Tryin To Find A Reason Why
12 Capítulo XII – Why She Had To Go
Notas iniciais

Capítulo XII – Why She Had To Go
Quando Quinn entrou na sala do coral seguida por Ashley, ela não conseguiu ver o olhar que Rachel lhe deu. Estava tão perdida na morena de olhos azuis, que falava sobre alguma música que estava na sua cabeça. Quinn não viu como Rachel a olhou. A morena ficou confusa com a dor que sentiu no peito ao ver o sorriso no rosto da loira enquanto falava com Ashley.
E ela não entendeu o porquê.
Não durou muito tempo, quando todos chegaram e Sr. Schue resolveu que eles não precisavam cantar, e que estava feliz por eles terem ajudado a completar os doze. Rachel viu todos baterem palmas e os acompanhou, sorrindo para Jesse que não parecia muito satisfeito com a ideia de entrar mais gente no clube. E ele disse isso para Rachel, baixinho, apenas para ela escutar, a morena não gostou do tom que ele usou. Parecia misturado levemente com desprezo.
Rachel pensou em questioná-lo sobre isso, mas Kurt a chamou para uma conversa com Blaine e Mercedes. Depois de alguns minutos, Blaine decidiu se levantar para cantar alguma música, em nome do pessoal do Muckraker que tinha entrado. Ele sentou no banco de piano e Kurt aplaudiu fortemente junto com Rachel.
Ele começou a cantar alguma música da P!nk e Rachel foi se distraindo com as coisas que aconteciam ao redor. Consequentemente seus olhos pararam em Quinn. A loira tinha os olhos atentos em Blaine, e às vezes virava para Ashley e comentava alguma coisa.
Rachel não deveria, mas sentia seu estomago se revirar com a ideia de Quinn com Ashley. Ela deveria gostar da morena, por ajudar a loira a superar os sentimentos que ela tinha por Rachel, mas não era assim que se sentia.
Todos começaram a aplaudir e os olhos de Rachel se voltaram para Blaine, que sorria animado, voltando a se sentar ao lado do namorado, recebendo um curto beijo.
– Bom, alguém mais vai cantar? – Sr. Schuester perguntou, se levantando, o sorriso em seu rosto demonstrava o quão animado ele estava com os novos integrantes.
– Eu gostaria. – Ashley se levantou e os olhos de Rachel foram para Quinn, que parecia confusa e animada ao mesmo tempo. A morena andou até o centro da sala e passou as mãos pela calça jeans. – Muita gente aqui não me conhece, então, gostaria de me apresentar. E cantar uma música, é claro!
Novamente, todos aplaudiram. Ashley foi até onde a banda estava, pedindo emprestado um violão. Ela o pegou e subiu em um banquinho que Sam tinha colocado para ela.
Assim que ela começou a tocar, Rachel soube que música era. Yesterday dos Beatles. Agora, principalmente quando olhou para Quinn, Rachel queria escutar a voz de Ashley. A garota não poderia ser perfeita!
Yesterday
Todos os palavrões possíveis passaram pela cabeça de Rachel. A voz da garota era incrível. E ela não era a única que estava chocada. Os olhos de Quinn se arregalaram, exatamente como o seu sorriso.
All my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh, I believe in yesterday
Suddenly
I'm not half the man I used to be
There's a shadow hanging over me
Oh, yesterday came suddenly
Rachel já não sabia o que fazer. Todos estavam tão animados com a voz de Ashley que ela só queria se levantar e sair correndo. Sentiu a mão de Jesse na sua e um aperto. Logo os lábios dele estavam no seu ouvido.
– Você é muito melhor. – E sim, ela sorriu com isso. Jesse era um amor quando queria. Mas ela não sabia mais se era a melhor com Ashley cantando no fundo.
Why she had to go I don't know
She wouldn't say
I said something wrong now I long
For yesterday
Yesterday
Love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday
Novamente, os olhos de Rachel estavam em Quinn. O sorriso da loira fez seu estomago se revirar. Como Quinn poderia trazer alguém que ninguém conhecia para entrar na equipe? Cerrou a mandíbula e voltou os olhos para Ashley, que encerrava a música com um sorriso.
Why she had to go I don't know
She wouldn't say
I said something wrong now I long
For yesterday
Yesterday
Love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday
Quando viu o sorriso nos lábios de Ashley, e os olhos azuis da morena brilhando, Rachel sabia que eles miravam Quinn. Porque logo os seus olhos foram para a loira, que tinha o mesmo brilho nos olhos verdes. Sentiu uma vontade imensa de chorar e cerrou a mandíbula com mais força.
