Traga-me Para A Vida
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Espero que todas estejam bem!
Tenho um recadinho antes da leitura.
Por favor... quem for sensível a cenas que envolvam tortura, quero avisar que vão ler sobre isso e que a cena ficou pesada.
Também aproveito para agradecer pelos maravilhosos e fiéis comentários de todas.
Vocês são maravilhosas.
Agora, vamos ao que interessa!
Boa leitura!
Bjs.
P.S.: Quero informar que na cena do "casal" Lisa e Vishous eu usei duas frases que não são de minha autoria pertencem a J.R. Ward e estão publicadas na página 286 do Livro "Amante Liberto".
São elas:
- Oh, não, não agora! Ele se afastou de seu corpo. Não goze agora. Apenas quando eu permitir. Não antes.
e
- Goze pra mim ele disse contra o seu corpo. Agora mesmo!
Resolvi usá-las porque demonstra perfeitamente a natureza dominadora de Vishous.
Só que no meu ponto de vista a lógica foi adequada para a minha história.
A vinculação! O corpo tomado pelo extremo prazer, ele não podia mais negar. Com o fôlego quase que suspenso Vishous percebeu que todos os seus músculos e também seu quadril retesavam-se. Êxtase... como nunca havia sentido... como nunca acontecera anteriormente e Lisa era a causa, a culpada, o pivô do inegável prazer.
V. acabara de ser vencido pelo instinto primitivo do macho vinculado.
O que preenchia o ar era somente o som das respirações aflitas e um delicioso odor que impregnava tudo que ocupava o quarto, principalmente os dois corpos nus e suados.
Os amantes encontravam-se deitados. Vishous em cima do corpo de Lisa, com a cabeça tombada ao lado do pescoço que alguns segundos atrás havia sido mordido. Os braços de Lisa o envolviam e suas mãos subiam e desciam carinhosamente pelas costas de V., mas nenhum deles pronunciava qualquer palavra.
Fale, diga a ela o que está sentindo. Conte o que quer dizer “lellan”. Fale sobre os costumes ancestrais. Sobre ser um macho vinculado, demonstre que ela é importante e que pela primeira vez sentiu felicidade ao lado de uma fêmea.A consciência do Guerreiro lhe dizia o que fazer, porém eram séculos de frieza e indiferença. Quebrar os velhos hábitos não é uma atitude fácil... especialmente quando se é um vampiro movido principalmente pela racionalidade.
Por onde começar? O que dizer? Talvez o melhor a fazer seja esperar que Lisa tome a iniciativa e principie as palavras.
Sim, óbvio que é o melhor e mais fácil a fazer, com certeza. Porém não é o mais correto!
Alguns minutos se passaram e agora só o odor de especiarias teimava em permanecer no mesmo ambiente que o “Senhor Silêncio Profundo”.
Finalmente uma frase.
– Que cheiro bom.
Lisa murmurou. Começava a se sentir incomodada e falar cuidadosamente escolhendo e medindo as palavras talvez fosse uma melhor forma de começar.
– Sou eu. Exala do meu corpo.
Vishous levantou a cabeça, posicionando sua boca perto da dela.
– É delicioso V., picante. Lembra especiarias...
Ele roçou seus lábios contra os de Lisa e aproveitou o correu de um arrepio por sua espinha.
– Sim... mas, acho que sou pesado, devo estar lhe machucando.
– Não. Não está.
Mesmo assim ele rolou para o lado, mas permaneceu com seu corpo colado ao dela.
– O que é? Quero dizer... o que representa esse cheiro? É por causa do sexo, os machos da sua raça produzem esse odor quando...
– Não. Não é assim que funciona. Não é o ato em si é mais complexo.
Complexo? Complexo, seu grande idiota? É a vinculação, a necessidade dela. Fale!
– Nós machos quando acasalamos... com uma fêmea que provoca... quero dizer que nos deixa, sabe... é algo mais instintivo... e...
– Tudo bem V., não me deve explicações. Não precisa falar se isso lhe incomoda tanto, eu só fiquei curiosa. Deixa pra lá.
Apesar do tom das palavras ser e baixo e calmo. Soava duramente.
Novo silêncio...
Cinco minutos que demonstraram nitidamente o sentido de eternidade. Lisa estava a ponto de desmoronar. Aliás, ela começou a desmoronar no exato momento que entendeu que não havia o que dizer depois do acontecido. Vishous se encontrava pensativo e em algum lugar distante como se tentasse entender ou assimilar o fato. Ela estava naquele quarto e V. em outro mundo. Um mundo bem longínquo.
Para ela aquele tipo de atitude só podia ter uma razão.
Erro. Vishous deveria estar pensando que aquela loucura do sexo selvagem tinha sido um grande e enorme erro. Iguais àqueles que ela sentia quando transava com os semi-estranhos que ocupavam a sua vida. Ela não podia continuar em meio ao silêncio, estava ficando sem ar.
– Vou tomar um banho.
Tentou se levantar, mas V. a conteve em seus braços, olhando-a fixamente.
– Espere. Acho que você já sabe que não sou muito bom com as palavras. Se em algum momento eu machuquei seu corpo, eu não tive a intenção... quero dizer no princípio fiquei muito irritado, mas depois eu...
– Ah, não! Não se menospreze. Você é muito bom com as palavras. Principalmente com as palavras ácidas que lesionam e magoam a alma. Quanto ao meu corpo... não se preocupe.
Vishous passou a mão enluvada pelos cabelos expressando agonia.
– Eu já disse que sinto muito.
