Notas iniciais
Olá minhas amigas!
Primeiro: Quem ainda não deu sugestão para o nome do Guerreiro Misterioso , por favor dê e não precisa ser apenas um.... usem e abusem da enorme criatividade que todas vocês possuem.
Segundo: Puxa vida, eu não sei o que dizer sobre todas as palavras de apoio que recebi. Obrigado é tão pouco...
O que seria de mim se não houvessem vocês e sem Lisa e Vishous para distrair a minha cabeça que anda tão pirada ultimamente???
Olha, hoje não vou enrolar. Aqui tem mais um capítulo.
Uma boa leitura .... e nos vemos lááááááá no final!
Bjs.
Fênix

O telefone do Sr. H tocou apenas uma vez.

– Fale Paul.

– Preciso que convoque uma reunião com todos os Membros da Sociedade agora mesmo.

– E porque eu faria isso?

– Porque sei exatamente onde o Rei dos vampiros e sua maldita Irmandade estarão esta noite.

– Onde?

– Porque quer saber isso agora, não confia em mim?

– Eu deveria?

– Sim... deveria. Afinal foi promovido graças a mim ou já se esqueceu quem matou o Sr. D?

– Cuidado como fala e...

– Sr. H não estou nem um pouco interessando em ser o manda chuva. Eu poderia tê-lo matado também e você sabe que tive a chance. Até agora estamos nos entendemos muito bem que tal se continuarmos assim? Meu único interesse é matar um determinado vampiro, então convoque a porra da reunião.

– Sabe de uma coisa Paul... você é um tremendo filho da puta egocêntrico, mas é muito útil. – o Sr. H riu satisfeito – E eu gosto disso. Reuniremos-nos em uma hora no local de sempre.

– Perfeito.

Sim. Tudo que ele disse era verdade, tinha perdido completamente o interesse em ser o líder. Não havia mais nenhum sentido, pelo menos por enquanto.

Começou a se vestir e se armar para a reunião e também para a batalha que a noite prometia. Ele tinha consigo a esperança de poder meter uma bala certeira na cabeça do vampiro de cara tatuada, aquela era sua verdadeira motivação, depois procuraria Lisa e a levaria para seu Rancho e morariam juntos. No começo seria difícil, mas com o passar do tempo... dos anos, ela se acalmaria e por fim descobriria que o amava e que ele era o homem certo. Viveriam felizes e como uma família, um sonho realizado.

O barulho de um carro lhe tirou de seus devaneios. Olhou por uma das janelas que tinham pesadas cortinas e lá estava o veículo uma minivan preta se aproximava rapidamente.

Imóvel esperou.

Uma mulher de cabelos loiros, olhos verdes usando calça jeans e camiseta azul desceu do carro e abriu a porta traseira.

– Tem alguém em casa? Preciso de ajuda. Disse com calma e como se fosse íntima dos habitantes.

Ele não respondeu, aliás, no momento considerava se a mataria ou não. A mulher pegou o celular e ligou. Dentro da casa, em cima da mesa o telefone de Paul tocou.

Então era ela, a amiga que ligou mais cedo.

Ele atendeu, mas nem sequer conseguiu dizer “alo”.

– Se quer que este um lugar torne-se seguro é melhor sair agora e me ajudar!

Paul saiu com a pistola automática em mãos.

– Não vai precisar da arma.

– Eu decido do que preciso. Quem é você? Perguntou raivosamente.

– Meu nome é Évora, sou uma feiticeira.

– Feiticeira?

– Escute, nosso tempo está contado e eu não gostaria que Ômega descobrisse o que estamos fazendo aqui. Ele nos mataria e eu tenho muita coisa para fazer antes de morrer. Então me ajude a proteger e isolar este lugar do mundo e depois eu lhe conto tudo que quiser.

Paul a olhou seriamente analisando uma situação que não podia ser analisada. Afinal ele desconhecia a existência de feiticeiras e...

– Vai me ajudar ou não?

– O que quer? Perguntou ele sem mais demora.

