Traga-me Para A Vida
23 Capítulo 22
Notas iniciais
Quanto tempo, heim! É realmente em me enrolei toda essa semana, muito trabalho, muita correria... sem falar no alto índice de stress que eu me encontro. Nossa... tem dias que me sinto carregando uma tonelada sobre os ombros.
Mas, vocês não têm nada com isso. Pelo contrário, vocês são a minha motivação para escrever e escrever!
Sempre tão generosas em seus comentários. Sempre com palavras de incentivo e sempre tão anciosas pela continuação... então aqui está o novo capítulo.
Fico na torcida pelos rewvies e também para saber o que acham que vai acontecer...
Boa leitura.
bjs.
V. já tinha esmurrado Raghe e também feito às pazes com o cara, já tinha se acabado na esteira, já tinha tomado dois banhos, um seguido do outro e também fumado uns mil cigarros. Nada, nada era capaz de acalmá-lo.
Sentindo-se preso dentro de sua própria pele, seu corpo queimava e estava tão tenso que seu pescoço doía como se tivesse “puxado ferro” na academia sem ter nenhuma experiência com pesos ou os aparelhos.
Para tentar se distrair sentou em frente ao computador e começou a pesquisar sobre qualquer coisa... infelizmente tudo terminava em Lisa Hendrix. Videoclipes, notícias, fofocas, fotos, comerciais... Porra!
As palavras ditas por Lisa se repetiam em sua cabeça como um martelo batendo em cima de pregos, só que aparentavam ser milhares de pregos.
Eu sempre soube que você sabia ser cruel...
Você tem toda razão... mas eu ainda prefiro ser o fodido da história a ser quem fode!
Parabéns, dessa vez você realmente se superou! A consciência tinha chegado tardia e Vishous não aguentava sequer olhar seu reflexo no espelho. Ela havia compartilhado seu maior segredo, segredo? Não... sua maior culpa. O momento exato onde ela deixou de ser ingênua e acreditar em contos de fadas para encarar a realidade da pior forma possível.
– E aí gênio, o que está pesquisando?
Butch e Marissa saíam do quarto. A bela loira como sempre estava impecavelmente vestida com um de seus elegantes terninhos Chanel ou seria Yves Saint Laurent? A cor azul marinho contrastava com sua pele alva e acentuava ainda mais seus lindos olhos azuis claros.
– Vou procurar por Beth, ela está me esperando.
– Ok, linda.
Butch a beijou puxando-a contra o seu corpo e descendo a mão deu-lhe um tapinha no traseiro.
– Já estou com saudade.
– Posso sentir – Disse ela em seu ouvido, enquanto uma ereção se pronunciava contra sua saia – Como adoro isso... nos vemos mais tarde. Tchau V.
Vishous não respondeu, só acenou com a mão.
Assim que ela cruzou a porta de saída, Butch já tinha em sua cabeça a conversa que teria com seu amigo mal humorado.
– Então, meu camarada vai atrás dela?
V. parou de teclar e olhou sobre seus ombros, não acreditando na pergunta.
– Qual foi a parte de “Lisa foi embora por livre escolha” que você ainda não entendeu, tira?
– Que tal aquela que fala sobre três mil dólares? Eu escuto bem.
Isso doeu. Esse era o ponto que Vishous não queria tocar. Não falaria sobre a maldita coisa nem com Butch, nem com ninguém.
– Qual é? Lisa não precisa de grana, então você não emprestou dinheiro – Ele se sentou no sofá de couro e se serviu de uma dose de Lavagulin – Prostituição. Ela era bem mais jovem talvez adolescente e foi para sobreviver.
Vishous perdeu a concentração, tudo se tornou escuro, não conseguia enxergar a tela do monitor que estava a sua frente. Reagiu ao instinto e estava em cima de Butch segurando-o pelo pescoço com as duas mãos.
– Cala a boca! Silvou ele.
Butch mostrou as pressas e deferiu um golpe em V.apenas para afastá-lo, atirando-o ao chão.
– Vai me bater, igual fez com Raghe? – Falou furiosamente – Porque se isso o fizer se sentir melhor da merda que disse a ela, tudo bem. Pode vir imbecil.
V. ergueu a cabeça e deixou o corpo cair novamente sobre o tapete da sala.
– Não sei lidar com isso – Falou com desespero – Não consigo parar de pensar nela e isso está me deixando louco.
– Que merda Vishous, eu estou certo não é? Quanto ao lance do dinheiro?
– Ela fugiu do orfanato... não tinha onde morar... vendeu sua virgindade. Cara, eu me sinto péssimo.
– Jesus Cristo!
Butch trazia os olhos arregalados e exibia um semblante de total perplexidade.
– Preciso fumar e também de muita vodca. Disse V. se levantando do chão e caminhando em direção a cozinha para pegar mais uma garrafa de Goose.
– Você tem que falar com ela, amigo. Desta vez você pisou feio na bola. Porra, tudo... poderia ter lhe dito tudo, menos isso. Aonde estava com a cabeça?
