Notas iniciais
Olá minha amigas!

Depois de um loooongo período, estou aqui para postar o novo capítulo.
Primeiro quero agradecer por todas as mensagens carinhosas e solidárias que encheram o meu coração de esperança e me confortaram na crise de depressão que minha mãe atravessou. Ela está bem melhor, se recuperando.
Agora vou contar uma coisa muito legal... Neste final de semana (06/04) fui viajar com o meu marido para João Pessoa para ele competir em uma prova de Triatlhon e tive a felicidade de conhecer uma das minhas leitoras, que aliás, já passou disso a muito tempo.
Eu tive a alegria de conhecer a minha amiga Camilla e tenho que admitir que fiquei emocionada. Foi tão fácil conversar, contar coisas e principalmente rir.
Camila você é o máximo!
Eu espero que isso possa acontecer de novo, conhecer outras garotas. Por isso quando vierem a São Paulo, podem me procurar.
Ahhhh... desta vez quem está ansiosa pelo capítulo sou eu. Gostaria de ser uma mosquinha para ver as expressões faciais de cada uma de vocês ao lerem.... pode se dizer que uma bomba explodiu!!! kkkkkkkkk
Boa leitura.
Fênix

As paredes cinza de concreto armado racharam. Pelas rachaduras escorria uma água fétida, corrompida e contaminada. A pressão implacável desse líquido pegajoso pulsava mais forte do que um coração disparado dentro de um ataque cardíaco.

A débil represa encontra-se saturada, com sua capacidade operacional falida e com engrenagens enferrujadas e apodrecidas. As comportas trancadas por obrigação e principalmente necessidade, tinham sido lacradas para que o resguardo dos sentimentos doentios fosse perpétuo. Mas é impossível conter a dor de uma alma instável e despedaçada.

Tudo parecia sob controle e estranhamente calmo. Algumas sensações, bem diferentes daquelas que estavam trancadas, começavam a emergir serenamente... até parece que não queriam demonstrar que ainda existiam, que tinham sobrevivido ao longo penar.

Um pequeno contentamento, uma casta coragem, uma singela avidez, um crescente desejo. Tudo discreto, tudo muito ponderado.

Tudo debaixo do máximo controle até o despender de um grito lancinante. Um grito abrupto e febril, tão carregado de horror e tão potente que fez a represa ruir. Estilhaçando-se em milhões de pedaços.

- Imunda... estou imunda.

Os soluços ficavam mais intensos com o passar dos minutos. Não havia como contê-los. Ainda segurando as mãos de Mary em um aperto forte Lisa chorava desesperada.

Não era uma cena fácil de assistir. Lisa desmoronava sob o peso de sua culpa, de sua vergonha e de suas escolhas erradas. Ela era apenas um fragmento. Uma pequena migalha da mulher glamorosa que fora um dia.

Não conseguia enxergar o limbo em que estava mergulhada, mas para Mary era tudo tão claro. Quanto mais se foge dos traumas, dos medos profundos... mais eles envolvem e torturam fortemente a sua consciência e a sua lucidez.

- Chore Lisa. Ponha tudo para fora.

- Não há perdão para o que eu fiz. – lágrimas pesadas rolavam por um rosto transtornado – Eu disse... disse a ele que seriamos uma família. Eu disse a ele que essa criança era dele e Paul respondeu dizendo que me amava.

A confissão havia sido pronunciada. O pior pesadelo de Lisa, finalmente, saia por sua boca e para Mary resumia-se em instinto de preservação. Foi um modo, o único modo ao alcance de Lisa. A única arma que tinha e que usou para proteger a si e principalmente ao seu bebê.

Um gosto amargo atingiu-lhe a boca, um fel viscoso e insuportável. Seu estomago revirava dando voltas e se contorcendo em ânsias terríveis. Em algum lugar do seu cérebro completamente fodido Lisa sabia que tinha ultrapassado os limites, tinha confessado seu maior crime, sua vergonha. Ela não foi capaz de conter o vômito. Era desolação.

