Tudo Aconteceu Em Seattle
24 De Volta a Seattle
Notas iniciais
Pov. Anastácia Steele
—Boa noite. -diz Elena quando para em nossa frente. Coloco o salgado de volta á mesa e encaro Christian, esperando sua reação que para minha decepção e raiva não era de surpresa, o que comprova que ele sabia que ela estaria aqui.
—Boa noite Elena. -diz sério para ela, que não se abala e lança um sorriso para ele, que é mais que óbvio suas segundas intenções.
—Fiquei feliz quando soube que iria vir ao coquetel, faz tempo que não aparece em um evento, ainda mais acompanhado. Olá Anastácia. -diz se virando para mim mudando seu sorriso para sínico que direciona a mim. Forço um sorriso.
—Boa noite Elena, se me dão licença vou ao banheiro. -digo o mais calma possível.
—Ana... -começa Christian segurando o meu braço quando dou meu primeiro passo para ir ao banheiro, mas lanço para ele um olhar para me soltar se não a coisa vai ficar feia, e entende o meu recado suspira e me solta.
—Dança comigo meu menino? -escuto aquela perua falar enquanto me distancio deles, e isso só aumenta minha raiva.
—Com licença, poderia me falar onde fica o banheiro? -pergunto para um garçom que parou o seu caminho para servir os convidados.
—Entrando no hotel, a primeira porta do corredor esquerdo, do primeiro corredor à direita. -diz ele, é meio confuso, tentando lembrar o que ele disse, falo um obrigado e sigo suas instruções.
—Calma... Respira e inspira Ana. -digo para o meu reflexo.
Eu não sei explicar detesto essa mulher, e isso só aumenta por ela saber de coisas sobre Christian que eu, como namorada não sei, como ele gosta de me apresentar aos outros, não sabe, a que dorme com ele e que está presente em todas as horas que ele precisa, sou eu e eu não sei de nada, e sim uma senhora que tem idade para ser a mãe dele, e que fica se insinuando e se oferecendo para ele toda hora.
Respiro fundo pego minha bolsa e dou uma ajeitada na minha maquiagem, só que dessa vez eu tiro o meu nude e procuro na bolsa um batom mais chamativo, mas não acho nada.
—Com licença, poderia me emprestar um batom vermelho? -pergunto para uma mulher que entra no banheiro.
—Claro.
—Obrigado-digo pegando da sua mão, passo ele em meus lábios e vejo como fiquei mais chamativa com esse batom, deu um super destaque na minha boca carnuda.
Devolvo o batom para a mulher e saio do banheiro. Assim que volto para o local em que está ocorrendo o evento vejo Christian dançando com a baranga loira, isso faz o meu sangue ferver. Como assim? Ele me chama para um evento em que ela está, e ainda me deixa para ficar com ela?
—Com licença, será que a bela dama daria a honra de dançar comigo? -pergunta um homem se colocando na minha frente com a mão estendida. Ele tem cabelos pretos e olhos azuis claro como o céu em um dia de verão, seu sorriso é de fazer qualquer mulher ir aos seus pés, mas infelizmente comigo é diferente, pois eu só fico desarmada com o homem que está dançando com a loira de farmácia.
—Claro. -forço um sorriso e pego sua mão, ele me puxa para a pista de dança e ficamos a uns cinco metros de distância, onde Christian está me olhando como um leão preste a atacar sua presa. Eu passo meus braços pelo seu pescoço e ele segura minha cintura com suas mãos grandes e fortes, que me apertam contra o seu corpo, sorrio nervosa para ele e me afasto um pouco.
—Então, qual é o nome da bela dama?-pergunta com a boca perto do meu ouvido. Olho por cima de seu ombro e vejo Elena puxando Christian para longe da pista e o senta em uma mesa vazia, mas ele não tira os olhos de mim e pelo tom de seus olhos vejo que a fúria dentro de si deve estar enorme. Volto a minha atenção para ele que me olha esperando minha resposta.
—Anastácia Steele, e você é? –pergunto e logo ele pega minha mão e me gira para depois me puxar para o seu peito, de modo que minhas costas batam contra o seu peito e seu braço me prende contra ele, enquanto continua a dança.
