True Love
16 Capítulo 16
Ao acordar, comecei a rir sozinha, lembrando da noite anterior. Me virei para Barry e ele ainda permanecia dormindo. Eu observava as sardas em sua costas e ombros, e lembrava o quanto senti saudade de cada uma delas. Sem querer acorda-lo, passei a mão pelos seus cabelos e escutei um grunhido seu.
— Senti tanta falta desse seu carinho pela manhã... — sua voz ainda estava rouca pelo sono.
— Não precisa se preocupar. Vai ter o resto dos seus dias para matar a saudade desse carinho.
— Promete?
— Prometo. — beijei o seu braço, me levantando em seguida.
Percebendo que eu tinha saído do seu lado, Barry me procurou pelo quarto.
— Aonde vai? Pensei que iriamos passar o dia todo aqui.
— Eu tenho que ir na minha... Quer dizer, na casa do Louis. Não faz sentido eu continuar lá. E você, mocinho, tem que levantar também. Precisa ir trabalhar.
— Eu não tenho um trabalho, esqueceu?
— E o Ralph? Pensei que estivesse trabalhando com ele.
Barry se endireitou na cama, me olhando.
— É... Mas não é uma coisa fixa.
— Ainda assim, precisa levantar. Tem que ir ao STAR Labs.
— A não. Mais 5 minutinhos. — Barry enterrou a cabeça no travesseiro.
— Nada disso. Tem que levantar agora. Sei que é rápido, mas já está atrasado.
Vesti minha roupa e fui até ele, beijando sua cabeça. Barry pegou meu braço e me puxou para um beijo.
— Não vai me enganar, Barry Allen. Levanta.
Ele grunhiu, me fazendo rir.
— Te vejo mais tarde. Bom dia, meu amor.
— Bom dia. — ele gritou ainda na cama.
***
Tinha ido na casa de Louis e estava subindo direto para o quarto, arrumar as minhas coisas. Esse geralmente era o horário em que ele saia para fazer compras, então deduzi que não estaria em casa.
Assim que entrei, dei de cara com várias malas e Louis descendo com mais uma.
— Oh! Não sabia que estava aqui.
— Bem, é natural que eu esteja, já que essa é a minha casa. — ele disse, ríspido.
— Claro, tem toda razão. Eu só vim pegar as minhas coisas.
— Daphne, me desculpa, ok. Só estou um pouco estressado... Pode ficar. Fica na casa. Eu estou indo embora.
— Não, Louis, essa casa é sua. Da sua mãe. Não posso ficar aqui. E para onde vai? Por que está indo embora?
— Eu vou voltar para a França. Tenho que acertar os últimos detalhes do documentário.
— Mesmo?
— Sim.
— Bem, eu te desejo toda sorte do mundo.
— Posso te dar um abraço?
— Claro. — abracei Louis.
— Antes de sermos namorados, nós eram amigos. Então eu só quero o melhor para você.
— Eu também.
— Au revoir, Daphne.
— Tchau, Louis.
O abracei novamente e subi para o nosso quarto, fazendo minhas malas. Eu iria voltar para a casa do meu pai, mas como já estava atrasada, acabei levando tudo para a Saturno.
Assim que cheguei na Revista, subi com as minhas malas. Edward viu minha dificuldade e me ajudou.
— Por que está trazendo essas malas para cá?
— Vai abrir um brechó, Daphne? — Liza disse animada.
— Não. É que... Eu saí da casa do Louis.
— Como assim saiu da casa do Louis? Espera... — o sorriso de Liza desapareceu. Ela correu até mim. — Não me diga que aquela história de que não usaria mais o vestido é sobre isso...
— É exatamente isso.
— Não! Daphne! Você e o Louis se separaram! Por quê? O que aconteceu?
— Ai, Liza... Não tem muita explicação. Não amo o Louis o suficiente para me casar com ele.
— É o Barry, não é? — Edward me interrompeu. — Você ama o Barry. Eu vi vocês dois lá em baixo naquele dia. Vocês tem uma ligação muito louca.
— Isso é verdade, todo mundo vê. Então foi por isso que se separou?
— É. Mas já chega de falar sobre mim, não é? Vamos trabalhar.
— Esse realmente é um bom jeito de mudar de assunto.
— Pois é. — saí rindo da redação, indo para o andar de baixo.
Aproveitei que estava com as minhas malas e acabei trocando minha roupa por um macacão jeans velho que eu tinha. Abri as tintas e encarei as paredes que suplicavam por uma nova camada. Fiz um coque no cabelo, prendendo com um lápis que achei na minha bolsa e comecei o trabalho do dia.
Enquanto estava distraída pintando, Edward chegou no cômodo.
— Precisa de ajuda aí?
— Não. Obrigada.
Mergulhava o pincel dentro da tinta e percebi que Edward permanecia no mesmo lugar.
