Trying Understand Him
1 Amizade ao Acaso
Notas iniciais
Agosto 2008
– Nem acredito que vou passar minhas férias de verão fechado nesta espelunca! – Resmungou Natsu, largando as malas no chão, em frente à porta aberta da casa velha com odor a bafio.
Desde que sua avó havia falecido, há cerca de três anos, ninguém se importava em visitar a casa no meio da floresta. Agora, que finalmente ia passar as férias de verão com os amigos, seu pai decidiu as passar na aldeia perto da cidade de Fiore.
“ Que raiva!” pensava ele adentrando na casa de madeira toda empoeirada e cheia de teias de aranha.
Seria tão difícil perceberem que um garoto de treze anos queria apenas paz e sossego longe dos pais? Em vez disso, tinha de ficar preso num local que à mais de seis anos não colocava os pés.
Em volta da casa haviam árvores, arbustos, animais selvagens, e habitações a cair aos pedaços.
Caminhou na direção do primeiro quarto que encontrou, tinha aspeto rural, definitivamente antiquado.
Colocou as malas no chão mandando-se para cima da cama logo de seguida. Levou as mãos ao bolso das calças onde retirou o celular. Sem duvida aquela semana seria a mais longa de toda a sua vida, mas em uma coisa tinha que concordar, podia ter sido pior, imagina se tivesse que aguentar as férias de verão inteiras ali no fim do mundo, morreria de tédio.
Escreveu uma mensagem ao seu melhor amigo Gray Fullbuster avisando que tinha chegado ao destino e que estava ansioso por regressar de volta a cidade, pois a terrinha da avó era o lugar mais tedioso de sempre.
Logo no primeiro dia, Igneel aproveitou para ir às compras e claro limpar o pó que acumulara-se aqueles anos todos nas mobílias. Natsu resmungou que não ia limpar porra nenhuma, estava de férias a intenção era descansar, mas obvio que o pai não ligou aos resmungos e se apressou a entregar um pano e um espanador nas mãos do filho que ficou olhando para os objetos com cara de desagrado.
Sem escolha, começou limpando os móveis.
Quando terminaram as limpezas, saíram para fazer compras, foram dar a uma pequena praça onde tinham variedades de frutas, legumes, carnes, peixe, tudo em poucas quantidades, nada comparado as farturas de alimentos na cidade. Aproveitaram para comprar comida já preparada para não terem que cozinhar para o jantar.
O céu escureceu, Natsu por mais que tenta-se adormecer não conseguia, só escutava os barulhos de corujas e do vento batendo na janela.
No dia seguinte, acordou ensonado por ter dormido pouco de noite, dirigiu-se para o banheiro fazendo sua higiene matinal, tomou um duche e quando estava pronto, seguiu para a cozinha onde o café da manhã o esperava, pegou na tigela de cereais e se mandou para cima do sofá para assistir televisão. Além de a imagem ser péssima, não conseguiu escutar nada, pois o volume estava no mínimo e o comando não estava funcionando por falta de pilhas.
Ao almoço comeram em silencio sem trocar uma única palavra.
Igneel sabia perfeitamente que o filho dava tudo para estar bem longe daquele lugar.
– Se anime! – disse o pai tentando dar algum animo ao filho que agora mantinha-se apoiado no parapeito da janela, deprimido pensando no que seus amigos estariam fazendo naquele momento.
“Tudo é mais agradável do que estar numa casa sem televisão, com falhas de rede constantemente”, pensava, a verdade é que Natsu adorava quando o pai fingia se importar, simplesmente maravilhoso. Sarcasmo no seu melhor, claro.
Farto de olhar para os pássaros sobrevoando a velha casa, decidiu passear, ver as vistas, talvez conseguisse achar um local onde obtivesse rede para ligar aos amigos.
– Vou sair!
– Cuidado, não quero que você se perca, fique por perto, não vá para muito longe. – disse o pai preocupado, se lembrando de um episódio quando havia-se perdido.
“Não me ia perder numa merda de uma aldeia que se vê tudo em menos de uma hora, é completamente impossível. “ pensava o garoto de olhos onix enquanto pegava no skate e se encaminhava para o exterior.
Não percebia porque seu pai estava lhe dando tanta atenção, sendo que na cidade mal conversavam, estava sempre ocupado com o seu trabalho .