– Não precisa se desculpar. Como você mesmo disse quando esfregou seu pênis, isso era o que EU, a vadia queria. E a sua mudez até agora, confirma isso. Já entendi.
Ele balançou a cabeça lentamente, negando. Aquele gesto fez o sangue de Lisa ferver. Elevou o tom de voz exaltada.
– Estou errada V.? Então me diga o que realmente aconteceu? O que nós dois acabamos de fazer foi sexo, amor ou uma descarga de ódio e insatisfação?
– Não sei.
– Porque se deitou com a mulher que supõe querer arruinar sua vida e a dos seus Irmãos? Está deitado aqui, nu, ao meu lado, mas não consigo chegar até você. Por mais que eu toque o seu corpo, não consigo alcançar seus pensamentos, sua mente.
– Só estou confuso e tentando raciocinar claramente.
– Raciocinar? Raciocinar sobre o quê? Sobre o fato de que nós nos mordemos e nos agredimos e que apesar de eu achar que foi a trepada do século, ela nada representou. Você está procurando lógica nisso? Deus... pra mim chega! Tudo não passou de uma maluquice. Nunca devíamos ter terminado nessa cama do jeito que terminamos.
– Pra mim foi bom.
– Está vendo? É sobre isso que eu estou falando. Sorvete de chocolate é bom, mas não é o suficiente para matar a fome V., pelo menos a minha fome não se resume a isso.
Ela era corajosa, isso Vishous tinha que admitir. Não se curvava e expunha seus pontos de vista claramente. O problema era ele. Como aceitar estar vinculado a uma mestiça? E pior... uma mestiça meio humana, meio demônio. Realmente ele gostava da autodestruição, do diferente. Era isso que seu lado racional e prático lhe dizia e era essa a fama que carregava dentro da raça.
– O que quer de mim Lisa, verdadeiramente? Porque estou tentando ser sociável com você. Estou tentando explicar que começamos de maneira errada, mas que o resultado não foi ruim. Estou tentando entender o que se passou entre nós nesse quarto.
– Não é sociável que eu quero que você seja. Jesus... você fala com se estivesse resolvendo um problema de matemática.
– Eu sou assim. Será que não consegue enxergar?
– Quer saber – Disse ela se levantando num pulo – que maravilha... que bom que foi bom pra você Vishous. Porque foi a primeira e a última vez que tocou em mim. Nunca mais colocará suas mãos no meu corpo ou beijará minha boca.
Ela se virou e caminhou em direção ao banheiro, mas antes de entrar e bater a porta com força Lisa ainda teve tempo de arremessar mais uma flecha contra ele.
– E não precisa mentir que foi bom. Afinal o sexo foi do meu jeito e não do seu. Deve estar carente por dominação. Eu fui só um aperitivo, mas tenho certeza que você comerá o prato principal em seu apartamento... mais tarde!
O celular vibrou dentro das calças de couro que estavam largadas no chão, junto com sua camisa e com o que sobrou da camiseta rasgada.
Merda! Tinha esquecido completamente a reunião com seus Irmãos e o Rei.
– Shhhhh. Não chore. Não gosto de mulheres que choram, eu fico sem paciência. Se bem que você não é uma mulher. Parece, mas não passa de um animal asqueroso.
A voz do redutor era sossegada, indiferente e muito sinistra.
– Por favor, me deixe ir.
– O que é isso? Acabei de chegar, não faz nem duas horas que você está em minha companhia.
– Me solte não aguento mais ficar amarrada nesta mesa.
– Diga-me quantos anos você tem e qual o seu nome vampira?
– Trinta e oito, me chamo Kate.
– Você é muito nova. Alguns da sua raça têm mais de trezentos anos não é mesmo? Pelo menos os mais interessantes e difíceis de matar.
Ela não respondeu.
– Se tivesse um pouco mais de idade ou fosse mais estudiosa, saberia que não está deitada em uma mesa. O nome disso é “potro”.
Ele sentou-se na poltrona de veludo vermelho vivo que fica estrategicamente posicionada no meio do grande porão e relaxou o corpo. Querendo apenas apreciar a vista dantesca. Que para Paul assemelhava-se a beleza da aurora boreal.
Kate havia sido sequestrada há 48 horas. Ele fez tudo sozinho. Surpreendeu-a quando saía do Screamer´s enquanto entrava no carro. Após a pancada que foi deferida contra a cabeça dela com um taco de beisebol ele ainda injetou heroína direta em seu pescoço.
– Por favor, eu lhe imploro...
Ela podia falar o que quanto quisesse Paul simplesmente não ouvia. Admirava a parede onde havia pendurado seus brinquedos de submissão. Chicotes, máscaras de vários formatos e utilidades, correntes e algemas, separadores de braços, mordaças, palmatórias, cordas, coleiras e asfixiadores. No armário de metal cinza parecido com o de um escritório, dentro de suas gavetas outra parte do arsenal, clipes metálicos e grampeadores, além de alfinetes, agulhas, navalhas, punhais e algumas coisas bem pesadas como coletes com pregos e calcinhas com taxas.
O aparelho onde a fêmea encontrava-se amarrada consistia em uma mesa de madeira em formato triangular com três orifícios laterais de cada lado. O primeiro prendia os antebraços e os outros dois prendiam as pernas que ficavam totalmente abertas. Um na altura das coxas e o outro mais abaixo, nas panturrilhas. No decorrer da sessão essas cordas que prendiam os membros de Kate eram apertadas progressivamente e virava um torniquete, evitando a circulação sanguínea.
Foi um método de tortura muito usado pela Santa Igreja na época da Inquisição, também chamada de Caça às Bruxas.