O relógio do tira apitou avisando que mais uma hora havia se passado. Eram quatro horas da tarde coincidentemente foi nesse momento que o Audi preto da Rainha parou em frente aos portões da mansão. Nos computadores potentes que controlavam todo o sistema de segurança, uma das câmeras captou o movimento, posicionando-se e com um zoom certeiro mostrou perfeitamente quando Lassiter digitou o código, então ele virou seu rosto exibindo um grande sorriso e mandou um beijo pra câmera.
– Filho da puta – Xingou Vishous – Volta só agora e ainda me provoca.
– Cara, ele nem sabe que você está em frente a essas máquinas, relaxa.
– O cacete que não sabe Butch. Esse anjo tem o dom de me tirar do sério.
– Se pensa dessa forma, deveria ir falar com ele. Saber o que rolou na casa de...
– Nem pensar, não vou falar sobre Lisa com esse idiota e papo encerrado.
As portas foram escancaradas e lá estava Lassiter entrando no Buraco.
– Vim jogar pebolim, alguém afim?
Butch balançou a cabeça negativamente, V. nem se dignou a responder.
– Não provoca Lassiter, meu camarada está de mau humor.
– Se eu fosse ele também estaria. E aí Vishous, beleza?
Ele se sentou no sofá ao lado de Butch e esparramou o corpo, apoiando os coturnos em cima da mesinha de centro.
Silêncio.
– Essa TV fica sempre no canal de esportes? Tem coisa melhor pra se assistir nesse horário.
E lá estava Vishous se remoendo. Tinha tantas coisas para perguntar, queria saber se ela estava bem, se tinham conversado sobre o acontecido e porque o anjo tinha demorado tanto para voltar. Mas ele apenas se virou e voltou para seus computadores, ignorando Lassiter.
– Está checando a segurança do complexo? Perguntou o anjo.
– Sim, porque está preocupado? Com seus inimigos?
– Nem um pouco, sei que esta casa é uma fortaleza. Já o código que digitei para abrir os portões da casa da Lisa eram 23452345.
Vishous virou-se em direção a Lassiter aterrorizado. Se não fosse dia, provavelmente estaria materializado em frente à casa de Lisa e lhe daria um sermão sobre... sobre nada, afinal não tinha esse direito.
– O quê?
– Calma, vampiro. Todos os códigos, sem exceção foram trocados e o número de seguranças foi dobrado. Ela e Mary ficarão bem, além disso, aquele tal de Nick é um osso duro de roer, parece até um pitbull. E possuí um par de pistolas Glock a disposição.
– Obrigado – V. fechou os olhos e apoiou os cotovelos nos joelhos sustentando a cabeça – Droga, sinto muito.
Butch e Lassiter trocaram olhares significativos.
– Fale você... eu já gastei todo o meu vocabulário. Praguejou o tira.
– Não precisa falar de novo, cara – Lassiter olhou para V. que se manteve na mesma posição – Sabe, eu disse a ela. Disse que você não passa de um vampiro arrogante e chato, mas definitivamente aquela mestiça está muito apaixonada. Ela nem sequer ouviu quando sugeri que escolhesse melhor seu namorado.
V. não respondeu, mas rosnou. Então Lassiter continuou com seu discurso.
– Qual é o seu problema? Porra, você fala dezesseis idiomas e não consegue dizer pra ela que a ama? Já pensou em fazer terapia? Isso é o que dá ficar assistindo somente a canais de esporte...
Ainda falando o anjo se levantou do sofá em direção a porta de saída.
– Se quer saber, alguma coisa se quebrou dentro dela. Acho que ela não tem mais esperança e com certeza você a contaminou com sua frieza... Deveria ter a ouvido falando com Nick e depois com alguns dos empregados. Sei que um macho deve manter as aparências e por aqui vocês são o exemplo perfeito, destemidos e transbordando testosterona até quando jogam bilhar. Porém Lisa precisa de você.
– Foi ela quem partiu, eu estou onde sempre estive. Disse V. tristemente.
– Você é doente sabia? Ou talvez não passe de um cretino teimoso. Vai perder a melhor coisa que já aconteceu na sua vida e não estou falando do policial aqui – Ele apontou para Butch – Tudo bem, nem sempre as coisas são como deveriam ser. A propósito, ela sabe cozinhar, fez uma carne assada recheada pro almoço simplesmente divina. Pense nisso, se bem que na minha opinião você merece sofrer.
E ele saiu caminhando em direção a mansão.
– Por aqui Doutora Wytte.
A bonita loira, usava óculos com armação de casco de tartaruga que a deixavam com cara de intelectual e cabelos presos em um perfeito coque. Andava pelos corredores brancos e monótonos ao lado do enfermeiro barrigudo que fazia de tudo para cair em suas graças e lucrar alguma mordomia com isso, como por exemplo, se livrar da escala noturna. A mulher era lindíssima, mas ele jamais se atreveria a ultrapassar os limites do profissional, não podia perder aquele emprego e lidar com crianças e adolescentes “pirados” não era de todo ruim. Afinal se ele fosse negligente quem notaria?
