Notas iniciais
Olá minhas amigas!
Primeiro vou me desculpar pela enoooorme demora deste capítulo. Mas estou enfrentando um sério problema que me tirou noites de sono, concentração e por alguns momentos me deixou em desespero, em agonia.
Vocês não tem nada com isso... eu sei, é a pura verdade.
Mas quero que saibam que um dos motivos que me fazem caminhar e não desistir são todas as palavras que leio aqui... nos comentários e opiniões que são deixadas.
Aliás eu podia citar AGORA inúmeras palavras de incentivo e alegria deixadas por TODAS e foi exatamente isso que eu fiz nesta última semana.
Me sentei em frente a este computador e li todos, todos os revwies sem exceção. Desde o primeiro recebido em 21/03 até o último e depois eu simplesmente reli tudo novamente e enquanto eu chorava... eu me apegava a todas vocês para não desmoronar.
Obrigada a todas... Minhas amigas que não conheço fisicamente, mas que por alguma razão especial e divina estão comigo tão presentes, aqui e agora para me ajudarem a suportar e superar este grande fardo.
Não tenho palavras para expressar tamanha gratidão, então só posso pedir a Deus que lhes abençoe.
Um grande beijo.
Fênix

Saturado. Era assim que se encontrava o ar da cobertura do Edifício Commodore. O aroma da vinculação era tão forte que hipoteticamente falando poderia ser visto pairando entre o oxigênio que os amantes respiravam.


Todos os instintos e impulsos que permaneceram durante séculos adormecidos e que Vishous lutou para conter nas últimas semanas foram testemunhas das duas horas de paixão, sexo e principalmente possessão. Cada um marcando o que era seu por direito e aquilo era bom... aquilo era o certo.


O odor era incrível, apimentado. Um cheiro exuberante de especiarias que lembrava o famoso mercado egípcio de Istambul na Turquia. Mas quem é que se preocupava com isso quando o momento era de total intimidade, comunhão e prazer.


Ele tinha as costas, o peito e o traseiro marcados pelos arranhões provocados pelas unhas da fêmea que ele possuiu intensamente de todas as maneiras que seu desejo exigia. Os cabelos pretos estavam bagunçados, suas presas enormes saltavam da boca, um suor libidinoso cobria todo o seu poderoso corpo e seus olhos... Jesus Cristo, aqueles olhos diferentes com a íris diamantada e contornos azul-marinho brilhavam como a lua cheia em uma noite escura.


Por sua vez, ela tinha alguns hematomas espalhados por suas coxas, o precioso sêmen que seu macho expeliu ocupava todos os centímetros do seu corpo escultural. Marcas de mordidas dos dois lados de seu pescoço esguio mostravam ao mundo que ela tinha dono e agora... naquele exato momento, acabara de ganhar mais uma mordida... desta vez na veia que descia pelo quadril, bem ao lado de seu sexo úmido e macio.


Lisa gritou o nome de Vishous enquanto convulsionava ardentemente, com as costas arqueadas e mamilos tesos, tinha a boca de V. no meio de suas pernas. Atingiu o orgasmo sentindo exatamente quando ele a penetrava com a língua e quando sugava seu sangue.


V. ergueu o rosto para olhá-la mais uma vez em seu ápice, uma gota de sangue escorreu pelo queixo e em seus lábios um sorriso explodia em felicidade e amor. Saiu do meio dela subindo por seu ventre e abdômen, como se estivesse passeando e admirando a paisagem, enquanto depositava pequenos beijos pelo caminho lentamente. Ao se aproximar da boca carnuda que ainda se encontrava entreaberta pelo gozo a pouco sentido, ele murmurou...


Minha!


– Sempre... para sempre – Respondeu Lisa sem fôlego, com as mãos emaranhadas nos cabelos dele.


Deus... estava resplandecente, magnífica em toda a sua beleza. Uma visão que Vishous jamais esqueceria.


