Trying Understand Him
2 Palavras que Magoam
Notas iniciais
Lucy desceu do comboio agarrada as suas malas suspirando de alivio por finalmente ter chegado a estação de Magnólia. Pegou um táxi entregando um pedaço de papel com o endereço de Natsu . A viagem foi curta chegando rápido ao destino, entregou umas moedas ao motorista que lhe ajudou retirando suas malas da bagagem, quando este partiu a jovem loira caminhou nervosa na direção da casa amarela.
Engoliu em seco, assim que ficou de frente para o portão castanho, não podia ser. “Vendido”, leu o que estava escrito no placar pregado na parede do lado da porta. “Vendido? Vendido?! Como isso era possível, se haviam vendido a casa onde diabos teriam se metido?!”, pensava a loira angustiada, havia feito aquele percurso todo para voltar a revê-lo e agora que ali estava nem sinal do garoto.
De qualquer jeito Lucy não tinha intenções de voltar para casa, não agora que podia finalmente ser livre, longe de discussões, longe das regras de seu pai, podia ficar mais perto da civilização. Ainda tinha esperanças de encontrar o rosado na Academia Fairy Tail, afinal podia ter mudado de casa, mas poderia continuar na mesma escola, se lembrava muito bem que entrar na academia sempre fora o sonho do rosado, com certeza não devia ter desistido do colégio. Decidida caminhou com a bagagem pelo percurso que se lembrava de Natsu relatar quando dizia que um dia seria ele o percorrendo.
Dois quarteirões era a distancia da antiga casa dele ate ao colégio, de longe já se podia avistar os grandes portões com o emblema “Akademi Fairy Tail”. Atravessou-os arrastando as malas consigo na direção do edifício. Não demorou muito a encontrar o gabinete do diretor, que tinha como nome Makarov Dreyar, Lucy assim que colocou sua visão no senhor sentado atrás de uma secretaria rodeado de papeis percebeu o quanto o velhote já devia ter os seus oitenta anos, careca tendo apenas cabelos brancos nas bordas da cabeça, mas o que mais a espantou foi quando este se levantou da cadeira mostrando ser extremamente pequeno, um anão, tentou conter o riso, afinal queria muito entrar na academia e só Makarov poderia ajuda-la.
Explicou seus problemas financeiros, o que havia acontecido quando seu pai perdeu a fortuna, que teve de se refugiar numa aldeia perto de sua cidade natal, não tinha como frequentar a escola, e que teve de estudar pelos livros que Virgo sempre lhe trazia.
– Senhorita Lucy Heartfilia, não tenho por habito aceitar inscrições sem a autorização e assinatura dos encarregados de educação, mas no seu caso vou fazer uma exceção. – disse o diretor entregando uns papeis nas mãos de Lucy. –Preencha os dados pessoais, como seu nome, idade, entre outras coisas e para se manter aqui sem renumeração devido ao problema financeiro de sua família, vai frequentar as aulas como qualquer aluno da instituição mas vai ter de possuir uma bolsa de estudo, o que indica ter de automaticamente se inscrever nas atividades extra curriculares da academia.
– Sim, com toda a certeza. – garantiu Lucy satisfeita por finalmente poder estudar numa escola a sério.
– Quanto ao uniforme passe pela sala dos perdidos e achados, siga as setas que estão marcadas no chão indicando o caminho, com certeza vai encontrar um uniforme que lhe assente perfeitamente. – comunicou Makarov entregando uma esferográfica a Lucy vendo que esta estava aflita procurando por uma em sua bolsa. – Quando terminar de preencher tudo, entregue na portaria, que se encarregam de dar seu horário, quanto as aulas vão começar amanha as oito horas, vou coloca-la na turma 3ºC. – respondeu — Tem alguma questão a ser esclarecida?
– Não, está tudo esclarecido, obrigada. – respondeu Lucy se preparando para sair da diretoria.
– E tem onde ficar? – Makarov perguntou vendo as malas que Lucy carregava consigo.
– Não, o diretor conhece algum lugar que esteja alugando apartamentos baratos? – perguntou esperançosa, só queria achar logo um apartamento onde pudesse dormir depois da viagem longa que teve e claro amanhã começaria seu primeiro dia de aulas, à mais de cinco anos que não se lembrava da sensação de ir para o colégio.
– A senhora “June” é proprietária do prédio cor de rosa atrás das propriedades da academia, tenho certeza que disponibiliza um andar para si, alguns dos alunos com bolsa vivem nesse prédio. E não se preocupe com o aluguel, a academia trata de tudo.
