Traga-me Para A Vida
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Eu queria falar um pouquinho sobre Lisa e V. Falar sobre o amor entre eles. Eu não sei se eles já se deram conta do quanto se necessitam mutuamente. Mas cada um é a salvação do outro. E por conta desse amor tão esmagador e grandioso que não é compreendido, nem aceito... ambos estão condenados a perder.
Perder o que bilhões de seres humanos e não humanos desejam desesperadamente: Amar e serem amados sem restrições, sem amarras, sem preconceitos...
Por mais intenso que tal amor possa ser. Ele também é sombrio, ácido e doloroso.
Uma boa leitura...
Fênix
Vou tentar esquecer Vishous...
mas fazendo isso esquecerei quem sou!
Vou tentar esquecer o desejo...
e renegar o que almejo!
Vou tentar esquecer a esperança...
e apagar as suas lembranças!
Depois do esquecimento...
um calvário violento!
Não consigo ser forte...
para mim, sobrou a morte!
Lisa Hendrix
Ela olhou para o Rei surpresa com a indiferença de V. e perguntou.
– O que foi que eu fiz de errado desta vez?
Lisa levou as mãos ao rosto em agonia. Não era possível... uma relação com Vishous era como andar numa montanha russa.
Mas que merda! O que é que você quer? Não ficou acertado que tudo terminaria assim que ele saísse daquele quarto. Então, ele saiu. Terminou.Acorde! Lá estava a “Dona Consciência” gritando novamente nos ouvidos de Lisa.
– Posso sentir o cheiro.
– O quê? Desculpe Wrath, o que você disse? Estava pensando em outra coisa.
– Disse que posso farejar o cheiro de Vishous em você. Ele a marcou.
O Rei estava sentado em seu trono, atrás da mesa cheia de papeis empilhados e que só continham contrariedades e assuntos burocráticos.
Ela colocou as mãos no pescoço tentando esconder as mordidas, o que era difícil, já que havia uma de cada lado.
– Ah, isso... bem, a culpa não foi somente dele e...
– Não é sobre as mordidas que estou falando.
Imediatamente ela olhou para ver se o roupão estava devidamente fechado. Ajeitou o cinto e procurou por marcas roxas em seus braços discretamente.
– Também não estou falando sobre os hematomas.
A conversa não ia ser nada fácil. Sério? Falariam sobre sexo? Bom... teoricamente ele é o Rei e pode falar sobre o assunto que desejar e com quem quiser. Mas será que ela estava pronta para essa conversa?
Lisa sentiu corar. Seu rosto estava pegando fogo.
– Com todo o respeito Wrath, acho melhor não falar sobre sexo, Vishous e...
– Ei... ei... ninguém aqui vai falar sobre isso e tenha certeza de que Eu sou o menos interessado.
– Jesus... desculpe, não quis ofender.
Silêncio.
Lisa não estava entendendo nada. O que o Rei queria dizer com “marcar” se não eram as mordidas e nem os hematomas que já deveriam estar no seu corpo por causa da forma agressiva, porém deliciosa... ok, é melhor deixar as memórias de lado!O melhor a fazer era ser direta e objetiva, além é claro de muito ponderada.
– Wrath sinto muito se eu fui... acho que me expressei mal. Acho, não. Tenho certeza que me expressei mal. Só que simplesmente não estou entendendo nada... e sinceramente não sei como falar com você.
– Que tal sendo sincera?
– Graças a Deus... pensei que nunca pediria. – Ela sorriu discretamente – Pode me explicar algumas coisas do seu mundo?
– Vamos ter essa conversa mesmo? Porque acho que tudo que você vai me perguntar tem ligação com V.
– Me sinto como uma adolescente que vai perguntar ao seu pai sobre abelhinhas e cegonhas. Sé é que você me entende.
– Entendo... e eu sou o pai?
– Vamos fazer o seguinte... eu pergunto e você responde, não... quero dizer... se quiser ou puder responder. E no final se tudo que você falar for demais para a minha cabeça já pirada... você me mata sem um pingo de remorso e com a total certeza de que estará me fazendo um grande favor. Que tal?
