Notas iniciais
Olá minhas queridas amigas.

Depois de dias sem nenhuma inspiração. Que tortura!
Não precisam me cobrar a entrega de um novo capítulo, porque eu mesma me torturei com o prazo.
Acabei de descobrir que sou mais ansiosa que vocês. kkkkkk
Enfim, consegui escrever o capítulo e (modéstia a parte), acredito que ficou bom.
Travei geral e devo admitir que foi a dor INCURÁVEL de Lisa que me proporcionou essa agonia.
Fiquei desgastada, acabada e entregue. Me senti triste e derrotada com sua desolação.
Reescrevi este capítulo, nada mais nada menos, do que cinco vezes.
Meu Senhor... que coisa difícil foi enfrentar as palavras.
Não vou mais esticar tal tormenta, acabou!
Aproveitem o capítulo e comentem muuuuuito!
Agradeço de coração a Alice Netto pela recomendação desta história. Suas palavras me ajudaram a continuar.
Bjs.
Fênix

A grande TV de plasma exibia uma reprise, um jogo antigo, considerado um clássico pela ESPN: Red Sox contra Texas Rangers. Porém o corpo jogado de qualquer maneira sobre o sofá de couro preto só dispensava alguma atenção para levar a boca o cigarro artesanal ou o gargalo da garrafa de Goose, que por sinal estava no fim.

Vishous evitava ao máximo afastar as palavras pronunciadas por Lisa de sua mente, mas perdia a batalha tão fácil que não parecia estar se esforçando.

Não quero você perto de mim. Não quero que fale comigo. Não sei o que vai fazer com a sua vinculação e não me importo nem um pouco!

Não quero você perto de mim. Não quero que fale comigo. Não sei o que vai fazer com a sua vinculação e não me importo nem um pouco!

Aquilo martelava no seu cérebro sem cessar, soava como as badaladas infinitas produzidas pelo Big Bem londrino. Ele estava enlouquecendo e a culpa era exclusivamente sua.

Parabéns. Você conseguiu! Avisou-lhe a sua consciência. Finalmente ele tinha afastado de sua patética existência a única mulher que o amou. Mas ele não queria pensar, ele queria esquecer e se encheria de álcool o suficiente para chegar ao seu objetivo.

Tudo corria rumo a uma bebedeira épica e V. logo abriria a segunda garrafa de Goose, isso se a porta do Buraco não tivesse sido escancarada e Butch não tivesse entrado com passos cambaleantes por causa da luta contra os redutores durante toda a madrugada. Ele precisava da cura que só Vishous podia lhe dar.

Ele se levantou num pulo para ajudar o Irmão que estava pálido a ponto cair e vomitar.

– Cara, você está mal. – disse V. agarrando-o antes que ele tombasse ao chão – Deite-se comigo no sofá.

Enquanto se deitavam no grande sofá, Vishous envolveu seus braços em torno do peito e da cintura de Butch. O tira ficou de costas para ele e relaxou sobre o corpo viril de seu amigo. Imediatamente V. retirou a luva e uma luz brilhante começou a envolver os dois, até tomá-los totalmente.

O toque era suave e logo o milagre da cura acontecia. Demorou cerca de meia hora para que todo o mal fosse expurgado no corpo do tira. Ele estava curado. Quando finalmente suas forças voltaram, a pergunta não havia como não ser proferida.

– Mas o que diabos aconteceu com você? Quem fez isso na sua cara?

– Muito engraçado – respondeu secamente – É hilário. Eu devia estar rindo?

Butch sentou-se na beirada do sofá e olhou para V. que continuou deitado.

– E para sua informação já estou melhor, deveria ter visto quando acordei em cima de uma das macas da enfermaria – completou de péssimo humor.

– Que porra aconteceu?

Vishous passou a mãos pelos cabelos puxando-os para trás. As tatuagens nas têmporas ficaram nítidas.

– Z. – ele murmurou.

O tira se levantou, andou até a cozinha, pegou um copo e voltou trazendo consigo o whisky Lagavulin.

– Comece a falar – ordenou o tira, sentando-se ao lado dele e tomando o primeiro gole.

– Não tem o que falar. Não sei o que deu em Z.

– Cara, você é muito inteligente para não entender porque foi esmurrado – mais uma vez ele levou o whisky a boca e bebeu – Zsadist também está com a cara amassada, posso presumir. Qual o motivo da briga?

– Eu sequer encostei nele – e assim como Butch, V. também bebeu, só que Goose e direto do gargalo.

– Então não foi uma briga?

– Não da minha parte – respondeu sem querer entrar em detalhes.

– Tá. Entendi... Lisa! Lisa foi à causa. O que você fez dessa vez? – perguntou mais alto do que desejava.

– Eu? Eu não fiz porra nenhuma, caralho – respondeu não gostando nenhum pouco do tom na voz do tira.

– Como sempre, não é?

Butch se levantou em uma atitude até certo ponto ameaçadora e olhou fixamente para o rosto sombrio de Vishous. Ele podia perceber que seu amigo estava por um fio.

– Vai me contar ou quer ficar sozinho?

O tira podia ver a dúvida dentro de V. Definitivamente o cara não sabia usar as palavras. Onde estava sua inteligência? Afinal ele era considerado pela Irmandade um gênio.

– Estou de saco cheio de toda essa merda que tem entre vocês dois. Puta que pariu... vocês odeiam a felicidade, não é?

Vishous só olhava para Butch que começou a andar em torno da mesa de “pebolin”. Ele parecia uma fera acuada. Aquilo não era nada bom.

