True Love

20 Capítulo 20


Na casa do meu pai, estava empacotando minhas coisas novamente para me mudar pro apartamento de Barry. Ele tinha ido me ajudar, já que eu ainda me recuperava do pequeno incidente no STAR Labs e por isso não podia me esforçar muito por causa dos pontos.
— Bar, muito obrigada por ter vindo me, ajudar. Sério!
— Não tem de quê. — ele disse, arrumando algumas coisas dentro de uma caixa.

Enquanto ele fazia isso, eu tirava minhas roupas de dentro do guarda roupa e acabei achando uma caixa de um presente.
— Não acredito...
— O quê foi?
— Olha isso. — fui até ele. — É o presente que o Ralph me deu antes de... Enfim.

Abri a caixa e dentro tinham duas canecas e nelas escrito em letras grandes "Lar Doce Lar".
— Por que isso é tão a cara dele? — falei em meio a um sorriso.

Pendurado em uma delas, tinha um cartão. Comecei a ler em voz alta.
"Daphne, quando soube que o Allen te pediria em casamento, de novo, comecei a pensar no que poderia presenteá-los. Foi uma lista de 52 coisas, para ser bem exato, e a maioria delas eram muito caras. Como sabe, não estou no meu melhor momento em relação a dinheiro, já que não chantageio mais ninguém, por isso joguei a lista no lixo. Pensei então em pedir a ajuda do Cisco e pedir que fizesse uma representação de mim mesmo de papel em tamanho real, afinal, vocês não vivem sem mim, mas talvez fosse um pouco presunçoso. Foi aí que eu vi essas duas canecas em uma lojinha e pensei... Acho que é isso! Daphne e Barry, eu nunca vi na minha vida toda duas pessoas tão apaixonadas como vocês. Seus olhos brilham quando veem um ao outro. As vezes é chato, afinal de contas eu não tenho ninguém, mas na maioria das vezes é lindo de se ver e me faz ter esperança de que o amor supera tudo. Vocês são o lar um do outro, lembrem-se sempre disso! E toda vez que usarem essas canecas, também se lembrem que não vivem sem o Ralphzinho aqui. Obrigado por me deixarem fazer parte da família e por serem os melhores amigos que eu poderia ter. — Com carinho, Ralph."

Me vi rindo e com lágrima nos olhos.
— Que gentil. Ele era incrível.
— É.

Finalmente observei Barry.
— Você está bem com o que aconteceu? Só foi há 2 dias.
— Eu estou bem. — ele respondeu, continuando a guardar as coisas na caixa. — Digo, superando tudo.
— Me parece que já superou.
— Lidei com muitas mortes na minha vida.
— É e eu nem consigo lista-las. Mas... agora algo parece diferente. É como se a morte do Ralph tivesse causado o mínimo de impacto em você, Bar.
— Eu acho que apenas sei como lidar com a morte agora, então não me afeta tanto quanto antes.
— Eu sei que o luto é complicado as vezes. E como sei... Não existe uma fórmula certa para sair dele, mas...
— Não tenho o que fazer a respeito disso, Daphne. — ele me interrompeu. — Sinto falta dele? Sim. Me arrependo do que aconteceu? É claro. Mas não preciso de lições de perdas. O que preciso fazer agora é liderar a minha equipe.
— Tudo bem. — falei baixo.

O celular de Barry tocou.
— Tenho que ir. — antes de sair, ele voltou e segurou minha mão. — Me desculpa pela forma que eu falei, ok? Mas eu estou bem. Juro.

Segurei seu rosto entre minhas mãos e o beijei.
— Barry, só... Cuidado lá fora.
— Eu terei. — ele disse, correndo para longe.
— O que foi isso? — Octávia entrou boquiaberta.
— Pensei que você estivesse no colégio.
— Eu perdi a hora. Daphne, eu vi o Flash.
— O Flash? Claro que não, pequena.
— Vi sim, não sou louca. E eu podia jurar que ouvi a voz do Barry aqui com você no quarto... — ela disse pensativa. — Espera um pouco... Não faria sentido o Flash estar aqui, a não ser que...
— Que o quê?
— É o Barry! O Flash é o Barry, não é? Nossa, não acredito!
— Não, Octávia, ele não é.
— Não, claro que não. — ela desdenhou.
— É sério.
— Ele é sim, Daphne. E eu não sou mais criança pra você tentar me enganar desse jeito.
— Ok. O Barry é o Flash.
— Que. Da. Hora! O meu cunhado é o Flash!
— Não pode dizer isso a ninguém, sabe disso, não é?
— Claro que sei. Mas por que nunca me disse isso?
— Não era um segredo meu.
— É... Até que faz sentido. Você já correu com ele? — ela perguntou curiosa,
— Já.
— E como foi? — minha irmã se sentou ao meu lado.
— Foi... rápido.
— Detalhes, Daphne. Detalhes!
— Porque não me ajuda a arrumar essas coisas ao invés de fazer tantas perguntas? Esqueceu que estou machucada?
— Eu não esqueci, mas parece que você sim. Por que tem que arrumar essas coisas hoje?
— Porque vou me mudar hoje.
— Você deveria ficar um pouco mais...
— Está com ciúmes, é isso?
— Claro que não!
— Está sim! — fiz cócegas nela, arrancando algumas risadas, mas logo tive que parar por causa do meu machucado.
— Você está bem?
— Sim. Só doeu um pouco. Mas voltando ao seu ciúme, mocinha. Não precisa se preocupar. Pode ir sempre que estiver com saudade ao apartamento e eu também vou vir aqui sempre que puder. Nunca mais vou desgrudar de vocês.