Lisa olhou para o Rei e levantou uma das sobrancelhas num gesto maroto. Ele não aguentou tamanha irreverência... gargalhou alto e relaxou o corpo sobre a suntuosa poltrona de couro que compunha o belo trono que tinha pertencido ao seu pai.
– Pobre Vishous – E continuou rindo alto.
Ela pareceu surpresa com a facilidade do diálogo, mas aproveitou o momento para deixar de lado seus preconceitos e opiniões. Iria conversar com o Rei tentando olhá-lo como um amigo.
– Pobre de mim que estou totalmente confusa. Pode me explicar o que quer dizer “marcar”?
Certo... isso vai ser legal!
Wrath pigarreou e arrumou seus óculos mesmo não precisando fazer isso.
– Complicado, não é? Sou o Rei de uma raça e tenho que explicar para uma humana nossos instintos primitivos. Quando é que eu poderia supor tal cena?
– Difícil?
– Nem imagina o quanto.
– Uma bebida forte lhe ajudaria? Porque por mim... tudo bem. Posso beber com você.
– Acredito que possa beber de igual para igual com qualquer macho desta casa, pelo menos foi o que minha Rainha me disse. Você aguenta bem.
– Sobre isso... eu também lhe devo desculpas, não é mesmo? Se bem que a Rainha não ficou bebad..., quero dizer ela só ficou “altinha”. Droga... eu não estava bebendo com uma Rainha eu estava com Beth e ela é meiga, é amiga e tão carinhosa que eu me esqueci de quem realmente ela é.
Ele sorriu para ela analisando-a minuciosamente.
– E eu também deveria tratar você com mais sobriedade e decoro, afinal estou falando com o Rei.
– Eu não sou seu Rei. Você mesmo já disse isso, lembra-se?
Buscando coragem interior Lisa se ajeitou no sofá e falou com sinceridade e humildemente.
– Sim é verdade, mas é um Rei justo, caso contrário já teria me matado. Se fosse no meu mundo, com os Governantes que temos eu já estaria apodrecendo em alguma vala clandestina, mas você ponderou e me deu o direito da dúvida. Apesar de não saber se mereço, devido ao pai que tenho.
Wrath percebeu algo de diferente, de singular naquela humana.
Sofrimento, dor. A dor transforma as pessoas, geralmente ensina, adestra. Outras vezes, é verdade, só alimenta sentimentos como vingança, ódio e abnegação. Ele se sentiu à vontade para falar.
– Como é que está lidando com ele?
– Como se eu tivesse que lidar com uma tempestade em um campo aberto. Com audácia, ousadia e determinação. Quando chego perto, ele se afasta. Quando eu me fecho... ele se aproxima.
– Acho que entendo.
– Mas nada disso funciona ou porque ele é frio. Frio como os dias de inverno em Nova York. Aqueles em que a neve não para de cair e se acumula em todos os lugares, em todos os cantos. Ela esconde os caminhos, as ruas da cidade. Deixa tudo branco e você... sem saber para onde ir.
– Está enganada. Ele marcou você. O cheiro de Vishous está no seu corpo, qualquer macho da minha espécie pode sentir o odor.
– O odor de especiarias... humm... é um cheiro bom, picante. Mas isso quer dizer exatamente o quê?
– Serve como uma advertência para outros machos.
– E?
– Basicamente e resumindo bem a história, se algum macho se aproximar de você... ele morre. É como se ele lhe escolhesse para ser sua companheira.
– Opa, só um minutinho... está me dizendo que aquele cheiro que exala dele quando nós... bem... quando... Wrath desculpe as palavras mas não tenho outro jeito de dizer isso.
O Rei olhava para Lisa com um certo interesse, na realidade estava se divertindo com aquela humana pelo fato dela estar escolhendo e polindo tanto as palavras, apesar do assunto ser bem delicado.
– Então... fale com as palavras que conhece. Estou esperando.
– Ceeeerto! Então esse cheiro que exalou do corpo dele quando nós transamos, é uma marcação, porque eu pensei que a sua espécie, quero dizer... os machos, pensei que o perfume fosse normal quando vocês goz...