A meio do percurso, sentiu algo vibrar na sua perna, levou a mão ao bolso retirando o celular. No visor do aparelho piscava “Olhos Caídos” .
Mensagem de texto: Preferia estar aí no meio do nada a ter que aturar a Juvia, não largou do meu pé o dia todo, foi pena você não ter vindo, fazer competições com o Elfman não é nada divertido, ele perde sempre.
Escusado será dizer que o rosado ficou ainda mais puto da vida, primeiro, todos seus amigos naquela hora estariam se divertindo, segundo, não tinha nada com que fazer durante uma semana, havia passado só dois dias, mas já parecia uma década, e por ultimo não havia rede na porra do celular, a cada três passos aparecia um tracinho, mas bastava caminhar para outro lugar que ficava sem traço nenhum.
Deu voltas tentando obter mais traços sem grande êxito.
– um traço…dois traços…um traço de novo… nenhum traço, ah, não! – falou furioso, com vontade de destruir o aparelho ate ficar desfeito em pedaços. — maldita terra, malditas férias, maldita… que se lixe isso tudo! – disse chutando pedrinhas para longe para se livrar da raiva que sentia.
Decidiu pousar o skate no chão dando impulso com seus pés para a frente, as rodas deslizaram pelo caminho de terra, que por sinal não dava grande jeito para se mover. Enquanto seguia no percurso remexia no celular tentando captar rede.
No mesmo percurso, uma garota de treze anos trazia consigo dois sacos de compras, caminhava de regresso a casa quando escutou um barulho estranho, como rodas de skate atravessando o caminho, ainda por cima de terra, quem quer que fosse não devia ser muito inteligente. Antes que pudesse voltar-se para trás, para dar os parabéns ao burro que andava de skate num caminho de pedras, só teve tempo de escutar um grito de aviso.
– Sai da frente! – ordenou a voz.
A jovem aflita vendo algo movimentar-se na sua direção solta um grito colocando ambas as mãos na defensiva enquanto solta os sacos que trazia consigo, Natsu não tendo tempo de se desviar, acaba por atropela-la, levando ambos ao chão.
E lá estava uma garota de cabelo loiro e incríveis olhos castanhos avelã estatelada no chão, por baixo de um garoto de cabelo rosa, mas Natsu nem pode reparar nos olhos da jovem, pois seu rosto foi projetado para o meio dos seios dela.
– Nyaaaaaaaah!!! – gritou. – Que você esta fazendo? – disse empurrando o garoto para longe envergonhada, enquanto tentava tapar seus seios com os braços sem utilidade alguma.
– Calma garota. – respondeu Natsu verificando se seu celular estava intato, mas logo que certificou que estava tudo em funcionamento voltou seus olhos para a jovem. — tentei avisar para você sair da frente, não tenho culpa que seja surda e tenha ficado parada feito uma estatua no meio do caminho.
– Tentou avisar!? – disse se levantando. — Quando virei costas você já estava a centímetros de mim garoto. – respondeu irritada. – Acha que é local para andar de skate?
– Não vejo qual o problema!
– Acabou de acontecer um problema caso não tenha reparado, a não ser que seja cego, isso explica muita coisa. – disse ela observando as feições do garoto na sua frente, ele possuía olhos incrivelmente negros que em momentos pareciam verdes, seu cabelo era da cor mais estranha que alguma vez havia visto, cor de rosa, todo espetado, mas mesmo tendo uma cor diferente do normal, era lindo.
– E quem é você para dizer o que eu devo ou não fazer? – Natsu perguntou irritado, que direito tinha aquela garota de berrar com ele?
– Alguém mais inteligente pelos vistos que tem noção o quanto pode ser perigoso andar com essa joça num caminho como este, não falo por si, porque ate se podia esborrachar, pouco me importava, mas eu podia ter partido uma perna ou um braço por sua culpa. – disse pegando nos dois sacos caídos no solo que havia soltado antes do incidente.
– Você… Qual seu nome? – perguntou Natsu com um sorriso malicioso, observando melhor a garota. Possuía seios pequenos, e um corpo magro escondido em trajes largos, olhos castanhos, e um bonito cabelo loiro.
– O que lhe interessa saber? – respondeu a garota incomodada com o sorriso maroto que o garoto teimava em manter.