– Carga viva, preciso que me ajude com essas quatro garotas.

Dirigindo-se para a lateral do carro, ela apontou para a porta escancarada. Lá dentro quatro crianças. Quatro meninas entre seis e oito anos amordaçadas, estavam presas pelos tornozelos e pelos pulsos com fita isolante. Com olhos vermelhos e expressão aterrorizada elas choravam abafadamente e se encolhiam juntas no fundo do carro evitando as pessoas que as olhavam do lado de fora.

Ao ouvir mais do choro lamentoso e descontrolado Évora mostrou frieza, indiferença e uma crueldade sem limites.

– Tenho que marcar os quatro pontos cardeais no perímetro externo desta casa, exatamente cinco metros de cada parede. E não se esqueça depois que o feitiço estiver valendo esse será seu espaço seguro. Tudo que estiver rodeado e dentro desse círculo não poderá ser encontrado. É como se tudo ficasse invisível, indetectável. Uma fortaleza.

– Então, quer dizer que...

– Se Lisa estiver dentro dessa casa, nunca ninguém jamais poderá encontrá-la.

– Entendi – Paul sorriu maquiavelicamente – E as garotinhas são o preço.

– São o sangue – ela retribuiu o sorriso – A propósito tem estômago forte?

– Tá brincando? Isso vai ser divertido.

Com o fim de tal frase Paul puxou pelos longos e cacheados cabelos a primeira menininha enquanto Évora se dirigia para o “leste” da casa. Nas mãos carregava uma estaca de madeira com ponta afiada de aproximadamente um metro de comprimento. A chacina estava por começar.



Vishous materializou-se no pátio da mansão erguida em pedra com quatro andares e gárgulas no telhado cinco minutos após o por do sol. Aproximou-se das portas duplas de entrada e quando cruzou o vestíbulo digitou o código no teclado numérico para que as portas principais fossem abertas. O piso mosaico colorido e as pinturas extraordinárias no teto coloriram seus olhos como se ele as estivesse olhando pela primeira vez em toda a sua vida.

Mas ele sabia que tal ilusão era verdade. Sentia-se bem, completo. Tinha deixado sua fêmea dormindo profundamente em sua cama, em sua cobertura e em total segurança. Em seu rosto expressava um sorriso no mínimo bobo, maluco, tolo... mas ele não estava nem aí com que seus Irmãos poderiam pensar.

– Hei vampiro que cara é essa? Cacete se você pode ficar de bom humor, então acredito que meu Pai ainda possa vir a salvar a humanidade. Nem tudo está perdido nesse mundo.

Lassiter apareceu descendo as escadas. No rosto estampava a satisfação de poder tocar no ponto fraco de V., ou seja, o amor e deslumbramento por Lisa Hendrix. Não é que finalmente o vampiro racional tinha sido vencido pela paixão.

– Cara, isso não vai funcionar hoje. Não vai conseguir me tirar do sério.

– Que os anjos digam amém. Olha só pra você... sorrindo – ele passou por Vishous dando-lhe uns tapinhas no ombro e caminhou em direção ao salão de jogos – A propósito, me lembre de agradecer a Lisa na próxima vez que nos encontrarmos. Ela não é só uma feiticeira... ela realiza milagres. Aleluia Irmão!!!

Gargalhando alto o anjo se afastou deixando V. com cara de espanto e sem resposta. Ahhhh... sejamos realistas, Lassiter possuía toda a razão do mundo em suas palavras.

Vishous foi direto para o buraco, ia trocar de roupa e depois pegar as chaves da Mercedes SLR prata de Lisa que ainda continuava na garagem da mansão. Que coisa mais maluca. Quando ela foi embora deixou o carro para trás porque era um esportivo e só cabiam nele duas pessoas e na ocasião como Mary também havia decidido partir, precisaram de um veículo maior.

V. nunca teve interesse em devolvê-lo. Talvez isso se devesse ao fato de ter esperança que tudo pudesse ser resolvido... e foi exatamente o que aconteceu. Apesar de todas as dores, acusações, culpas e ressentimentos eles agora formavam um casal. Um casal que se amava e que se aceitava incondicionalmente.