Deitou-se ao lado dela, acomodando-se nos travesseiros e deixando o corpo cair preguiçosamente de qualquer maneira. Sentia-se à vontade, livre, completo e algo lhe dizia que era assim que sua fêmea também se encontrava. Lisa virou o rosto para o lado e beijou o ombro e o forte bíceps de seu homem, aninhando-se contra seu peito.


– Foi... incrível. Estou cansada, morta de fome, sem fôlego e... nossa, incrível!


– Sim... já tinha ouvido falar que sexo depois de uma boa briga era fantástico. – ele sorriu satisfeito enquanto seu estomago roncava e Lisa soltou uma risada espontânea e natural – Gosto de ver você assim, feliz.


– A culpa é toda sua – disse ela deslizando a mão pelo abdômen perfeito – Vishous, alguém já lhe disse como você é bonito, sexy?


– Uma vez, uma certa fêmea atrevida me chamou de gato.


Uma nova risada tão provocante e alegre quanto a anterior soou no ar.


– Me lembro de ter dito isso. — e ela continuou rindo.


– Estou apaixonado! Deus... como estou apaixonado. – disse ele com uma voz rouca.


– Então, somos dois.


Vishous a puxou para mais perto e se beijaram com suavidade, com carinho, apesar das mãos de Lisa não pararem de subir e descer por seu abdômen e se continuasse assim por mais alguns segundos... ele se esqueceria da fome, do mundo, do... O celular de V. tocou.


– Que merda! Isso é hora, maldição!


– Atenda.


– Depois. – ele a colocou sentada em cima dele – Deixe tocar.


– V. atenda, deve ser importante.


– Não, já disse... depois. – rosnou ele, enquanto a posicionava em cima de sua ereção, pronto para penetrá-la novamente.


Ele sabia que não devia ser nada urgente, afinal todos os Irmãos estavam na mansão com suas shellans e tudo estava bem. Pelo menos até a hora que tinha falado com o tira para avisar que ficaria na Cobertura.


– Se não vai atender, eu atendo. – ela esticou o corpo através do dele para pegar o aparelho que estava no chão ao lado da cama e lá estavam eles... totalmente colados, pele contra pele. A sutil fricção levantou o desejo em ambos, mas mesmo assim ela se esforçou e pegou o celular.


– Isso lellan, assim... continue assim. Oh... Lisa.


As palavras saíram baixas, graves. Vishous a levantou, só o necessário para abocanhar seus seios e sugá-los vigorosamente um após o outro. O telefone tocou novamente.


– Atenda, mas não se mexa.


– Oh... Deus – ela gemeu – Que boca é essa?


Apertou a tecla “send” e por um momento esqueceu do que estava fazendo, ficou parada com o celular em suas mãos, obedientemente. Só voltou a se concentrar no que acontecia quando uma voz masculina insistiu nervosamente do outro lado da linha.


– V?

– Vishous, você está aí? Responda caralho.


– Oi...


Foi à única palavra que Lisa encontrou em seu cérebro para pronunciar.


– Lisa? É você?


Embaixo dela Vishous se divertia vendo-a tão perdida nas magníficas sensações que ele lhe proporcionava. Ela não conseguia pensar e coordenar as palavras ao mesmo tempo e definitivamente ele não lhe ajudaria. Aproximou sua boca do ouvido que não estava ao celular e murmurou:


– Foi você que quis atender, agora fale lellan... se conseguir...


Ela jogou a cabeça para trás e num súbito impulso ele a possuiu com um só movimento, fazendo com que sentasse sobre seu membro, agasalhando-o totalmente. Ela abafou um grito prazeroso e então aquele celular se transformou em um enorme problema. Na realidade parecia que estava segurando uma granada.


– Quem fala? E por Deus... diga o que quer? – disse ela desesperadamente, abafando seus gemidos.


Vishous riu baixinho enquanto movia seus quadris para cima e para baixo.


– Lisa, sou eu Butch. Posso falar com V.?


– Não... – ela quase sussurrou. Aquilo havia se tornado uma tortura. – Não pode...


– O quê? Não posso? Está tudo bem?


