Notas iniciais
Olá, Eu gostaria de me desculpar pela demora. Eu tive problemas pra postar este cap, eu tenho ele pronto desde outubro, mas meu computador tinha quebrado e eu o mandei para arrumar, ele chegou só hoje, e então só consegui postar agora. Me desculpem pela demora, mas foi um problema que eu não tive como evitar. Então não estranhem o tema de Halloween, lembrem que foi escrita o 30 de outubro! Ah, e desculpem se a capa ficou meio feia, realmente não tive tempo de trabalhar nela. E se puderem, leiam as notas finais. Boa Leitura!

A noite era uma grande esfera de risadas, “buu’s”, e frases sobre doces ou travessuras, eu ouvia tudo da minha janela, com um sorriso na boca.

Halloween é um tempo de festas, o tempo que muitos não gostam, mas eu acho que alguém como eu não tem lugar em tal festejo.

Eu acabei de terminar meu segundo ano na universidade, e eu acho que minha vida tem perdido o sentido. Não tenho amigos, minha família esta totalmente separada e eu não falo com eles a anos.

Desci até a cozinha e comecei a preparar uma boa comida. Ultimamente, comer e fazer exercício têm sido meus passatempos favoritos. Espero que não passem aqui procurando por doces, pois não tenho nenhum. Tenho que cortar o orçamento.

Cozinhava algo simples, não tinha vontade de nada complicado, que desperdiçara tempo e dinheiro, ainda que tivesse tempo, dinheiro era que eu não tinha.

Escutei a porta tocar e um leve suspiro escapou meus lábios. Mesmo assim me dirigi até a porta e olhei pela janela que se encontrava ali... Nada, um silêncio fúnebre tomou a minha casa. Pode ter sido um dos meninos fazendo uma brincadeira de mau gosto. Pirralhos

Então virei-me para voltar a caminhar até a cozinha.

Um rosto, um rosto cinza, com olhos vermelhos como a sangue me encaravam, encaravam através da minha alma e chegavam a gelar o meu corpo. Senti a criatura tão perto... Tão perto, ela não tinha uma cara definida, é como se todas as pessoas sofrendo tivessem suas caras representadas em uma massa deformada, sempre em um tipo de metamorfose contínua, mas sempre mantendo os mesmos medonhos olhos vermelhos. A massa abriu o que seria sua boca e bufou. Enxofre, o mais puro e repugnante enxofre, fez meus olhos arderem.

A porta tocou e a criatura olhou para ela, eu também desviei minha atenção um segundo e ao voltar a olhar para a criatura ela não estava ali. Será minha imaginação? Não, não pode ser.

Ouvi o bater na porta novamente e meu corpo tremeu. Abri a porta com prontidão, eu acho que deveria dormir mais.

Na porta havia dois adultos, com capas e capuzes negros, eles tinham a cara coberta pela sombra projetada pelos mesmos. Achei estranho o fato de adultos saírem, mas ainda assim tentei ser o mais educado possível.

– Posso ajudar? – disse, arqueando uma sobrancelha. Eu senti que seus olhares estavam fixados em mim. As duas figuras somente entraram pela porta, os corpos robustos e altos passaram por mim facilmente.

Vi um objeto brilhante sendo tirado do bolso de um deles. Não parei para pensar, somente corri até meu quarto no andar de cima. Meu sangue gelou ao constar que havia outras três pessoas lá, a janela do corredor estava aberta, mas como diabos eles haviam entrado?

Não consegui raciocinar nada, pois senti uma pancada forte e minha consciência indo embora.

Acordei em uma cama de pedra, olhei em volta e as mesmas pessoas estavam lá ainda olhando-me fixamente. Tentei levantar-me e senti meu corpo pesado e o puxão das cordas atadas aos meus pulsos e tornozelos.

Entrei em pânico, perguntava freneticamente sobre o que fariam comigo, enquanto sentia a pedra áspera machucar minhas costas nuas.

Eu observei enquanto eles me davam a respostas. Os cinco, em um círculo, levantar os dedos até a altura de seus lábios e pronunciaram o único som naquele lugar.