– Porra você não atende mais o celular?

– E aí tira? Respondeu acendendo um cigarro.

– Você está bem e Lisa?

– O que acha?

– Até a pouco estava pensando quem mataria quem, mas você está com uma cara muito boa pra ter cometido um assassinato.

Vishous sorriu.

– Eu a amo... muito.

– Olha só, isso é novidade para você. Eu já sabia disso há muito tempo.

– Me conhece bem, não é mesmo tira? Meio sem jeito V. alisou os cabelos, jogando-os para trás.

– É só... que, sei lá... você é importante pra mim, sabe e eu... eu queria que desse certo com Lisa. Ela é... mas que droga... Vocês ficam bem juntos.

– Dessa vez estamos juntos. Estamos mesmo... juntos! Não tenho a mínima idéia de como lidar com os horários e todos aqueles compromissos que ela possui, mas vou tentar ser um... namorado, é acho que essa é a palavra, um namorado e descobrir.

Nesse momento Hollywood surgiu pela porta e não perdeu a oportunidade.

– Olha só se não é o nosso gênio falando que está caidinho por uma fêmea.

– Lá vem. – disse Butch balançando a cabeça e rindo do jeito debochado de Raghe – As piadas vão começar.

– Qual é tira? Só estou dizendo que o nosso amigo acaba de ser dominado, se é que me entende? E piscou com um dos olhos.

Todos caíram em gargalhadas, enquanto o loiro jogava-se em cima do sofá de couro.

– Posso saber qual o motivo de tanta alegria?

E o Rei chegou. Lá estava ele com seus óculos escuros, trajando negro e dois metros de altura.

– Eu... claro! Respondeu Raghe apontando os polegares para si mesmo.

– Porque será que isso não me surpreende – disse Wrath enquanto se sentava no outro sofá – Onde está Lisa?

– No Commodore.

– Não pensei que voltaria para cá esta noite, Butch não lhe disse que está de folga?

– Ele deixou uma mensagem. Vim buscar o carro da Lisa e... – V. pressentiu algo no ar, algo preocupava – O que foi desta vez? O que está acontecendo Wrath?

– Ainda não sabemos. Depois que deixei você no estacionamento da boate, recebi uma ligação de Rehvenge e sabe o que descobrimos? Que Lisa não é a única feiticeira que anda sobre a face da Terra.

– O quê? Perguntou Vishous incrédulo.

– Exatamente. O nome dela é Évora e tenho um encontro com ela esta noite...

– Temos um encontro com ela, você quis dizer, não é meu Senhor? Corrigiu Raghe.

Wrath lançou-lhe um olhar furioso e não era preciso tirar os óculos escuros para saber que o Rei ainda não tinha engolido a necessidade de deslocar toda a Irmandade até o ZeroSum para o tal encontro.

– Eu também irei. Argumentou V.

– Não! Você fica com Lisa. É muita coincidência o aparecimento de outra feiticeira, não acha?

Thor surgiu na porta juntamente com Lassiter.

– Wrath, o anjo acabou de me contar uma história bem interessante. Acho que você gostaria de ouvir.

Todos olharam para Lassiter, enquanto o Rei fazia um sinal com a mão para que começasse a falar.

– Caramba, se não sou eu para esclarecer tudo por aqui, vocês...

– Ah, por favor, vá direto ao ponto. Não temos a semana toda! Resmungou Hollywood.

Os murmúrios que se seguiram foram de aprovação. Se aquele anjo não começasse a falar imediatamente, o mais provável é que alguém pularia em cima dele para socá-lo.

– Ceeeerto! – Lassiter encostou-se à mesa de pebolim – Ela é uma figurinha bem carimbada e não uma bruxa qualquer. A primeira vez que nos encontramos foi em Constantinopla, no fim do Império Romano. Évora é poderosa e não possuí qualquer tipo de escrúpulo, sua lei é a que somente lhe beneficia. Não posso afirmar com certeza, mas já ouvi dizer que ela mata feiticeiras para roubar seus poderes, dizem que faz isso quando são ainda crianças e indefesas.

