Traga-me Para A Vida
52 Capítulo 51
Notas iniciais
Eu quero pedir desculpas pelo atraso e dizer que infelizmente descobri que tenho tumores ósseos em minha mandíbula e em meu maxilar e por essa razão tive que realizar vários exames que me levaram a marcar uma cirurgia, que por sinal seria realizada na data de hoje.
Ela foi cancelada em cima da hora e será remarcada para o mais breve possível. Até dia 05/07. Então, não tive muita cabeça para escrever e meu tempo ficou menor.
Como já chorei e me desesperei com essa notícia, o melhor que pude fazer ao chegar em minha casa foi terminar esse capítulo. Talvez não esteja perfeito... ou melhor, não está. E é por isso que peço perdão. Mas, não queria deixar que mais tempo passasse sem postar.
Espero que gostem e que relevem minhas falhas. Adoro todas vocês, minhas companheiras de leitura e de meu amor pela escrita.
O senhor é meu pastor e nada me faltará. É a frase que me apego com fé.
Um grande beijo,
Fênix
Lucius Apuleius encontrava-se sentado em um banco de seu jardim em Cartago, colônia Fenícia no norte da África. Observava tudo e todos que o cercavam com tamanho interesse e perspicácia que nada lhe era imune, tinha infinita sede de cultura e aprendizado pelo mundo e seu funcionamento. Debruçado sobre os papiros de sua mesa, permanecia horas escrevendo poesias e também estudos sobre geometria, música e filosofia.
Na macieira frondosa e com frutos ainda verdes a sua frente, uma estranha coruja o encarava imóvel. O que era totalmente atípico, já que era de manhã, com o sol forte brilhando escaldante sobre sua cabeça. Se não fossem as sombras das copas das inúmeras árvores que ali habitavam, seria impossível apreciar, escrever e até mesmo filosofar sobre qualquer ato da vida cotidiana.
Lucius parecia cativo da ave. Maravilhado e ao mesmo tempo amedrontado... ele não conseguia desviar seus olhos.
– Foi a primeira vez que um humano me reconheceu. – pronunciou a voz calmamente.
– Quem é você? – perguntou Lisa – E onde eu estou?
– Você deveria saber. Deveria ter sido preparada para isto. – rosnou a mulher.
– Eu não entendo o que está dizendo e nem em que tempo estamos.
– Lisa. Filha de Eligor, um dos sete Reis do Inferno, comandante dos Exércitos de Lúcifer – a mulher parou de falar por alguns segundos – Eu serei sua guia nesta jornada dolorosa que você vai ter que enfrentar.
– Ainda não respondeu as minhas perguntas e enquanto não obter suas respostas não a seguirei para lugar algum.
– Ahhhh... destemida como seu pai – sarcasticamente as palavras ecoaram – Mas eu gosto disso. Mostra que você tem coragem.
– Não me tome como idiota – grunhiu Lisa – Sei que estou passando pela transformação e também sei que sairei poderosa e talvez, até maligna de meu despertar. Seria um grande erro de sua parte me subestimar.
A mulher de longos cabelos cor de fogo e olhos azuis grandes sorriu e bateu palmas.
– Bravo!... Meu nome é Lilith. Com certeza já ouviu falar de mim – mais uma vez o sorriso sombrio acompanhou as palavras – E estamos no século II A.C., onde o grande filósofo Lucius Apuleius está prestes a escrever a primeira citação sobre bruxaria que ficará registrada na história da Humanidade.
Lisa tinha tantas perguntas e uma delas era como poderia estar presenciando tal cena, porém o nome pronunciado da mulher a sua frente já era uma prova de que “cuidado” seria o seu melhor amigo naquele momento.
– Sim, eu já ouvi falar de você. Só não sei afirmar o que é e o que não é verdade. Dizem que você é a primeira mulher criada por Deus e...
