Traga-me Para A Vida
17 Capítulo 16
Notas iniciais
– Vishous, Vishous... Lisa está com você? Preciso falar com ela. É urgente.
Era Raghe que batia na porta do quarto exatamente quando as persianas começaram a se fechar.
Um rosnado escapou de dentro de Vishous e ele semi-serrou seus olhos.
– Que porra...
Não conseguiu terminar a frase, apenas observou por completo o rosto de Lisa. Ela estava ofegante, com olhos brilhando e a boca entreaberta pelo desejo. O peso do corpo dele totalmente sobre o dela. Sua ereção pressionava barbaramente o baixo ventre de Lisa e ele não conseguia se afastar, não queria. Ele a tomaria ali, naquele momento, sem nenhum pudor.
– Vishous? — chamou Raghe novamente, esmurrando a porta.
Foda-se.
– Vishous, não vai abrir? – perguntou ela sem fôlego.
– Prefiro olhar pra você, esqueça que estão me chamando, porra.
Ela não pode conter o riso divertido e satisfeito.
– Vai me dizer que está ansioso? — Lisa estava prestes a marca seu ponto — O quê? Tão envolvido que não pode sequer suportar a dor de separar nossos corpos por um momento para ver o que está acontecendo?
Xeque-mate, ele pensou! A atração sexual fazia isso com as pessoas, mas ele não era qualquer pessoa. Ele podia se controlar. Não se permitiria vincular e ia mostrar isso a ela. Ela quer jogar? Ele também.
– Gosta de me provocar, não é?
Serpenteando os braços pelas costas dele e ao redor do pescoço, respondeu com um gemido.
– Ah... sim, muito!
Deus, o jeito e a luxúria que emanavam dela fazia com que ele ardesse. Lutando contra seu próprio corpo e desejo ele apoiou um braço de cada lado do corpo dela e se ergueu. Somente a parte de cima, seus poderosos e largos ombros.
– Sabe muito bem que posso me controlar. Não acha que está me subestimando, fêmea? — a tensão serpenteava entre eles como caça e caçador — Já fiz isso antes ou você se esqueceu?
– Nem um pouco... mas gostaria que me contasse o que fez depois. O que fez com seu corpo depois que me deixou, V.?
Cacete! Essa mulher sabia jogar e ele estava adorando tudo aquilo, ele até poderia ter sorrido, mas permaneceu olhando-a predatoriamente. Não havia a mínima possibilidade de ele ceder. Era uma luta entre o gato e o rato e ele iria lutar e ganhar.
Levantou-se com sua ereção monstruosa e foi atender a porta.
– Qual é Raghe? Caralho. — V. não abriu a porta totalmente.
– Posso falar com Lisa por uns minutos? – o loiro tinha uma expressão escura em seu rosto perfeito — É muito importante pra mim.
Antes mesmo de Vishous ter a oportunidade de responder ao Irmão, Lisa meteu-se no meio dos dois vampiros.
– Sim, claro. — respondeu curiosa e atropelando tudo — Pode ser aqui? Na sala?
– Pra mim parece ótimo.
Ela saiu do quarto vestindo a camiseta preta, afinal era tão comprida que chegava quase nos seus joelhos, mas V. apressou-se para trazer rapidamente seu roupão e colocou-o em cima das pernas dela, enquanto Lisa sentava-se no sofá.
– O que foi loirinho? É sobre Mary?
Raghe se perguntava se o “loirinho” era porque ela não sabia o seu nome ou se era para enfrentá-lo. Pela Virgem... era melhor tentar manter a calma.
– Também. – respondeu com voz baixa — Mas a minha primeira pergunta é o que aconteceu no salão de jogos, como fez aquilo?
– Se você está falando sobre o pileque de sua shellan, foi fácil... só abri as garrafas.
Puta que pariu, a mulher não era nada fácil.
Vishous murmurou algo incompreensível devido à resposta, afastando-se bateu uma única vez na porta do quarto de Butch, que abriu imediatamente. Trocaram olhares e entenderam que o melhor a fazer, por enquanto, era só acompanhar a conversa, mas com bastante atenção.
Lisa estava brincando com fogo, não tinha a mínima ideia em quê aquele filho da mãe podia se transformar e com tal atitude colocava todos em perigo.
– Sério? Só pode estar querendo me irritar, não é?
– Não — respondeu ela sem expressar medo — Só não entendi a pergunta, você poderia ser mais objetivo, loirinho?
– Não é ingênua Lisa, sei que notou quando meus olhos ficaram brancos e quero saber como impediu...
– É isso? Sim notei. Notei o quanto se descontrolou e temi pela segurança de Mary.
– Eu jamais faria mal a...
– Como posso saber? Não o conheço loirinho.
Raghe estava disposto a conversar, mas as coisas entre eles não tinham começado bem e de alguma forma, aquilo que Lassiter havia dito sobre a feiticeira ter o poder do fogo e controlar serpentes e dragões mexeu com ele. Depois da cena no salão de jogos, tudo piorou e ele queria tirar o assunto a limpo. Sem falar, é claro, que ele culpava Lisa pelo estado de embriagues que Mary se encontrava e isso o deixava mais do que irritado.
Tentando manter a calma, mas sentindo sua tatuagem nas costas se movimentar, Raghe mesmo assim procurou o diálogo. E ele tinha outra opção? Soltar a besta iria foder tudo.
– Eu jamais faria mal a Mary — afirmou duramente — Ela é a razão de minha existência.