Mas Paul era mais perverso do que os Inquisidores e aperfeiçoou o instrumento substituindo as cordas por arame farpado e para a região do pescoço ele inovou colocando uma tira larga de couro para uma possível e lenta asfixia.
– Fui eu mesmo que fiz, esculpi a peça onde está deitada e a cada dia que passa sinto mais orgulho disso vampira.
– O que vai fazer comigo?
– Nada. Só estou testando meus brinquedos. Muito em breve receberei uma visita ilustre e para ela nem o melhor será o suficiente. Ela é magnífica, uma deusa.
– Me solte...
– Não sua piranha vagabunda! Cale a boca.
O grito do redutor ecoou alto e insano pelo porão abafado. Kate já abalada emocionalmente e no limite da esperança começou a chorar.
Paul levantou-se e espreguiçou os braços. Ele não suportava fraqueza, portanto gritos, lamúrias, choradeiras e gemidos o deixavam perversamente irritado. Sem contar que em algumas horas teria que fingir para o Sr.H que estava feliz por ele já ter se mudado para o novo apartamento e desfrutar do belo BMW.
Aproximou-se do “potro” e torceu a manivela que prendia a coxa direita e o arame farpado entrou ainda mais pelo corpo de Kate, quase que desaparecendo totalmente sob a carne rasgada.
Ela gritava enquanto o sangue derramava-se ao chão.
– Sabe Kate acho que já chegamos ao osso. Posso ver algo branco bem no fundo do corte. Conhece anatomia?
Com lágrimas escorrendo por seu rosto e completamente assustada ela balançou a cabeça afirmativamente.
– Ótimo, então vai me dizer o nome do osso. Desse osso que estou olhando.
– Fêmur.
– Esplendido – Dizendo isso bateu palmas – O Fêmur é o maior osso do corpo humano e o menor é o estribo que se encontra dentro do ouvido. Pena que você não é humana, então você não é a mocinha da estória. Mas, diga-me Kate está com dor nas costas?
– Sim.
– Humm... terei que adaptar um colchão. Não quero que “Ela” tenha esse tipo de dor.
– Senhor, ouça... eu lhe imploro clemência. Minha família... meus pais têm muito dinheiro e eles lhe dariam de bom grado a quantia que fosse necessária para me soltar.
Paul gargalhou.
– Não faço isso por dinheiro e você nada mais é que uma simples cobaia. Eu tracei um plano perfeito em minha mente, mas senti necessidade de testá-lo. Afinal a pessoa que desfrutará de tudo isso é a dona dos meus pensamentos. Merece a perfeição.
– Você não passa de uma aberração, um anormal doente. Solte-me!
Paul gargalhou mais ainda, diante do descontrole de Kate.
– Sou um gênio, vaca desprezível! Mas não espero que você entenda. Afinal sua raça é tão ínfima, sórdida. Julgam-se melhores do que os humanos só porque são mais fortes fisicamente. Coitados, estão em vias de extinção e continuam soberbos e arrogantes começando por aquela meia dúzia de Guerreiros idiotas que lutam uma guerra já perdida há muito tempo.
– Não fale sobre a minha raça seu desgraçado, não é digno de mencionar sequer a Irmandade e você não é mais humano. É um morto-vivo.
Isso afetou Paul. Ele não era mais humano, não tinha mais um coração batendo dentro de seu peito. E se Lisa Hendrix descobrisse? E se ela não o amasse por esse motivo?
Totalmente desvairado ele começou a girar todas as pequenas manivelas que prendiam os membros de Kate. O sangue jorrava, espirrava e escorria. O arame farpado estava fazendo o seu trabalho. Mesmo cortando a carne, os músculos e os tendões, o fato é que aquela tortura não a mataria.
Ela se debatia inutilmente em meio a gritos pavorosos e para não escutá-los Paul posicionou a tira de couro apertando o pescoço de sua refém sem indulgência.
Com a garganta pressionada o ar não entrava e Kate abriu a boca desesperadamente buscando mais oxigênio, para sua infelicidade Paul reparou nos caninos.
– Não gosto de seus dentes, vagabunda! E por esse motivo você vai morrer parecendo uma humana.
– Não... seu monstro! Não... eu não quero morrer...
As palavras desvairadas saíam abafadas e junto com ofensas e muito choro, mas nada podia parar Paul e no fundo sua vítima sabia disso tanto quanto ele.
Caminhou até uma bancada e separou o que precisava. Pegou um alicate, ácido sulfúrico e uma luva em couro com dedos longos e lâminas afiadas que lembrava o personagem fictício “Freddy Krueger”.
Quando retornou Kate já apresentava uma coloração azul-arroxeada na pele e nos lábios, provocada pela asfixia. Seus olhos esverdeados já estavam saltados, com a parte branca mais visível e avermelhada. Mesmo assim ele debruçou sobre ela e lhe arrancou os caninos. Um por um e bem devagar...
– Sabe Kate eu gosto de dominar, mas no seu caso a tortura faz bem para a minha alma, afinal somos inimigos. Não deveria ter me lembrado que não sou mais humano. Quer saber? Eu poderia ter apenas me divertido com você... ter usado algumas coisinhas eróticas, brinquedos. Ah... você teria gostado ou seria gozado?
Enquanto Paul falava sem parar, suas mãos trabalhavam no corpo já quase sem vida. Ele percebeu a proximidade da morte, só assim soltou a tira do pescoço. O ar infelizmente adentrou aos pulmões de Kate, o que significava que seu calvário ainda duraria algumas horas.