– Eu juro por Deus – ele tocou o crucifixo pendurado em seu peito – Se você não começar a falar vou continuar de onde Z. parou.

V. fechou os olhos, tomando coragem ou afastando a dor?

– Acabou – foi à única coisa que ele conseguiu dizer.

– Dá para ser mais específico, porra! – explodiu Butch.

– Com Lisa... acabou, terminou. Não temos mais nada. – respondeu ele no mesmo tom do tira.

Aquilo foi o que faltava para a paciência cair por terra e o negócio ia ser feio, muito feio.

– Ahhh, por favor! Como é que vocês podem não ter mais nada? Que merda é essa que está dizendo?

– Ela disse – gritou V. – Com todas as letras.

– E você aceitou? Caralho... você aceitou uma porra dessas?

Era possível ouvir o ecoar dos gritos pelo jardim e até na garagem, já que o Buraco, a Casa da Guarda, ficava razoavelmente perto. Apesar de soar assustador ninguém apareceu para ver o que se passava, nem mesmo Marissa que havia retornado do “Abrigo” há algum tempo e desejava ver seu hellren.

– O que é que eu deveria fazer? Forçá-la a viver comigo? – O macho estava completamente descontrolado, seus olhos brilhavam de ódio. O bom e velho Vishous impiedoso, sádico e mortal fervia em seu subconsciente. E estava quase colocando suas garras para o mundo real.

– Era o mínimo que eu esperava de você – dessa vez a voz do tira soou grossa e baixa.

– Eu...

– Você vai ser pai, Caralho. Vocês dois fizeram essa criança e agora estão se comportando como idiotas insensíveis. Que só se preocupam com o próprio rabo. Estão sofrendo? Ótimo. Juntem as dores e sigam em frente e esqueçam essa merda toda – ele fez uma pausa antes de continuar – Não sei quem é mais teimoso. Ela ama você só está confusa.

– Gostaria de acreditar...

– Nós discutimos... e eu cheguei a ameaçá-la.

Os olhares que teimavam em não se cruzarem foram cravados um no outro, como uma flecha certeira quando acerta o coração do inimigo. O olhar prateado de V. brilhou raivoso.

Vishous fechou as mãos, transformando-as em punhos até os nós dos seus dedos ficarem brancos.

– Agora é minha vez de dizer: Comece a falar – rosnou ele perigosamente.

– Discutimos quando ela voltou de Manhattan, eu estava indignado pela atitude dela. Eu queria que ela entendesse o quando você se importa e como sofreu quando todos pensamos que ela estava morta.

Havia um companheirismo em Butch que V. não podia deixar de notar, aquele cara era seu amigo, seu irmão. Ele morreria por V., assim como V. morreria por ele.

– Ela ama você, eu sei disso... só que ela acha que fez coisas que a deixaram indigna. Lisa me disse que queria ir embora, mas não tinha coragem apesar de saber que era o melhor a fazer. Que não era suficiente e que nunca seria como Selena.

– Selena? – perguntou V. desapontado – Outra vez a porra desse assunto. Selena não tem nada haver com isso.

– Está vendo, vocês não conversam. Deus... eu disse isso a ela. Exatamente nas mesmas palavras – Butch balançou a cabeça indignado – Quando você se alimentou da Escolhida, Lisa pensou que ela fosse... mais, pensou que fosse uma submissa.

– Não posso acreditar que ela pensou que eu seria capaz de trazer para essa casa, a casa que agora é a dela também, uma mulher para... para... Mas que merda, não consigo nem pronunciar a palavra. Minha depravação é maior do que eu imagino, perante os olhos de Lisa. Ela deve pensar que eu não passo de um pervertido, corroído pelo sexo depravado que sempre pratiquei.

– É esse o seu erro, Vishous. Não enxerga que é justamente o contrário?

Os olhos do vampiro se arregalaram com o assombro da pergunta, então Butch continuou.

– Ela acha que não é o que você precisa – o tira acentuou as palavras propositalmente – Que não chega nem perto do que você gosta... e não estou falando de comida.

– Você falou sobre sexo com a minha fêmea? – os dentes de Vishous estavam serrados.

– Se você não fala... alguém tem que falar – ele se aproximou e sentou ao lado de V. no sofá – Não me olhe assim, eu ainda não contei o pior.

– É inacreditável – ele novamente levou as mãos aos cabelos, puxando-os com força e virou a garrafa em sua boca bebendo grandes goles de vodca – Não acredito que falou sobre tudo isso com ela.

– Estava disposta a dividir você... comigo. Aceita e compreende tal intimidade.

Ambos soltaram o ar em um longo suspiro. A conversa era extremamente íntima e também surreal.

– Que se foda tudo. – V. levantou aproximando-se da TV e esticou a mão sobre o aparador abaixo do aparelho – Preciso de um cigarro.

Enquanto enrolava o tabaco turco no papel de seda, Butch ficou calado ao lado dele dando-lhe a chance de organizar seus pensamentos. Alguns minutos se passaram e o silêncio parecia estar cumprindo o seu destino.

– Eu expliquei sobre a alimentação, mas Lisa estava tão enciumada e fragilizada devido à presença de Selena que falou não entender até quando você aguentaria ficar sem sexo e... bem, segundo Lisa, ela ainda não está pronta para isso.

– Eu não cobrei nada dela. Nem sequer toquei nesse assunto. Não deveria estar tão preocupada... eu entendo o que ela passou. Não sou um monstro.

