Notas iniciais
Neste capítulo irão encontrar alguns detalhes e passagens de V. que são relatadas em seu livro "Amante Liberto". Portanto está recheado de spoilers. A música que é usada chama-se Bring Me to Life da banda de rock americana Evanescence. Esta música ganhou o Billboard Music Awards em 2003 e o Grammy em 2004. A canção foi escrita por Ben Moody, Amy Lee e David Hodges. Amy Lee também é a vocalista da Banda e conta com a participação de Paul McCoy. Tenham uma boa leitura.

Já passava das onze da manhã quando finalmente Lisa, saiu de seu quarto e foi comer alguma coisa na cozinha. Desceu pelas escadas vestindo uma camisola branca de algodão canelada que mais parecia uma camiseta. As portas que davam acesso à área externa estavam escancaradas, a vista admirativa de seu jardim completamente florido e uma piscina com águas cristalinas de certa forma abrandou seu mau humor.

Pensou em nadar imediatamente, mas foi cortada por sua secretária pessoal Anne, que chegou com uma chuva de recados e compromissos.

Anne era baixinha e magra. Seus cabelos castanhos claros até os ombros apresentavam um corte impecável, olhos expressivos, rosto tipo pera. Sempre usava salto alto com terninhos estruturados. Tinha ar de executiva, mas o que mais chamava atenção era a forma como se importava e gostava de Lisa. Era uma boa garota, desinteressada e leal.

– Bom dia, dona preguiçosa. Tomara que tenha dormido bem, porque hoje temos gravação no estúdio daqui a pouco, reunião às 16:30h para acertar os detalhes do novo vídeo, às 20:00h jantar com os executivos da Samsung sobre a campanha publicitária dos celulares e terminando — esticou a mão apresentando uma folha cheia de anotações — Aqui estão todos os seus recados e telefonemas. Não preciso nem dizer que Bob já ligou umas cem vezes.

– Que ótimo — respondeu Lisa sarcástica — tem mais alguma coisa?

– Tinha a prova de alguns vestidos, mas tomei a liberdade de transferir para amanhã e é claro que seu personal trainner ficou esperando a Bela Adormecida que não levantou para malhar. Saiu “puto” daqui.

– Também fico "puta" com muitas coisas e ninguém se importa, droga!

– Bem... Parece que hoje não é um bom dia.

Silêncio.

– Sinto muito, não quis falar desse jeito é que estou... Não dormi bem!

– O que aconteceu? Insistiu Anne.

– Nada.

– Você não mente bem. Eu conheço você, Lisa — Anne era uma boa pessoa, de confiança, uma amiga escondida embaixo de uma funcionária eficiente — Porque não fala?

– Não quero sentir o que estou sentindo.

– E o que é que está acontecendo? — perguntou com a voz doce.

– Estou com medo.

– Sabe que pode me contar qualquer coisa, não? Então vou perguntar novamente: o que está acontecendo?

– Os pesadelos... — Lisa tinha a impressão que suas pernas não aguentariam o peso do seu corpo, ela tremia — Eles estão piorando.

– O homem misterioso, então é isso.

– Sim.

– Vou fazer uma pergunta, mas não quero que se ofenda. Você acredita que ele existe, que é de carne e osso?

Lisa hesitou, duvidava que pudesse falar sobre tudo isso. Seu coração pulsava com tamanha rapidez que achou estar enfartando por causa da pressão, mas as palavras simplesmente saíram.

– Sei que é esquisito e insano, mas sim. Pra mim é tudo real.

– Que bom, porque pra mim também!

Anne estava sorrindo. O assombro de Lisa foi total, ela não podia ter dito aquilo, podia?

– Santo Deus, pode repetir?

– Acredito! Eu acredito que ele é real e que você sonha com tudo isso por algum motivo. E sim, você tem que procurar ajuda... E não, não é a ajuda de psiquiatras que querem te rechear de calmantes.

Ela não era louca? Não estava tendo um surto psicótico? Jesus... Anne acreditava nela. Aquela secretária que vivia a sua sombra... acreditava que algo de estranho estava acontecendo e não era loucura. Graças a Deus!

– Não tem ideia como é importante saber que alguém acredita que eu não sou... – Não conseguiu pronunciar a palavra, não suportaria terminar a frase — Obrigado, Anne.

– Por favor, não me agradeça. Não aguento as teorias do Bob e seus comprimidos para mantê-la estável como ele mesmo gosta de citar.

– Ele se preocupa comigo.

– Ele se preocupa com di-nhei-ro e você é a fonte do momento. E ele beberá dessa água até secar o poço. Seus escrúpulos são muitos duvidosos pra mim. Tenha cuidado.

– Talvez, você tem toda razão.

As palavras saíram em murmúrios e Lisa cobriu o rosto com as mãos. Não sabia o que fazer.