Foi o que a manteve viva. Suas mentiras, sua fraude secreta. Ela enganou os sentidos do psicótico redutor criando uma fábula, uma ficção até certo ponto perfeita e agora é o que a está matando. Pensou Mary, mas como dizer isso a Lisa? E como ignorar que o relacionamento com Vishous resumia-se em frio e distante?

- Ficarei aqui, com você, até que não queira mais falar – disse Mary com sua tradicional voz calmante e compassada – Permita-se falar Lisa. Estou aqui para lhe escutar e tenha a certeza de que jamais a julgarei. Por favor, continue.

Os olhares das duas mulheres se encontraram e ali, naquele momento o elo havia sido formado. Lisa começou a contar sobre seus dias de cativeiro... por mais excruciante que aquilo significasse ela tinha que vomitar toda a sua sujeira, toda a imundice que a sufocava.

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- Isto aqui está um drama hoje. É sempre assim por aqui? – perguntou Legassa enquanto caminhava por entre o salão das refeições rumo ao escritório de Wrath.

- Que pergunta é essa? E vem carregada com um sarcasmo mórbido, não acha? O que você esperava? Uma festa? – A voz de Lassiter saiu mais seca do que ele desejava.

- Hei, sou um demônio, esqueceu? Não tenho compaixão.

O anjo parou seus passos para encará-la.

- Você pode sentir no ar desta casa a dor e o sofrimento, então se...

- Dor e sofrimento, disso eu entendo. Muito, aliás – respondeu ela sem demonstrar nenhuma emoção – Toda essa tristeza, essa angústia... isso é tudo tão previsível. É claro que Lisa iria sofrer e Vishous idem e Eligor também, visto que ele é o pai dela. Será que você, o anjo bonzinho esperava o contrário?

- Só pode estar brincando. A quem quer enganar? – retrucou ferozmente.

- Qual é Lassiter? Eu sou o que sou e não me importo com o que está acontecendo.

- Mentira! – rosnou indignado.

- Era só o que faltava – repreendeu-o levantando as mãos para o alto num ato incrédulo e indignado – O que você quer? Que eu chore por eles?

Lassiter colocou os pés no último degrau da escadaria e olhou em direção ao corredor. Estava deserto. Não respondeu para Legassa, apenas seguiu em direção ao escritório Real. Bateu na porta e não houve resposta. Esperou alguns segundos e tornou a bater, novamente só o silêncio.

Ele passou as mãos pelos cabelos e depois apertou as têmporas. Com o gesto demonstrou ao demônio que uma dor de cabeça estava se aproximando.

- Onde ele se meteu? – perguntou a fêmea nervosa.

- Porque está agindo dessa maneira, Legassa? Não estava com esse humor do caralho quando saímos para buscar o maldito piano.

Era uma pergunta seguida de uma afirmação e Legassa não gostou de se sentir acuada. Foi então que Lassiter percebeu o que estava acontecendo. Era tão nítido que se sentiu um perfeito idiota por não ter notado anteriormente. Ela estava nervosa, apreensiva por estar a sós com ele.

Então, aquela noite de sexo selvagem não tinha habitado somente horas e horas de seus pensamentos e desejos mais secretos. Ela também havia pensado sobre isso e as lembranças certamente preenchiam os cérebros de ambos.

- Já que estou com um humor do caralho é melhor ir embora. Não quero estragar o seu dia de perfeição celestial e amor fraterno para com tudo e todos que se relaciona – as palavras dela soavam como lâminas afiadas e pontudas sobre pele sensível – Afinal, o que se espera de um anjo é nada mais, nada menos do que uma integridade divina e imaculada.

Ele se moveu tão rápido que Legassa foi pega pelo assombro e pela surpresa que o momento lhe causou. Num segundo estava em frente à porta fechada do escritório de Wrath e no outro encontrava-se prensada, sem poder se mexer.

Outra porta fechada estava atrás de suas costas. Suas mãos foram erguidas e seguras sobre sua cabeça e o maciço e forte corpo musculoso de Lassiter estava a sua frente.