Vishous fechou os olhos apertando-os com força. Porra, não podia sequer desfrutar de uma hora... uma única e maldita hora de sossego.

– Então ela está atrás da Lisa.

– Não sei V. Talvez sim, talvez não. Uma coisa é certa, ela é pura maldade. Luta em prol de si própria e em troca de favores oferecidos pelos demônios. O caso é que Évora não é como Lisa. Évora é descendente de um híbrido e não filha direta. O que por um lado é muito bom, porque não é tão poderosa e pelo que eu sei... também não é imortal.

– Como não é imortal? Constantinopla é século III D.C., portanto ela tem mais de dois mil anos.

– Vishous, os descendentes de um híbrido vivem por aproximadamente 600 anos, mas eu já disse... Évora não é uma feiticeira comum, para ter conseguido viver por tanto tempo é porque fez “coisas” terríveis e ainda faz. A eternidade não é fácil de se conseguir e nem de se manter. Se ela está aqui é porque vai lucrar, vai se beneficiar de algo. Então eu lhes pergunto: – Lassiter olhou para todos os Guerreiros da sala, um por um – Já pensaram na probabilidade dela estar ao lado dos redutores, de Ômega?

A pergunta caiu como uma bomba. As opiniões diversas soaram todas ao mesmo tempo e ninguém ouvia o que o outro estava a falar. Foi Wrath que colocou ordem alterando a voz com um tipo de rugido.

– Achei fácil demais ela se apresentando e dizendo que precisava falar com o Rei por lealdade a meu pai. A história não encaixa.

– Do que está falando? Ela conheceu seu pai? Questionou V. incrédulo.

– É o que Évora diz, mas não acredito nisso.

– Vou procurar agora mesmo sobre isso nas...

– Não Vishous. Você vai buscar Lisa, traga-a para cá. Ela fica aqui até que tudo seja esclarecido.

– Posso acompanhar vocês ao ZeroSum? – Lassiter perguntou sem hesitar – Quero ver a surpresa no olhar dela quando nos reencontrarmos. Ela tem que me responder algumas perguntas.

– Você vai, mas não aparece. Fica do lado de fora, escondido, próximo a Z. e Raghe. Évora não precisa saber sobre você... ainda!



O último sacrifício estava pronto para ser realizado. Paul arrastava pelos longos cabelos castanhos a menininha que ainda vestia seu uniforme escolar e que jamais retornaria para sua família.

Demonstrando uma coragem colossal a pequenina não chorava mais e nem ao menos debatia-se tentando se livrar das mãos que em breve lhe tirariam a vida. Caminhava passivamente e em silêncio para seu trágico destino.

Aproximando-se da face norte da casa ela pode ver o horror pelo qual suas amigas passaram e entendeu o porquê dos gritos desesperados e arrebatadores. Logo seu pequeno caminhar também estaria terminado. Ela era tão nova, apenas sete anos, não era capaz de discernir o quanto não viveria, o quanto não envelheceria.

A imagem era horrenda. No chão as outras crianças jaziam deitadas de costas com os braços abertos. Em seus abdomens uma estaca de madeira estava fincada, transpassando-as para que permanecessem fortemente fincadas na terra. Os olhos foram retirados cuidadosamente e sem cortes.

– Deite-a aqui. Assim fecharemos o ciclo dos pontos cardeais.

Foi colocada exatamente onde Évora pediu e ficou ali sem se debater.

– Olha só... temos uma menina corajosa. Que tocante, pena que não muda nada.

A respiração começou a ficar difícil e a garotinha tentou pegar a medalha que ficava pendurada na correntinha que trazia em seu pescoço. Era a imagem do anjo da guarda que sua mãe lhe deu dizendo que sempre estaria protegida, porém Paul segurou-a pelos braços e no momento seguinte a estaca cravou sob seu estômago atravessando a coluna vertebral. Ela gritou de dor e o sangue começou a escorrer abundantemente tingindo o chão de vermelho. Évora se aproximou com um boleador, um instrumento de ferro pequeno em formato de concha.