– O importante Lisa, é você saber que fui a primeira feiticeira sobre a face da Terra e que Évora quase foi a última. É por essa razão que eu estou aqui. Não podemos ser destruídas por uma puta qualquer – de repente nos olhos de Lilith só o mal existia – Évora se tornou ambiciosa demais ao desejar o poder todo para si.
– E porque é que estou aqui?
– Está na hora de conhecer suas origens e escolher seu destino. A verdade é que nem todas as feiticeiras são más – um riso baixo de escárnio ressoou no ar – Não que eu me preocupe ou simpatize com as “Bruxas Brancas”, mas se tiver que ser assim, se for esse o caminho para que possamos ressurgir na Terra, que assim seja.
– Estou confusa.
– Eu sei. O que você vê é apenas uma lembrança, uma cena do passado. Ela não pode ser alterada, somente visitada por nós. E eu a levarei para milhares de cenas como esta, para mostrar a você a nossa história, nossa sabedoria, nossos feitiços. Então, no fim da jornada você entenderá o verdadeiro significado e todas as respostas que procura.
– Mas, eu não posso ficar aqui... meu bebê...
– Ele não irá morrer e você não pode voltar. Agora não. O processo começou e não pode ser contido, portanto quanto mais rápido você aprender, mais rápido voltará.
– Que seja. Vamos começar – afirma Lisa corajosamente.
– Não espere flores, garota. O que vai ver... não é nada bonito.
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O corpo de Tardo permanecia imóvel próximo ao jazigo do cemitério que guardava uma passagem secreta para o inferno. A cabeça do Ogro estava a pelo menos vinte metros do restante do seu corpo, encostada em uma lápide antiga e quebrada.
Évora tinha as mãos levantadas e sua invocação sutilmente surtia efeito sobre o frio de menos dez graus de Nova York. O cadáver de Tardo pouco a pouco começava a queimar. Em poucos minutos não passaria de cinzas e finalmente ela poderia dar vida e continuidade a sua vingança. Não havia a menor probabilidade de a feiticeira temer a morte, desde que, matasse Lisa antes do seu tempo se esgotar. Tinha plena consciência de que a essa altura já teriam avisado Eligor e quanto mais cedo conjurasse o feitiço que a mantivesse escondida, melhor.
Tudo veio a calhar, a sorte e o destino estavam ao seu lado. Um Honda prateado parou na entrada principal do cemitério e um homem alto, de terno azul marinho, olhar entristecido e carregando flores desceu do veículo e caminhou lentamente em sua direção. Ele não imaginava que seria a última vez que dirigiria seu carro. Não imagina que dentro de alguns minutos seria o objeto usado para invocar um feitiço hediondo e que por causa disso, sofreria uma morte horrível.
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– Está melhor?
– Sim. Acho que foi só uma pontada. Já passou, não sinto mais nada.– respondeu Julia.
– Então, é assim que as feiticeiras sabem quando estão passando pela transição. Interessante – não foi nem uma pergunta e nem uma afirmação de Legassa – Se você sentiu... Évora também deve ter sentido. Portanto...
O olhar foi atirado a Eligor, o silêncio carregado de dúvidas pairava inebriante.
– Preciso ir – respondeu Eligor — Tenho que checar algumas coisas.
– E Lisa? Como ela está? – perguntou Julia se levantando.
– Na mesma. Vishous a levou para o quarto e está com ela.
– E Nick?
– Isso não é problema meu – falou Legassa grosseiramente – E também não é da sua conta.
– Você não entende. Eu conheci Anne, a amiga de Lisa... ela vai sofrer, ela o ama. Eu sei que ele só fez o que fez porque estava querendo vingança e confuso.
Legassa soltou um riso cheio de escárnio.
– Vocês humanos são ótimos em encontrar desculpas para as escolhas erradas que fazem. – Ela fitou Julia quase que com desprezo no olhar – Se o tal Nick, amiguinho de Lisa, tivesse acertado o alvo... Vishous estaria morto.