- Estou muito longe de ter uma merda de integridade divina e imaculada – rosnou o anjo a poucos centímetros da boca dela, seu agarre era autoritário e forte – Já trepei com você, lembra? Portanto ambos sabemos que não sou um modelo de perfeição e que a porra das regras não se aplica a nós.

- O que aconteceu foi um erro e...

- E desde quando um demônio liga para o que se passa ao seu redor? Não era exatamente isso que estava tentando me dizer?

Que merda! Pensou Legassa. Ela não conseguia enganá-lo, estava perdida e apesar de se sentir totalmente surpreendida pela raiva que brilhava nos olhos de Lassiter, também se sentia muito bem ao ter o corpo dele novamente colado no seu. Ele era tão quente e tinha um perfume tão... distinto, tão individual. Ele era diferente... ele a fazia vibrar de uma maneira boa.

Ela tentou se soltar do agarre. Balançou o corpo e puxou os braços, porém nada adiantou. Lassiter continuou firme com sua pegada feroz. A movimentação dos corpos só serviu para uma única coisa. Legassa sentiu a enorme ereção que lhe apertava o quadril.

- Está me machucando – vociferou o demônio.

- E você não gosta? – perguntou cheio de malícia.

- Porra! Gosto... gosto mais do que deveria. – a revelação irritada que acabara de sair da boca de Legassa levou os dois a loucura total.

Como se fosse possível Lassiter aproximou-se ainda mais, movimentou o quadril e esfregou sua ereção ordinária contra o corpo febril de Legassa, provocando-a, instigando-a a ceder. Só parou quando ouviu um gemido gutural saindo pelos lábios carnudos e sensuais da mulher que cobiçava incontrolavelmente.

- Vou abrir essa maldita porta e se você entrar nesse quarto comigo, não vou conseguir parar. Está entendendo? Preciso foder você. Você quer? Quer que eu foda você, Legassa?

As perguntas foram sussurradas a centímetros do ouvido. Daquele lado da nuca sensível que qualquer palavras faz você arrepiar e perder completamente a direção de casa.

- Mas que merda! Abra essa maldita porta... porque eu não quero parar, Lassiter – a voz de Legassa falhou sutilmente, quase gagejou – Apesar de achar que estaremos totalmente fudidos seguindo com essa insanidade... será o nosso fim. Você é a minha perdição.

A porta se abriu e dentro do quarto tudo o que existia depois que entraram... eram mãos e roupas voando. Não era possível saber onde os braços de Lassiter terminavam e as mãos de Legassa começavam. Podia se ouvir o som de roupas sendo rasgadas, gemidos sensuais e pequenas palavras soltas em desconexo. Era tudo tão erótico.

O abajur foi atirado ao chão e no segundo seguinte ele a empurrou sobre a enorme cama. Antes de se deitar sobre o corpo macio e escultural da mulher que tanto desejava, Lassiter parou para admirá-la. O rosto corado, o pescoço altivo, os ombros com aquela curva delicada, os seios com seus mamilos totalmente tesos que lhe abriam o apetite ainda mais, a cintura fina, o quadril volumoso na medida certa e a fenda sexual... a vagina exposta, aberta prometendo prazeres inimagináveis. Ele salivou e então fez o caminho de volta até seus olhares se firmaram um dentro do outro... profundamente em um lugar secreto onde só os segredos mais importantes podiam residir.

- Ambos estamos perdidos Legassa. – disse ofegante sem desviar o olhar.

- Eu sei.

- Como você disse... eu também gosto disso mais do que deveria – ele passou as mãos pelas pernas dela, subindo em direção as coxas torneadas – Para falar a verdade preciso de você... mais do que deveria.

- Temos um empate – ela murmurou enquanto sentia a cabeça do anjo se posicionar estrategicamente no meio de suas pernas escancaradas.