—Leon Donatti. –diz ele e seu hálito quente bate contra o meu pescoço e sinto meus pelos da nuca se levantarem.
Ele me gira de novo e meu vestido roda comigo, e logo me puxa para os seus braços de novo. Continuamos a dançar até a música acabar, mas logo outra lenta começa, ele segura minha cintura e eu encosto minha cabeça em seu peito sentindo seu perfume de alguma marca cara, mas que cheira muito bem, mas não tanto quanto a de Christian. Levanto minha cabeça e olho na direção de Christian que está com um copo de whisky na mão, enquanto seus olhos estão vidrados nos meus, assim que ele percebe que eu o estou o observando. Elena fala algo com ele que finge prestar atenção, só balança a cabeça e ela continua a falar, enquanto continuamos com o nosso contato visual.
Estou chateada com ele, como ele pode me trazer aqui, sabendo que essa mulher estaria no mesmo lugar que nós? Eu poderia até ficar aqui, de boa com ele, mas ele me deixou e foi dançar com ela. Se fosse para ele ficar com ela fizesse o favor de nem me trazer para ficar excluída, eu preferia ter ficado em casa com os meus pais assistindo um filme qualquer. O pior é que ele parece ter um rabo preso com ela, pois sempre que ela está por perto ele fica tenso e rígido, com medo que ela faça alguma coisa ou fale algo que o prejudique, e isso me dá mais raiva ainda. O que ele tanto esconde que não pode me contar? Ele sabe mais de mim do que eu mesmo, o que custa retribuir a confiança que eu tenho nele?
—Tudo bem? –pergunta Leon se afastando de mim e passa sua mão no meu rosto. Me solto dele.
—Na verdade não, eu vou para casa, para mim a noite já deu. Foi um prazer te conhecer Leon. –digo e vou para a saída do salão.
—Espera! –chama ele e logo sinto sua mão na minha me puxando. –Deixa pelo menos eu te levar para a casa, ficarei mais tranquilo em saber que foi com segurança e que ficará bem. –diz ele olhando em meus olhos quase iguais aos meus, só que os deles são, mas claros.
—Não precisa, deixa que eu levo minha mulher para a casa. –diz Christian antes mesmo que eu posso abrir a boca, ele fica ao meu lado e passa seu braço possessivamente na minha cintura me puxando para ele, em um claro sinal de mostrar para Leon que eu sou dele, mas com a raiva que eu estava, essa cena só fez piorar a situação.
—Sua mulher? –pergunta Leon olhando de mim para Christian que estava em uma postura séria e frio. Não acredito que depois de me deixar sozinha para ficar com a outra ele vem querer pagar de homem das cavernas comigo.
—Não Leon, não sou mulher dele. Agora se os cavaleiros me dão licença eu tenho que ir. –digo sentindo um cheiro de testosterona no ar, para ver quem é o melhor que o outro.
—Ana! –escuto Christian me chamando, mas aperto o passo e logo estou do lado de fora do hotel sendo bombardeada de flash.
Fiquei ‘’cega’’ alguns instantes, mas logo voltei a mim e passei a passos firmes pelos paparazzi e acenei com a mão para o primeiro taxi que passava e entrei no mesmo. Falei o endereço da minha casa e encostei-me ao vidro da janela em um estado automático, apenas esperando o carro parar em frente minha casa, para poder ir para o meu quarto e descansar muito e esquecer essa noite. Quando finamente chego em casa pago o senhor que me trouxe, mas antes de entrar vejo um carro que vem como um louco pela rua e estaciona bem na minha frente. Christian- ouso sua voz, não olho e sigo em frente.
—Anastácia a gente precisa conversar agora. –diz ele saindo do carro, viro minhas costas para ele na intenção de deixa-lo sozinho e entrar, mas ele segura o meu braço com força e me puxa para ele.
—Eu não quero ouvir nada Christian. –digo tentando me soltar, mas ele segura minhas duas mãos com força e como não tenho a força igual à dele me rendo e paro de me debater.
