Tudo acontece em Hangout Ville
1 Capítulo 1 - Alimentação no século XXI
Notas iniciais
Eu já seguia aquela menina há dias, aguardando o momento pelo qual ela estaria sozinha. Naquela cidade ninguém mais andava sozinho!
O meu tão esperado momento chegou. Ela havia entrado num beco com um rapaz. Sai de meu Camaro amarelo e caminhei na direção daquelas pessoas. Eu faria uma ótima refeição, visto que o rapaz parecia adoentado.
Entrei no beco e, ao perceberem que estavam sendo seguidos, eles pararam e começaram a olhar ao redor... Tão bobos! No lugar deles eu estaria correndo. O bom de as pessoas acharem que vampiros são lendas é que elas não se protegem.
Avancei sobre a menina e o idiota de seu namorado ficou parado observando espantado. A menina já estava morta quando me dei conta. Então eu segui para o prato principal.
Eu estava próxima ao pescoço do rapaz quando ele me deu um... Soco?! Pulei para trás. As pessoas não me socavam!
– Ai! – Gritei.
– Ai você! Se você me tocar de novo vou tacar spray de pimenta! – Ele falou puxando sua bolsa de marca. Arregalei os olhos e inclinei minha cabeça.
– Não tenho tempo para palhaçadas! – Falei e puxei-o.
– Me solta! – Ele se balançou. – Escuta, tem uma super festa rolando. Eu TENHO que ir. A vida daquelas pessoas depende de mim!
Continuei sem entender. Olhei em volta. Ele estava falando comigo? Por que tanta tranquilidade? Respirei fundo (descobri naquele momento que ainda respirava).
– Eu tenho que me alimentar! – Falei.
– Você não é a primeira hoje. – Ele disse e me entregou um cartão.
– O que? – Perguntei olhando para o cartão reluzente.
– Eu sou um chef muito famoso! Nunca me viu na televisão? Se quiser se alimentar vá até meu restaurante! – Ele disse e puxou outro cartão. – Eu não tenho comida aqui!
– O que é isso? – Apontei-lhe o segundo cartão.
– É o cartão do meu dentista! Suas gengivas estão sangrando. – Ele disse, virou e foi embora. Fiquei parada por um tempo olhando para os cartões reluzentes. Realmente procurar uma preza naquele século estava muito difícil!
Caminhei lentamente para casa com minha derrota. Deixei os cartões sobre a mesa e não pude evitar me olhar no espelho ao entrar em casa... O problema é que eu não tenho reflexo. Sentia saudades de quando podia ajeitar meu cabelo, escovar meus dentes... Ou ver quando tinha um caroço de feijão (o que já não acontecia, mas checar não me mataria).
Fiquei pensando na falta de preocupação daquele homem com a amiga, então resolvi visitar seu restaurante no dia seguinte. Quando olhei em volta estava na cozinha do restaurante. Ele gritava tanto que eu teria morrido do coração assim que entrei... Mas eu já estava morta mesmo.
– Eu matei sua amiga. – Falei parando em sua frente.
– Que amiga? – Ele perguntou virando com uma frigideira e um pano de prato sobre um dos ombros.
– A de ontem á noite. – Falei e revirei os olhos.
– Ah, era você? Já passou no Doutor Félix, não é? Seu sangramento parou! – Ele disse, revirei meus olhos novamente.
– Não! Eu matei sua amiga! – Falei com muita moral. – Que estava entrando no beco com você! Eu suguei todo o sangue daquela desgraçada!
– Ela não era minha amiga! Estava tentando me assaltar. – Ele disse e afagou minha cabeça. – Você me fez um favor!
Onde estava minha moral? Eu havia assassinado brutalmente uma pessoa bem ao lado daquele homem e ele não ligava!
– Eu sou uma vampira! – Eu quase gritei. Os outros mestres-cucas olharam espantados.
– Você também jogou ontem? O meu resultado deu zumbi! – Ele disse e os outros que estavam presente suspiraram.
– Não! Eu falo sério! Eu posso te matar aqui e agora! – Falei e aquele homem se afastou de mim, começando a chorar em um canto.
– Mesmo depois de eu ter te oferecido o cartão do meu dentista? – Ele chorava.
– Pare de infantilidade! – Falei e me retirei da cozinha.
Caminhei até minha casa. Um local que chegava a ser irritante. Eu nunca usava a cozinha, ou o quarto. Sentei no sofá, apenas olhando para o local onde estaria meu reflexo borrado na televisão. A porta bateu e um homem alto, com cabelos escuros, entrou por ela.
– Como vai, Tracy? – Peter Jones perguntou.
– Não me assuste! – Falei e corri para fechar a porta.
– Como se pudesse se assustar... – Peter pôs seu chapéu sobre a mesa.
– Ontem tentei caçar um homem, mas ele me agrediu! Sim, eu posso me assustar! – Falei e peguei um copo de água.
Peter era meu melhor amigo fazia quase cem anos. Ele morava em outro país atualmente, por isso eram raras as vezes que nos víamos pessoalmente.
– Não bebo água! – Peter empurrou o copo.
– Mas eu preciso gastar água de alguma maneira! – Falei.
– Por quê? – Peter perguntou.
– Porque ouvi falar que isso é quase uma “moda” entre os vivos. – Respondi.
Peter riu e derramou a água em meu tapete. Não sei por que ainda o convidava para minha casa. Comecei a chorar sentada no sofá, estava cansada daquela rotina!
– Tracy... – Peter pôs a mão esquerda eu meu ombro e sentou-se ao meu lado. – Sei que sua vida de vampira é cansativa...
– Não é isso! É aquela droga de chef! Eu só queria que ele morresse! – Falei começando a chorar.
– Fique calma, vamos assistir ao telejornal, está bem? – Peter ligou a televisão.
“- Notícia de ultima hora: ainda há pouco um dos maiores Chefs do país: James Campbell sofreu um acidente eu seu carro. Ele está em coma no Hospital...”.
Peter não permitiu que a âncora terminasse de falar. A foto que havia aparecido na tela deixava mais que claro que eu tinha poder em minhas palavras. Olhei para Peter espantada e comece a chorar ainda mais como criança.
– O que aconteceu agora? Você queria que ele morresse e agora ele está quase morto! – Peter disse.
– Mas EU queria mata-lo! – Gritei e sai correndo para o quarto para bater a porta. Em seguida sai do quarto, enquanto Peter olhava espantado. – Eu sempre quis fazer isso... Vi em algumas séries.
– Você precisa de remédios! – Peter disse.
– Preciso, mas não posso. Porque já estou morta. – Falei e sentei perto de Peter novamente.
Fale com o autor