– Por onde vou começar? — era uma pergunta e um pedido de ajuda ao mesmo tempo — Não tenho ideia.

– Mas eu tenho. Hospital St.Elizabeths, vamos atrás dos registros médicos da sua mãe.

Quem soltou a bomba que acabou de explodir? O mundo estava acabando. Não havia uma gota de sangue em seu rosto de Lisa, ficou pálida, completamente enjoada.

– Não estou me sentindo bem... — Levou as mãos a boca quando sentiu o gosto amargo de fel — Acho que vou vomitar.

– Você não vai vomitar Lisa, só está nervosa pelo assunto. Vamos respire fundo.

Anne aproximou-se e começou a passar as mãos pelas costas da cantora. Um acalento, não uma desistência. Agora que começou a falar iria ao fundo do problema.

Caramba, aquilo tinha sido um choque, era o mais próximo da frase: "Só farei isso quando o inferno congelar". Não podia mexer no passado. Os mortos estavam mortos e permaneceriam mortos.

– Não vou remexer no passado.

– Que ótimo, então não chegaremos a lugar algum. Porque esse é o único caminho que temos para seguir. Pelo menos agora. Pense nisso enquanto faço uma ligação.

Anne pegou o telefone e ligou para Nick.

– Onde você está?

– Na sala de monitoramento.

– Preciso que venha até a cozinha, é possível?

– Agora mesmo!

Desligou o telefone, colocou as mãos em cima da mesa e sem perceber dava batidinhas impacientes como se estivesse esperando Lisa vomitar. Talvez ela chegasse a esse ponto, porque no momento estava ficando esverdeada.

Fez-se uma pausa.

Nick entrou pelas portas abertas que davam para o jardim.

– E aí, como vai ser? — perguntou imponente dentro de seus quase dois metros de altura.

– Não sei, ela ainda não respondeu — disse Anne irredutível.

Lisa olhava para os dois incrédula.

– Vejo que tiveram bastante tempo para conversar sobre a minha vida e os meus problemas, não é?

– Bom alguém tinha que fazer isso — Nick aproximou-se um pouco mais — E antes que comece a pensar que estamos nos intrometendo, nós estamos mesmo. Não me conformo como pode viver dessa forma, com essa dúvida pairando sobre sua cabeça. Anne acha que tem que procurar por respostas naquele maldito hospital e eu acho que o melhor a fazer seria procurar por um médium ou um sensitivo. Se minha avó ainda estivesse entre nós levaria você agora mesmo para a casa dela em Nova Orleans e te apresentaria a nossa tradição Creole ou Vodu. E não pense que é algum tipo de gracinha, estou falando muito sério.

E Nick falava mesmo. Estava tão certo de suas convicções que conseguiu quebrar o bloqueio. Naquele pequeno minuto não havia barreiras entre eles, nada que não poderia ser dito.

– Tive um sonho, ou melhor, um pesadelo esta noite...

Lisa começou a contar, descreveu tudo que estava registrado em seu cérebro, foi minuciosa e ficou espantada por lembrar-se de tantos detalhes. Enquanto descrevia sentiu-se apavorada, ressuscitou as emoções e o desalento iguais ao exato momento em que despertou na segurança do seu quarto.

Não podia recuar, não fazia cabimento se fechar para aquelas pessoas a sua frente. Por final acrescentou:

– Adoraria a ajuda de vocês, meus amigos!

– Grande garota! É assim que se fala. — Nick estava feliz por ela ter concordado, por confiar neles, por ter se revelado.

– Sei que é como procurar uma agulha no palheiro, mas vamos encontrar a agulha ou não me chamo Anne.

– E eu Nick.

– E eu Lisa.

De repente o ambiente estava leve, todos sorriram. Uma esperança. Aquela seria uma boa hora para um demorado abraço. No entanto Lisa ia deixar passar. Levantou e caminhou em direção das portas abertas.

– Onde pensa que vai? Tem gravação no estúdio.

– Ligue para o Bob, diga que o espero no estúdio de gravação em uma hora que haverá modificações em uma das faixas do novo CD e não passe a ligação pra mim. Vou nadar Anne.

Deus... Por alguns segundos se sentiu totalmente agraciada pelas pessoas que estavam a sua frente, eram mais do que seus amigos, eram seus cúmplices, não pediam nada em troca a não ser seu bem estar e isso era purificante.

... Duas horas mais tarde. Estava atrasada.

Antes estar em um carro com um motorista, sua secretária e seu segurança era tão impessoal, agora estava feliz por poder conversar, ter companhia e o trajeto lhe pareceu menor.

Entrou com Anne ao seu lado. Nick permaneceu no saguão, como de costume, afinal sua presença não era necessária dentro do estúdio.

Bob já se encontrava lá.

– Oi garota. Você está linda — como sempre o bajulador.

– Olá Bob, tudo bem?