– Não. Só com a fêmea que se cria um vínculo. Na realidade é um instinto primitivo, bem animal. Não é algo que nós sabemos quando vai acontecer, a vinculação surge das maneiras mais imprevisíveis. Falo por experiência própria. Depois da vinculação o macho cria uma posse. Quer proteger e cuidar. Enfim não consegue ficar afastado.
– Vinculação e posse? Então foi um erro, está tudo errado. Nunca serei a companheira dele. Porque não há futuro. Quando ele saiu do quarto nós concordamos que tudo terminaria.
– Ele até pode ter lhe dito isso e conhecendo Vishous... ele deve estar lutando com todas as forças contra seus instintos, mas é uma luta perdida.
– Não Wrath, deve haver algum engano, não percebeu como ele se comportou? Passou por mim como se eu não estivesse aqui. Ele me trata com se fosse nada, mesmo depois da intensidade do... Ah... por Deus, o que estou lhe falando? Cheguei ao ponto de fazer confidências. Conversando com você como se você fosse minha melhor amiga... eu devo estar ficando louca, mesmo! E a culpa dessa loucura toda é desse seu Guerreiro estúpido e arrogante que não enxerga o que está óbvio.
Ela passou as mãos pelos cabelos em sinal de desespero.
– Na realidade Lisa, Vishous se comportou muito melhor do que o esperado. Ele não me atacou e nem tentou me matar quando você entrou por essa porta, vestida só com esse roupão e me abraçou. Não é que debaixo de toda aquela frieza existe um cavalheiro... Quem diria. Convivo com ele há duzentos anos e ele ainda me surpreende.
– Quer saber minha cabeça está um caos e não é só por isso. Minha maior preocupação é porque agora eu sei que quando V. me toca sem a luva aqueles poderes que Lassiter citou que eu poderia ter... bem, eles afloram.
– Ele tocou você novamente sem aquela maldita luva? Mas que merda.
Wrath mudou totalmente. Agora ele falava como o soberano de uma raça.
– A culpa foi minha, eu pedi a ele que tirasse a luva.
– Ah... claro. Como se V. não tivesse vontade própria. Ele só faz o que ele quer, sempre foi assim e você não precisa defendê-lo.
– Entendo.
Mais silêncio.
Lisa só olhou para o peso de papel em cima da antiga mesa. Era um pedra, esverdeada e translúcida, devia pesar mais ou menos uns dois quilos e simplesmente estava levitando, depois foi a vez da lupa de leitura e também das canetas. Tudo pairava no ar, como mágica.
– Foi assim que tudo começou da outra vez no quarto, só que naquele momento eu estava descontrolada. Então as coisas começaram a rodar violentamente e o calor aumentou... queimando tudo.
Só com o olhar ela baixou os objetos. Eles pousaram na mesa com delicadeza, sem sequer fazer barulho e exatamente no lugar onde estavam antes de levitarem.
Era isso que Wrath temia, os poderes afloravam mais e mais a cada dia. Porém ele se surpreendeu por Lisa estar compartilhando tal segredo.
– Tem mais alguma coisa Lisa?
– Sim. Consigo captar com imagens nítidas os momentos que marcaram a vida de uma pessoa, lembranças. Passam em minha cabeça como se fosse um filme.
– Pode me dar um exemplo disso?
– Você foi colocado em um cubículo, para ficar em segurança. – Ela hesitou por ser uma lembrança tão forte e dolorosa.
– Continue Lisa.
– Eu vejo a imagem através de um buraco. Seu pai empunhava uma espada, mas eram muitos e... desculpe, não sei como chamar aquelas coisas...
– Redutores... são os inimigos da nossa raça.
A voz do Rei saiu cheia de emoção.
– Seu pai lutou até o fim, mas uma estaca atravessou o coração. Posso ver e sentir seu desespero e o quanto lutou para sair de onde estava preso.
Lisa estava com os olhos cheios de lágrimas e sua voz falhou.
– É verdade, não consegui me libertar. Não pude ajudá-lo a lutar.
– Eu... eu não tenho palavras para...
– O que mais você sabe?
Ficou claro que o Rei queria deixar de ser o foco e Lisa entendeu prontamente, acatando o pedido.