– Monstro, não! – o tira sorriu – Você só é fechado, distante na maioria das vezes. E se não fizer algo rápido, muito rápido meu amigo... vai perdê-la para sempre. Já não foi suficiente o aviso de Zsadist? Você precisa de uma placa de néon também? Se for esse o problema... eu posso resolver.

Vishous não respondeu.

– Gosto mais daquele cara hoje, do que gostava ontem – o sorriso de Butch se alargou em provocação genuína – Que cena eu perdi. Aquele vampiro fez o que eu andava com vontade de fazer a muito tempo.

– Não seja por isso – V. abriu os braços em redenção – Um soco a mais, um a menos não me mataria.

– Claro que não. Porém você já levou sua lição... basta saber quem dará a mesma lição em Lisa – o tira estreitou o olhar – sem os socos, é claro.

– Que tal bebermos em silêncio? – perguntou V. inspirando seu cigarro.

– Boa ideia.


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Nick abria a porta de seu carro totalmente desanimado, mais uma noite e nada. Nenhuma pista concreta que pudesse o levar a “V”. Parecia que aqueles homens sumiam no ar, porém esse pensamento era somente um delírio.

O que era real é que eles eram bem treinados. Homens que pertenciam a alguma organização secreta do Governo e por isso sabiam se esconder, sabiam não deixar rastros.

Ele se pegou cansado, exausto na verdade. Vivia uma busca selvagem que não levava a nada. Nada que não fosse mágoa e flagelação por seu próprio ser.

Logo amanheceria e Nick sentiu pousar sobre sua mão o primeiro floco de neve. A demonstração máxima do frio implacável de Nova York acabava de chegar.

– Boa noite – a voz rouca soou atrás de sua cabeça.

Imediatamente ele levou sua mão de encontro a Pistola Calibre 40 acomodada estrategicamente dentro de seu casaco.

– Qual é o problema? – perguntou notando como o sujeito de cabelos brancos era pálido.

– Nenhum. Só quero conversar.

– Desculpe, não o conheço. Portanto não temos nada para conversar.

– Temos algo em comum.

– É o seguinte: não tenho nada contra, mas não sou gay.

– Nem eu – tratou de responder rapidamente o homem sem cor.

Nick forçou a porta para entrar no veículo, mas o sujeito colocou seu corpo no caminho impedindo-o, bloqueando a passagem. Com a proximidade ele sentiu cheiro de talco de bebê.

Que esquisito. Pensou sentindo nojo.

– Você deveria me ouvir, já que procura a mesma coisa que eu.

– E o que é que você procura? – falou irritado.

Nick fez a pergunta querendo terminar com a palhaçada. Assim que a resposta idiota, para a cantada idiota que estava recebendo fosse pronunciada, ele acertaria um soco muito bem dado no estômago do sujeito e poderia finalmente entrar em seu carro e ir para casa enquanto o otário ficava no chão se contorcendo de dor.

– Vingança. Quero acertar as contas com os mesmos bastardos que você procura.

Aquilo foi uma surpresa. Por um momento Nick se questionou se havia entendido direito o que foi dito. Ele sempre foi cuidadoso e sempre apagou seus passos na busca pelo assassino de Lisa e seus amigos.

– Como você sabe?

– Sou bom observador – o homem pálido puxou um cartão e entregou a Nick.

– Não trabalho em grupo.

– Mas eles trabalham, no mínimo em duplas e são bem organizados.

– Como sabe de tudo isso? – perguntou desconfiado.

– Você não foi o único a ser fudido por eles. Perdi pessoas importantes nas mãos daqueles assassinos.

Só aquela frase foi o bastante para desestabilizar a pouca razão do antigo segurança de Lisa. Ele começava a se interessar pelo assunto mais do que desejava. Talvez fosse o caminho mais fácil a seguir.

– Já tem o meu telefone, amigo. Se estiver realmente disposto a matar todos eles me procure.

O sujeito deu um tapa no capô do carro e se afastou lentamente sem olhar para trás.

Nick entrou e sentou no banco de couro do seu carro, travando as portas. Só então olhou para o pequeno pedaço de papel atrás do nome do homem que queria vingança tanto quanto ele. O que conseguiu foi ficar mais intrigado. Lá só havia duas informações: um número de celular e três letras: Sr.H.


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– Está se sentindo melhor?

O piano estava mudo. Depois de tantas repetições da mesma melodia, enfim ele se calou e parecia agradecido.

– Sim – murmurou Lisa.

– Que bom – disse Julia grosseiramente — Eu torço do fundo do meu coração, que nunca se arrependa da merda que acabou de fazer.

– Julia, que jeito de falar é...

– Julia o cacete! – a pequena garota gótica se levantou frustrada batendo fortemente os pés no chão – Todos os dias, todos os malditos dias eu peço a Deus por um amor como o seu. Eu a invejo e ao mesmo tempo torço por você. Fico calada, observando, tentando ser somente uma boa amiga e não um fardo que lhe traga mais problemas, já que nossa procedência de nascimento é duvidosa. Mas eu cansei. Não aguento nem mais um minuto sequer ver o quanto você se auto-destrói.

– Eu tenho os meus motivos – respondeu Lisa ainda tentando assimilar a atitude exagerada de Julia – Além disso, é muito nova para entender.

