True Love

15 Capítulo 15


Faltavam apenas 5 dias para o meu casamento com Louis e eu estava provando o meu vestido de noiva. A cerimônia seria só para alguns poucos amigos e alguns familiares, então meu vestido era bem simples. Ele era reto, mas ainda assim desenhava bem o meu corpo...

Eu estava na loja, fazendo a última prova. Me olhava no espelho e, apesar de me achar deslumbrante com ele, algo parecia errado. Não com o vestido, mas sim comigo.
— Você está tão linda! Uma pena que a Carly não pôde vir. — Liza disse.
— Pois é...
— Você não parece tão animada.
— Eu estou. É só que... Eu não sei.
— Deve ser o nervosismo. Dizem que as noivas ficam assim na véspera do casamento.
— É, deve ser...
— Esse champanhe é muito bom. — Liza dizia com a taça na mão. — Vou pegar mais um pouco.

Enquanto Liza ia atrás de mais bebida, eu fui para a frente do espelho novamente, colocando as mãos no rosto. Como uma noiva poderia se sentir tão desanimada nas vésperas do próprio casamento?
— Oi. — uma voz delicada disse ao meu lado.

Ao tirar as mãos do rosto, vi aquela mesma menina de olhos verdes, cabelos negros e lisos que nos mostrou o Saturno no brechó.
— Oi. — disse surpresa. — Julie, não é?
— Isso! Você lembrou de mim!
— É.
— Eu vim provar um vestido para uma festa e te vi aqui. Você está bem?
— Hum... Sim.
— Não parece muito bem. Quer falar sobre isso?

A menina era uma desconhecida, mas por algum motivo, eu sentia vontade de falar com ela.
— Eu me sinto confusa. Digo, sobre o meu casamento.
— Fica pensando se é a coisa certa a se fazer?

Me sentei em uma das poltronas.
— É.

A menina se sentou ao meu lado.
— A minha mãe costuma dizer que se um casamento já começar com dúvida... se os noivos casarem pensando que se um dia não der certo a separação é uma solução... O casamento já vai começar errado.

Olhei para a garota e algo começava a clarear na minha mente. Ela estava certa. Completamente certa! Por que eu insistia em casar com Louis se ele não era o homem que eu realmente amava?
— Daphne, não quero te influenciar em nada. Só acho que deve pensar em você e no que realmente quer.
— Acho que tem razão. Não, você tem toda razão. — segurei as mãos da menina e os seus olhos brilhavam. Era estranho sentir uma conexão com alguém que você nem conhece direito. — Obrigada. De verdade, muito obrigada, Julie.
— Eu não fiz nada. — ela tinha um sorriso angelical.

Nos abraçamos.
— Bem, eu tenho que ir agora. — ela falou.
— Não vai provar o seu vestido?
— A sim, o vestido... Claro.
— Boa sorte ai então. — levantei, indo até a porta.
— Ei! — Liza me parou. — Aonde você vai com esse vestido de noiva?
— Ai meu Deus.

Não tinha percebido que ainda estava com ele. Voltei para a cabine e comecei a tira-lo com pressa. Me vi rindo da situação. Mas logo a tensão me pegou. Eu precisava falar com Louis.
— Aonde está a minha bolsa? — perguntei a Liza.
— Bem aqui. — ela a estendeu para mim.

Peguei a bolsa e procurei pelo meu celular.
— O que aconteceu, Daphne? Você parece... Sei lá... Apavorada.
— Hum... Apavorada não seria bem a palavra, mas é quase isso. Achei!

Peguei o celular e a bolsa e corri até o meu carro. Mas antes que eu saísse da loja, uma das costureiras veio atrás de mim.
— Senhorita Dean, você ainda vai fazer alguma alteração na cintura do vestido?
— Sobre isso... Não vai precisar alterar. Na verdade, não vai precisar alterar nem a cintura nem nada. Acho que não vou mais usar esse vestido. Pelo menos não dessa vez.
— O que quer dizer com isso? — Liza perguntou atrás da mulher.
— Depois eu te conto. — abri um sorriso, indo embora.

***

Ao sair da loja, tinha ligado para Louis e íamos nos encontrar no píer de Central City. Precisávamos conversar. Chegando lá, o lugar estava quase vazio, só via Louis e uma mulher de cabelos castanhos e chapéu de caubói, que ia na direção contrária.
— Oi. — me aproximei dele. Parecia pensativo.
— Oi. Quer me dizer alguma coisa?
— Na verdade sim. É sobre o nosso casamento.

Ele me olhou um pouco confuso.
— Pode dizer.
— Hum... — me aproximei um pouco mais dele. Não sabia como começar esse tipo de conversa.
— Sabe que pode falar o que quiser para mim, não é?
— Eu sei. Só que... É complicado demais falar isso. — passei uma das mãos na testa.
— Pela sua expressão, não deve ser algo bom. — ele deu um falso sorriso.
— Louis, me desculpa. Me desculpa mesmo. Mas eu não posso me casar com você. — tirei a aliança do meu dedo e o entreguei. — Eu estaria me enganando e te enganando. Seria errado da minha parte fazer isso com você.

