Notas iniciais
Olá pessoas lindas!
Bem, antes da leitura desse capítulo vou falar um pouquinho.
Primeiro agradeço a todas que enviaram sugestões para o nome do Guerreiro. Todos são criativos e maravilhosos, e claro, dignos de um Guerreiro especial e importante.
Escolhi cinco nomes que mais me chamaram a atenção e que mais se encaixam no enredo. Quatro deles são de leitoras e um é de minha autoria. Portanto tenho um pedido a fazer: Quero que me ajudem a escolher. São vocês que decidirão como o filho de Lisa e Vishous era chamar.
Sim... o Guerreiro misterioso é o filho desse casal tão amado.
Para a escolha leve em conta o que Lisa está passando... leve em conta o que Vishous também está passando. Os sentimentos, a distância entre eles. Tudo, tudo é importante.
Se tiverem dúvida não precisam optar agora, podem esperar por mais capítulos. O importante é que escolham com o coração.
Segue abaixo os nomes e seus significados.
As opções são: TRUSTY (confiança, fé, esperança) RETTER (Salvador) eDAX (voraz em latim) ACSA (rochedo em hebraico) e finalmente STRONG (forte, resistente, intenso).
Para não melindrar e nem influenciar ninguém eu não direi quem são as autoras das sugestões. No final quando a maioria escolher... aí sim, darei o devido crédito a quem merecer.
Agora sim... boa leitura e nos encontramos daqui a pouco!
bj.
Fênix

Centro Médico de St. Francis...

– Olá Dr. Manello.

– Como vai Cindy?

– Estou bem, já a sua paciente não esboça qualquer tipo de reação.

Manny Manello era conhecido como um cirurgião obstinado, sua área não era atender a casos como daquela garota que deu entrada em coma profunda, mas a paciente acabou caindo em suas mãos devido ao grande número de ocorrências que o Pronto Socorro teve há quatro dias atrás. Como os plantonistas estavam super atarefados ele achou melhor ajudar.

– Não consigo entender tal caso. Como é possível Doutor?

– É por isso que a medicina é tão fascinante. Travamos uma batalha todos os dias.

Ele caminhou até o leito de número quatro, checou os aparelhos e suas últimas anotações. Nada, nenhuma alteração. O que escreveria no prontuário? Com certeza: estável.

Exames laboratoriais de todos os tipos possíveis, ecocardiograma, tomografia, ressonância magnética, endoscopia, ultrasson... tudo normal. Não havia o porquê de ela estar em coma profunda. Não haviam encontrado nenhuma doença em seu corpo nem tão pouco em seu cérebro.

Manny balançou a cabeça como se quisesse embaralhar suas idéias e reorganizá-las, repassando-as mais uma vez na esperança de ter deixando algo importante de lado.

Não chegou a lugar algum. Certo, aquela seria uma longa noite pensando sobre outras possibilidades... que não existiam.

– Oh, minha Virgem Maria... que horror. – disse Cindy, a enfermeira, levantando-se de sua cadeira com olhos arregalados.

– Está tudo bem? – ele perguntou preocupado – Você está bem? Cindy? O quê aconteceu?

Ela se achegou perto do médico, ao lado do leito hospitalar onde a adolescente de cabelos negros continuava a dormir e disse chorando.

– Lisa... Lisa Hendrix...

– A cantora? O que tem ela?

– Foi encontrada morta, com a garganta cortada.

Aparelhos e monitores cardíacos dispararam apitando todos ao mesmo tempo. A paciente surpreendentemente convulsionava entrando em colapso.



Como descrever a tristeza ou talvez a agonia de perder quem se ama? A tristeza é o inimigo silencioso, a agonia a lâmina afiada que despedaça o coração pouco a pouco.

Todos olharam para Vishous, porém ninguém falou nada.

O tempo parou, não existia.

Deitado naquela cama, ele continuou com os olhos fixo na tela plana absorvendo as informações que o locutor insistia em continuar falando.

V. se remexeu quando um aperto profundo tomou o interior do seu peito. A sensação era amarga, sufocante. Seu coração parecia lutar contra uma caixa de concreto que o esmagava enquanto tentava bombear, aos saltos.