– Eu sou a última visão que você terá.

Enquanto a terrível feiticeira saboreava sua carnificina, Paul segurou a cabeça da menina firmemente, mas não pode conter sua curiosidade.

– Porque remover os olhos?

– As almas ficarão presas a este lugar. Arrancando os olhos elas viverão a eternidade na total escuridão, nunca poderão encontrar onde seus corpos foram mutilados e enterrados é isso que manterá sua casa escondida de tudo e de todos.

Sem mais demora Évora fez o que tinha que fazer. Recitando palavras em uma língua desconhecida, uma trilha de fios de sangue começou a se formar ligando os corpos das meninas que representavam os pontos cardeais. Como uma engrenagem sinistra a quantidade de fios trançados começou a se multiplicar vertiginosamente até virar um emaranhado sombrio. Um círculo foi erguido do chão e uma névoa negra cercou toda a casa. Figuras medonhas apareciam e desapareciam nas sombras... então braços de barro saíram do chão e puxaram os corpos para baixo deixando para fora apenas as pontas das estacas. Para findar o ritual Évora queimou os quatro pares de olhos em uma tigela e esperou até que só restassem cinzas. Quando não sobrou mais nada, nenhuma evidência do massacre a névoa desapareceu e a feiticeira saiu de seu transe, ela olhou para Paul.

– Está feito. Apenas eu e você podemos enxergar esta casa. Esse é o nosso segredinho... redutor.

Paul não gostou nem um pouco de ser lembrado que não passava de um morto vivo, mas tolerou porque no momento era muito conveniente.

– Está invisível?

– Sim, até para Ômega. E é por essa razão que quero que me dê a sua palavra de que se algo der errado para mim, eu poderei me esconder aqui por um tempo.

– Está em dúvida de que é capaz Évora? – e Paul sorriu sarcasticamente – Quer minha ajuda para elaborar um plano infalível?

– Tenho sua palavra ou não? – argumentou furiosamente – Caso contrário, desmancharei tudo que...

– Tem minha palavra, poderá ficar o tempo que quiser.

Paul afirmou convicto e também com a feliz descoberta de quê se Évora precisava de um lugar seguro para se esconder era porque a maldita definitivamente não era imortal.

Ele sorriu enquanto apertavam as mãos e selavam o acordo. A vagabunda estava com os dias contados.



Vishous estacionou o carro na garagem do Commodore e imediatamente materializou-se na varanda de sua cobertura. A lua brilhava no céu e a noite estava agradável, quente, mas agradável. As portas de correr estavam abertas, as cortinas escancaradas e o som da TV preenchia o ambiente.

Assim que Lisa colocou os olhos nele, levantou da cama e correu ao seu encontro, jogando-se contra V.

– Senti sua falta. Porque não me acordou?

Ele a ergueu do chão com facilidade e a beijou docemente, envolvendo seu corpo nu, em um abraço caloroso.

– Você estava dormindo tão gostoso – Vishous tinha um sorriso expresso em seu rosto e preocupações também – Não tive coragem de acordá-la e pensei que ainda estaria dormindo quando eu voltasse.

– Sendo assim, está perdoado – Ela deu um tapa em seu traseiro, apertando-o – Mas da próxima vez quero acordar do seu lado.

– Combinado, agora que tal entrarmos? Não quero que ninguém veja você nua.

– Por Deus... estamos na cobertura de um prédio e ele é bem alto, não acredito que alguém possa nos enxergar aqui em...

Mesmo assim ele a levou em seus braços para dentro do apartamento. Quando olhou para o filme que Lisa estava assistindo não conseguiu conter a indignação.

– Você só pode estar brincando.

– O quê? – ela apontou para a TV e disse provocando-o – Eu gosto e fala sobre sua raça.