O tira ficou “puto” com tal resposta. Como é que aquela mulher lhe negava o direito de falar com Vishous no próprio celular dele? Ficou tão preocupado que até V. pode ouvir claramente as perguntas, devido ao tom alto que seu amigo usou.


– Sim... – Levantou o corpo apoiando uma das mãos no peitoral de V., enquanto a outra continuava segurando o telefone contra o seu ouvido e, então, começou a cavalgá-lo. Sentia o enorme e grosso membro da ponta a base totalmente dentro dela, era delicioso, era perfeito.


– Se está tudo bem, porque não posso falar com ele?

Houve uma pausa. Só ela e Vishous existiam.


– Lisa?...

Ela não conseguia mais falar. As sensações a dominaram... em compensação Vishous aproveitava e se deliciava com a bizarra situação.


– Lisa?... Merda, vou mandar Fritz até aí agora mesmo. Aconteceu alguma coisa, vocês vão acabar se matando!

Ela perdeu a paciência e por muito pouco não atirou o aparelho longe.


– Droga Butch! – ladrou totalmente irritada.


– Como?


– Quero dizer... ele está no banho. – Mais um gemido podado e mesmo assim algumas palavras escaparam por sua boca sem controle – Isso... isso...


Cara... Vishous estava se divertindo e a diversão estava estampada em seu rosto luxurioso. O tira fazia papel de bobo por não entender nada do que se passava e quanto a Lisa, bem, queria ver até onde ela suportaria aquela conserva. Podia apostar que logo, logo atiraria o celular à parede. E droga... ver tal ato seria excitante demais.


– Por favor... ele... está no banho...


No limite de seu prazer, ela fechou os olhos, levantando totalmente seu tronco e arqueando as costas, corada e com a boca entreaberta, não suportava mais nenhuma distração. Só o corpo dela e o dele ligados pelo sexo, pelo prazer.


– Lisa?

Deixou cair o telefone sobre a cama e acelerou o ritmo.


– Lisa? Vishous?


Cavalgando com toda a vontade e numa intensidade que a transformava em um animal, ela se entregou ao fluxo de seus sentidos e esqueceu completamente de Butch. Ela assumiu o comando, movimentando o quadril mais rápido, mais rápido. O prazer se tornando insuportável. Prova disso é que gemeu alto, passando os dedos pelas mordidas em seu pescoço.


– Pra mim chega! Fritz está indo. – esperneou o tira.

Foi nesse momento que Vishous entendeu que também estava no seu limite.


– Que inferno! – ele socou o colchão e interferiu rapidamente pegando o telefone. – Cara, diga o que quer?


– Está tudo bem? Que papo louco foi esse com Lisa, não entendi nada e...

– Porra... agora não dá! – um silvo subiu por sua garganta – Depois... ligo depois!


Quando desligou, não teve a mínima chance e muito menos ela de fugir do orgasmo avassalador que os consumiu. O atrito selvagem era insano. Ela gritou alucinada, ele ofegou com os músculos retesados. Quando tudo acabou, ela saiu de cima dele derrubando-se na cama e achando que aquele momento era ótimo para dormir de conchinha agarrada ao seu macho.


O celular de Vishous voltou a tocar!



Tic-tac, tic-tac, tic-tac... segundos, minutos e finalmente mais uma hora se passou. O anoitecer não tardava. Já tinha limpado todos os apetrechos que utilizara. Alicates, pinças, martelo e por fim um brinquedinho terrível, a serra elétrica.


Agora estava terminando o chão. Para um leigo o ambiente encontrava-se arrumado e limpo. Para um psicopata exigente alguns pingos de sangue ainda denunciavam a matança, ou no caso, a diversão. Limpou os últimos resquícios e pronto. O porão estava em ordem, esmerado.


Mesmo assim o efeito que perseguia não foi alcançado, não conseguiu acalmar seu monstro interior. Paul era uma bomba relógio em contagem regressiva, com uma carga enorme de nitroglicerina capaz de arrasar quarteirões.