—Mas você vai ouvir, querendo ou não. –diz ele seco, levanto meu olhar para ele, não me abalando com a cara que fez, os meus pelos da nunca se arrepiarem de medo, mas escondo isso e espero o que ele tem para dizer. –Ana eu não disse que ela estaria lá porque eu não sabia. O que eu sabia era que Elena tinha organizado o coquetel para comemorar uma parceria e só, não sabia que ela também viria, se soubesse eu não teria te levado lá e muito menos teria ido. E como somos sócios eu não podia faltar com educação com ela na frente de todos, coisa que você fez comigo. –diz ele apertando com mais força os meus pulsos, me fazendo soltar um pequeno gemido de dor.
—Eu? Eu não fiz nada. –digo para ele depois de engolir a minha dor, que ele nem parece notar e se notou não se importou.
—Então, quer dizer que ficar se esfregando com outro homem em um evento onde estão todos os meus sócios e pessoas importantes a quem eu apresentei você como minha namorada é fazer nada? –perguntou com calma o deixando mais ameaçador e isso me deixa mais assustada. Ele nunca ágil assim comigo.
—Eu não estava me esfregando com outro homem, estava dançando com Leon, ao contrário de você, que invés de ter ficado comigo ficou praticamente a festa inteira colado com ela. Que como você diz é a sua sócia, mas sabe mais de você do que eu, a quem você denomina namorada. Não é por que o meu coração é seu que você pode sair com qualquer mulher e depois voltar para mim que eu vou receber você com os braços abertos, como você não gostou de me ver dançando com o Leon eu também não gostei de você ter ficado com ela ao invés de mim, fiquei excluída em um canto. Agora me solta que você está me machucando. –digo com raiva na voz. Ele arregala os olhos e solta os meus pulsos, solto minha bolsa e esfrego-os, pois estão ardendo.
—Ana... -diz ele, mas é interrompido pelo seu celular que começa a tocar, ele tira seu iphone do bolso e atende.
—Grey. –diz ele seco com a pessoa do outro lado da linha. Saio de perto dele para dar privacidade á ligação e vou pegar minha bolsa que está caída na grama, como ele ainda continua falando e parece que não é coisa boa entro e vou para o meu quarto.
Entro no quarto jogo minha bolsa em qualquer canto e vou direto para o banheiro, tomo um banho quente e me enrolo na toalha. Pego um short preto curto e uma camisa branca de alças finas que é folgada no corpo e os visto, depois me jogo na cama e fico lá esperando Christian. Fico pensando nele, esse lado que ele me revelou hoje. Eu nunca o vi com tanta raiva assim, sei que não foi certo ficar dançando com Leon, principalmente, daquele jeito na frente de todos á quem ele em apresentou como namorada, mas eu não ia ficar sentada em uma mesa mofando, enquanto ele ficava com aquela loira aguada, que mais uma vez estava se metendo entre nós, se é que existe um nós já para os outros eu sou namorada dele, mas entre nós dois não tem nada definido e quando eu tento me aprofundar ele não deixa.
Mas a outra ele deixa, e ela sabe tudo sobre ele, inclusive aquele lado dele e vários outros.
Fecho meus olhos e aperto os lençóis da cama de raiva. Mesmo eu não querendo minha consciência tem razão, ela sabe tudo sobre ele e eu não sei praticamente nada. Isso é tão injusto. Ele sabe tudo de mim, conhece minha família e ainda me tem por completo, só o que eu sei dele é a sua família, que é maravilhosa, que gosta de baunilha no chocolate e que adora cinza, já que seu vestuário é quase todo por essa cor. Seu corpo eu o conheço, mas foi depois de muito custo, pois ele tinha um trauma com relação ao toque, mas que ele quebrou comigo e hoje me deixa tocar nele livremente, mas mesmo assim ele nunca me contou o motivo de nunca deixar ninguém tocar nele, nem sua família que o ama tanto.
—Você vai embora? –pergunto quando noto sua presença, o vejo no banheiro pegando suas coisas e guardando de qualquer jeito dentro da mala.
—Aconteceu um problema na empresa e preciso voltar. –diz ele enquanto ajeita as coisas.