– Oras, não é obvio? Quero saber o nome de quem me está irritando. – respondeu aproximando-se mais da garota.
– Não necessita saber seu piglet de meia tigela! – disse virando costas ao garoto seguindo caminho para casa. Aquele garoto estava a irritando.
– Ah então vou lhe chamar loira! – esta não ligou ao comentário e prosseguiu seu caminho, mas Natsu não estava disposto a dar como terminado as provocações. – Obrigado! – falou. – Se não fosse seus seios aparando minha queda teria sido muito pior, mesmo eles sendo pequenos.
Não conseguiu resistir a esboçar um sorriso de contentamento, por conseguir que a garota abranda-se o passo.
– Não me chame de loira! – disse a garota rubra pelo comentário que o garoto de cabelo rosa havia feito sobre seus seios.
– Nos vemos por aí loira.
– Lucy, meu nome é Lucy.
– Bonito nome Luigi!
– LUCY!!! Me chamo Lucy seu retardado. – disse gritando com enorme vontade de matar aquele rosado cretino.
– Ou isso…
– E você, não vai dizer qual seu nome?
– Você não perguntou.
– Estou perguntando agora.
– Não digo!
– Deixa de ser criança.
Perante o olhar de Lucy, o rosado aproveitou para pressionar seus lábios contra a palma da mão, afastando-os de novo enquanto soprava sedutoramente na direção da loira mantendo o olhar fixo nela.
Petrificada seria a palavra exata para classificar Lucy naquele preciso momento. O garoto era sem duvidas demente, tarado e pelos vistos burro. Não conseguiu conter o riso perante o gesto que ele havia feito segundos atrás.
– Ate a próxima, loira.
Lucy não voltou a ripostar, apenas manteve seu olhar fixo nele, enquanto este se distanciava. Não se lembrava de alguma vez o ter visto na aldeia. Provavelmente estava passando as férias de verão com familiares, a aldeia era demasiado pequena para nunca se ter cruzado com um garoto de cabelo rosa. Na verdade, já se fazia um ano que não via nenhuma criança de sua idade, sentia-se sozinha, não tinha nenhum amigo, aquela poderia ter sido a chance de construir uma amizade, mas com o rumo da conversa, provavelmente não voltaria mais a vê-lo, “também quem precisa de amigos tarados não é verdade?”, pensava a loira enquanto regressava a casa.
Haviam passado quatro dias desde o incidente, Natsu continuava sem rede no telemóvel, queria ligar a Gray para atualizar-se nas novidades. Quanto a seu pai, passava os dias inteiros dormindo, dizia sempre que precisava descansar depois de meses de trabalho duro. Sem grande vontade de passar o dia fechado, o rosado decidiu visitar a cachoeira que o pai já havia comentado nas suas historias de quando era jovem.
Com Lucy as discussões com o pai tinham sempre tendência a piorar. Jude continuava não aceitando a morte de Layla, não aceitava ela o ter abandonado, revia no rosto de Lucy o de sua esposa, eram tão parecidas, talvez fosse por isso o motivo de tratar tão mal a filha. Destruiu a vida de ambos, metendo-se em negócios acabando por perder toda a fortuna que havia construído naqueles anos de trabalho, agora, estava na miséria, vivendo numa casa velha feita de pedra, Lucy teve de largar os estudos, Virgo a fiel empregada quis se manter com a família, havia criado um forte laço com a loira a clamando de sua “mestre”, aproveitava para a ensinar já que a menina não podia ir a escola, tanto por o pai não ter condições financeiras para comprar os livros, como também por a cidade ficar longe de onde se encontravam, não havia meio de transporte perto que a pudesse transportar até ao colégio.
Nesses momentos de tristeza quando discutia com seu pai, Lucy se dirigia ao seu lugar preferido, para esquecer os problemas. O que não contava era que esse lugar já estivesse sendo ocupado por um garoto que a quatro dias não lhe saia da cabeça, não por gostar dele, mas sim por a ter feito rir, não se lembrava a quanto tempo não esboçava um sorriso, nuca tinha motivos para o fazer na presença de seu pai. “Aquele idiota”, pensava Lucy esboçando um sorriso de contentamento. O que mais queria era voltar a revê-lo, e agora, ali estava ele, fazendo ricochete com pedrinhas na agua. Era verdade que o tinha tratado mal, mas ele era o único jovem de sua idade que havia conversado desde que fora para ali.
