True Love

13 Capítulo 13


Mais uma semana havia se passado e mais um dia eu tinha ido visitar Barry e acabei encontrando com Cecile na entrada de Iron Heights.
— Daphne! Como vai? — ela me abraçou, dando dois beijinhos em meu rosto.
— Bem. E você e esse bebezinho aí dentro?
— Estamos ótimas.
— Ótimas? Quer dizer que já sabe o sexo?
— Sim. A Caitlin me disse. É uma menina.
— Oh meu Deus! Isso é maravilhoso!
— É sim. — Cecile fez uma careta. — Está preocupada?
— Hum... Um pouco. Você sabe, ver o Barry nessa situação não é legal.
— Imagino. Mas estamos entrando com um recurso.
— Sério? Isso é bom, não é?
— É.... Mas o Barry não está muito otimista em relação a aceitação do recurso.
— Mesmo?
— Sim. Mas não perca a esperança. Temos alguns dias para preparar tudo.
— Vocês já pensaram em algo para limpar o nome dele?
— Nada de novo. Mas... o problema maior é que Barry não está aqui... — ela disse quando chegamos perto das cabines.
— Cecile Horton.– um homem negro e alto falou ao se aproximar.
— Diretor Wolfe.
— Infelizmente não poderão ver o Allen hoje. Ele se meteu em uma confusão.
— Uma confusão?– perguntei surpresa.
— Uma briga no pátio.
— Mas ele está bem?
— Sim, está. Não sofreu nada e nem foi culpa dele. Mas pelos nossos protocolos, todos os envolvidos estão em isolamento esta semana.
— E ele pelo menos está seguro lá?
— Não poderia estar mais seguro. O importante é saber que ele está em boas mãos. Pode ficar despreocupada.
— Obrigada, diretor.– agradeci.
— Sim, obrigada.– Cecile disse, um pouco atrasada.

Assim que ele se afastou, percebi ela um pouco estranha.
— O que foi?
— Wolfe está traficando meta humanos.
— O quê?
— Amunet vende os metas e Wolfe tem uma prisão cheia deles.
— Como sabe disso?
— Li a mente dele.
— Você o quê?
— Li a mente dele.
— Você é uma meta-humana? Desde quando é uma meta-humana?! — sussurrei.
— Faz uma semana e não sei muito bem como aconteceu. Acho que é a gravidez. O que importa é que o Wolfe é muito perigoso.
— Sim, claro. E ele sendo o diretor, pode fazer um prisioneiro sumir sem chamar atenção, certo?
— Exato.
— Temos que fazer algo então
— Vou ligar para o Joe agora.

Meu celular então vibrou.
— Droga.
— Aconteceu alguma coisa?
— Sim, é que...
— Não, espera um pouco... Marcou de se encontrar com o pessoal da Revista.
— Está lendo minha mente?
— Praticando. Mas vai lá, vou falar com o Joe e vamos dar um jeito nisso, não se preocupe. E... Oh meu Deus! Você ainda o ama.
— Amo quem?
— O Barry, claro.
— O quê? O Barry? Não, nós somos apenas amigos agora.
— Eu leio mentes agora, não se esqueça disso. Mas tudo bem, seu segredo está a salvo comigo.

Senti meu rosto corar.
— Agora eu tenho que ir e resolver isso o mais rápido possível.
— Ok... Me ligue quando tiver notícias.
— Pode deixar. — ela disse indo embora.

Continuávamos a nossa saga em busca da decoração da Revista. Estava ficando tudo pronto e a inauguração não iria demorar. Carly, eu, Liza e Edward estávamos procurando por mais algumas coisas em um brechó.
— Tem certeza que vamos achar algo aqui, Liza? — Carly perguntou.
— Claro. Em brechós tem muitas coisas.
— De decoração? Tem certeza disso? — Edward perguntou.
— O Edward tem razão, Liza, não vai ter nada aqui. — falei.
— E se olharmos ali atrás? Pode ter alguma coisa interessante...
— Liza, aquilo é um depósito. Não podemos simplesmente entrar ali.
— É... Talvez tenham razão. — ela disse, ainda procurando por algo.

Quando estávamos prestes a sair, uma mocinha de pele clara, cabelos negros e olhos verdes nos parou.
— Oi. — ela nos olhava animada. — Posso ajudá-los? O que estão procurando?
— Hum... Alguns itens de decoração. Mas já estamos indo.
— Esperem! Acho que tem algo aqui que talvez gostem.
— Acho que não... — Edward disse, nos empurrando para a saída.
— Ei, não seja mal educado com a menina! — Liza o repreendeu. — Pode nos mostrar?
— Claro!
— Por que a Liza tem que ser tão simpática sempre? — Carly cochichou ao meu lado, me fazendo rir.

Seguimos a menina e ela nos levou até os fundos da loja. Tinha um pouco de poeira, pareciam não usar mais aquele espaço.
— Pessoal, olhem só isso aqui! — Liza parecia maravilhada.