Aproveitou para queimá-la com o ácido, começando pelos olhos, desceu para os bicos dos seios e depois traçou uma rota que levava direto aos órgãos genitais. Deliciava-se com o espetáculo horrendo que compunha lentamente com maestria. Podia jurar que ela ainda emitiu um miserável gemido quando cortou e retalhou com a luva afiada o ventre.
Chegara à hora do “Gran Finale”. A última coisa que ele fazia era usar os brinquedinhos sexuais. Quando ficava com mulheres vestia uma cinta de couro preto que continha o formato de um pênis ereto e preenchia o vazio da peça com os vibradores. Mas quando estava pronto para fazer isso... Lembrou-se que Kate era apenas uma maldita vampira... então teve uma idéia melhor.
Foi até o armário. Pegou papel e caneta. Sentou-se confortavelmente na poltrona de veludo vermelho e escreveu uma pequena carta.
Dobrou o bilhete com cuidado e o envolveu em um saquinho plástico, para preservá-lo dos fluídos corporais. Depois enrolou em volta de um vibrador e prendeu com fita adesiva. Foi até o cadáver de Kate e colocou o precioso recado na entrada da vagina empurrando profundamente canal adentro.
Quando o corpo fosse encontrado, naquela noite em meio ao lixo dos becos de Caldwell, a Irmandade teria uma grande surpresa!
Que se foda a reunião e todo o resto que aquilo significava!Era exatamente isso que Vishous pensou quando não se levantou da cama para ler a mensagem recebida. Permaneceu olhando para o teto e pensando no que acabara de ouvir.
Como aquela mulher teve a ousadia de lhe dizer que jamais poderia tocar nela novamente e que o sexo não o tinha satisfeito... bem, até aí... talvez Lisa tivesse razão. Não pelo ato, mas porque Vishous queria mais. Na realidade estava mais faminto por ela agora que a tinha penetrado, do que antes.
Desejava estar naquele banheiro com ela. Dar-lhe-ia banho, lavaria seus cabelos e acariciaria o corpo escultural com suas mãos e o sabonete. Vishous podia imaginar a cena e pelo jeito sua ereção também. Mas então porque não se levantava e ia ao encontro dela?
Foi exatamente o que ele fez.
De repente ele abriu a porta e entrou. Lisa estava no Box embaixo da cascata de água que caia do chuveiro, a espuma do sabonete escorria pelo seu corpo e uma névoa quente envolvia todo o banheiro. V. permaneceu em silêncio, mas ereto como estava, não precisava dizer absolutamente nada.
Ela se assustou, mas logo que sentiu aquele odor forte e sensual estremeceu e é claro que a ereção dele também era uma visão colossal e muito bem explicativa. Seu corpo respondia a Vishous como se responde a um chamado de socorro. Urgente, iminente.
Que merda! Controle-se, não se deixe cair em tentação. Não olhe pra ele. Desvie o olhar. Comece a contar os azulejos.Pensou Lisa.
V. ouviu. A frase ecoou divertida em sua mente e ele abriu um sorriso.
Assim é demais, que corpo é esse? Que sorriso é esse?Lisa Hendrix, você não pode desejá-lo, acorde! Ok, ela ainda tinha uma consciência, mas não tinha certeza de que era forte o bastante para segui-la.
Ela virou de costas, quebrando o contato visual.
– O que quer Vishous?
– Você!
E que belo traseiro! Posso jurar que se virou só pra me provocar lellan... O sorriso ainda continuava expresso em seu rosto enquanto pensava.
– A resposta é não, agora saia desse banheiro!
Sem qualquer aviso se materializou dentro do Box, empurrando-a contra a parede. Sem pedir licença roubou-lhe um beijo. A língua de V. entrou na boca de Lisa faminta e ele esfregou seu maciço membro contra as coxas dela. Enquanto se beijavam, ele sentia a resistência de sua fêmea ruir pouco a pouco.
Lisa colocou as mãos entre eles e tentou afastá-lo de seu corpo.
– Vishous, pare.
– Não!
– Deus... se continuar será contra a minha vontade.
– Mentira e posso provar.
Ele desceu a mão sem a luva pelo corpo de Lisa e só parou quando lhe tocou a vagina. Úmida... pronta para ele. Vishous penetrou um dedo dentro dela e mostrou-lhe o quanto estava excitada. Provando para Lisa que agora era ele que estava no controle e que sabia perfeitamente o que ela sentia.
Enquanto Lisa gemia e deixava a cabeça pender para trás, ele agarrou-lhe o traseiro e ergueu-a do chão, posicionando seu pênis no centro dela. Mas não a possuiu.
– Disse que eu menti que não gostei do sexo porque foi do seu jeito. Tudo besteira e você sabe disso. Seu olhar estava fixo em meu rosto enquanto eu gozava. Sentiu dentro do seu corpo o meu ápice, o meu tremor. Nega? Consegue negar, Lisa?
Ela não respondeu e ele pressionou o pênis contra ela deixando claro o que estava para acontecer.
– Não vai me responder? Agora é você que está sem palavras?
A voz dela falhou. Simplesmente as palavras não saiam por que estava dividida em querê-lo mais do que seu próprio orgulho e repudiá-lo pelo enorme engano que ele significava em sua vida.
– Se fizer o que está pensando em fazer, se continuar com essa insanidade V., vou odiá-lo para sempre, então é melhor que você...
Ele não esperou que Lisa terminasse a frase. Enterrou-se naquele corpo quente e luxurioso com total segurança e convicção. Penetrou-a profundamente e bem devagar. Era tudo que Vishous precisava e entre gemidos abafados pela água que caia acariciando ambos os corpos ele começou a falar frases cheias de verdade e de agonia.