Ponderava em se aproximar, ou apenas observar o garoto, quando foi tirada de seus pensamentos por uma voz.
– Vai ficar me espiando é? – Lucy se assustou quando percebeu que havia sido descoberta por aquele tolo.
– Eu..Eu não estava te espiando, costumo vir aqui sempre quando estou com problemas, não estava a espera de encontrar aqui alguém, já que este lugar costuma estar sempre vazio. – respondeu desviando as atenções daqueles olhos onix penetrantes.
– Não precisa ter medo de mim Luigi, eu não mordo pode se aproximar. – disse Natsu se sentando na grama.
– Pela milésima vez, me chamo Lucy, não é loira, nem Luigi é Lucy! – caminhou exasperada na direção do rosado.
– Então me conte, porque está triste? – perguntou ele mudando de assunto.
– Quem disse a você que estou triste? – perguntou, sentando-se ao lado de Natsu.
– Você acabou de dizer que costuma vir aqui quando tem problemas, e essa carinha deprimente prova que não está bem. – ele respondeu.
De inicio Lucy refletiu se seria boa ideia explicar todos os seus problemas, mas como precisava de desabafar sua situação com alguém, resolveu contar tudo ao garoto, que nem ao menos sabia o nome. Revelou a condição financeira em que sua família estava, que seu pai depois da morte da mãe isolou-se, envolveu-se em negócios obscuros, acabando por perder toda a fortuna, restando apenas a joia que sua mãe havia lhe entregue antes de falecer. Jude como levou-os a miséria foi obrigado a vender a joia para terem como se alimentar. Contou também que não conhecia nenhuma criança e que tudo se havia passado a um ano atrás. O rosado escutava tudo atentamente sem a interromper. Depois que a loira terminou esperou uma reação de Natsu, mas ele mantinha a mesma postura de antes, calado e observador, então ela resolveu completar.
– De toda a maneira, amo muito meu pai, e Virgo tornou-se meu porto seguro, minha única amiga.
– Comecemos de inicio – disse o rosado levantando-se da grama esticando o braço na direção da loira que não demorou muito em estender a sua na direção do garoto que num pequeno puxão a elevou para cima. – Me chamo Natsu Dragneel, muito prazer! – Lucy de inicio ficou confusa mas ao ver o sorriso do jovem esqueceu tudo o que havia acontecido no dia do incidente. Natsu possuía um sorriso tão bonito, caloroso, aquilo a aconchegava, fazia se sentir bem, esquecer os problemas.
– Lucy. – disse desfazendo o aperto de mão. – Lucy Heartfilia. – completou.
– Viu, já pode dizer que têm outro amigo sem ser a Vesga. – ele respondeu caminhando na direção da agua da cachoeira.
– Virgo, se chama Virgo, você devia ir ao otorrinolaringologista tratar dos ouvidos. – disse seguindo o garoto que nem tinha ideia do que ele estava pensando em fazer.
– Ir ao quê? – perguntou confuso.
– Esquece! – suspirou, aquele garoto andava mesmo na escola? É que não parecia nada. Estava pronta a perguntar mais sobre o Natsu, quando o vê retirando sua camisa . — O que você está fazendo? – perguntou extremamente corada, “ porque raios ele esta retirando as roupas, mesmo ali na minha frente”, pensava ela.
– Oras, vou nadar, já viu o calor que está, você devia fazer o mesmo. – respondeu dando de ombros e continuando o que estava fazendo sem problema nenhum.
– Não tenho vestido o maio. – respondeu nervosa. – E não está assim tanto calor como isso. — Na verdade estava um forno, mas Lucy tinha vergonha de mostrar seu corpo principalmente a um garoto.
– Eu também não trouxe os calções de banho e daí? Vá com a roupa interior, vai dar ao mesmo que biquíni.
– CLARO QUE NÃO VAÍ! – gritou indignada, aquele garoto tinha noção das coisas? Como podia estar pedindo para ela tirar suas roupas e ficar de sotien e calcinha mesmo a sua frente, aquilo ou era mesmo um tarado ou um gay.
– Vai tirar as roupas ou não? – perguntou impaciente, não entendia o pânico da garota. – Você é muito estranha sabia.
