Notas iniciais
Depois deste capitulo iremos vivenciar algumas das angustias de Jane.

MAURA: Sim, muito. E eu acho que tu também.

JANE: Isso mesmo. Bem, chegou a hora de começar meus planos para a conquista. Diga, Dra. Isles, o que a doutora quer comer no café da manhã?

MAURA: Qualquer coisa?

JANE: Sim, a la carte.

MAURA: Eu quero crepes, eu amo os crepes que tu fazes.

JANE: Doces ou salgados?

MAURA: Surpreende-me.

JANE: Ok, da-me um beijo e fica na cama enquanto eu os preparo, Eu depois aviso quando eles ja estiverem prontos. E tu desces, sim?

MAURA: Sim — Maura respondeu, antes de beijá-la.

Jane desceu as escadas. Ela foi primeiro ao banheiro do seu quarto, onde tomou um banho rápido e trocou de roupa, em vez do seu pijama habitual, decidiu começar com calças de lycra e um camisola folgada de mangas curtas que comprara para se exercitar na sala do segundo andar, "a sala de Ioga", como Maura o chamava. Sabendo agora que Maura gostava da forma do seu corpo, ela pensou que era hora de mostrá-lo, não muito, mas sim, um pouco maism um pequeno detalhe no seu "plano de conquista".

Quando Jane saiu do quarto para começar a preparar o café da manhã, ela ouviu os passos de Maura, que estava descendo as escadas. Maura também tinha tomado banho, tinha cabelos úmidos e vestia uma camisa de algodão e shorts. Maura parecia radiante e linda.

Assim que Maura viu Jane a sua óbvia mudança de figurino, que a fazia parecer magnífica, não passou despercebida. Por causa disso, Maura exclamou, enquanto a olhava de cima a baixo

MAURA: Uau! Tu pareces muito melhor com essa roupa.

JANE: Tu gostas? — Jane perguntou num tom malandro.

MAURA: Sim, gosto muito — respondeu Maura, abraçando Jane e beijando o seu pescoço, erizando-se pelas carícias de Maura, Jane disse:

JANE: Nesse caso, vou ter que sair e comprar mais alguma roupa assim, só tenho esta.

MAURA: Boa ideia, algo me diz que em breve, podemos fazer uma nova fogueira no jardim, e dizer adeus para sempre aquelas velhas e largas roupas — disse Maura, trazendo beijando Jane nos lábios, enquanto elas estavam fazendo isso, Maura notou que Jane estava a sorrir. Esse detalhe, sentir o sorriso de Jane no meio de um beijo, de alguma forma, fez com que ela se apaixonasse por ela ainda mais. Quando elas separaram os lábios, Jane perguntou:

JANE: O que estás a fazer aqui tão cedo? Eu disse-te que te informaria quando os crepes estivessem prontos. — Mantendo o abraço, Maura respondeu a sorrir:

MAURA: Eu senti a tua falta.

JANE: Ah sim? — Maura assentiu, ainda a sorrir.

JANE: Nesse caso, queres me ajudar?

MAURA: posso? Maura perguntou animadamente.

JANE: Claro, alias, eu adoraria que tu me ajudasse.

MAURA: Ótimo, é assim que vou aprender a fazer crepes. Eu quero te surpreender um dia destes com um café da manhã feito por mim.

JANE: Realmente?

MAURA: sim.

JANE: Como alguém que eu amo com loucura diria, Posimhaa! -Ambos riram então Jane acrescentou — Começamos?

MAURA: sim.

Enquanto cozinhavam, o celular de Maura tocou, mas como as suas mãos estavam ocupadas batendo na massa dos crepes ela pediu a Jane para olhar a tela para verificar quem estava a ligar para ela.

JANE: É Kent — disse Jane.

MAURA: Meu amor, por favor, atende por mi — Jane tocou a tela e Maura disse:

MAURA: Olá Kent, como vais?

KENT : Tudo bem Maur, estou a ligar para me dizeres como foi teu encontro com a Kara?

Maura e Jane encontraram os olhos uma da outra e compartilharam um sorriso cumplice e então Maura respondeu:

MAURA: Maravilhoso, otimo, incrível, mas não exatamente o meu encontro com a Kara, esse morreu antes de nascer, além do mais, acho que Kara Vazquez não vai falar comigo pelo resto da sua vida.