– Tudo muito bem, mas estou com uma poderosa dor de cabeça, sabe como é a noite ontem foi instigante e ela só terminou pra mim a cerca de umas 2 horas com a ligação da sua secretária — a risadinha maliciosa expressa em seu rosto era de matar.

– Faço uma ideia.

Afastando-se dele foi cumprimentando os músicos, brincou com os back in vocals, enquanto preparava-se mentalmente para apresentar sua nova composição.

As palavras naquela música eram ELA. Sua essência exposta no mais alto grau. Tudo raro e verdadeiro, extremo e profundo, amargo e lancinante.

– Pessoal, um minuto. Quero que todos escutem o que criei está noite. Michael me passa o violão. — deslizou os dedos pelas cordas e tocou o primeiro acorde — Espero que gostem ,chama- se:

Bring Me to Life

Traga-me para a vida

How can you see into my eyes

Como você pode ver através de meus olhos

like open doors

como portas abertas

leading you down into my core

Conduzindo você até meu interior

where I've become so numb?

onde eu me tornei tão entorpecida?

Without a soul;

Sem uma alma

my spirit's sleeping somewhere cold,

Meu espirito dorme em algum lugar frio

until you find it there and lead it back home

até que você o leve para casa

(Wake me up.) (Acorde-me.)

Wake me up inside.

Acorde-me por dentro

(I can't wake up.) (Eu não consigo acordar.)

Wake me up inside.

Acorde-me por dentro.

(Save me. ) (Salve-me)

Call my name and save me from the dark

Chame meu nome e me salve da escuridão

(Wake me up. ) (Acorde-me)

Bid my blood to run.

Obrigue meu sangue a fluir.

(I can't wake up. ) (Eu não consigo acordar)

Before I come undone.

Antes que eu me desfaça.

(Save me. ) (Salve-me)

Save me from the nothing I've become

Salve-me do que eu me tornei.

Now that I know what I'm without

Agora que eu sei o que eu não tenho

you can't just leave me. você não pode me deixar

Breathe into me and make Respire através de mim me faça real.

Bring me to life. Traga-me para a vida.

Bring me to life. Traga-me para a vida.

(I've been living a lie/There's (Eu tenho vivido uma mentira/

nothing inside.) Não há nada lá dentro.)

Bring me to life.

Traga-me para a vida.

Frozen ins ide without your touch,

Congelada por dentro, sem o seu toque,

without your love, darling.

sem o amor, querido.

Only you are the life among the dead.

Só você é a vida entre os mortos.

All of this time

Todo esse tempo.

I can't believe I couldn't see

Eu não posso acreditar que eu não pude ver.

Kept in the dark

Me mantive no escuro

but you were there in front of me

mas você estava lá na minha frente

I've been sleeping a one tohusand years.

Eu tenho dormido há 1000 anos.

I've got to open my eyes to everything.

Eu tenho que abrir meus olhos para tudo.

Without a thought

Sem um pensamento.

Without a voice

Sem uma voz

Without a soul

Sem uma alma

(Don't let me die here/ (Não me deixe morrer aqui/

There must be something more) Deve haver algo mais)

Bring me to life.

Traga-me para a vida

Bring me to life.

Traga-me para a vida

(II've been living a lie/There's (Eu tenho vivido uma mentira/

nothing inside.) Não há nada lá dentro.)

Bring me to life.

Traga-me para a vida

Quando terminou de cantar, aguardou os comentários, mas escutou somente os aplausos. Era perfeita, absoluta, forte, divina. Ela esboçou um sorriso de satisfação.

Tinham muito trabalho pela frente, o arranjo musical, encontrar a voz masculina que faria o dueto, mas Lisa já tinha tudo preparado e resolvido.

– Então, o que acham? — perguntou sorrindo — Podemos gravar?

As perguntas saíram na mais completa humildade, afinal eram seus sentimentos que haviam sido compartilhados naqueles versos.

– Claro que sim, mas preciso encontrar a voz masculina para o dueto, vou fazer algumas ligações, tenho alguns cantores em mente.

Bob mal acabou de especular sobre sua ideia, quando a porta se abrir atrás dele.

Paul Staple, o líder e vocalista da famosa banda de rock pesado The Golden Man adentrou simpático e já foi logo se situando.

– Espero não estar muito atrasado. Fiz o melhor que pude para chegar rápido. E Lisa, só faço isso por que é você e porque a música que cantou pra mim no telefone é linda.

Todos aceitaram em coro, afinal a voz dele era envolvente e marcante. Ouve certa agitação para os preparativos e então ela percebeu Bob escorado na parede olhando-a fixamente. Ele tocou nos botões da mesa de som e falou ao microfone. Seus olhos brilhavam como ouro.

– Querida, vamos ganhar o Grammy! O videoclipe tem que ser especial — seu entusiasmo não tinha como ser contido.

– O vídeo Bob será do meu jeito, você não irá interferir nem opinar sobre coisa alguma ligada a essa música. Estamos entendidos? E isso não é negociável. Portanto é pegar ou largar, o que me diz?