Como nada aconteceu, nenhum contato, nenhuma boca, Legassa ergueu o tronco do colchão apoiando-se nos cotovelos. O que ela viu lhe deixou extasiada.

Lassiter brilhava por inteiro e um desejo insano estampava seus lindos olhos, enquanto que um sorriso apimentado e luxurioso lhe preenchia os lábios. Ele realmente queria aquilo, queria aquela união tanto quanto ela desejava. Se ele não fizesse mais nada com o corpo dela, se só ficasse ali admirando-a, sem a tocar, mesmo assim ela seria capaz de gozar.

- Isso mesmo... olhe para mim, minha linda. Quero que olhe o que vou fazer.

Será que ele era capaz de ler seus pensamentos? Questionou-se Legassa diante da figura onipotente de seu amante.

- O que você quer? – perguntou com uma voz tão baixa e sexy que ela estremeceu.

- Você...

- Eu sei querida – e mais uma vez ele a surpreendeu.

Como um exibicionista, Lassiter correu uma das mãos pelo seu peito largo e bem devagar começou a escorregar para o abdômen cheio de sulcos. Com olhos fixos em Legassa ele percebeu e gostou, quando lentamente ela abriu a boca puxando o ar para seus pulmões e começou a seguir os movimentos da mão pelo seu corpo atlético com olhos vorazes.

Ela o estava devorando, quase no limite de sua resistência e era tão bom de olhar... Com certeza Legassa não tinha idéia de quão maravilhosa se encontrava. As labaredas incendiárias que dos seus olhos emanavam, a respiração difícil e entrecortada, os lábios levemente separados, o pequeno estremecimento no corpo pela expectativa de ser possuída por completo.

Ela era a visão perfeita e foi por isso que Lassiter continuou implacável em sua sedução. A mão dele não se deteve e logo estava fortemente agarrada a seu membro enorme, grosso e rígido. Não se sabe quem gemeu primeiro... Ela esticou os braços para tocá-lo.

- Não, não me toque! Somente olhe para mim.

Poderia se dizer que aquilo era uma tortura para Legassa se ela não estivesse adorando. Prerrogativas... era disso que se tratava? O demônio achava que não.

Ele estava derrubando todas as barreiras que ela possuía. Pouco a pouco todos os obstáculos viraram ruínas e ela deixou que ele se aproximasse do seu íntimo, da sua alma como nunca antes havia permitido a ninguém. Nem mesmo Eligor, que fez tanto por ela, teve acesso.

Em um movimento certeiro, Lassiter começou a movimentar sua mão para cima e para baixo, cobrindo toda e extensão de seu glorioso sexo, da cabeça até a base. E nesse vai e vem, vai e vem, ainda contido, ele começou a arfar.

Estava ajoelhado de frente para Legassa, porém aquela não era a maneira mais confortável para fazer o que estava fazendo, fora que tinha plena convicção que seu orgasmo seria tão intenso que não conseguiria se sustentar em cima de seus joelhos.

- É hora de trocar de posição... venha fique onde estou.

Enquanto ela assumia o lugar dele, ajoelhada no meio da enorme cama. Ele se deitou e acomodou o largo tronco em cima dos vários travesseiros que ele fazia questão de ter em sua cama. Abriu as pernas, colocando uma de cada lado do corpo de Legassa e voltou a se tocar, só que desta vez passou do exibicionismo erótico para um ritmo duro e mais intenso.

Quem ele queria enganar? Não era só ela que estava exposta... e sem perceber as palavras começaram a escapar por seus lábios.

- Legassa, olhe... Isso continue olhando – a mão dele acelerou e uma gota cristalina apareceu na fenda de seu membro que ficava cada vez mais rígido – Quero que entenda o que você provoca em mim, no meu corpo. Estou quase lá, querida... por você... para você!

- Ahhhh, Meu Deus... – foi à única coisa que ela conseguiu pronunciar antes que os tremores tomassem todo o seu corpo. Ela parecia sentir frio, mas era só desejo.

Lassiter sorriu, segundos antes de o orgasmo atingi-lo vigorosamente.