– Nova eu era quando aos quatro anos de idade entendi o significado das marcas que eu via nos rostos das pessoas que morreriam dentro de 48 horas. Nova eu era quando fui internada, aos seis anos, diagnosticada com esquizofrenia, sendo isolada de todos. Você sabe como é crescer sem nunca, nunca ter uma pessoa preocupada com o seu bem estar? Sem amor?

As respostas para as perguntas eram tão fáceis, que Lisa respondeu sem pestanejar.

– Claro que eu sei, eu nunca...

– Mentira! – gritou Julia – Sua mãe amou você até saber da verdade e depois você teve Ádamo. Se ele não a amou, pelo menos tratou você com carinho e respeito. Deu-lhe o que se pode chamar de lar... ou tentou. Então, como seu pai mesmo explicou, você teve doze anos de algum tipo de sentimento bom ao seu lado, por piores que seus dias pudessem estar. Quer comparar sua existência com a minha?

Aquela discussão estava efetivamente acontecendo? A madura e vivida ali, era Lisa e não a adolescente revoltada que cuspia palavras raivosamente, falando com propriedade e sequer titubeando perante suas opiniões.

– Até eu me preocupei com você, mesmo estando do outro lado do oceano em um hospital psiquiátrico – continuou Julia implacável – Portanto não me diga que não foi amada, até o seu sofrimento nas mãos de Paul, foi devido ao amor. Um amor transtornado e insano. Foi porque ele a queria mais do que podia suportar. Ele amava você dentro da sua demência e paranóia.

– Não falarei sobre isso – rosnou Lisa exasperada.

– E quanto a Anne e Nick? Sem falar, é claro, sobre o amor que quase levou Vishous a morte.

– Basta! – não era só um calar, era uma ordem dada. Lisa se levantou do banco posicionado em frente ao piano.

– O assunto ficou perturbador? – os olhos da garota vertiam fogo, ela não escutava e nem estava disposta a parar – Você não percebe, não é? Está tão concentrada em sua dor própria que não consegue enxergar nada e nem gesto algum a sua frente. V. está tão perdido e desolado quanto você está.

– Acredite garota, ele não precisa que ninguém o defenda – o sarcasmo foi cuspido no rosto de Julia – Ele já é bem crescido.

– O pior cego é aquele que não quer ver. Sua dor não me comove mais, Lisa. Afinal as dores dos outros não lhe interessam. – retrucou em alto e bom tom, subjugando o sarcasmo anterior – Você foi incapaz de se sensibilizar com a dor de Gaya. Ela ama Eligor e ao contrário de você, que pode viver com o pai do seu filho ao seu lado, apenas deixando o bom senso agir, Gaya está sozinha. Ela colocou o dever para com a Raça acima das suas vontades, ela foi caridosa embora seus dias tenham se tornados sem cor depois que Raghe lhe pediu para se afastar totalmente de seu pai. Ela obedeceu mesmo não estando certa de que suportaria tal provação. Quanto a mim... eu acredito que você nunca parou para pensar pelo que eu passei e quanto eu sofri.

– Ela está certa, Lisa – disse Bella parada ao fundo, perto da porta – Julia, será que poderia nos dar licença? Acho que tenho que explicar para Lisa, o que Z. fez no rosto de Vishous.

– Não se preocupe – disse Julia enquanto passava em frente à Bella rumo ao corredor – Ela sequer olhou para ele quando o mandou sair de sua vida para sempre.

As duas permaneceram em silêncio até os passos não poderem ser mais ouvidos. Com o pensamento Bella fechou a porta devagar e depois se sentou no sofá.

– Venha, sente-se ao meu lado – pediu a linda vampira com um sorriso contido no rosto – Você está tremendo. Acredite... sei como é ter emoções fortes e estar grávida ao mesmo tempo.

Sem sentir as pernas se moverem, Lisa fez o que lhe foi sugerido.

– O piano é lindo.

– O quanto você ouviu da discussão, Bella? – murmurou envergonhada.

– O bastante. Me desculpe, mas não pude evitar.

– E você concorda com Julia. – não era uma pergunta.

– Na maior parte das coisas sim, eu concordo...

– Meu Deus – disse Lisa levando as mãos ao rosto triste – será que não consigo ter mais discernimento com a minha vida? Faço tudo errado?

– De que vida você está falando?

– Como...

– Você quer viver duas vidas, Lisa. E isso não é mais possível, porque elas não podem se intercalar. Sua vida de cantora internacional acabou quando aquele corpo, transformado em você por um feitiço doentio, foi achado sob a ponte Herbert Falcheck. Não há volta... você tem que viver o aqui e o agora. Essa é sua nova vida e nós somos sua família. Se nos aceitar, é claro.

Nem Mary tinha sido tão direta, a shellan de Raghe deixou que ela desabafasse, a ouviu com interesse e compaixão. Porém não chegou a dizer a verdade pulsante que Bella ousava expor tão claramente.

– A primeira vez que pousei meu olhar sobre Zsadist, senti uma atração tão poderosa que no meu íntimo eu soube que não poderia viver sem ele – ela falou devagar, deixando que Lisa absorvesse a história – Ele estava na academia, esmurrava um saco de areia. Tão forte, tão seguro. Naquela época ele era ainda mais sombrio e assustador do que é hoje.

Ela fez uma pequena pausa e respirou profundamente.

– Ele não suportava ser tocado por ninguém, quase não falava e em seus olhos só havia escuridão. Mas eu o queria, eu o desejava como jamais desejei outro macho. Lembro-me quando o segui até seu quarto – Bella riu de um jeito inocente e contagioso como se vivesse a lembrança – Pensei que pudesse seduzi-lo.