Não sabia que Quinn tinha superado ela tão rápido.
– Tudo bem? – A voz de Jesse chegou em seus ouvidos e ela o olhou, forçando um sorriso e o vendo sorri de volta. – Você é bem melhor do que ela. Okay?
Rachel apenas assentiu e sentiu o braço de Jesse em seus ombros, puxando-a para ele. Deitou a cabeça no peito forte do seu namorado e respirou fundo.
Se Quinn iria esquecê-la tão rápido... Ela deveria ficar feliz. Ela poderia ser feliz com Jesse. E é o que ela quer.
Não é?
__
Quando saíram da sala do coral, Quinn surpreendeu Ashley com um abraço apertado.
– Eita! – Ashley riu e apertou a loira no abraço.
– Você não me disse que sabia cantar tanto assim! – A loira guinchou e soltou Ashley, corando levemente com o que fez.
– Eu não canto tanto assim!
– Tá de brincadeira?!
– Okay, eu posso ter frequentado algumas aulas quando era mais nova, mas minha mãe que me ensinou a cantar. – Ela sorriu preguiçosamente. – Mas eu não escutei você cantando!
Quinn corou mais um pouco e levou uma mão até a nuca. Rindo sem graça.
– Talvez um dia.
– Quinn? – Finn se aproximou correndo. Ele tinha os olhos levemente arregalados. Parou os olhos em Ashley e sorriu sem jeito. – Posso pegar ela emprestado? – Ele perguntou para Ashley que corou assentiu sorrindo para Quinn.
A loira foi afastada de Ashley por Finn. O garoto tinha uma expressão preocupada, que deixou Quinn muito mais preocupada.
– O que foi? – Perguntou viraram uma esquina e se encostaram nos armários.
Finn passou as mãos pela calça jeans, levemente nervoso.
– Porque você levou aquela garota hoje?
Quinn se sentiu ofendida. Claro que se sentiria ofendida. Finn não tinha direito de lhe fazer essa pergunta. Ela poderia levar quem ela quisesse para entrar no Glee clube!
– Porque? – Perguntou ríspida. Ela não queria ter soado tão ríspida, mas viu Finn balançar a cabeça.
– Você viu os olhares de Rachel?
Não, ela nem ao menos tinha olhado para Rachel quando entrou na sala do coral. Olhando ao redor, tentou procurar a morena, mas nada dela.
– Não... – Sussurrou confusa. Ela não entendeu muito o porque de Finn ter lhe feito essa pergunta.
– Ela não gostou nada do que você fez.
– O que foi que eu fiz? – Indagou irritada. Ela só tinha levado uma amiga para completar os doze integrantes. Não era nada demais.
– Enquanto a sua amiga cantava, Rachel não estava nada feliz.
– E porque eu deveria saber disso?
Finn riu sem humor e balançou a cabeça. A olhou com um olhar que ele nunca tinha dado a ela. Quinn sentiu seu peito doer com aquele olhar.
– Você não conhece Rachel Berry? Uma das pessoas mais inseguras que você deve conhecer. – Ele apenas diz e sai andando, quase batendo os pés.
Quinn não soube como responder a isso. Observou o seu melhor amigo sair andando e se recostou no armário.
Ela tinha magoado Rachel sem a mínima intenção. Ela se sentia tão mal agora que não percebeu quando alguém se aproximou dela com a sobrancelha erguida.
– Tudo bem?
Era Marley. Tinha os olhos arregalados e a sobrancelha erguida. Quinn suspirou e passou uma mão pela nuca, forçando um sorriso para a morena que ainda tinha a mesma expressão.
– Você não parece bem. – A morena comentou e o sorriso da loira sumiu.
– Vai ficar tudo bem. – Murmurou para a morena, mas mais para si mesma.
– Okay, então... bom, Craig e Sarah estão nos chamando no Muckraker.
Quinn apenas assentiu e seguiu a morena pelos corredores. Quando entrou na sala, Craig e Sarah estavam arrumando uma grande televisão. Franziu o cenho e impulsionou para sentar na mesa de Marley, ao lado da morena. Estavam todos do Muckraker na sala. Blaine estava ao lado de Sam, e tinha os olhos cerrados, enquanto respondia algumas perguntas que o garoto fazia.
Se virou para Marley e viu a garota mexendo no celular, jogando algum joguinho que ela não sabia o que era.
– Então, o que acha que eles vão mostrar? – Perguntou lentamente, tentando esquecer das coisas que Finn lhe disse.
