Trying Understand Him
8 Injustiça
Notas iniciais
Com a toca cobrindo seus finos cabelos azul escuros, e seu maio justo a seu esbelto corpo, Juvia percorreu o corredor que tinha como acesso a piscina coberta, onde podia-se contemplar diversos alunos alongando, e os que preferiam manter-se nadando. Não pôde deixar de estranhar a presença de Fullbuster, sempre soube que ele gostava de nadar, mas não eram propriamente em piscinas de água morna. Caminhou para a zona das pranchas, posicionando-se na facha onde Gray encontrava-se praticando crawl. Nada a deixava mais exultante como contemplar o garoto, dono de seus pensamentos mais profundos. Se pudesse passar o resto de sua vida contemplando-o, não teria mais felicidade que isso, mas a verdade é que não podia deixar de desejar todos os dias tê-lo mais perto, mais sociável consigo.
Não demorou muito ao azulado por fim chocar sua mão na borda da piscina enquanto emergia da superfície com a respiração ofegante exigindo oxigênio. Assim que retirou os óculos de mergulho de forma a limpar as gotículas de água que dificultavam sua visão, apercebeu-se de uma presença por cima de si, mais precisamente apoiada em cima da prancha, como por impulso tomou sua atenção para a jovem, não ficando nem deveras satisfeito com a presença da azulada. Preferiu não falar nada, em vez disso impulsionou seu corpo para a frente de forma a conseguir retirar-se de dentro da piscina. Juvia tentou articular alguma coisa, mas ficou apenas o observando se afastar aos poucos enquanto retirava a toca e bagunçava os cabelos com sua mão de forma a retirar o excesso de água, aquilo era tão excitante no ponto de vista da azulada, poder ver as gotículas escorrendo pelas costas do jovem, nunca desejou tanto ser feita de água, como naquele momento.
Estava se tornando ridículo aquele afastamento, aquela indiferença, o que ela tinha feito de errado para merecer um tratamento de desprezo? Por gostar dele, era esse o motivo? Não conseguia entender, mas estava cansada de ficar na ignorância. Decidida, foi de encontro ao azulado pedir no mínimo uma justificação um motivo para a forma como a tratava e se afastava a cada dia.
Respirou fundo antes de finalmente tomar coragem para confrontar Gray. – Juvia gostaria de saber ate quando isso vai durar, esse afastamento que o Gray esta impondo sobre a gente, é doloroso. – pronunciou tudo de uma vez, estava mais que na hora de ir direta ao assunto e deixar-se de rodeios. – Pensa continuar nesse silencio? – perguntou aproximando-se aos poucos do jovem que continuava parado na mesma exata posição que antes. – Juvia precisa de respostas! – Não era sua intenção elevar sua voz, mas não pôde conter-se, aquele silencio a torturava a níveis imaginários.
– Não vejo motivos para perder tempo em uma conversa que para além do mais não tem qualquer respostas a serem mencionadas. – ele disse continuando de costas para a jovem.
– O que Juvia fez para Gray a tratar com desprezo? – perguntou a centímetros do azulado, que demorou uns segundos a responder.
– Olhe em sua volta! – Fullbuster disse virando-se finalmente para a azulada. – Tudo mudou, o grupo de amigos que ambos fazíamos parte morreu, se foi, desvaneceu, cada um seguiu seu caminho.
– Isso não são motivos para tratarmos os amigos como invisíveis. – Juvia revidou mais confiante que nunca.
– Você não é a Juvia que conheci com 9 anos. – disse pousando seus olhos negros sobre os azuis. – Juvia Loxar nunca se interessaria por popularidade, não pensaria em ser uma líder de torcida. Pensei que sua paixão fosse o oceano, tudo o que envolvia água, você não passa de um pau mandando de Lisanna, não consigo suportar pessoas que se deixam levar pelos outros e simplesmente não seguem seus sonhos.
– Juvia só queria ter o reconhecimento de Gray... – murmurou desviando sua atenção para um ponto irrelevante, não conseguia encarar as orbes sombrias de Fullbuster.
– Como poderia reconhecer uma pessoa que se engana a si própria. – Gray cuspiu as palavras como se fossem espinhos perfurando o coração da jovem. Aquilo doeu, doeu de tal forma que fez com que Juvia retoma-se sua atenção mais uma vez aos penetrantes olhos ônix, provocando um certo respeito em Gray que não pode deixar de se intimidar pela feição desapontada de Loxar.