Lisa, sua Lisa... estava morta e ele nada fez para impedir tal realidade. E a marca da sua morte era a preferida dos redutores: espancamento seguido de um profundo corte na garganta.

V. fechou os olhos com força e gritou. Um grito desesperado e insano preencheu todo o Buraco, espalhando-se pela enorme mansão, pelos jardins, pelos campos.

Ao fundo o choro de algumas fêmeas era ouvido como uma lamuria penosa e árdua.

Uma explosão de calor emanou de seu corpo e em poucos segundos, brilhava por inteiro. Seus Irmãos o olhavam não com espanto, mas com a certeza de quê era a primeira vez que Vishous mostrava o quanto era parecido fisicamente com sua mãe, a Virgem Escriba. Mesmo não sendo esse o propósito.

A temperatura continuou a subir dramaticamente. Aqueles caras, ali parados, não seriam páreo para V. caso ele em sua consternação os tocasse por qualquer motivo desvairado dentro do furacão que sua mente se encontrava.

– Vishous, meu Irmão. Eu sinto muito.

As palavras de Wrath se perderam no ar, Vishous não escutava. Encontrava-se em um universo paralelo. Um universo onde só existia dor, aflição, angústia, penar, desengano e principalmente ódio.

Não era o ideal a ser feito, mas foi Lassiter que se aproximou.

– V... olhe pra mim...

– Afaste-se. – Vishous murmurou mostrando as presas e tentando se levantar – Vou sair.

– Não. Não vai. – o anjo colocou suas mãos sobre os ombros do vampiro e o empurrou de volta para a cama, forçando-o contra os travesseiros e então olhou para os outros machos que preenchiam o espaço do quarto. – Saiam todos, agora.

Ninguém se mexeu, não foi dado sequer um passo.

– Está querendo brigar Lassiter? Porque eu posso queimar...

– O que há com vocês? Vou precisar falar no Antigo Idioma? Saiam agora, antes que ele perca a cabeça de uma vez. – Lassiter gritou, percebendo que V. entraria em combustão queimando tudo ao seu redor – V. me escute... se deixar que isso domine você, seus Irmãos viram churrasco.

– Vamos sair. – Wrath ordenou e olhou para Lassiter – Mas estaremos do lado de fora se precisar.

O último a sair e fechar a porta foi Butch, enquanto se acomodavam na sala esperavam por uma reação similar a uma explosão nuclear. As shellans estavam abaladas e algumas choravam compulsivamente como era o caso de Beth.

Wrath conseguia sentir-lhe a infelicidade e o inconformismo, mas não conseguia evitar que as lágrimas caíssem pelo seu rosto cada vez mais pesadas.

– Beth, venha comigo – chamou Bella também chorando, numa tentativa de acalmá-la – Preciso que me ajude a dar banho e trocar Nalla.

O que era uma grande mentira. Bella se virava muito bem no quesito maternidade. Aquele pedido era somente para preencher a mente da Rainha com outros pensamentos.

– Beth... por favor. – ela lhe estendeu um dos braços, já que Nalla estava em seu colo.

– Vá lellan... vá – disse Wrath beijando-a delicadamente no pescoço – Vá.

– Sim... está b-bem.

Uma se apoiava na outra quando cruzaram as portas em direção a Mansão.

– Não ouço nada. – falou Raghe preocupado – Será que está tudo bem?

– Deus... não sei... – Butch passou as mãos pelos seus cabelos, aflito – Não sei se V. sobreviverá a essa perda.

– Chega! Eu vou até lá.

Thor se levantou do sofá rapidamente, mas antes que pudesse tocar a maçaneta da porta Wrath o impediu.

– V. está descontrolado. Pode ser que ocorra o pior caso você entre nesse quarto. Entende o que quero dizer?

– Sim, meu Senhor. Eu só tenho uma pergunta a lhe fazer: Como Vishous pode me matar se eu já me encontro morto? Sei bem pelo que ele está passando nessa maldita hora.

Wrath assentiu com o ponto de vista e saiu da frente da porta.