Ele colocou uma de suas mãos na cintura, e com a outra apertou forte a aliança, abaixando a cabeça. Parecia decepcionado.
— Olha só. — toquei o seu rosto. — Tudo o que a gente viveu foi muito especial para mim. Muito! Foi verdadeiro, Louis, eu juro. Mas coisas aconteceram... Eu não posso me casar com você.
— É o Barry, não é? O Allen era o seu noivo. O que foi embora.
— É.
— Você o ama? — Louis finalmente me olhou.

Eu, por minha vez, desviei o olhar, fazendo que sim com a cabeça.
— Eu nunca deixei de amar o Barry, Louis. Você sempre foi um homem maravilhoso, mas eu sempre soube que não te merecia. Não te merecia porque nunca iria poder retribuir todo o amor que você demostrava a mim. Não totalmente. Algo nunca me deixou esquecer o Barry.

Louis se afastou de mim. Pensei que iria se alterar, falar coisas... Mas pelo contrario, ele voltou até mim, me abraçando.
— Eu te amei muito e ainda te amo. — ele sussurrou no meu ouvido. — Não sei se ainda existe algo que eu possa fazer para te ter de volta, mas quero que saiba que eu só desejo a sua felicidade.
— Obrigada por entender. Você é um homem muito especial. E me desculpe.
— Tudo bem...
— Eu preciso ir...
— Ok. — ele pigarreou, se afastando.

Louis tinha os olhos tristes e marejados, mas ainda assim, eu podia ver um mistério neles.
— Tchau.
Au revoir.

Voltei para o carro e afundei no banco, tentando digerir o que tinha acontecido. Louis era um homem muito especial, ele não merecia ser enganado. Aquilo precisou ser feito.

Passei as mãos pelo pescoço e acabei tocando no meu colar de pedra verde. Um sorriso começou a brotar na minha boca. Eu sabia qual tinha que ser o meu próximo passo.

***

Não sabia se Barry estava no nosso antigo apartamento, mas mesmo assim arrisquei. Encarei a porta branca e os meus pulmões pareciam não conseguir trabalhar. A falta de ar me fez encostar na parede e me concentrar em respirar e inspirar devagar. Um pouco mais calma, voltei a encarar a porta e finalmente toquei a campainha. Alguns segundos se passaram até que Barry abrisse. Ele parecia surpreso ao me ver.
— Oi. — eu falei cautelosa.
— Oi. Entra, por favor. — ele abriu ainda mais a porta para que eu pudesse passar.
— A Iris está aí?
— Não. Na verdade já faz algumas semanas que ela se mudou para o apartamento de uma amiga.
— Ótimo...
— Aconteceu alguma coisa? — sua expressão era de preocupação.
— Aconteceu. Aconteceu tudo, Barry.
— Está me deixando preocupado... — ele sorriu nervoso.
— Eu... terminei com o Louis. Tudo.
— Espera... Não vai mais se casar?
— Não.

Barry começou a andar pela sala.
— E por que fez isso?
— O Louis é um bom homem, mas não é ele que eu amo de verdade. Nunca foi. — fui até uma das janelas, dando as costas para Barry. — Quando você foi para a Força de Aceleração, não tem noção de como me deixou dilacerada. Eu não conseguia ficar nessa casa e vê-la tão vazia... Sentir seu cheiro em cada cantinho dela... na nossa cama... Eu me senti abandonada, ainda mais depois de tudo que passei no ano passado. — sentia as lágrimas descendo. Cruzei os braços em frente ao corpo, me virando para Barry e percebi que ele me olhava com atenção. — Eu não suportava a ideia de ficar aqui sem você. Não fazia sentido! Por isso eu fugi. Fugi do seu fantasma que me perseguia e dos meus próprios sentimentos. — enxuguei o meu rosto, pois eu não queria estar chorando. — Durante aqueles 6 meses em Mali, a cada dia que passava, aquela ferida parecia cicatrizar, mas eu sabia que ela ainda estava lá. Eu ainda sentia a sua perda, mas a cada dia eu começava a me conformar e aí você voltou e fez tudo desmoronar de novo. Barry... — fui até ele, segurando sua camiseta. Apesar do choro e do nó na garganta, eu ainda me forçava a falar. — Eu não consigo ficar longe de você, eu não consigo ficar sem você. Eu não consigo! Eu preciso de você... — minha voz saiu como um sussurro.
— Me desculpa. — ele limpava minhas lágrimas, mas as suas logo começaram a cair. — Me desculpa por ter te causado tanta dor.
— Eu te amo, Barry. Eu te amo tanto...

Barry passou suas mãos pelo meu pescoço, me trazendo para um beijo genuíno. O contado dos nossos lábios me fez estremecer.
— Promete que não vai me deixar mais. Por favor, me promete. — eu chorava, suplicando.
— Eu prometo. Claro que eu prometo. Eu te amo!

Aquele beijo doce então começou a se intensificar. Eu passava meus dedos entre os cabelos de Barry e sentia suas mãos passando pelo meu corpo e em um determinado momento me vi sem fôlego.

Parei o beijo pela metade e olhei em seus olhos verdes.
— Eu estava com tanta saudade de você.

Ele sorriu.
— Não mais do que eu.

Ele então me colocou no colo, me levando até o nosso antigo quarto. A tensão e a cautela que eu tinha quando cheguei no apartamento já havia ido embora. A única coisa que eu queria naquele momento era ter Barry de volta para mim.