Lucy escutou tudo atentamente, enquanto o diretor explicava as regras do que devia ou não fazer. Entretanto, seguiu as setas para a sala de perdidos e achados, onde encontrou um uniforme com seu numero de vestir. “perfeito”, pensou. Se sentou num dos bancos espalhados pela academia e começou escrevendo seus dados pessoais, preenchendo todos os dados pedidos na folhas de inscrição, assim que terminou se dirigiu a portaria, onde deixou os papeis e pediu o horário da turma.
Quando já tinha tudo resolvido, caminhou na direção do prédio rosa rezando para que ainda houvesse vagas. Assim que entrou no edifício tocou a campainha do apartamento da síndica, uma tal de “June” se não estava errada. A porta não demorou muito a abrir, revelando uma senhora obesa, de cabelo roxo, sim roxo, quando achava que não podia existir cabelo mais bizarro que o de Natsu, eis que se engana. O cabelo da velha, é curto, todo mal ajeitado, e no rosto têm posto uns óculos de vista em forma de quadrado encarnados, horríveis por sinal.
– Posso ajuda-la em alguma coisa, menina? – perguntou June, avaliando o corpo de Lucy de baixo a cima em forma de desagrado. “Afinal qual o problema dessa velha”, pensou a loira não gostando da forma rude como a proprietária lhe mirava, mas como precisava de um apartamento de preferência situado naquele prédio ao qual a senhora em sua frente era proprietário decidiu forçar um de seus melhores sorrisos, e claro agir simpaticamente.
– Estou inscrita na academia Fairy Tail, e como não tinha nenhum lugar onde ficar, o diretor comentou que a senhorita June podia ter disponível um andar para me instalar.
– São 70 000 ienes de aluguel.
– O quê? – perguntou estupefacta, se bem se lembrava Makarov havia dito que não necessitaria pagar aluguel. – O diretor me informou que a academia é que iria tratar disso.
– Ah você é bolsista, só me calha dessa gente, muito bem… – disse a proprietária caminhando na direção do chaveiro onde retirou uma das chaves voltando para o pé da loira. – Aqui tem, amanhã de noite solicito que compareça a uma reunião que será realizada na sala de arrumações.
Lucy confirmou com a cabeça antes de pegar na chave e apressar o paço para a zona dos elevadores, o que mais queria era se afastar dos olhares horripilantes que a dona June lançava na sua direção. Quando já se encontrava dentro do elevador, clicou no botão 3 indo até ao terceiro andar. Arrastou suas malas pelo corredor, ficando de frente para a porta com o numero “43” gravado. Colocou a chave na fechadura, entrando por fim no aconchegante apartamento. Pousou as malas no que seria seu novo quarto, e caminhou para a cozinha, que como era de se esperar estava vazia sem nada com que se comer. Saiu de casa apenas com uma carteira com algumas economias que Virgo havia lhe entregue e caminhou para o mercado que já havia cruzado ali perto.
O resto do dia passou com Lucy arrumando seus pertences, escrevendo uma carta para a mãe contando o desapontamento de não ter encontrado Natsu, e também sua inscrição para a academia. As cartas eram como um diário para ela, onde expunha o seu dia a dia como se tivesse contando uma história para sua falecida mãe. Assistiu televisão, uns programas muito sinistros a seu ver, e finalmente resolveu seguir para a cama, onde adormeceu mal sentiu a almofada suave e macia por baixo da nuca.
No dia seguinte, de manhã, Lucy depois de fazer sua higiene matinal, colocou o uniforme, terminou o café da manha, comendo uma maçã, agarrou na bolsa azul com os materiais necessários que comprou no mercado, levou dois cadernos nas mãos e seguiu para a zona dos elevadores. Quando estava prestes a sair do prédio escutou uma voz atrás de si.
– Não esqueça da reunião!
– C..com certeza… — gaguejou assim que percebeu ser a proprietária. “Aquela mulher é tão repugnante, porque raios mostra tanto interesse que compareça na reunião?”, se perguntava Lucy, acelerando o paço, para a academia.
Percorreu o resto do caminho com o nervosismo a flor da pele, não conhecia ninguém, apenas Natsu, se ele ainda frequenta-se a academia. Não demorou muito a avistar os portões com vários alunos adentrando aos pares. Caminhou apressadamente para dentro do recinto assim que atravessou a portaria, observou em volta a ver se encontrava alguém com cabelo rosa, se cruzou com alguns em andamento mas nenhum era ele. Atravessou o pátio extenso observando os vários grupos que se iam agrupando, desde nerds, esportistas, emos e muitos outros.