– Mesmo? É por esse motivo que você a tortura? — ela cruzou os braços e o olhou sarcasticamente — A bola da vez sou eu, não é? Hoje eu sou a desculpa para que você discuta e se negue a conversar com Mary como se deve, amanhã será a quantidade de álcool que ela ingeriu e no final de semana, só Deus sabe no que você irá se agarrar para fugir da verdadeira questão. Não, não, não. Nada bom, loirinho. Está construindo uma ponte perigosa entre vocês e talvez ela seja mão única, só de ida... sem volta.
– Não se meta. Você sequer sabe o que está acontecendo e muito menos com quem está falando, humana. Então “cuidado” seria uma palavra apropriada neste momento.
Vishous deu um passo à frente e Butch o seguiu. A situação estava por um fio, prestes a sair do controle. Isso era malditamente fudido.
– Sabe do quê mais loirinho, se você não consegue ouvir as verdades não deveria procurar por elas batendo em portas no meio da noite. E, por favor, não me venha com ameaças, estou farta delas e se...
– Tá bom! Parou! Chega!
Butch sabia que a troca de ofensas não ia levar há lugar algum e se a coisa ficasse realmente feia ele não conseguiria segurar Vishous. Se a besta aflorasse provavelmente V. acabaria em pedacinho por todo o “Buraco” e ele também.
– Ok. Então, terminamos loirinho.
Quando Lisa se levantou do sofá, Raghe a enlaçou, segurando fortemente seu braço.
– Pois eu digo que ainda não terminamos. Sente-se, agora!
Foi então que Vishous explodiu.
O golpe foi certeiro. Atingiu o rosto de Raghe na altura do queixo. Com o impacto a cabeça foi arremessada para trás e o lábio inferior foi cortado, o sangue começou a escorrer.
Butch pulou na frente de Vishous e conseguiu conter o próximo soco, derrubando-o ao chão. Porém já era tarde demais. Quando Raghe se endireitou e olhou na direção de seus Irmãos, seus olhos estavam completamente brancos e a respiração já era bestial. Duas inspirações e uma lenta exalação.
Tentando se afastar Raghe virou de costas e cambaleando tentou alcançar a porta de saída do “Buraco”, o suor brilhava em seu rosto e Lisa notou que por baixo da camiseta havia uma saliência estranha, como se a pele se movesse aleatoriamente.
Ofegante e com os braços e pernas tremendo, Raghe não conseguiu continuar, a transformação se daria ali mesmo e que Deus tivesse piedade do todos que se encontravam junto a ele. Com o ódio que pulsava em seu corpo mataria V. em segundos. Ele estava a segundos de matar seu Irmão.
– Tire Lisa daqui. – gritou o tira — Eu tentarei contê-lo.
Assim que Butch caminhou em direção a Raghe aquele olhar branco e bestial caiu sobre ele como um prenúncio de morte. V. puxou Lisa, mas ela não se mexeu, parecia estar fixada ao chão,
– Eu já sei quem é você. – afirmou calmamente.
Os olhos brancos se viraram para Lisa, uma mistura de ódio, estranheza, raiva e indignação emanavam do olhar sombrio e uma voz grave preencheu o ambiente, não havia nada de parecido com Raghe.
– E quem sou eu? – o timbre era grutural.
Ela se desvencilhou da proteção de Vishous e também tomou a frente de Butch, caminhando para perto de Raghe.
– Um dragão. O Dragão que conversava com Wrath em meus sonhos.
– Não está com medo? – ele quase rugiu.
– Não. Só não entendo... porque no meu sonho seu corpo...
– Raghe se transforma e eu apareço. Sou sua besta, sua maldição.
Lisa balançou a cabeça incrédula no que estava ouvindo. Mas em seu coração uma certeza se solidificava.
– Como pode ser uma maldição ou uma besta? O que está dizendo? Aqui no seu mundo vocês gostam de usar essa palavra “maldição”, não é mesmo?... Dragões são seres magníficos. Em quase todas as lendas conhecidas por nós humanos são descritos por sua sabedoria e coragem. Animais divinos. Como pode usar tal palavra para se descrever? Será que não conhece sua força, sua energia? Posso senti-la correndo dentro de você e...
Ela parou, não poderia prosseguir. Era assustador o que estava para revelar.
– Exatamente feiticeira — nas palavras que saíam profundas estava a comprovação — É por esse motivo que Ele veio lhe falar. Você já evitou a minha transformação por duas vezes. Se continuar assim, se exercer o seu poder sobre mim e eu não conseguir emergir de Raghe na hora da batalha contra nossos inimigos, provavelmente morreremos e alguns dos Irmãos também.
– É esse seu medo? — Lisa sentiu como se tivesse levado um soco no estomago, ela não era esse tipo de gente — Porque eu faria isso?
– Você é poderosa. Ainda não sabe como lidar com seus poderes, mas tudo já se encontra dentro de você e nós somos seus inimigos.
– Não são meus inimigos.
– Se não somos, como explica seu sequestro e ser mantida em cativeiro para que o Rei decida se deve morrer ou não?
Lisa não soube o que responder. Ele tinha toda razão. No momento eles eram seus inimigos. Porém havia a cumplicidade e o empenho das shellans por seu bem estar, além da esperança de um envolvimento verdadeiro com Vishous ou seria apenas um delírio?
– Como pode ter certeza de quê não se virará contra nós, feiticeira? – perguntou quase com maldade.
– Se o seu medo é esse, então lhe dou minha palavra. Jamais impediria sua transformação a ponto de colocá-lo em perigo mortal. Não sei como explicar, mas tenho fé em você, Raghe.
– Não sou Raghe, eu sou...
– Está errado novamente — disse ela quase reverente — Você é Raghe e também um grande Guerreiro. Você é parte dele. Habitam o mesmo corpo, amam a mesma fêmea e dividem o mesmo objetivo, ou seja, vencerem a guerra contra seus inimigos. Portanto, são um único ser, estão unidos pela alma e pela energia.