Lisa encontrava-se encolhida deitada em cima do colchão e havia coberto seu corpo nu com o cobertor. Apesar de ser finalzinho do verão e as temperaturas ainda estarem altas ela preferia suportar o calor a ficar com seu corpo vinte e quatro horas por dia exposto. É claro que se isso fosse o que Paul desejasse ela nada poderia fazer, afinal permanecia acorrentada... sempre.

Naquele quarto solitário ela pensava em Vishous e na falta que eternamente sentiria. Seu peito queimava, sua dor era insuportável. Sem perceber o gesto, ela colocou suas mãos sobre o ventre fecundo e pela primeira vez agradeceu aos Céus por poder carregar um filho dele.

O silêncio e a completa solidão do momento era um alívio para sua alma atormentada. Não se permitiu questionar como seria sua vida e tentou se concentrar em descobrir uma maneira de fugir, assim como no acalento de supor que a Irmandade buscava por ela.

Esse era o ponto principal de sua esperança. Sonhava em ser liberta e um dia poder apresentar ao Rei o herdeiro, ou herdeira de Vishous. Qual seria seu nome? Como deveria fazer tal escolha? Como V. gostaria que...


Jesus Cristo... nunca saberei. Ele não pode mais falar comigo e nunca conhecerá seu filho.


Concentrou seu olhar na letra “V” tatuada em seu pulso e então a levou de encontro aos seus lábios e beijou-a repetidamente. Intercalava os beijos com o carinho do deslizar pelo seu rosto e também pelo pescoço, sonhando ser o toque dele.

Fechando os olhos seu cérebro foi preenchido por lembranças tão vívidas que Lisa tinha a sensação de que por um instante poderia tocá-lo: a visão dele imóvel em seu quarto, as fortes discussões, a primeira vez que fizeram amor numa mistura de selvageria e entrega.

Estava fadada a se conformar com as lembranças e elas carregavam a carga de terem que bastar. Ser o suficiente para Lisa prosseguir e continuar vivendo até que a Irmandade um dia a encontrasse.

A porta do cárcere se abriu. Primeiro entrou Paul e depois Évora.

– Está morta. – afirmou Évora felicíssima.

Lisa tentou não perguntar, mas um pavor tomou conta de seu corpo e ela associou a morte a sua querida amiga Anne.

– Quem? Anne...

Sentou-se no colchão e puxou o cobertor até os ombros, enrolando-se nele. Seus olhos estavam arregalados.

– Você.

Paul carregava um tablet e de onde estava virou-o na direção do olhar de Lisa. A notícia era dada incessantemente e ininterruptamente nos canais que exibiam a vida das celebridades. Ele aumentou o volume quase chegando ao máximo.


... ainda não temos maiores detalhes sobre essa tragédia que caiu sobre Nova York e também sobre o mundo. Afinal Lisa Hendrix era na atualidade a cantora de maior sucesso e popularidade, ninguém se encontrava acima dela. A polícia ainda não deu qualquer declaração sobre esse crime hediondo e brutal. Apesar de afirmar que o lugar onde o corpo foi encontrado é uma zona perigosa frequentada por traficantes e...


– Você está morta. Seu corpo foi encontrado a cerca de uma hora. – Évora não podia conter sua alegria ao ver a agonia aflorar no rosto de Lisa – Como se sente morta para o mundo? Morta para tudo e todos que a conheceram.

Silêncio. Silêncio profundo.

Esperavam um turbilhão de emoções, um intrépido grasnar de ódio e frustração, mas nada disso ocorreu. Pelo contrário, respirava dentro de uma consciência e calma tão absurda que beirava a loucura insana e desvairada. Paul deu um passo atrás quando sentiu a tal energia e em sua mente ele associou aquela reação há quando viu Ômega pela primeira vez. Ele era exatamente assim. Não importava a situação. Certo ou errado a reação da encarnação do mal era sempre a mesma e exatamente igual àquela que Lisa apresentava no momento.

Olhando para os dois com um olhar frio e objetivo. Ela ignorou totalmente a presença de Évora e concentrou-se em Paul. Falou com ele pausadamente e sem emoção.

– É assim que pretende obter meu amor?

– Eu... eu...