– Já disse que não, você é que é estranho. – respondeu cruzando os braços a frente de seu corpo.
Natsu estava pronto para mergulhar na cachoeira mas resolveu levar Lucy junto.
– O que você está fazendo? – ela perguntou assim que Natsu se aproximou demasiado de si. – Natsu já disse que eu não quero ir, nade você, eu…
Não pode terminar o que ia dizer, o rosado a agarrou pela cintura puxando-a para dentro de água com roupas e tudo. Só se pode escutar o grito de Lucy assim que esta percebeu seu corpo sendo jogado para dentro da agua gelada.
– Você enlouqueceu!? – reclamou assim que surgiu na superfície assustada tentando limpar os olhos das gotas de agua.
– Você devia ter visto sua cara de baixo de água. – respondeu Natsu rindo enquanto Lucy tentava nadar com as roupas molhadas que agora pareciam pesos de tão encharcadas que estavam.
– Não tem piada nenhuma. – ela disse, salpicando Natsu que por sua vez juntou-se a brincadeira, e começaram se salpicando mutuamente.
Desde esse ano, Natsu nunca mais se importou em passar as férias na terrinha de sua avó com seu pai, já aguentava mais que uma semana por passar o tempo todo com Lucy, o ponto de encontro dos dois era no lugar preferido da jovem, a cachoeira, ambos contavam as novidades, o que faziam durante os meses sem se verem. Natsu comentava sobre seus melhores amigos, sobre a escola e sobre Lisanna, sua amiga de infância.
Lucy como não ia a escola, contava apenas o que aprendia com Virgo, e como ia decorrendo a relação com seu pai ao longo do tempo.
Agosto, 2010
Seria o terceiro ano que Dragneel já com os seus quinze anos voltara a Fiore, primeira coisa que fez mal pousou as malas foi correr até a cachoeira onde Lucy já o esperava como todas as vezes que eles combinavam se encontrar.
Sua respiração falhava cada vez que via Natsu correndo na sua direção com um sorriso que lhe aquecia o coração. Não tinha como negar a si própria, estava começando a gostar dele, provavelmente por não ter contato com nenhum garoto, não poderia afirmar que o amava, pois se conhecesse outros garotos não sabia se o sentimento por Natsu continuaria a ser o mesmo.
– Lucy é impressão minha ou seus peitos voltaram a crescer desde a ultima vez que estivemos juntos? – ele perguntou, na verdade Natsu sempre tinha seu lado tarado e provocativo nas conversas, mas em outras vezes fazia se de desentendido.
– Deixa de ser tarado, e para de olhar! – respondeu rubra, ainda agora se tinham encontrado e ele já estava comentando sobre seu peito.
– Mesmo assim continuam pequenos em comparação as meninas lá da escola.
– Quer parar de me rebaixar!? – disse dando um carolo na cabeça do rosado.
– Ai! – exclamou de dor, passando sua mão no lugar golpeado. – Estava dizendo a verdade e você me bate.
– Seu…. – Lucy estava preparando seu punho para dar uma lição no rosado quando este colocou suas mãos para cima na defensiva.
– Calma, estava brincando, mudando de assunto, como vai sua relação com seu pai? – ele perguntou. Lucy falou sobre o que tinha feito aquele ano, enquanto Natsu explicou que quando terminasse as férias iria estudar para a academia Fairy Tail, e como estava muito entusiasmado, porque sempre fora o seu sonho entrar.
Os dias passavam correndo, faltava poucas horas para ter que partir, dessa vez Natsu decidiu se encontrar com Lucy atrás da casa da avó, primeiro, porque ela já havia conhecido Igneel, e este havia gostado muito da loira, e segundo seria mais fácil para o Dragneel chamar o filho para partirem já que Natsu perdia sempre a noção do tempo quando estava com Lucy.
– Nunca comi uns bolos tão saborosos como a Vesga. – não completou logo a frase assim que sua visão contemplou um rosto assustador. Lucy quando queria conseguia ser bastante intimidadora — quer dizer a Virgo prepara, agradece depois a ela por mim – disse pondo três bolinhos na boca ao mesmo tempo.
– Nem sei como você não fica gordo comendo tanto. – comentou assistindo Natsu se deliciando com os bolos que havia trazido para ele levar na viagem, sim na viagem mas este não quis esperar e começou a devora-los a todos.