– E não conseguiu?

– Não o bastante para afastar seus fantasmas, Z. me mandou embora. Voltei para casa e fui sequestrada.

– Você já contou sobre isso, na noite em que bebi demais...

– O que eu não contei é que depois de ser resgatada por Z., depois de ter passado alguns dias no seu quarto, depois que ele me serviu em meu cio... eu fui embora.

Esse era o ponto. A separação. Se a escolha foi certa ou errada, só o tempo poderia dizer. E no caso de Bella e Z., o tempo gritou que era um erro.

– Mas porque? Porque você partiu?

– Porque pensei que só eu amava. – a vampira parou de falar por um longo momento e depois fez a pergunta final – Lisa você acha que V. não te ama?

Lisa puxou o ar fortemente para seus pulmões e abriu os lábios levemente. Foi surpreendida com a pergunta e não era apenas uma questão de sim ou não. Era uma resposta complexa.

– Não precisa responder se não quiser – murmurou Bella.

– Não. Não é isso... é que essa resposta é tão extensa que eu não sei por onde começar.

– Um sim ou um não, pra mim, já é suficiente.

– Somos incompatíveis – respondeu Lisa, sem notar que estava acariciava a barriga pontuda.

– Não foi isso que eu perguntei. Eu perguntei se...

– Sim. – respondeu olhando para o chão.

– Sim?

– Sim.

– Eu voltei, depois de um tempo, porque descobri que estava grávida e Zsadist tinha o direito de saber. Foi a melhor coisa que eu fiz em toda a minha vida, porque ele disse que me amava e me queria como sua shellan – as mãos de Bella apertaram as mãos de Lisa transmitindo coragem – Todos os Guerreiros desta casa possuem fantasmas e buracos negros em suas almas e eles precisam de suas fêmeas. Somente elas são capazes de trazer luz e alegria para as suas vidas. Você é a luz de Vishous.

– Vou destruí-lo, porque estou destruída...

– Não Lisa. Você pensa que está, mas se olhar ao seu redor, verá que depois de toda tempestade sempre vem à calmaria. Você só precisa de um tempo. Não pode continuar se punindo. Você foi a vítima e não o executor. Quem merece punição... são os carrascos. Precisa seguir em frente, olhar para seu futuro e enterrar o passado. Precisa tomar o futuro em suas mãos.

Ela fechou os olhos fortemente e puxou o ar sentindo seu pulmão inflar.

Discernimento...

Z. não podia ter chegado em hora melhor. Carregava Nalla em seus braços e a garotinha soltava gritinhos animados intercalados com sorrisos largos. Ao se aproximar, entregou a menina para que Lisa a segurasse. Com seus olhos amarelos ele se afastou e sentou no braço do sofá ao lado de Bella.

– Ela é o nosso milagre – disse com voz baixa e grossa – Logo você estará segurando o seu.

Nalla era apenas uma criança que não tinha idéia do que estava fazendo, porém apoiou uma de suas mãozinhas na barriga pontuda de Lisa e tudo dentro dela se acalmou.

– Você aceitou a gravidez? – Lisa não conseguiu olhar para ele enquanto fazia a pergunta.

– Foi a melhor notícia que tive em toda a minha existência – Z. beijou a cabeça de sua fêmea — Eu estava morto sem Bella, ela me salvou.

Lisa não queria chorar, então tentou piscar para segurar as lágrimas.

– V. é um completo idiota, mas ama você acima de qualquer coisa. Olhe para ele... está tão preocupado em manter tudo no controle, que ainda não se deu conta que você virou o mundo dele de cabeça para baixo – Z. sorriu – Você o presenteia com tantas emoções diferentes a todo tempo que é até divertido olhar. Ele não sabe o que fazer. Às vezes quer até se afastar, mas a ama demais para ir. Meu Irmão está sem chão. Você conseguiu quebrar o gelo.

– Talvez – ela fez uma pausa e depois disse em tom de brincadeira – Já você... quebrou outra coisa.

As risadas encheram a sala.

– Sim, mas ele mereceu – disse Z. escancarando os dentes em um sorriso divertido.



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Lisa permaneceu com seu piano por mais duas horas. Sozinha. Tocou de tudo, desde suas músicas antigas, seus primeiros sucessos até o doloroso “Noturno” de Chopin.

Os sons eram tão harmoniosos que rechaçaram os pensamentos corrompidos pela dor e pela falta de esperança, que nublavam seu cérebro e a impediam de refletir sobre sua atual realidade. Depois de um tempo, ela permitiu vislumbrar raios de sol em meio ao céu nublado e escuro que era sua vida.

Sentiu-se grata pela vida preservada dentro de seu ventre intacto, apesar de todas as adversidades que foi subjugada a atravessar e chegou à conclusão que tinha sido ingrata com Julia. Ficou aflita ao notar que talvez pudesse ter usado a amiga somente quando lhe foi necessário e quando não havia necessidade da presença dela, apenas a deixou num canto, como um livro que se termina e depois se esquece.

Quanto a Gaya, o cenário tornava-se pior. Não tinha nada para pensar, sequer uma lembrança de ser amável e se preocupar com todo o fardo que aquela vampira carregava.

Se ela podia se sentir um peixe fora d`água naquela casa o que dizer de Gaya? Ela também tinha vindo de um lugar diferente, com costumes rígidos e sem nenhum tipo de inteiração com o mundo real.