– Você já me odeia e eu sei que não terei outra chance, então vamos terminar isso aqui e agora. É nossa última vez. Sei que não será capaz de me perdoar e realmente penso que não mereço ser perdoado. Mas se você não pensar no amanhã também não farei isso. Se ficar aqui, comigo e esquecer que existe um mundo lá fora, então talvez possamos acreditar dentro de nossas mentes doentias que poderíamos ter dado certo... Apenas, fique comigo Lisa. Se entregue a mim sem pudores, porque é isso que espero e necessito de você agora!
Ela fechou os olhos e sentiu todo o calor que emanava do corpo de V. Ele só parou de falar porque sua boca encontrou os seios arredondados e os mamilos rígidos. O sugar, as lambidas, o resvalar das presas... Lisa perdeu a noção de onde estava, mas não com quem estava. Com certeza ela viveria um calvário quando aquele momento terminasse talvez a dor de deixá-lo, de esquecê-lo alcançasse um nível elevado e cruel, mas ela suportaria. Afinal já tinha suportado dores dilacerantes antes de Vishous na sua abominável vida, ela era uma sobrevivente e continuaria sobrevivendo... isto é, se a raça dele permitisse tal fato.
– Eu... não pensarei no amanhã. – Ela rodeou-lhe a cintura com suas pernas. – Mas quero que saiba que eu odeio você. – Segurava a cabeça dele, aproximando-o ainda mais.
– Tudo bem. Posso viver com isso... só não posso parar, não quero parar. Quero você e agora será do meu jeito. Do jeito que não terminei.
– Não vai me dominar...
– Sim... eu vou.
Ele abriu a porta do Box e ainda enterrado dentro dela caminhou de volta para o quarto, para a cama, carregando-a com seus braços poderosos. Não fecharam o chuveiro. Também isso não importava. O que significava esgotar a água potável do planeta se eles estavam a ponto de se consumirem até não sobrar absolutamente nada?
Vishous acomodou-a delicadamente em cima dos lençóis então afastou seu pênis, retirando-se.
– Continue não pare!
O murmurar na voz de Lisa quando ela fez esse pedido era algo indecente e V. estremeceu ao ouvir. Isso, era isso que ele queria.
– Está implorando?
– Não! – Ela sorriu maliciosamente. – Nunca vou implorar nada a você!
Vishous puxou os braços de Lisa para cima de sua cabeça, dos cabelos molhados e deu a ordem.
– Agarre-se a cabeceira da cama e não solte.
Ela obedeceu e foi então que ele entendeu que ela merecia seu prazer e nada, nada da dominação ou da submissão que ele exercia com as outras pessoas. Parecia errado exercer tal poder no corpo de Lisa.
Ela sentiu que Vishous relutou, começou a se afastar em pensamento, com uma ação rápida provocou o macho audaciosamente. Arqueando o corpo, Lisa chegou com a boca na jugular de Vishous e o mordeu levemente imitando o sugar dele em seu pescoço.
O movimento foi tão erótico que V. atingiu o orgasmo. Gozou sobre o ventre de Lisa precocemente.
–Lisa... – ele gemeu.
Gemeu alto e seu instinto territorial aflorou. Ainda com o corpo em convulsões tentou falar.
– Não posso... se eu a morder de novo... não conseguirei... parar.
– Então não me morda... o que quiser Vishous. Ainda estou com as minhas mãos na cabeceira da cama, olhe. Então faça o que quiser com o meu corpo. Ele é seu.
Assim, daquele jeito era perfeito. A entrega, a rendição, o amor que ambos lutavam austeramente para negar, o orgulho sendo deixado de lado e as diferenças esquecidas no momento ardente.
Vishous olhou para o pescoço de Lisa, mas em vez de mordê-lo, lambeu e beijou as mordidas demorando-se um bom tempo nisso. Primeiro de um lado e depois do outro com cuidado, com reverência. Então começou seu passeio.
Baixando os lábios beijou-lhe os ombros e logo chegou aos seios. Rodeou com sua língua quente e sugou tomando-os completamente em sua boca. Ele sentiu exatamente o momento onde a pele de Lisa se arrepiou por completa.
Voltou a passear pelo corpo cobrindo de beijos a cintura, o umbigo e o ventre plano e liso. Avistou a tatuagem da rosa solitária que ficava ao lado do corpo e brincou passando seus dedos por cima das linhas delicadas. – Eu teria tatuado melhor, mas mesmo assim ficou linda em seu corpo, combina com você! – Outra frase que Vishous pensou, mas não pronunciou.
Desceu mais a boca serpenteado sua língua pelas pernas da fêmea até chegar aos pés, só então começou a subir. Quando depositou seus beijos logo acima dos joelhos, Lisa separou as coxas em um movimento convidativo... ela desejava aquilo tanto quanto ele ansiava. Ela sentia-se totalmente úmida e cheia de um desejo ardente e feroz... de repente um orgasmo começou a aflorar em seu corpo tamanha a ansiedade pelo toque. Vishous percebeu.
– Oh, não, não agora! – Ele se afastou de seu corpo. – Não goze agora. Apenas quando eu permitir. Não antes.
Ao perceber que V. tinha se afastado Lisa enrijeceu o corpo numa sofreguidão desesperada. Ele ia fazer novamente, ia deixá-la ali sozinha como fez anteriormente à beira do êxtase. Provaria que era mais forte, mais determinado e mais controlado do que ela.