KENT : Então, como tu dizes que foi maravilhoso, ótimo e incrível num encontro, que não foi um encontro? Além disso, esse tom na tua voz?

MAURA: Que tom? — Maura perguntou divertida.

KENT : Não fiques chateada comigo mas eu conheço-te, vá fala.

MAURA : Eu vou te dizer desta forma, finalmente somei dois mais dois, e o total foi quatro.

KENT : Já era hora! Como eu suspeitava, esse compromisso faria tu reagires, mas diz-me, quando vais dizer á Jane? Suponho que quando ela voltar, certo? Porque tu vais dizer a ela que tu está apaixonada por ela. Se não contares eu mato-te.

JANE: Dr. Kent, obrigada.

KENT: Jane! És tu?

JANE: Sim.

KENT : Olá Jane. Já entendi o tom peculiar de felicidade da Maur e todos aquelas adjetivos que ela usou. Estou muito feliz por vocês duas.

JANE : Obrigado Dr. Kent

KENT : Não mais Dr. Kent, chama-me de Kent.

JANE: Ok, obrigada, Kent. -Maura interveio na conversa, dizendo:

MAURA: Sim, obrigada Kent, por abrires os olhos a esta burra e gênio ao mesmo tempo.

KENT : Maur, tu não podes ser um burro e um gênio ao mesmo tempo, bem, embora pensando melhor, sim, às vezes tu és.

MAURA : Bitonta?, como tu me chamas-te no outro dia

KENT : Algo parecido. O que está a fazer? se, se pode saber.

MAURA : Jane e eu estamos a terminar de preparar o café da manhã, crepes de suzette.

KENT: Jane! Tu sabe o que fazes? Espero que sim, porque a Maur não cozinha.

JANE: Ela está a aprender enquanto me ajuda.

KENT : Então, tu sabes cozinhar?

JANE: Um pouco — respondeu Jane, mas Maura interveio:

MAURA: Nada de "um pouco" Kent, a Jane cozinha como os deuses.

KENT : Ótimo, mas essa informação valiosa não me ajuda até que eu veja por mim mesmo.

JANE: Tu vais provar. A Maur e eu logo te convidaremos para almoçar ou jantar em casa, junto com a tua família.

KENT : Ok, podes me prometer?

JANE: Eu prometo.

KENT : Ótimo! Agora deixo-vos. Aproveitem o vosso café da manhã — Kent disse num tom de duplo significado inconfundível. Maura riu e disse:

MAURA: Kent, tu não tens solução.

KENT: Não, eu sou um caso perdido — disse Kent rindo, e depois acrescentou. — Adeus garotas.

MAURA E JANE : Adeus — responderam em uníssono.

Durante as semanas seguintes, elas compartilharam momentos maravilhosos. Jane largou as roupas largas, em outra noite no jardim, fizeram uma nova fogueira. Agora ela estava vestida da maneira mais sensual, que a localização das suas cicatrizes permitia. Jane não parou de surpreender Maura com detalhes românticos impressionantes, enviava flores para a clínica em duas ocasiões e, às vezes, a recebia com um jantar romântico à luz de velas. Elas se acostumaram a dormir juntas, enquanto Maura abraçava-a por trás. Cada despertar tornou-se a primeira razão para sorrir, para suspirar de pura alegria, para perceber o calor dos seus corpos, sentir a enorme alegria de saber que a pessoa com quem sempre sonharam estava lá, mesmo depois de acordar, estava lá, apenas a um abraço de distância.

Gradualmente Jane começou a relaxar, deixando para trás alguns dos seus medos. Embora, por enquanto, só houvesse uma condição, manter as luzes apagadas. Como um homem cego que desenvolve o resto dos seus sentidos para compensar a sua falta de visão, Maura aprendeu de cor os caminhos da sua pela, a sua textura, seu aroma, seu sabor. Ela aprendeu a reconhecer a cadência e os contrastes, nos excitantes gemidos que Jane exalava da sua boca, no ritmo da sua respiração acelerada, na batida dos seus suspiros alucinatórios.

É por isso que ela mudou de roupa, é por isso que ela decidiu um dia que era hora de fazer uma nova fogueira no jardim e dizer adeus para sempre as roupas largas. Por isso mandou flores para Maura. Não foi a obsessão que moveu suas ações, mas o amor que sentia por ela. Aquela imenso amor, que como resultado daquela primeira noite, inundou todo o seu ser, como um leito de águas contidas, que quebra e explode em milhares de milhões de gotas de água.