– Ainda não terminei. – ele estava gaguejando? Demonstrando, talvez fraqueza? Pensou Lisa enquanto continuava seu discurso – A idéia foi de Évora e você simplesmente aceitou por ser conveniente, não é? Ninguém virá atrás de mim se agora eles têm um corpo para enterrar.

– A idéia foi genial. Eu sou genial.

– Não estou falando com você Évora. – a calmaria na voz continuava a mesma – Meu assunto é com Paul, permaneça calada.

Sem perder o sorriso a feiticeira tentou continuar.

– Eu não...

– Permaneça calada. – Lisa pronunciou as palavras pausadamente, bem devagar.

– Acha...

Permaneça calada! – Berrou Paul – Permaneça com sua maldita boca calada sua puta nojenta e asquerosa.

Aquilo sim foi a reação que esperavam de Lisa. O redutor tremia por inteiro, era visível o sacolejar de suas mãos e pernas. Évora calou-se imediatamente, mas Lisa... Lisa seguiu firme com seu propósito.

– Vendeu sua alma a uma divindade maligna em troca de uma imortalidade incerta, matando vampiros que até a alguns meses nem sabia que existiam. Olhe pra você... não come, não bebe, cheira a talco de bebê e agora, no meio do seu arrependimento, de sua existência sem graça, achou que todos os seus problemas estariam resolvidos se compactuasse com o objetivo dessa mulher.

– Lisa, meu amor... você não está entendendo. Por favor, me deixe explicar?

– É aí que você se engana Paul. Eu entendo, quem não entende é você. Sabe o que acabou de fazer? Você vendeu seu corpo e suas vontades para Évora.

Não. Não é nada disso. – Os gritos retornaram, ele estava transtornado.

– É exatamente isso. Você está nas mãos dela, ainda não sabe, mas é totalmente controlado por ela. Não passa de uma marionete que só diz amém.

Paul avançou na direção de Lisa e esbofeteou-lhe o rosto com toda a força que possuía. Ela tombou de lado, mas levantou-se rapidamente e continuou a falar.

– Por enquanto ela permite que você tenha ereções. Afinal o intuito dela é me ver estuprada, humilhada, torturada, sofrendo o máximo possível. Não é a sua vontade que está prevalecendo nesse momento. Você só está bancando o idiota.

Mais um tapa foi deferido e dessa vez quando Lisa cedeu em cima do colchão seus lábios estavam cortados e sangravam tingindo seus dentes de vermelho. Ela novamente se pos de pé e orgulhosa não deixou de confrontá-lo.

– Você não passa de um covarde Paul. Os psicopatas vivem para matar e nem por isso vendem suas almas para criaturas místicas e sabe por quê? Porque eles têm a certeza de que são auto-suficientes e melhores do que ninguém no que fazem. Já o seu caso se resume em ser um menino mimado e malcriado que mata quem não se submete aos seus caprichos insignificantes.

Outro tabefe... ela caiu. Mais um do lado esquerdo e mais outro do lado direito.

– Vai aprender a me respeitar Lisa. Ah...se vai.

Ergueu-se de cima dela e saiu porta afora não se importando por deixar escancarada. A respiração de Lisa era ruidosa e muito pesada, parecia expressar o horror que estava por vir.

– Está feliz Feiticeira do Fogo? Apanhando?

– Quem não está feliz é você – levantou a cabeça e olhou Évora nos olhos – Se ele me matar quem perde é você. Perde a mim e também o lugar seguro para se esconder até que complete o seu plano, não é Feiticeira da Terra?

– Como sabe que...

– Sou mais forte do que você Évora e nem passei pela minha transição. Guarde minhas palavras:

Vou esmagá-la quando menos esperar.

Enquanto Évora sentiu um frio cruciante passear pela sua coluna vertebral, suas pernas chegaram a ceder por uma fração de segundos. Mais do ninguém ela sabia, ou supunha, do que era capaz uma Feiticeira com a linhagem de sangue que Lisa carregava. No entanto encontrava-se surpresa por aquela mulher estar grávida e ainda conservar alguns poderes... pelo menos o que dizia respeito a ler as almas dos vivos. O que mais Lisa estaria escondendo?

Paul retornou trazendo uma mordaça de bola em uma das mãos e na outra um chicote trançado de couro negro.