—Você vai me deixar aqui depois de tudo? –pergunto indignada, me sento na cama olhando para ele que larga suas coisas e vem se sentar na cama, de frente para mim.
—Ana eu preciso realmente voltar para Seattle, tenho que resolver uns problemas que apareceram. Eu não quero deixar você aqui, ainda mais depois de hoje, com aquele filho da puta atrás de você querendo entrar na sua calcinha. Eu tenho que ir e acho que você precisa ficar um tempo com seus pais, já que percebi que não vem visitar eles faz um bom tempo. –diz tentando pegar minhas mãos, mas não deixo. Apesar dos acontecimentos de hoje eu não queria ficar sozinha aqui sem ele, mas depois percebi que mesmo estando juntos sempre acontece alguma coisa para atrapalhar, sendo Elena ou o trabalho dele, e que mesmo odiando, relaciona um com o outro por ela ser sócia dele.
—Pode ir e fique tranquilo Sr. Grey, eu não vou me esfregar com nenhum homem como certas vadias loiras fazem por ai. Faça boa viagem. –digo lembrando das palavras dele. Deito-me na cama e me enrolo nas cobertas de costas para ele que não fala nada, sinto o colchão subir com a falta do seu corpo, e logo mais alguns barulhos dele mexendo em suas coisas.
—Ana, por favor, não vamos ficar brigados por isso, por favor, baby. –diz ele se sentando por traz de mim. Sento-me rapidamente e fico de frente para ele.
—-Você não entende, não é por isso que estou com raiva? A minha raiva é ter que ficar aguentando aquela mulher se insinuando para você toda vez que te vê, ficar aguentado o fato que ela é mais presente e sabe mais de você do que eu, e até á sua família que te ama. Você não sabe como é não saber de nada da pessoa a quem você entregou o seu coração, corpo e alma. Me dói saber que você não tem confiança em mim para falar da sua vida e do seu passado, e o pior, hoje comprovei que você também não tem confiança em mim como mulher. –digo segurando o choro.
—Ana... -diz ele e tenta se aproximar de mim, mas eu me afasto dele.
—Espero que faça boa viagem. –digo, me deito na cama e me cubro com o cobertor e depois de um tempo o colchão subir com a falta do peso do seu corpo, escuto a porta sendo aberta e logo depois fechada.
Não controlo mais e logo lagrimas grossas caem sobre meu rosto e molham a fronha. Não aguento mais isso. Cansei de ser paciente com ele, cansei de ter que aguentar o sorrisinho debochado de Elena toda vez que me ver, cansei de me abrir e abrir minha vida para ele, que até agora não me deixou ver nem um pouco que seja do seu passado ou sua rotina, já que ele só aparece na hora que quer. Nem ao menos eu sei onde ele mora e ele já sabe onde meus pais moram, minha madrinha e onde era o meu trabalho já que disse para a mãe dele, minha ex-patroa, para me dispensar. Cansei de todo esse mistério, e principalmente cansei de ter que me segurar para não dar uma surra naquela vaca loira por cada provocação.
Pov. Christian Grey
Você é um fodido filho da puta Grey!
Mais que raiva, como tudo isso foi acontecer?
Como eu ia saber que Elena também iria aparecer no coquetel? Sei que não foi certo não contar que quem organizou tudo foi ela, mas eu não queria que isso impedisse agente de sair e ter um momento só nosso. Mas no fim, tudo saiu errado, Elena apareceu e me arrastou por todo o salão inventando assunto entre os nossos outros sócios, e sempre me impedia de ir atrás da minha Ana.
Durante todo o tempo em que Elena me arrastava eu sempre estava de olho em Anastácia, tomando conta dela, mas teve uma hora em que eu não á achava em canto nenhum e isso começou a fazer um desespero enorme surgir dentro do meu peito, que logo se acalmou quando a vi, mas logo depois um filho da puta a chama para dançar e ela vai. Ver como aquele desgraçado a conduzia me deixou puto da vida, o ver passando no corpo que é meu, apenas meu. O que me deu mais raiva nisso tudo é que Anastácia me viu, sabendo que eu estava observando aquela palhaçada ela continuo do mesmo jeito, deixando aquele idiota fazer o que quiser. Depois de um tempo comigo tentando me livrar de Elena sem sucesso, eu vejo Anastácia se afastar, mas o filho da puta segura seu braço á impedindo de sair, e isso foi o que faltava para eu me soltar de Elena que estava pendurada no meu braço. Andei a passos largos na direção da minha baby, tratei de mostrar que ela era minha, mas de novo ela me desafiou, e saiu correndo para fora, me deixando paralisado com a sua reação.