– Aqui, este é o quarto dela. Disse o homem abrindo a porta.
– Obrigado.
Assim que cruzou o batente percebeu que havia alguma coisa errada. A garota dormia profundamente, porém estava amarrada a cama. Seus pulsos e tornozelos vermelhos e esfolados denunciavam os maus tratos juntamente com as gotas de sangue no lençol.
– Pra que tudo isso? Solte-a e depois saia desse quarto, não quer que ela acorde e volte a ter outra crise, olhando para a pessoa que a prendeu. De agora em diante eu assumo.
– Só aconteceu isso porque ela é perigosa Dr. Wytte.
– Perigosa pra quem? Ela não deve pesar mais do que quarenta quilos, portanto pode ser facilmente contida. Ainda mais por você que deve ter quase três vezes o peso dela.
– O Doutor Boris era muito cauteloso, ele tinha certeza de que ela era capaz de matar, por isso...
– Sei o que ele pensava, li as observações no prontuário dessa jovem. Agora se já terminou saia.
– Ok. Pode ser que ela não acorde devido as altas doses de...
– Medicamento, sim eu também sei disso. Ela apontou para a porta.
O enfermeiro com cara de rato saiu contrariado, mas obedeceu a ordem da médica.
Aproximando-se da paciente ela tocou-lhe o meio da testa com os dedos indicador e médio juntos e pronunciou em latim.
– Hodie mihi, cras tibi. Eviligare!
Tradução: (Hoje para mim, amanhã para ti. Desperta!)
Julia abriu seus olhos tranquilamente como se despertasse de um sono relaxante e fortalecedor. Não reconhecia a mulher que estava a sua frente, então deduziu que talvez...
– Por quanto tempo eu dormi? Disse ainda sonolenta.
– Dois dias. E você acertou novamente, seu médico está morto. Morreu em um assalto, baleado.
– Como... Você acredita em mim?
– Claro que sim Julia. Você é uma feiticeira como eu.
A loira soltou os cabelos que lhe caíram pesadamente sobre os ombros e também sobre as costas, tirou os óculos jogando-os em cima da mesa e se sentou ao pé da cama.
– Odeio essas coisas esteriotipadas dos humanos. Tentando sempre passar uma imagem que não são, por isso é tão fácil enganá-los. Só enxergam o que querem ver. Então... pergunte, o que quer saber e seja rápida, não temos muito tempo.
– Você é mais louca do que eu, não existem feiticeiras, bruxas ou...
– Tem certeza? Então me responda por que você sabe quando as pessoas vão morrer e sente a enorme necessidade de avisá-las, mesmo sabendo que não adianta nada?
– Eu...
– Porque fazendo isso pode salvar sua alma do inferno. Se simplesmente se calar ao presságio sente-se como se fosse cúmplice da morte, então você avisa os humanos e eles em sua estúpida ignorância a tomam por louca. Eu sei como é, há muito tempo atrás eu também era ingênua como você. Uma perfeita idiota.
A estonteante loira, falava calmamente e demonstrava ter pouca ou quase nenhuma paciência com os chamados “humanos”. Julia não admitia tal possibilidade.
– Não quer que eu acredite nessa história, quer?
– Sei tudo sobre você. Nasceu em oito de novembro de 1996 e nesse dia cem mil pessoas morreram na China por causa da passagem de um ciclone, a maioria delas afogadas. Seu elemento é a água. Você o dominará plenamente com o passar do tempo. Eu posso sentir quando uma feiticeira nasce Julia e todas nós temos direta ou indiretamente algum tipo de ligação umas com as outras.
– Isso não existe.
– Existe! Porque procura por Lisa Hendrix?
– Isso está na minha ficha? O Dr. Boris...
– Lisa Hendrix é uma feiticeira, assim como nós e se você quiser salvá-la terá que acreditar em mim e sair daqui agora.
– Mas...
– O que decide? Vem ou não? Sou sua única chance de sobrevivência e liberdade a não ser que queira terminar seus dias no manicômio da cidade, por que seu ex-médico já fez a recomendação.
Ela se levantou e colocou a mão dentro do bolso do jaleco branco que usava, enquanto esperava pela resposta de Julia.
– Como é garota? Não tenho a tarde toda. Quer a verdade? Venha comigo é pegar ou largar.
Assustada com a possibilidade de nunca mais sair de um manicômio em sua vida, Julia não hesitou.
– Sim. Eu irei.
– Ótimo, a propósito meu nome é Évora. Agora para tirar você daqui, preciso de um fio do seu cabelo e uma gota de sangue.
– O que vai fazer?
Tirando a mão que estava dentro do bolso do jaleco Évora segurava o que parecia ser um dedo e uma agulha.
– Me escute, sei que isso não vai ser fácil pra você, mas precisa confiar em mim.
Arrancou um fio do cabelo preto de Julia e o enrolou no dedo sem vida, depois com a agulha furou o dedo indicador da mão esquerda de Julia e quando a gota vermelha apareceu ela aproximou o dedo com o fio enrolado e o esfregou no sangue.
