Notas iniciais
Oi leitores maravilhosos!
Perdão... perdão pela imensa demora deste capítulo. Fiquei completamente doidinha essa semana, correndo por um monte de coisas que não podia deixar de lado.
O tempo ficou pequeno, escasso.
Então mil desculpas... eu não esqueço de vocês. Sei o quanto ficam ansiosos. Também sou assim!
Bem... quero lembrar que está é a última oportunidade para escolher o NOME do bebê. Por favor, quem ainda não escolheu... faça isso essa semana é muito importante.
Agora sem mais demoras... leiam o capítulo e depois comentem tudinho.
Tim-tim por tim-tim. Eu não aceito menos.
Um grande beijo.
Fênix

Paul saiu do quarto totalmente transfigurado. Seu corpo tremia e em seu peito um coração que ele sabia que não mais pulsava e nem sequer existia teimava em doer. Sentia-se quente, o sangue borbulhava dentro de suas veias e seus olhos arderam pelas lágrimas que ele tentou em vão conter.

As palavras de Lisa lhe acertaram mortalmente. Gostava do jeito desafiador e teimoso que aquela lindíssima e sexy mulher tinha. Era obcecado por ela. Sua pele, seus cabelos, seu corpo...

Após a mágica de Évora que o fazia duro como uma tora de madeira para penetrar Lisa profundamente Paul descobriu finalmente o que era sexo com amor. A sensação de tê-la por inteiro era maravilhosa e em sua concepção distorcida da sombria situação, sonhava que ela o acompanhava em cada orgasmo que atingia. Porém, desta vez algo mudara ou talvez o seu cérebro perturbado tivesse apenas entendido a verdade. A frase dita segundos atrás ecoava nitidamente:

Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim...


O que faria agora? Aonde ir? Caminhou pela casa impaciente, aflito. Mais uma vez estava perdendo o que mais desejava, o que mais amava. Entrou e saiu de todos os cômodos, sentou nos sofás da sala e tornou a levantar. Saiu e do lado de fora começou a dar voltas pela casa, passou pelas estacas fincadas ao chão que significavam os pontos cardeais e os túmulos das meninas sacrificadas. Não conseguia parar... nem de andar e muito menos pensar. Começou a contar as voltas ao redor, andava no ritmo de um frenesi doentio e perturbador. Uma, duas... nove, dez... dezoito, dezenove... Só parou quando percebeu que havia chegado ao porão e que estava sentado em sua poltrona de veludo vermelho.

Desde que havia chicoteado Lisa a mais de um mês, nunca mais a levou de volta para aquela câmara de tortura, ou seria, no caso dele, prazer. Encontrava-se no limite e a frase jazia em seu lóbulo frontal como as badaladas de um sino.


Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim. Você não significa nada para mim...


Aproximou-se do armário onde guardava pilha e pilhas de “brinquedos” macabros, destinados a todo tipo de cruciação, suplício e sadismo, abriu uma das gavetas e põe-se a olhar minuciosamente escolhendo um vibrador. Passou cerca de dez minutos sem se mexer, quando assimilou qual era o correto para a ocasião, pegou-o e colocou no bolso de seu casaco.

Fechou a gaveta e abriu outra, logo embaixo. Facas, canivetes, navalhas, punhais, foices de todos os tamanhos e até algumas adagas, tudo que tinha lâmina extremamente cortante e afiada ficava ali. Correu os dedos analisando cada peça, levando em conta até a cor dos cabos. Quando suas mãos chegaram à peça correta sentiu o suor escorrer por seu rosto. O cabo da faca de sete polegadas era de acrílico e sua cor era vermelho vivo, semelhante ao sangue humano.

Ah... sim, perfeito. Pensou Paul, divagando em sua demência. Lisa nunca mais o humilharia, nunca mais o rejeitaria...

Com o olhar cintilando ele sorriu, mataria Lisa calmamente aproveitando seus gritos de pavor e sofrimento.



– Você enlouqueceu? – Mais uma discussão, toda essa merda parecia não ter fim – Perdeu o juízo totalmente?

– Não sei do que está falando.

Estavam no quarto de V., ele se vestia, prendia o coldre junto ao peito.

– Ah... por favor, não me tire como idiota Vishous. Mereço mais do que isso de você.

O vampiro de olhos brancos com borda azul-escura mantinha um ar sinistro e totalmente distante. Nada mais lhe interessava além do fato de caçar o redutor que matou Lisa e encontrar Évora. Tudo resumia-se em vingança, revolta e dor.

– Sei que não sou tão inteligente quanto você, mas o conheço melhor do que ninguém. – a voz de Butch aumentou consideravelmente – Então, fale comigo, caralho!

– Não faço a menor idéia do que...

– Vai entrar naquele maldito hospital, não é? Vai atrás da garota. – agora o tira estava aos berros – Não negue, porque se o fizer... que Deus me ajude... vou partir pra cima, vou socá-lo até tirar dessa sua cara esse ar de “me deixe em paz”. Admita. Não é isso?