- Seu Deus? – perguntou ironicamente ainda com aquele sorriso em seus lábios – Não querida... eu sou um anjo, seu anjo. E estou gozando. Caralho... Legassa...

Ela pulou em cima dele ao ouvir seu nome sedutoramente pronunciado no meio do orgasmo e colocando sua mão em cima da mão que ainda envolvia o pau espetacular e que o levou a loucura, conseguiu sentir claramente os espasmos, a pulsação do gozo. O sêmen jorrou glorioso, espalhando-se por todo o abdômen.

Lassiter jogou a cabeça para trás e fechou os olhos em sinal de êxtase total e finalmente... depois de séculos Legassa se sentiu completa.

- Obrigada. – pronunciou atordoada.

- Pelo belo espetáculo? – ele brincou descontraídamente.

- Não! – ela semiserrou os olhos acompanhando-o no bom humor – Se bem que o espetáculo realmente foi muito bom. Mas estou agradecendo por não desistir de mim, por me trazer até aqui... por querer estar comigo.

- Você ainda não entendeu, não é mesmo, querida?

- O que?

- Eu não a chamei de “querida” só para seduzi-la ou tão pouco para que ocupasse minha cama. – o tom agora era de seriedade – Eu a chamei de “querida” porque é isso que você é para mim. Você é importante.

- Lassiter...

- Shhh... – ele colou o dedo indicador sobre os lábios de Legassa impedindo que ela falasse e continuou – Já relembrei aquela noite milhares de vezes e senti sua falta. Não foi só o calor do seu corpo que eu queria junto a mim. Era o conjunto todo, era você.

- Mas nós somos...

- Eu sei o que somos. Que se foda! – o desafio estava lançado, ele não ia abrir mão dela – Qual é o problema? Quem você pensa que vai nos separar? O meu Pai Supremo ou aquele idiota chamado Lúcifer?

- Ele é capaz de muitas coisas. Lúcifer sabe ser implacável.

- O que ele pode fazer? Expulsar você do inferno? Proibir que volte para lá? – Lassiter arrumou uma mecha do cabelo de sua mulher que lhe caía sobre os olhos. Naquele momento ele precisava enxergar-lhe o rosto e sentir suas emoções – Eu não tenho medo dele querida. E meu Pai sabe reconhecer o amor quando o vê, por mais estranho que seja a sua minifestação.

Ali estava novamente a surpresa. Ela arregalou os olhos, sem fôlego e então, entendeu tudo.

- Além de quê, se Lúcifer a expulsar... estará me fazendo um enorme favor.

Legassa balançou a cabeça não entendo onde o anjo queria chegar.

- Se ele fizer isso, você vem morar comigo. Aqui! E se não pudermos ficar, se Wrath não concordar, então arranjaremos outro lugar, talvez sua linda casa.

- Acho que estou me apaixonando por você. – confessou seriamente, enquanto o abraçava.

- Que bom – Lassiter sorriu, como sorri uma pessoa que ganha uma medalha por um feito heróico – Isso é muito bom, porque estou apaixonado por você desde o momento que cuidou dos meu ferimentos.

- Me beije. – pediu toda manhosa.

- Vou fazer mais do que isso querida. Vou amar você, vou adorar seu corpo até que não queira mais se levantar desta cama. Até que entenda que eu sou a única coisa de que precisa.

- Sim. Sim, Lassiter... eu preciso de você. – murmurou cheia de tesão.

Com um único movimento ele rolou e ficou por cima dela. O beijo chegou com tamanha volúpia que os dentes se chocaram... mas quem liga para isso quando os opostos se atraem em tamanha perfeição. Quem realmente liga para alguma coisa quando o amor consegue unir o improvável e o impossível?

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A porta da sala adjacente que também fazia parte do complexo da enfermaria se abriu e Mary surgiu com Lisa ao seu lado

- Ela pode andar shellan? – Perguntou Raghe preocupado.

- Sim, posso. Obrigado – respondeu Lisa rapidamente, afinal estavam falando dela.