– Sobre Vishous eu já sei quase tudo e Butch... as tatuagens nas costas é por causa do assassinato de sua irmã.
– Alguém mais?
– As shellans. Mary e a doença de sua mãe. Bella no cativeiro, o sequestro e Beth quando...
– Conte-me. O que foi marcante?
– O desespero por você estar morrendo. É por esse motivo que ela tem tanto medo quando você sai para lutar. Sua Rainha é muito forte.
– Sim... é por isso que a amo.
– Se me permite... quero falar sobre Raghe.
– Estava esperando por isso.
– É ele Wrath, ele é o meu guardião. Eu posso sentir como ele se sente e o fato de provocá-lo chamando-o de “loirinho” é porque preciso que Dragon apareça fisicamente para ter certeza.
– Você quer que ele se transforme?
– Sim.
– Aqui na mansão? Mas o que pensa...
– Por favor, me ajude Wrath. Chame Raghe para o jardim e deixe acontecer. Existe uma energia poderosa ao redor dele. Então pensei que seria melhor eu descobrir a verdade do seu lado... do que sozinha. Assim talvez você possa me dizer o que devo fazer.
Zsadist e V. subiam pela Rua Trade enquanto Phury e Butch percorriam o caminho inverso. Encontrar-se-iam, caso não achassem o corpo que procuravam, exatamente no meio do caminho.
– Você se lembra quando Bella entrou no cio?
Vishous se espantou com a pergunta. Zsadist não era de falar principalmente sobre um tema como aquele.
– Lembra-se do que me disse?
– Disse para você que deveria servi-la.
– O que mais V.?
– Mais nada. Fui fumar com Phury e só.
Eles não paravam de entrar nos becos e revirar as lixeiras enquanto trocavam as difíceis palavras.
– Você me disse que se eu não fosse ao encontro dela, você iria.
– Cara, que merda é essa agora? Já faz tanto tempo. Eu só disse aquilo porque Bella era a sua salvação, a sua chance de ser feliz.
– Exatamente. E porque não funciona com você?
– Não estou entendendo...
Zsadist elevou a voz rudemente.
– Mentira, está me entendendo perfeitamente. Porque não agarra a sua oportunidade de ser feliz, meu Irmão?
– Não vou falar sobre isso.
– Está vinculado. Você a marcou, qualquer macho pode sentir seu cheiro.
– O que deu em você Z.? Resolveu começar a falar para compensar os anos em que ficou monossílabo?
– Nega?
– Qual é? Vamos apenas fazer nosso trabalho e calados.
– Nega? Insistiu Zsadist.
– Sim, não estou...
– Você não é inteligente. Não quanto eu sempre pensei que fosse. Não passa de um psicótico, assim como eu. Quando a perder se dará conta de que a vida pode ficar muito pior do que já é. Ouça-me meu Irmão.
Dizendo isso Zsadist estendeu a mão e colocou-a sobre um dos ombros de Vishous, forçando-o a parar de caminhar e encará-lo frente a frente.
– Digo isso para o seu bem. Se acha que já está sofrendo, saiba que quando Lisa se for de uma maneira ou de outra se o Rei assim desejar... vai descobrir o que é verdadeiramente sofrer. Tenho experiência sobre isso. Lembra-se quando Bella foi embora? Nunca disse a ninguém o que vou lhe dizer agora, nem mesmo a Mary com quem converso sobre coisas do passado... eu prefiro passar mais duzentos anos naquela maldita cela, com aquela maldita ama há perder Bella para sempre. Pense nisso Vishous. Você viu como Raghe ficou sem Mary e também o sofrimento de Thor...
O celular tocou. Vishous atendeu.
– Achamos! Beco ao lado do Bar McGrider`s.
Mal a frase tinha acabado de ser pronunciada e Vishous e Z. já haviam se materializaram no local.
– Vamos levá-la para a clínica do Haver’s. – Disse Phury – eu já avisei Wrath.
O corpo estava dentro de um saco preto, só a cabeça para fora. Jogada no meio de uma pilha enorme de lixo sem qualquer dignidade ou respeito.