Caminhou distraída na direção do edifício, o seu único objetivo era acha-lo, no momento não tinha qualquer interesse em saber sua sala, enquanto não se cruza-se com ele não descansaria. Seus olhos percorriam cada aluno que passa-se por si, e devido a sua distração alguém acabou chocando contra ela por trás fazendo seu corpo magro e frágil avançar diretamente para o chão, o tal garoto nem se importou muito com o choque de corpos, pois continuou seu percurso como se nada tivesse acontecido.
“Trouxa, nem pedir desculpa foi capaz, imbecil”, pensou a loira pegando nos cadernos que haviam caído com a queda.
Logo uma garota se aproximou assim que presenciou o ocorrido.
– Você está bem? – perguntou a garota se abaixando para ajudar Lucy a pegar no material.
– Estou bem sim, obrigada, não sei qual foi o problema daquele garoto, nem lhe fiz nada e veio contra mim nem pediu desculpa. – respondeu Lucy observando a estatura da garota, constituía um corpo pequeno e frágil, seu cabelo era de cor azul claro, se encontrava amarrado por uma bandana colorida em redor de sua cabeça
– Você não fez nada, ele é que é um besta. – disse a jovem de cabelo azul ajudando Lucy a se levantar do chão. – Esse nunca deve ter pedido desculpa em toda sua vida nem mesmo a sua mãe, é um grosso, analfabeto, atrasado mental…
– Ele lhe fez alguma coisa para o odiar tanto? – perguntou a loira arregalando os olhos por presenciar a fúria da azulada que parecia ser uma pessoa tão pacifica.
– Fez, foi ter nascido, passa a vida me ridicularizando com seus amigos, mas bem mudando de assunto que esse ser nem merece ser mencionado na conversa, meu nome é Levy Mcgaarden. — disse esticando a mão esperando que Lucy fizesse o mesmo gesto.
– Lucy Heartfilia – respondeu sorrindo copiando o mesmo gesto que a azulada. – Seus amigos não a defendem quando estão a ridicularizando?
– Como você deve ter reparado assim que adentrou os portões, a academia está dividida em grupos, e eu, digamos que sou marcada pelo rotulo de nerd, somos titulados como o lixo da academia.
– Quem inventou isso é tudo um bando de retardados mentais que não tem o que fazer se não rebaixar os outros.
– Tem razão Lu-chan, posso a chamar assim? – perguntou Levy.
– Com toda a certeza. – respondeu Lucy sorrindo, ainda agora tinha entrado na academia mas já havia feito uma amiga, o que era ótimo.
Continuaram conversando sobre a academia, enquanto seguiam na direção das salas de aula pois haviam tido sorte de fazer parte da mesma turma, só que Lucy ansiava revê-lo, saber se estava bem, era tudo o que importava no momento, por isso resolveu perguntar a nova amiga, podia ser que o conhecesse e a levasse a ele.
– Levy, você conhece um garoto chamado Natsu, de cabelo rosa espetado e…
– Está falando daquele diabo ali do fundo? – respondeu apontando para um grupo de pessoas sentados nas mesas do pátio conversando animados.
Lucy inclinou sua cabeça na direção que Levy havia apontado, e ali estava ele, conversando animado com os amigos. Contemplou o garoto sem conseguir desviar seus olhos castanhos avelã, Natsu estava ainda mais atraente que a ultima vez que haviam estado juntos, o corte de cabelo não havia mudado em nada, seu corpo mostrava mudanças, seus bíceps e tríceps estavam mais definidos, seus braços musculosos, enquanto seu rosto não era mais de garoto, dois anos haviam feito milagres nele, como podia a cada ano ficar ainda mais perfeito.
Ponderava correr na sua direção, abraça-lo, dizer o quanto sentia sua falta, perceber os motivos que o levaram a não regressar nas férias para junto dela.
– Você está bem? De repente ficou tão pensativa. – perguntou Levy reparando no estado da amiga paralisada olhando para o seu tal “amigo”.
A loira não escutou a azulada, continuou observando o rosado que no momento ria de alguma barbaridade que um de seus amigos contava. Seu sorriso não havia mudado, continuava tendo o mesmo efeito acolhedor, que lhe proporcionava as famosas “borboletas na barriga”, simplesmente encantador. Abstraída nas memorias não se apercebeu dele desviando as atenções do amigo para pousar os olhos onix em si, quando notou já Natsu a observava. Ambos os olhares se cruzaram, revelando espanto, surpresa, ele não estava crente no que via. O sorriso que Dragneel momentos antes esboçava no rosto cessou revelando agora um ar mais sério, seus lábios crisparam, parecia de certa forma chateado? Lucy achou a reação do amigo estranha, não era suposto sorrir contente por a ver ali e correr para a cumprimentar? Resolveu acenar com um enorme sorriso para ver se ele correspondia de volta, mas nada, ele continuava imóvel, sem desviar suas orbes dela.
