Traga-me Para A Vida
24 Capítulo 23
Notas iniciais
Vamos a algumas explicações!
Esse capítulo é menor do que o de costume.
Primeiro porque trás o assunto Raghe/Gaya e eu não queria prolongar a dor de muitas de vocês.
Segundo porque revela o motivo de Lisa ser cobiçada por Ômega.
Então, mediante a esses dois temas tão delicados e tristes... sim triste é sem dúvida a palavra correta... eu não me aprofundei no sofrimento de Vishous.
Leiam com carinho e tentem me perdoar se em algum momento eu magoar alguém.
A cena com a Escolhida foi tão difícil de escrever como quando Paul tortura e mata aquela pobre fêmea (Kathy).
Esse capítulo vai em especial para Cristina, Claudinha e Daiane... o coração delas estava a ponto de sangrar por causa de Raghe e Mary! E do jeito delas... eu sei que se emocionaram, sofreram muito e torcem por esse casal tão fantástico... Então espero que as três me perdoem!
Muitos beijos.
Avançar, correr, transpor, passar... era isso que o tempo deveria estar fazendo, mas não! Arrastava-se perversamente vagaroso.
Três horas. Há apenas três horas Raghe tinha colocado seus olhos pela primeira vez na Escolhida e já tinha a conotação de lhe parecer uma eternidade. Com a desculpa de tomar banho entrou em seu quarto e não saiu mais.
As ondas sexuais tornavam-se cada vez mais fortes, mais angustiantes e apesar de estar rígido como uma pedra e ser bombardeado com poderosos impulsos ancestrais de um macho diante da necessidade de uma fêmea, ele não ousou cumprir seu papel.
O quarto que dividia com sua shellan agora lhe parecia uma prisão, uma verdadeira masmorra, precisa sair dali, precisa se afastar da Escolhida. Colocou um roupão em cima do corpo, tentando disfarçar a enorme ereção, apesar de estar vestindo uma calça de agasalho e uma camiseta de mangas curtas ambas pretas, decidiu sair em direção à cozinha.
Ninguém nos corredores. Não era de se estranhar, seus Irmãos deveriam estar dentro de suas companheiras tentando aliviar o...
Droga!...
Seus joelhos cederam por alguns segundos quando ele passou na frente do quarto onde se encontrava a fêmea. Não importava o quanto queria ficar afastado, os machos não conseguiam ignorar o período fértil. Lutou como se lutasse com um redutor para continuar em frente e... conseguiu. Realmente ficou até surpreso quando entrou na cozinha. Mas porque mesmo que ele foi até ali?
– Raghe?
A Rainha entrou logo atrás dele e cara... estava linda. Vestia o gigantesco roupão do Rei. Totalmente luminosa, o odor marcante de Wrath impregnava toda a sua pele, seus cabelos levemente desarrumados sugeriam que não era necessário penteá-los já que não durariam no lugar. Seus olhos estavam mais brilhantes do que nunca e pareciam transbordar de desejo e amor por seu hellren.
Raghe desabou literalmente... Aquela visão foi demais para ele, sentou e deixou que as pesadas lágrimas caíssem sem impedimento algum.
Beth sentou-se na cadeira ao lado e esperou. Permitiu que ele colocasse todo o seu desespero para fora e permaneceu ali sem questionar ou argumentar. Quando os soluços passaram de desesperança para quase murmúrios ela acariciou seus cabelos loiros tentando consolá-lo. Sabia exatamente o que ele estava pensando. Raghe viu Mary quando olhou para ela.
– Não posso...
– Sabe eu entendo Mary – Ela falou passivamente e com a voz extremamente baixa, forçando-o a ficar imóvel para ouvir as palavras – Quando ela olha pra você, ela vê exatamente o que eu vejo quando olho para Wrath. Um macho de valor, corajoso que está disposto a se sacrificar a qualquer momento por sua raça, mas ela sabe que esse macho é seu. Ele é o seu amor, seu companheiro, seu amante, seu hellren. Aquele que se transforma ao chegar em casa. Sim, porque depois que ele tira as roupas de couro e se desarma totalmente ele se converte no macho vinculado que é tão protetor e carinhoso. O homem que se entrega de corpo e alma a sua fêmea, que deixa transparecer sua fragilidade ou talvez seja vulnerabilidade porque sabe que seu segredo está seguro com a mulher que ele tanto ama. Então... se eu não pudesse ter filhos como Mary, pediria a Wrath que se deitasse com uma Escolhida e me desse um. Para que assim sua linhagem fosse perpetuada, para que assim eu segurasse em meus braços a sua continuação.
