Maura chegou para o hotel quase no momento do jantar. Ao entrar no saguão, pegou no celular e ligou para Kent. Ao terceiro toque o seu amigo respondeu:

KENT: Olá Maur, como estás? Como foi em Brooklyn?

MAURA: Muito bem, amanhã meu novo paciente viajará comigo para Miami.

KENT: Porquê tão rápido? — Se a investigação começa em três meses.

MAURA: Jane requer um implante ósseo para recuperar a simetria facial, antes de se juntar à pesquisa.

KENT: Entendo, quantos anos ela tem?

MAURA: 26 anos.

KENT: Ai, tão jovem, o que aconteceu com ela?

MAURA: É uma longa história, algo que nunca deveria ter acontecido, vou contar-te os detalhes. Onde estás?

KENT: Fui dar uma volta com alguns colegas e agora estamos a caminho do "230 Fifth", você sabe, o bar da cobertura na Fifth Avenue. Queres vir? Sua nova conquista está aqui também — terminou Kent com um toque de malícia na sua voz.

MAURA: passo, esta noite nem copos nem conquistas. A propósito, nos encontraremos contigo amanhã no aeroporto. Deixarei o hotel por volta das 9:00 da manhã. Preciso passar pela casa da Jane para colocar algumas bandagens.

KENT: Se não te conhecesse tão bem, eu insistiria para que viesses nos acompanhar, mas não vou insistir, algo me diz que há outras coisas em mente, a tua paciente, por exemplo, tenho a impressão de que esta visita te afetou.

Era verdade que Kent a conhecia muito bem, às vezes até melhor do que ela.

MAURA: É verdade, amigo, chocou-me e emocionou-me tanto que ofereci á Jane a minha casa.

KENT: Como ofereceste a tua casa? O que queres dizer? — Kent perguntou, muito intrigado e espantado ao mesmo tempo.

MAURA: É parte da história que eu vou contar, mas sim, a Jane vai morar na minha casa enquanto durar a investigação.

KENT: Ainda não entendi — disse Kent.

MAURA: A versão curta é que foi um dos meus impulsos, tu sabes, aquelas coisas que me vêm à mente num momento, sabendo que é a coisa certa a fazer, mesmo que eu não saiba exatamente o porquê.

KENT: Podias ter começado ai Maur. Se é um dos teus impulsos, deves estar certo, como sempre; embora ninguém mais entenda isso, nem você, pelo menos por agora.

MAURA: Nem eu teria dito melhor; assim foi.

KENT: Bem Maur, já estamos a chegar ao bar. Desejo-te uma boa noite. Amanhã nos encontraremos no aeroporto. OK?

MAURA: Ok, boa noite. Diverte-te.

KENT: Beijos Maur, até amanhã.

Maura foi até o quarto, pediu um jantar leve, tomou um banho relaxante na banheira, acompanhado de um bom vinho, depois foi para a cama para dormir cedo, no entanto custou-lhe a adormecer. Ela não entendeu a razão, mas naquela noite, enquanto olhava para o teto do quarto, um único pensamento lhe veio à mente, repetidas vezes, quase sem permissão, Jane ...

No dia seguinte, exatamente às 10h30, vestindo uma elegante jaqueta azul escura e conjunto de calças, uma blusa de seda branca e sapatos de salto alto fechadas, Maura tocou a campainha da casa de Jane, em Brooklyn, alguns segundos depois, o Sr. Rizzoli abriu a porta, os dois se cumprimentaram e ele a convidou a entrar, enquanto pegava a bagagem de Maura para colocar no saguão, gesto que ela agradeceu com um sorriso.

FRANK: Dra. Isles, a minha filha está lá em cima no quarto dela, está á sua espera, para colocar a bandagem nela. Diga-me, a doutora quer beber alguma coisa Posso-lhe fazer um chá ou um café? A propósito, a doutora já tomou café da manhã?

MAURA: Sim Sr. Rizzoli, já tomei café da manhã, muito obrigada, mas aceito um café, se não for incomodo.

FRANK: Incomodo nenhum, enquanto isso a doutora pode ver a Jane. O quarto dela fica à direita, ao subir as escadas.

No topo, Maura notou que a porta do quarto que o Sr. Rizzoli havia indicado estava entreaberta, embora soubesse que Jane estava á sua espera, por gentileza tocou gentilmente, ouvindo imediatamente a voz de Jane convidando-a a entrar. O quarto estava imaculado, arrumado e limpo. Era quadrado, espaçosa e muito bem iluminado.

A luz natural penetrava do fundo através de cortinas semitransparentes colocadas numa janela de porta, que dava acesso a um pequeno terraço com vista para o jardim dos fundos da casa. Anexado à parede esquerda, estava a cabeceira de uma cama grande disposta entre duas mesas de cabeceira. A parede direita da sala tinha uma grande abertura arqueada, que dava acesso a um pequeno estúdio em forma retangular.

Ao entrar no estúdio, à esquerda, havia uma janela alta que fornecia luz natural à sala. Na frente, ao lado da parede, havia uma pequena biblioteca e, à direita, uma escrivaninha na qual estava o teclado e a tela de um computador. No momento em que Maura se inclinou, viu Jane sentada, trabalhando na frente da tela. Naquele momento, Jane olhou timidamente para Maura, depois explicou que estava a terminar de transferir para o laptop, que também estava na mesa, alguns arquivos e programas que ela precisaria levar para Miami.

Maura, com um sorriso, retornou a saudação e disse:

MAURA: Ok, vou esperar no teu quarto.

JANE: Já terminei, os arquivos estão a carregar. Quando a doutora terminar de colocar a bandagem, a única coisa que eu terei que fazer é desligar o laptop e guardá-lo na minha bagagem.

No momento em que Jane se levantou da cadeira, Maura notou que, desta vez, ela havia tirado o pijama, em vez disso tinha-se vestido com uma camisa preta de mangas compridas, jeans apertados da mesma cor e uns ténis brancos com listras pretas. Naquele momento, Maura confirmou o que já havia notado no dia anterior, mas não conseguiu ter a confirmação, já que o pijama que Jane usava era largo e não mostrava a sua figura bem delineada, uma figura que não passou despercebida pelos olhos de uma cirurgiã experiente.