Pensando bem seu entusiasmo tinha acabado de ser contido.

Demonstrando um sorriso sem graça e deverás contrariado, acatou sem reclamar, porém despejou a seguinte frase ferina no ar.

– Ok baby, algumas vezes você até sabe o que faz. Agora ao trabalho, vamos gravar!

Tudo transcorreu da melhor forma possível. Testaram arranjos, fizeram pequenas modificações e no final estavam todos satisfeitos, com a sensação de dever cumprido. O dueto ficou majestoso, as vozes combinavam primorosamente, era perfeito.

–Obrigada Paul. Você foi maravilhoso, aliás, estou sendo pouco criativa nas palavras para te elogiar.

– Lisa, a música e a melodia são ótimas... Então foi fácil cantar.

– Tenho uma reunião a seguir sobre o videoclipe será que pode ir ou está muito cansado da viagem?

– Sim estou cansado. Mas vou com você — sorriu com afeto.

– Prometo. não vai demorar e depois vamos pra minha casa descansar e jantar. Que tal?

– Desculpe interromper. Mas você está esquecendo-se da reunião com os executivos da Samsung e não pode ser remarcada, porque já fizemos isso uma vez.

Anne não deixava passar nada era altamente competente.

– Não quero atrapalhar, já tenho reservas no...

– Paul, você não tem reservas em lugar algum. Te acordei as 05:40h da manhã, cantei para você, fiz que pegasse um avião correndo, gravou sem sequer almoçar a ainda vou te arrastar para uma reunião. O mínimo que posso fazer é pedir que fique hospedado em minha casa esta semana, até a gravação do clipe. E você mesmo disse que está cansado, então aproveite para descansar. Por favor?

– Ok, linda. Já me convenceu, vou pedir para buscarem minhas coisas.

– Legal. Anne teremos um hóspede providencie tudo, por favor.

– Pode deixar.

Lisa saiu na frente deles caminhando em direção a porta. Não tinha trocado nenhuma palavra amigável com Bob e também não estava disposta a ser simpática.

Mas sabia que ele não ia deixar passar.

– Hei Lisa, que tal um lanche?

– Não. Estou sem fome, vou comer uma fruta ou qualquer tranqueira indo para a reunião, nos encontramos lá.

– Lisa espere — o humor estranho entre eles era nítido — Qual é? Tudo o que digo e faço é com a melhor das intenções. Sabe que me preocupo com você e não gosto dessa pressão entre nós.

– Você se preocupa comigo, Bob? Tem certeza que não é com a minha carreira e com o meu sucesso?

– Com tudo — rosnou irritado — Eu me preocupo com tudo ligado a você. Vamos voltar às boas, temos um contrato e eu só quero o seu bem. Se às vezes sou duro demais é para protege-la de si mesma. Como no incidente do cara dos sonhos, aquele que não existe e deixa você com jeito de bipolar.

Certo de que tinha metido à mão na ferida dela, acrescentou:

– Não é verdade? Seja sincera, vamos acabar com isso garota... Venha com o velho e querido Bob, te dou uma carona e conversaremos sobre o vídeo.

Ela perdeu o jeito, seu rosto corou e imediatamente baixou os olhos para o chão. Estava perdendo o controle da situação.

– Eu... Eu vou com o meu carro.

– Ok. Se prefere assim, nos encontramos lá. Tudo para deixar você feliz, belezura.

Bob sabia que tinha jogado Lisa ao chão. Virou-se e saiu pisando firme, dono de si.

Droga, ele tinha feito de novo. Novamente permitiu que ele entrasse em seus domínios secretos e que a derrubasse no chão como um saco de batatas sem pudor ou piedade alguma. Tinha que se recompor rapidamente era uma questão de sobrevivência. E também permanecer firme para a discussão que viria logo a seguir por causa de suas ideias para o videoclipe. Que Deus tivesse compaixão e lhe desse coragem para impor sua vontade.

17h30min — Escritório executivo de Franco Larence na Times Square.

Mais uma vez encontrava-se atrasada.

Quando Lisa entrou na sala de reuniões todos já estavam esperando por ela. Havia cerca de doze pessoas. Diretores de cena, coreógrafos, redatores, figurinistas, enfim todos os profissionais necessários para um videoclipe de sucesso.

A mesa de reunião era enorme, os pessoas que estavam ao seu redor eram as melhores que o dinheiro poderia comprar e claro, Francis Lawrence encontrava-se sentado na cabeceira. Do seu lado direito tinha um lugar vago que certamente esperava por ela.

– Oi Lisa, como vai? Ele se levantou e foi ao encontro dela, com um sorriso e um abraço impessoal, mas que de certa forma era sincero.

– Bem, Franco e você preparado para minhas loucuras?

