True Love
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Depois de mais de quinze horas de voo, finalmente estávamos em Central City. Eu e Louis íamos ficar na casa do meu pai, porque apesar de eu ter um apartamento, nunca levaria Louis para onde eu e Barry morávamos.
Chegando em casa, meu pai já estava me esperando na porta.
— Filha! — ele disse feliz, vindo me abraçar. — Como está?
— Oi, pai. Estou bem e você?
— Bem melhor agora que você voltou.
— Onde está a Octávia?
— Lá em cima.
Louis vinha logo atrás de mim com nossas malas.
— Pai, esse é o Louis.
— Oi, tudo bem? — meu pai deu a mão para cumprimentá-lo.
— Olá, Sr. Dean. Enchanté!
Meu pai me olhava confuso.
— O que foi que ele disse?
— Prazer em conhecê-lo. — Louis se apressou em dizer antes de mim. — Desculpe, Sr. Dean. É a força do hábito.
— Não tem problema. A Daphne disse que era francês. Vamos nos acostumar.
Nós entramos e logo ouvi passos ligeiros descendo a escada.
— Daph! — Octávia veio me abraçar.
— Pequena! Que saudade que eu estava de você. Olha só como cresceu! — e realmente, Octávia estava quase do meu tamanho. Estava se tornando uma mulher linda. — Desculpe por não ter vindo no seu aniversário de 16 anos. De novo.
— Não tem problema. Pelo menos você mandou um presente. E eu amei. Obrigada! — ela abriu um sorriso.
— Bem... Octávia, esse é o Louis.
— Ah sim. O famoso Louis! A Daphne fala muito de você... seja por telefone, e-mail, mensagem...
— Octávia!
— Desculpa. Prazer, Louis. Bem-vindo a família.
— Merci, Octávia. — ele disse, a abraçando.
— Então, como estão as coisas por aqui em Central City? — perguntei.
— A mesma coisa. A diferença é que desde que o Flash sumiu, a violência aumentou um pouco. O Kid Flash e outro cara estão tentando cuidar da cidade, mas parece que não tão dando conta.
Olhei para o meu pai de canto de olho e percebi que ele me olhava, esperando que eu fosse ter alguma reação ao ouvir falar de Barry.
— Hum... Pai. Como estão os West... os nossos amigos do STAR Labs...?
— Bem.
— Eu estou com saudade deles...
— Por que não vai visitá-los? — Louis sugeriu.
— Você não se incomoda?
— Claro que não.
Hesitei por um segundo, afinal de contas tínhamos acabado de chegar. Mas eu realmente estava com saudade dos meus amigos.
— Então tá! A gente se vê mais tarde. — o abracei. — Octávia, mostra onde é o meu quarto a ele.
— Pode deixar.
Já estava na varanda quando meu pai veio atrás de mim.
— Seu namorado sabe do Barry?
— Se você quer dizer, se ele sabe que o Barry era o Flash... Não, ele não sabe. Ele sabe sobre o meu antigo noivo que foi embora e só. Nada mais além disso, nem mesmo o nome dele.
— Certo. Só... cuidado, filha.
— Tá, pai. Não precisa se preocupar.
Entrei no carro e fui para o STAR Labs.
Ao chegar lá, parecia que tudo que havia acontecido nos últimos 2 anos tivessem sido há séculos. Confesso que sentia saudades daquele lugar.
— Daphne? — Caitlin disse surpresa quando entrei no córtex. E para a minha surpresa, ela não se parecia mais com a Nevasca, como da última vez que nos vimos.
— Oi, pessoal!
— Ei! — Wally veio me abraçar.
— Oh meu Deus. — Cisco disse, abrindo um sorriso. — Olha só quem voltou! Você não vai acreditar na notícia que acabamos de receber.
— Cisco... Acho que não é uma boa hora. — Caitlin o repreendeu.
— Por que não? Só porque ela está namorando outro cara?
— Como vocês...
— É... Talvez a sua irmã tenha soltado algo para a Iris.
— Ah! — disse, corando um pouco. — Então, o que você ia dizer mesmo?
— A história é longa, mas eu vou resumir. O Barry voltou.