- Ela está bem, então não vejo mal algum em Lisa voltar para o seu quarto.

- Não é melhor falar com V.? – insistiu Raghe.

- E você acha que eu preciso da permissão dele para ir para o meu quarto, Raghe? – o sangue de Lisa ferveu, e a pergunta ficou suspensa no ar – Por acaso sou propriedade dele?

Notando a instabilidade de Lisa, Hollywood permaneceu calado e é claro que o olhar de censura de Mary sobre ele também ajudou. Os outros que estavam presentes, como John, Qhuinn, Thor, Rehv, Wrath, Beth e Z. fingiram que não ouviram.

- Não quero ter uma nova discussão com V. – afirmou irritada – Portanto seu amigo que se foda e a vinculação dele por mim... também! Fui clara? Ele é a última pessoa a quem quero ver e quando este bebê nascer, tudo será diferente.

Lisa deu alguns passos e parou ao notar que Mary a seguia.

- Obrigada, Mary... mas estou bem, não precisa me acompanhar. Quero ficar sozinha.

- Está certo, como queira – respondeu docemente Mary.

Porém antes que Lisa saísse andando pelo corredor, ela parou em frente a Z.

- Desculpe por ter tocado em você. – ela fechou os olhos como se sentisse dor – Eu sinto muito, sei que...

- Não se desculpe – respondeu Z. somente para ela ouvir – Cada um de nós sabe dos seus fantasmas. Você não me fez mal algum.

- Obrigada. – ela balançou a cabeça concordando e caminhou rumo ao seu quarto.

Quando novamente só ouviam-se as respirações dos vampiros, os minutos tornaram-se causticantes. Já haviam se passado mais de duas horas quando V. e Elena entraram para examinar e colocar fim a hemorragia de Xhex. Quanto maior a demora, maior era a sensação de todos de que alguma coisa estava errada.

Finalmente a porta se abriu e V. saiu. Sua fisionomia era de extremo cansaço. A tensão do procedimento cirúrgico que nunca tinha executado sugou todas as suas energias. Executar aquilo era bem pior do que se arriscar todas as noites lutando contra os redutores.

- John... Xhex está estável no momento, mas vai precisar se alimentar em breve. Conseguimos para o sangramento. Vai ficar tudo bem. Pode entrar se quiser.

Foram às palavras necessárias para colocar John dentro daquele quarto e logo em seguida Elena saiu, deixando o casal a sós.

Balançando o pescoço fortemente de um lado para o outro V. sentiu suas vértebras estalarem. Cara, estava cansado, muito cansado e não só fisicamente. Houve um momento na cirurgia que temeu perder Xhex, mas Elena se mostrou segura e o apoiou em sua decisão de seguir em frente e cauterizar a ferida. Revh teve uma grande sorte de encontrar aquela fêmea. Ela era corajosa e o fato de ter uma estrutura óssea pequena enganava ou escondia tal qualidade. Daquele dia em diante, Vishous olharia para ela com respeito.

- E Lisa? – perguntou ele olhando para Mary.

Todavia a resposta não teve tempo de ser pronunciada. O soco explodiu sobre o seu maxilar quadrado, jogando-o para trás e fazendo-o cair contra o piso branco cerâmico. Suas costas bateram fortemente, assim como sua cabeça e antes mesmo que ele soubesse quem ou o que o acertou, Zsadith estava sobre ele novamente.

Ergueu-o pela camiseta somente o necessário para golpear novamente o rosto de V. com uma intensidade brutal. O sangue jorrou pelo canto da boca.

Atordoado Vishous ainda tentava assimilar o que se passava, o que deixou Z. numa posição confortável de invencibilidade.

- Filho da puta. – rosnou Zsadith transtornado, com as presas totalmente expostas.

Thor e Raghe correram para conter a fúria do Irmão. Sabiam o quanto ele era mortal, porém mal se levantaram de suas cadeiras e a voz de Wrath ecoou soberana pelo corredor.