—Nunca mais chegue perto da minha mulher, ouviu bem? –falei quando me virei para o filho da puta que estava com ela. O desgraçado deu um sorrisinho e colocou as mãos no bolso da calça.
—Não foi o que ela disse Sr. Grey, agora se me der licença vou pegar uma bebida para mim. –diz ele e sai em direção à mesa de bebidas. Meu sangue ferve de tamanha raiva que eu sinto, eu juro que se não fosse a minha preocupação com Anastácia eu quebraria cada dente daquela boca.
Peguei meu carro e sai como um louco para a casa dos Steele, mas quando cheguei só foram piores as coisas. Para piorar a discussão que estávamos tendo eu sentia que a qualquer momento eu iria segurar Anastácia pelos braços e lhe dar umas boas palmadas no meio da rua, foi por pouco que isso não aconteceu, e eu acabasse machucando ela e ai estaria tudo acabado mesmo, mas o meu celular começou a tocar e foi o meu bote para voltar ao controle que eu estava quase perdendo. Assim que atendi, Taylor me informou que uns filhos da puta estavam fazendo doce para assinar a porra do contrato que eles já tinham confirmado que estava fechado, e que vou precisar voltar á Seattle para a reunião que eles querem ter comigo amanhã.
Esse telefonema foi o que faltava para a merda toda finalizar com chave de ouro, pois depois disso eu fui arrumar minhas coisas para ir para o heliporto. Entrei no quarto e minha Ana estava deitada na cama, parecia estar distante, aproveitei esse momento e fui pegando minhas coisas e arrumando de qualquer jeito na mala, depois Gail arrumava quando chegasse em Seattle, tinha que ir rápido para poder pelo menos descansar um pouco para a reunião, que iria acontecer as oito da manhã. Como se não bastasse às discussões que tivemos mais cedo, começamos outra enquanto arrumava minhas malas, mas o que me marcou foi as palavras que ela me disse por ultimo.
—Você não entende, não é por isso que estou com raiva? A minha raiva é ter que ficar aguentando aquela mulher se insinuando para você toda vez que te vê, ficar aguentado o fato que ela é mais presente e sabe mais de você do que eu, e até á sua família que te ama. Você não sabe como é não saber de nada da pessoa a quem você entregou o seu coração, corpo e alma. Me dói saber que você não tem confiança em mim para falar da sua vida e do seu passado, e o pior, hoje comprovei que você também não tem confiança em mim como mulher-diz segurando o choro e isso acaba comigo.
Eu ainda tento falar, mas ela se vira de costas para mim e sem ter o que fazer eu me levanto e saio do seu quarto. Eu sei que Elena não é a melhor pessoa do mundo, e ter que ficar aturando ela sem poder revidar deve ser horrível, mas querendo ou não ela faz parte da minha vida mesmo que esteja no passado, e mesmo querendo mudar isso para agradar Ana eu não posso fazer nada. Mesmo querendo contar a ela toda a merda do meu passado fodido, eu sei que ela não vai suportar o tamanho da escuridão que eu carrego, ela é um anjo de luz e não vai saber com as trevas que abita em mim, é tudo o que eu menos quero, perder ela por coisas que eu fiz no passado. Vou deixar ela passar uns dias com os pais para pensar, e quando ela voltar para Seattle eu vou conversar com ela e á convencer de vez que o meu passado ficou no passado, junto com as pessoas e atos que eu cometi, ela é o meu presente e o meu futuro. Dirijo até o heliporto em que deixei o Charlie Tango, coloco minhas coisas no banco ao lado do passageiro, entro e inicio os procedimentos para iniciar o voo.
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