– Prefiro lidar com suas loucuras do que com o ego de outros — disse isso divertidamente.

– Já conhece Paul Staple?

– Hey ,Paul, e aí cara? Bob ... — Franco apontou para ele que estava sentado duas cadeiras mais a frente — Bob, já nos mostrou a nova música, trouxe um CD demo e ela é realmente magnífica.

– Que bom que gostou — Sentou-se ao seu lado e pediu uma cadeira para Paul.

– Tem algo em mente, Lisa ou posso lhe falar sobre como imaginei o clipe?

Franco era um cavalheiro e ela sabia que ele faria essa pergunta. Era a abertura que precisava.

– Franco, primeiramente quero que me escute com muita atenção. Porque não sei se poderei repetir.

– Sem pressa, manda ver.

Respirou profundamente e então começou a descrever o que queria.

– A personagem feminina não sabe por que tem sonhos todas as noites com esse homem. No princípio ele era apenas sinistro e assustador e ela rezava para os sonhos pararem, talvez fosse um assassino profissional, quem sabe até um mercenário. Mas em algum momento que nem ela sabe dizer quando foi, sentiu necessidade de que ele fosse real. Ela é uma solitária e ele é quem preenche suas noites. Ela consegue vê-lo lutar, mas não sabe contra quem, sabe que carrega uma maldição, mas não faz ideia do que seja e sabe que ele é mortalmente perigoso, mas tem a certeza de que nunca a machucaria.

Parou por um breve momento, desviou o olhar para Anne que se encontrava do seu lado direito com um Tablet fazendo anotações. Buscando coragem nos olhos dela percebeu que todos a olhavam perplexos.

– Ele veste calças e sobretudo de couro preto. É alto 1,80m, talvez mais. Moreno com cabelos e cavanhaque negros e curto, bronzeado. Ele é másculo tem um corpo perfeito. Seus olhos são da cor dos diamantes e quando ele a olha, ela se sente limpa e exposta. Ele também é muito “quente, sexy”. É extremamente inteligente, posso vê-lo diante de seus computadores de última geração, mas o que o destaca na multidão é a tatuagem em sua têmpora esquerda, algo que se aproxima de símbolos antigos em círculos. Existem outras tatuagens. Uma abaixo do abdômen e outra que envolve toda a sua mão esquerda que está sempre coberta por uma luva. E como a música mesmo diz, nossa heroína não se encaixa em lugar algum, precisa dele, da sua força. Na verdade ela precisa encontrá-lo desesperadamente, ele precisa salvá-la de sua realidade vazia.

Ninguém falou nada, nenhuma palavra. Todos pensavam ao mesmo tempo sobre o que havia sido explanado tão consistentemente. Então começaram a surgir às opiniões. Bob foi o primeiro.

– Puxa, tem horas que você fala como a personagem e outras são como se você o conhecesse ou pelo menos já o tivesse visto anteriormente. Já percebeu isso? Que interessante, não é mesmo? — ele estava a ponto de explodir, seu rosto encontrava-se vermelho de ódio.

– É só a minha imaginação Bob, nada demais. — caramba, será que ela tinha convencido alguém com aquela frase.

– Uau... isso é o que eu chamo de uma excelente descrição — disse um dos produtores.

– A ideia é fantástica e já vou avisando quero um homem desses pra mim — acrescentou Mell a coreógrafa, brincando e com um largo sorriso.

– Então... gostaram dessa concepção de amor platônico por um homem desconhecido. Isso é realmente inovador. — Bob não tinha a menor ideia de como mudar aquela situação. Aquilo era justamente contra o que ele lutara por meses. Era a insanidade e demência de Lisa sendo exposta e prestes a virar filme. Um absurdo, um despropósito.

Lisa olhou com raiva e estava quase o mandando a merda, quando ouviu a voz de Franco.

– Por conhecer meu pessoal acredito que gostaram e muito. Pra mim é pólvora, isso vai explodir na mídia.- soltou uma alta gargalhada — Está com a agenda livre esta semana Lisa e você Paul?

– Imaginei que quisesse filmar rápido, sei como trabalha então cancelei meus compromissos. E Paul? — Lisa olhou para ele esperando uma resposta.

– Estou aqui não estou? Se precisam de uma semana para gravar então... contém comigo.

– Vamos detonar a dinamite pessoal, eu quero explodir o mundo. Preparem tudo, arrumem o modelo masculino adequado. Ao trabalho!

Franco Lawrence sabia o que era bom e aquilo era excessivamente bom!

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As pesadas persianas começaram a se abrir, a noite havia chegado a Caldwell, na sede da Irmandade. Depois de alguma pesquisa Wrath chamou os Guerreiros e os dividiu em pares. Os gêmeos Phury e Z. fariam a tradicional ronda pelo centro da cidade perto do ZeroSum. Butch e V. checariam um ginásio de treinamentos ao norte.