– Isso não lhe diz respeito.

– Uma porra que não. Diz-me tanto respeito quanto a sua cobertura do Commodore.

– O quê? – Perguntou V. assustado.

– Você nunca mais voltou lá depois que... – ele não diria “depois que Lisa morreu”, não era necessário. A voz foi abrandada pela tristeza e inconformidade – Eu estive lá.

– É mesmo? E por quê? – O vampiro tremia, mas o que doía mais era a frieza em sua voz – Aquele lugar é privado e ninguém tem o direito de invadir.

Butch perdeu o maldito controle racional em menos de um segundo, agarrou Vishous pela gola da camisa e jogou-o contra a parede.

– Não invadi seu fudido arrogante. Fui até lá para ver se estava tudo em ordem, se precisava arrumar alguma coisa.

– Aquele lugar não é para...

– Cale a boca. – Butch empurrou novamente V. contra a parede colocando seu antebraço sobre o peito do vampiro. Você vai me ouvir... quarenta e quatro dias, já fazem quarenta e quatro dias e continuo contando.

Os machos se olhavam fixamente, a intensidade do momento chegava a doer. O tira sentiu quando a tensão no corpo de Vishous diminuiu. De repente todo aquele ódio pareceu se transformar em um imenso poço de tristeza.

O agarre das mãos sobre o corpo para que a luta começasse foi substituído por um desmoronamento. V. deixou sua cabeça cair e a apoiou sobre o ombro de seu amigo, ele não chorou... afinal demonstrar suas emoções nunca foi e nem seria seu forte.

– Não... não sei se consigo... meu Deus... não sei viver sem ela. – era só um murmúrio, mas alto o suficiente para expressar que a qualquer momento ele poderia cometer um ato extremo – Estou a um passo de enlouquecer.

– Me escute – os olhos se encontraram novamente e a proximidade de seus rostos era chocante. – Eu estou aqui. Estarei sempre aqui, por favor, não me deixe de fora... se acha que é necessário ir até o maldito hospital, então eu irei com você. Entraremos naquela porra, pegaremos a garota e fim de papo.

Vishous negou com a cabeça.

– Não. O que farei vai deixar Wrath emputecido, não quero que se envolva, não...

– Você não entende, não é? – Butch tocou o rosto triste do vampiro com as pontas de seus dedos – Eu já estou envolvido... eu sempre estive envolvido com você.. por você. Sua dor é minha dor.

V. abraçou seu amigo apertando-o como se ele fosse sua salvação para continuar vivendo por pelo menos mais um dia e... Butch tinha plena consciência disso.



– Quer conversar um pouquinho? Perguntou Lisa delicadamente em um tom baixo.

A menina fantasmagórica virou o rosto e foi então que Lisa percebeu que não haviam olhos. Sentiu se corpo estremecer pela visão, mas nada comentou.

Como o silêncio se estendeu ficando pesado e incômodo, ela continuou.

– Se importa se conversarmos um pouquinho? Quero dizer... você parece estar apavorada e...

– Tenho medo de Évora. – o pavor transparecia em sua voz, a garotinha embolada as palavras – Não sei como você suporta tudo isso, é preferível morrer.

O esboço de um pequeno sorriso tentou se formar nos lábios inchados e cortados de Lisa, a voz infantil saia trêmula e quase inaudível.

– Como não poderia suportar? O bebê que carrego é a coisa mais importante... eu... – a voz embargou, ela queria chorar – Eu farei tudo, tudo para protegê-lo.

– Évora vai matar seu bebê... e em seguida matará você. Eu sei disso, a maldade dela não tem fim.

– Talvez... mas até o nascimento as coisas podem mudar.

– Você ainda tem fé? – a pergunta da menina tinha gosto amargo.

– Qual é seu nome?

– Hosana.

– É um bonito nome.

– É um nome bíblico, minha mãe achava que o meu nome junto com a medalha do anjo da guarda que eu usava todos os dias pendurada em meu pescoço me protegeria de todos os maus... como você pode ver... ela estava errada.

– O que aconteceu?

– Évora matou a mim e mais três meninas para enfeitiçar este lugar. Essa casa está amaldiçoada. Nunca, será possível alguém lhe encontrar. Para quem está do lado de fora, não existe nada. Quem olha não consegue enxergar. A casa está invisível.

O tom de Hosana era mais áspero do que Lisa esperava, carregado de inconformidade. Ela questionou se deveria tratá-la como uma garotinha ou um espírito transtornado.

– E eu também não posso ir embora daqui... passarei a eternidade nesse local.

Mantendo a cabeça virada como se estivesse olhando para Lisa, ela disse enraivecida.

– E a culpa é toda sua!

– O quê? Não...

– Posso sentir a semelhança entre as suas almas, vocês compartilham o mesmo mal, posso sentir a escuridão.