Não é natural, aquilo é defeituoso, anormal e repugnante. Membro de uma raça selvagem e asquerosa. Não, ela não pode estar envolvida com ele... para o seu próprio bem, ela não pode gostar dele.


Seus devaneios e sua fixação eram tão pungentes que a Sociedade Redutora e seu “papai adotivo” não significavam mais nada. Nada mais fazia sentindo, nada mais lhe proporcionava prazer. Como continuar com os sequestros, as torturas e a obscuridade hedionda de sua existência se sua necessidade por morte fora superada pela necessidade de uma determinada mulher? Só existiam duas certezas em seu mundo: mataria com suas próprias mãos aquele maldito vampiro de rosto tatuado que o estava afastando do único motivo que o mantinha em pé e jamais... jamais Ômega tocaria em Lisa.


Havia decidido reverter sua condição de morto-vivo e de homem impotente, ainda não sabia o que fazer, o que procurar, o que esperar e por onde começar. Mas uma coisa ele sabia: Ômega não era o único ser maligno que vagava pelo Planeta.


Claro que não! Até seis meses atrás ele mesmo não acreditava que existia o mal personificado, palpável até que o viu pessoalmente e foi transformado em um... um... assassino.


Ah... por favor! Sempre foi um assassino, facínora, psicótico e egoísta, mas agora, não passava de um homem sem alma, que nunca mais teria uma ereção e para piorar estava perdendo a pigmentação. Seus cabelos estavam começando a branquear e em seus olhos o verde começava a morrer.


Paul procuraria a sua cura em qualquer coisa ou criatura que fosse tão ou mais daninha e funesta e só conseguia assimilar tais adjetivos aos seres que jamais cogitou que pudessem existir: demônios.


Com tal determinação, colocou em um saco preto somente o tronco do vampiro macho que havia mutilado. Os braços e as pernas já tinham sido jogados ao sol e desintegraram-se imediatamente. Abriu-lhe a boca e enfiou bem fundo um vibrador com mais um “bilhetinho” destinado a Irmandade.


Pronto. Agora era só esperar pelo anoitecer, desovar o corpo em um beco qualquer e aguardar a oportunidade certa para sequestrar a sua mulher, a sua amada, a sua Lisa e começar uma nova vida.


Seu celular tocou... número desconhecido!


– Quem é?


– Uma amiga, Paul.


– Não tenho amiga.


– Agora tem! E uma que pode garantir um lugar seguro. Tão seguro que nem mesmo Ômega poderá encontrar.


– Não estou entendendo.


– Claro que está. Você precisa desesperadamente de um lugar assim ou não terá como esconder Lisa Hendrix e ficar com ela só pra você.


– Como sabe?... Como conseguiu esse número? – Ele chegou a gaguejar tamanho foi seu espanto em constatar o quanto aquela desconhecida sabia sobre seus planos.


– Isso não é relevante. Mate o Rei dos vampiros e em troca eu lhe darei tal lugar. Que tal? Só você e sua amada vivendo felizes para sempre, como em um conto de fadas.


– Qual a garantia que tenho?


– Faça a sua parte e eu farei a minha.


– Não é fácil encontrar o Rei?


– E se eu lhe disser que eu sei onde ele vai estar está noite.


Então começarei a pensar no acordo proposto.

– O Rei e a Irmandade estarão às dez horas no ZeroSum.


– O lugar seguro? Posso escolher?

– Se é tão importante, sim.


– Racho Montanna, saída alternativa, a leste da Rota 22.

– Considere feito.


– Como encontro você?


– Não encontra. Eu encontro você, mais tarde, depois que cuidar dos vampiros! E me faça um favor: mate todos que puder!


A ligação foi finalizada.



Mary saiu do quarto rumo a última Refeição. Era bom estar em casa e melhor ainda era poder jantar reunida com todas as pessoas ou vampiros que ela tanto amava. Afinal eles eram a sua família.


Andando pelo corredor das estátuas ela voltou ao primeiro dia que pisou ali. Nossa não conseguia mais visualizar sua vida antes de...


Jesus Cristo é ela. Gaya!