Para quem não conhecia os gêmeos era difícil imaginar que fossem até irmãos. Phury tinha uma cabeleira invejável, quando não estava trajado para lutar, vestia-se primorosamente, adorava um Gucci. Já Z. tinha cabelo raspado em máquina zero, a grande cicatriz em forma de 5 marcava todo o seu rosto, terminando no lábio superior. E ainda tinha as faixas pretas largas tatuadas em seus pulsos e pescoço, lembranças de sua época como escravo quando fora raptado ainda bebê. Mas os dois se completavam e eram excelentes juntos.

– Então, o que mais sabemos sobre o tal show dos redutores? -falou Wrath.

– Pesquisei tudo e mais alguma coisa, não tenho nada. Informações sobre a cantora Lisa Hendrix? Sobre isso posso até fazer um dossiê, onde mora, onde frequenta, até sua comida preferida. Mas nada ligado a Sociedade Redutora. Nenhum amigo mais próximo ou irmão desaparecido, nada.

V. era excepcional com computadores, por isso não havia como argumentar.

– Nossa melhor pista continua sendo o ginásio do subúrbio. O lugar parece ser bem promissor, então se encontrarmos algo avisaremos os Irmãos imediatamente. E não se preocupem V. não entrará naquele lugar ou em qualquer outro que possa ter redutores sozinho.

– Vá se foder, Butch. Sei me cuidar muito bem, não preciso de babá. Era só o que faltava. Você está querendo me ensinar como fazer o meu trabalho? Tenho séculos de experiência a mais do que você, novato.

– Chega Vishous. É por esse motivo que eu não o quero sozinho. A ordem é minha, sei pelo que está passando — o Rei pensava em tudo e não arriscava a vida de seus Irmaõs — Não é fácil lidar com quem é sua mãe e tudo mais, mas se vai ficar possesso com alguém que fique com o macho certo. E esse macho sou eu, seu Rei. Acredito que agora você compreendeu.

– Isso é ridículo, Wrath.

– Não, isso é necessário. Não vou perder você. Também quero lutar e na maioria das vezes não posso. Olhe em volta Irmão. Raghe está ferido, Thor não sabemos ainda o que o destino lhe reserva e nesta droga de escritório está todo o poderio da Irmandade, ou seja, quatro grandes Guerreiros e mais um que precisa ser Rei. Não me obrigue a afastar você da patrulha, porque sabe que eu o faria.

V. caminhava pela sala como um animal enjaulado e Wrath era o domador que o mantinha preso.

– O que vai ser V.? Vai sair e ficar sempre com um de nós lá fora ou ficar em casa nos computadores?

– Merda, que... grande merda, Wrath.

– É, você tem toda razão, mas quero a sua palavra.

– Maldição, pra quê tudo isso?

Diga, agora!– o som das palavras do Rei fez as janelas tremerem por um segundo.

– Você tem minha palavra. Agora vamos pra rua.

Ele tinha pensado em se materializar ao lado do ginásio, mas devido às novas regras da cartilha foi de carro como passageiro, Butch dirigia. Rodaram até chegar ao subúrbio. Cara, aquilo era feio. Pessoas maltrapilhas perambulavam pelas ruas junto com delinquentes, passadores de droga e prostitutas de todas as idades. Era como olhar para o umbral. Se é que você acredita que isso exista.

Os prédios em sua maioria estavam pichados, em péssimas condições de conservação, todos aparentavam ter o mesmo tom marrom envelhecido e descorado. Alguns não tinham nem portas e todos encontravam-se com janelas arrebentadas e vidros estilhaçados.

– Que lugar distinto para um encontrar um redutor.

– Para encontrar e recrutar. Afinal esses homens já perderam tudo da vida. O que vier daqui pra frente é lucro, Butch.

– Nisso fecho com você camarada. E a propósito chegamos, solte o mhis.

V. lançou o mhis e logo surgiu um campo de ilusão onde a noite permaneceria na mais perfeita normalidade.

Na frente do prédio, encontrava-se uma placa desbotada onde estava escrito Academia de judô e jiu-jitsu. Alguns carros velhos estacionados na porta indicavam movimentação no local. Eles nada poderiam fazer a não ser aguardar e vigiar.

Passava um pouco da meia-noite quando os últimos "estudantes" saíram. Foi então que a diversão começou.

Dois carros estacionaram imediatamente após o termino dos treinamentos. Em um deles quatro redutores e no outro mais três. Quem abriu a porta foi um redutor de cabelos brancos que possivelmente era o líder.

V. pegou o celular e mandou uma mensagem chamando reforços. Ele olhou para Butch e enquanto se preparavam para sair do veículo notaram a sutil presença de Phury e Z. a direita do prédio.

– Hora do show V. Vamos acabar com todos esses desgraçados.