– Qualis vita, finis ita!
Tradução: (Tal vida, tal morte)
Espantosamente o dedo começou a passar por uma transformação, crescendo rapidamente. Évora o colocou em cima da cama e uma massa cor de pele surgiu e formou um corpo humano, ou melhor, uma cópia de Julia estava deitada sobre a cama. Só que morta.
– Você morreu para todos desta instituição e também para o mundo, está livre. Sairá pela porta da frente sem nenhum problema. Ah... outra coisa, não olhe no espelho porque no momento você assumiu a fisionomia da dona desse dedo, esse feitiço vai durar até que enterrarem esse corpo. Tem alguma roupa que você possa vestir?
– Estão no armário.
– Ótimo, pegue uma calça e uma camiseta, nada que chame muito a atenção, cores neutras. Quando sair, vire a direita e ande até a primeira esquina, encontrará estacionado um Volvo preto de placa 45-89-XP. Espere-me ali que eu logo chegarei. Vou ter que lidar com sua a burocracia da sua morte e com todos desse lugar.
– Posso lhe fazer uma pergunta?
Évora sorriu já sabendo do que se tratava.
– Não precisa se preocupar. A dona desse dedo não vai precisar mais dele. Eu a matei antes de vir buscá-la. Agora vá e seja rápida. Estamos perdendo tempo.
– Vou dar uma saidinha rápida e volto em menos de uma hora.
Lisa se levantou da poltrona que estava sentada no quarto de hóspedes que foi cedido para acomodar Mary. Depois de uma longa conversa com a amiga e com Lassiter durante o almoço suas forças pareciam começar a voltar para enfrentar a dura realidade da sua vida.
– Não se preocupe comigo Lisa. Eu estou bem.
– Não, não está e eu também não. É por isso que volto logo. Só vou conversar com Bob. Fazer uma surpresa, dizer que voltei. Se precisar de algo, qualquer coisa chame Anne.
– Vai levar Nick com você?
– Não. Quero ficar um pouco sozinha e dirigir me fará bem.
– Deveria ir com ele.
Sem querer dar mais explicações, caminhou até a porta.
– Volto rápido prometo.
Lisa desceu as escadas correndo, passou pela sala e atravessou o jardim. Chegando a garagem escolheu o carro com os vidros mais escuros, assim ninguém saberia quem estava ao volante.
Abriu a porta da Pajero Dakar blindada e...
– Vai sair sozinha? Perguntou Nick.
– Sim.
Ela entrou no carro. Nick se aproximou e parou do lado da porta do motorista, ele bateu levemente no vidro. Lisa não teve coragem de ignorá-lo e baixou o vidro.
– Olha, sei que está chateada comigo e talvez eu tenha passado dos limites, mas só fiz isso... droga, me preocupo com você.
Lisa fez um sinal com a mão para que ele se calasse e saiu do carro.
– Sinto muito por ter sido tão estúpida e prepotente. Gostaria de poder sentar com você e com Anne e contar tudo que aconteceu. Só que não posso. Isso não vai acontecer, nunca ouvirá uma palavra de minha boca com relação a...
– Você o ama?
A pergunta lhe pegou desprevenida, sentiu até um certo ardor nos olhos como se lágrimas quisessem rolar. Lisa respirou profundamente. O cheiro do jardim chegou as suas narinas e ela se sentiu ainda mais solitária. Será que nunca mostraria a Vishous as lindas flores, a beleza que era seu jardim? Nunca nadaria com ele em sua piscina? Eram coisas tão fáceis de serem realizadas para um casal comum... mas eles não eram um casal comum, estavam marcados para viverem sós e enclausurados em suas próprias mágoas e pecados.
– Mais do que amo minha própria vida. Disse ela praticamente murmurando.
Nick abriu a porta de trás do carro.
– Entre. Não farei mais nenhum questionamento, se você não pode falar respeitarei sua decisão, mas, por favor, não saia sozinha. Permita que eu dirija, ainda sou seu segurança pessoal.
– Está enganado. É bem mais que isso, é um irmão pra mim.
Balançando a cabeça ela entrou no carro e deixou que a levasse até o escritório de Bob.
A viagem não foi divertida. Lisa lhe explicou o que podia e nada mais. Na maior parte do percurso ficou calada perdida entre o futuro sombrio que a espreitava e a massacrante saudade de Vishous. Não reparou nas movimentadas ruas e tão pouco que já se encontrava na garagem do luxuoso prédio da “Quinta avenida”.
Entraram no elevador e subiram até o vigésimo sétimo andar ainda medindo as palavras.
– Sua amiga Mary, vai ficar conosco muito tempo?
– O tempo que for necessário e não comente isso com Bob.
– Com ele eu não comento nada. Sempre disse a você que não confio nele.
– É verdade.
As portas se abriram e a secretária de Bob, Jeniffer veio ao seu encontro rapidamente.
– Lisa que maravilha revê-la. Como está? Descansou em suas férias?
– Bob está? Lisa não estava para conversas, portanto foi direta.