– Juvia também se cansa, sabia? – a azulada alterou a voz. Não suportava o fato de ser tão maltratada por alguém que ela apenas queria que a amasse. Aquilo era realmente revoltante. – Gray-sama só sabe falar que Juvia virou uma pessoa que ele não gosta, mas quer saber... Gray-sama também não esta sendo a pessoa mais sensata do mundo! – seus olhos queimavam e as lagrimas escorriam por sua face. Loxar evitava ao máximo se mostrar tão fragilizada. Queria falar mais, queria falar muito mais... mas Fullbuster não lhe deu espaço para continuar seu protesto.
– A não comece com esse drama Juvia – o garoto pronunciou. Ao perceber as lagrimas sendo formadas nos olhos azuis da garota, e também a tonalidade da voz. Aquilo era um drama no qual Gray não queria participar. – Quando você cair em si, e voltar a ser quem eu sempre conheci, venha conversar comigo.. Até lá, apenas me esqueça. – suspirou dando as costas para a garota – Não tente me dar uma lição de moral... Você não tem mais esse direito. – iniciou uma caminhada distanciando-se da azulada – “Você não é mais a minha Juvia.” – pensou, seu orgulho não permitia dizer a frase em alto bom tom.
– Gray Sama nunca ligou a futebol americano, só estava querendo se igualar a Natsu... – Juvia havia dito as palavras, mais como um murmúrio, o certo seria confronta-lo da mesma moeda, fazê-lo entender que estava seguindo o mesmo erro e não tinha o direito de lhe dar nenhuma lição. Mas não queria enraivecê-lo, era como um tabu mencionar o nome Natsu na sua presença.
Heartfilia juntamente com McGarden continuavam caminhando pelo corredor onde se localizavam diversas portas, sendo uma delas a sala onde ocorreria as explicações. Lucy estava animada com a ideia de poder estudar, desde pequena sempre interessou-se por todas as matérias e conhecimentos que conseguia adquirir pelos livros que Virgo trazia, mas poder ajudar os outros era deveras mais empolgante, ainda mais, sabendo que nenhum dos populares iria perder seu tempo comparecendo nas aulas extra, ou seja, teria finalmente momentos de paz sem garotos irritantes a atormentando no período da tarde, sem duvida parecia o melhor clube para se inscrever e o que tinha mais a ver com sua personalidade.
Enquanto isso, dentro da sala de estudos se encontrava um homem de cabelos longos esverdeados, robusto, olhos penetrantes e tão verdes quanto a cor de seu cabelo, lendo umas papeladas que haviam sido entregues pelo diretor Makarov a poucos minutos atrás. “Isso vai ocupar bastante de seu tempo e paciência”. – o velho avisou antes de se afastar para a diretoria cabisbaixo. – Interessante, um grande desafio para a equipa, ter de ensinar esse burro, tem de com certeza nos dar extra pontos no nosso currículo. – foi retirado de seus pensamentos assim que recebeu uma mensagem.
“Se ela não fosse sua namorada eu dava uma trinca, aquele uniforme de líder de torcida está me deixando excitado”
Suspirou fundo colocando seu celular no mesmo local onde o havia retirado. – Aquele imbecil não consegue ficar um dia sem dizer estupidezes. – Tentou controlar sua ânsia ao imaginar MiraJane desfilando pelo campo com o uniforme justo, qualquer garoto apreciaria a vista, não mostrando qualquer indicio de desviar a atenção do corpo das jovens, pensar em sua namorada sendo uma delas o tirava totalmente do sério. – Acabou, não posso tolerar mais isso. – Freed estava decidido, precisava ter uma conversa com a namorada, e não havia tempo para esperas, o clube de estudo funcionaria bem sem o seu comparecimento.
Antes que pudesse pousar os papeis que já se encontravam um pouco amassados entre seus dedos, a porta abriu-se e dela surgiram duas jovens.
– Levy, ainda bem que você chegou, vou precisar que assuma o grupo por hoje, tenho assuntos importantes que necessitam ser resolvidos. – disse enquanto caminhava na direção da porta onde as duas continuavam paradas.