— O que foi? — perguntei curiosa.
— Nada... É só que... Eu fiquei intrigado com o que você falou naquele dia. Sobre eu e a Karen.
— Ah, Edward... Eu acho que não tenho que opinar sobre os seus relacionamentos.
— Como não? Nós somos amigos.
— É, mas... Eu não sei...
— Diz, Daphne. Por favor.
— Ok. — soltei o pincel. — Acho que você está cometendo um erro. Sei que não sou ninguém para falar disso, mas é o que eu acho. Sei que você e a Karen tem uma historia, mas vocês não tem mais nada a ver. Existe outra pessoa que é muito mais a sua cara e que te ama. Só pra avisar, tá.
— E quem seria?
— A Liza, ué.
— O quê? — ele riu. — Nós somos amigos. E a Liza... Bem, a Liza me trata como tal. — ele disse um pouco triste.
— Edward, você está brincando, não é?
— Não. Ela me trata como um irmão.
— Meu Deus! Homens... — revirei os olhos. — Olha só, eu não deveria te falar isso, mas a Liza é apaixonada por você. Ela não te olha como amigo, Ed.
— Não, você tá pirando.
— Será que não é você que não quer enxergar?
— Você acha mesmo que ela...
— Claro!
— Mas ela não está falando comigo. Viu como ela está me tratando? Sempre de cara amarrada.
— Tem certeza que não sabe por que é?
— Você acha que é por causa da Karen?
Fiz que sim com a cabeça, revirando os olhos. Por que os homens nunca percebem nada?
— Eu não sei... Eu e a Liza nos conhecemos a tanto tempo... Talvez...
— Ed! — Carly gritou da escada. — Precisamos de você aqui em cima.
— Já estou indo. Hum... Depois a gente termina esse papo. Acho que preciso entender mais algumas coisas.
— Tá, vai lá. — falei rindo.
Voltei a pintar e entre uma pincelada e outra, senti uma onda de inércia me tomando. Mas logo em seguida um raio vermelho passou por mim, parando em minha frente.
— Barry?
— Daphne... — ele segurava meu braço. Seu rosto estava todo suado.
— Barry, você está louco? O que faz aqui com essa roupa do Flash? E sem a máscara! Já pensou se alguém entra aqui e te vê assim? Daqui a pouco a Liza vai descer. — olhei para o relógio na parede e percebi que estava parado. — Ué, desde quando isso está quebrado. E o que são esses raios ao nosso redor? — falei sem entender nada.
— Daphne, não tem nada quebrado. Você está se movendo rápido, como eu.
— O quê? Mas por quê?
— Não consigo. — ele disse ofegante.
— Não consegue o quê?
— Eu não consigo.
— O quê, Bar?
— Não posso nos salvar dessa vez.
— Como assim não pode nos salvar, Barry? Do que está falando?
— Há uma bomba nuclear, já explodiu. Enquanto eu estiver me movendo, ela vai permanecer estável. Mas não consigo detê-la.
— Ai meu Deus. Mas-mas há um jeito. Sempre tem, não é? — falei um pouco desesperada e assustada. — Deve haver algo...
— Não, tentamos tudo. Tentamos raios, tentamos resfriar, jogar em uma Terra morta, mas não há nada que funcione. Não sei o que fazer.
— Ok...
— Assim que eu parar de me mover, vai...
— Eu sei. Está tudo bem.
— Não sei por quanto tempo mais posso aguentar. — Barry chorava, parecia derrotado. — Estou tão cansado...
— Tudo bem. Está tudo bem, Bar. — o abracei o mais forte que pude. — Meu Deus, muito quente.
— Tenho corrido há um tempo.
— Tudo bem. Olha pra mim.
— Me desculpa.
— Não há o que desculpar, ok? Olha pra mim.
Barry finalmente me olhou nos olhos e me tocou no rosto.
— Demoramos tanto tempo para ficarmos juntos e agora... Eu sinto muito. — seu olhar era triste e sem esperança.
— Tudo bem, meu amor.
— Eu sinto muito.
Encostei minha testa na de Barry, fechando os meus olhos.
— Esse não é exatamente o tempo de qualidade que eu estava imaginando, mas... — dei uma risadinha. — Ainda é bom. Todo momento com você sempre foi bom.
— Sim, todo momento. — Barry me beijou. — Você é meu para-raios, Daphne.
— Raios... — bufei. — Acabei lembrando de quando aqueles malditos raios caíram em Central City e você foi embora. Eu me senti tão só. Mas agora nós temos um ao outro. Não importa o que aconteça, sempre estaremos...
— Espera. — Barry me interrompeu.
— O que foi?
— Eu tentei usar raios.
— Você já disse isso.