Ouvir aquilo me fez ficar um pouco tonta. Como era possível?
— Do que você está falando, Cisco?
— É isso mesmo o que você ouviu. Nós tentamos tirar o Barry da Força de Aceleração por causa de um vilão que está ameaçando destruir a cidade se o Flash não aparecer. Até coloquei um codinome nele. Samuroid. — ele sorria, satisfeito.
— Nós achávamos que não tínhamos conseguido trazer o Barry de volta, mas o Joe ligou há alguns minutos dizendo que o encontraram em Ivy City. — Caitlin disse.
— Um pouco longe, eu sei. Mas ele está agora no CCPD. Estamos indo vê-lo... Você não quer ir...?
— Eu... Eu não sei. — disse confusa.
— Vamos... Vai ser bom para ele ver rostos conhecidos.
— Eu não sei, Cisco.
— Por favor! — ele insistiu.
— Ok. — cedi.
Levei Cisco, Caitlin e Wally no meu carro até o CCPD e ao entrarmos no departamento, perguntei a Cisco.
— Como tiraram o Barry de lá?
— Nós programamos uma esfera quark com o gene do Barry para que a Força de Aceleração pensasse que ele ainda estava lá. E aí usamos a Bazuca para fazer tudo isso.
— Daphne?! Você voltou! — Joe disse, me abraçando.
— É.
— Então, cadê ele? — Cisco disse curioso.
— Está lá dentro, mas vou logo avisando, ele está diferente. É melhor se prepararem.
— E a Iris, onde está?
— Está lá com ele.
Seguimos por um corredor até chegarmos em uma sala. Antes mesmo de entrar, vi símbolos riscados na parede e no fundo da sala estava Barry, os fazendo. Ele estava diferente. Seu cabelo estava desalinhado e sua barba tinha crescido.
— Daphne? — Iris disse confusa. Ao contrário de todos, ela não parecia tão feliz em me ver. Além disso, ela também estava diferente... Tinha cortado o cabelo e parecia mais responsável.
— Oi, Iris.
— Barry? — Cisco falou cauteloso.
Barry então se virou para nós. Ele sorria e olhava na minha direção, parecendo confuso também.
— A Nora não deveria estar aqui.
— A sua mãe não está aqui, Barry, é a Daphne. Você está em casa agora, amigão.
— Vossa excelência, eu sou inocente. — Barry dizia a Joe. — Eu não fiz isso, não matei ninguém. Conseguem ouvir as estrelas cantando? Rimando, harmonizando o tempo todo. — Barry colocou as mãos na cabeça, parecia perturbado. — Você disse que a cidade estava a salvo. Que não havia mais riscos, mas isso não é verdade.
— A cidade está a salvo. — Iris disse se aproximando dele. — Você a salvou, salvou a todos.
Ele sorriu.
— Estrelas derretendo como sorvete, sonho, brilho... — ele se afastou. — A Nora não deveria estar aqui.
— Imagino que isso não seja apenas choque. — falei, preocupada.
— Choque acontece com a queda da pressão sanguínea. Isso é neurológico. — Caitlin explicou.
— É uma forma nova de olhar a física. Vai mudar a maneira de como pensamos em tudo! — Barry gritou, colocando as mãos na cabeça e caindo no chão. — Estrelas tão altas, nuvem, orgulho. Papai e eu estamos bem... — Barry falava para o nada.
Ele se levantou novamente e caminhou pela sala.
— Você estava investigando um traficante, correndo perigo e não me disse? — ele falou alto. — Você não queria me preocupar? Mentindo para mim? E agora olhe só o que aconteceu.
— Ele parece estar falando coisas que já aconteceram... — Wally comentou.
— Precisamos levar ele ao STAR Labs, logo. — Cisco disse.
Barry sorriu novamente.
— Oh meu Deus, ela é linda! Só faz algumas horas que eu a conheci, como é possível sentir um amor tão intenso assim por alguém? — ele tagarelava para o nada. — O que acha de fazermos uma tatuagem? Não tenho um farou com um símbolo que ilumine o céu para quando precisar de mim, mas tenho um telefone. — Barry então veio em minha direção. — A culpa não é sua. Você não fez nada para merecer tudo isso que aconteceu na sua vida. — ele me olhou fixamente. — Eu prometo que vou te respeitar, que vou no seu tempo! Se você quiser ficar aqui, só tomando o vinho, ou se quiser ir pra casa, por mim tudo bem. Eu não vou te forçar a nada, ouviu?