– Me sinto honrado com suas palavras, nunca me disseram isso.
– É porque não o entendiam. Assim como o povo celta carregava imagens de dragões em seus brasões de família e em seus estandartes de guerra como sinal de orgulho, eu também me orgulho de poder conhecê-lo.
– Jamais esquecerei tal ato.
– E eu jamais quebrarei minha palavra, Em qualquer forma corporal que esteja eu sempre lhe chamarei por seu nome. Você tem um nome, não é justo lhe chamarem de outra maneira.
– Não é assim. Nem sempre vivi com Raghe. Fui imposto a ele como um castigo, uma provação.
– O que? — Lisa não sabia o que dizer. Ela se sentiu mal por ele. Uma provação.
– Ele ofendeu a Virgem Escriba e como punição... eu existo!
– Não há perdão? – melancolia rondava a pergunta.
– Sim, depois de 200 anos tudo acabaria.
– Acabaria? O que mudou?
– Resumindo, Mary estava morrendo e a Virgem Escriba concedeu a Raghe viver eternamente comigo para que Mary também pudesse viver. Não foi uma escolha ruim. Afinal ela é uma dádiva em nossa existência.
– Pelo que pude entender seus deuses são cruéis, não há misericórdia. Sem liberdade para você. Uma eterna prisão.
Ela baixou seu olhar para o piso, pensando se voltaria a ser livre também.
– Talvez. Eu consigo entender seu ponto de vista. – a besta pareceu suavizar quando disse suas próximas palavras — Mas o que verdadeiramente importa é Mary. Ela é tudo.
O dragão também amava Mary, essa era a verdade. Um guerreiro dentro de outro guerreiro e ela, Mary, completava os dois. Por um breve segundo Lisa desejou que alguém a amasse dessa forma, com tamanha intensidade. Um príncipe encantado, um homem comum... Vishous. A vida era uma merda, nunca viveria tal amor. Ela era uma prisioneira no mundo de vampiros que a odiavam e que provavelmente a matariam.
– Como deseja ser chamado? — perguntou ela deixando sua auto piedade para trás — Porque nunca usarei besta ou maldição.
– Nunca pensei sobre isso.
– Então está decidido, para mim será Dragon.
– Dragon — repetiu a criatura de voz gutural — Que assim seja.
Balançando a cabeça ele fechou os olhos e quando os abriu novamente, já haviam voltado ao normal. Azuis... como o céu, como o mar.
– Sinto muito, meus Irmãos – desculpou-se Raghe voltando ao seu normal.
Lisa deu-se ao direito de sair em direção ao quarto de Vishous sem nada dizer. Entrou e fechou a porta. O que aconteceria do lado de fora já não lhe dizia respeito, era entre os machos.
– Jesus... – o tira passou a mão pelos cabelos atordoado — Não sei quanto a vocês, mas eu vou beber uma dose ou várias.
Butch se afastou e praticamente encheu um copo de uísque com Lavagulin.
– Raghe, você tem que contar à Wrath o que acaba de acontecer. Cara, ela consegue dominá-lo, mas que merda é essa?
Ele continuou falando e bebendo, porém nem Raghe ou Vishous disse qualquer coisa.
– Pelo amor de Deus, Lisa até deu um nome a besta, como se ele fosse um cachorrinho — e virou o copo em sua boca tomando todo o líquido.
– Você ouviu, não ouviu V.? – questionou Raghe quebrando seu silêncio — A besta consegue falar com ela, assim como fala com Mary... estamos fudidos. Quando a maldade aflorar, Lisa irá destruir tudo.
– Vamos com calma – retrucou V. — Ela deu sua palavra.
– E você acredita nisso, Vishous? – perguntou ele descontrolado – Falarei com Wrath na primeira oportunidade e ele terá que decidir se ela vive ou não. E eu voto por “não”.
Dizendo isso virou-se e saiu apressadamente pelo corredor.
Vishous não sabia o que pensar, estava completamente dividido, confuso. Mas que porra, justo ele que era tão racional.
– E então, o que temos V.?
– Sei lá, tira. Isso é hora para esse tipo de pergunta? Ainda não consegui processar tanta informação.
–Se você que é o mais inteligente de nós, não consegue... imagine eu.
Vishous acendeu um de seus cigarros e também se serviu de vodca.
– Isso vai soar como uma bomba nos ouvidos do Rei. Não quero nem pensar no que ele poderá decidir, V.
Aquele também era o pensamento de Vishous. Talvez o tempo de Lisa estivesse acabando.
– V.? Estou falando com você. Vai me deixar num monólogo?
– Desculpe, cara. Eu tentava raciocinar. – ele se serviu de mais vodca – Dá para acreditar? Não consigo raciocinar.
– Deve haver uma explicação lógica para...
– A explicação é que essa mulher está se tornando perigosa. Não podemos ignorar isso, Butch. Veja o estado que Raghe se encontra. Como explica esse carinho das shellans com ela? Simpatia? Claro que não é só isso. Deve haver algo mais. – e aqui estava o Vishous totalmente racional, sem qualquer sentimento — Vou repetir as palavras do anjo: Daqui a alguns meses será capaz de envolver pessoas no reino físico e emocional, comandá-las.
– Não sei, algo não bate. Ela não tem esse perfil. Você está descrevendo um manipulador, praticamente um psicopata, que age premeditando tudo. Convivi com esse tipo de gente na polícia, V. e posso lhe afirmar que Lisa não se encaixa.