– Claro. Só vou avisá-lo de sua presença porque está com um amigo na sala, mas volto já. Deseja uma água ou...
– Só o avise, obrigado.
A secretária ia se afastando quando Lisa mudou de idéia.
– Jeniffer, espere. Pode deixar que eu mesma me anuncio. Quero lhe fazer uma surpresa.
– Mas...
– Não se preocupe, somos íntimos. Não há nada que ele possa estar fazendo dentro daquela sala que eu já não tenha visto antes.
Passando por Nick, Lisa olhou pra ele e disse baixinho.
– Um amigo ou fornecedor de drogas? E sorriu com um sarcasmo assustador.
Aproximou-se da porta abrindo-a enfaticamente e “bingo”! Bob aspirava uma carreira de cocaína.
– Olá Bob! Disse despreocupadamente.
– Deus do Céu... Lisa, quer me causar um enfarte?
Ela caminhou sensualmente na direção dele. Vestia uma calça jeans levemente surrada e em alguns pontos rasgada, uma camiseta preta de mangas curtas colada ao corpo e sapatos pretos bico fino, salto agulha. Seus cabelos estavam soltos e até um pouco rebeldes o que lhe acentuava ainda mais seu ar fascinante.
– Eu vou lhe causar um enfarte? Não seja dramático. O que vai fazer isso são essas carreiras branquinhas em cima da sua mesa.
– Eu sou forte, garota. Isso é só pra descontrair. Então a diva voltou?
– Sim.
Saindo de trás de sua mesa Bob abriu os braços.
– Venha cá, deixe-me abraçá-la, afinal senti saudades.
– Eu sei que não sentiu, mas mesmo assim aceitarei o abraço.
Bob ignorou, ou melhor, esqueceu completamente o homem que estava sentado em sua sala, apesar do “presentinho” que tinha acabado de ganhar e experimentar do sujeito. Pó da mais alta qualidade, puro e cristalino.
Abraçou Lisa e parecia realmente feliz com seu retorno.
– Como você está?
– Estou bem e você não tem educação. Quem é seu amigo?
– Merda, esqueci completamente, você me deixa atordoado. Isso acontece desde Chicago, quando coloquei meus olhos em você pela primeira vez.
Bob tinha dessas coisas. Sempre cutucando o passado. Era o método infalível de manter Lisa sob controle. Ela tinha vergonha e dor sobre o que tinha vivido e ele sabia como tirar proveito disso.
– Sei, eu sei muito bem. Então?
– Lisa quero que conheça meu amigo Paul. Paul essa é a talentosa e extraordinária Lisa Hendrix.
Mas é claro que ele sabia quem ela era. Era a mulher pela qual ele tinha um objetivo para continuar vivendo... teoricamente, ele não estava vivo, mas Lisa não precisava saber disso, pelo menos não agora! Tudo viria com o tempo.
O homem atlético de olhos verdes se levantou e educadamente a cumprimentou, estendo a mão.
– Como vai Lisa? É um prazer conhecê-la.
– Olá Paul.
Aceitando o comprimento as mãos se tocaram e Paul tremeu por dentro. Aquela sensação o deixou embriagado. Desde que havia se transformado em um morto vivo nada lhe proporcionava emoção. Com exceção de matar... mas aquele toque na pele dela... ele poderia jurar que chegava a ser um enternecimento de todos os seus sentidos juntos.
– Desculpe por isso – Ele apontou para a droga, fingindo ficar sem graça – Não sou traficante, eu apenas...
– O que é isso Paul? Não precisa se explicar, afinal Lisa não é uma garota ingênua. Ela já curtiu muito desse pó.
Bob voltou a cutucar uma das feridas de Lisa, só que desta vez ele não esperava o repúdio.
– Você não deveria falar dessa maneira – Paul olhou para Bob com tamanho ódio que o empresário pode sentir – Não tem medo de perder sua galinha dos ovos de ouro? Está sendo grosseiro e muito desagradável. Afinal cocaína não é um assunto a ser compartilhado com estranhos como eu, é íntimo. Sua observação foi totalmente desnecessária. Principalmente na frente dela.
Dito isso os olhos de Paul ainda continuaram em cima de Bob e o redutor pode sentir o medo que percorria o corpo do humano. Lisa concentrou-se em “ler” no subconsciente algo sobre o homem que a defendia tão duramente, mas assim como aconteceu com Lassiter ela não conseguiu. Só havia escuridão e uma ponta de maldade.
Era isso mesmo? Não, desta vez estava enganada. Não podia ser maldade, talvez alguma dor, não... deveria ser culpa por arrumar a cocaína... sim, só podia ser isso.
– Essa amizade de vocês não vai durar – Falou Lisa ironicamente – Seu amigo é muito gentil me defendendo e você não gosta disso, você não passa de um grosso. Obrigada mesmo assim Paul.
Antes que Bob conseguisse responder, Paul interveio.
– Que tal me agradecer almoçando comigo amanhã?
– Já entendi, mas...