E quanto a seu pai, Eligor? Ela sabia que ele nutria sentimentos por Gaya, mas nunca tocou no assunto. Pior foi com Legassa. Algum dia parou para lhe agradeceu por ter salvo a sua vida? Por ter lutado uma batalha pelo resgate dela em nome da devoção que sentia por Eligor? E quanto aos olhares que Lassiter jogava sobre o demônio e que Lisa fez a questão de ignorar?

Quantos erros, a lista é longa... parabéns egoísta. – Pensou Lisa enquanto andava pelo corredor das Estátuas rumo ao à reparação de seus erros. Bateu na porta do quarto de Gaya, mas ela não estava lá, então continuou.

O quarto do anjo era colado ao seu. Lisa sempre ouvia a TV, o volume estava sempre alto. Oprah era um de seus programas favoritos. Com Lassiter ela tinha uma boa relação, apesar de Vishous não suportá-lo. Que tocante.

Porém ao passar pela porta, os sons que emanavam do lado de dentro eram outros. Gemidos e gritos de prazer preenchiam o corredor. Ou o anjo assistia a um filme pornô ou...

Deus do Céu? Legassa e Lassiter? Mas... ele são... ela é... Sem conter os pensamentos que fervilhavam, Lisa bateu na porta do quarto sem ter consciência de que era isso que tinha a fazer.

– Hei, Lisa. O que quer? – perguntou o anjo com o lençol envolto em seu quadril e os cabelos totalmente revoltos, com a porta escancarada.

– Eu... – ela hesitou e sentiu seu rosto ficar vermelho.

– Agora você já interrompeu, então não precisa ficar sem graça – como sempre Lassiter não perdia a oportunidade de brincar, ele piscou – Vá direto ao assunto, garota.

– Eu preciso fazer uma pergunta para Legassa e...

– Acha que Legassa está aqui? Comigo? – ele franziu a testa em desaprovação e sua fisionomia mudou. Ficando séria de um segundo para o outro.

– Ah meu Deus! – Lisa levantou as mãos desculpando-se – Eu entendi tudo errado... é claro que não. Eu, eu supus tudo errado e...

– Te peguei – a gargalhada estrondou no ar, enquanto ele abria caminho para Lisa entrar no quarto.

– O quê?

– Respire mulher. Eu só estava brincando – ele se virou e chamou por Legassa – Querida, Lisa quer falar com você.

Legassa saiu do banheiro enrolada em uma toalha. O cenário de total intimidade seria perfeito se a pateta aqui não tivesse interrompido. A voz da razão berrou nos ouvidos de Lisa.

– Legassa... eu queria lhe fazer uma pergunta. – o que é que eu estou fazendo aqui, cacete?

– Deve ser muito importante. Será que não dava para esperar mais dez minutinhos? – provocou novamente o anjo.

– Para com isso, Lassiter – Legassa abriu um belo sorriso e o empurrou – Ela já está da cor de uma amora. Você sabe deixar as pessoas sem graça e... por favor, cubra-se.

Ele passou por ela dono de si, exibindo-se.

– Estou bem assim.

– Se você não nos conhecesse – Legassa balançou a cabeça indignada olhando diretamente para Lisa – Quem você diria que é o demônio, aqui?

– Ele é claro! – mais risadas.

– Então? O que quer me perguntar?

– O que aconteceu com Évora?

– Seu pai a mantém presa. Se estiver preocupada com a sua segurança, pode ficar tranquila, não há como sair de...

– Não é esse o caso – retrucou Lisa rapidamente – Posso ir até ela?

– Lisa, seu pai não gostaria disso.

– Então é possível?

– Teoricamente sim. Mas Eligor não permitirá que passe pelos portões do inferno.

– Era só isso que eu desejava saber – ela se virou saindo do quarto – E desculpe por...

– Lisa, não faça nada que...

– Fique calma Legassa. Se eu decidir ir até o inferno, levarei você comigo – ela olhou fixamente para a guerreira a sua frente – Afinal sei que morreria por mim. Sua lealdade a meu pai é uma dádiva e eu agradeço a você por isso e por ter ajudado em meu resgate. Você é uma boa amiga.

Legassa foi pega de surpresa, não estava acostumada a receber agradecimentos. Seu único amigo era Eligor e entre eles, há muito tempo, não havia necessidade de pronunciar essas coisas. Eles se entendiam apenas trocando olhares. Ficou sobressaltada ao perceber como era bom ser reconhecida.

– Obrigada – respondeu timidamente com os olhos para o chão.

– Só ela não sabe o quanto é maravilhosa – disse Lassiter abraçando sua amada pela cintura.

Lisa rumou para o quarto de Julia que ficava mais ao fim do corredor. Deus três batidinhas na porta e esperou. Sabia que ela estava lá dentro porque a luz refletia pelo piso embaixo da porta. Como não houve resposta bateu novamente.

– Julia? Sou eu, Lisa. Podemos conversar um minuto, por favor?

A adolescente abriu a porta e seus olhos estavam inchados e vermelhos. Ela esteve chorando.

– O que você quer? – perguntou na defensiva.

– Posso entrar?

Julia se afastou, permitindo que Lisa entrasse em seu quarto. Não havia muitas coisas que ligasse aquele cômodo a adolescente. Pelo contrário, tudo era muito impessoal.

Ela não tem nada que seja dela!

– Eu vim me desculpar e...

– Não precisa se desculpar comigo – falou grosseiramente – Se deve desculpas a alguém, é a Vishous.

– Meu caso com Vishous é mais complicado. Portanto gostaria de arrumar primeiro as coisas com você.