Não estava preparada, ainda não estava preparada e tinha combinado com Raghe que ele estaria presente no tal “primeiro encontro”.


É linda... uma beleza estonteante, assim como meu hellren e... tão parecida com ele. Os olhos azuis brilhantes... os cabelos loiros... e o corpo perfeito.


Com tal visão, Mary foi forçada a estancar e apoiar um de seus braços na estátua mais próxima com medo de tropeçar nas próprias pernas, enquanto a magnífica loira que acabara de subir pela escadaria se aproximava carregando uma bandeja de comida em ambas as mãos.


Assim que olhou para Mary, Gaya lhe sorriu com uma inocência quase que infantil, sim... aquele sorriso continha amizade. Transferindo o peso da bandeja e equilibrando-a com apenas uma de suas mãos, tentou ajudá-la.


– Senhora, está passando mal? – Com a mão que estava livre amparou Mary – Venha eu lhe ajudo a chegar até o seu quarto.

Mary sentiu sua musculatura contrair com o toque, será que aquela fêmea sabia quem ela era? Por um momento não soube o que fazer ou dizer.


– Senhora, prefere que eu vá ao encontro de Amo Raghe para buscá-lo? – Gaya colocou a bandeja no chão e já estava mais que pronta para a idéia.


– Não, não obrigada.


Sentindo-a tão próxima os pensamentos de Mary a transportaram para o ato, para a concepção. Sim... Raghe tinha ficado mais que próximo, ele tinha estado dentro dela. Ele tinha...


– Não pense dessa forma, Senhora.


Mary olhou-a se perguntando se Gaya podia ler sua mente. Entendendo o olhar a vampira explicou:


– Não posso ler seus pensamentos, mas posso sentir seu desespero. E acredito também que possa entendê-la apesar de nunca ter me apaixonado. Estou aqui apenas por um propósito e tenho orgulho de cumpri-lo, ser requisitada para procriar minha raça é uma dádiva. Um presente.


– Me desculpe.


– Do quê, Senhora?


– Acho... fui pega de surpresa. Gostaria que fossemos apresentadas de outra maneira, se bem que... não sei se isso mudaria o que sinto agora. – Mary tentou sorrir.


– Se isso faz com que se sinta melhor – Ela se afastou e fez uma reverência – Meu nome é Gaya, Senhora. Sou uma Escolhida.


– E eu sou Mary...


– Sim. – Disse a vampira com um lindo sorriso em seu rosto. – Sim, você é Mary a shellan do Amo Raghe, a fêmea que ele tanto ama. Aquela a quem eu irei presentear com uma criança. Estou honrada por conhecê-la.


Mary se recompôs endireitando o corpo sem mais precisar apoiar na grande estátua ao seu lado e pensou que a fêmea que estava parava na sua frente humildemente e com uma simpatia sincera não poderia lhe causar sofrimento. O sofrimento era provocado por seus ciúmes. Se Gaya fosse uma humana, vivendo em um mundo real com certeza usaria sua incrível beleza para conseguir qualquer coisa e ninguém conseguiria lhe negar nada.


– O que tem nessa bandeja? Perguntou tentando se desapegar dos sentimentos controversos e abaixando para tirá-la do chão.


– Pela Virgem... Senhora deixe que eu faço...


– Já fiz. É sua refeição?


– Sim. – Respondeu Gaya tirando-lhe a bandeja das mãos.


– Porque não se junta a nós e assim poderemos...


– Obrigada, Senhora...


– Mary. Me chame de Mary, nada de senhora.


– Obrigada Mary. Prefiro continuar fazendo minhas refeições em meu quarto. Não é que eu não queira me juntar, mas não é certo. Todos aqui são muito gentis comigo, mas eu não quero criar qualquer constrangimento. Não me sinto à vontade e sinceramente hoje não é o momento mais oportuno para isso. Afinal você acaba de retornar e muitos aguardam ansiosos para festejar, além disso estou acostumada com o silêncio e também com a solidão.