Quem não estava gostando de a forma como ambos se olhavam era uma garota de cabelos curtos brancos portadora de uns olhos profundamente azuis de nome Lisanna Strauss. O garoto que a tinha empurrado momentos antes Gajeel RedFox, também observava o rosado percebendo que ele estava imóvel olhando para um ponto especifico, sem demoras, lançou a bola de rugby que trazia consigo na direção da cabeça de Natsu.
– Pensa rápido. – proferiu o garoto de longos cabelos negros espigados em forma de bicos nas pontas satisfeito esperando a bola acertar no alvo.
Natso nem ao menos desviou o olhar da loira, esticou o braço na direção da bola a pegando sem dificuldade. Lucy não entendia, porque ele não desviava seus olhos dela e simplesmente não acenava, porque não fazia qualquer coisa para comprovar que a estava realmente vendo. “Não me reconheceu?”, pensava a loira, “Isso é impossível, meu rosto não mudou assim tanto depois de dois anos, e ele está olhando para aqui, porque não reage? O que está acontecendo afinal?”, farta de perguntas sem obter nenhuma resposta, caminhou na direção do rosado, quando foi parada por Levy.
– Onde é que você vai, a sala é por ali. – Informou Levy apontando com o dedo a direção que deveriam seguir enquanto soltava o braço de Lucy que havia pego para esta não ir na direção errada.
– Levy eu já volto preciso de falar com meu amigo.
–Tem certeza que o Natsu é mesmo o seu tal amigo, é que não imagino uma garota tão doce como você sendo amiga de um garoto pervertido e trouxa como ele.
– Natsu trouxa? Ele é pervertido e tarado sim, mas é muito boa pessoa, se o conhecesse direito não diria isso. – Afirmou Lucy, conhecia muito bem Natsu para saber o coração de ouro que ele tinha. Não podia mudar assim de um momento para o outro, Levy estava exagerando.
– Tudo bem, vou indo para a sala. – respondeu achando muito estranho Lucy defender um idiota daqueles.
Levy caminhou para o edifício das salas de aula, enquanto Lucy se aproximou do grupo que aparentava ser o dos esportistas devido as jaquetas que tinham por cima de seus uniformes que eram compostos por uma calça cinzenta, uma camisa branca, e a escolha tinham usar ou não uma gravata de riscas azul e branca. Natsu era um dos que possuía um acessório preto no pulso esquerdo e um cachecol em volta do pescoço.
Enquanto isso, Lisanna comentava com uma garota de cabelo curto azul escadeado e olhos do mesmo tom da cor do cabelo de nome Juvia Loxar, como nunca havia visto a garota loira na academia. Riu pelo atrevimento da nova aluna ao ficar comendo Natsu com os olhos assim que entrou pelos portões do colégio, achava mesmo que teria hipóteses com o rosado? Uma maltrapilha daquelas, bem que podia sonhar. Estava tão concentrada em falar mal da loira com Juvia que assim que escutou uma voz pronunciar o nome de seu amigo de infância, não pode acreditar. “Aquela garota só pode estar brincando”, pensava a albina mirando Lucy de cima a baixo.
– Natsu. – chamou Lucy tomando a atenção de todos no grupo, ate mesmo do rosado.
Não estava habituada a ter todos os olhares expostos sobre si, aquilo sem duvidas incomodava, principalmente por Natsu continuar com o mesmo ar frio de antes, porque não sorria, porque não lhe dizia um simples “oi”, o que se estava passando, será que tinha um irmão gémeo e nunca lhe contou? Foi interrompida de seu raciocínio assim que escutou a voz de um dos amigos do rosado.
– Quem é essa loirinha Natsu? – perguntou o garoto de cabelos loiros de nome Sting observando Lucy de modo apreciativo tentando imaginar o corpo da garota por baixo daqueles trajes largos.
Aí estava algo que Lisanna queria saber, quem demônios era aquela loira.
– Acha que eu sei? Só mais uma garota tentando tomar minha atenção. – respondeu Natsu frigido.
– O que você tá falando, sou eu a Lucy, não se lembra de mim? – Lucy estava muito confusa, havia mudado assim tanto para ele não a reconhecer, e porque falou daquela maneira tão grossa consigo? Quem raio era aquele garoto a sua frente, que fisicamente era igual a seu amigo de infância.