Olhando para o rosto daquela pequena fêmea Vishous sentiu que estava para explodir a qualquer momento. A vinculação, a posse, a guerra, os civis sendo massacrados, seus sentimentos... tudo dentro girando dentro de um rodamoinho infernal.
– Vão vocês! Eu vou procurar por quem fez isso.
– Não sem mim V. Eu irei com você.
– Que assim seja Zsadist. Liguem se precisar.
– Espere um pouco Vishous. – Falou Butch – Quero saber se você está bem?
A resposta de V. foi levantar o dedo do meio.
– Está pronto Z.?
– Quando quiser!
E desmaterializaram-se no ar.
Órfã, 16 anos, estranha, diagnosticada como depressiva bipolar. Ela vive entre as ruas da cidade de Praga e um reformatório para adolescentes com problemas mentais.
Trajando vestidos pretos ela é a típica garota gótica. Seus olhos estão sempre pintados e sobrecarregados pelo excesso de rímel e o lápis preto. Maquiagem pesada e sombria. Pálida, muito magra e com cabelos negros compridos, nunca se separa de um colar composto de uma tira de veludo preta e um crucifixo de prata com um pentagrama no meio. Esta jóia estava pendurada em seu pescoço quando foi encontrada por uma freira da ordem de Santo Agostinho, que servia sopa aos mendigos numa noite fria de inverno na Igreja Týnský, situada na chamada Cidade Velha perto do cemitério judaico que data do século XII. Estava dentro de uma caixa de sapatos, enrolada em um pedaço de cobertor e dormia tranquilamente. Provavelmente tinha dois ou três dias do seu nascimento.
Depois de ser facilmente encontrada perambulando pelas antigas e históricas ruas da cidade, os policiais a levaram de volta para o reformatório e a partir daí era sempre a mesma rotina, ou seja, encaminhada para uma consulta com o Dr. Boris Stoevi, psiquiatra responsável pela equipe da unidade governamental que abriga sobre regime disciplinar mais de cento e oitenta crianças e jovens de todas as idades.
O que de nada adiantaria, afinal ele nunca acreditou em Julia Holfh.
Julia tinha um dom ou seria uma maldição? Ela sabia quando uma pessoa ia morrer. Mas só quarenta e oito horas antes de acontecer. Se estivesse no metrô, ou assistindo televisão ou apenas caminhando a esmo, não importa... ela olhava e sabia que o tempo estava se esgotando. Seja lá quem fosse.
Logicamente ninguém acreditava. Então, porque Julia continuava insistindo em avisar? Porque essas pessoas, na verdade não passavam de vítimas. Morreriam em acidentes trágicos ou seriam assassinadas brutalmente. Era esse o motivo que levava Julia a nunca desistir. Ela só queria ajudar e a sua bondade foi transformada e diagnosticada como loucura.
Agora estava sentada em um consultório totalmente branco, impessoal e de frente para um médico que pesava no mínimo cento e cinquenta quilos, apático com que não estava interessado no problema dela ou de qualquer um dos internos.
– Mais uma vez Julia? Já é a oitava só este ano. Até quando vai continuar fugindo?
– Até vocês esquecerem que eu existo.
– Não dificulte as coisas. Você está para completar dezessete anos.
– E você vai dar uma festa.
– Não. Estou só lembrando que essa sua insubordinação vai terminar aos dezoito anos quando você for transferida para o manicômio da cidade. Daquele lugar não há como fugir.
– Não vou para manicômio nenhum porque não sou louca.
– Então pare de se comportar como tal.
– Eu só quero levar minha vida fora daqui. Longe de você.
– E acha que fugindo está acrescentando pontos positivos em seu histórico?
– Não.
– Então... pare! Porquê não me diz qual foi o motivo dessa vez?
– O mesmo.
– De novo não! Chega, nem eu que fui treinado para aguentar loucuras estou suportando sua obsessão por essa cantora. Eu já lhe disse um milhão de vezes que as vozes que você ouve não são reais. Olhe pra você só tem dezesseis anos e está numa camisa de força.
– E se eu lhe dissesse que você, Dr.Boris, vai morrer em menos de quarenta e oito horas?
– Chega, eu desisto.
– E eu nunca me engano. Pena que as pessoas não me acreditam.