Desceram do Escalade, fizeram um pequeno sinal e prepararam-se para invadir. Eram apenas quatro corajosos guerreiros, mas quando se apresentaram para a guerra transformavam-se em uma Legião. A porta foi despedaçada, os movimentos eram febris, cada golpe deferido preciso, cada tiro certeiro, o ar estava carregado de destruição. Lutaram por quase uma hora. Por fim os civis da raça estavam vingados e o prédio ardia em chamas. Não havia sobrado nada.

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Do outro lado de Nova York no Queens, Lisa finalmente chegava em casa depois de um jantar cansativo de negócios.

– Anne porque não dorme aqui esta noite, já está muito tarde?

– Você é que teve um dia cheio e está cansada. Não é tão tarde assim. Então vou dormir no meu apartamento.

– Pode deixar Liza, eu a levo pra casa. — disse Nick.

– Não há necessidade moro perto daqui.

– Por isso mesmo. Ou vai com ele ou fica pra dormir aqui. Pode escolher — Lá estava a Lisa famosa e decidida.

– Nick, acho que vou aceitar sua companhia. E você tente descansar, relaxe um pouco e... durma bem. — Anne deu um passo à frente e abraçou Lisa enquanto sussurrava em seu ouvido – Gostei de sua atitude hoje, você é corajosa.

Sobre os lábios havia um sorriso espaçoso e sincero.

– Obrigada.

O motorista e Anne entraram no carro e saíram pela noite.

Lisa sentia-se bem, serena, tinha fé em uma noite de sono tranquila. Adentrou pela sala e percebeu a casa silenciosa, provavelmente Paul já devia estar dormindo afinal seu dia também tinha sido exaustivo. Subiu direto para o seu quarto, estava ansiosa por um banho, largou suas roupas no chão de qualquer jeito, o mesmo destino tiveram os sapatos e mergulhou debaixo de uma ducha relaxante. Quinze minutos mais tarde, estava deitando o corpo nu sobre sua cama macia. Que sensação boa.

Ele estava em numa cobertura, soprava uma brisa agradável que abrandava relativamente o calor da madrugada. Apoiava-se na mureta e estava sem camisa, a calça de couro preta, colada, moldava perfeitamente a silhueta forte e viril. O cabelo despenteado caía sobre o rosto quadrado. A pele dourada, os ombros largos, os músculos perfeitamente definidos, a força bruta e perrfeita de sua espinha dorsal.Ergueu a mão com a luva e tocou as tatuagens em sua têmpora. Encontrava-se pensativo ou talvez só estivesse apreciando a vista magnífica do local. Então, desviou o olhar.

Havia uma mulher deslumbrante do outro lado da varanda, uma morena de cabelos negros. Vestia um espartilho preto, os cabelos presos em coque no alto da cabeça e encontrava-se totalmente imóvel olhando para o chão. Parecia esperar.

– Entre — a ordem soou seca e direta — Vá até a mesa e deite-se de barriga para cima.

– Sim, meu Mestre.

Ele acendeu a cigarrilha em uma das centenas de chamas ardentes, das velas que preenchiam o ambiente e tragou vagarosamente. Apreciando o sabor ou apenas envolto em seus pensamentos?

Entrou no apartamento, tudo era preto: as paredes, o teto. As únicas coisas que brilhavam com a luz do luar eram os acessórios para a sessão – chicotes, correntes, grampos, cordas, palmatórias... Aproximou-se como um felino, um predador e pegou uma mascara que tinha apenas um buraco para o nariz.

– Coloque agora — mais uma ordem.

Ela obedeceu, sem dizer uma só palavra. Ele esperou. Ele esticou a mão e pegou uma das velas, verificando o acúmulo de cera líquida... dor, prazer... e ele sabia exatamente o que fazer com a mulher.

Lisa abriu os olhos, estava na mesma posição que se deitou, olhava para o teto. Desta vez não estava assustada. Levantou-se devagar e foi para o banheiro lavar o rosto, talvez essa atitude clareasse suas ideias.

Ele era um dominador, um Dom!

Sua mente estava aturdida pela certeza de que isso significava que ele tinha várias parceiras, era assim que funcionava e todas elas deveriam ser tão incríveis como aquela morena que estava em seu sonho. Quanto melhor o dominador sexual maior a fila de mulheres dispostas a satisfazê-lo a qualquer preço. Não havia nada de romantismo, apenas dor, submissão e prazer.

Mas Lisa não estava procurando por mais dor... Estava exausta da palavra dor. Tinha dores profundas sentimentais e psicológicas. Se tivesse um inimigo não desejaria tal carga a ele.

Seu corpo estremeceu. Era isso. O desconhecido que ela tanto cobiçava encontrar, quando colocasse os olhos nela não sentiria nada, nenhuma atração. Ela não se encaixava no perfil dele.

O inferno chegou, estava queimando por dentro. Mais uma vez a vida lhe mostrava que ela não pertencia a lugar algum. Perdida.