– Eu nem sequer falei com minha shellan sobre isso. Não tive coragem.
– Pra quê? Para lhe dizer que estará na cama da Escolhida daqui a alguns minutos? Será que isso é realmente importante nesse momento? Quando você lhe contar o que fez... ela saberá o quanto foi grande seu sacrifício.
Ele secou seu rosto com as mãos.
– Obrigada... obrigada minha Rainha.
– Não falei como sua Rainha, falei como sua amiga Raghe. Eu sei como está sendo difícil.
Ele lhe sorriu brevemente, levantou e saiu sem olhar para trás.
Caminhando pelos corredores pensou na palavra “calvário”, só conseguiu achar um sinônimo “sofrimento”... caramba, gostaria que Vishous estivesse ao seu lado. Ele com certeza citaria mais cinco ou seis... em cada idioma que sabia.
Parou em frente ao quarto e abriu a porta sem hesitar, fechando-a imediatamente ao entrar. Não havia luz alguma acesa, o ar estava saturado, impregnado, uma descomunal onda sexual o atingiu em cheio, seu corpo foi arremessado contra a porta, sua ereção pulsou fortemente e um rugido saiu de sua garganta. Já tinha ouvido falar que quanto mais exposto um macho ficasse ao cio de uma fêmea e não há servisse mais chegaria um momento que instintivamente não poderia se afastar... por esse motivo a situação tornava-se perigosa e alguns lutavam entre si. Não importava que a racionalidade de Raghe não quisesse tocar a Escolhida... os instintos primitivos que emanavam de seu corpo clamavam por possuí-la.
Gaya estava nua, deitada e encolhida em posição fetal no chão, em cima de um tapete. Entre as coxas ela apertava e torcia um travesseiro alucinadamente. No rosto transtornado a dor transparecia nitidamente. Gemia e tinha as presas alongadas perfurando o lábio inferior da sua boca, o sangue escorria pelo pescoço.
– Escolhida? Chamou ele enquanto acendia uma única vela no ambiente.
Ao ouvir a voz de Raghe, ela puxou o lençol e se cobriu e num esforço enorme colocou-se de pé fazendo-lhe uma reverência. Só que quando se curvou uma nova onda exalou de seu corpo e a única coisa que restou foi desabar de joelhos no chão abafando os gritos que exigiam sair.
– Perdão... meu amo. Não consigo... ficar...
– Eu sei.
Raghe já encontrava-se ao lado dela. Quando pousou suas mãos tentando levantá-la, teve a impressão que estava com febre alta, tamanha era sua quentura, mas então parou de raciocinar. Somente com aquele toque, Gaya foi presenteada com um orgasmo fortíssimo. Seu corpo convulsionou e um alívio momentâneo a tomou. Sentindo a paz ela imediatamente se achou na obrigação de agradecer.
– Meu amo, obrigado.
– Não fale. Eu não quero ouvir sua voz – Respondeu Raghe secamente.
Estava no limite, de um lado o macho pronto para tomá-la, possuí-la até a necessidade cessar, do outro o hellren apaixonado que havia prometido a sua amada nunca mais estar com fêmea alguma que não fosse Mary. A Escolhida o irritava profundamente. Sua beleza, seus olhos, seus traços perfeitos e tão parecidos com os dele, seu jeito de falar, sua delicadeza e seu cheiro que lembrava o desabrochar de rosas. Tudo fazia com que tivesse vontade de vomitar do mesmo modo quando a besta surgia e almoçava seus inimigos.
Ele a observou por uma fração de segundos então uma energia enorme se desprendeu do corpo dela. Não podia mais se conter, tinha que ser agora. Raghe montou sobre a loira e percebeu que ela não soltava o lençol. O que realmente era uma dádiva, pois não queria ter a visão do corpo nu.
Sem se importar com mais nada, ele retirou sua ereção de dentro da calça preta e se posicionou. Não pode deixar de notar como estava inchada e lubrificada. Assim seria mais fácil. Fechou seus olhos com força e ao deslizar para dentro da Escolhida seu pênis foi impedido de entrar por causa do hímem, mas em seu cérebro não se permitiu parar. Num ímpeto insano penetrou fundo com um único movimento alcançando o gozo imediatamente.