Barry falava da nossa primeira noite juntos.
— Eu não posso ficar aqui. Eu não posso vê-lo desse jeito... — disse com a voz embargada.
Mas antes que eu saísse, Iris falou.
— Vai fugir mais uma vez?
Me detive.
— Desculpe, o que disse?
— Perguntei se vai fugir de novo, como da última vez. Acha que algum de nós quer vê-lo assim? Para falar a verdade, o que você está fazendo aqui, Daphne? Você não se importa com o Barry, então o que veio fazer aqui?
— Do que você está falando?
Iris deu uma risada irônica.
— Ainda pergunta? No último ano Barry se dedicou em te salvar. Nós nos dedicamos. Até matar o Savitar eu fiz para evitar que você sofresse mais. E você simplesmente resolveu ir embora. Nunca parou para pensar no que Barry tinha deixado?
— Iris! — Joe interviu.
— Não, pai. — ela o interrompeu. — Sabe quem tomou as rédeas da situação e fez o Time Flash continuar? Eu! Porque eu me importava com o legado do Barry. Eu sabia de tudo que ele tinha feito por nós. Eu...
— O amava? — falei.
— É. Eu o amava. Eu o amava de verdade. Não foi fácil vê-lo indo embora e não está sendo fácil vê-lo assim agora, mas eu estou e sempre estive aqui, porque eu o amo de verdade. — ela me olhava com raiva. — Você não o merece.
— Eu não preciso ficar aqui ouvindo isso. — disse saindo da sala.
— Isso, fuja mais uma vez.
Saí da delegacia e entrei no meu carro. Ver Barry naquele estado me deixou mal. Sentia as lágrimas descendo pelo meu rosto.
Meu telefone começou a tocar, fazendo com que eu me assustasse. Era Louis.
— Mon amour? Onde você está?
— Hum... Estava com meus amigos. Aconteceu alguma coisa?
— Não... É que eu estou no supermercado. Vim comprar algumas coisas para fazer um jantar. Você pode vir me encontrar?
— Claro.
— Te espero aqui então.
Saí do CCPD e fui direto para o supermercado. Encontrei Louis no setor das massas.
— Você vai fazer o jantar? É impressão minha ou está querendo conquistar meu pai?
Ele riu.
— Pode ser...
— O que vai fazer?
— É surpresa.
Louis sabia cozinhar como ninguém, por isso sabia que qualquer coisa que ele fizesse iria agradar meu pai.
***
De volta para casa, depois de algumas horas, fomos pegar as compras na mala do carro. Estava prestes a pegar uma sacola, mas me detive ao ver alguém saindo da casa dos West.
— Barry? — disse, indo em sua direção.
Ele já tinha feito a barba e cortado o cabelo, agora parecendo com o Barry que eu conhecia.
— Oi, Daphne.
— Você está... bem? — falei ainda cautelosa.
— Sim, sim... O Cisco disse que foi me ver.
— É...
— Ele me falou sobre outras coisas também. — ele disse, olhando em direção a Louis.
— Barry...
— Mon amour, onde eu coloco isso? — Louis disse com as sacolas na mão.
— Hum... Louis, esse é o Barry.
— Oi. Enchanté! — ele disse amistosamente, sem nem imaginar quem Barry era.
— Oi. — Barry retribuiu o sorriso.
— Então, Daph... Está um pouco pesado aqui.
— Ah, sim. — peguei algumas sacolas da sua mão. — Eu preciso ir. — falei a Barry.
— Claro! Foi bom te ver de novo. — ele tinha um olhar doce.
— É. Fico feliz que esteja bem. Até mais.
— Até.
Subi as escadas, entrando em casa, mas antes de fechar a porta, flagrei Barry correndo pela rua. Alguma coisa dentro de mim estremeceu. Talvez eu soubesse que daqui em diante não seria nada fácil tê-lo tão perto de novo.
Fale com o autor