– O quê? Freed, esses assuntos não podem esperar uns minutos? – perguntou desesperada, não era nada boa altura para a deixar no clube responsável pelos alunos. — Queria apresentar minha amiga Lucy Heartfilia, e saber se podia-a aceitar no clube de estudos.
– Não é a melhor altura para decidir a aceitação de novos membros, precisava de tempo para marcar uma entrevista e....
– Entrevista?! – Lucy arregalou os olhos incrédula interrompendo Freed. – Acho que está a haver algum tipo de engano eu não...
– Ela pode pelo menos ficar me ajudando com o Droy, ela ainda hoje teve a ajuda-lo nos exercícios, tenho certeza que Lucy seria uma mais valia para nós. – disse Levy tentando convencer o líder do clube.
– Você conseguiu realmente ensinar alguma coisa para aquela porta? – questionou Freed espantado – Sendo assim não vejo qualquer tipo de problema em ficar, bem minha jovem seja bem vinda ao clube, desculpe não ter como me apresentar de uma forma mais sofisticada, mas hoje não é o melhor dia – concluiu com um sorriso. – Agora meninas, se me dão licença, preciso ir! – Depositou os papeis amassados nas pequenas palmas das mãos de Levy antes de fechar a porta e seguir seu rumo.
Mal que se escutou o trinco da porta se fechando a loira apressou-se a demonstrar seu descontentamento.
– LEVY!!! – Lucy elevou a voz. – Se bem me recordo o combinado seria, eu ficar a ajudando apenas por hoje e caso gostasse eu decidiria ficar na equipe.
– Não é a melhor altura para reclamações Lucy, o Freed já me trocou as voltas, agora vou ter que ficar responsável pelos alunos, e nem faço pequena ideia de quem esse ano vai decidir participar, e quem resolveu desistir. – a azulada respondeu pousando as folhas em cima de umas das mesas sem conferir para que serviam e o significado daqueles papeis. – Já deviam estar pelo menos duas pessoas na sala, mas ninguém dá sinal de vida.
– Calma, não deve ser tão complicado organizar o clube de estudos por apenas um dia, de toda a forma eu estou aqui para a ajudar. – Lucy disse esboçando um sorriso enquanto tirava seu material da mochila para assim que os alunos entrassem pela porta iniciar as explicações, enquanto isso Levy abriu a porta esperando que um aluno entra-se, não podia deixar de fazer fisgas esperando que Heartfilia estivesse certa.
No corredor, Freed seguia a paços largos indo direto à quadra de esportes onde provavelmente encontraria alguns jogadores, e estes conseguiriam lhe mostrar onde sua namorada estaria. Obviamente o garoto não estava muito bem humorado, na realidade aquele era o pior momento para alguém tentar conversar consigo, acabaria por explodir no exato instante.
Após passar por vários corredores e finalmente chagar à onde queria. Deparou-se com três jogadores, brutamontes, conversando e dando altas risadas. Freed aproximou-se de um deles e sem muitas delongas indagou:
– Viu MiraJane? – o jogador não pode deixar de dar uma pequena risada maliciosa. Afinal era meio difícil não perceber a albina.
– Ela esta logo ali – apontou para a quadra de esportes onde era possível se ver umas sete meninas sendo orientadas por uma oitava, que vestia uma mini saia muito colada juntamente com um top que valorizava em demasia seu farto busto. “MiraJane” – Freed pensou aos nervos ao ver sua namorada saltitando e sendo devorada com os olhos daqueles homens que apenas ficavam na academia para assistirem ao treino das lideres de torcida, afinal não tinham treinos naquele dia.
– Devia ficar de olho na sua namorada – o mesmo que havia ajudado o garoto de cabelos esverdeados, disse com uma voz maliciosa. Freed já estava andando em direção a albina e decidiu simplesmente ignorar aquela provocação.
– Vamos meninas! – a Strauss disse animadamente mais direcionado as garotas que haviam passado no teste e agora estavam aprendendo os paços da dança. Mas antes que a albina pudesse falar mais algum incentivo para as meninas, fora cortada por seu namorado, que não demonstrava certa alegria e doçura na voz.
– MiraJane! – ele gritou. Mira só pode parar de fazer tudo e o encarar, odiava quando alguém a atrapalhava em um treino, mesmo que esse ‘alguém’ fosse seu namorado.