Durante um período de sete horas, treze minutos e oito segundos ficou montado sobre ela. Quando sua liberação acontecia Raghe olhava para o lado, para o teto, para as paredes e aguardava por uma nova onda de energia sexual. Cumpria seu papel e... esperava para começar novamente.
– Meu amo não pretendo ofendê-lo, mas necessito ir até o banheiro.
Ele balançou a cabeça e se retirou dela. Subiu suas calças e ouviu quando a Escolhida abriu o chuveiro. Deu graças por se encontrar sozinho. Começava a se sentir cansado e ela sequer tinha se alimentado. O que achou estranho por que o cio era basicamente uma necessidade de sexo e sangue. Largou seu corpo enorme de qualquer jeito em cima do tapete e tentou relaxar. Foi então que notou... algo estava errado... muito errado.
Gaya... Era Gaya. Podia ler sua grade emocional e ouvir seus pensamentos com perfeição. Estava totalmente destruída, para ser mais explícito... encontrava-se devastada! Assim como uma magnífica floresta cheia de cor e vida que no verão é queimada por completo num terrível incêndio, restando apenas o pó negro das cinzas. Não havia qualquer resquício de autoestima, de prazer, de dignidade.
Estava rezando... rezava a Virgem Escriba por perdão. Perdão por não ter o encantamento físico necessário e por não ser uma Ehros com capacidade para satisfazer sexualmente um macho poderoso como o Guerreiro com quem havia se deitado. Implorava misericórdia por ser indigna e causar-lhe tamanha repulsa e horror. Clamava para que fosse enviada outra de suas Irmãs, naquele exato momento, para ocupar seu lugar e servir dignamente o propósito do importante membro da Irmandade. Suplicava pela benevolência de poder voltar ao Santuário apenas para servir espiritualmente porque não conhecia nada nem ninguém no mundo onde estava e não aguentaria ser banida. Mesmo sabendo que era isso que merecia por despertar tamanha abominação.
Jesus Cristo, o que tinha feito a aquela fêmea? Tinha a tratado como se fosse uma vadia qualquer. Aquelas que ele pegava no One Eye e... mesmo assim não se lembrava detratar nenhuma com o desprezo que acabara de proporcionar a Escolhida. Naquele tempo ele curtia o sexo. Depois apagava a memória das humanas e seguia seu caminho. Portanto elas não se lembravam dele.
Não! Ele a tratou infinitamente pior. Não foi ela que veio até ele... ele a solicitou!
Raghe passou a mãos pelos cabelos enojado de si mesmo, então se deu conta que permanecia totalmente vestido. Não havia retirado nem o roupão que colocara para ir até a cozinha. A possuiu sobre o chão duro, em cima de um tapete nada macio e somente a tocou com suas mãos uma única vez. Depois pediu que virasse de costas e passou o restante das horas, montado sobre ela, sempre puxando o lençol para lhe cobrir o corpo e agradecendo por não precisar olhar em seu rosto. Apoiado com um dos braços na madeira maciça da cama que ficava ao lado para não perder o equilíbrio e ter que tocá-la, apenas movia os quadris para alcançar o obrigatório orgasmo enquanto seus olhos procuravam por qualquer coisa no quarto que não fosse à fêmea. E para fechar com chave de ouro toda essa merda... tirou-lhe a virgindade, sem sequer se preocupar se sentiria dor.
Tudo estava errado... principalmente a grande humilhação da Escolhida. Ele não passava de um grandessíssimo filho da puta estúpido. Levantou num pulo e foi ao encontro dela. Bateu na porta do banheiro antes de entrar.
– Gaya... posso entrar?
– Como desejar meu amo.
Estava encostada nos azulejos e olhar fixo ao chão. Não sabia ao certo o que o destino lhe reservava a seguir.
– Pode me perdoar? Preciso de seu perdão, Gaya! – E Raghe se ajoelhou aos seus pés.
– Pelo amor da Virgem, não faça isso. Sou imperfeita e totalmente inútil...
– Não, não é! Você é uma Escolhida, pertence à aristocracia. É digna, pura e era Inthocada... até... Eu não a tratei com o respeito e consideração que você merece.
– Por favor, amo não diga tais blasfêmias – A voz dela saiu embargada – É muito caridoso tentando assumir minha culpa e meu fracasso, serei eternamente grata por esse gesto complacente, mas eu não cumpri minhas obrigações. Dediquei minha vida a alcançar a perfeição e agora me certifico de que nada aprendi. Não tenho significância alguma, portanto não mereço suas belas palavras e sua brandura. Além...