– Cai fora garota, acha mesmo que me lembro de uma mulambenta como você, só pode estar me confundido com outra pessoa. – respondeu observando as feições de Lucy mudarem para desapontamento, tristeza.
– É, só posso mesmo estar confundindo, o garoto que conheci nunca diria uma coisa dessas. – respondeu magoada, como ele podia dizer uma coisa dessas, porque a estava tratando como lixo? É verdade que seu uniforme era largo, mas se sentia bem em roupas largas, não gostava de roupas coladas ao corpo, seu cabelo não estava nos melhores dias, porque não teve tempo de ajeitar, apenas colocou o lacinho rosa, mas mesmo assim ele não tinha o direito de humilha-la a frente de seus amigos.
Não queria chorar, não ali a frente dele, não a frente daqueles intragáveis que agora riam do comentário maldoso, mordeu o lábio inferior dizendo para si mesma que não iria deixar cair uma única lagrima, que iria aguentar, iria ser forte mas quem estava tentando enganar, ela era fraca, sensível, iria chorar, suas emoções estavam a flor da pele, principalmente a raiva, o odio, e o coração partido, ele havia prometido regressar, havia sussurrado em seu ouvido que ela seria dele, pensava que o sentimento que tinha por o rosado era correspondido, mas estava bem enganada. Antes que alguma lágrima pudesse escorrer por seu lindo rosto o toque de entrada soou.
Natsu colocou a mochila nas costas levando a bola de rugby presa numa de suas mãos, queria sair dali o mais depressa possível, afinal o que raio estava ela fazendo ali? Não era suposto estar na aldeia com o imbecil do pai? Apressou o paço na direção da sala de aula com seus amigos ainda comentando sobre a garota loira. Quanto a Lucy se manteve incrédula o vendo se afastar mais uma vez só que desta vez, sabia que era para sempre, não o perderia de vista, mas sabia que tê-lo era agora algo impossível. Dragneel nunca seria seu, e acabara de ter a prova disso.
– É bom que esqueça o Natsu garota, já tem muitas na fila o desejando, e eu tenho meu lugar reservado na primeira! – Afirmou a albina avisando Lucy para se afastar.
– Do que você está falando? – perguntou a loira confusa, mas afinal quem era aquela garota de cabelos brancos.
– Não se faça de sonsa, eu bem vi a maneira como o estava encarando, eu a percebo ele é lindo, mas não para garotas assim como… você, estou dizendo isto para o seu bem, afinal não quer sair magoada nessa história toda.
– Somos apenas amigos. – disse sentindo-se ofendida pelo comentário da albina, ela por acaso estava tentando ser simpática de uma forma a não dizer “Você está a baixo do nível”.
– Ainda com essa história de amigos. – disse Lisanna soltando uma gargalhada. – Garota, sou amiga do Natsu já desde os meus treze anos, e não lembro de ele comentar nada sobre uma amiga chamada Lucy, por isso não invente histórias. Você não tem qualquer hipótese esqueça, nem a levo como uma ameaça.
Lisanna deu a conversa como encerrada caminhando para a sala de aula já que havia tocado, quanto a Lucy ficou processando o que a garota de cabelos brancos havia dito. “não lembro de ele comentar nada sobre uma amiga chamada Lucy”, ele não comentou sobre sua existência? Porquê? Sabia o nome da albina, Lisanna Strauss, Natsu comentava muito sobre ela, como haviam se conhecido, como ela era uma garota amável, mas o que estava ali vendo era tudo o oposto de amável, só se fosse com ele.
Demorou um pouco a encontrar a sua sala, pois a academia era enorme. Já podia observar os alunos sentados a desabafar como tinha corrido o verão, apenas Levy estava sozinha lendo o livro de matéria nas carteiras da frente. Se sentou atrás da garota, não querendo olhar para o rosado que havia se sentado nas carteiras do fundo, com o barulho da cadeira se arrastando a azulada acabou se virando para trás.
– O que você está fazendo aí? Vem logo para o pé de mim antes que o Jet e o Droy discutam para ver quem senta comigo, e eu estou de saco cheio disso todos os anos.
– Que kawaii tem dois pretendentes. – disse Lucy pegando em suas coisas para se sentar ao lado de Levy.
– São apenas amigos, e assim quero que continue, e por falar em amigos a conversa com o Natsu correu bem? – perguntou curiosa.
– Não o conheço, seu sorriso é o mesmo, seu olhar não mudou, mas a personalidade, parece que foi possuído pelo diabo.