– Eu estou criando massa muscular, já viu aqui os músculos que tenho. – disse, mostrando os braços a Lucy enquanto fazia força.
– Ah onde, nem os vejo. – disse fingindo forçar a vista para observar melhor ao longe.
– Isso porque você é cega. – replicou Natsu.
– E você quando vai assumir que é gay? – perguntou Lucy fazendo troça do rosado.
– O quê? – ele perguntou arregalando os olhos, ela estava achando que ele era mesmo homossexual? Nem tinha noção a qual garoto estava duvidando de sua orientação sexual. – Quem você está chamando de gay hein?
– Oras, o garoto que tem cabelo de algodão doce, quem mais poderia ser. – respondeu divertida, só estava o provocando, adorava quando ele ficava irritado, mas naquele momento parecia estar pensativo, provavelmente iria tramar alguma.
– Não me provoque loirinha! – disse Natsu, dando três paços na direção de Lucy.
– Porquê? Tá com medo de assumir? – perguntou Lucy, risonha retrocedendo conforme o rosado se aproximava.
Natsu com rapidez empurrou Lucy contra a parede mais próxima prendendo os pulsos da jovem com suas mãos, grudou seu corpo no dela incapacitando-a de se mover.
– Quer mesmo que eu assuma? – perguntou a poucos centímetros do rosto de Lucy, podendo sentir a respiração da loira batendo no seu rosto, enquanto escutava as fortes batidas aceleradas do coração dela.
– Natsu o que você está… — perdeu sua linha de raciocínio quando sentiu a respiração do rosado em seu ouvido.
– Posso provar agora como não sou gay, você quer? – Natsu sussurrou nos ouvidos de Lucy fazendo-a fraquejar. Ela não sabia o que dizer, ou fazer, ficou estática, colada entre a parede e Natsu esperando o que ele poderia fazer a seguir. Sem esperar resposta o rosado aproximou seus lábios aos da loira, enquanto a respiração desta ia aumentando de ritmo. Estava a centímetros de beija-la quando escutaram um grito vindo de dentro da casa de madeira.
– NATSU! – gritou Igneel. – Estamos indo embora, se despeça de Lucy.
Lucy acordou de seu trance assim que escutou o grito do pai de Natsu, tentou se desprender das mãos do rosado com o objetivo de o afastar, mas este não estava disposto a larga-la tão facilmente.
– OK PAI! – gritou de volta o rosado não desviando os olhos dos avelãs de Lucy. – Você está querendo fugir porquê? – Aproximou seus lábios ao ouvido da loira sussurrando algo que fez com que ela arregala-se ainda mais os olhos surpresa.
Afastou seu corpo do da loira enquanto mantinha o sorriso debochado pelo rosto rubro da garota. Lucy permaneceu no mesmo sitio em que Natsu a havia empurrado, seu coração batia a mil, sentia sua pele fervendo apenas pelo toque do rosado, sua respiração mantinha-se desnorteada, vendo-o partir, sabendo que só o poderia ver no ano seguinte.
Agosto, 2011
Os dias foram passando rápido, chegando Agosto novamente, dia em que Lucy voltaria a rever Natsu, estava muito nervosa e com uma vontade enorme de sorrir. Sentia calores e arrepios ao mesmo tempo, por saber que em poucos minutos estaria de novo com o rosado. “ Não tem como fugir de mim loirinha, ano que vêm você vai ser minha ”, ele tinha sussurrado nos seus ouvidos a ultima vez que estiveram juntos.
– Se acalme Lucy, aja normalmente, provavelmente ele já nem lembra do que falou a um ano atrás, só mesmo você que é uma tola, para ainda ter esperanças que algo vá acontecer. – disse, para si mesma, para tentar acalmar seu coração que naquele momento batia descontroladamente.
Tentou respirar fundo com a intenção de diminuir o ritmo das batidas, mas nada parecia fazer efeito. Apressou o paço na direção da cachoeira, o ponto de encontro dos dois, com o coração aos pulos, tremendo de nervosismo. Não podia acreditar que estava gostando de um garoto que via de ano a ano, isso era impossível. Antes de passar por entre os arbustos que davam acesso a zona da cachoeira, se recompôs, assim que ganhou coragem atravessou os obstáculos, dando três passos em frente. Nada, absolutamente nada, era o que se encontrava ali.