Enquanto ambos se afastavam para conversarem em privado, as lideres de torcida não poderiam deixar de comentar em como uma jovem tão bonita quanto MiraJane, mantinha-se em uma relação com um nerd, líder do clube de estudos, não combinavam em absolutamente nada.
– Estou ocupada agora querido.. – falou sutil aproximando-se do garoto que estava tenso, e não demonstrava um mínimo de carinho. – Podemos conversar outro momento, tenho que ensinar as meninas... – a albina continuava simpática como normalmente, mas aquela simpatia não estava sendo muito recíproca.
– Esta ensinando a suas ‘criancinhas’ como vadiar por aí? – perguntou irônico e com um tom de voz alterado. Mira fechou a cara em uma carranca e observou Freed com frieza. Desde quando ele a tratava daquela maneira?
– Que bicho te picou? – indagou nervosa – Nós estávamos bem, e de repente você me aparece me chamando de vadia? Qual é a sua? – perguntou tentando não elevar muito o tom de voz demonstrando sua linha de paciência.
– Ora, apenas vadias ficam andando com essas roupinhas pelo colégio... Mexendo a bunda e fazendo os garotos quererem fuder com elas. – Freed estava fora de si. Nunca na vida teria coragem de elevar o tom de voz com sua namorada, ele a amava muito e utilizar aquele vocabulário chulo não era muito parecido com algo que o líder do grupo estudantil faria.
– Desde quando você fala assim comigo? – ela perguntou incrédula com aquelas palavras de seu namorado.
– Desde o dia em que todos começaram a querer minha namorada para eles. – suspirou – Eu não quero ser provocado o dia todo e ficar com a sensação de que minha namorada esta sendo desejada por todo e qualquer homem.
– Mas eu só quero você Freed, porque não consegue perceber isso? – ela perguntou sentindo-se emocionada, a ultima coisa que queria era seu namorado não aprovando sua atividade. Freed tentava recompor a calma mas aquilo era algo relativamente impossível... sentia medo, raiva e um ciúme incontrolável.
– Se fosse você não iria ficar andando com essas roupas, só vos faz parecer vulgares. – Justine continuou com sua ideia de a fazer desistir daquela tolice, para ele aquilo não tinha qualquer fundamento, mexer os pompons enquanto abanavam a bunda e os peitos, qual o objetivo daquilo? Apoiar a equipe? Parecia mais um incentivo ao sexo.
– O quê? – ela indagou um pouco surpresa o encarando incrédula, “vulgar, era isso mesmo que ele achava?” – Quer que eu pare de ser líder de torcida, é isso mesmo?
– Se você me ama como diz... Acho que o mais sensato seria se largasse essa vida de líder de torcida, eu me sentiria muito aliviado. – certamente aquele não fora o mais sábio raciocínio que Freed poderia ter feito. Sabia que ser líder de torcida era uma paixão para MiraJane e aquilo certamente iria partir seu coração, mas não deixava de ter seus ideais, e para ele aquela atividade não tinha senso algum. Porque ele tinha de ser tão racional?
– Ora não me venha com sensatez, Freed. – falou nervosa – Sabe que amo ser líder de torcida. O ser ‘sensato’ é você me aceitar da forma como eu sou, ou simplesmente não ficar mais comigo! – suspirou – Eu não vou mudar por uma pessoa que só pensa em si mesma o tempo todo, e receia por coisas que eu sei perfeitamente evitar. – Não tinha sido totalmente verdadeira, afinal não havia conseguido evitar ser agarrada por Laxus, mas esse era um caso a parte.
– Isso quer dizer que você prefere ficar com essa roupinha, andar se abanando para todos os garotos a observarem do que ficar comigo? – perguntou com a face vermelha de ódio, ela só podia estar brincando com sua cara.
– Exato! – ela concluiu friamente – Agora se me der licença – deu-lhe as costas e começou a caminhar novamente em direção as lideres de torcida – Eu tenho coisas a fazer aqui.
Certamente aquela discussão fora breve e muito infantil. Mas Freed não poderia mentir que ficara extremamente irritado com tudo o que sua namorada havia falado. “Então é assim?” – ele pensou e em seguida deu-lhe as costas e saiu em direção oposta a de sua namorada, ou devasse dizer ex-namorada.
As duas jovens assim que escutaram barulhos vindos do corredor, saltaram na direção uma da outra enchendo a sala de pequenos gritos de histerismo. Finalmente alguém aparecia.