– Eu entrei ano passado na academia, e posso lhe garantir que ele não mudou nada, sempre foi assim um grosso metido a besta com o seu gangue de populares e as vadias das cheerleaders.
– Como uma pessoa pode mudar tanto em apenas dois anos, não percebo, porquê? – se perguntou Lucy deixando escapar em voz alta.
– As companhias Lucy, infelizmente. – respondeu Levy.
Os restantes alunos que faltavam foram adentrando na sala de aula provocando burburinhos, galhofas, e tudo que provocasse ruídos, ate que o silencio reinou mal se ouviu um estrondo ecoando na sala de aula. Droy e Jet assim que entraram na sala ficaram desapontados, já estava uma garota loira sentada no que deveria ser seus lugares, mas sem outra opção se acomodaram nos únicos lugares vagos que restavam.
– A partir de agora quero absoluto silencio. – disse o professor pousando a pasta em cima da mesa enquanto escrevia seu nome na lousa para os novos integrantes da Akademi ficarem sabendo. – Sou vosso professor de defesa pessoal.
– Isso é alguma disciplina que envolva psicologia? – perguntou Lucy sussurrando perto dos ouvidos de Levy para o professor Gildarts não escutar.
– Não, é mesmo luta corpo a corpo, aqui na academia é uma das disciplinas mais consagradas.
– Está brincando não é? E a matemática, e a língua japonesa? – perguntou Lucy em aflição a amiga, não podia ser, não havia se inscrito num colégio para agora andar aos socos com os alunos.
– Aqui deriva tudo de desporto e combates, infelizmente. – suspirou Levy, no que tocava as disciplinas, era um verdadeiro tormento para a baixinha, tinha dificuldades em ambas.
– Então porque raios estamos numa sala fechados? – perguntou a loira irritada.
– Eu disse silencio! – gritou batendo na mesa das duas que com o impacto saltaram de susto.
– Dizem que as santinhas são as mais faladoras, está aí a Levy para comprovar. – comentou o garoto de cabelos negros conhecido como Gajeel, fazendo burburinho dentro da pequena área.
“Imprestável”, pensava a azulada, odiava com todas suas forças aquele garoto, nunca o iria perdoar.
– Como podem ver, estamos fechados nesta maldita sala de aula, não podemos começar o verdadeiro propósito da disciplina, pois é dia de apresentações. Como é obvio não vou estar perdendo meu tempo com isso, com o passar dos dias vou os conhecendo a todos, mesmo que maior parte da turma já conheça, e quanto a vocês vão conhecendo os novos alunos por vós mesmos. Vamos dar inicio a teórica coisa que odeio do fundo da alma.
– Existe teórica para combates? — perguntou Lucy, confusa, cada vez percebia menos, que raio de colégio era aquele afinal, o ensino havia mudado assim tanto desde que havia deixado os estudos.
Gildarts desenhou uma espécie de uma arena, com dois bonecos mal desenhados no meio, dando socos um no outro, pelo menos era isso que o professor queria que pensassem.
“Onde eu me vim meter”, pensava a loira escutando as explicações do professor no que tocava a arte de defesa pessoal. Sem conseguir resistir, virou o rosto para a esquerda de maneira a conseguir ter uma boa visualização do rosto do rosado. Naquele momento estava pensativo, batendo com a lapiseira no caderno, mas mal sentiu uma presença o observando revirou os olhos percebendo ser a loira. Ficaram meros segundos se encarando até Natsu desviar os olhos.
– Como devem saber, todos os alunos almejam pertencer a Guildas, com isso se inscrevem na Akademi Fairy Tail, com o objetivo de no futuro poderem proteger milionários e pessoas importantes que por cada trabalho concedido contribuem com uma quantia exorbitante de dinheiro. Para isso tem que completar os estudos, e quem proceder bem nos esportes e no combate de defesa pessoal, assim como em química, matemática e língua japonesa, pode decidir a guilda a que quer pertencer, temos a nossa da Fairy Tail, a Saberthoot, a Blue Pegasus e por aí adiante.
Lucy assimilava as explicações muito concentrada, entrar na guilda se tornaria agora o seu grande objetivo, para alem de poder proporcionar uma vida melhor a seu pai e Virgo, já que havia prometido arranjar maneira de ganhar dinheiro, ainda teria a possibilidade de fazer parte de uma organização de proteção.
No fim da aula, Natsu foi um dos últimos arrumando seu material, Lucy estava decidida a falar com ele, mas desta vez a sós, queria compreender o porque de a ter maltratado em frente aos amigos.