– Não, na verdade não entendeu Lisa. É só um almoço, não estou lhe passando uma cantada. Ainda estou de luto pela morte trágica dos meus pais que ocorreu há cerca de seis meses. Acredite foi apenas um convite para espairecer a minha cabeça, mas eu compreendo sua atitude, você deve ser muito assediada e o assédio na maioria das vezes não é bem-vindo.
– Deus... eu sinto muito Paul. Foi grosseiro da minha parte...
– Está tudo bem. Agora vou deixar vocês dois conversarem a sós. Nos vemos por aí.
Ele caminhou até a saída pensando em quando teria outra oportunidade como aquela, mas de forma alguma tomaria uma atitude precipitada.
– Paul, espere.
Ele parou não acreditando estar ouvindo a voz de Lisa, voltou-se para ela totalmente entusiasmado e tentou disfarçar seus sentimentos.
– Um almoço é uma boa ideia, também preciso espairecer.
– Escolha o restaurante e o horário – Ele pegou uma folha de papel enquanto esboçava um enorme sorriso, anotou algo e entregou a Lisa – Tome, esse é meu telefone, me ligue e eu irei encontrá-la como um amigo. É uma promessa. Até amanhã.
– Ok.
Enquanto Paul deixava o escritório, Bob já sabia o que dizer.
– Ele é um bom garoto.
– Bob, vamos ao que interessa. Vim tratar de negócios e não de encontros.
O tom da voz mudou, dura e direta.
– Que bom isso é realmente ótimo, porque tenho várias propostas interessantes.
– Imagino. Porém todas essas propostas interessantes, sejam elas quais forem, precisam ser agendadas para um prazo menor de trinta dias.
– Como assim? Algumas são impossíveis.
– Então não conte comigo.
– E você poderia me explicar o porquê?
– Estou de partida para a Europa e ficarei por lá. Talvez até fixe residência permanente. Não tenho mais nada que me prenda em Nova York e já está decidido, não voltarei atrás. Se quiser continuar sendo meu empresário essas são as novas regras. Caso contrário...
– O que deu em você? Europa? E porque esse tom de voz?
Lisa não pedia, mandava e assim tinha deixado Bob totalmente perplexo. Nada daquela garota bobinha que tinha medo dele e de suas palavras amargas e azedas.
– Esse será o tom que você ouvirá daqui pra frente. É uma decisão que eu deveria ter tomado há muito tempo, mas agora não será mais adiada – Ela se levantou – Portanto não precisa argumentar, não vou escutar nada que venha de você. Seus conselhos e ordens não fazem mais parte desse nosso novo relacionamento. Você quer dinheiro e eu lhe dou e dou muito, então daqui pra frente quem dá as cartas sou eu. A última palavra é minha. Se não gostar de alguma coisa aguente calado ou simplesmente caia fora. Fui clara?
– Que mudanç...
– Fui clara? Perguntou elevando a voz.
– Totalmente.
A noite tinha sido proveitosa. Nenhum... nenhum Guerreiro ferido gravemente e quase vinte e cinco redutores mortos. Butch ocupava totalmente o banco de traz do Escade juntamente com Vishous. O tira estava tão mal que pediram para Raghe dirigir de volta à mansão. Aquela era a segunda sessão de cura da noite.
A mão incandescente de Vishous estava pousada sobre o peito de seu amigo, na altura do coração e suas pernas estavam entrelaçadas como sempre acontecia. V. podia sentir o mal deixando o corpo do tira lentamente e com o passar dos segundos sua recuperação era cada vez mais nítida.
A vida era uma montanha russa muito louca. Ele pensou comparando o que sentia por Butch até dez dias atrás com o que sentia naquele exato minuto. E tudo o que podia sentir era a falta de sua fêmea. Porque não se permitiu agir diferente? Porque simplesmente não aproveitou para amar?
Ele a chamou de lellan, mas nunca disse que a amava com todas as letras. Não ... ele não disse a tão famosa frase “Eu te amo”, nem mesmo quando ela pronunciou... a verdade é que ele não estava pronto para amar ou pior ser amado. Sua vida se tornara uma sucessão de maldades e descasos e sexo sem compromisso. A única coisa que ele realmente tinha era a luta.
Raghe olhou pelo retrovisor e viu a melhora na cor da pele de Butch.
– E aí? Você está melhor, meu amigo?
– Pode apostar que sim Hollywood.
– Isso é bom, já estamos chegando.
O Escalade ainda rodou por cerca de três quilômetros e então Raghe o estacionou ao lado de seu GTO na garagem da mansão.
O restante da Irmandade já devia ter chegado. E com exceção de Phury todos deveriam estar com suas shellans. Hollywood se sentiu vazio.
Quando os três cruzaram as grandes portas veio à perplexidade. Parada imóvel, quase que encostada na parede frontal estava um Escolhida que como postura conservava a cabeça baixa.
Sem olhar para os Guerreiros ela fez uma reverência e permaneceu inclinada, olhando para o chão. Vestida com uma toga branca fechada apenas por cordões de ouro que lhe circundavam a cintura, notava-se um decote generoso e atraente. Seus cabelos loiros e cacheados do mesmo tom dos de Raghe caíam-lhe sobre as costas numa beleza incrível.