A porta se abriu, Paul entrou confiante e obviamente não conseguia ver o espectro pálido que se encontrava encolhido ao lado do colchão. Assim que Lisa olhou para ele, ela descobriu o que aconteceria, o fim dela havia chegado. Ele estava ali para matá-la. Não via a faca e nem o vibrador, mas as imagens que ele carregava nítidas em sua mente não lhe deixavam dúvidas.

– Seu rosto está péssimo, não gosto do que vejo. – Sua voz era gélida e implacável, não haveria misericórdia.

Sem demonstrar seu nervosismo e seu terror Lisa tentou ao máximo se conter. Não podia provocá-lo, chega de enfrentamentos e ofensas era a hora de ceder, ou isso, ou a morte... Jesus Cristo... seu bebê não chegaria sequer a nascer.

– Paul... – cada palavra era pronunciada com cautela, era sua última chance – Eu preciso falar com você sobre...

– Agora você quer falar?

Ele avançou para cima de Lisa e ela tentou se encolher ainda mais, porém as correntes lhe impediam.

– Sobre o quê você quer falar? – Paul chegou tão perto de Lisa que ela podia sentir seu hálito. Era nojento e repugnante, seu estômago revirou.

– Acho que... eu disse coisas que... acho...

– Agora é tarde, agora...

Quando ele estava prestes a puxar a faca, o mundo parou mediante uma única frase pronunciada por Lisa.

– Acho que estou grávida.

A surpresa foi tamanha que Paul se desequilibrou e caiu sentado no chão. A faca quicou sobre o assoalho se afastando por cerca de um metro. Os olhos dele cintilaram.

– O que você disse?

Por Deus, o que Lisa estava fazendo? Como conseguiria sustentar tal mentira?

– Eu acho que estou grávida. Você sabe... – ela fez questão de enfatizar as próximas palavras – estou aqui com você há mais de quarenta dias e eu ainda não...

– Tem certeza?

Ele se levantou e segurou as mãos dela entre as suas. Tremia por inteiro, mas seu tom de voz havia mudado. Tornou-se carinhoso, amável, feliz.

– Certeza? Sim. Estou atrasada... você pode comprar o teste na farmácia para...

– Eu amo você!

Paul se jogou sobre ela, abraçando-a desesperadamente. Beijou-lhe o rosto e em seus olhos, agora repletos de amor havia a preocupação por tê-la espancado horas atrás.

– Não se preocupe com nada, meu amor. Cuidarei de você e de nosso filho – dizendo isso Paul colocou a mão sobre o ventre de Lisa – Você me faz tão feliz. Agora seremos uma família.

Lisa não conseguiu conter as lágrimas. Ela deveria estar ouvindo isso do seu homem. Do macho que amava e não de um monstro assassino. Como suportaria os toques dele em seu ventre, a convivência que estava por vir?

Jesus Cristo... era Vishous quem deveria estar com as mãos sobre o seu ventre. Quanto mais pensava nele, mais lágrimas caíam.

– Você está emocionada. Está chorando de alegria... eu sei, meu amor. Eu sei como se sente eu também me sinto da mesma forma.

Se Lisa queria plantar alguma dúvida na mente doentia de Paul, aquela era exatamente e hora certa para tomar uma atitude.

– Paul, eu queria lhe fazer um pedido – Ela levou as mãos ao rosto dele esforçando-se para envolvê-lo carinhosamente e disse olhando profundamente dentro daqueles olhos opacos – Afaste Évora de mim. Quando ela souber sobre o bebê vai querer me matar.

Se fosse qualquer humana que estivesse abraçada com Paul naquele quarto em cima daquele colchão, talvez não sentisse ou reparasse no brilho sombrio que brevemente passou pelo rosto do redutor. Uma espécie de nuvem negra e daninha.

– Shhhh, meu amor. Está tudo bem. – Ele tentou secar as lágrimas, mas Lisa não conseguia parar de chorar – Évora não é problema. Vou proteger você... você e o nosso filho.

Ele curvou-se sobre ela e depositou vários beijou por toda a sua barriga.

– Ah, Paul... ela fará tudo para impedir a nossa felicidade. Ela disse isso para mim.

Ele escutava tudo atentamente.

– Veja o que ela já fez... – Lisa estava jogando sua última cartada, por mais dolorosa e humilhante que a situação pudesse ser, a única saída providencial era conquistar a total confiança de Paul para depois fugir, então ela se armou de coragem e simulou um carinho por ele que nunca existiria. – Você nunca quer me machucar, nunca quer me ferir... eu sei disso... eu posso sentir.

– Agora você compreende, não é? É isso mesmo. Você me tira do sério e...

–Não, não sou eu. É ela. Évora fará de tudo para nos separar. Por favor, faça com que ela permaneça longe de mim, longe de nós – Ao pronunciar o pronome “nós” Lisa sentiu-se imunda, mas para chegar aos fins não importavam os meios – Nós agora somos uma família, não quero que nada impeça nossa felicidade.