Julia entrelaçou as mãos e fechou os olhos pensando no que tinha acabado de ouvir. O demônio tinha certa razão. Como não respondeu nada, Legassa continuou.
– E não seria apenas Lisa que estaria chorando por seu amado a essa hora. Não é verdade Julia?
– Eu não...
– Não tente negar, seus olhos afirmam o contrário. E quer saber? Isso também não é da minha conta, se a decisão coubesse a mim, Nick não estaria mais respirando.
– Perdão. – a palavra foi proferida alta por Lassiter – Tudo se resume a perdoar. O perdão não muda o passado, mas engrandece o futuro e fortalece quem perdoa. É um ditado muito sábio.
– Meu anjo... – Legassa sorriu – Eu prefiro: “olho por olho, dente por dente” ou a Lei de talião.
– Ahhh, minha querida essa Lei data da Babilônia, portanto, anterior a Cristo. – ele chegou perto dela e beijou-lhe a testa amorosamente – Ele nos ensinou com seu sofrimento o verdadeiro significado da palavra perdão.
– Eu não vou discutir isso com você e não serei convertida – ela apoiou as mãos no peito largo de Lassiter e murmurou apenas para ele ouvir – Eu ainda nem me acostumei a sentir o amor que sinto por você.
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– Até quando ficarei preso neste porão? – Gritou Nick ao homem que lhe trazia a refeição – Alguém tem que falar comigo. Alguém tem que decretar uma sentença. Não podem me manter aqui.
Porém, ele sabia que não receberia resposta alguma e que muito menos, algum dos homens que o havia aprisionado se daria ao trabalho de ir conversar ou lhe explicar alguma coisa.
Que grande idiotice. No momento lhe pareceu a solução de seus problemas e de sua dor. Agora, no entanto, um remorso lhe percorria o sangue como se fosse uma doença crônica.
– Leve de volta. – ordenou furioso – Não vou comer.
Ele podia gritar e ordenar o quanto quisesse, o homem velho, que mais parecia um mordomo, nunca se alterava e também nunca obedecia. Era como se Nick não existisse aos seus olhos. Ele fazia tudo com a precisão de uma máquina e nunca olhava para o humano.
O velho retirou o outro prato de comida, intocado, da refeição noturna trocando-o por um apetitoso e quente. Também trouxe água fresca. Sem esboçar qualquer tipo de sentimento ele saiu da cela carregando a bandeja sem olhar para o humano que pleiteava atenção.
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Dezoito horas depois...
Lisa abriu os olhos e mirou fixamente o teto do quarto. No primeiro instante, não sabia se estava de volta à mansão ou em outro lugar qualquer da Antiguidade. Forçando-se a manter a calma e a respirar, sentiu o cetim do lençol sob o seu corpo e também o calor do cobertor de veludo negro.
Inspirou placidamente tentando entrelaçar seus pensamentos como o que seus olhos lhe mostravam. A chama de uma vela serpenteava ao seu lado, no criado mudo. De repente tudo se encaixou, era o quarto de Vishous.
Quando baixou seu olhar percebeu que ele estava agarrado a sua mão como se sua vida dependesse daquele gesto. Com a cabeça pousada sobre ela, V. dormia profundamente. Os cabelos lhe caíam por cima e escondiam seu belo rosto. Só alguns traços da tatuagem na têmpora é que podiam ser notados, além da sombra do cavanhaque. A sensação de estar de volta, de estar ao lado dele era tão maravilhosa que Lisa não se moveu. Aproveitou o silêncio para admirá-lo.
Ele não me abandonou, ele está aqui... esperando por mim. E era a pura verdade. Naquele momento, no meio do turbilhão que vivia a única certeza que Lisa tinha é que Vishous jamais a deixaria.