Ao chegar perto, vimos Liza segurando um objeto redondo feito de um arame dourado. Era bem vintage, mas estiloso.
— O que isso parece? Por favor, me digam que também estão vendo.
— É um Saturno? — Edward perguntou.
— Sim! Olha isso aqui. É perfeito! Vamos colocar na minha sala. Muito obrigada... Como é o seu nome mesmo?
— Hum... Julie...? — a menina perguntou mais que afirmou. — E não tem de quê.

Enquanto íamos ao balcão, a menina se aproximou de nós.
— Essa sua tatuagem é muito irada. — ela disse a Edward.
— Hum... Obrigado. É um lobo. Eles são reverenciados por sua habilidade de sobrevivência em ambientes hostis e pela inteligência. — Edward disse sorrindo, levantando um pouco mais da manga de sua camisa para a garota ver melhor. Ele adorava falar das suas tatuagens. — Então, além da inteligência e lealdade...
— O lobo significa astúcia, coragem, amizade, confiança e força. — ela sorriu de volta. — É, eu sei. Um... tio meu me disse uma vez...
— Hum... Que legal... — Edward parecia um pouco surpreso.
— Você é muito bonito. Quer dizer... não estou te paquerando. Cruz credo, não! É só que... Hum...
— Relaxa, garota. O Ed arrasa com os corações mesmo. É normal, não precisa ter vergonha. — Carly disse.
— Julie, obrigada. — falei, mudando de assunto e tentando não deixa-la constrangida. — Estávamos procurando por algo com um significado importante. Parece que o encontramos.
— É, eu sei. Quer dizer... Não sei o que procuravam porque nunca me disseram. Mas percebi que procuravam por algo... especial. — ela disse atrapalhada.
— É sim. Gostei muito do seu colar. — falei, apontando para o cordão em seu pescoço e nele um pingente de rubi em formato de coração.
— Você gostou? Foi o meu pai que me deu.
— É lindo. Parece ser especial.
— E é. Hum... Eu preciso ir agora. Tchau.
— Tchau.

A menina ainda permanecia parada na minha frente. Ela sorria e eu não entendia o porque, mas sorri de volta.
— Oh... Eu já tô indo. Tchau. — ela saiu, tropeçando em algumas coisas.

Tentei não rir.

Fomos para o balcão, pagar pelo objeto e a mulher que estava lá pareceu surpresa ao vê-lo.
— Onde acharam isso?
— Hum... Uma de suas funcionárias nos mostrou.
— Mesmo? Que estranho. Faz tanto tempo que não vejo isso por aqui. Tinha certeza que estava no depósito. Mas já que gostaram... — ela nos passou a conta e Liza pagou.
— Obrigada, senhora.
— Não tem de que.

Quando saímos, Carly insistia em falar.
— Ninguém vai falar sobre aquela menina? Ela é bem estranha.
— Deixa a garota, Carly. É só o jeitinho dela. — Liza disse. — E pense bem, ela nos ajudou a acharmos o nosso Saturno.
— É. Agora so faltam 199 peças para a Liza comprar. — Edward brincou, nos fazendo rir.

Meu celular vibrou no meu bolso. Tinha recebido uma mensagem de Cisco, dizendo o seguinte: "Você precisa vir agora para a casa do Joe. Não vai acreditar no que aconteceu."
— Droga...
— Aconteceu alguma coisa? — Carly perguntou.
— Hum... Não. Mas eu preciso ir.
— Vamos sair pra jantar mais tarde. Você vai?
— Eu não sei. Mas provavelmente não. Acho que vou estar... um pouco ocupada.
— Tá bom.
— Tchau pessoal.

Não esperei nem que eles se despedissem e fui direto para a casa dos West. Ao cheguei lá, Iris abriu a porta e todos estavam ali.
— O que houve? — perguntei preocupada.
— É melhor você ir na cozinha. — Cisco falou, me deixando mais aflita.
— O que foi, Cisco?
— Vai lá!

Hesitei por medo, mas fui. Ao entrar, alguém estava de costas, bebendo água.
— Ai meu Deus! Barry... — me joguei em seus braços, o abraçando forte.
— Oi. — ele disse rindo.
— Eu não acredito... Você está livre?
— É.

Me afastei, mas permaneci perto o suficiente para sentir a sua respiração. Passava minha mão pelo seu rosto, sentindo sua barba pinicando a minha mão. Parecia que faziam séculos que eu não o tocava.
— Não acredito que está aqui... — sorri, sentindo meus olhos cheios de lágrima.

Fechei-os, encostando minha testa na dele. Senti as mãos de Barry tocando minha cintura. Eu sentia vontade de beija-lo e como sentia, mas algo parecia nos impedir.
— Opa... — Cisco entrou na cozinha. — Acho que interrompi algo... Podem continuar, eu já estou saindo.

Nós rimos.
— Você chegou na hora certa, Cisco. — falei.