Um arrebatamento tomou o corpo de Paul, enfim ouvia dos lábios daquela mulher monumental tudo que desejava. Ele conseguiu, seus sonhos estavam se realizando. Depois do sofrimento, de ter sido obrigado a matar seus pais e o imbecil do seu irmão, depois de ter vendido sua alma para Ômega... ah, ele caminhava para a vitória, para o amor pleno e sincero junto com sua amada. Ninguém poderia impedir seu triunfo. Com o coração aos saltos ele a tomou em seus braços e beijou-a profundamente... era o primeiro beijo entre eles.

Quando finalmente retirou sua língua de dentro da boca macia de Lisa, ele apanhou uma chave guardada no bolso da sua camisa e soltou as correntes que a prendiam.

– Como prova do meu amor não quero você mais acorrentada e logo saíra deste quarto.

Vendo que Lisa ainda chorava, ele tentou consolá-la antes de sair. Tinha reunião com os membros da Sociedade Redutora, não podia faltar. Sabia que o Sr.D já desconfiava de algo sobre ele.

– Meu amor, não chore... vai ficar tudo bem. Eu volto logo.

Quando o trancar da porta ressoou pelo ambiente, Lisa caiu em profundo desespero desabando em um poço fétido e escuro que no momento era a sua alma, a culpa pela atitude tomada feria sua consciência, seus princípios. Ela passou a mão sobre os lábios, várias vezes na intenção de poder se limpar e chegou à conclusão que aquele beijo... aquele maldito beijo tinha o poder de esmagar e demolir sua vontade de continuar vivendo mais do que os estupros e as surras sofridas. Hosana sentiu a escuridão do sofrimento e tratou de desaparecer... o melhor a fazer era deixá-la sozinha com seus demônios implacáveis.



O Escalade estava estacionado junto à área das ambulâncias, por sinal uma área muito movimentada. Afinal estamos falando sobre salvar vidas, então era compreensível que alguns motoristas fizessem cara feia enquanto procuravam pelo dono do carro.

O Dr. Manello tinha acabado de passar em visita a alguns de seus pacientes, porém agora encontrava-se parado em frente do leito de Julia meditando sobre o que poderia fazer para tirá-la daquele estado lastimável. Tinha ouvido falar sobre um novo tratamento que possivelmente produziria...

– Ei... quem é você? Saia imediatamente.

Vishous adentrou sem tomar conhecimento de nada ou ninguém, seu único foco era levar a garota embora.

– Calma, Doutor. Se não reagir deixarei que permaneça com suas pernas e braços exatamente onde se encontram agora.

A voz do homem trajando roupas de couro totalmente negras era ameaçadora e Manello soube que o cara a sua frente não estava brincando.

– O que quer? – Perguntou duramente.

– Meu assunto não lhe diz respeito.

V. passou por ele e começou a desconectar os fios ligados ao corpo de Julia. O médico tentou impedi-lo.

– O que pensa estar fazendo? Manello avançou, mas foi contido a tempo, agarrado por trás.

– Tá legal... vamos todos nos acalmar – Butch olhou sério para seu camarada – E você... trate de se apressar, não temos a noite toda.

– Não podem levá-la daqui... – o médico se contorcia tentando se soltar.

– Será que dá pra colocar ele pra dormir?

– Pronto termimei. – Com Julia no colo Vishous olhou dentro dos olhos do médico apagando tudo que dizia respeito ao acontecido deixando-o deitado ao chão.

Foi assim até chegarem ao carro. Acomodaram o corpo de Julia no banco traseiro e saíram em disparada não deixando pistas para trás.

– Acha mesmo uma boa idéia levá-la para a mansão, Butch ?

– E para onde você a levaria? Para a cobertura? Vamos lá V., bem ou mal ela é assunto da Irmandade também.

– Wrath vai surtar. Posso até ouvir os gritos. Eu disse que me virava sozinho, mas você insistiu –falou Vishous acendendo uma de suas cigarrilhas.

– Ahhh... Cala essa boca, mas... você vai fumar? –perguntou o tira chocado – Se não percebeu a garota que está no banco de trás está em coma.

– Ótimo, então ela não vai se incomodar com a fumaça.

Butch balançou a cabeça negativamente, inconformado.

– Às vezes você é insuportável.

Assim que estacionaram o Escalade na garagem da mansão, Vishous pegou Julia em seus braços e se encaminhou para a área de treinamento onde ficava a enfermaria, o tira vinha colado logo atrás dele. Ali várias salas vazias compõem o ambiente. O complexo é enorme e foi muito bem planejado para comportar o máximo de Guerreiros em treinamento possível.

Realmente Darius pensou em tudo! Divagou Vishous enquanto caminhava pelo túnel. Ele não chegou sequer a entrar totalmente na área médica quando avistou Wrath.

– Merda! Aqui vamos nós. – murmurou para o tira.

– E então? Foi tudo tranqüilo? – perguntou o Rei

V. lançou um olhar profundo sobre Wrath e depois desviou para Butch.

– Já entendi. Você já sabia, não é? E porque...