Ah, ele era o macho perfeito, dentro de sua inteligência, prepotência e arrogância... com tais pensamentos fervilhando em sua cabeça, Lisa sorriu levemente, mas foi o suficiente para despertá-lo e ao ver o amor brilhando naquele olhar diamantado, ela estremeceu de alegria.
– Oi.
– Olá.
– Você acordou. Finalmente – V. se levantou e colocou sua mão no rosto de Lisa – E está sem febre, isso é bom.
– Eu queria lhe dizer tantas coisas – a voz de Lisa soou mais cansada do que ele esperava.
– Shhh, espere só um minuto.
Com o pensamento ele abriu a porta do quarto e depois chamou por Butch, que correu em direção ao chamado seguido por sua companheira Marissa. Quando a loira adentrou ao quarto os olhos de Lisa brilharam de admiração e espanto. Ela passou o pequeno bebê que dormia para os braços do pai e V. aproximou-se de sua amada.
– Nosso filho – ele o aproximou de Lisa, apoiando a cuidadosamente a cabecinha sobre o ombro.
Lisa sentia uma mistura de exaustão e felicidade que fazia seu corpo tremer literalmente. A alegria mesclava-se ao desespero de não ter forças para segurá-lo junto ao seu corpo.
– Está tudo bem lellan – como se pudesse ler seus pensamentos Vishous a acalmou – Você vai ter muito tempo para segurá-lo. Enquanto isso... eu tomo conta do seu milagre.
– Nosso milagre – murmurou exaurida e frágil, ao tentar mexer as mãos para tocá-lo – Ele é lindo, não é?
As lágrimas começaram a rolar por seu rosto, enquanto um sorriso formava-se discretamente.
– Ele é como a mãe. Perfeito.
–Ahhh, Vishous... eu te amo tanto.
– Eu sei querida. Eu também te amo e logo tudo vai terminar. Você...
Nesse momento, Lisa fechou os olhos e gemeu de dor. Vishous entregou Stronger para Marissa sabendo que Lisa estava para perder a consciência novamente.
– Se eu me tornar má...
Ela não conseguiu terminar a frase. Os tremores se intensificaram e sua temperatura subiu, transformando-se em uma febre impiedosa. Com olhos arregalados Lisa olhou para Vishous demonstrando o seu maior medo, porém antes de perder a consciência escutou seu macho afirmar:
– Você nunca será maligna. Eu não permitirei.
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– Uau... ele te ama mesmo – zombou Lilith – E pensa que pode mudar o destino.
– Você viu o que aconteceu? – perguntou Lisa indignada com a exposição e o sarcasmo sobre sua privacidade.
– Hei, calma. Eu só ouvi a última frase – respondeu levantando as mãos em sinal de aceitação – Afinal você já estava voltando. A culpa é sua por não saber esconder seus sentimentos e emoções.
Lisa sentiu um ódio mortal ao escutar as recriminações. Se alguém era inocente no meio do maremoto que se tornou sua vida, esse alguém era ela.
– Escute aqui Lilith – Lisa deu um passo na direção do demônio – Preste bem atenção no que irei dizer por que não vou repetir. A minha família não lhe diz respeito, ninguém daquela casa é problema seu. Concentre-se apenas em mim.
– É o que estou fazendo – respondeu maliciosamente – Só queria lhe avisar que ele não pode lhe salvar, ninguém pode. Você vai se transformar no que está marcada para ser.
– Terminou? – perguntou Lisa alterada.
–Sim... vamos continuar nosso passeio.
A paisagem mudou completamente. Do negro vazio para uma floresta exuberante porem fria e silenciosa.
– A inquisição começou por volta do ano de 1.200. Estamos na França... você vai ver o que os humanos são capazes de fazer com nós... feiticeiras.
Lilith não demonstrou qualquer sentimento ao proferir suas palavras. Era como se uma máscara de insensibilidade e uma inércia fatídica ocupassem seu corpo. Ela não se importava com o sofrimento de quem quer que fosse.