Os hormônios se levantaram novamente no corpo de Gaya e suas pernas tremeram. Porém, antes de cair ao chão Raghe a amparou e tomou-lhe em seu colo.
– Deixe-me consertar meu erro, eu lhe imploro. Irá carregar meu filho em seu ventre fértil e abençoado.
Levou-a para o quarto, acomodando-a sobre a cama, beijou-lhe delicadamente a face e depois calmamente despiu-se por inteiro, revelando seu poderoso corpo. Músculos a mostra, a enorme ereção. Então novamente se ajoelhou.
– Gaya... Eu pedi por você. És uma dádiva concedida a mim e a criança que você gerará, fará com que minha vida e de minha shellan seja afortunada. Com todo o meu arrependimento peço que perdoe meu comportamento vil e pernicioso. Quero que saiba que a partir de agora eu lhe libero deste compromisso e você tem o direito de negar tal nascimento.
Ela estava completamente perplexa. É certo que não teve nenhuma inteiração com qualquer outro macho de sua espécie, mas sabia que a maioria não fazia tais reverências as suas companheiras. Um pedido de perdão tão sincero não podia ser negado.
– Meu amo, não há mágoa alguma. Eu jamais lhe negaria o nascimento de seu filho. Você me honra com sua proteção todas as noites quando sai para lutar e nunca pede nada em troca. E se o meu perdão agora, apesar de achar inapropriado e totalmente dispensável, aliviar seu coração, então eu o perdôo.
Lá estava Raghe mais uma vez com lágrimas nos olhos.
– Sábias palavras Escolhida.
Todas as luzes se acenderam e a Virgem Escriba pairava no ar.
Gaya imediatamente se curvou em sinal de respeito.
– Solte o manto que lhe cobre o corpo Escolhida. És bela e perfeita para escondê-lo deste Guerreiro.
Enquanto o manto ia ao chão, Raghe pensou que seria castigado e talvez perdesse Mary para sempre.
– Quanto a você Raghe, filho de Thorture, posso sentir seu arrependimento é só por esse motivo que não serás punido. Agora deite-se com Gaya e a possua com respeito como somente um macho valoroso faria. Posso ver que está ríhgido, digno de penetrá-la, sendo assim, sirva-a até o fim de sua necessidade e eu lhe concederei a concepção.
Uma onda de calor aterrador e insuportável assolou tomou o ambiente, o corpo de Raghe estremeceu diante do desejo e ele caiu ao chão. A vibração sexual emitida por Gaya foi tão forte que pela primeira vez ela gritou de dor se contorcendo, as janelas e as portas tremeram. As chamas das velas se levantaram até alcançarem uns trinta centímetros de altura. Por um único segundo o olhar azul de Gaya encontrou com o de Raghe, depois... não notaram quando a Virgem Escriba desapareceu.
No restaurante Paul e Lisa conversavam sem se aprofundar em detalhes pessoais, principalmente ela que ao acordar naquela manhã podia jurar que o cheiro de Vishous estava em seu quarto. Mas era claro que ele não tinha ido até sua casa e se fosse não sairia de lá sem falar com ela.
– Uma moeda por seus pensamentos.
– Nossa, me desculpe Paul. Por um momento me distraí e não prestei atenção no que você falou.
– Quem é ele?
– Como? – Ela chegou a se assustar com a pergunta direta.
– Esqueça, não é da minha conta. É só que às vezes eu a sinto triste.
– A vida não é um conto de fadas, portanto sou normal e tenho problemas.
– Isso não é novidade. Meus pais nunca me aceitaram, diziam que eu tinha uma maldade dentro de mim.
– O que disse?
– Já sei não estava prestando atenção...
– Paul, repita a parte da maldade.
– Sei que pra você deve ser difícil entender. Mas quando criança meu irmão era o certinho, o querido, enquanto eu era à sombra do mal. Foi aí que comecei a me afastar. Sempre esperei que eles se arrependessem de seus atos para comigo, então percebi que isso nunca aconteceria. Um ato de carinho da parte deles era pedir demais.