– Chega Vishous. Butch me contou sobre seus planos e eu concordei, é só.

– Será que eu tenho que ser sempre o último a saber das coisas por aqui? Será que não é mais fácil conversar?

– Porra! Olha só quem fala. É sério? – questinou Wrath indignado — Você está realmente falando sério? Sabe há quanto tempo não conversa com ninguém? Você vive numa bolha, isolado. Acha mesmo que eu permitiria que você entrasse naquele maldito hospital e sequestrasse essa garota sem que a trouxesse para cá?

– Esse problema é meu e...

– Está enganado mais uma vez, esse problema é nosso.E sabe porque?Porque você é problema meu. Não vou perder você nem como Irmão e nem como Guerreiro. Acho que estou deixando esse ponto bem claro.

Wrath se afastou dando espaço para que V. acomodasse Julia em uma cama hospitalar e dirigiu-se para a saída.

– Cuide dele – disse olhando para Butch seriamente – Não quero ele por aí sozinho, essa ordem não mudou.

Enquanto o Rei se afastava andando majestosamente em sua onipotência única, Vishous começou a conectar o cateter de alimentação e os monitores de sinais vitais. Sua concentração era minuciosa e o trabalho manual que exercia sobre o corpo de Julia era digno de um enfermeiro prestimoso e muito, muito responsável.

– Obrigado.

Ele disse a palavra soltando um profundo suspiro, porém o tira sabia o que significava e respondeu com alguns tapas sobre os ombros de V.

– Se quiser, pode ir. Vou acabar logo, já instalei uma câmera aqui para poder monitorá-la do Buraco.

– Tudo bem, eu espero. Não tenho nada melhor pra fazer no momento.

Aquilo era uma grande mentira, Marissa já estava em casa... então Butch tinha coisas melhores do que ficar ali com ele, como por exemplo, fazer sexo com sua amada . Porém parecia que todos os seus Irmãos e suas shellans se ressentiam quando Vishous encontrava-se por perto. Parecia que ninguém queria demonstrar a felicidade do amor que sentiam, ou será que a verdadeira razão era a tristeza que todos compartilhavam por ele ter perdido o amor da sua vida?

Enfim terminou e momentaneamente sentiu-se esgotado. Passou as mãos pelos cabelos que lhe caiam sobre o rosto e esfregou os olhos que estavam pesados. Balançou a cabeça de um lado para o outro escutando o estalar de seu pescoço, seu estress era notável.

– Que tal se você descansar um pouco? Posso arriscar dizer que está cansado.

– Sim... cansado de tudo. Inclusive de procurar e não encontrar aquele filho da puta que a tirou de mim. Ele parece uma agulha dentro de um palheiro... se eu tivesse alguma pista. Minha única esperança é essa garota... e do jeito que ela está... eu não sei.

– Mais dia, menos dia a situação vai mudar e você vai encontrar a sua vingança e eu estarei do seu lado. Agora vá deitar um pouco, parece que vai cair a qualquer minuto.

Dizendo isso os dois saíram em silêncio rumo ao Buraco.



Lisa finalmente se encontra sem as correntes e com uma camisola sobre o corpo, ficou tanto tempo nua que sua vergonha e incômodo não mais existiam. Paul permitiu que ela tomasse banho sozinha sem que ninguém a olhasse, colocou lençóis limpos em cima do colchão enquanto ela se banhava e lhe trouxe uma manta nova. Quando Lisa saiu do chuveiro ele tinha preparado uma refeição nutritiva que incluía frutas secas, algumas nozes e um copo de suco de laranja. Ela comeu... ele depositou um beijo carinhoso em seus lábios e pediu que descansasse. Saiu porta afora dizendo que a amava e que voltaria pela manhã.

Sozinha ela pensou em como tinha vendido sua alma para aquele morto-vivo e como sofria por tal escolha. Seus pensamentos a levaram até Julia, a feiticeira que tinha visualizado nos pensamentos de Évora e que dormia em um coma profundo que só a maldade poderia manter.

Deus... aquilo parecia um conto de fadas, Branca de neve depois de morder a maça. Que inferno, o correto a fazer era se concentrar.

Pensando, pensando... e se... concentrando-se ela pudesse entrar em contato mentalmente com Julia? E se de alguma forma conseguisse estabelecer uma conexão?

Com esse pensamento chamou pelo nome de Julia, várias e várias vezes até que tomada por uma agonizante saudade em seu cérebro só ecoava Vishous... Vishous... Vishous.

Foi assim que ela adormeceu e foi tragada para o mundo dos sonhos.


Lisa estava amarrada, com as mãos atadas por uma tira de couro preto, presa a cabeceira de ferro torneado de uma enorme cama estilo Vitoriano. O quarto iluminado por centenas de grossas velas tinha as paredes vermelhas e o teto adornado magnificamente. Arabescos floreados saltavam em alto relevo nas cores preto e vermelho, combinando perfeitamente com todo o resto do ambiente.