- Ninguém se mete – ordenou o Rei – Não é a primeira vez que brigam e não será a última.

Beth não disse nada, mas apertou fortemente o ombro de seu hellren, apreensiva.

- Vai ficar tudo bem, lellan – sussurrou o Rei quase que com um pequeno sorriso nos lábios e apertou a mão dela com a sua – Confie em mim.

Como Z. não foi contido, os socos poderosos continuaram a castigar o rosto de Vishous.

- Você não passa de um cubo de gelo do caralho!

Um novo soco.

- Seu egocêntrico fudido!

Mais um soco.

- Ela precisa de você, seu arrogante de merda!

Outro soco.

- Eu devia matar você, mas o sacrifício não vale a pena!

Um último soco e Vishous apagou.

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4:00 da manhã! Onde se meteu o filha da puta? Pensou Nick do outro lado da rua, atrás de um poste, na frete do Iron Mask.

Sim, depois da morte de Lisa ele saia todas as noites procurando pelo homem de cavanhaque. Em algumas noites teve até sorte, encontrou alguns dos amiguinhos. Como aquele loiro com jeito de metrosexual e que para Nick não passava de um viado enrustido.

Porém depois do incêndio, da explosão que acabou com a Boate ZeroSum, perdeu o rastro de todos. Até que uma noite voltando para o carro desanimado por não ter encontrado nada que o levasse a sua vingança, percebeu a movimentação de dois indivíduos em frente ao novo “point” da cidade. A casa gótica que tinha sido inaugurada recentemente.

Ele nunca tinha visto na vida aqueles dois caras que estavam parados na entrada. Um tinha vários piercing no rosto, além de uma tatuagem o outro era um moreno alto com olhos azuis, porém eles faziam parte da turma que procurava, com certeza. As roupas, calças de couro, tudo preto... se encaixavam no perfil perfeitamente.

Nick andava sempre armado. Suas duas nove milímetros carregadas e com silenciadores era o que tinha mais próximo de “amigos” e estavam prontas para acabar com a raça do suposto “V”, o homem dos pesadelos de Lisa.

Ele tinha falhado com ela. Tinha permitido que se aproximasse dele. Ignorou seu alerta interno de perigo e agora só restava à vingança e o tormento da culpa. Porém não descansaria antes de enfiar várias balas na cabeça do assassino da mulher que ele amava como uma irmã.

Tinha perdido tudo. Seu trabalho, sua casa, Lisa, Anne... Ah, Anne... ela pensava que ele estava morando em Nova Orleans, mais uma mentira.

Todavia mentir e enganar eram necessidades básicas para que chegasse ao seu objetivo. E para que serve ser honesto? Para a mulher que ele ainda amava lhe dizer por telefone que tinha plena certeza de que jamais “V” mataria Lisa e que não iria à polícia denunciá-lo. E ainda se Nick assim o fizesse ela negaria tudo?

Maldição! Sua mão coçava sobre o gatilho das automáticas... mas era apenas uma questão de tempo.

Ele se lembrava muito bem do pesadelo, ouviu Lisa contar dezenas de vezes:

Era noite, a primeira nevasca atingiu Caldwell e “V” lutava com um homem de cabelos brancos em um beco escuro da Rua Trade.

O cara fantasmagórico conseguiu acertá-lo com uma faca logo abaixo da caixa torácica. Ele cambaleou... e depois um tiro ecoava no ar.

O tiro que ele, Nick dispararia. Bem no alvo, no meio de peito e então... fim. Lisa estaria vingada!

Ao saborear seus futuros passos sentiu um certo alívio e teve esperanças para continuar. Logo o sol surgiria. Ainda não foi dessa vez, mas também, não havia nevado na cidade, portanto o tempo ainda estava ao seu lado.

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As notas musicais de Axl Rose preenchiam uma parte da mansão. Soavam tão perfeitas e harmoniosas que era simplesmente impossível ignorar a bela, porém triste melodia.