Voltamos para a sala e eu não pude evitar em perguntar?
— Como conseguiram libertá-lo? Eu sei que a Cecile estava tentando, mas...
— É, não tínhamos muita coisa, mas aconteceu algo muito estranho. — Cecile falou.
— O Ralph conseguiu se transformar no DeVoe. — Cisco disse animado.
— Como assim?
— Aparentemente as células do Ralph podem fazer muito mais do que se esticarem. Ele consegue se transformar em qualquer coisa que consiga pensar. — Caitlin completou.
— Então quer dizer que Central City agora acha que Clifford DeVoe está vivo?
— É.

Abaixei a cabeça, fazendo movimentos circulares na testa. Barry colocou a mão em meu ombro.
— É o Louis, não é?
— Sim.
— Não contou a ele sobre mim e o DeVoe?
— Não. E eu não sei muito bem o que fazer agora. Quando o Louis souber... ele vai querer encontrar o pai.
— E por que você não diz a ele primeiro? — Caitlin falou. — Talvez seja mais fácil para ele entender.
— Eu não sei... Como eu vou dizer ao Louis que o pai dele agora não é mais ele? Que agora é outro homem...
— Sobre isso... — Barry falou. — O DeVoe agora está no corpo da Becky, a meta que trouxe azar para a cidade.... e pegou todos os poderes dos metas que estavam presos pelo Wolf. E é isso que o DeVoe quer, todos os metas do ônibus. Ele quer os poderes deles, de todos eles.
— Conhecemos um meta do ônibus... — Cisco comentou preocupado, falando de Ralph.

No mesmo instante, ele entrou na casa dos West.
— Oi, pessoal! Desculpem o atraso. Não conseguia voltar o glúteo esquerdo ao normal.... Por que estão me olhando como se eu fosse um homem morto?
— Ralph... — Iris disse cautelosa. — Achamos que o DeVoe criou os meta-humanos do ônibus para pegar os poderes deles.
— Mas eu sou um meta do ônibus.
— É...
— Isso quer dizer que ele virá atrás de mim? — Ralph se jogou no sofá. Estava mais branco que o normal. — Mas que droga...
— Não precisa se preocupar. Não vamos deixar que nada te aconteça.
— Agradeço, mas acho que não vai funcionar...
— Nós vamos te proteger, Ralph. — Barry afirmou ao se aproximar dele. — Pode confiar.
— Tudo bem, Allen.
— Pessoal, eu preciso ir. Ainda tenho que tratar desse assunto com o Louis...
— Eu te levo até a porta. — Barry disse, me acompanhando.
— Até mais, pessoal.
— Até.

Do lado de fora da casa dos West, Barry me olhava cauteloso.
— Vai ficar tudo bem. Você vai ver.
— Espero que sim. — tentei sorrir. — Fiquei muito feliz em te ver livre.
— Eu também. Parece que vou poder ir ao seu casamento.
— Parece que sim...

Um clima estranho e embaraçoso parecia ter se formado. Tentei fugir daquilo.
— Então tchau...
— Tchau. Te vejo depois.
— Claro... — entrei no meu carro, voltando para casa.

***

Assim que cheguei, fechei a porta atrás de mim, tentando não fazer barulho. Estava exausta e só queria deitar na minha cama. Tirei os sapatos e subi as escadas em silêncio, já que era tarde e não queria acordar Louis. Mas para minha surpresa, ele estava acordado, lendo um livro em nossa cama.
— Oi. — ele largou o livro em cima da mesa de cabeceira, se ajeitando na cama.
— Oi.
— Está bem? — Louis me encarou. Ele me conhecia bem.
— Ahm... Sim. — disse colocando os sapatos no chão.
— Seu pai me disse uma vez que quando você queria esconder que algo estava errado, você respondia isso.
— Ele disse isso?
Oui.

Sentei ao lado de Louis, o puxando para mais perto de mim, fazendo com que deitasse sua cabeça em meu colo.
— São só algumas preocupações. Logo tudo vai se resolver.
— Tem certeza que é só isso? Sabe que pode confiar em mim. Afinal de contas, vamos nos casar.
— Eu sei. Mas está tudo bem.
— Na verdade, nem tanto.
— Por que diz isso?
— Porque... Passou hoje no noticiario que o Clifford está vivo.

Olhei para Louis, pensado se dizia toda a verdade, mas acabei desistindo.
— Não acredito. Mas como? — menti.
— Eu não sei muito bem... Só me sinto estranho. Perdi meu pai e o ganhei novamente duas vezes.
— Você... vai procura-lo? — perguntei cautelosa.
— Não. De forma alguma. Quero ficar o mais longe possível dele. Mas ainda assim, me sinto estranho por tudo que está acontecendo.
— Eu imagino... — passei minhas mãos entre os seus cabelos sedosos. Beijei sua cabeça e senti o seu perfume. Cuidaria de Louis o quanto pudesse. DeVoe não faria nada contra ele. — Vai ficar tudo bem.