– E ela se encaixa em um maldito quarto totalmente destruído, porra? Já se esqueceu do que viu, cara?
– É melhor ir falar com ela sobre todas essas suposições. Vá até lá e...
– Não mesmo. Ela é o que é – cuspiu V duramente – E quanto menos eu me envolver, melhor será.
– Não acredito que estou ouvindo isso. Você já está envolvido, seu imbecil. Você a trouxe para o seu quarto.
– Porra, até você? Por favor, Butch, parece que não conhece meu estilo de vida. O fato de Lisa estar no meu quarto, não diz nada. Nada além de sexo. Ela me provocou e ia receber o que estava procurando, ou seja, uma foda. Mesmo não sendo o tipo que me atraí, depois... fim. Ela seria apenas uma experiência diferente.
– Qual é a parte que ainda não entendeu? Quando vai admitir? Até seu corpo já produz o odor da vinculação.
– Não seja ridículo. Não sou macho de me vincular a ninguém. Muito menos uma humana. Não sabe o que está dizendo. E quanto tê-la trazido para o meu quarto, acabo de perceber que foi um erro e assim que terminarmos essa conversa... vou corrigir essa insanidade. Será que já terminamos?
– Cuidado meu amigo. Pense bem antes de tomar qualquer decisão.
– A decisão já está tomada e se me dá licença... vou me livrar do indesejável pacote.
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O restaurante era um dos mais badalados e bem frequentados da cidade de Nova York. Com uma clientela selecionada e muitos VIP’s o “Loeb Bouthouse” situado no Central Park, além de sua excelente cozinha, proporciona aos seus clientes uma exuberante paisagem. Imagine curtir o lago e ainda poder observar mais de setecentas e cinquenta espécies de pássaros.
Mas Bob, não se interessa por nada disso. Nada além da badalação e da boa comida. Com tal postura entrou pelas portas do restaurante, acomodou-se em uma mesa que já esperava por ele e aguardou seu investimento chegar. Ele faria mais uma jogada certa.
– Como vai Bob? Desesperado com o sumiço de sua pupila ou ganhando muito dinheiro com esse jogo marqueteiro que você entende tão bem?
– Você me conhece, Clark... sempre faturando alto.
Todos riram e começavam a se acomodar na mesa quando Clark apresentou seu amigo Paul.
– Quero que conheça Paul. Ele é o cara sobre o qual lhe falei.
Os homens se olharam e depois apertaram as mãos.
– Sim, claro, sente-se. Mas antes quem são as duas garotas?
Paul acomodou-se finamente à mesa, mas não deixou de notar a avidez abusada no olhar do produtor. O homem era escroto e se pudesse treparia com elas ali mesmo, no meio do restaurante. O plano caminhava com perfeição pela estrada, ele até sentiu vontade de rir.
– Já que estou entre amigos – continuou Paul — Tomei a liberdade de convidar Susan e Tina para alegrar o almoço. Sabe, são garotas muito talentosas fazem curso de teatro.
– Que maravilha atrizes – Bob acenou chamando-as – Venham meninas, sentem-se ao meu lado.
Tudo corria bem. A comida era ótima, apesar de redutores não comerem, não sentirem fome, Paul se esforçava entre uma garfada e outra. O que mais lhe deixava feliz era o fato de Bob estar perdido entre as duas mulheres. Era uma mão boba nos seios de Tina ou um belo aperto no traseiro de Susan. Lógico que nenhuma das duas reclamava, pelo contrário, estavam ávidas por mais. Ávidas pela promessa de alcançarem a fama a qualquer custo, mas nesse caso, o custo seria menor já que Paul tinha dado uma boa grana para cada uma delas. Suas palavras foram: Agradem o idiota e talvez tenham uma chance de saírem do buraco onde vivem.
Com o decorrer do almoço sentiu-se totalmente confiante e seguro diante de Bob e do imbecil do Clark. Esse último nem desconfiou como estava sendo usado. Imbecil. Bem... chegara à hora de ser direto e alcançar seu objetivo.
– Diga-me Bob... onde está Lisa Hendrix?
– Aqui entre nós, Paul. Não sei – e sua mão pousou sobre o decote de Tina.
– Como não sabe? – disse ele demonstrando uma simpatia que nunca tivera antes em sua vida – Ela é sua cria, sua estrela. Todos sabem que tem certos artistas que não seriam nada sem seus produtores... e essa Lisa me parece um pouco instável. Pelo menos é o que se lê na mídia. Se bem que onde há fumaça há fogo!
Bob gargalhou alto chamando a atenção de algumas pessoas, mas isso não o incomodou. Seu ego acabara de ser massageado, mais um pouco e Paul estava certo que o cretino poderia gozar em suas calças por causa de si mesmo.
Patético e tão fácil.
– Onde é que você vai buscar amigos tão espertos, Clark? Esse rapaz é ótimo.
– Nos conhecemos há muito tempo, Bob – antecipou-se Paul para responder, não queria perder o foco da coisa.
– Sim... sim. Mas você tem razão, Paul. Lisa é completamente pirada. Eu diria até que ela não passa de uma doida mentecapta igual à mãe dela. Se não fosse por mim ainda estaria dançando e tirando a roupa em alguma boate de Chicago ganhando apenas alguns míseros trocados.
– Posso imaginar – concordou o redutor balançando a cabeça – E agora que tem fama, ela deve ter um enorme ego, não querendo dar satisfação de seus atos justamente a você. Puta ingratidão. Como você suporta, meu amigo?