Lisa estava sentada em frente ao seu majestoso piano de cauda negro e “November Rain” era executada com perfeição. Não havia canto, nenhuma sílaba pronunciada. Só o som de um piano solitário estendendo-se pelo horizonte.

Julia encolhida em uma poltrona no canto da sala permanecia imóvel, tomada pela emoção. Apesar das lágrimas molharem o seu rosto ela não conseguia se afastar. Era da sua natureza, ela era fiel e se Lisa precisava passar por isso, então Julia passaria com ela.

As luzes estavam apagadas, somente três velas posicionadas nos lugares certos iluminavam o local. Penumbra, o ponto “X” entre a luz e a sombra. O minuto melancólico em que tudo pode clarear ou mergulhar na escuridão total.

A melodia acabou e logo em seguida recomeçou. E acabou novamente e recomeçou. Acabou mais uma vez e também recomeçou... e recomeçou... e recomeçou... e recomeçou... e recomeçou.

Julia apertou seus olhos com força, passou os braços envoltos de si mesma e soluçou baixinho. Era uma lamúria, uma dolência.

As notas que saíam do piano vinham recheadas de arrependimento, desencanto, exaustão, isolamento, remorso e luto.

Uma sombra sobre o tapete persa, fez a garota girar levemente o rosto para trás. Vishous estava parado. Seu rosto esmurrado, ainda sangrava e o sangue manchava a camiseta.

Mas o que foi que houve? Julia até quis perguntar, mas não teve coragem.

Lisa não se virou, continuou concentrada, dedilhando seus dedos firmes entre as teclas brancas e pretas como se sua integridade dependesse disso e ele não ousou interromper.

Quanto tempo se passou? Nenhum dos três saberia responder. Um minuto, uma hora... foi então que Lisa chegou ao final da canção e... parou.

Silêncio.

- Não quero você perto de mim. – falou segura enquanto olhava as teclas do piano – Não quero que fale comigo. Não sei o que vai fazer com a sua vinculação e não me importo nem um pouco.

Vishous não respondeu, não houve sequer um movimento. Somente o som das respirações era audível.

- Eu o chamarei quando o bebê estiver nascendo afinal você ainda é o pai – a voz era implacável e totalmente calma – Nunca lhe negaria esse direito. Não tolerarei ser julgada por você ou pelos idiotas dos seus Irmãos, eles nada significam para mim.

Lisa fez uma pequena pausa e sem querer tocou em uma das teclas, a nota pareceu gritar.

- Eu me precipitei em sair sozinha. Agi tomada por um impulso errado, mas isso não lhe dá o direito de me tratar como se eu tivesse matado alguém ou pior... não sou uma de suas submissas que você ordena e ela imediatamente se ajoelha aos seu pés, obedecendo. Pensei que já tivesse enxergado isso. O amor que sentimos um pelo outro não é suficiente para que suas geleiras sejam derretidas e para que minhas culpas sejam absolvidas. Portanto chegamos ao fim da linha.

Lisa respirou fundo e continuou.

- Encontraremos um modo civilizado de conviver e assim você poderá fazer visitas constantes ao seu filho e claro, eu deixarei que cuide da segurança de minha nova casa. Sei que isso o deixará mais tranquilo. Não quero lhe causar mais aborrecimentos do que já causei e espero a mesma consideração. De hoje em diante não estarei mais presente as refeições, não preciso dessa socialização. Eles são a sua família e não minha. E tem mais uma última coisa, se eu estiver em qualquer local desta mansão e você chegar, eu irei me retirar. Afinal esta casa é sua e a intrusa aqui sou eu.

Ela esperou alguns segundos para que ele respondesse, como não houve resposta, Lisa recomeçou a tocar. Vishous então, virou e saiu sem fazer qualquer barulho.

Tudo estava terminado entre eles.

Notas finais
Me contem tudo!!!
Estou com brotoejas pelo corpo todo para ler os comentários.
Sejam looongas... eu adoro ouvir vocês!!!!
Um enorme beijo.
Fênix