Fez-se um longo silêncio. Raghe chegou a abrir a boca, mas não conseguiu pronunciar qualquer palavra, assim como V. e Butch.
– Meu amo – sua voz saiu delicada – Permite que eu me erga e olhe para você e para os Guerreiros que estão contigo?
Não! Pensou ele desesperado. A Virgem Escriba tinha aceitado seu pedido e agora? Novamente ele abriu a boca e novamente as palavras não saíram.
Silêncio. A fêmea permaneceu curvada com o olhar no chão.
Não posso... Não posso fazer isso. É como voltar ao passado, antes... antes de Mary. Os pensamentos corriam em seu cérebro como uma lebre corre de uma raposa para salvar sua vida.
– Raghe – Falou Vishous seriamente – responda à Escolhida.
– Sim. Ele pronunciou não sabendo o porquê da resposta.
Graciosamente ela se levantou e ao verem seu rosto perfeito, eles se entreolharam. Os olhos da Escolhida eram exatamente da mesma cor dos de Raghe, azuis. Um azul extraordinário e brilhavam sem qualquer pudor.
– Santo Deus – Disse o tira apertando os lábios – Ela poderia ser sua irmã tamanha a semelhança ou sua versão feminina.
– Gosta do que vê, amo?
– Não! Respondeu Raghe furioso.
Imediatamente ela cruzou os braços na altura do peito e tentou se esconder, abaixou novamente a cabeça envergonhada e fazendo uma reverência...
– Perdoe-me meu amo. Não queria insultá-lo com minha aparência, retornarei agora mesmo e pedirei a Directriz que lhe mande outra de nós.
– Espere! – Disse Vishous calmamente – Escolhida aguarde um momento.
Ele pegou Raghe pelas golas do casaco de couro e puxou-o para o lado, distanciando-se apenas o necessário.
– Está louco? Você foi até a Virgem e lhe fez tal pedido... ela concedeu, agora vai lhe fazer tal desfeita? Você quer morrer?
– Talvez seja melhor.
– Pense meu Irmão. Por Deus e se ela resolver tirar Mary de você de uma vez por todas pelo que aconteceu aqui? Olhe para essa fêmea ela não pediu por isso e você lhe deve respeito. Provavelmente é Inthocada e não precisa ser um gênio para entender porque a Escolhida é tão parecida com você. É para que Mary veja apenas as suas características físicas na criança, no seu filho quando olhar para ela.
Raghe olhou para Vishous... droga ele tinha razão.
E lá estava ela flutuando com suas roupas pretas impecáveis e seu capuz levantado.
– Como estão Guerreiros?
Os três grandes homens lhe fizeram uma saudação.
– Vejo que voltaram em segurança depois da batalha, fico feliz com isso.
– Sim Virgem Escriba, toda Irmandade está bem. Falou Butch.
– Então Raghe, filho de Tohrture – Ela baixou seu capuz, revelando seu rosto perfeito e foi direto ao ponto – Quero saber sua resposta. A Escolhida não lhe agrada? Não a quer?
Ele não podia vacilar, não era tempo para dúvidas ou embaraços. Lembrando-se da sua força e de quem ele era realmente e de como saía para defender sua raça todas as noites e do respeito de seus Irmãos e do amor por Mary e...
– Ela é do meu total agrado e estou extremamente grato por ter aceito meu pedido.
– Que assim seja. Que a raça seja perpetuada.
O Rei e os gêmeos Phury e Zadisth que haviam chegado alguns minutos antes na mansão, saíram do vestíbulo e se depararam com a divindade. Imediatamente lhe saudaram fazendo uma profunda reverência. Ela saudou um de cada vez e se colocou diante do Rei.
– Virgem Escriba – disse Wrath inclinando a cabeça.
– Wrath, filho de Wrath. Você saiu para lutar com a Irmandade esta noite.
– Sim, eu fui...
– Não foi uma pergunta é uma constatação – O tom de sua voz endureceu – Já conversamos sobre isso anteriormente e sabe o que penso. O Rei não deve estar em um campo de batalha, mas trataremos desse assunto em outra ocasião quando vier a mim.
Afastando-se olhou para Vishous, mas ele não retribuiu o olhar.
Ela sumiu no ar.
Descendo as escadas apressadamente vinha Fritz.
– Meu Rei precisa de alguma coisa?
– Raghe? Wrath olhou para o guerreiro e apontou para a Escolhida.
– Sim... poderia acomodá-la em um dos quartos...
– Com certeza, mais alguma coisa amo Raghe?
– Não... é só... e obrigado.
A Escolhida continuava no mesmo lugar com o olhar fixo ao chão.
– Espere Fritz. Disse o rei.
Ele caminhou ao encontro da fêmea.
– Qual o seu nome Escolhida? Perguntou ele com uma voz tranquila e serena.
Como manda os rígidos padrões de educação da aristocracia, a vampira se curvou chegando quase a tocar o chão, mas não se permitiu olhar diretamente para o Rei. Só faria isso se ele ordenasse.