– Não é? – argumentou ainda mastigando a garfada de comida – Eu faço tudo por Lisa. Até a casa onde ela mora, fui eu que tive que mobiliar. Quando a mãe dela morreu, a vadia pirou literalmente, até com o problema da cocaína eu tive que lidar. Tive que interná-la em uma clínica de reabilitação e é assim que ela me paga. Sumindo e dizendo que precisa de férias, precisa ficar sozinha, precisa pensar.
– Entendo. Olhe não querendo me intrometer, mas conheço alguns policiais...
– Polícia, nunca! Isso é um péssimo marketing.
O sangue negro de Paul correu nervoso por seu corpo, ele podia sentir a maldade cavando. Se pudesse mataria o filho da puta com a porra do garfo que estava segurando.
Respire, acalme-se e faça seu papel – pensou ele inspirando profundamente.
– Claro. Porém, acho que me expressei mal, desculpe Bob. Na verdade são detetives, gostam de ganhar um extra por fora e também são muito discretos. Já trabalharam para mim anteriormente. Se você desejar posso fazer uns contatos e depois é só esperar para ver se alguma pista surge. Tudo isso na maior descrição possível. Afinal eu entendo muito bem o que é um escândalo e estar na mídia. Passei por isso com o trágico acidente que matou meus pais, nós éramos tão unidos. Foi muito doloroso para mim.
– Compreendo perfeitamente – Bob até tentou fingir que se importava – E já que esse é o caso aceito sua ajuda e esteja certo de que se eu a encontrar, você será avisado. Gostei de você, Paul.
– Já que é assim, então faremos melhor, Bob. Quando a encontrar me avise imediatamente que a festa será por minha conta. Eu pago tudo.
Os olhos do produtor brilharam com satisfação. A proposta significava, mais comida, badalação e mulheres. Tudo isso sem ter que desembolsar um dolar. Magnífico.
– Excelente, estamos combinados. Quem me dera Lisa se apaixonar por um homem como você e não por fantasmas imaginários.
– Fantasmas? Como assim? Não entendi? – perguntou bancando o ingênuo.
– Tem haver com delírios e sonhos malucos. Não viu o clipe da música “Bring me to life”? Ela sonha que aquele príncipe encantado existe. É uma maluca desvairada.
– Bob, seu problema é muito maior do que eu pensava – e Paulo riu desdenhosamente – Essas celebridades são todas piradas.
– Nem me diga... Nem me diga.
Paul cutucou Susan que estava sentada bem ao seu lado, perto de Bob e ela imediatamente entendeu o recado, afinal tudo tinha sido premeditado. Baixou sua mão pelo corpo de Bob e tocou-lhe o pênis massageando o órgão audaciosamente por cima das calças até conseguir uma ereção, enquanto pronunciava ao ouvido dele uma proposta indecorosa que certamente ele não recusaria.
Ótimo, tudo saiu como o esperado.
Paul acabara de adquirir um novo e conveniente “amigo”.
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Lisa acordou com o barulho das persianas subindo. A noite mostrava sua face no horizonte. Como sentia falta de nadar na piscina de sua casa, de expor seu corpo ao calor do sol e da beleza de seu jardim. Até quando conseguiria suportar ficar naquela mansão entre quatro paredes, sem qualquer perspectiva para sua vida?
Sozinha e quase na completa escuridão, salvo por uma vela acesa em cima da cômoda, se deu conta de que não estava com febre e que depois da conversa com Raghe, ou melhor, Dragon, Vishous não tinha retornado ao quarto, pelo menos enquanto permaneceu acordada.
Levantou-se e foi até a porta constatar o óbvio: estava trancada!
O cheiro que preenchia o ar era delicioso, tabaco. Tabaco turco. Estava no mundo de V., pensou em explorar. Olhar suas coisas, descobrir o que tinha no closet, remexer algumas gavetas. Mas nada daquilo seria correto. No fundo, seu desejo era que Vishous lhe contasse, lhe falasse sobre tudo ou sobre nada, sobre o cotidiano. Sobre ele!
Quanta ilusão, era mais fácil uma ostra sair do oceano andando e começar a cantar.
Sem nada para fazer correu os olhos pelos inúmeros livros, procurando algum que lhe chamasse a atenção e que a fizesse esquecer onde estava. Em um canto repousava um bem interessante: "Amy, My Daughter" era a biografia de Amy Winehouse, contada por seu pai.
Lisa lembrou-se de um breve encontro com a cantora em Londres... tão intensa, tão criativa.
Acomodava-se ainda na poltrona quando Vishous adentrou ao quarto. Com passos firmes ele passou por ela, como se não houvesse ninguém no cômodo. Parou em frente ao closet e começou a trocar de roupa.
Seu rosto não demonstrava expressão alguma. Ele era a personificação da apatia, da indiferença. Despindo-se totalmente ele ignorava a presença dela... tão perto.
Primeiro vestiu a calça de couro.
– Você parece um pouco desconfortável, algum problema?
– Quieta! – disse ele autoritariamente sem sequer olhar para ela.
Mas o que estava ocorrendo, ali, naquele exato momento? Algumas horas atrás eles tinham conseguido conversar o que teria mudado?
– É por causa de Raghe?
Vestindo a camisa preta, ele se aproximou sinistramente. Exalava raiva por todos os poros do corpo.
– Mandei você ficar de boca calada – rosnou o vampiro.
Lisa tremeu, seu corpo tremeu. Ela nunca teve sangue de barata.
– Você não manda...
Ele avançou e arrancou o livro das mãos dela arremessando-o furiosamente para o outro lado do quarto. Seus dentes se alongaram. Vishous estava no limite, sua fisionomia era assustadora.
– Agora sabe a porra do nome de meu Irmão, não é mesmo?
Apesar de assustada Lisa sentiu que não poderia recuar, não poderia ceder.