As lágrimas começaram a correr pelo seu rosto, não podiam ser contidas. Estava morta, não havia esperança, sua vida era uma mentira. Deitou-se e nem percebeu que se colocara na posição fetal, encolhida, escondida. Era o seu corpo que em um último ato de desespero tentava protegê-la. Involuntariamente ele pedia socorro, pedia ajuda, pedia clemência para tanto sofrimento. Pedia para ser verdadeiramente amado e cuidado, como nunca tinha sido.

Mas aquele momento passou rápido e ninguém ouviu o pedido, nem mesmo Lisa, para ela só a solidão era companheira.

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Wrath estava em seu escritório junto com Raghe esperando pelas notícias da noite. Por mais que houvesse tentado persuadi-lo a descansar e prometesse chamá-lo quando os Guerreiros chegassem, ele se negou a ficar longe do Rei. Passaram àquelas horas conversando sobre um pouco de tudo e no fim o que era pra ser um tormento tornou-se agradável pois lembraram-se de como tinham vivido e presenciado coisas juntos.

As portas do escritório foram abertas. Primeiro entrou Phury, logo atrás Zsadist, na sequência Butch e por fim Vishous. Todos estavam bem, sem maiores ferimentos, traziam as roupas manchadas do sangue negro dos redutores, mas era só.

– Missão cumprida, não sobrou nada — falou Butch.

– E nem sentimos sua falta Hollywood. — Z acrescentou sarcasticamente.

– Você só pode estar de zoeira, me remoí nesta sala com Wrath por horas e você vem com esse papo pra cima de nós?

– De nós?... Não, você não entendeu Hollywood. Eu disse que não sentimos a sua falta, d de Wrath nós sentimos — provocou Z.

As gargalhadas ecoaram altas. Afinal Z. era o mais calado de todos, mas naquele momento brincava satisfeito.

– Muito bom Z. — falou o Rei — Fico feliz que ninguém esteja ferido, e como foi?

– Excelente. Pode computar oito mortos-vivos a menos e um centro de treinamento totalmente queimado — disse Phury.

– Ótimo. Já pegaram as urnas?

– Todas elas, só falta procurar detalhes pelos documentos encontrados, mas não sei se acrescentará algo valioso- respondeu Vishous de mau humor — No entanto farei isso, depois que amanhecer. Agora vou sair. Se me der licença?

– E onde você pensa ir, meu Irmão? — Wrath já queria partir pra cima dele, por ter lhe dado as costas e andar diretamente para a porta.

– Vou até a minha cobertura, tenho um encontro. E antes que você me faça prometer, já vou me adiantar. Dou minha palavra que estarei de volta antes do amanhecer.

– Que bom que está entendendo como tudo funciona — a voz do Rei era voraz, ele estava ordenando e não pedindo — Se não aparecer meia-hora antes do sol nascer, eu mesmo irei atrás de você.

– Já dei minha palavra. Agora tenho que ir.

V. saiu do escritório Real e se materializou na varanda de sua cobertura no luxuoso Edifício Commodoro, no centro da cidade. Precisava tomar um banho urgente, ainda tinha o cheiro e o sangue dos redutores em sua roupa.

Foi bem rápido com isso.

Quando terminou, vestiu apenas uma calça de couro. Caminhou até o bar e encheu um copo com Grey Goose sua vodca e bebida favorita. Virou o copo na boca e engoliu tudo de uma vez só.

Saiu para a sacada, debruçou sobre a mureta, uma brisa agradável abrandava relativamente o calor da madrugada. Pensou no seu dom da visão e que ultimamente tinha desaparecido. Não conseguia ver nada. Por instinto ergueu a mão coberta com a luva tocando a têmpora marcada por tatuagens. Estava em seu limite.

Então, a fêmea se materializou do outro lado da varanda. Ela sabia que deveria esperar e nunca falar ao menos que ele mandasse.

Quando olhou para ela. Pôde perceber que estava totalmente excitada, ele sentia pelo cheiro. Sim, era isso que ele queria dela. Mas o sexo era um detalhe, não vinha em primeiro lugar, precisava se alimentar, portanto beberia dela porque tinha que fazer isso.

Vishous estava com um humor mordaz e muito sombrio naquela noite , foi por esse motivo que escolheu tal submissa. Ela gostava de coisas pesadas, da dor extrema e rasgada e ele daria a ela o que estava esperando.

– Entre. Vá até a mesa e deite-se de barriga para cima.

– Sim, meu Mestre.

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Notas:

Mhis: O disfarce de um determinado ambiente físico. Criação de um campo de ilusão.

Notas finais
Espero ter proporcionado um bom capítulo e o desenrrolar proveitoso da história. Opinem sobre o que precisa melhorar. Comentem o que gostaram. Quero agradecer a todos vocês que estão acompanhando a fanfiction, não imaginam como me sinto feliz e realizada. Beijos a todos. Até o próximo capítulo.