– Provavelmente o vídeo que você e Craig filmaram lá em Akron. Ele deve querer mostrar o resultado da edição antes que você a poste no site. — Viu Marley guardar o celular e sorrir para ela. – Foi muito legal da sua parte, se juntar ao New Directions com a gente.
– É... – Balançou a cabeça e viu como Craig pulava para ligar a televisão na tomada em cima do grande quadro. – Não foi uma decisão muito fácil.
As sobrancelhas de Marley franziram.
– Eu não entendo... Rachel é sua amiga, não é? Porque seria tão difícil estar... ah... certo.
Quinn a olhou e viu que Marley tinha entendido tudo.
– O clássico, né? – A morena lhe indagou com um olhar compreensivo.
– Clássico?
– Sim, clássico! Quando uma melhor amiga se apaixona pela outra, e a outra tem um namorado. Isso é péssimo. Clássico de toda apreciadora do sexo feminino.
Quinn riu quando entendeu o que ela quis dizer. A morena riu com ela e quando pararam de rir, viram que todos tinham os olhares confusos dirigidos a elas.
– Já acabaram? – Tina perguntou sorrindo levemente. Elas assentiram com uma risada, suas bochechas levemente coradas.
– Okay, então, Craig e eu trouxemos o vídeo completamente excitado... tirando as vozes excitadas de vocês dois. – Sarah apontou para Quinn e Craig, que coraram e desviaram o olhar para qualquer lugar. – E arrumamos tudo para ficar bom.
E Craig se afastou para ligar, sorrindo quando o vídeo começou. Era um intro que ele e Sarah tinham feito. Uma intro que usariam nos vídeos. Esse aparecia o nome de Quinn antes que ele começasse com a garota cantando.
Novamente, Quinn estava assistindo aquela garota cantar. Cassie... era só isso que ela sabia sobre ela. De todas as vozes que ela já tinha escutado – incluindo a de Ashley – a voz que ela sentia o seu corpo ferver. Ela não sabia se deveria incluir Rachel nisso, afinal, a voz da morena lhe enchia de amor, não de calor.
Quando o vídeo acabou, apareceu o nome de Craig e de Sarah, e terminou oficialmente.
– Isso ficou incrível!
– Cara, ficou foda.
– Realmente, vocês estão de parabéns.
Craig abraçou Sarah, animado. Eles se separaram quando perceberam o que estavam fazendo, os dois tinham as bochechas coradas.
– Eu vou indo. – Sarah murmura e sai da sala.
Quinn sorri quando vê Craig desmontando as coisas, as bochechas ainda fortemente avermelhadas.
__
Seu corpo ardia. Sua cabeça parecia que iria explodir. Gemeu de dor e se levantou da cama. Sabia que estava com febre. Muita febre. Tinha acabado de ter outro pesadelo. Seu coração estava acelerado, e seu corpo muito suado. Entrou debaixo do chuveiro e gemeu quando água fria lhe atingiu. Seu corpo começou a tremer de frio.
Saiu do chuveiro e pegou alguma roupa. Vestiu uma calça de moletom e uma camisa branca, com um casaco e um tênis de corrida. Pegou o celular e o guardou no bolso do casaco. Era tarde da noite, seu pai estaria no vigésimo sono nessa hora. Desceu as escadas rapidamente e pegou a chave da casa, saindo e fechando.
Andava tranquila pela rua, era muito tarde, e realmente não tinha uma só pessoa na rua. Pegando o celular no bolso, checou as horas. 2hs36mim. Respirou pesadamente e continuou seus passos. Cinco minutos depois, ela percebeu que já estava no bairro vizinho ao seu. Agradeceu quando lembrou que Lima não era conhecida por seus assaltos. E que morava em um bairro muito bom e seguro.
Viu um parque e resolveu ir para lá, pensar um pouco no que estava acontecendo na sua vida. E eram muitas coisas.
Sentou no banco e se recostou, passando os pés na grama, brincando com a textura sob o seu tênis. Estava muito frio. O vento que batia no seu cabelo, fazia com que ela estremecesse e grunhisse enquanto se apertava dentro do casaco.
As palavras de Finn voltaram para sua cabeça.
Talvez ela tivesse muita cara de pau ao levar Ashley para o Glee Clube. Sabia que estaria meio que usando a garota para poder se distrair de Rachel e Jesse, e quando descobriu que ela tinha uma voz muito boa, isso era muito provável de que Rachel tinha se sentido insegura.
A morena nem tinha ligado para ela, perguntar se ela já tinha chegado em casa, como sempre ela fazia. Nem tinha mandado uma mensagem perguntando como ela estava, e dizendo “boa noite, tenha bons sonhos”. Poderia ser loucura, mas Quinn achava que era por não ter recebido o ‘boa noite’ de Rachel, que ela teve um pesadelo. E dessa vez, ela quase não conseguiu acordar.