– Que loucura é essa? – questionou perdida na situação – Foi você que acertou um soco nele. Você me defendeu.
– Você é a última mulher na face da Terra que precisa de defesa ou proteção – seu rosnado era tão baixo, pausado, quase uma sentença de morte – Está manipulando todos que estão em seu caminho, a sua volta.
– Não sei do que está falando – murmurou com medo – Você está me assustando.
– Não se faça de coitadinha. As shellans. De onde veio esse carinho por você? Você criou isso.
– Que absurdo! Eu não faria...
Vishous agarrou-a pelo braço, forçando-a a se levantar da poltrona, apertando-a firmemente, os dedos cavaram na carne, machucando-a. Amanhã teria as marcas das mãos dele em seu corpo.
– Não me tire como ingênuo. Sei no que está se transformando, o que você é.
Lisa não queria aceitar o inevitável, se abraçasse o bom senso perceberia que o Guerreiro dos seus sonhos era menos complexo e doentio do que o monstro que se apresentava a sua frente. Havia fantasiado um conto de fadas. Carregava a ilusão que o encontraria e viveria feliz para sempre.
Amor. Queria com desespero o amor, mas algumas pessoas não eram dignas de tal sentimento. Algumas pessoas apenas passam pela vida privadas de serem amadas e Lisa Hendrix era uma dessas pessoas.
Indigna.
Castelos de areia. Solidificou suas esperanças numa construção condenada e agora ouviria da boca de Vishous o que ela tanto temia. Ela não significava nada para ele. Prevendo a sentença, a única coisa que lhe restava era permanecer forte, apesar de sua aniquilação estar tão próxima. Ouvir as palavras a destruiria, todavia era apenas a verdade. A maldita verdade da sua vida.
– Fale o que eu sou? – não mais que um murmúrio, a voz quebrada – Fale, Vishous.
– Você é exatamente o que sua mãe tanto temia.
Lisa levou as mãos a sua boca e permaneceu calada enquanto ele continuava sem clemência.
– Maligna, daninha, maldita. Está em sua natureza, o sangue danoso de seu pai corre dentro de você, por isso, nada que venha da sua pessoa pode ser bom. Foi por esse motivo que sua mãe fez o que fez e ela não estava errada.
A hora de morrer chegou.
O tapa pegou-o de surpresa. Explodiu em seu rosto com força. Nada comparado aos golpes poderosos de seus inimigos, mas com a mesma fúria e repulsa. Do lado direito junto as suas tatuagens... agora jazia a marca avermelhada dos dedos de Lisa.
Totalmente descontrolada pelas ondas de ódio, ela tentou novamente atacar, mas não foi rápida o suficiente e nunca seria mais forte do que ele.
– Seu filho da puta. Seu cretino arrogante.
Sem deixá-la terminar os xingamentos Vishous dominou-a. Imobilizou os braços dela apenas com uma de suas mãos colocando-os para trás, com a outra mão agarrou os longos cabelos e puxou-os com força.
– Me solta.
Ele aproximou seu rosto ainda mais do rosto de Lisa com uma atitude ameaçadora coberta de animosidade. Sua voz era fria e letárgica.
– Quieta. Quando vai aprender, Lisa? Você é tão fraca, tão facilmente domável. Não adianta se debater, não irá a lugar algum. Não passa de uma pobre prisioneira que ainda não percebeu que caminha para a morte. Não sobrou nada, sou mais forte que você. Do jeito que está presa não têm opções a não ser, obedecer as minhas ordens.
– Tenho sim.
Lisa mordeu. Num ímpeto insano projetou a cabeça para frente e travou seu maxilar sobre o lábio inferior da boca de Vishous, com toda a fúria que emanava de seu corpo. Seus dentes penetraram à carne macia e aveludada rasgando-a sem indulgência. A mordida mostrou-se profunda e mesmo quando sentiu o sangue dele em sua boca ela não o soltou, pelo contrário, forçou ainda mais os dentes, aumentando a incisão. O intuito era ferir, torturar, machucar.
Ela notou sutilmente quando o corpo de V. estremeceu, mas não conseguiu distinguir se era pela dor ou pelo ódio que ambos compartilhavam um pelo outro naquele momento.
Ele puxou a cabeça para trás, soltando-se e ao fazer isso abriu ainda mais o corte. O sangue jorrava vermelho e intenso. Escorria pelo queixo e pingava sobre o peito forte do vampiro que subia e descia descompassadamente por causa da respiração intensa que ele apresentava.
Quando os olhares se encontraram, algo de venenoso e perverso serpenteava nas íris cristalinas de ambos. Uma crueldade possuía o ar. Eles estavam transformados. Um fel amargo e negro emergiu da camada mais obscura de Lisa enquanto que Vishous transbordava um monstro psicótico de suas entranhas.
Ambos dispostos a matar ou morrer. Qual deles daria o primeiro passo?
Vishous soltou os braços de Lisa e com sua mão enluvada limpou o sangue que ainda teimava em correr e levemente levou-o de volta a boca chupando os próprios dedos. A outra ainda continuava prendendo os cabelos dela.
– Diga a verdade. Você gostou? Gostou de me machucar?
Ele perguntava com petulância altruísta se Lisa era como ele? Se vivia para sentir ou proporcionar dor, mas dessa vez ela não se curvaria, aliás, daquele miserável minuto em diante ela jamais cederia ou submeter-se-ia as vontades ou caprichos dele. Nem que isso fosse à última coisa que fizesse em sua horrível e tétrica vida.
– Faça o que melhor sabe fazer, vampiro – agora, ela ordenava – Mate-me.
– Não foi isso que eu lhe perguntei. Responda a pergunta, vadia.