– Você é maníaca por morte, adora passar os dias no antigo cemitério de judeus.
– É solo sagrado. Não sabe do que está falando.
–Julia, você matou o Ivan. Você o empurrou e ele caiu dentro daquele poço e só fez isso para provar que ele morreria em quarenta e oito horas e passar a ter credibilidade...
– É mentira. Nada foi provado! Gritou ela chorando.
– Naquela época você escondia seus comprimidos debaixo do colchão. Você não os engolia, enganava os enfermeiros e por não tomá-los, surtou e matou seu grande amigo sem nenhuma piedade e é isso que quer fazer com essa pobre cantora. Ah... Julia, eu não posso fazer mais nada do que novamente lhe aplicar sedativos e diagnosticar que você passou a ser psicótica.
– Ivan ia se suicidar... eu só tentei impedir.
– Você está totalmente descontrolada.
– Lisa Hendrix corre perigo. Um enorme mal vai cair sobre ela. Tem que acreditar em mim.
– Sei. Só que essa premonição já faz um ano e ela não morreu, não se acidentou, nem sequer teve uma apendicite, não é verdade? Então suponho que as suas quarenta e oito horas não estão dando certo desta vez.
– Eu nunca disse que ela iria morrer... é pior que isso.
– E o que seria?
– Para que contar, você não vai me ajudar a falar com o produtor dela.
– Você já falou. Telefonou duas vezes.
– Mas eu sinto que ele não disse nada para Lisa.
– E porque diria? Você ligou, ele atendeu e seus recados sobre morte e perigo não deram em nada. Sinto muito Julia, mas vou colocar você para dormir por uns dias e aumentar a dosagem de remédios. Assim você se acalma e quando acordar se sentirá bem melhor e com a mente descansada.
– Então adeus Dr. Boris porque quando eu acordar, você já estará na terra dos mortos. E eu finalmente terei outro médico, só espero que ele seja mais esperto do que você.
Zsadist e V. estavam patrulhando o centro da cidade, debaixo de uma das pontes do Rio Hudson quando o cheiro familiar de talco espalhou-se no ar. Lá estavam... seis redutores fechando um cerco contra eles.
Vishous foi o primeiro a sacar a adaga saltando para frente, enquanto Z. acertava em cheio os tiros no peito de dois redutores com suas pistolas SIG Sauer. Dos seis redutores, apenas dois permaneceram em pé após o primeiro ataque dos Guerreiros. Um dos que sobrou não tinha qualquer reação, tremendo se afastou e chocou-se contra um dos pilares da ponte e o outro tentou fugir em direção ao carro.
– Eu pego o fujão. Disse V.
Enquanto ele corria para alcançar o redutor, pode notar o clarão dos flashes de luz atrás dele, provavelmente Z. já tinha mandado aqueles montes de merda de volta para Ômega.
Chegou a um galpão com telhado de zinco quase cedendo e abandonado. Cachimbos de crack e roupas espalhadas por todo o lado davam a entender que se tratava de um local procurado por usuários de drogas.
Movendo-se com cuidado para não fazer barulho. Vishous avistou a silhueta do redutor um pouco mais a frente. A sombra do morto-vivo refletia nas divisórias de plástico que estavam espalhadas por todos os lados.
Que interessante era a vida e como ela acabava num passe de mágica. No momento em que ele retirava a adaga de seu coldre, uma bala atingiu seu ombro impedindo o movimento. Dois faróis foram acessos em sua direção e cegaram suas pupilas por alguns segundos, tempo suficiente para mais um tiro se alojar em seu joelho esquerdo. Vishous desabou no chão.
Um redutor tinha ficado ao volante do veículo e este foi o elemento decisivo. Quando percebeu que o vampiro tinha caído ao chão, correu em direção a ele, estava ávido para terminar o serviço, mas Zsadist chegou por trás e acertou o tiro bem no meio da cabeça. O outro também não escapou Z. rodopiou em cima do próprio corpo e com um disparo certeiro tombou o redutor fujão com um tiro nas costas.
Sem perder tempo perfurou o coração dos dois com sua adaga e foi ao encontro de Vishous.
– Você está bem?