Shhhh...

Senti meu coração gelar e me debati, até que fui segurado.

– O ritual começa, fique preparado – uma voz perturbadoramente grave disse aos meus ouvidos. – Samhain esta esperando você, ele esteve todo o ano, agora você será dele, e ele estará feliz. Você também deveria estar! Ser brinquedo de Samhain é uma grande honra para os mortais.

A risada grave e perturbadora soou aos meus ouvidos e eu me encolhi, o que esta acontecendo?

A figura perturbadora se mostrou na minha frente novamente, pude contemplar todas as suas feições agora. Aquilo media algo como dois metros e meio, tinha pelo por todo o lugar, dois chifres levemente espiralados finos, e os dedos terminavam em lâminas parecidas a unhas.

Ele chegou perto de mim, e o enxofre encheu o ar novamente. Ele passou as suas “unhas” pelo meu peito, e com um movimento rápido cortou-o. Um corte superficial, a dor foi repentina e aguda, fazendo minhas costas arquear.

Os olhos do monstro brilharam de uma maneira repugnante, algo parecido a um prazer sádico.

Ele apoiou sua mão no meu corpo e abriu uma ferida no meu abdômen, novamente me contorci, já não estava sendo segurado. Agora os outros andavam e dançavam em nossa volta. Alguns entoavam uma musica demoníaca em latim, e outros gemiam de maneira sexual, a mistura de sons fazia com que minha cabeça pareça uma bomba, prestes a explodir.

Vi a criatura chegar mais perto e apoiar o indicador no meu peito novamente. Comecei a respirar rapidamente

Não, por favor, chega.

Ele aplicou pressão e moveu levemente o dedo, rasgando minha pele lenta e dolorosamente. Já chega, por favor.

Senti minha pele lentamente ser desgarrada. O sangue corria quase tão fluidamente como minhas lágrimas. A dor tomou conta do meu corpo quando ele apertou a região abdominal com a suas garras, eu senti minha carne ser cortada impiedosamente.

Ele levantou suas garras e as desceu em um golpe em minha perna, desgarrando o músculo e expondo o osso, fazendo meu corpo inteiro parar de funcionar por um momento.

Gritei em agonia, a dor me contorcia ao mesmo tempo em que não me deixava mover. Notei um som vindo da besta, algo parecido com uma risada repugnante e pervertida.

Logo ele cuspiu na ferida aberta. Um tipo de fumaça saiu da ferida, e o cheiro de enxofre fez minha visão embaçar e um ardor inimaginável controlou meu corpo.

Desde então eu não senti nada. Olhei enquanto o monstro cortava o meu corpo, as pessoas seguiam dançando e agora todas soavam como se estivessem sentindo um prazer sexual com o que acontecia ali.

Não achei mais nenhum sentido na minha vida. Não que ela tivesse algum antes, mas agora, não tinha mais nenhuma vontade de nada.

Desisti de viver, fechei meus olhos.

A noite era cheia de gemidos, e a ultima coisa que ouvi foi minha pele, sendo rasgada uma ultima vez.

Notas finais
Algumas coisas sobre meu "estilo" digamos, e criação. As historias sempre vão ter algum tipo de simbolismo. Eu acho o simbolismo uma das formas expressivas mais criativas, raramente eu vou descrever as coisas como na realidade, provavelmente eu usarei algum problema psicológico do personagem como uma ferramente de manipulação da realidade. Por exemplo em "Silence", o personagem se encontra com uma figura monstruosa no banheiro, bom, aquela é digamos a personificação do seu desejo de matar e seu ódio, por isso a boca enorme e sua influencia na hora de decidir o que fazer. Ela é a personificação de sua doença. É irônico que eu escreva isto neste capítulo, pois eu não usei simbolismo neste. Eu continuarei um fato por capítulo, pois não quero fazer as notas do tamanho do capítulo. Obrigado por lerem, comentem se puder, me deixa muito feliz e me impulsa a escrever mais ainda!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.