Vishous sentiu quando a vontade de Lisa diminuiu e escutou claramente seus pensamentos atormentados. Ela sofria pensando que ele só queria subjugá-la e dominá-la mais uma vez.
Ele olhou para o rosto dela, entre o insano desejo havia um fragmento de tristeza ou melancolia, não soube distinguir, mas estava lá e ele era o culpado, era o culpado por tal sentimento.
– Você... vai se afastar, não é? Por favor... não Vishous.
A frase saiu picotada como uma súplica.
– Não, não vou me afastar. O que eu quero é mergulhar em você Lisa... só parei por um momento porque quero que você aproveite o máximo as sensações.
Ele sentiu a imediata resposta do corpo dela e um sorriso iluminou-lhe o rosto.
– Tire a luva V, me toque sem ela.
Caramba... quem é que comandava aquele show? Ele com certeza, não! Só por escutar essa frase Vishous quase gozou novamente. Procurando por autocontrole, ele retirou a luva devagar. Depois disso passou a mão brilhante sobre toda a extensão do sexo de Lisa, estava molhada, mas não era por causa do banho.
Ela gritou de prazer e Vishous mergulhou no mar que ele tanto desejava. Chegou ao centro dela com sua boca, procurando faminto pelo sabor que ele jamais esquecera. Estava sedento, alucinado.
Esfregou seu cavanhaque, seu rosto e depois penetrou sua língua mais e mais fundo. Agarrou-a lhe travado o quadril e o ventre dominando seus movimentos. Só ele agia. Só sua boca se movia... e ele achou o ritmo. Não houve clemência no que ele fez.
Lisa entregou-se admitindo todo o poder que Vishous tinha sobre ela. Ela conseguia ouvir o barulho do sexo, da boca contra sua pele. Conseguia sentir o arranhar torturante do cavanhaque e o toque delicioso da língua...
– Goze pra mim – ele disse contra o seu corpo. – Agora mesmo!
Lisa soltou as mãos da cabeceira da cama. Agarrou os cabelos de V. e o pressionou ainda mais contra o seu sexo, então aconteceu. O orgasmo chegou autoritário deixando-a completamente desnorteada, embriagada. O líquido invadiu a boca de Vishous, descendo por sua garganta e ele fez questão de sugá-lo por completo.
Vishous levantou os olhos enquanto Lisa atingia o ápice em sua língua. Observou suas feições, seu rosto, a boca entreaberta, o soltar das mãos e o brilhar dos olhos. Ele a estava guardando no mais profundo lugar de seu cérebro, aquelas imagens se transformariam em preciosas lembranças num breve futuro.
Ainda divagando e saboreando o delicioso gosto, escutou a voz dela descompassada soar em seus ouvidos.
- Transe comigo V... entre em mim, preciso... sentir você... possua-me.
– Oh... lellan! Sim.
V. aninhou-se no meio das pernas dela, totalmente ereto. Passou os braços por trás dos joelhos dela e a puxou em direção ao seu membro duro e orgulhoso, penetrando-a de uma única vez. Ela o agasalhou da ponta a base, seu coração batia como um tambor, sua pulsação era densa, forte e enquanto olhava para Vishous ela estremeceu... Deus, eu o amo!
Balançou a cabeça afastando o pensamento e concentrou-se no ritmo intenso, a ereção penetrava-a como se tivesse vontade própria. O odor aumentou e preencheu ainda mais o quarto, enquanto ele a tomava sem dó nem piedade.
Vishous respirava com dificuldade, seus músculos estavam totalmente rígidos, suas presas compridas, as estocadas cada vez mais intensas... ele não suportou. Com um rugido gutural liberou seu gozo, pronunciando o nome dela. Lisa o acompanhou arqueando as costas, cravando suas unhas no traseiro dele, sentindo seu prazer se misturando ao de V.
Vishous desabou em cima do corpo de Lisa, soltando todo o seu peso, relaxando, apreciando a calmaria. E ela o recebeu abraçando-o e alisando suas costas com as mãos.
– Perfeito.
Ela sorriu, mas não disse nada. Não queria afugentá-lo com palavras erradas e as certas... Lisa, não pronunciaria.
– O quê? Não vai dizer nada? – Disse V. levantando o rosto e olhando para Lisa.
– Não... prefiro escutar seus elogios.
A voz dela era divertida e provocante.
– Eu fiz elogios?
–Ah... Ahmmm! Fez.
– Que eu me lembre eu disse perfeito. Só.
– E “perfeito” é uma crítica? Só se for no seu mundo gato.
– Gato? – Ele sorriu alegremente. – Não sou gato, sou um Guerreiro.
– Sei que é um Guerreiro, mas é muito, muuuuuito gato.
– Por favor, eu...
– E por mais difícil que seja pra você admitir, se olhar no dicionário encontrará sinônimos de “perfeito” palavras como: completo, excelente, ótimo, absoluto, divino... E todo esse conjunto fui eu e o meu corpo que proporcionamos a você. Então... sim... aceito seus elogios!
Ela estava tão linda, tão feliz, tão exuberante. O belo sorriso não saia da sua boca e estava se divertindo muito com toda aquela situação. Uma Lisa que ele nunca tinha visto antes.
Ele rolou na cama, deitando-se de costas e puxando-a, colocou-a sentada em cima dele.
– Ok, ta bom... já entendi. Você até que tem alguma razão.
– Alguma? Qual é? Eu sou perfeita...
– Pra mim.
Ele não tinha dito aquilo, ela entendeu mal. Foi isso, só podia ser!
– Perfeita pra mim, lellan. E antes que pergunte “lellan” é um termo usado em meu Idioma Antigo que quer dizer... muito amada!