Octávia me abraçou.
— Amo você.
— Eu também, pequena. Muito!
— Que cena mais linda... — meu pai disse, entrando no quarto e vindo nos abraçar. — Minhas meninas. As duas pessoas que eu mais amo nesse mundo. É tão bom vê-las assim unidas, sabia?
— É pai. Todo pai diz isso. — Octávia falou ao sair do seu abraço.

Nós então rimos.
— Quer uma ajudinha aí com essa mudança, filha?
— Por favor!

***

Eu, meu pai e minha irmã ja tínhamos terminado de arrumar tudo e eu já estava no apartamento. Esses meses que eu e Barry passamos separados so serviram pra deixa-lo uma zona.
— Meu Deus, por que os homens são tão desorganizados? Ainda mais o meu, que é rápido e poderia arrumar tudo isso em um simples piscar de olhos. — indagava sozinha.

Apesar de Caitlin ter me proibido de fazer qualquer tipo de esforço físico, comecei a organizar o apartamento. Primeiro foi a sala, depois o quarto e por último a cozinha. Assim que terminei de fazer tudo, preparei algumas panquecas para comer. Enquanto colocava elas em um prato, ouvi o barulho da porta abrindo.
— Oi, Bar. Longo dia?
— É...
— Aqui também. Com certeza não tanto quanto o seu, mas ainda assim foi cansativo.
— Você está melhor do machucado?
— Não 100%...
— Deveria estar descansando.
— Eu sei, mas não consigo ficar parada.

Barry então veio até a bancada e me abraçou por trás.
— Está com fome? Eu fiz panquecas, você quer?

Sem receber uma resposta, me virei para olha-lo e percebi Barry inquieto, com os olhos marejados.
— Bar? O que foi?
— Ele confiou em mim, Daphne. E eu o desapontei.
— Do que está falando?
— Ralph. Sou o motivo dele estar morto.
— Não, Barry.
— Não. — ele me interrompeu. — Falhei com ele. Ele era minha responsabilidade e agora ele se foi. Ele se foi. — Barry chorava.

O abracei forte.
— Está tudo bem.
— Alguém me lembrou hoje que não tem como fugir da tristeza.
— Quer falar sobre isso?

Ele fez que sim com a cabeça, se sentando em um dos bancos perto da bancada.
— Conheço o Ralph desde que eu era um novato na policia e todo esse tempo achei que sabia exatamente o tipo de pessoa que ele era. A gente nunca enxergou as coisas do mesmo jeito, sabe? Eu cresci acreditando que as pessoas são boas e o Ralph sempre viu o pior delas e ele sabia como tirar proveito disso.
— Mas ele mudou.
— Sim, ele mudou. Ele mudou e... e eu não enxerguei isso por um bom tempo. E agora... Acho que é isso que é tão difícil... eu sei que o perdi. Mas eu demorei tanto tempo para ver no que ele se tornou. Eu nunca tive a chance de dizer como eu tinha orgulho de ser amigo dele e que eu sempre terei.
— Tenho certeza que ele sabia disso.
— Me sinto responsável, sabe? Me sinto responsável pelo que aconteceu. — Barry tinha a cabeça baixa, mexendo em minha aliança. — O Ralph me ensinou mais do que ensinei a ele e sempre serei grato por isso.
— Você é o homem mais gentil e respeitoso que eu já vi na vida. — toquei seu queixo, fazendo com que olhasse para mim. — Tenho orgulho de você, Barry Allen. E tenho certeza que o Ralph também tem.
— Eu te amo. — Barry, ainda sentado, me puxou pela cintura, me abraçando.
— Eu também. Muito. E sempre vou estar aqui para você. — falei, beijando sua cabeça e o abraçando ainda mais forte.