Lisa não pôde conter o riso quando notou brotar uma pequena irritação no semblante de Vishous.

– Van Helsing, o caçador de monstros! Van Helsing fala sobre a minha raça?

– Bem... Drácula tem grandes caninos – ela deu um passo para trás, divertindo-se – e seus filhos nascem meio verdinhos e ainda podem voar.

– Você está realmente adorando me provocar, não é fêmea?

– Sim estou. Já imaginou... nosso filho... todo verdinho?

Enquanto ela continuava a sorrir, Vishous admirou-se em supor que Lisa gostaria de ter um filho com ele. Um filho.

– Você pensa em ter filhos?

A pergunta saiu mais dura do que ele realmente desejava, mas a verdade é que não suportaria passar para a próxima geração sua mão brilhante e suas visões cabalísticas recheadas de morte.

Ela sentiu a mudança em seu humor com uma rajada de frio que se espalhou pela cobertura. Uau, aquele era um assunto realmente delicado!

Talvez os sofrimentos vividos com seu pai ou o desprezo recebido por sua mãe o fizessem pensar daquela maneira. A verdade é que Lisa sabia muito bem que apesar de se amarem profundamente um relacionamento com Vishous não seria nada fácil. Ele sempre seria uma caixa de surpresas e ela deveria ser forte o bastante para saber quando é que tais caixas poderiam ser abertas e... claro, ela as abriaria, uma a uma... era só questão de tempo. Foi aí, no meio de seus devaneios, que notou o coldre com as adagas rodeando-lhe o peito. V. estava vestido para a luta.

– Porque está vestido assim? Antes que eu adormecesse me disse que estava de folga esta noite.

– Temos um problema.

– Temos? Nós temos?

Com uma preocupação latente ele se sentou na beirada da cama.

– Venha cá – abriu os braços chamando-a e ela caminhou ao seu encontro, sentando em seu colo – Ontem à noite Wrath foi procurado por uma mulher chamada Évora e ela se apresentou como feiticeira da Terra.

Lisa fechou os olhos com força. Os problemas e a realidade tinham voltado duramente ao seu mundo. Estar naquela cobertura com Vishous não a salvava de seu maldito destino.

– Ela está atrás de mim, não é?

– Ainda não sabemos. Meu Rei e a Irmandade estão indo ao encontro dela agora mesmo.

– E porque você não está com eles?

– Porque preciso levá-la para a mansão. Por enquanto, até que descubramos o que se passa, a mansão é o único lugar seguro para você.

Abraçando-a fortemente V. soube que a agonia que preenchia seu coração, agora também preenchia o dela e nada poderia ser feito para aplacar tal sentimento.

– Preciso me vestir – Ela se levantou e olhou para ele com coragem, depois tentou afastar os maus pensamentos com uma brincadeira – Você vai me dizer onde está meu vestido ou posso ir enrolada neste lençol?

Ele a puxou para perto e falou olhando em seus olhos.

– Vou cuidar de você, lellan. Vou protegê-la com minha vida.

– Eu nunca duvidei disso... eu confio em você e sei que estou segura ao seu lado.

Um beijo desesperado e profundo selou o momento, ou seria o juramento? Sim... a palavra juramento era a adequada. Ele morreria por ela sem vacilar, sem sequer pensar.

O destino é algo complexo e misterioso. Sem falar que poderíamos usar o adjetivo implacável. Quem ou o quê comanda o destino? Será que a frase:

Estar na hora errada e no lugar errado... foi criada pelas coincidências do destino? Outro exemplo também pode e deve ser citado:

O destino não manda sinais. Ele é sábio ou cruel para fazer tal coisa?

Pensar... pensar. O destino é um caminho tortuoso e obscuro. Nenhum ser vivo pode mudar a sucessão inevitável de fatos e ações que já foram traçados para sua mísera vida. O caminho é incerto... mas a dor e a morte são certas.

O destino controla a vida e a vida lhe é dada recheada de sorte ou de fatalismo ou de maldições.