Em uma mesa redonda no canto direito, uma toalha de veludo também vermelha contrastava com o enorme vaso de cristal lapidado manualmente que abrigava dezenas de rosas negras.

Ela tentou se soltar, mas o amarre era intenso e lutar era perda de tempo. Quando seu corpo enfim entendeu o que aconteceria... parou. Tratava-se obviamente de mais um estupro, outro abuso sobre o seu corpo tão cansado, tão enojado.

Correu o olhar, mas não viu Paul em lugar algum. Deitada sobre lençóis de cetim vermelho sangue, sua respiração começou a angustiar... a espera da nova sessão de tortura era mortal.

Mãos subiram por suas coxas lentamente até alcançarem seus seios. Sentindo repulsa e um ameaçador horror não conseguiu controlar o espanto e seu corpo saltou sobre o colchão.

Não tinha a intenção de se debater, mas foi isso que fez quando olhou para as mãos com dedos fantasmagóricos que agora estavam apertando seus mamilos... espere... espere um minuto... as mãos não eram brancas. Eram fortes, bronzeadas e em uma delas uma luva de couro negro se encaixava perfeitamente, parecendo moldada, colada. Seu toque era urgente e possessivo, contendo uma pegada sensual e determinada.

Vishous!


Não suportando tanta pressão e tristeza, Vishous entrou em seu quarto, se despiu e jogou-se sobre a cama sem se dar ao trabalho de sequer acender um vela. A porta ele trancou com sua mente. Talvez conseguisse dormir duas ou três horas se tivesse sorte... e foi o que aconteceu. O sono chegou e trouxe consigo um sonho. Um sonho vívido!


– Vishous...

O gemido erótico que Lisa emitiu quando olhou para seu baixo ventre e viu o macho que amava no meio de suas pernas totalmente abertas tinha um sentido de alívio e também de um prazer insuportável. Os cabelos negros caíam em desordem sobre sua testa roçando as tatuagens na têmpora e seu olhar faminto era promessa de sexo ardente e selvagem.

– Gosto disso. Gosto do seu sabor na minha boca – murmurou enquanto deixava a cabeça cair novamente para abocanhar totalmente o sexo de Lisa com sofreguidão e loucura.

Ela puxou os braços desesperada buscando se soltar para abraçá-lo e imaginou suas unhas cravadas naquelas poderosas costas, arranhando-o. Porém aquilo aconteceria mais tarde, no momento, encontrava-se totalmente subjugada por Vishous... e tudo era esplendoroso.

Como o bom dominante que era, V. passava seus lábios sobre a entrada sensível e vulnerável com total segurança, penetrando-a com sua língua tórrida. Ele a cobriu por completo. Abocanhando-a, chupando-a e sugando-a sem nenhum pudor. A sensação era devastadora, a intimidade... brutal.

Perdendo totalmente o controle de si, Lisa começou a mexer seus quadris deliberadamente contra a boca macia que lhe levava as raias da loucura. Sem nenhuma vergonha ela desejava que Vishous a comesse viva, que a devorasse com sua ânsia animal... E era exatamente isso que ele estava fazendo.

Quando o orgasmo se aproximava... ele parava, se afastando por alguns segundos, até que a respiração e o corpo de Lisa se acalmasse. Depois recomeçava do ponto exato onde tinha parado, excitando-a ainda mais, esfregando com agonia sua língua contra o clitóris da fêmea que ele amava com desespero.

Ela sentia um calor abrasivo queimar e crescer de modo descontrolado, o jeito que seu macho a possuía com a língua era delicioso, sua pele exigia o contato, exigia o orgasmo.

– Mais – pediu loucamente, erguendo os quadris – Por favor... estou enlouquecendo.

V. ergueu seus olhos diamantados, sua boca brilhava.

– O que você quer lelaan? – perguntou grunhindo – Fale para mim.

– Você! – ela gemeu luxuriosamente – Preciso sentir você inteiro dentro de mim. Me faça gozar... Oh... Deus, não aguento mais.

Vishous sorriu sombriamente. Sim, aquele era o momento certo. Era o momento em que Lisa implorava por ele, desejando-o mais do que tudo, precisando dele como uma lareira precisa da lenha e do fogo. O momento em que os dois tornavam-se um.

Tentando conter a urgência para aproveitar ao máximo o que estava por vir, ele subiu pelo corpo dela deslizando a língua molhada por todos os lugares possíveis e imaginários, depositando beijos intermináveis. Capturou-lhe as gotas de suor que seu corpo quente produzia e se deliciou com o sabor. Sua fêmea era perfeita, saborosa, apertada. Tudo o que ele sempre precisou para ser livre e completo.

Capturou um dos mamilos rosados e enrijecidos em sua boca e mordeu o suficiente para que uma leve, porem, poderosa pontada de dor percorresse todos os terminais nervosos, amplificando o tesão em um limite quase doentio.