Portanto, Jane decidiu dar outro passo. Ela havia encomendado para fabricar um novo elamento, que a partir daquela dia, faria parte da decoração exterior. Era uma cama de casal de estilo canopy, com um design tropical, com molduras de madeira rústica, um teto de lona branca e cortinas semitransparentes da mesma cor, movendo-se ao sabor do vento, dos quatro quadros horizontais superiores. Jane não podia desfrutar daquela belo jardim durante o dia, o protocolo da investigação proibia-a especificamente de tomar sol, mas no crepúsculo não havia restrições que o impedissem. E esta noite, ela decidiu aproveitar ao máximo, ao lado da mulher que amava. Ela queria surpreender Maura. O jantar aconteceria na sala de jantar, à luz de velas, exatamente onde a nova aquisição de Jane não poderia ser distinguida, mas depois, ela revelaria suas intenções de continuar a noite. A melancolia que reinara entre elas, em todas as suas noites de partilha, deixaria de ser absoluta,à luz de uma enorme e brilhante lua cheia.

Animada e nervosa ao mesmo tempo, pela surpresa com que ela iria receber Maura, Jane tomou banho e saiu do quarto, justamente quando a ouviu chegar em casa. Ela desceu correndo as escadas e a recebeu com um grande abraço e um beijo apaixonado. Animada também, por aquela recepção extraordinária, Maura ouviu Jane quando ela disse, num tom travesso:

JANE: Meu amor, vá tomar banho enquanto eu sirvo o jantar. Hoje tenho uma surpresa para ti. — A sorrir e apertando o abraço de Jane, Maura disse:

MAURA: Eu tenho a ligeira impressão de que tu tens em mente algo mais para continuar os teus planos de conquista, como tu chamas e devo confessar que estão funcionando, porque sinto que a cada dia me apaixono mais por ti.

JANE: Essa é a idéia — disse Jane com alegria, dando-lhe uma pequena palmada e acrescentando. — Vá meu amor, toma um banho rápido, eu esperei o dia todo por este momento.

MAURA: Ok — Maura disse a rir, enquanto subia as escadas. O jantar foi maravilhoso e agora ela tinha chegado ao ponto desejado, e, ao mesmo tempo, o batimento cardíaco de Jane acelerava. Quando terminaram o jantar, ela disse a Maura:

JANE: Meu amor, é hora de te mostrar a surpresa que preparei para ti.

Um pouco surpreso, Maura disse:

MAURA: Eu pensei que este grande jantar à luz de velas fosse a surpresa.

JANE: Jantar só foi o inicio — disse Jane — enquanto se levantava da sua cadeira e se dirigiu para o local de Maura, com uma pequena faixa de seda branca que estava na sua mão. Agora, se tu me permitires, vou te vendar para te levar para a verdadeira surpresa desta noite.

Enquanto estava vendada, Maura sorriu animadamente, ela não tinha a menor ideia sobre o que Jane pretendia fazer. Jane colocou as duas mãos na cintura de Maura e a acompanhou até ao jardim, elas pararam em frente à cama de casal. Então, ela sussurrou no seu ouvido:

JANE: Tu só vais remover a venda, quando eu te disser. OK?

Maura assentiu com expectativa, sentindo um arrepio percorrer o seu corpo, sentindo o calor dos lábios adorados tão perto da sua pela. Jane se despiu o mais rápido que pôde, manteve apenas a calcinha e se deitou na cama. Ar inspirado, não só para levar oxigênio, mas também paara ganhar coragem, e então ela disse:

JANE: Meu amor, tu podes tirar a venda.

Fazer amor, enquanto os seus corpos nus se fundiam, sentindo a brisa suave soprando ao redor delas, era algo sublime ... espetacular. Exaustas, abraçadas, Jane e Maura se acariciaram com ternura à luz da lua cheia e do céu cheio de estrelas, então, elas perceberam mais uma vez, como aquele amor que as unia se tornava mais forte, mais profundo, assim como a sua conexão física. No entanto, embora naquela momento o ignorassem, essa seria a última vez que Jane dormia pacificamente, a partir da próxima noite, ela iria literalmente experimentar o seu pior pesadelo de novo...