True Love

12 Capítulo 12


Alguns dias já haviam passado desde que Barry tinha sido preso e Louis descoberto tudo sobre o pai. Estar no meio daquela situação era muito complicado para mim, porque por um lado eu entendia a raiva de Louis por Barry, mas por outro eu sabia que Barry era inocente e queria ficar ao seu lado também...
— Você gosta dessa, Daphne? — Liza perguntou. Estávamos finalmente comprando a mobília para a sede da Saturno.
— Sim.
— Mas e essa mesa? Acho que vai combinar mais com a redação.
— Aham.
— Daphne! Não está prestando atenção em mim, não é? Perguntei sobre as últimas cinco mesas que vimos e você só se resumiu em comentário do tipo: sim, aham, ótima.
— Desculpa, Liza. — passei a mão pela cabeça. — Desculpa mesmo! É que eu não estou muito bem...
— Por causa do Barry, não é? Eu vi no jornal.
— É.
— Eu nunca imaginei que ele pudesse fazer aquilo...
— Não, Liza. Você não entende. O Barry é inocente.
— Desculpa, Daphne, mas é meio difícil de acreditar nisso. Todas as evidências estavam lá e ele também. Não tinha como ter outro suspeito.

Bufei.
— É... Eu não posso julgar você nem Central City inteira de achar isso. As evidências realmente não ajudam... Mas você vai ver, Liza, o Barry não fez isso.
— Então... Ok. — ela disse andando.
— E você e o Edward, como vão?
— Não vamos.
— Ainda é por causa da Karen?
— Com certeza. — Liza se deteve em um dos setores. — Olha essa luminária! O que acha?
— É linda. Mas Liza, não pode desistir assim do Edward. Se você o ama, tem que lutar por ele.
— O problema é esse. Eu não posso lutar por ele. Não contra ela.
— Nós já conversamos sobre isso, Liza. Você também é uma mulher incrível!
— Não adianta ser incrível se eu não for ela, Daphne. E quer saber? Não tenho mais por que lutar.
— Vai desistir dele?
— É, eu vou sim. Tudo bem, eu já escolhi tudo. Vamos embora.
— Liza...
— Daphne, esse assunto já tem um ponto final, ok?
— Tá. Se você quer desistir de um cara incrível, que você ama e que ele te ama... O problema não é meu...

Liza me encarou. Parecia querer me fuzilar com os olhos, mas logo riu.
— Você é impossível!
— É, eu sei. — eu disse, pegando a luminária e continuando a andar.

De volta em casa, encontrei Louis mexendo em seu notebook.
— Oi.
— Oi.
— O que faz aí?
— Estou terminando de editar as imagens do documentário. Está ficando lindo, mon amour. Em algumas semanas estará pronto e eu poderei enviar aos patrocinadores do projeto.
— Que bom. Fico muito feliz por você. — fui até a cozinha, pegar um copo de água.
— Onde esteve?
— Fui com a Liza comprar algumas coisas pra Saturno. Por que?
— Nada.

Algo no tom de voz de Louis me incomodou, por isso voltei para a sala, o observando.
— O que está acontecendo, Louis? Nos últimos dias parece muito interessado onde eu vou.
— É natural. Moramos juntos... Vamos nos casar.
— Não, não. Está diferente. É como se duvidasse de mim.

Louis fechou o notebook, me olhando.
— Ok. Estou assim porque acho que pode estar indo ver o Barry.
— Não acredito nisso, Louis. Você me pediu para que eu não fosse vê-lo e eu estou cumprindo a minha palavra. Estou deixando de dar força ao meu amigo por sua causa e você ainda duvida de mim?
— Como pode falar em dar força a ele? Eu posso não ter mais bons sentimentos pelo Clifford, mas ele era o meu pai! E o Allen matou ele.
— Não consigo mais ter essa conversa com você.
— Ainda acha que ele é inocente? É isso? — ele disse alto.
— É, eu acho sim. — minha voz também soou alta. — E ainda sim abandonei ele por sua causa! Por que você pediu.
— Não acredito que está dizendo isso.
— Quer saber de uma coisa? Eu vou sair daqui. — peguei minhas chaves e fui em direção a porta. — E só para ficar sabendo, vou visitar o Barry. Pela primeira vez vou visitar o meu amigo, que está precisando muito de mim.
— Daphne... Não faça isso! Daphne!

Bati a porta atrás de mim, mas ainda podia ouvir Louis resmungando.