Ele torceu seus cabelos, desta vez com mais força e puxou a cabeça de Lisa para trás com força.
Não! Mas seu sangue... Deus... quero mais, muito mais! Eu ainda quero você. Que absurdo... Tenha um pingo de amor próprio. Pensou ela transtornada.
– Não! – ela começou com a verdade, mas para ferir mudou o que sentia – Você é repugnante, asqueroso e tem sérios problemas emocionais.
– Ótimo, porque agora é minha vez. Veja se aguenta!
As presas longas e mortais rasgaram o pescoço de Lisa e logo encontraram a preciosa veia que saia direto de seu coração. Ele não foi nada gentil, apenas um animal impiedoso. Naquele momento ele era o predador e a única coisa que lhe interessava era dominar e consumir sua presa por completo.
O sabor do sangue inundou-o, era delicioso, forte e marcante. Ele oscilou por completo por alguns segundos.
Merda!
Que reação é essa em seu corpo? E porque quanto mais sugava, mais queria?
Totalmente excitado, ereto ao ponto de sentir seu órgão doer e latejar, Vishous bebeu grandes goles. No primeiro momento sentiu o medo percorrer o corpo de Lisa, depois notou a mudança. O desejo estava sobrepondo-se ao ódio. O sangue dela descia por sua garganta e não era suficiente para satisfazer sua necessidade, pelo contrário, ele queria e sugava cada vez mais. Se continuasse nesse ritmo, a secaria por completo.
Foi então que parou antes da total satisfação.
O corpo de Lisa tremia. A dor pelo golpe certeiro roubou-lhe os sentidos. Ela só existia para sentir a excitante sucção. Seu cérebro só conseguia lhe enviar a mensagem que havia sido penetrada por Vishous. A umidade que sentia entre as coxas se comparava ao derramar de um orgasmo.
Ela teve a impressão de que V. havia largado sua veia cedo demais. Ele afrouxou o puxar dos cabelos da humana, para que ela endireitasse o pescoço e lambeu a ferida para que o sangue parasse de escorrer.
Ele lambeu a ferida? Mas que droga? O que estava acontecendo realmente ali? Ele a ofendeu tratando-a como lixo e ainda assim se preocupava que com a ferida exposta poderia sangrar até a morte? Como tal sentimento era possível?
Lisa e Vishous respiravam com dificuldade, ambos alarmados pela confusão do instante. O que o cérebro de ambos queria não era o que os corpos ávidos necessitavam e uma guerra épica e silenciosa era travada na escuridão daquelas almas.
– Já terminou? – perguntou insolente e tentando sair do universo paralelo onde se encontrava – Agora, me solte. Você não passa de um animal.
Ela o empurrou e Vishous deixou que seu corpo se afastasse o suficiente para agarrar a camiseta que Lisa vestia e a rasgá-la ao meio. A peça cedeu escorregando como se estivesse em câmara lenta, tamanha era a sofreguidão de V. em pousar seu olhar na fêmea à sua frente. Quando finalmente o pedaço de trapo tocou o chão, ele sorriu malignamente enquanto observava o corpo escultural de sua presa. Esfregou sua ereção por cima da calça de couro em um gesto ordinário, porém extremamente sensual.
– É isso que você quer, Lisa?
Ordinário.
Ela não respondeu, temendo que sua voz falhasse. Ela não se deitaria com ele, não faria sexo de jeito nenhum.
– Porque é só isso que terá de mim. Sexo. E. somente. se. for. do. meu. jeito.
Fez questão de frisar cada palavra, para que ela compreendesse sem enganos. Abriu o botão, baixou o zíper e retirou a calça. Sua ereção era poderosa e apontava diretamente para ela.
– Calado! – Ela gritou, enquanto o empurrava novamente para trás – Não quero ouvir sua voz, entendeu? Nem mais uma palavra!
Com mais um empurrão para trás, Vishous tocou a cama com suas pernas e deixou-se cair de costas sobre o colchão, em cima dos lençóis retorcidos que ainda continham o cheiro dela.
Deus... no fundo, seu lado sadomasoquista queria ver até onde aquela surpreendente mulher iria. O que ela poderia fazer no ápice de sua fúria? Então, ele permitiu que a situação prosseguisse do jeito que estava.
Era isso mesmo ou dentro de sua mente doentia Vishous não conseguia admitir o quanto ansiava que Lisa o usasse como bem entendesse e que o tomasse como seu? Seu homem, seu macho, seu amante, seu... amor?
Lindo! Pensou ela quando o viu esparramado sobre a cama. E aqueles olhos cheios de ódio e desespero, mas também com um toque de calor e desejo. Como se fosse possível que ele a quisesse.
Sem raciocinar Lisa montou sobre as coxas dele, agarrou seu enorme membro e sentou sobre ele sem nenhuma hesitação, mergulhando-o por completo dentro dela.
Ela gritou e ele também.
Lisa fechou os olhos com força. Não queria demonstrar a Vishous o quanto desejável ele era, o quanto tinha esperado pelo corpo dele, o quanto o queria dentro dela. Lembrou-se que por alguma razão ainda estava no comando e era assim que permaneceria.
Abriu os olhos e voltou a olhar para o vampiro disfarçando seus sentimentos. Apoiou as mãos, uma de cada lado, nos ombros de Vishous e pela primeira vez balançou o quadril friccionando o ponto de união de seus corpos.
O movimento fez V. gemer alto e jogar a cabeça para trás. Seu queixo se ergueu e ele passou a língua pelos lábios como se quisesse saboreá-la enquanto mantinha o olhar nos seios perfeitos de Lisa que projetavam os mamilos totalmente duros e rosados. Ela seguiu o olhar do vampiro, entendendo... e audaciosamente começou a baixar suas mãos.