Lisa abriu a boca, mas as palavras não saíram. Ela estava emocionada e então as lágrimas começaram a rolar pelo seu belo rosto.
– Escute, me ouça com atenção. Nunca houve e nunca haverá em minha existência fêmea como você. Eu sou realmente grato por ter me mostrado que não sou uma aberração tão insensível como sempre pensei que fosse. Eu devo isso a você lellan.
Lisa segurou a mão direita brilhante de Vishous e levou-a ao encontro de seus lábios beijando-a ternamente, feito isso debruçou sobre ele e encostou sua boca nas tatuagens da têmpora direita e cobriu todas elas com mais beijos, contornando serenamente toda a região do olho. Por fim baixou seu corpo e chegou à região da virilha e também as coxas. Ali as tatuagens existiam para advertir sobre uma terrível procriação, mas Lisa continuou e como se cumprisse um ritual litúrgico beijou todas elas minuciosamente e devagar, cobrindo toda a extensão, todo o desenho. Não havia nada de sexual ou erótico naqueles gestos, naqueles beijos.
Quando ela ergueu o corpo olhou-o compenetradamente e percebeu o quanto ele estava chocado pelo ato, pela manifestação de absolvição que Lisa havia lhe proporcionado. Ainda com lágrimas nos olhos ela começou a falar.
– Você não é uma aberração Vishous, nunca foi. Não pra mim. As tatuagens que lhe impuseram não significam nada, não representam o que você é realmente. Quero que se lembre disso, mesmo quando eu não estiver mais aqui. Prometa-me, prometa que irá sempre se lembrar dos meus beijos e que eles serão como um bálsamo em suas marcas. O que você possui é um dom, uma dádiva e não uma maldição. Prometa.
Ele agarrou a mão dela e colocou em cima de seu peito, na altura do coração e jurou solenemente.
– Eu prometo!
Ambos sabiam que não havia futuro para eles. Lisa era a ameaça e Vishous a racionalidade... e se Wrath ordenasse a execução... ele obedeceria.
No escritório do Rei a reunião seguia sem Vishous. Raghe já tinha contado minuciosamente tudo que havia ocorrido na sala do Buraco e todos estavam atônitos com tal acontecimento.
– Eu já disse Wrath e torno a repetir essa mulher é perigosa, ou pelo menos está se tornando perigosa. Em nenhum momento temeu por sua vida diante da besta. Pela Virgem não sei o que fazer.
– Acalme-se Raghe, não chegará a lugar algum dessa maneira. Você está uma pilha.
Falou Thor, tentando acalmá-lo.
– Pra você é fácil falar, não está sendo dominado por uma bruxa, uma feiticeira maligna.
– Acha que Thor não enfrentou problemas maiores do que esse? Preciso lembrá-lo sobre a perda?
Quem pronunciou a pergunta secamente foi Zsadist. Ele não era de falar, mas quando falava era direto e certeiro.
– Claro que não. Mas um assunto não tem nada haver com o outro.
– Pelo amor de Deus Hollywood, o psicótico aqui sou eu. Olhe pra você? Está completamente fora de si, parece um louco e não pense que Bella não comenta sobre como você vem tratando Mary.
– Deixe minha shellan fora disso Z., ou iremos brigar feio, entendeu?
Zsadist plantou seus pés firmemente no chão e fez um gesto com a mão chamando Raghe para a luta.
– Pode vir bonitão, porque eu não tenho medo de você.
– Basta! -Gritou o Rei enfurecido. – Zsadist está certo. Principalmente a respeito de Mary. Minha Rainha também está preocupada. Que merda Raghe, será que preciso lembrá-lo de suas obrigações para com a sua shellan?
– É claro que não.
– Pois não é isso que vejo. Acalme-se homem ou pretende sair para lutar assim, desesperado?
– Estou bem e sem querer ofender. Acho que você deveria ordenar a execução dessa mulher.
Bateram nas portas do escritório e Vishous não esperou pela resposta para abri-las. Ele entrou, fumando sua cigarrilha e vestido para a luta e não disse uma única palavra. Caminhou até parar ao lado de Zsadist, encostando-se na lareira.
– Olha só quem resolveu aparecer?
– Não começa Wrath.
– Presumo que estava muito ocupado, afinal não atendeu o celular. Pode nos contar qual o motivo do atraso?
O Rei fechou os punhos com força apertando os lados de sua mesa, caso contrário socaria o rosto de Vishous.
– Não, não posso. Se bem, que levando em conta que nesta Irmandade tem um bando de comadres fofoqueiras, acredito que todos já saibam.
Ele olhou direto para Butch, mas não culpava o amigo, afinal pra que mentir para o Rei e os Irmãos? Assim como ele ouvia os sons do sexo entre o tira e Marissa, com certeza Butch tinha ouvido o que ele e Lisa fizeram naquele quarto por mais de duas horas.
– Não brinque comigo V., não estou para piadas.
– Não é uma piada Wrath. E se estão interessados... acabou... mesmo antes de começar. Não há nada entre nós e é a última vez que me ouviram falar sobre esse assunto. Isso diz respeito só a mim e a mais ninguém desta sala.
– Até parece que acredito. Aquela mulher se atira em cima de você toda a vez que o vê. Disse Raghe sarcasticamente.
– Pro seu bem, é melhor se preocupar e cuidar da sua mulher Hollywood, senão ela achará outro que cuide.
Quando Raghe estava a centímetros de colocar suas mãos em Vishous, o Rei deteve o ataque colocando-se a frente e aplicando uma chave de pescoço.