– Nunca pensei que fosse ver você mais uma vez.
A dona da voz que lhe sussurrou isso apareceu na sua frente. As mãos enterradas nos bolsos da jaqueta de couro e um sorriso de escárnio.
– Eu que nunca pensei que você viria para Lima. – Comentou, sua voz soando levemente trêmula. A presença da garota a deixava nervosa.
Era a mesma garota que ela foi espionar no dia anterior com Craig. Cassie... Era realmente uma surpresa ver ela por aqui. E pela expressão sonolenta, ela estava bebendo.
– Eu moro em Lima, e estudo em um colégio perto da minha casa. – Ela sentou ao lado de Quinn, as mãos ainda dentro dos bolsos da jaqueta.
– E o que estava fazendo em Akron? – Perguntou à loira, vendo a garota sorrir desgostosa.
– Estava precisando de dinheiro, o diretor do Vocal Adrenaline me ouviu cantar em um bar e me chamou.
– Então você é a arma secreta deles só pelo dinheiro? – Indagou e viu a morena balançar a cabeça e rir.
– Eu não sei o seu nome. Vi você e um garoto me filmando enquanto ensaiava, fique feliz por eu não ter dito nada a ninguém.
Quinn riu sem graça e assentiu.
– Meu nome é Quinn, e eu sei que o seu é Cassie...
– Não. – A morena balançou a cabeça e Quinn franziu o cenho. – Meu nome não é Cassie, é Claire, mas aquele idiota me chama de Cassie.
– Mas...
– Ele nunca diz o meu nome direito, sempre inventando nomes com ‘c’. Mas meu nome é Claire. Claire Young.
Quinn sorriu e olhou melhor para a garota. Seu cabelo era muito preto, e seus olhos eram uma cor de mel, sabia que não tinha se enganado, era realmente um castanho lindo. Tinha as feições relaxadas, lábios e nariz finos. Era muito bonita. Parecia ser um pouco mais velha do que Quinn, talvez pela expressão cansada.
– Quinn Fabray. Estudo no McKinley.
Claire sorriu assentindo e passou uma mão pelo cabelo, pelo modo como ela passou a mão, Quinn percebeu que era bem liso. E ela quis passar os dedos nele, ver se era o que ela constatava.
– Porque você foi me espionar? – A voz da morena ficou rouca, Quinn pigarreou e sorriu nervosa. Ela não sabia se deveria falar.
Mas o modo como conversavam, fê-la ter um pouco de confiança na morena.
– Devo confiar em você? – Indagou com um sorriso. Claire riu e se recostou no banco.
– Por qual motivo eu estaria aqui? – Brincou e Quinn imitou sua posição.
– Eu trabalho para o jornal do McKinley. – Foi o que disse e viu que a morena tinha entendido.
– Espionagem?
– Acho que sim.
Claire riu baixinho e Quinn sorriu para a morena.
– Devo me sentir lisonjeada? – Claire brincou com um sorriso divertido se formando em seus lábios.
– Acho que sim. – Repetiu, dando de ombros e seu sorriso se tornando zombeteiro.
Claire se levantou do banco, tirando as mãos dos bolsos.
– Bom, tenho que ir. – Ela anunciou com um suspiro. – Foi bom te conhecer, Quinn.
Quinn se levantou, esticando a mão para Claire.
– Digo o mesmo sobre você. – Murmurou e sentiu a mão da morena na sua, um sorriso maior se formando nos lábios finos de Claire.
– Até algum dia?
– Acho que sim.
– Esse seu ‘acho que sim’ está me irritando.
E Quinn gargalhou e assentiu lentamente, comprimindo os lábios.
– Provavelmente vamos nos ver nas Regionais. – Avisou e viu os lábios comprimidos de Claire.
– Você é do clube do coral? – Indagou à morena e Quinn assentiu. – Bom, acho que você tem sorte que não vou falar para Trevor sobre a sua espionagem.
– Trevor?
– O diretor do Vocal Adrenaline.
– Mudaram mais uma vez?
– Eu não sei, só entrei agora. – A morena deu de ombros e soltou a mão da loira, que nem sabia que ainda segurava. – Até algum dia.
– Até.
E Claire se afastou, andando com a cabeça inclinada para trás.
Quinn sentiu sua mão quente e a olhou, lembrando do peso da mão de Claire na dela. Era uma sensação estranha.
– Hm... – Murmurou para si mesma e começou a caminhar de volta para sua casa.
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