Assim que o rosado saiu da sala caminhando para o exterior, Heartfilia puxou seu braço o fazendo parar. Seu coração batia a um ritmo frenético e por qualquer razão corou ao se sentir completamente examinada por ele. Ficou totalmente rendida á visão do rosado, ali á sua frente. As memórias do passado voltavam como flash backs, mas não era hora para pensar no passado e sim no presente.
– Se..será que agora podemos ter uma conversa? – gaguejou esperando pela resposta do rosado que a única coisa que fez foi se certificar que ninguém estava os vendo.
– O que você quer, loira? – perguntou o rosado impaciente.
– Como pôde falar comigo naquele tom a frente de seus amigos? – perguntou Lucy desapontada, aquele não podia ser o Natsu que conhecera na aldeia. Ele voltou a observar em redor, vendo se ninguém o estava vendo falando com a loira, ela estava longe de ser a garota ideal para um popular estar conversando nos corredores. – Vai parar de olhar em redor e me respon…
Antes que pudesse terminar a frase, Natsu agarrou Lucy pelo pulso a empurrando para dentro de uma sala vazia, fechando a porta logo de seguida.
– O que você está fazendo aqui Lucy? – perguntou Natsu vendo ela se ajeitando depois do empurrão que ele lhe havia dado.
– Agora já sabe meu nome não é, porque ali fingiu não saber? – perguntou colocando ambas as suas mãos na cintura.
– Me responda primeiro.
– Você não regressou durante dois anos, e o que me pergunta é o que faço aqui? Obvio que foi para saber como estava, o que tinha acontecido, e vejo que você está completamente mudado. Agora me responda você. – disse furiosa.
– Não vou perder minha reputação na academia por sua causa! – disse curto e grosso.
– E para isso precisava me tratar daquela maneira? Está me dizendo que o Natsu que conheci na aldeia é o completo oposto do Natsu da cidade, é isso? E porque não contou aos seus amigos sobre mim, tem vergonha por eu vir da aldeia? – gritava Lucy indignada.
Natsu não respondia a nada, simplesmente ficava escutando Lucy berrando.
– Já que não vai responder ao resto, pelo menos me responda a essa, porque não voltou a aldeia no verão como todos os anos fazia? – perguntou se aproximando do rosado, necessitava saber o motivo.
Lucy aguardou a resposta de Natsu que por momentos ficou encarando cada centímetro do corpo dela. “O que ele esta fazendo?”, se perguntou sentindo-se despida apenas com o olhar penetrante que o rosado lhe lançava.
– Não lhe devo explicações de nada! – respondeu Natsu voltando a pousar seus olhos nos de avelã de Lucy.
– Você não presta mesmo!
– Foi por isso que se apaixonou. – disse o rosado esboçando um sorriso de canto
– Do que você está falando? – a loira perguntou corada.
– Não vale a pena negar Lucy, eu sei que você me queria quando eramos novos, e agora não é diferente.
– Está enganado Natsu, não sinto mais nada por você a não ser raiva, a amizade evaporou desde o momento que me tratou mal em frente de seus amigos.
– Você me mete piada, tentando mentir com todos os dentes que tem na boca, você a mim não engana.
Foi se aproximando dela pouco a pouco ate ficar a centímetros de distancia, podiam sentir as respirações mescladas um do outro. Quente, estava ficando muito quente, Lucy não o entendia, o que ele estava tentando provar com aquilo tudo?
Natsu com rapidez puxou-a pelo braço de encontro a seu corpo.
– O que você pensa que…
– Me prove que não sente nada quando seu corpo está colado ao meu! – respondeu o rosado a empurrando contra a parede prendendo-a com ambos os braços de cada lado da cabeça.
Lucy tentou se manter calma, não ia mostrar sintomas de desejo por ele, não na sua frente.
– Isso tudo começou quando você estava tentando me provar que não era gay, você não provou nada, porque haveria eu de o fazer? – perguntou Lucy de forma irónica, o que interessava a Natsu saber se ela gostava ou não dele? O que importava, se agora fingia nem a conhecer.
– Eu lembro, fomos interrompidos, mas não tem ninguém agora nos interrompendo – ia sussurrando Natsu nos ouvidos de Lucy enquanto depositava pequenos beijos no pescoço da garota fazendo-a se arrepiar.
“ Que merdas ele estava fazendo? Só pode ser um sonho e eu vou acordar agora mesmo, ele não pode simplesmente me tratar como lixo e depois ficar me seduzindo.”, pensava a loira.