— É e não funcionou. Mas se fosse poderoso o suficiente, poderia fundir os átomos, eliminando os efeitos da bomba.
— E você pode gerar essa energia sozinho?
— Não, eu não posso. Mas a Força de Aceleração pode.
— Como assim?
— Quando entrei nela, os raios... a tempestade...
— Oh meu Deus! Um daqueles raios seria suficiente.
— Sim. Mas não posso. Como eu faria isso?
— Barry, você pode sim. — eu estava eufórica, mas tentei me acalmar. — Olha só, quando te libertaram, Cisco e Caitlin programaram uma esfera com o seu gene para que a Força de Aceleração pensasse que você ainda estava lá.
— Então só preciso pegar essa esfera e a tempestade me seguirá.
— É como você disse, um para-raios para atrair o relâmpago. — eu sorri, esperançosa.
Barry então me beijou com vontade.
— Volte para mim, ok? — disse quando ele liberou minha boca.
— O mais rápido que eu puder.
Olhei nos seus olhos e a tristeza tinha ido embora, dando lugar ao brilho de esperança que eles sempre tinham.
Novamente a onda de inercia me tomou e segundos depois, foi como se tudo tivesse voltado ao normal. Aquilo era um bom sinal. Barry tinha conseguido. Sem nem pensar duas vezes, peguei as chaves do carro e desci as escadas. Na metade, escutei Liza atrás de mim.
— Ei! Aonde vai?
— Hum... Eu preciso ver o Barry?
— Aconteceu alguma com ele? — ela parecia preocupada.
— Sim. Quer dizer, não. Nada de grave.
— Ok...
— Tchau. — desci apressada, entrando no carro em seguida.
Fui o mais rápido que pude ao STAR Labs, e ao entrar no laboratório, vi Barry deitado em uma das camas.
— Oi! Você conseguiu! — o beijei, sorrindo.
— É o que parece.
— Ele está bem? — perguntei a Caitlin.
— Sim. Mas você precisa descansar, Barry. Sem correr, sem Flash... Você está sobrecarregado.
— Eu estou bem.
— Você vai ficar, mas ainda não está.
— Se algo acontecer na cidade, estaremos cuidando de tudo. — Iris disse.
— Daphne, garanta que ele descanse. — Caitlin completou.
— Pode deixar.
As duas saíram, nos deixando a sós.
— Dia longo. — falei.
— Sim, foi longo. Mas acabei percebendo umas coisas enquanto estava no Tempo do Flash.
— Tempo do Flash?
— É. É o nome que o Cisco deu.
— E o que percebeu no Tempo do Flash?
— Sou rápido o suficiente para pegar o DeVoe. Só temos que saber quando ele sairá da outra dimensão.
— Com certeza você é e descobrirá isso. — beijei sua mão. — E qual a outra coisa?
— Eu preciso dar um tempo de tudo isso. Apenas um momento com você. Parece que tudo ficou mais claro com o que aconteceu hoje. Você é o meu alicerce quando eu não sei o que fazer. Eu encontro forças quando estou com você.
Senti meus olhos marejados.
— Nossa... Isso foi muito fofo.
Nós rimos.
— Com certeza precisamos desse momento, mas agora tem que descansar, ok?
— Ok.
Dei um último beijo em Barry e o deixei sozinho.
Enquanto voltava para o córtex, vi Harry sozinho na oficina de Cisco. Parecia bem humorado.
— Alguém viu um passarinho verde?
Ele riu.
— Eu diria que está mais para vermelho. E rápido.
— Oh meu Deus. Não me diga que a Jesse veio aqui.
— Sim.
— Harry! — o abracei. — E onde ela está?
— Bem, ela já foi. Agora ela é bem ocupada na Terra-2.
— Você parece ótimo. Tiveram uma boa conversa?
— Na verdade mais escutamos do que conversamos, mas estamos bem.
— Isso é muito bom, Harry.
— É. — ele disse sorrindo mais uma vez. — E você?
— Eu o quê?
— Qual é, Dean. Fala de mim, mas a felicidade está estampada no seu rosto. Fiquei feliz ao saber que voltou com o Allen.
— Pois é. Depois que o Barry entrou na Força de Aceleração, pensei que nunca mais fosse me sentir feliz de novo.
— Vocês são um belo casal. — ele foi até a cafeteira, colocando um pouco de café em uma xícara.
— Quer também?
— Não, obrigada. Você realmente ama café, não é?
— O que eu posso dizer. A cafeína é uma amiga de longa data.
— Eu tenho uma amiga que também ama café. Vocês formariam um belo casal.
— Por favor, Dean...
— É serio. Você ia adorar ela. Não sei se seria recíproco, mas...
— O que quis dizer com isso?
— Nada. — eu ri.
Percebi um sorriso se formando em sua boca.
— É bom ter você aqui de novo, Dean.
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