– Está tão pronta pra mim – disse V. ofegando – Tão molhada, tão melada.

O odor da vinculação surgiu de repente espalhando-se forte e encorpado.

– Vou beijá-la antes de entrar em você lelaan. E depois vou entrar profundamente. Abra a boca pra mim Lisa... abra, quero sugar sua língua...

O beijo ardente era estonteante, havia uma gloriosa sensação de sufocamento, como se o ar não fosse suficiente para ambos. Ele se inclinou sobre o ouvido de Lisa e sussurrou enquanto soltava as amarras que lhe prendiam.

– Você está tão preparada. Eu a quero tanto... que o meu desejo chega a doer.

– Entre em mim... – ela rosnou desesperada, entre gemidos insanos de prazer – Me use.

Quando finalmente seus braços se soltaram, as mãos de Lisa correram para o traseiro de Vishous, elas empurravam o quadril dele em direção a sua abertura, ao seu interior. V. agarrou seu membro e se encaixou nela, mergulhando fundo. Duro como uma pedra, grosso como um punho.

Os dois gemeram alto. Havia paixão e desejo misturado à fúria e loucura. Ele dominou o corpo dela prendendo-o embaixo dele por completo e começou a assumir um ritmo faminto. Ele arremetia cada vez mais rápido, entrando cada vez mais fundo. Alargando-a, preenchendo-a plenamente.

A respiração dele tornou-se pesada, a respiração de Lisa profunda. Ofegando como se não houvesse oxigênio suficiente, seus corpos suados batiam um contra o outro sem dó, sem piedade. Uma necessidade animal.

Moviam-se sincronizados dentro de uma paixão avassaladora, selvagem. Estavam no limite do êxtase, quando as presas surgiram enormes...

– Me morda... – suplicou totalmente desnorteada, tomada por um desejo insano.

Ela não chegou a terminar o pedido. Ele cravou as presas de imediato na garganta de Lisa com uma urgência desmedida pelo sabor do precioso sangue.

Ele a segurou fortemente pela nuca, sugando avidamente tudo o que podia, puxando seus longos cabelos e a trazendo para mais perto, seu membro ereto deslizava dentro dela escorregadio e flamejante. Sua respiração ficou curta, o coração começou a bater cada vez mais rápido. Empurrou com força uma última vez e só teve um segundo para ordenar.

– Lisa... vou gozar. Goze comigo. Agora!

O corpo de Vishous explodiu em um orgasmo poderoso, jorrava dentro dela enquanto ouvia os gritos delirantes de sua fêmea que o acompanhou dentro de uma luxúria que poderia ser descrito como: pecado mortal. Ela se contorcia de prazer apertando-o, ordenhando-o dentro de um infinito e maravilhoso êxtase. Aquilo era tão bom, tão completo... era a perfeição. Desde o encaixe dos corpos em movimentos lascivos e indecentes até a calmaria que por se tratar especificamente de Lisa e Vishous tornava-se libidinosa e obscena já que eles não eram capazes de afastar um do outro.

– Senti tanto a sua falta... murmurou Vishous ainda ofegante.

A frase teve efeito de despertar o inconsciente de ambos. Viviam um sonho, um devaneio... nada era real.

Lisa imediatamente abraçou-se a ele sentindo um abatimento consternado.

– Não, não... eu não suporto a distância...

Os olhares se encontraram e se mantiveram fixos. Vishous envolveu o rosto dela com as mãos.

– Nosso amor é maior que tudo Lisa. Espere-me, eu encontrarei você. Não importa onde esteja, no céu, no inferno, no Fade... espere-me.

Ela o olhou espantada, compreendendo que V. tinha certeza de que estava morta. Afinal, como poderia não pensar daquela maneira? Seu corpo... o feitiço de Évora.

O quarto começou a tremer, a tinta das paredes escorria como sangue. O vaso com as lindas rosas negras caiu ao chão estilhaçando-se em mil pedaços. Era como se o ambiente estivesse derretendo. O tempo deles havia terminado, mais uma vez...

Com a visão de que tudo desaparecia rapidamente, Lisa pronunciou suas últimas palavras.

– Eu estou viva!


- Vishous!!! — quando Lisa abriu os olhos e se viu no meio de sua triste realidade ela não conseguiu fazer nada além de chorar compulsivamente. A destruição da dádiva que o sonho tinha lhe oferecido era demasiadamente dura para suportar... e Lisa desejou morrer.

Lisa!!! — quando Vishous abriu os olhos o teto negro do seu quarto tratou de lhe dizer que tudo não passou de um sonho. A agonia que habitava dentro de seu peito voltou ainda mais cruel e pulsante. Ele ergueu suas mãos para passá-las sobre os cabelos, um gesto que expressava a sua desorientação. Foi então que notou que estava agarrado ao seu membro ainda ereto e com a mão e o abdômen coberto de sêmen. Era a primeira vez que gozava depois do sequestro de Lisa e... por mais que toda aquela situação parecesse ridícula e incrédula, a verdade é que só tinha gozado porque foi novamente com Lisa.