***

Em Iron Heights, entrei em uma salinha onde era dividida por um vidro os prisioneiros dos visitantes. Tínhamos que nos falar por uns telefones. Me sentei em uma das cadeiras, esperando por Barry. Não demorou muito até que um guarda o trouxesse. Ao me ver, sua expressão mudou. Parecia surpreso, mas ao mesmo tempo feliz.
— Oi!
— Oi. O que faz aqui?
— Vim te ver. Desculpe por ter demorado. O Louis não queria que eu viesse. Mas e então, como você está?
— Acho que vou sobreviver. — ele achou graça.
— Estão pegando no seu pé?
— Um pouco. Mas eu tô dando conta. Não precisa se preocupar.
— Ok...
— Pra falar a verdade, eu sou o novo zelador aqui.
— Jura?
— Sim. — ele riu. — É bom ocupar a mente um pouco.

Concordei com a cabeça. Ficamos em silêncio por um instante.
— Você parece chateada.
— E estou. — bufei. — Nos últimos dias o Louis parece sempre desconfiar de mim. Ele acha que estou vindo te ver. Barry, eu não vim te visitar em respeito ao Louis, mas se ele não confia em mim... eu não tenho mais porque deixar de fazer o que quero. Caramba, você é meu amigo. Como eu não vou vir te visitar?

Barry permaneceu calado, me observando.
— Essa talvez tenha sido nossa primeira briga séria. Nunca tínhamos levantado a voz um para o outro antes.
— Conte a ele.
— Contar o quê?
— Diga que eu sou o Flash. Fale tudo sobre mim e o DeVoe.
— Mas Barry...
— Você disse que eu podia confiar nele, não foi? Então diga. Um casamento feito de mentiras nunca vai ser saudável, Daphne. E talvez, se você disser que o DeVoe está vivo, ele acredite que eu sou inocente.
— Tem certeza disso?
— Claro. — ele sorriu. — Então... Quando vai ser o seu casamento?
— Hum... Daqui a três semanas.
— Sinto muito, mas não vai receber um presente. Eu vou estar um pouco... ocupado.

Nós rimos.
— Eu espero que seja muito feliz, porque você merece. — os olhos de Barry brilhavam e eu sentia sinceridade nele.
— Obrigada.
— Vamos, Allen. Seu tempo já acabou. — um dos guardas disse, levando ele.

Antes de fecharem a porta, Barry acenou para mim sorrindo. Era extremamente difícil vê-lo naquele lugar.

***

Quando voltei para casa, Louis estava no mesmo lugar de onde estava antes de eu sair. Subi direto para o quarto, sem falar nada. Tomei um banho e acabei demorando muito mais do que eu pensava. Minha cabeça fervia e eu precisava de um tempo.

Ao voltar para o quarto, Louis estava sentado no chão, perto da nossa cama. Seus joelhos estavam perto do peito e tinha sua cabeça abaixada, fazendo com que sua voz ficasse abafada.
— Não gosto quando brigamos. — ele falou ao me ouvir entrar.

Continuei a arrumar as minhas roupas em silêncio.
— Daphne, por favor, não faça isso comigo. Sabe como eu sofro quando me ignora.
— E o que quer que eu faça, Louis? Fique rindo depois de desconfiar de mim? Ou te agradecer por não querer que eu veja um amigo?

Pelo espelho pude ver ele se levantando e vindo até mim.
— Eu sinto muito. Talvez eu tenha sido um pouco... incompreensível que diz?
— Sim. E você não foi um pouco. Você foi muito, Louis!
— Me desculpa, ok? Désolé, mon amour. — ele beijava o meu ombro. — Não quero que seja assim entre nós. É so que... Depois de tudo que aconteceu comigo... O meu pai... Eu me sinto tão complicado. Parece que me viraram de cabeça para baixo e me sacudiram.

Fiquei de frente para Louis, segurando o seu rosto. Pensava se aquele era o momento certo para dizer sobre DeVoe estar vivo... Mas talvez aquilo piorasse ainda mais a situação.
— Também não quero que seja assim entre nós.
— Não vou mais implicar em você ir ver o Barry, ok? Eu vou tentar separar as coisas. Sei que vocês são amigos e... talvez ele precise de você.
— Obrigada por isso. — sorri. — Significa muito para mim.

Louis então me beijou. Ele era realmente um homem de coração bom. Se eu o contasse sobre o pai, talvez ele quisesse vê-lo e DeVoe com certeza o envenenaria. Iria fazer de tudo para mantê-lo longe de Louis.
— Então, o que acha de uma pizza agora?
— Eu ia adorar.