– Chegou à hora de aprender como deve se comportar e como deve falar comigo. – Olhava para ela em agonia e com uma obstinação doentia.

– Se trouxe essa mordaça para abafar os meus gritos... perdeu seu tempo. Eu não vou gritar e muito menos implorar... por nada, sequer por minha vida.

– Veremos... isso é o que veremos.



O quarto brilhava uma luz incandescente. A imposição das mãos de Lassiter sobre a cabeça de Vishous parecia estar causando algum efeito e o grande macho de cavanhaque demonstrava uma ira menos devastadora, se é que isso é possível. Parecia que toda aquela energia que o anjo estava a desprender vinha carregada de calmaria e também de brandura.

Thor se aproximou lentamente e sem fazer barulho e postou-se do lado direito da cama.

– V. posso ficar aqui?

Vishous não respondeu, mas seu olhar ainda era de um selvagem.

– Não acho uma boa idéia. – disse o anjo – É melhor sair.

– Quer saber? – Thor puxou a poltrona para perto da cama e se sentou – Eu quero morrer. A única e suprema coisa que me restou depois da morte de Wellsie é a maldita vontade de morrer. Então, sim eu ficarei aqui com vocês dois. Porque apesar de querer morrer não posso estourar meus miolos e perder a chance de encontrar minha shellan no Fade.

– Deus, não diga uma coisa dessas. Não se deve tirar a própria vida e você é querido por todos que estão...

– Por favor, Lassiter... isso de mais nada interessa. Se não acredita em mim pergunte a V., vamos?

– Chega dessa conversa – o anjo lhe olhou feio, Thor só estava complicando as coisas – Ele não está em condições de responder nada.

– Ele quer sumir, desaparecer e como eu se sente culpado por não ter conseguido evitar a morte de uma das poucas pessoas que lhe interessam.

Enquanto as palavras sinceras e duras de Thor preenchiam o ambiente, o brilho começou a desaparecer de Vishous. Ele olhava para o Irmão e tinha a impressão que alguém havia lhe injetado um tranqüilizante no corpo. As frases continham tanta verdade e eram tão objetivas que V. não pode ignorá-las, virou o rosto na direção de Thor olhando-o com tristeza.

– Sei bem o que se passa aí... dentro do seu peito, da sua mente. Não há para onde ir... eu fui, eu fugi e me isolei, larguei tudo para trás – ele deu um risinho débil – porém nada ficou para trás. A agonia, a tristeza, o desespero, a mágoa, o ódio e principalmente a culpa me seguiram. Eu não passei um segundo sequer sem eles naquela floresta...

O brilho do corpo de Vishous cessou e Lassiter pode baixar suas mãos. Sem se dar conta e envolvido pela narrativa de Thor, o anjo sentou-se na cama ao lado de V.

– Não sei dizer a vocês se algum desses sentimentos já se foi... pelo que sinto aqui – Thor bateu três vezes fortemente contra seu peito, com a mão aberta em cima de seu coração – Nada mudou e ouso afirmar que jamais mudará.

Ele não queria chorar, então fez uma pausa para se recompor. Porém seus olhos estavam marejados e era só uma questão de tempo para que as lágrimas rolassem.

– Sinto falta dela... todos os dias. Não há sequer um minuto que eu não me lembre... do seu.... sorriso, dos... cabelos longos... cor de... mas que droga! – Ele estava chorando, passou a mão no rosto com brutalidade para secá-lo e então olhou duramente para Vishous – A única coisa que me mantém vivo é a sede de vingança, é a vontade de lutar até matar todos aqueles filhos da puta que a tiraram de mim. Se você quiser chorar, eu chorarei com você meu Irmão e depois do luto... eu o ajudarei, ou talvez seja você que me ajudará a acabar com todos os redutores que andam sobre a face da Terra.

V. fechou seus olhos por uma fração de segundos e então os abriu, olhando para Thor com respeito e admiração.

– Eu... obrigado... eu, eu não sei...

– Está tudo bem V., eu também não sei.



– Vou matá-lo nem que seja o último ato que eu faça nessa fudida vida. Eu vou...

– Você não vai fazer nada Nick. Por favor...