Ainda conseguia sentir o toque dela sobre seu corpo, os lábios dela em sua boca. Com essa sensação dominando-o não se mexeu, continuou imóvel, paralisado... talvez se permanecesse assim ela nunca mais se afastaria dele.

– Vishous. – era o tira batendo a porta – Vishous?

Caralho, não tinha um minuto sequer de paz... mas V. com toda a sua inteligência, sabia muito bem que não era por causa de ninguém, e sim... por sua alma atormentada.

– O que você quer? – gritou descontente.

– É importante, a garota acordou.

Levantando-se de sopetão, correu para o banheiro, pegou uma toalha e começou a se limpar. Voltando para o quarto colocou a calça de couro e saiu porta a fora parecendo um trem desgovernado.

– Repita o que disse. – ordenou a Butch.

– Não é necessário – o tira andou de encontro aos computadores – Olhe no monitor.

Julia estava acordada, sentada na maca com Hollywood ao seu lado.



A adolescente estava completamente embriagada pela figura do homem loiro, de ombros largos com um olhar azul intenso e brilhante. Vestia uma camiseta preta sem mangas e calça de moleton também preta.

– Você é lindo... Eu morri?

– Não, você não morreu e sim... eu sou lindo mesmo e meu nome é Raghe.

Quando ele sorriu ao se apresentar Julia pensou que não podia existir ninguém com aquele tipo de beleza. Ele era perfeito.

– Você é um anjo? – perguntou ainda não acreditando que ele era um simples mortal.

– Não, nada disso. Como se sente? Não...

A porta da enfermaria se abriu e Lassiter entrou.

– Olá querida. O anjo desta casa sou eu – falou com tom de brincadeira, como era seu costume – Ele é apenas bonitinho.

Julia não teve oportunidade de responder por que atrás dele surgiram mais dois sujeitos. Um deles até que era bem normal, mas o outro... o outro era sinistro, usava um gorro do Red Sox enterrado na cabeça, mas ela o reconheceu imediatamente pelas tatuagens no rosto.

– Meu Deus, você é real. – Julia corou, ficando vermelha como um pimentão. Sentiu suas bochechas esquentarem – Eu...

Os machos se olharam entre eles e depois pousaram o olhar sobre Vishous.

– Querida... ele é o cara mau. – disse Lassiter apontando para V. – Lembre-se disso.

Enquanto Lassiter soltava uma boa gargalhada acompanhado por Raghe e também por um sorriso discreto de Butch, Vishous foi ao encontro da garota.

– De onde você me conhece? – perguntou seriamente.

Ah, não... de jeito nenhum Julia ia contar que acabara de ter um sonho altamente erótico e que os protagonistas principais e muito... muito ativos eram aquele homem de cavanhaque e Lisa Hendrix.

Ela não se deu conta, mas chegou a suspirar quando lembrou-se de que acordou exatamente quando o casal alcançara o delirante e intenso orgasmo. Eles eram tão bonitos juntos. Por um momento Julia divagou questionando-se se algum dia teria um amor na sua vida. Um garoto que a amasse mesmo sabendo que ela podia enxergar quando as pessoas estavam a quarenta e oito horas de sua morte.

Apesar de ser virgem, desejou um homem semelhante e tão intenso quanto o que se encontrava a sua frente e que amava Lisa com toda a sua força. Ela corou ainda mais e se sentiu envergonhada por ter presenciado tamanha intimidade.

– Por favor, fale comigo Julia – disse Vishous calmamente – Como você sabe quem eu sou?

– E-eu não sei exatamente quem você é – ela baixou os olhos direto para o chão – mas sei... que...

– O quê? O que você sabe?

– Acabei de ter um sonho... acho que o grau de... que o ímpeto do... Não, o que eu quero dizer...

– Já entendi. – Disse V. levantando uma das mãos para que ela se calasse.

Será que alguém já tinha visto Vishous perder a cor, ficar totalmente pálido? Butch poderia jurar que seu amigo encontrava-se sem jeito.

Ela levantou o rosto corado e encarou o destemido olhar diamantado que bem no fundo expressava uma enorme melancolia.

– Você é o homem por quem Lisa está apaixonada.


Notas finais
Ai... meus deuses, tenho que confessar que Julia ter dividido, mesmo que indiretamente, um momento tão íntimo e tentar esconder ou omitir o fato de Vishous, me deixou rindo sozinha.... Posso imaginar a expressão dos olhos dele ao se questionar se realmente estava entendendo o que a garota tentava dizer. Do jeito que ele é prático, podia esperar tudo... menos isso!!! ahahahahaha
Quero que vocês me digam o que pensam sobre as atitudes e as escolhas que Lisa está fazendo. Ela está certa ou forçando por demais uma situação?
Não me escondam nada. Aguardo ansiosa pelos comentários.
bjs.
Fênix