– Chega Raghe, acalme-se.
– Ele não tem esse direito Wrath.
– Muito menos você. – A voz de V. saiu sinistra e agourenta. – Nunca mais se refira a Lisa dessa maneira vulgar e não use sarcasmo pra cima de mim, assim você evita queimaduras.
Ergueu e fechou a mão enluvada no ar, deixando bem claro que não estava brincando.
Butch e Z. posicionaram-se ao lado dele sutilmente, para o caso da situação fugir do controle, enquanto Wrath soltava o pescoço de Raghe.
– Porra, parou! Afaste-se Vishous. – Wrath apontou o dedo em direção à lareira. – E hoje você não sai para lutar Raghe, em hipótese alguma. E SOU EU, o Rei quem está mandando e exigindo obediência. Agora... vamos todos nos sentar e continuar com essa maldita reunião.
Os ânimos se acalmaram depois das palavras enérgicas do Rei e cada Guerreiro procurou por seu canto, seu lugar no escritório como era de costume.
Phury estava falando sobre a lista de civis desaparecidos quando a porta do escritório voltou a ser esmurrada com força pelo lado de fora seguido de gritos que chamavam o nome do Rei.
– Wrath... Wrath... abra, por favor!
Era Lisa.
Quando as portas finalmente se abriram todos puderam notar que ela estava totalmente exacerbada, transtornada.
Vestida com o roupão negro de V., as lágrimas caíam em desespero e ela correu diretamente para o Rei, abraçando-se a ele sem medir as consequências de tal ato.
Vishous na posição de macho vinculado rosnou por um momento e o odor da vinculação espalhou-se pelo cômodo, ele fervia. Pelo menos até Lisa começar a falar.
– Kateryne... ela está... você sabe... ela...
Mesmo com todos os enormes problemas que todos estavam enfrentando ultimamente o Rei tinha compaixão. Ele olhou para a humana e tentou consolá-la usando voz baixa e tranquila. Segurou-a pelos braços gentilmente e afastou-a um pouco, só para conseguir olhar para o seu rosto.
– Ei, calma. Respire, assim conseguirá falar.
– Desculpe... é que... ela, ela está morta.
As lágrimas teimavam em rolar por seu rosto e todo o seu corpo tremia, então suas pernas cederam e Lisa caiu ao chão de joelhos. Vishous queria se aproximar, mas entendeu que se ela tinha escolhido o Rei o melhor há fazer era permanecer em seu lugar.
Quando seus joelhos tocaram o tapete persa, Lisa levou as mãos tentando cobrir o rosto, esconder o horror.
Wrath curvou-se e com um gesto de benevolência surpreendente pegou-a no colo, levando-a para o sofá.
Os murmúrios de espantos ecoaram pelo escritório.
Vishous não suportaria aqueles cuidados por muito tempo, principalmente se pensasse que as mãos de outro macho estavam tocando o corpo da sua fêmea. O ciúme o consumia e tudo que ele pensava era porque Wrath e não ele.
Zsadist não hesitou e prontamente encostou seu ombro no ombro de Vishous. O contato fez V. desviar o olhar para seu Irmão e compreender que se ele perdesse a cabeça Z. o deteria rapidamente.
– Me conte o que aconteceu Lisa, tente falar calmamente para que eu possa entender o que está acontecendo.
– Ela simplesmente apareceu no quarto de Vishous... eu estava deitada. Mas assim que olhei pra ela eu sabia... sabia que estava morta. Disse-me seu nome: Kateryne e é da gimêra, eu não entendi essa parte...
– É glymera, quer dizer que pertence a nossa aristocracia. Explicou Wrath.
– Meu Senhor, o nome Kateryne consta na lista dos desaparecidos, aqui está.
Phury mostrou o nome escrito no papel para Wrath, esquecendo completamente que seu Rei não conseguia ler sem a lupa de aumento.
- Oh, meu Deus... Wrath, eu sinto muito. Tudo é real, então?
– Talvez sim Lisa. Ela lhe disse mais alguma coisa?
– Falou para que eu procurasse pelo Rei e que contasse ao Senhor que seu corpo esta num dos becos da Rua Trade... Oh, Deus ela era tão bonita!
As lágrimas voltaram a rolar, Wrath levantou do sofá e ordenou.
– Saiam agora! Vasculhem e deem notícias assim que for possível. Precisamos nos certificar de que tudo isso é verdade antes de tomarmos qualquer atitude. Quanto a você Raghe, já sabe, ficará na mansão.
Os Guerreiros começaram a sair do escritório. Vishous fez questão de ser o último, permanecendo encostado na lareira.
– Sinto muito Wrath, por ser portadora de más notícias.
– Isso não é culpa sua.
O Rei estendeu a ela uma caixa de lenços de papel que Lisa aceitou prontamente.
– Obrigado e se me permite... eu gostaria de dizer que qualquer que seja sua decisão sobre mim, eu entendo.
– Entende?
– Sim. Você só quer fazer o melhor pelo seu povo e isso é algo para se admirar.
Vishous desencostou da lareira e começou a andar, quando ele passou por Lisa ela lhe estendeu a mão. Nada. Ele a ignorou, nem sequer olhou na direção dela. Saiu pisando firme e soberbo sem pronunciar palavra alguma.
Ela olhou para o Rei surpresa com a indiferença de V. e perguntou.
– O que foi que eu fiz de errado desta vez?
Notas finais
Comentem, porque fico ansiosa para ler as opiniões e tenho que confessar que também adoro responder.
Bjs e um ótimo final de semana.
Fênix
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