Trunfo
35 Arrancando os cabelos
-Anna? – Valerie sussurrou, a uma carteira da sua. – Ei, Anna.
-Que foi? – Anna perguntou, tentando abrir o olho, porém cansada demais para fazê-lo.
-Acorda. – Mandou Valerie. – Ainda está no meio da aula.
-Desculpe. – Anna disse, esfregando os olhos e abrindo-os. – Estou com sono...!
-Pois é, fiquei sabendo que você e Jason sumiram ontem à noite.
-Shh, não fale durante a aula. – Anna brincou, sorrindo com as lembranças. Decidida a abrir realmente os olhos, Anna notou certo movimento estranho no outro lado da sala. Indicou com a cabeça. – Mas o que está acontecendo lá?
— Acho que Bella e Hill estão discutindo. – Valerie disse, se virando. Outras pessoas também perceberam a rixa e grudaram seus olhos curiosos nos dois oponentes.
-Isso não é bom. – Anna comentou. Valerie soltou uma risadela.
-Não se Hill deixar Bella irritada. – Respondeu, deixando no ar a indireta sobre o combate desarmado de algumas semanas atrás. Anna fez uma cara séria.
-Ela não estava acostumada, Valerie, releva aquela. – Pediu.
-Hunft, você é quem sabe... Não fui eu quem apanhou mais.
Anna revirou os olhos, e tentou voltar sua atenção à Annabeth — que encarava o canto da sala discretamente -, afirmando que a briga não duraria tanto tempo, seja lá quais fossem seus motivos.
Só que Anna estava errada.
-Ai, me solta! – Gritou Hill.
Anna se virou de volta às meninas, e viu Bella puxando com força e para baixo o cabelo da menina. Algumas pessoas soltaram pedidos semelhantes aos da própria Hill, mas Bella não lhes deu ouvidos. Puxou o cabelo da oponente com tanta raiva e convicção que, em dois segundos, arrancou um enorme tufo de seu couro cabeludo. Hill soltou gritos esganiçados e doloridos, mas o ato já estava feito: sua cabeça estava vermelha e seus olhos se enchiam de lágrimas ao levar as mãos até o cabelo e não o encontrar lá.
-Ai caramba! – Exclamou Valerie, tocando sua própria cabeça com aflição e horror.
Annabeth, que enfim chegara até a briga, batera no braço de Bella e tentava obrigá-la a soltar o cabelo da outra infeliz. Vários murmúrios se uniam como um só grito na sala. Bella não obedeceu a Annabeth – ao invés disso, agarrou seu braço de volta e enfincou suas unhas nele.
A filha de Atena tentou não demonstrar dor, mas mordeu os lábios e soltou um fino guincho.
-Por que ninguém faz nada? – Queixou-se Anna, se levantando e vendo os campistas observarem a cena com olhos repressores, mas nenhuma atitude. Correu até as garotas, vinte vezes mais rápido do que o normal, e puxou a mão de Bella para longe de Annabeth.
No mesmo segundo, um brilho dourado irrompeu na sala, nascendo de uma lança flutuante sobre a cabeça ruiva de Bella. Anna fechou o olho e virou-se para longe do brilho intenso, mas continuou a segurar o pulso se Bella... Um minuto depois a reclamação acabou, e a tensão na sala era maior do que antes.
Bella corou, mais por lisonja do que por vergonha. Aquilo irritou Anna, que rangeu os dentes internamente e estreitou os olhos para a colega. A ruiva moveu seu olhar até sua primeira vítima, e enfim mostrou pesar. Abaixou os olhos e mordeu o lábio inferior, entendendo o que fizera. Voltou a encarar Anna, a qual decidiu soltar seu braço.
A recém-descoberta filha de Ares estendeu a mão lentamente até o couro cabeludo da menina, mas esta saiu correndo para fora de seu alcance, ainda soltando lágrimas de dor e medo.
-Leve-a pra enfermaria. – Ordenou Annabeth, um pouco cansada da atitude fraca da garota. – E todos para fora, já deu o horário.
E realmente ouvia-se o som de fim de uma atividade.
-Menos vocês duas.
Notas finais
-Bella: má ou apenas doente?
Fale com o autor