– Está certo, por enquanto será dessa forma... bem... até nós duas nos adaptarmos.


– Como quiser, agora se me der licença vou me recolher.


Gaya saiu andando calmamente e entrou em seu quarto, ele fica ao lado do quarto de Mary e Raghe.



Com ânimos acirrados e vozes alteradas a conversa passara a ser uma disputa de egos e verdades ditas rasgadamente dentro da suíte do The New York Palace.


– Me dê um bom motivo para ficar?


– Vamos voltar a essa discussão?


– Évora, leve-me com você.


– Não. Você é apenas uma menina. Não sabe se defender, seria apenas uma distração para mim e eu não posso ter distrações.


– Está preocupada com o meu bem estar? Porque você me parece tranquila até demais com esse encontro. Sei que não se preocupa por sua vida porque é imortal, mas acho que está escondendo alguma coisa.


– Não é bem assim.


Évora tirou do bolso de seu casaco um pequeno punhal que sempre carregava consigo e fez um corte em seu pulso. O sangue vívido e negro gotejou.


– Seu sangue é...


– Aprenda uma coisa Julia, seja lá qual for à raça ou espécie que você tenha que lutar... se a tal “coisa” sangra... então pode ser morta. Basta descobrir como.


– Mas você disse...


– Podemos viver por 600 ou 700 anos naturalmente, mas eu fiz algo que me permitiu viver mais, algo nem um pouco natural. E não, não vou lhe dizer o que foi. O que você tem que saber é que meu tempo está acabando.


– Acabando?


– Sim... estou morrendo.


Julia estava completamente perplexa. Évora era como uma caixa de surpresas, nunca dava para prever o que sairia de dentro. A verdade é que era muito fechada e falava somente o necessário, mas o pior disso tudo era a desconsolação, era saber que ficaria novamente sozinha.


– Está com medo?


– Da morte? Não. – Uma centelha flamejou em seus olhos verdes – Tenho medo do lugar para onde irei.


– Por Deus... o que você fez? Porque seu sangue é negro?


Visivelmente Julia estava com pena ou talvez pudesse ser interpretado como horror.


– Contei a uma humana quem e o que era o pai de sua filha.


– Só isso? Isso não é motivo para alguém querer matá-la.


– Se ele não fosse um poderoso demônio não... não seria. A vadia enlouqueceu como eu já previa. Era muito católica, cheia de fé, patética! Mas não conseguiu matar a menina e então...


– Lisa Hendrix era a menina. Eu li sua história, a mãe dela morreu em um sanatório. Como você pode ser tão má?


Julia se levantou e caminhou em direção a Évora confrontando-a.


– Má? – Gritou a feiticeira – Ele era MEU e eu fui esquecida depois que essa vadia se meteu entre nós.


– Mas, você disse que a humana não sabia...


– E isso muda alguma coisa? O fato é que ele cedeu, se apaixonou por uma mulher frágil, inútil e dispensável... eu lutei por ele, eu matei por ele. A guerra dele se tornou a minha também. E foi esse o pagamento, a recompensa por tudo que fiz. Ele já havia me virado as costas uma vez, me deixou sozinha com meu fardo e com meu destino.


– Acho que sua recompensa era viver eternamente, não é?


Évora avançou contra Julia. O tapa em seu rosto foi dado com tanta força que ela caiu ao chão com o lábio superior cortado.


– Esta noite terei a minha vingança. Não pense que pode me deter. Você é apenas uma peça do tabuleiro. Se eu não precisasse do seu corpo já estaria morta.


Aproveitando a surpresa com que Julia foi pega, Évora aproveitou a oportunidade para chutá-la fortemente no estomago. Enquanto a adolescente se contorcia, ela continuou.


– A Irmandade e o Rei estarão ocupados me esperando na boate e eu terei tempo de sobra para executar a outra parte do meu plano que é sumir de vez com Lisa Hendrix.


– Você é um monstro. Me enganou...


– Cale a maldita boca ou mato você agora.


– Se fosse me matar já teria feito... mas, você precisa de mim para algo mais, não é?