A bela jovem de longos cabelos castanhos trançados, preparava uma poção fumegante em seu fogão à lenha. Sua casa era de pedra e havia muitos vidros espalhados por várias prateleiras que estavam presas às paredes, a cozinha ainda tinha uma enorme mesa de madeira e nada mais.
Compenetrada, ela olhava com certa seriedade para dentro do caldeirão. Foi o som de alguém batendo a sua porta que lhe tirou por completo a atenção. Ela foi abrir.
– Por favor, Sara – clamava a mulher desesperada – Você já fez mais? Meus três filhos pegaram a peste. Me ajude, eu imploro.
– Ainda não está pronta – respondeu a jovem – Você terá que voltar mais tarde.
– Vocês ouviram? – perguntou a mulher virando-se para os soldados do Rei – Ela é uma bruxa.
Os homens avançaram ao comando de seu superior e agarram Sara pelos braços.
– Não! É apenas remédio. Está curando a peste.
– Cuidado homens. Ela tem pacto com satanás.
–Não. É mentira. – Sara gritava e tentava se soltar do agarre mortal.
– Você é maligna. Uma herege – o comandante ordenou ao restante do grupo – Queime tudo. Não quero uma parede em pé.
– E o meu pagamento? – Perguntou a mulher que mentiu que precisava do remédio.
Com um desprezo vil por tal criatura, ele jogou uma moeda de prata no chão e seguiu em direção a uma rocha grande que ficava ao lado da pequena casa.
– Tragam-na aqui.
Os dois soldados arrastaram Sara pelos cabelos e a deitaram sobre a pedra. O comandante levantou um machado que em sua ponta tinha uma bola arredondada com pontas afiadas e golpeou com toda a força que possuía sobre os seus músculos a bela jovem, esmagando seu rosto e seu crânio instantaneamente.
Lisa soltou um gemido de dor e seus joelhos dobraram, jogando-a no chão. Estava horrorizada com a morte impiedosa de Sara. A cena desapareceu diante de seus olhos e como em um passe de mágica, outra se formou.
Ela e Lilith estavam em um calabouço e assistiam a um interrogatório torturante do “Santo Ofício”.
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Nove dias depois...
– Porque ela não acorda? — perguntou V. ao seu melhor amigo.
Butch sabia que a pressão estava cada vez maior. Ele chegava a pensar como Vishous suportava aguentar a visão de Lisa imóvel sobre sua cama dias inteiros. Ela recobrou a consciência somente três vezes, sendo que a última havia ocorrido há dois dias. E agora, ele ainda teria que jogar mais uma bomba na frágil estabilidade do macho que ele tanto amava.
Ao retornar do “O Outro Lado”, o Rei cego trouxe consigo uma mulher gravemente machucada e que descobriu ser irmã gêmea de V.
Como vou dizer isso? Como é que vou explicar que as sessões de luta de Wrath eram com a irmã que ele nunca conheceu porque ficou aprisionada, a vida inteira, por sua mãe, a Virgem Escriba? As perguntas ferviam no cérebro de Butch, porém ele não sabia como proferi-las.
– Tenho um assunto muito delicado para conversar com você.
– O que pode ser mais delicado do que essa agonia que não termina nunca? – indagou V. em um murmúrio profundo de infelicidade.
– Wrath retornou do “Outro Lado” e... – as palavras saíam tão baixas que pareciam pedir desculpas pelo que estava por vir.
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A bruxa ficou o punhal no peito do último inquisidor da Igreja Católica, arrancando-lhe o coração, depois disso olhou para todos os presentes que acompanhavam ao seu julgamento esperando que ela queimasse na fogueira que já estava montada na principal praça do vilarejo e rosnou um rosnado amaldiçoado e nefasto provocando terror e correria.
Finalmente estava livre. Naquele dia a feiticeira venceu. Sem qualquer piedade ela perseguiu todos os moradores e matou um por um, sem qualquer compaixão.