– Como pode defendê-lo? – o tom usado era alto, quase gritante acompanhado de um ódio sagaz – Eu disse para não acreditar nele.

– Por favor... – Anne chorava compulsivamente – Quando é que vai entender que ela o amava?

– E ele a matou. O amor dela não foi suficiente para...

– Chega! – Os soluços aumentaram – Não foi V., eu tenho certeza que não foi ele.

– Você está tão cega quanto Lisa estava. Ele é perigoso e não passa de um assassino.

– Por Deus... fui eu que falei com ele no telefone – a voz dela baixou de tom, um murmúrio – ele estava preocupado, ele me disse que ia cuidar dela porque ela era a sua vida e...

– Como você é influenciável...

– Cuidado Nick, se continuar falando dessa maneira além de perder Lisa irá me perder também. Respeite os meus sentimentos e a minha opinião. Você pode não gostar, mas não tem o direito de falar dessa maneira comigo. Não se esqueça... você não é o único que está sofrendo.

Acometido de um momento de sanidade Nick tentou abraçar Anne, mas ela se afastou.

– Acabei de reconhecer o corpo da minha melhor amiga, mais que isso... minha irmã. Não preciso tolerar sua insanidade. Voltarei pra casa sozinha.

Estar em um necrotério, diante da horrível situação e ainda ter que aguentar uma discussão estúpida era demais para Anne naquele momento. Se tal coisa continuasse, talvez não houvesse continuidade para o seu relacionamento.

– Anne, me desculpe. Eu...

Bob adentrou ao recinto escancarando as portas duplas que os separavam do mar de fotógrafos que esperam sedentos por mais carnificina do lado de fora do prédio.

– Agora já tem companhia. – Disse Anne se afastando – Acerte os detalhes do funeral com Bob, ele vai saber transformar tudo isso em um grande espetáculo.

Ela passou por Bob apenas o cumprimentando com o olhar e saiu porta afora sem olhar para trás.



A sessão de chicoteamento e tortura durou quase uma hora. Ainda acorrentada de frente para a parede suas pernas não suportaram a dor e cederam. Encontrava-se ajoelhada com os braços estirados para cima, suas costas marcadas com cortes profundos que vertiam sangue. Tinha a mordaça em sua boca que foi muito usada, já que Lisa a mordeu ferozmente contendo os gritos de dor. Seu rosto havia inchado, assim como seus lábios e um de seus olhos estava fechado com um hematoma enorme.

Porém continuava viva e perplexa... sim, perplexa é a palavra apropriada. No meio da sessão a maldade de Paul era quase palpável e o ódio de Lisa também. Foi então que tudo se revelou. A mente de Paul deixou de ser impenetrável. Podia lê-lo com facilidade.

Enxergou sua infância, como maltratava os animais, como humilhava os amigos, como planejou passo a passo a morte de toda a sua família. Vasculhou toda a mente, deparou-se com a imagem de Ômega, com os assassinatos dos civis, com a terrível morte de Kate — a vampira que lhe apareceu em forma de fantasma. Descobriu suas franquezas, seus medos e seus anseios. Á única desvairada certeza de Paul era a sua obsessão por ela.

Em um determinado momento Évora entrou no quarto com uma desculpa idiota, mas o que ela queria mesmo era evitar que Paul estragasse tudo e matasse Lisa de uma vez. O poucos minutos que permaneceu conversando com ele, além de proporcionar um alento ao corpo todo machucado ainda deu a Lisa um presente. Ela pode ler, assim como tinha feito com Paul, tudo que Évora trazia em sua alma.

Évora conhecia o pai de Lisa, na verdade o amou desesperadamente e quando ele se apaixonou por uma humana... ela não suportou. Esperou o momento certo e contou a mãe de Lisa toda a verdade sobre o macho com quem havia gerado uma filha.

As suposições de Lassiter sobre seus guardiões estavam corretas. O primeiro foi sua mãe, o segundo deveria ser Évora e o terceiro Adamo. Assim ela cresceria protegida e passaria por seu despertar sabendo o que se tornaria. Mas em vez disso... Évora resolveu se vingar. Seu plano consistia em contar tudo para a mãe de Lisa e então a morte da criança estaria selada, já que a humana ironicamente era o que a Igreja Católica chamava de “Filha de Maria”.