A Mercedes SLR prata deslizava pelo negro asfalto da Rota 22. Dentro dela Vishous dirigia atentamente e Lisa encontrava-se aninhada ao corpo dele. Sua cabeça estava apoiada nos fortes ombros do macho e ela tinha uma mão pousada sobre o coldre e a outra estava entrelaçada com a dele sobre suas coxas.

A Rota 22 não era uma estrada movimentada, pelo contrário, deserta até demais e esse era um dos motivos que levou a construção da mansão da Irmandade naquele local. A floresta que ali estava incrustada era magnífica e protegida por lei.

Um Honda preto se aproximava rapidamente na outra pista e ao cruzar a Mercedes os instintos de Vishous foram disparados automaticamente ao mesmo tempo, que um cavalo de pau fazia o Honda girar noventa graus e se posicionar logo atrás começando uma caçada.

– Redutores! – Nem precisou olhar para Lisa para perceber seu medo – Não saia do carro, em hipótese alguma. Fique abaixada.

Enquanto ela se colocava em baixo do painel, a Mercedes foi estacionada no acostamento e V. saltou para fora do carro. Com movimentos rápidos posicionou-se atrás do Honda e atirou no motorista. O tiro foi certeiro e o carro desgovernado, capotou diante de seus olhos.

Porém além do motorista havia mais três redutores, um deles saiu praticamente inutilizado com as pernas quebradas e ossos expostos. V. não perdeu tempo e disparou acertando-lhe a cabeça. Não podia se dar ao luxo de cravar a adaga em seus peitos, faria isso quando tivesse atingido a todos, no final.

O vulto de outro carro saindo de um acesso secundário chamou sua atenção, porém estava a uma distância de um quilômetro e se agisse rápido o que sobraria era apenas apagar as memórias do humano que se aproximava.

Um tiro zuniu próximo ao seu ouvido. Virando-se para acertar o inimigo percebeu que os dois redutores que haviam sobrado tinham armado uma jogada. Enquanto um chamou sua atenção errando o tiro de propósito o outro disparou contra suas pernas. O primeiro tiro acertou-lhe a coxa direita e o segundo a parte inferior da perna esquerda.

Merda, a situação estava se complicando. Olhando para o chão Vishous percebeu que gasolina escorria do Honda capotado, formando um fluxo no chão que caminhava em sua direção. Só havia uma coisa a ser feita... e ele fez. Tirou sua luva e encostou sua mão brilhante no combustível que se acendeu ferozmente em uma labareda retornando para o tanque e explodindo o veículo.

O redutor que estava ao lado do carro e que o havia atingido foi incinerado imediatamente o outro foi arremessado longe, assim como V. devido ao impacto da explosão.

O carro que se aproximava era uma BMW e parou no acostamento próximo a Mercedes. Com o barulho, Lisa levantou a cabeça e olhou a cena perplexa procurando por Vishous. Não contendo sua ansiedade ela saiu do carro e o viu ajoelhado sobre o morto vivo, golpeavam-se e rolavam de um lado para o outro. Uma pistola automática estava jogada bem próxima a ela sobre o asfalto. Sem titubear Lisa a pegou.

Ficou na dúvida, com a arma em suas mãos. E se ela atirasse e acertasse Vishous? No meio de seus pensamentos outro tiro ecoou no ar.

De repente tudo ficou em câmera lenta. O tiro acertou as costas de V. Entrou pelo lado direito, pouco abaixo do ombro. Ela viu quando ele se arqueou recebendo o impacto do projétil e depois o redutor montou sobre ele aproveitando a situação para rodear seu pescoço com as mãos... mas quem efetuou o disparo?

Quando olhou para trás, para a direção da BMW avistou Paul com uma Glock nas mãos. Tudo foi tão rápido, uma fração de segundos... Lisa podia jurar que não levou mais que isso. E lá estava ele ao lado do redutor que estrangulava V.

Tranquilamente ele se abaixou e encostou o cano da automática na testa de Vishous.