– Não há nada de complicado – Julia balançou as mãos num gesto negativo – Ele a ama. Será que é tão difícil para você enxergar isso? Ele já sofreu demais e você continua fazendo da vida dele um sofrimento. Dá um tempo.

– Meu Deus... Julia – intercedeu Lisa completamente perplexa – Porque essa necessidade de defender Vishous? Eu não vim até aqui falar sobre ele. Eu vim aqui para dizer que...

– Se quer ir mesmo embora, se isso é realmente o que deseja... então vá. Deixe de torturá-lo.

Ninguém defende outra pessoa somente para expressar o seu ponto de vista. Defende-se a família, amigos queridos e pessoas amadas.

– É mais do que defender, não é?

Lisa deu dois passos para frente e parou bem próxima a Julia, desafiando suas verdades.

– Não. O que...

– Ah, Julia... você se apaixonou por ele – Lisa fechou os olhos como se sentisse dor – Se apaixonou por V. e eu nem percebi.

– Não. Claro que não – ela tentou se afastar, mas Lisa segurou seu braço, mantendo-a no lugar.

– É tão fácil, não é? – perguntou com uma resignação assombrosa – Mesmo com o jeito de “bad boy” e poucas palavras e estando sempre de mau humor... torna-se fácil demais amar Vishous. Eu sei disso e posso entender você.

Julia levou as mãos ao rosto tentando escondê-lo. Não queria que Lisa olhasse para o seu segredo revelado e nem para as lágrimas que a vergonha sobre o seu amor lhe causava. Todos os dias ela tentava arrancar tal sentimento de seu coração, mas sempre perdia a luta.

– Me desculpe Julia. Eu fui tão egoísta com você – Lisa a abraçou como se ela fosse sua família e sentiu os primeiros soluços – Você tem toda razão. Eu me fechei, me isolei e com isso só alimentei a dor.

A garota não falou nada, apenas chorou, mas Lisa levou-a até a cama e faz com que ela se sentasse. Tinha medo que ela caísse ao chão, já que tremia parecendo sentir frio.

– Tenha calma. Eu entendo...

– Como pode entender? – perguntou entre um soluço e outro – É como uma traição.

– Julia, olhe para mim – ela levantou o olhar e se perdeu nos olhos de Lisa – Você viu imagens... sonhos, que eu tive com ele. Você compartilhou isso comigo, enquanto eu ainda esta cativa. Nossos pensamentos, algumas vezes, chegaram a ter uma comunhão tão grande que você deve ter sentido o que eu sinto por ele. Deve ter sentido o quanto é intenso e também complicado. O quanto é grande e também destruidor.

– Eu não queria... me perdoe...

–Shhhh, está tudo bem.

Lisa a segurou em seus braços como uma mãe faz quando seus filhos necessitam de apoio. Como uma irmã mais velha que segura a bronca quando o mundo parece desmoronar em volta da irmã mais nova. Como uma amiga que se compadece com o sofrimento da outra.

Apesar de seus pensamentos estarem em turbulência, Lisa guardou o discurso para si mesmo. Não mencionou que ela tinha apenas 17 anos e uma vida inteira pela frente. Que iria chegar o dia em que descobriria o seu grande amor. Não explicou que jamais V. olharia para Julia de outra forma que não fosse amizade porque já estava vinculado e com Wrath um dia lhe tinha dito: nada o afastaria de...

Nada o afastaria de sua lellan!

Embalando-a, Lisa deitou-a sobre seu colo, acariciou seu cabelos e esperou que adormecesse.



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Zsadith jogou o redutor no chão com a força de sua perna esquerda depois de atingi-lo em cheio nas costelas. O barulho do corpo batendo no cimento denunciou que alguns ossos haviam se partido.

Dominando totalmente a luta, Z. jogou-se sobre ele colocando seu pesado corpo sobre o tórax. Com a adaga já em mãos ele deferiu um golpe ardiloso que abriu de uma ponta a outra a garganta do inimigo, deixando o sangue negro jorrar e o impossibilitando de qualquer reação.

Do outro lado do beco, Raghe deferia ataques violentos em mais dois redutores. Um deles já estava com o braço direito parecendo um “s”, porém não desistia de lutar. Já seu comparsa foi atirado contra a parede de tijolos com uma violência elétrica e mortal.

Z. não vascilou e mesmo antes do corpo cair no chão, segurou o redutor no ar e repetiu o golpe anterior. A garganta se abriu e o sangue jorrou furioso manchando o rosto de Z., a cabeça ficou presa por ainda estar ligada à coluna cervical. Não demorou mais que dois segundos para Raghe arrancar as tripas do morto-vivo que lutava e deixá-las espalhada pelo chão inundo.

Agora era esperar por Butch, o Dhestroyer. Já tinham telefonado. Quanto menos redutores mandassem de volta para o papai Ômega, mais fraco ele ficaria. Então, se fosse seguro a primeira opção era esperar e dar ao tira a oportunidade de sugar suas almas.

Não precisaram esperar muito. Vishous foi o primeiro a se materializar, suas roupas também estavam sujas com o sangue de seus inimigos.

– A noite foi produtiva – disse ele – Eu e o tira também tivemos encontros com a escória. Pegamos dois.

– Ótimo. Cinco a menos. – grunhiu Raghe.

– Vou pegar as urnas – falou Z. tirando as carteiras e os documentos dos inimigos.

– Vá com ele Hollywood. Eu espero o tira, ele deve estar estacionando o Escalade.