– Bem vindos! – disse Levy animada assim que escutou a maçaneta da porta, mas logo a animação desvaneceu-se ao ver quem eram.
– Freed desculpe, não volta a acontecer! – gritou um dos jovens quase tropeçando no chão e levando a porta consigo.
– Perdemos a noção do tempo, peço imensas desculpas. – lamentou-se o outro surgindo segundos depois atrás do loiro. – Nós não... Levy? – arregalou os olhos ao ver que a correria não tinha valido de nada, à sua frente só se encontrava uma azulada e uma loira, nem sinal de Freed.
– Onde está o Justine? – perguntou Eve, percorrendo sua visão sobre a pequena sala vazia.
– Eu fiquei encarregue por hoje de cuidar do clube, de toda a forma não temos alunos nenhuns, como pode se notar. – Levy suspirou derrotada desfalecendo seu corpo em uma das cadeiras.
– Entendo. – disse Ren Akatsuki suspirando. Seria normal não terem muitos alunos, afinal era o primeiro dia que o clube abria as portas aquele ano, as provas ainda não haviam dado inicio, não haveria muitos alunos a recorrer a ajudas.
– E quem é esta bela jovem? – perguntou galante outro jovem que surgiu atrás dos outros dois, assim que pousou os olhos na loira que continuava parada observando o descontentamento da amiga azulada sem saber o que poderia fazer para a animar.
– L-Lucy Heartfilia. – respondeu receosa, não estava habituada a ser elogiada ainda mais de sua beleza, podia ser algum tipo de trote, mas aquele rosto não lhe parecia estranho. – V-você, você é o garoto que me defendeu na aula. – esboçou um sorriso, queria agradecer mas naquele momento não teve como já que havia sido enviado para a direção. – Muito obrigada por me defender, não tive oportunidade de agradecer...
Eve desatou as gargalhadas sem conseguir conter os ataques de riso que se apoderavam de si depois do que a loira havia dito. – Como sempre você é confundido por ele, a única diferença é que pelo menos ele conquista garotas, já você pelo contrario fica vendo navios.
– Não sei porque você está rindo feito um otário! – disse o garoto de cabelos castanhos arruivados emburrado. – E quem disse a você que não consigo miúdas? Sou tão popular como esse babaca.
Quem não estava entendendo nada era Lucy que mantinha-se em silencio observando os dois jovens.
– Lucy, o garoto que defendeu hoje você na aula se chama Loki, nem tem comparações com esse aqui. – Continuou Eve alfinetando e provocando o amigo que já estava explodindo de raiva.
– Claro que não tem comparações, afinal, sou muito mais bonito que esse galinha. – disse o jovem confiante.
– Vão deixar-se de conversa fiada por agora? Estamos sem alunos para explicar, não é altura para baboseiras. – disse Levy apoiando sua cabeça em seu punho sem grande paciência para as discussões tolas dois dois. – Hibiki o que você está fazendo aqui? Que eu saiba você não faz parte do clube de estudo, e também não é mau aluno nas matérias.
– Não havia treinos hoje, por isso decidi assistir ao vosso clubezeco, mas por o que posso ver não tem grande sucesso. – comentou o jovem olhando de soslaio para a pequena sala que continuava vazia, com meia dúzia de gatos pingados.
– Isso porque você veio apenas hoje, o ano passado tava cheio fica sabendo que...
– Levy, não vale a pena perder tempo com o Hibiki, acho que não vai aparecer ninguém. – interrompeu Ren, sempre que alguém ameaçava falar mal sobre o clube, McGardeen ia sempre aos arames.
– Então porque raio ainda estamos aqui? Vamos embora logo.
Levy ao escutar o que Hibiki havia dito, estava pronta a desistir e seguir para casa com Lucy e os restantes explicadores, não valeria a pena continuarem na sala se não apareciam alunos por quem pudessem prosseguir com as explicações, e quando tudo estava apto para retirar-se da sala eis que surgem dois alunos desorientados perguntando se era ali que se localizava o clube de estudo, tendo resposta afirmativa por parte de todos. Enquanto pediam desculpas pelo atraso, a azulada formou seu melhor sorriso mostrando seu contentamento por finalmente ter alunos para ensinar, não se importou pelo atraso, pois ambos eram novos alunos, então era natural não saberem onde se situava o clube.