Lisa marcou o primeiro ponto.
Vagarosamente e com toques leves como de uma gueixa, Lisa chegou ao forte peito de Vishous foi então que ela o castigou. Agarrou seus mamilos e torceu-os com força, assim como ele fez com os cabelos dela.
V. rregalou os olhos demonstrando mais uma vez que não esperava por tal reação. Aquilo que Lisa fazia era por ódio, tesão ou simplesmente um desejo insano de controlá-lo? Seja lá o que fosse ele gemeu novamente, deliciando-se com a sensação.
Continuou descendo as mãos. Escorregou pelo abdome definido chegando ao ponto onde estavam unidos. Novamente ela balançou o quadril, só que desta vez o movimento foi violento, uma estocada profunda que tocou o osso pubiano.
Vishous estava em êxtase, seja lá o que ela pretendia... estava conseguindo. Sem se dar conta ele “baixou a guarda”. Foi vencido pela avidez e pela fome que seu corpo sentia por aquela humana.
Ele estava adorando, se deliciando com as sensações de toques que jamais se permitiu experimentar e que agora Lisa lhe empunha montada sobre seu sexo.
Ela não parou o caminhar das mãos. Continuou escalando o próprio corpo. Serpenteou-as pelo ventre plano e também pela região da cintura até alcançar os seios. Ela tomou a ambos com gestos que simulavam as mãos de Vishous. Envolveu-os quase que totalmente enquanto passava os polegares sobre os mamilos. Seu corpo estava totalmente reto, seios empinados para frente, sua pele arrepiada e seus olhos cravados nas reações do macho que ela cavalgava.
As mãos de Vishous que antes estavam estendidas aleatoriamente sobre a cama, agora envolviam e apertavam as coxas de Lisa firmemente. Com certeza no dia seguinte estaria cheia de hematomas, mas quem liga para tais machucados quando o verdadeiro sentido daquilo era um pedido de mais. Mais sensações, mais prazer.
Lisa marcou o segundo ponto.
Soltando seus seios e voltando para a estrada do seu corpo ela chegou a jugular. Balançou e ergueu a cabeça jogando os longos cabelos para trás, proporcionando assim uma bela vista da mordida. Começava a brincadeira ou seria a tortura?
A princípio passou os dedos levemente sobre os furos, como se acariciasse a dentada, depois conforme sua luxúria era aflorada pela deliciosa lembrança do golpe e da sucção os toques passaram a urgentes e as mãos deslizavam por seu pescoço pedindo por mais. Ela não se conteve e um gemido profundo escapou por sua boca entreaberta, permitindo assim que Vishous descobrisse o quanto se sentia inflamada.
excitou-se ainda mais, para sua surpresa e por um segundo odiou a perfeição do corpo daquela mulher. As curvas, os seios, o traseiro e a maravilhosa visão que seus olhos teimavam em não evitar. A visão da sua fêmea.
– Minha! – rosnou com um animal.
O odor... O perfume picante, erótico, libidinoso e sensual apresentou-se forte e encorpado. Preencheu cada centímetro do quarto e chegou as narinas de Lisa como um potente afrodisíaco. O cheiro era profundo, infinito e hipnótico.
Estremecendo Lisa deixou que seu corpo a guiasse rumo ao orgasmo e começou a cavalgar Vishous vigorosamente. O ritmo imposto foi obsceno, seus cabelos balançavam. Ela jogou o corpo para frente apoiando-se sobre os ombros de V. murmurando seu nome. O clímax chegou algoz em ondas abrasivas de calor, provocando espasmos violentos.
Lisa estava ainda no ápice quando Vishous em um movimento rápido derrubou-a sobre os lençóis. Suas presas estavam tão compridas que ele não conseguia fechar a boca.
– De novo...
As palavras saiam picadas. Lisa não tinha forças para pronunciá-las, o êxtase era tanto que ou falava ou respirava. Mesmo assim continuou.
– De novo... por favor... morda-me novamente, V.
Lisa marcou o ponto final.
As presas da cor do marfim enterraram-se sem mais demora no pescoço macio e o precioso sangue inundou a boca de Vishous enquanto que seu membro enterrava-se furiosamente no meio das pernas de Lisa. As estocadas eram poderosas. Ele a tomava, possuía com agressividade.
Vishous estava marcando-a. Aquela fêmea lhe possuía, lhe pertencia e que todos os deuses e até a Virgem Escriba, sua mãe ordinária, tivessem piedade do macho que tentasse tocá-la ou ousasse olhar para sua beleza. Seria destroçado, desmembrado ainda vivo.
Invasivo, rude, atormentado, seu corpo batendo contra o dela freneticamente, foi assim que Vishous gozou. O orgasmo chegou com a força de uma erupção vulcânica. Ele bombeava seus fluídos para o corpo dela não querendo parar.
– Goze comigo... lellan.
Um rosnado ancestral emergiu das profundezas de seu ser e Vishous gemeu alto como uma fera, estremecendo as paredes, vibrando a porta.
As unhas de Lisa cravaram e arranharam as costas de V. avisando que ela havia atendido ao pedido.
A vinculação! O corpo tomado pelo extremo prazer, ele não podia mais negar. Com o fôlego quase que suspenso Vishous percebeu que todos os seus músculos e também seu quadril retesavam-se. Êxtase. Como nunca havia sentido. Como nunca acontecera anteriormente e Lisa era a causa, a culpada, o pivô do inegável prazer.
V. acabara de ser vencido pelo instinto primitivo do macho vinculado.
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