– Natsu me solte ago..agora – Gaguejou Lucy nervosa tentando se desprender dos braços fortes de Natsu, ele havia adquirido muito mais força, conseguindo a manobrar como bem desejava. Não tinha mais como fugir, sua respiração estava alterada para não falar nos batimentos acelerados de seu coração, acabou se deixando levar pelas sensações que ele estava conseguindo provocar em seu corpo, quando tudo apontava para que ele a fosse beijar, este desviou o rosto sussurrando em seu ouvido.
– Perceba Lucy, as pessoas mudam, eu sou uma delas, garotos como eu não se dão com garotas como você.
Natsu se afastou de Lucy com o propósito de ver a reação desta. Continuava prensada na parede tentando que a respiração voltasse ao normal. Seus lábios estavam entreabertos ainda processando tudo o que tinha acabado de escutar.
– Fique bem vivendo no seu mundinho de popularidade, e não volte se aproximando de mim.
– Isso sou eu que decido!
Nervosa com o rumo da conversa pegou na sua bolsa caída no chão saindo as pressas da sala deixando Natsu para trás, caminhou irritada pelos corredores esbarrando em tudo o que se colocasse em sua frente, ele estava sendo tao estúpido. Estava tão absorta em seus pensamentos que só voltou a si quando viu um garoto sem camisa apenas com as calças do uniforme postas.
– Você por acaso se chama Gray? – Lucy se lembrava de Natsu comentar sobre seu melhor amigo Gray, o garoto que tirava as vestimentas a toda a hora sem se dar conta.
– Sim, e você é? – perguntou o garoto observando Lucy.
– Lucy, Lucy Heartfilia…
– Lu..Lucy? A garota da aldeia que Natsu visitava todos os verões? – perguntou arregalando os olhos não acreditando ser a amiga que tanto Natsu comentava.
– Ele lhe contou sobre mim?
– Sim, ele comentava muito sobre voce, ate fizemos uma aposta em como ele conseguiria beija-la. – respondeu, achando que por aquela altura Natsu já teria contado tudo a loira.
O sorriso de Lucy logo desvaneceu, ela era uma aposta? Aquela aproximação no ultimo dia tinha sido derivada a uma aposta que havia feito com o seu melhor amigo?
– Acha isso bonito brincar com os sentimentos de uma garota? Realmente diga ao seu amigo para não se preocupar, não vou falar mais com ele, pode estar descansado no seu mundo da popularidade. – disse virando costas ao garoto sem nem esperar resposta da parte do garoto moreno.
– Espera…mas.. Natsu e eu …nós já não somos amigos, desde a dois anos atrás! – sussurrou Gray mais para si.
Não tinham aulas da parte da tarde, apenas fizeram as apresentações, o verdadeiro começo seria no dia seguinte, foram dispensados seguindo cada uma para suas casas , no dia seguinte seriam realizados os testes de quem faria parte da ala esportiva de futebol americano, e da claque de cheerleaders, assim como outras atividades extra curriculares.
Lucy e Levy ficaram animadas ao saber que viviam no mesmo prédio, só que em andares diferentes. Seguiram ambas conversando sobre que assunto que poderia ser a reunião. Quando entraram no prédio se despediram uma da outra, e enquanto Levy ficou no segundo andar, Lucy subiu ate ao terceiro. Ficou o resto do tempo no sofá pensando em Natsu, não queria pensar nele, mas era uma tarefa complicada tira-lo do pensamento.
Passado uns minutos, começou escutando risadas vindas do corredor. Achando estranho decidiu se levantar do sofá caminhando em direção a porta de entrada com o intuito de perceber o que se estava passando. Lamentando por a porta não ter o olho mágico para poder espreitar decidiu colocar seu ouvido encostado a porta de madeira tentando captar alguma fala, alguma coisa coerente, mas em vez disso continuava escutando, risinhos que pelos vistos eram de uma garota.
Sua curiosidade pedia no seu consciente para abrir a porta e descobrir o que se estava passando, mas quando escutou a porta se fechando, perdeu qualquer hipótese que tinha para ver quem estava rindo, decidiu regressar de volta ao sofá. Provavelmente continuariam a festa dentro do apartamento, já não se escutava tanto barulho. Passou uma hora, duas horas, três, não aguentou, estava entediada, decidiu ir para a casa de Levy, pelo menos sempre teria com quem desabafar.
Mal Lucy abriu a porta para sair do seu apartamento observou a da frente se abrindo tambem, revelando a pessoa que menos queria ver no momento, principalmente por estar grudado a uma garota.
– Não estou acreditando, você?
Continua...
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