Troubled Students
1 I Travis
Notas iniciais
Estávamos na sala da diretora de novo, dessa vez o motivo foi simplesmente termos colado o professor na cadeira fazendo ele rasgar as calças. Mas isso não é nada comparado ao que eu e Connor já fizemos, para falar a verdade isso foi a pegadinha mais light que fizemos esse ano.
Eu e Connor somos irmãos e ele é um ano mais novo que eu, porém nossos pais decidiram que deveríamos ficar na mesma série. E desde sempre aprontamos juntos, sabe, nós tacávamos talco pela casa toda, botávamos tachinhas na cadeira dos professores, matávamos aula, e coisas do gênero.
Não me sentia confortável na sala da diretora, mesmo já conhecendo bem o local. Ela sempre me olhava de uma maneira sinistra e por isso tinha um pressentimento que ela não gostava muito de mim e de Connor.
Esperávamos nosso pai chegar para levarmos um daqueles sermões entendiantes acompanhado por alguns dias de detenção. Mas a diretora além de chamar meu pai, chamou a insuportável da minha madrasta. Quando era pequeno minha mãe morreu de câncer terminal e alguns anos depois meu pai começou a namorar com essa coisa que ele insiste em chamar de Minerva, mesmo achando que o nome apropriado seria cobra, víbora, ou algo assim. A questão é, Minerva odeia eu e Connor, ela nos acusa de atrapalhar a relação dela com o meu pai.
– Bom dia senhor e senhora Stoll – disse a diretora radiante.
– Na verdade, a Minerva não é uma Stoll – corrigiu Connor.
– Calado Connor! Só fale quando solicitado – rosnou a diretora, irritada.
– Foi mal diretora, não sabia que pessoas da sua idade ainda tinham TPM – retrucou Connor, sem perceber que tinha passado dos limites. Nesse momento nosso pai Hermes fuzilou Connor com o olhar e ele se calou. Foi o mais sábio a se fazer, papai estressado é raro e perigoso para qualquer um.
– Então diretora Solace o que eles fizeram desta vez?
– O que eles fizeram?! Eles “simplesmente” colaram o professor de biologia na cadeira – respondeu a diretora sarcasticamente.
– Vocês dois, já para o carro. Preciso ter uma conversa com sua diretora e com Minerva – falou nosso pai, apontando para nós.
– Mas pai, temos aula de sociologia agora e amanhã tem...
– AGORA , OS DOIS PRO CARRO – gritou irritado.
– Ok — dissemos juntos. Saímos de sala de cabeça baixa e fomos caminhando até o estacionamento.
Não conseguia entender essa atitude de meu pai, fizemos coisas muito piores e ele nunca ficou tão irritado assim com a gente.
– Por que será que ele está tão irritado? — perguntou Connor quebrando minha linha de pensamentos.
– Também não sei. Só sei que estamos ferrados e agora é sério.
– Deve ser tudo culpa daquela víbora da Minerva. Aquela mulher me dá nos nervos.
– Realmente não sei, acho que dessa vez passamos dos limites com as brincadeiras – disse isso com minha mente distante, tentando me lembrar de todas as pegadinhas que já fiz.
Entramos no carro e ficamos calados desde então. Connor acabou dormindo e eu fiquei pensando em qual seria o castigo e o tamanho do sermão dessa vez. Se passaram por volta de meia hora até eu ver Minerva e meu pai vindo em direção ao carro. Acordei o Connor e ele levou um susto.
– Não fui eu dessa vez eu juro, eu juro — disse Connor ofegante.
– Você só faz merda mesmo! – falei gargalhando – Cala a boca seu idiota!
– Ei, não fale assim com seu irmãozinho superior.
– Superior?! Você só pode estar brincando – disse fazendo uma risadinha sarcástica.
– Pelo o que eu saiba, sou mais velho e isso me torna superior – esclareci, usando um tom de autoridade, quando ele ia debater comigo meu pai e Minerva entraram no carro.
Permaneceram uma boa parte do caminho calados, até que meu pai parou o carro e se virou para nós com um olhar severo chegando a ser sinistro.
– Eu cansei de vocês dois, parece que não crescem. Vocês não percebem que já está na hora de tomar vergonha na cara e ter um mínimo de maturidade?! — falou meu pai estressado.
– Desculpe pai, isso não se repetirá – disse Connor tentando amenizar a situação.
– Não vai mesmo, vocês dois vão para um internato em Londres, coordenado por freiras.
– MAS O QUE? — eu disse gritando.
– É isso mesmo que você escutou.
– Mas pai, você não pode fazer isso com a gente — dissemos eu e Connor juntos.
– Não só posso, como já estou fazendo, arrumem as malas assim que chegarem em casa. Vocês viajam amanhã de tarde.
Pelo retrovisor observei Minerva com um largo sorriso no rosto e uma expressão macabra, e então ela moveu os lábios dizendo: “eu sempre ganho”, sem emitir som algum.
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