– Lisa Hendrix é minha, maldito – Paul ia puxar o gatilho – Você perdeu.

– Não!

O grito demente e anormal chamou a atenção de todos e todos os olhares pousaram sobre ela.

Em pé, totalmente estagnada e com uma expressão vazia em seu rosto, Lisa empunhava a arma e a segurava fortemente contra si mesma. Pressionava a pele logo abaixo do queixo, voltada para cima... se apertasse o gatilho seria um disparo mortal.

– Afasta-se dele e mande seu amigo se afastar também.

A voz dela era ácida, leve e pausada. Nada de sentimentos, só determinação e Paul entendeu que pelo vampiro Lisa seria capaz de qualquer coisa, inclusive...

– Não... não faça isso – Paul gaguejou aterrorizado – Eu sou o homem certo para você, por favor solte a arma.

Com um puxão ele tirou o redutor de cima de Vishous, mas não afastou sua arma da cabeça de V.

– Ele é anormal, deve morrer – Pelo tom insano que Paul proferiu tais palavras, Lisa soube que não havia mais nada a ser feito – Ele quer tirar você de mim.

– Poupe-o.

– Não posso.

O sangue jorrava em grande volume pelas costas de Vishous denunciando que provavelmente o tiro tinha lhe atingido o pulmão. Ele respirava com dificuldade e seus olhares se cruzaram brevemente.

– Sou eu que você quer Paul. – O tom de Lisa mudou, ficou doce – Deixe-o vivo e eu irei com você. Se o matar eu puxo o gatilho e morro também.

– Não... – Murmurou V. tentando se levantar.

Os olhos raivosos de Paul caíram sobre o vampiro e a automática tremeu em sua mão.

– Não olhe para ele... olhe pra mim.

Quando ele virou o rosto novamente na direção dela, Lisa sorriu.

– Perca-se em mim, concentre-se em mim. Podemos ter uma vida juntos, só nós dois. Não o mate.

Paul gladeava solitário em seu interior.

Mate o vampiro, acabe com o desgraçado!...

Não... não faça isso. Vai perdê-la. Vai perder o amor da sua vida...

Puxe a porra do gatilho. Acabe logo com isso!...

Você já tem o lugar. Não seja estúpido...

Poupe-o hoje, leve-a com você e na próxima oportunidade MATE-O!

Forçando e tentando retornar ao momento presente ele escutou Lisa falando ao longe. A voz dela o despertou.

– Serei sua... somente sua, não atire. Por favor, querido. Não atire... não o mate.

– Não... Lisa... não...

– Cale a boca, vampiro. – a frase era quase inaudível, mas dura – Paul? Podemos ir?

Ela esticou a mão que não segurava a arma para ele, chamando-o.

– Sim – disse ele com um sorriso enorme no rosto – Sim e como prova do meu amor por você, não vou matá-lo.

Enquanto ela fixava um último olhar em seu verdadeiro amor que se encontrava deitado, ensanguentado e moribundo no asfalto, enquanto suprimia o desespero pelos ferimentos graves, enquanto segurava as lágrimas por ter que deixá-lo para trás naquele estado... Lisa se convencia que não havia qualquer outra escolha a ser feita.

O destino mostrou sua face. Apresentou-se da pior forma possível. Porém, tomando a decisão certa ela evitou o que era inevitável... ela conseguiu o impossível... ela salvou Vishous da morte.

Os olhos dele se fecharam quando Paul acertou uma forte coronhada em sua cabeça, privando-lhe os sentidos. Quando finalmente ele se afastou de V., Lisa baixou a arma que tinha apontada para si, largou-a no chão e começou a caminhar calmamente entrando na BMW.

O último ato de Paul, antes de entrar no carro e acelerar para o seu rancho foi meter uma bala na cabeça do redutor que lutou com Vishous.

... E não sobraram testemunhas!


Notas finais
Pronto! E então?
O que estão pensando sobre tudo que acabaram de ler?
O que sentiram?
O que fazer de hoje em diante?
Contem tudo!!!
Um grande beijo...
Fênix