Não havia sinal dele, só podia indicar uma coisa.
– Aquele idiota deve estar dormindo em casa! – disse antes de correr na direção da cabana da falecida avó de Dragneel.
Silencio, vazio, desabitado, era assim que estava. Ninguém, não estava ninguém dentro da casinha de madeira, nem sinal do rosado. Não entendia, todos os anos, aquela mesma hora, naquele mesmo dia, eles combinavam se encontrar na cachoeira, e sempre cumpriam os prazos, então porque ele não estava ali, teria se passado algo com os familiares? Regressou a casa, sem animo nenhum.
As férias no ver de Lucy, demoraram passando, todos os dias corria até a casa do garoto para ter certeza se havia algum recado para si, ou ele havia voltado mais tarde por motivos pessoais, mas nada, mais um ano se passou, a loira passava seus dias estudando os livros que Virgo trazia sobre matérias escolares, mesmo não podendo frequentar as aulas, por viver longe da cidade estava no mesmo nível que meninos de sua idade que frequentam o colégio.
Agosto, 2012
Finalmente havia completado dezassete anos, seus peitos haviam crescido imenso nesse ano, ate tinha vergonha de se encontrar com o rosado, pois aquele cretino tinha sempre tendência em comentar o tamanho que eles iam tendo ao longo dos anos, se os visse agora, com certeza diria barbaridades como “você colocou silicone?”, “como você aguenta com o peso dessas bolas aí?” e muitas outras que nem vale a pena referir. Seu corpo também já não era de menina, com seus quinze anos havia ganho curvas, mas agora com os seus dezassete, estava com mais largura nas ancas, e suas pernas estavam muito mais torneadas, para não falar na grossura de suas coxas. Queria muito ver Natsu, no ano anterior ele não havia aparecido, mas com certeza este ano se lembraria dela, e apareceria. Como ele estaria? Ela havia mudado, bastante, e ele, será que havia mudado alguma coisa? Enquanto varias perguntas á espera de resposta passeavam em seus pensamentos, corria na direção da casinha de madeira, pois estava demasiado ansiosa para o ver para estar esperando pelas horas habituais de encontro na cachoeira.
O que não esperava era mais uma vez a casa estar vazia, sem vestígios de algum ser ter passado ali. Se encostou na parede e deixou-se descair no chão. Parecia como se tivessem lhe retirado tudo, o seu único amigo, o garoto que não saia de seus pensamentos, e o pior de tudo, ele havia prometido voltar, sempre, e agora tinha se passado dois anos, nenhum vestígio dele, nem uma carta, nem nada, havia se esquecido internamente dela.
Não aguentaria esperar mais um ano para ter certezas que ele nunca mais voltaria, resolveu ir ao seu encontro, tinha o endereço, poderia desaparecer daquela terra, poderia fugir dos problemas que tinha todos os dias de aguentar com os mandamentos de seu pai, poderia estudar num colégio a serio, poderia se socializar com outras pessoas, e podia finalmente vê-lo, sim, parecia ser uma excelente ideia, só faltaria convencer o pai.
O que julgava ser a pior parte, terminou por ser até a mais simples, de inicio Jude não aceitou, mas quando percebeu que a filha na cidade poderia arranjar homem rico, ter estudos e ser alguém na vida, podendo ate mesmo recuperar sua fortuna trabalhando para ele, aceitou de bom agrado, mas só com uma condição, todos os verões teria de visita-lo e trazer uma boa quantia de dinheiro, afinal ele a havia sustentado estava na altura de ela retribuir o favor. Sem outra opção Lucy aceitou. Com a ajuda de Virgo fez suas malas, e seguiu para a estação de comboios que ainda ficava um pouco longe de onde viviam. Virgo ainda lhe entregou nas mãos algumas de suas economias que estava guardando para o momento que Lucy finalmente decidisse sair das assas do pai e voar para longe. Já na estação ficou aguardando a chegado do comboio que não demorou muito a surgir.
“ Porque se esqueceu de mim? Porque não voltou? “, perguntou-se a loira em pensamento assim que adentrou no comboio rumo a Magnólia, cidade onde esperava encontrar um garoto de cabelo rosa que havia apoderado de seu coração.
Continua...
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