Homens, mulheres, crianças... não importava quem eram. Importava somente a vingança e seu triunfo.
– Eles mereceram. – afirmou Lisa ostensivamente diante do holocausto do pequeno vilarejo – Enfim, uma bruxa que colocou os humanos em seu devido lugar.
– Concordo plenamente – Lilith riu – Pensam que podem nos deter, mas não passam de ratos.
– Isso tem que mudar. Temos o direito de existir. Somos nós que detemos o poder.
– Exatamente Lisa. Você entendeu... e você pode nos levar a ascensão novamente. Você pode mudar a história das feiticeiras. A humanidade será obrigada a se curvar perante o nosso poder.
Lilith era esperta e paciente. Esperava sedenta por uma oportunidade que viraria o jogo e tudo parecia caminhar nesse sentido.
– Os quatro elementos... – começou a falar calmamente incitando os sentidos de Lisa – Já se passaram séculos sem que uma de nós pudesse dominá-los sozinha e agora você pode. Você é a chama que dará sentido a uma nova era. As feiticeiras poderão deixar de serem perseguidas e passarem a reinar sobre os insignificantes humanos.
– Uma nova era...
– Sim – as palavras soavam como um silvo de uma cobra – Um futuro diferente, onde não seremos caçadas e mortas como animais, como se fossemos uma praga.
– Talvez possamos conviver em paz e...
– Paz? – rugiu Lilith e usou sua maior arma – O que acha que vai acontecer quando eles descobrirem o que você é?
– O mundo mudou.
– Vai arriscar a vida do seu filho com essa possibilidade ou não pensou sobre isso?
Lilith esperou para prosseguir o seu discurso tão bem montado, deixou que as dúvidas minassem a resistência e a lógica de Lisa, que ficasse confusa e amedrontada.
– Ele será forte, talvez até mais do que você... e se você não protegê-lo, nesse exato momento, dos humanos, eles o matarão, como se fosse um porco, como se fosse uma aberração. É esse o futuro que Stronger terá.
Ao ouvir o nome do seu filho pronunciado junto a uma sentença de dor e morte, Lisa hesitou. Precisava pensar. Refletir sobre tudo que tinha presenciado, sobre tudo que tinha assistido nas cenas de um passado tão distante, mas que infelizmente se fazia tão próximo e real. Precisava se afastar de Lilith e pensar por si só.
Porém era impossível negar a maldade e os interesses escusos que comandaram a Santa Inquisição, tudo realizado em nome de Deus. A raça humana era má por vocação, a selvageria e a impiedade correm em seu sangue fragmentando tudo que existe de bom.
– Vou lhe mostrar um último martírio. O nome da feiticeira é bem conhecido. Para alguns ela é até santa: Joana D’arc.
Enquanto o ano de 1870 surgia diante de seus olhos, Lisa tremia de ódio pela humanidade e por suas matanças irracionais e indignas.
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– Você tem certeza? – perguntou V. ainda agarrado as mãos de Lisa.
– Foi Wrath quem me contou tudo. É verdade Vishous e eu sinto muito por isso.
– Onde ele está? – a voz de V. estava carregada de desespero e revolta – Não quero dizer em voz alta o que estou pensando sobre Wrath, na verdade não sei se posso olhar para ele sem cometer uma loucura.
– Ele mandou buscar o médico, o tal Dr. Manello. Lassiter disse que o cara é o melhor especialista que há na cidade nessa especialidade. Raghe acabou de sair e bem... – o tira passou as mãos pelos cabelos, atormentado – Wrath está do lado de fora, sentado na sala esperando para falar com você.
Quando V. levantou seus olhos e encarou Butch tudo que se viu foi desprezo, animosidade e uma frieza capaz de congelar o inferno.
– Mande-o entrar... não me afastarei da minha fêmea por nada desse mundo. Muito menos pelas cagadas que meu Rei faz.
Notas finais
E Évora?
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bj.
Fênix
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