia fazê-la feliz, não poderia dar-lhe o maior presente do mundo, o presente de ser mãe.

Eu era um fracasso. Eu a abracei enquanto ela chorava desconsoladamente molhando minha camiseta e perfurando meu coração como uma faca.

Mas eu não poderia deixa-la assim, nunca, eu ficaria do seu lado para sempre, ou pelo menos foi o que eu pensei.

Despois disso eu construí um tipo de estúdio para ela, algo com muito espaço para poder dar-lhe tempo para respirar e esquecer-se de tudo. O estúdio estava cheio de telas, tintas, pinceis e suportes. Poderia não ser um investimento que traria lucro, mas só o seu sorriso já valia mais do que isso.

O tempo passou e eu nunca me atrevi a por um pé naquele estúdio, por respeito eu acho. Eu penso que aquele é seu santuário, assim como o meu escritório é o meu, e eu devia respeitar o seu espaço, mas eu não sei o que veio a mim aquela manhã.

Ela havia saído aquele dia. Havia ido fazer compras no centro da cidade.

E eu entrei no estúdio, sem mais nem menos.

E então eu vi aquelas pinturas, meu deus. Elas eram... Assustadoras. Eu sinto que não conheço mais minha mulher.

Todas eram parecidas, era uma família, um casal e um bebê. Depois de uma observação mais detalhada eu notei que éramos nós, mas o que me assustou não foi à similitude e sim o bebe.

Meu deus do céu.

Eles eram pintados de cor vermelha carmesim, feitos com pinceladas violentas contrastando com o estilo sereno do casal.

Eu só reconheci que eram bebes pelo tamanho, pois pareciam manchas distorcidas. O pincel tinha sido usado com tal violência que em muitas pinturas há um buraco onde o bebe deveria estar.

Eu acho que aquele era para ser o sinal de parar, mas eu não consegui parar de mexer nas suas coisas.

Entrei no pequeno deposito a direita. O cheiro foi o primeiro que chegou.

Eu deveria ter parado antes.

Eu amo minha mulher, mas aquilo? Aquilo era mais do que eu poderia aguentar.

Aquelas pequenas massas de carne em jarras manchadas de vermelho do próprio sangue, aqueles pobres fetos mutilados. Pequenos seres humanos não nascidos, torcidos e guardados para serem usados como ferramentas.

Como tintas.

O cheiro ficou mais insuportável após da descoberta, eu vomitei enquanto lagrimas de pânico caiam.

Eu sinto que me casei com uma estranha. Eu já não sei mais quem é minha mulher.

Já não sei mais o que fazer.

Notas finais
Ficou meio curto, mas senti que se continuasse eu ia enrolar demais e perder o clima