– Meu nome é Gaya, Meu Senhor.
– É bem-vinda nesta casa Gaya e será respeitada enquanto permanecer aqui. Acompanhe Fritz, ele a levará para o seu quarto. Raghe logo estará com você.
– Sou-lhe grata, Meu Senhor.
– E Gaya... olhe para mim quando falo com você.
– Perdão Meu Senhor – Ela levantou o olhar – Eu não queria ofendê-lo.
– Não me ofendeu. Agora vá.
Fritz e Gaya se afastaram, subindo a escadaria.
– Pelo jeito a Virgem também não aprova que você saia para lutar.
Todos praguejaram ao mesmo tempo, surpresos com as palavras de Zsadist, que olhava fixamente para Wrath
– Também? Está dizendo que não aprova as minhas decisões? Está querendo discutir com o seu Rei?
– Se for necessário, sim.
Em um momento estavam separados por quase toda a Irmandade, no outro seus peitorais quase se tocavam. O rosto de Wrath expressava tamanha animosidade que não era necessário tirar os óculos para lhe sentir o olhar.
– O que pensa que está fazendo Z.? Tem noção...
– Não é certo o Rei sair para lutar.
– Você vai me interromper agora? Gritou Wrath.
Zsadist tremia por dentro, se fosse qualquer outro macho a essa altura estaria falando com o rosto colado ao chão, mas não poderia atacar seu Rei.
– Se você morrer o que acontece com a raça? O que acontece com a Rainha? E com a Irmandade? Já se perguntou a quem teremos que servir? Qual será o membro do Conselho dos Principsque assumirá o trono?
– Isso não acontecerá.
– Coloque-se no lugar de seus Guerreiros, Wrath.
– Eu sou um Guerreiro.
– E também o nosso Rei, sua morte não...
Uma onda sexual varreu o oxigênio do ambiente, chegando como uma impiedosa tempestade. Os machos se olharam não acreditando no que haviam sentindo, mas a resposta em seus corpos era visível. Cada um deles apresentava uma ereção maior que a outra.
– Que porra é essa? Silvou Butch.
– Gaya! Murmurou Raghe selando seu destino tristemente.
– De novo não – Falou Vishous indignado – Não vou ficar nessa casa preso como aconteceu... quando Bella entrou no cio. Vou para minha cobertur...
Outra onda, ainda mais carregada de desejo explodiu. Forte e dominadora o bastante para sacudir os poderosos corpos e fazendo com que aqueles enormes machos dobrassem os joelhos gemendo eroticamente.
– Raghe é com você. Vá servi-la. Disse Butch.
– Vou... tomar um banho e... então...eu, eu... sim.
Mesmo com todo o apelo sexual do momento, os Irmãos podiam sentir o odor que exalava de Hollywood. Desespero e angústia. Desolação e dor.
Vishous foi o primeiro a dar um apertão no ombro de Raghe e todos o seguiram, com aquele contato reafirmaram o vínculo entre eles, não era necessário dizer nada.
– Farei o que tem que ser feito.
Mantiveram-se em silêncio por alguns segundos, então V. se despediu e saiu da mansão desmaterializando-se para sua cobertura.
Ainda faltava quase uma hora para o amanhecer quando ele pousou seu corpo na varanda do Commodore.
Ceeeeerto, não havia nada pra se fazer ali, ou melhor, até havia. Bastava um único telefonema e em alguns minutos uma ou duas fêmeas dispostas a serem domadas estariam a seus pés, completamente excitadas.
Merda, não era disso que precisava.
Desmaterializou-se novamente para surgir no terraço de Lisa. Jogou o mhis e com a mente destravou as portas que davam acesso ao quarto. Lisa dormia pesadamente no meio dos lençóis bagunçados. Totalmente nua.
Ele entrou, tirou sua jaqueta, puxou delicadamente o lençol até ocultar o corpo que ele tanto desejava e se sentou no chão ao lado da cama.
Sob o criado mudo uma garrafa vazia de Goose. As coisas não estavam ruins apenas pra ele. Lisa também vivia seu martírio, sua agonia e como Vishous usava a vodca como válvula de escape.
Mas que porra estavam fazendo com a vida? Pensou V. sem encontrar uma resposta racional. Relaxou a mente e permaneceu ali olhando para o rosto de sua amada e velando seu sono por aproximadamente quarenta minutos até que seu corpo lhe deu o sinal do amanhecer. Um estremecimento lhe subiu pela espinha dorsal e sua pele ficou arrepiada era chegada à hora de partir. Maldito sol. Debruçando-se sobre ela, beijou docemente a testa e ainda se permitiu um breve passar de mãos nos longos cabelos negros. Pegou a jaqueta e desapareceu rumo à cobertura.
Notas finais
Qual a saída para Lisa? O que ela deve fazer?
De um lado Paul do outro Évora...
E agora???
Raghe vai terá a coragem necessária para servir Gaya?
Wrath continuará lutando?
E Vishous como vai reagir a tudo isso?
Muitos beijos.
Fênix
Fale com o autor