– Sejam bem vindos ao clube de estudo tendo como representante Freed Justine, que de momento não pôde comparecer deixando o cargo em minha responsabilidade. – disse tentando ser o mais formal e simpática possível. – Meu nome é Levy McGardeen, atrás de mim são os meus colegas, não tenham problemas em tirar duvidas com qualquer um de nós, o nosso objetivo é ajuda-los a melhorar nas notas.
–Agradecia se nos pudessem orientar as matérias no inicio do ano para não nos perdermos em relação aos restantes alunos. – disse um dos jovens. Terminaram por ficar a cargo do Ren Akatsuki e de Eve Tearm, enquanto Hibiki seguiu para perto dos amigos. Droy e Jet também tinham surgido pedindo desculpa pelo atraso, Levy estava apta a ensinar Jet enquanto Lucy ficaria com Droy, mas este disse que precisava de esclarecer uns problemas e só queria a ajuda da pequena azulada. Sem outro remédio acabou por deixar Lucy em um canto da sala enquanto foi ajudar os amigos.
Vendo a amiga desanimada deixou os dois resolvendo os exercícios enquanto aproximava-se da loirinha.
– Desculpe-me Lu-chan. – a baixinha comentou um pouco desanimada, sentando-se em uma cadeira ao lado ao de Lucy que estava com a cabeça deitada em sua mochila. – Lhe trouxe aqui para me ajudar, mas até agora te deixei no canto sem fazer nada...
– Não precisa se desculpar Levy – a loira respondeu com um gentil sorriso – Eu fico encarregue do próximo que entrar na sala– disse com os olhinhos brilhando ansiosa que aparece-se alguém, na realidade gostava de ajudar as pessoas no que pudesse.
– Não sei se é boa ideia Lu-chan e se for alguém insuportável, não quero que se aborreça, ainda mais tendo eu a culpa por a ter colocado nessa situação. – Levy já havia ensinado pessoas com todo o tipo de personalidades, desde casmurros e persistentes a bobos e negligentes.
– É para isso que servem os desafios, Levy o próximo que entrar, não importa quem seja, você manda juntar comigo, está bem?
– Tem certeza? – a azulada perguntou um pouco receosa, mas ao perceber que Lucy não mudaria de ideia, apenas acenou positivamente e logo ambas abriram um imenso sorriso. – Acho que ainda pode aparecer alguém hoj..- e antes que McGarden pudesse terminar sua sentença fora surpreendida com o barulho da porta sendo aberta abruptamente. Todos na pequena sala deram um salto e logo a baixinha pôs-se a falar.
– Me desculpe, mas isso aqui é uma sala de estudos! – exclamou nervosa, mas em seguida suspirou reparando quem era, e engoliu em seco – O-O que deseja aqui?
– Como você mesma disse garota, aqui é uma sala de estudos... porque mais eu estaria aqui? – o garoto respondeu de forma grotesca e irritante. Levy suspirou pesadamente e encarou Lucy com certa pena. “O próximo que entrar aqui, não importa quem seja, você manda juntar comigo” – a voz da loira ressoou em sua mente não havia volta a dar como Lucy havia dito, seria um desafio.
– Vá com Heartfilia. Ela vai te ajudar no que desejar. – falou um pouco descontente com o que havia feito. Aquilo certamente não iria dar certo. Não era como se McGarden desejasse colocar Dragneel juntamente com sua amiga, mas não tinha outra opção. “Me desculpe Lu-chan” – ela pensou.
Lucy não havia ao certo reparado quem era, quando o estrondo havia acontecido seu novo celular ao qual Levy tinha emprestado por já não o utilizar tocara, sorriu ao ver que era uma mensagem de Gray, provavelmente sua querida amiga azulada havia lhe dito seu numero, sorriu para o ecrã do celular quando leu a mensagem, decidiu desviar sua atenção do aparelho para ver a pessoa que iria ensinar, mas assim que seus olhos cruzaram-se com os ônix de Dragneel, sua respiração parou e um ódio fora do normal apoderou-se de seu corpo.
– Mas eu não vou lhe ensinar é NADA! – ela disse assim que viu Natsu se sentando à mesa na qual ela estava. Aquilo não poderia ser real, estava fugindo de todo o tipo de problema cor-de-rosa, e por ironia do destino teria de ensinar logo ele em qualquer matéria? Isso não era justo!
Continua...
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