– Ahhhh, que lindo! Quando você quer, até que consegue ser inteligente.


– Tudo que você me disse eram mentiras.


– Você é muito ingênua, mas nem tudo eram mentiras. O pentagrama, a tatuagem que você fez... funciona.


– Aquela história do seu bebê, ele...


Pela primeira vez Évora expressou pesar, um sofrimento profundo que facilmente foi expresso pelas palavras em tom baixo e melancólico, como se tivesse voltado no tempo.


– Eu queria um filho, mas Eligor não. Ele nunca quis vínculos.


– Eligor... é o pai de Lisa e seu...


– Como a vida é desgraçada e cruel, eu queria lhe dar um filho, mas... – Ela parou de falar visivelmente entristecida.


Silêncio.


Julia ficou olhando para Évora questionando-se se poderia fazer a pergunta que estava em sua mente. Mas o que ela perderia? Já sabia com certeza que seus dias estavam contados e torturar seu algoz com perguntas que a faziam sofrer era o que havia lhe sobrado.


– Como Ômega achou você ou talvez ele não tenha achado? Talvez...


– Eu o achei. Eu ofereci um filho e ele compreendeu de imediato como nossa criança seria gloriosa. Eu me entreguei a Ômega e ele me possuiu. Meu filho se tornaria Rei, capaz de governar a Terra, os quatro elementos e teria um poder inigualável... mas os vampiros não lhe deram chance alguma. Wrath ordenou a execução, sem qualquer piedade enquanto eu ainda sangrava e perdia minha capacidade de procriar. Nem sequer fui capaz de ver seu rosto.


– E é claro que para salvar a sua pele você contou ao Rei a mesma história mentirosa que contou a mim.


De repente Julia começou a ficar sem ar, seu corpo se debatia tentando respirar, seus olhos saltaram enquanto seus lábios roxeavam.


– Eu queria poder matá-la agora. Mas a paciência é uma virtude. – Dito isso ela permitiu que o ar retornasse aos pulmões da garota.


– Onde... eu entro nisso?... Porque marcou... minhas costas? – Perguntou ofegante.


Évora sorriu maleficamente.


– Você já viu a mágica acontecer, já se transformou em outra pessoa. Lembra? Para fugir daquele hospital de malucos.


– O que vai fazer?


– Pra quê tanto drama. Seu corpo será usado magnificamente, se bem que eu terei que mudar algumas coisas, mas enfim... meus poderes só retornarão quando cronologicamente você completar vinte e oito anos e até lá precisarei de um lugar onde eu possa ficar segura.


– E onde pensa que encontrará isso? No inferno tenho certeza que não.


– Ômega me protegerá. Eu terei me transformado em você, habitarei em seu corpo e poderei gerar outra criança, outro filho e desta vez ninguém vai me impedir. É claro que a gestação só poderá ser consumada depois do despertar, mas o que são doze anos comparados à eternidade e ao poder que essa criança há de possuir?


– Porque ele vai querer você se pode ter Lisa?


– Lisa é carta fora do baralho. Nunca alcançará seu despertar, eu a matarei com minhas próprias mãos... quando eu for você. E quando isso finalmente acontecer terei completado a minha vingança.


– Como eu pude ser tão burra?


– Julia, Julia, Julia... você não é burra, você é manipulável. Não se culpe. O que interessa é que eu me vingarei de Eligor da melhor maneira possível e também dos vampiros. Seu Rei estará morto e Ômega mais forte do que nunca. Agora... cale a boca! – Gritou ensandecidamente.


Évora tocou-lhe a testa e Julia caiu em sono profundo como se estivesse em coma.



Notas finais
Espero que tenham gostado. Eu escrevi durante esta madrugada.
E agora tenho um pedido a fazer....
Gostaria que me enviassem um NOME para um talvez (novo) Guerreiro e quem sabe Irmão.
Pensem direitinho e prometo escolher e dar o crédito a autora.
Eu já tenho um em mente, mas gostaria de sugestões.
Bjs.
Fênix.