Cada um enxerga as coisas como lhe convêm, porém Paul jamais contaria a Lisa os detalhes sórdidos, ou seja, a verdade. Como por exemplo: jogava álcool em gatos e os queimava vivos, sempre fora egocêntrico, uma tarde ele simplesmente dopou seu irmão com os comprimidos para dormir de sua mãe chegando ao ponto de ter que ser socorrido com urgência, além de vender o próprio cachorro porque sabia que eu dia perderia a paciência com o animal e o estriparia. Tudo isso com apenas oito anos incompletos.
Na cabeça de Lisa ela começava a surtar. Imaginava se ele fora injustiçado como ela. Será que os pais dele também o tinham agredido? Como era possível em um mundo com sete bilhões de pessoas ela estar sentada em um restaurante com uma que padeceu do mesmo trauma que ela na infância? Coincidência ou destino?
– Entendo bem o que quer dizer, passei pela mesma coisa, só que sem a parte do irmão. Talvez nossos pais tivessem seus motivos, talvez eles não nos amassem.
– Veja só... tantas opções para termos algo em comum e logo isso? Só pode ser brincadeira?
– Você me disse que seus pais morreram recentemente.
– Sim, um acidente. Meu irmão também morreu.
Acidente que eu premeditei com maestria – Pensou ele feliz da vida.
– Que coisa triste.
– Que tal me falar um pouco de você?
– Não tenho muito para falar. Minha vida geralmente está estampada na capa de revistas de fofocas.
– Que tal se responder à pergunta que eu lhe fiz anteriormente – Ele sorriu dissimulando seus verdadeiros sentimentos: ciúmes – Quem é ele?
– Não há ninguém.
– Não acredito. – Rebateu com uma voz profunda.
– Não quero falar sobre isso. – Disse Lisa secamente.
Uma chama no interior de Paul se ascendeu. Tomando proporções gigantescas, labaredas pareciam se consumir. A mulher era do tipo durona, não se curvava e ele adorava esse seu jeito. Ele a desejava ferozmente e a teria de qualquer maneira.
– Deve ser um perfeito imbecil para machucá-la dessa forma. Ele a magoou tanto que você nem consegue falar sobre esse homem.
– Já disse que não quero falar sobre isso Paul, por favor.
– Tudo bem Lisa. Só não perca seu tempo esperando coisas impossíveis ou por pessoas que não a merecem. Às vezes o melhor a fazer é seguir em frente sem olhar para trás. – Nesse momento ele se transformou, olhou para ela com adoração. Como se no mundo só existissem os dois. Segurou a mão dela entre as suas e as palavras saíram mais amáveis do que ele desejava. – Dê uma chance a você mesma. Procure alguém para viver um amor que tenha mão dupla. Não vale a pena só amar e não ser amada é a mesma coisa que tentar acender uma fogueira no Pólo Norte... no começo sentirá aquele calor gostoso, depois o frio a envolverá de uma tal maneira que seus ossos nunca mais se livrarão desse maldito gelo.
Ela estava ficando bem irritada com o assunto ou será que Paul havia lhe dito exatamente o que ela não queria ouvir? Como um homem que a mal conhecia podia lhe oferecer palavras de consolo, enquanto que o que ela amava desesperadamente lhe magoava da maneira mais cruel? Lembrou de... Lassiter.
– Acho que já está na hora de ir. Obrigado pela companhia e pelo almoço Paul.
– Lisa, não quis ser desagradável. É só que me preocupo com você.
– Preocupação ou...
– Desejo? Sim muito, mas sou impotente. Então está segura comigo, só posso lhe oferecer minha amizade.
Isso foi a gota d`água que faltava para Lisa acreditar que Paul era sincero. Nenhum homem mentiria sobre sua virilidade.
– Paul... eu sinto...
– Não sinta por mim. Não estou acostumado a esse tipo de coisa. Na verdade se eu pudesse ter alguém em minha vida seria... alguém como você. Mas para mim isso não é mais possível.
– Não sei o que dizer.
– Não diga nada. Só me responda... que tal um jantar da próxima vez?
– Será a sua vez de escolher o restaurante.
– Não está entendendo...
– Claro que sim. Está me dizendo que não pode haver mais do que uma feiticeira no mundo.
– Garota você é muito burra. Se fosse esse o caso, não estaria respirando e nem em minha casa. Será que ser tratada a vida inteira como louca deixou seus neurônios idiotas?
– Eu não...
– Cale a boca! Gritou Évora.
Braços de barro com mãos poderosas saíram do chão e agarraram os tornozelos e os braços de Julia. Ela gritou apavorada.