No meio de um espancamento brutal... Lisa descobriu sua origem. Sentiu na fúria que habitava a alma de Évora o amor que seus pais compartilharam. Eles simplesmente se amavam e ambos a desejavam.

Deus... aquele momento horrível havia se transformado numa benção apesar de toda a dor que seu corpo foi obrigado a suportar.

Além de toda a descoberta sobre sua concepção... Lisa descobriu o item mais importante para ela naquele momento de sua vida.

Existia outra feiticeira. Uma adolescente que sequer sabia como se proteger dos feitiços perversos de Évora, vivendo coagida, acoada. Porém viva, em algum hospital de Nova York e seu nome era Julia, Feiticeira da Água.

De repente seus braços foram libertos e pela primeira vez estava livre, seu corpo desabou sob o chão duro. A porta foi fechada e Lisa usou a pouca força que ainda lhe restava e se arrastou até chegar ao colchão. Permaneceu de bruços e adormeceu, sendo sugada para um sonho que ela tão bem conhecia.


Inverno... A noite se apresentava particularmente escura, ventava e folhas de jornais voavam a esmo. Tudo parecia se arrastar em câmara lenta... as pessoas, os carros, até o piscar das luzes de néon. Então, uma sombra irrompeu e ele surgiu. Calça de couro preto, jaqueta de motoqueiro, botas pesadas e muitas armas.

Estava péssimo, abalado. A palavra mais apropriada é destruído. Submerso e isolado em sua agonia. Não havia brilho em seus olhos. Estava encostado na parede de um prédio num beco e do lado direito brilhava um luminoso, era a saída lateral de algum bar.

O homem era fantasmagórico, apareceu. Mas ele não teve medo algum, pelo contrário avançou sobre o funesto e ali começou uma luta mortal. Quando se encontraram trocaram murros, chutes e golpes vorazes.

O fantasma era rápido e apesar de estar em desvantagem conseguiu acertar-lhe com uma faca logo abaixo da caixa torácica. Ele cambaleou, mas a dor o estimulou a terminar o serviço e com rapidez girou o pescoço do homem pálido até sentir seus ossos se partirem. Tirou uma das adagas da bainha, levantou os braços e enfiou no peito. O clarão iluminou todo o beco, tudo foi queimado, resumido a pó.

Por um breve momento recostou na parede, puxou o ar com força para os pulmões, estava ofegante e a dor tinha aumentado consideravelmente, procurou o celular para pedir ajuda...

Um tiro ecoou no ar.

Sentiu a pressão em seu peito, caiu ao chão, o sangue escorria por sua camisa, não conseguia se mexer. Tinha levado um tiro, um tiro no meio do peito.

Lisa abriu os olhos respirando profundamente, tentou mover seu corpo, mas não conseguiu encontrava-se exausta, além, é claro, de muito ferida. O sonho... ela continuava a sonhar com ele e isso só tinha um significado: Vishous estava vivo!

Mesmo não conseguindo se mexer Lisa sorriu. Não importava que estivesse morta para o mundo, não importava que ninguém a procurasse. O grande amor da sua vida estava vivo e isso sim era motivo, mais do que suficiente, para suportar tudo... tudo que estava passando.

Ela voltaria para Vishous e não havia dúvidas.


Notas finais
Então? O que sentiram ao ler esse capítulo? Está recheado de sofrimento, não é mesmo?
E Lisa? É nutrindo seu ódio que ela começa a readquirir seus poderes? Se continuar assim poderá se transformar na maligna como está escrito?
Para se libertar do cárcere que se encontra e voltar para Vishous ela deve arriscar em se tornar uma Feiticeira má e cruel?
E o mais importante: Não esqueçam de escolher o nome do filho de V. e Lisa.
Lista abaixo:
As opções são: TRUSTY (confiança, fé, esperança) RETTER (Salvador) eDAX (voraz em latim) ACSA (rochedo em hebraico) e finalmente STRONG (forte, resistente, intenso).
Aguardo o comentário de todas... todas sem exceções. Inclusive as que são tímidas.
Beijos e um ótimo final de semana.
Fênix