Mal Vishous tinha acabado de pronunciar a frase, a silhueta de Butch surgiu na entrada do beco, misturando-se com a neve que caia. Zsadist sumiu no ar sem dar explicação.

– Ok. Nos vemos mais tarde – disse Raghe desmaterializando-se para seguir seu parceiro.

Depois de alguns minutos tudo estava resolvido, os inimigos tinham virado pó e o tira contorcia-se com náuseas insuportáveis. V. ajudou seu amigo chegar ao carro e acomodou-se junto a ele no banco de trás do Escalade. O carro foi parado no estacionamento da boate Iron Mask em um canto afastado, onde a privacidade era maior, se bem que a neve acumulada no capô e nos vidros ajudou. Vishous pode curar seu amigo sem interrupções.

Cerca de uma hora depois o tira já estava novo em folha.

– Quer tomar um trago na boate? – perguntou Butch.

– É uma boa idéia. Mas antes vou falar com Hollywood e ver se precisa de ajuda com as urnas.

Desceram do carro e enquanto V. fazia a ligação, Butch caminhou até a entrada lateral da boate. Trez estava parado na porta.

– E aí, cara? Noite fria?

– Odeio neve – respondeu o Sombra – É mau para os negócios. Os humanos não saem de casa.

Nesse exato momento o celular de Butch tocou... era Wrath.



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Julia foi a primeira a despertar, demorou um pouco para assimilar que Lisa adormecera ao seu lado e que infelizmente conhecia seu segredo. Incomodada, levantou sem fazer barulho e foi tomar um banho.

Não queria que seu sentimento por Vishous fosse de conhecimento de ninguém, muito menos da mulher que dormia em sua cama.

Quando saiu do banheiro, permitiu apreciar a beleza de Lisa. Ela estava no auge de sua gravidez e mesmo assim continuava linda. A barriga de oito meses parecia lhe deixar mais bonita do que nunca, ao contrário da maioria das comuns humanas. Ela não estava inchada e nem tinha engordado... só a barriga era protuberante. Julia teve vontade de pousar a mão sobre o ventre fértil e sentir a criança, mas permaneceu no lugar, evitando acordar Lisa.

De repente se pegou pensando que Vishous também sentia necessidade de acariciar aquela barriga...

Não faça isso, não é problema seu. Sua concepção dizia claramente para não seguir essa linha de raciocínio. Porém tratando-se de assuntos sobre V. sua mente encontrava-se nublada e tingida pela admiração, afeto... amor.

– Acho que peguei no sono, não foi? – Lisa remexeu o corpo graciosamente acordando, os longos cabelos caíam por sobre seus ombros e chegavam quase à cintura.

Não era justo acordar tão linda.

– E por sinal dormimos demais – ela apontou para as janelas – Veja... as persianas já se levantaram.

– Está nevando? – A pergunta saiu como um grito.

Lisa levantou rapidamente e tateou a cama procurando por seu celular. Merda! Devia estar em seu quarto, descarregado. Afinal para quem ela ligaria?

Sem dar maiores explicações abriu a porta e saiu correndo.

– Lisa? – chamou Julia – Lisa o que aconteceu? Onde você...

Com o coração apertado ela chegou ao escritório do Rei e sem se importar com formalidades abriu a porta e entrou sem bater. Encontrou Beth no colo de seu hellren em meio a vários papéis.

– Preciso de seu telefone – disse sem fôlego – preciso falar com V. agora.

– Está sentindo algo? – perguntou a rainha assustada.

– Não – seus olhos arregalados expressavam terror – por favor, o telefone.

Wrath pegou o celular e com um único toque sobre o número 3, discou para Vishous, estava ocupado. Apesar de não enxergar, ele sentia no ar a consternação de Lisa. O ar tinha cheiro de tempestade e preocupado ligou novamente, desta vez para Butch.

O vampiro atendeu no primeiro toque. A chamada estava no viva voz.

– Pode falar Wrath.

– Está tudo bem?

– Sim.

– Cadê Vishous?

– Falando com Raghe no celular.

– Lisa precisa falar com ele. Agora!

Vou chamá-lo, espere...

Lisa encontrava-se pálida, respirava ofegante. Seu peito subia e descia tão rápido que era notável a força que fazia para puxar o ar até seus pulmões.

– A nevasca... V. tem que voltar para a mansão – afirmou totalmente sem controle, gritando – Peça para que volte, agora!

Beth se aproximou de Lisa, enquanto que Julia afastava a poltrona para que ela pudesse se sentar. Temiam que ela pudesse desabar no chão, tamanho era o tremor em seu corpo.

Ao fundo, eles ouviram Butch chamar por Vishous.

– Vishous... – houve alguns segundos de silêncio – Venha atender. É Wrath, está dizendo que Lisa precisa falar com...

O tiro bramiu alto e claro. Como se houvesse sido disparado dentro do escritório.

– Jesus Cristo! V...

– Nããããão – gritou Lisa alucinada.

Conforme o choque e o assombro dominavam totalmente sua mente perturbada. A pontada horrível e insuportável em sua barriga fez seu corpo arquear.

Afinal, qual era a dor mais intensa que estava sentindo? A dor por estar perdendo Vishous assassinado, como em seu pior pesadelo ou por causa da hemorragia que manchava o tapete persa do escritório Real?


Notas finais
E agora? O que aconteceu? Quem deu o tiro?
Espero os comentários de todas sem exceção!
Me contem tudo!
Beijos,
Fênix