– Tenha respeito por mim, sua insignificante. Acha que pode falar comigo dessa maneira? Sou Évora feiticeira da Terra, tenho mais de três mil anos e você não passa de uma mosca presa na teia de uma aranha. Acha realmente que se você ou Lisa Hendrix não fossem importantes e totalmente necessárias eu as procuraria para alguma coisa? Já estariam mortas, assim como fiz com todas que nasceram depois de mim e depois eu sugaria todos os poderes que você nem sabe que possuí.
Julia pensou ao ouvir tudo aquilo e admitiu que o melhor a fazer era escutar e assimilar a sua nova condição de vida o mais rápido possível.
– Por que precisa de mim? – Perguntou ela passivamente.
– Um grande mal se aproxima. A era das trevas, da escuridão. Eu dediquei a minha vida para exterminar mulheres marcadas como eu, feiticeiras. A maioria nem chegou há saber que era uma. O que eu mais temia era não conseguir matar a feiticeira do Fogo a tempo de conter a maldição.
– Eu não sou do Fogo, você mesmo disse.
– Mas Lisa é. E ela é a chave. Em breve terá domínio sobre a chama da divindade que brilha em todo ser vivo, ou seja, sobre as almas.
– Não estou entendendo.
–Eu lhe contarei tudo. É uma longa história, começarei a caminho do aeroporto. Vamos para Nova York. Vamos ao encontro de Lisa.
Paul entrou em seu apartamento com a pergunta não respondida ecoando em seu cérebro. Atordoado com aquele tipo de sentimentos.
Eu amo Lisa?
Claro que não... Nem coração, nem humano, nem sentimentos ele nutria por mais nada ou ninguém. Portanto era impossível...
Era impossível? Deveria ser, mas não era. Ele não só a amava como também a adorava e quando teve certeza de que ela amava outro homem sentiu ciúmes.
E agora? O que era apenas para ser uma noite com Lisa transformava-se em necessidade permanente. Ainda bem que seus superiores não sabiam que ela tinha regressado, isso lhe daria ainda algum tempo para pensar o que fazer.
- Geralmente mando que venham até mim.
Ômega.
Uma névoa sombria se concentrou diante do redutor assumindo forma de um homem. Vestia uma túnica branca. A temperatura caiu mais de vinte graus...
Imediatamente Paul se curvou, fazendo-lhe uma profunda saudação.
– Mestre.
– Então você quer matar seus superiores para se tornar o Redutor Principal e ainda quer tomar a humana para si.
Foi descoberto. Seus segredos... é claro que Ômega sabia de tudo, então era o seu fim.
– Você é surpreendente. Tão pouco tempo de iniciação e já tem planos tão grandes. Eu gosto disso.
– Gosta? – O sangue negro de Paul corria pelo seu corpo como se fosse fogo. A sensação era de que estava sendo incendiado de dentro pra fora.
– Da maior parte do seu plano. Aprecio sua profunda selvageria e bestialidade. Só não gosto da parte da desobediência.
– Mestre... não sei onde desobed...
– Lisa Hendrix. Eu ordenei que fosse trazida até mim. Será que você se esqueceu?
– Não. Eu vou levá-la.
– Então porque não aproveitou a chance que teve hoje?
Não havia resposta para ser dada, a única em sua mente, Paul não ousaria pronunciar.
– Ela é especial? É isso que você pensa?
–Sim. – Ele respondeu e baixou os olhos.
– Eu também. Ela é tão especial que terá o prazer de ter um filho meu.
Paul olhou surpreso, mas não disse nada. Qualquer falha ocasionaria em sua morte imediata.
– Os quatro elementos: Fogo, ar, água e terra. O equilíbrio. Esperei pacientemente por esse dia.
– Não entendo o que quer dizer, Mestre.
– Traga-a para mim e você alcançara seu posto. Mate quem precisar, quem ousar ficar em seu caminho. Eu a possuirei e ela me dará um filho. Ele reinará sobre a Terra, supremo. Ninguém o desafiará porque seu poder será ilimitado. Ele controlará a tudo e a todos. Será o começo de uma nova era. Sem inimigos, sem a Virgem Escriba, sem nenhum vampiro vivo. Será o extermínio dessa raça maldita.
Pela primeira vez na vida Paul sentiu medo!
Notas finais
O que me dizem, depois de terem descoberto o motivo de Ômega?
E Raghe?
Contem
tudinho....
bjs.
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