– Sim, tudo bem.
– Pode se desmaterializar?
– Acho que sim. Merda, meu joelho...
– Certo, vamos para a clínica de Haver`s.
No jardim da mansão Raghe apareceu rapidamente depois do chamado de Wrath.
Avistou Lisa e o Rei conversando ao longe, já perto das altas muralhas.
Ele poderia ter escolhido simplesmente se materializar ao lado deles, mas preferiu correr, afinal não tinha sexo com Mary e nem a luta com seus inimigos e isso o deixava cada vez mais instável e a besta poderia aflorar sem mandar recado a qualquer momento.
Chegando ao local onde eles estavam, achou estranha a atitude amistosa de Wrath para com a prisioneira, mas preferiu não comentar. Tinha dito tudo o que pensava sobre ela anteriormente na reunião e deixado bem claro que o melhor a fazer seria cumprir a execução.
– Você me chamou Wrath?
– Temos um assunto a tratar.
– Com ela? Impossível. Disse Raghe balançando a cabeça negativamente, reparando que Lisa carregava em seus braços outro roupão.
– Peço que ouça primeiro, depois você fala.
– Está bem.
– Comece Lisa, diga a ele.
Ela ergueu o olhar e o fixou nos olhos azuis e profundos de Raghe.
– Eu, eu sinto muito. Sinto pelas provocações. Eu sempre soube o seu nome, mas eu queria irritá-lo propositadamente, por isso eu o chamei de “loirinho”. Queria que você se transformasse.
Respirando profundamente ele desviou o olhar para o Rei. Percebendo como Wrath encontrava-se calmo, retornou o olhar novamente para Lisa. E perguntou secamente.
– Por quê?
– Porque preciso ver “Dragon” em sua aparência real.
– Por quê?
– Porque acho que você... é o guardião.
Raghe estremeceu com a resposta, sentiu todos os músculos do seu corpo retesar.
– Raghe me escute. Sei como você se sente em relação ao dragão, mas se isso lhe serve de consolo eu me sinto da mesma forma. Se bem que eu sou muito pior do que você algum dia sonhou ser. Sabe... está no meu sangue. A maldade, o ódio, a selvageria, correm nas minhas veias, não há como negar. Daqui a alguns meses posso ser realmente uma besta, um monstro em forma de mulher – As lágrimas rolavam pelo seu rosto, mas Lisa continuou a falar. – E talvez eu mate todos aqueles que um dia eu amei. Meus poucos amigos e... e... enfim, eu estou com medo. Medo de mim.
Ninguém ousou dizer qualquer palavra. Aquilo era a mais pura verdade. Nenhum deles poderia ter dito com maior sabedoria. O mal corria nas veias de Lisa e fazia parte de sua natureza, era genético e não podia ser mudado, nem ceifado. E o terror dessa revelação era desumano.
– Quer que eu liberte a besta?
– Sim, mas o nome é... Dragon
– Já deu até um nome a ele.
Hollywood sorriu timidamente e olhou novamente para seu Rei.
– Você confia nela. Meu Senhor?
– Confiar, não é a palavra. Eu acredito na sinceridade desta humana.
– E concorda com uma transformação aqui, na mansão...
– Assim como você acho tudo isso uma verdadeira loucura, mas eu concordo que todos nós precisamos descobrir aonde isso vai nos levar. Não seria sábio de minha parte negar tal perigo e se você e Lisa entrarem em um acordo, então... eu os apoiarei.
– Que assim seja. Tenho fé em meu Rei.
Wrath se aproximou de Raghe e puxou-o num abraço poderoso, digno de dois enormes machos Guerreiros. As palmadas nas costas podiam ser ouvidas ao longe e era uma cena muito bonita de se ver.
– Tenha certeza de que nunca duvidei disso meu Irmão. Nunca esperei menos de sua lealdade Raghe.
Sim, sempre houve e sempre haveria comunhão entre os Membros da Irmandade, mas não se tratava apenas disso. Apesar de serem machos reservados entre eles existia respeito e honorabilidade.
– Bem... o que é que faço agora? – Raghe falou isso olhando para Lisa e continuou – A besta só emerge quando fico muito irritado.
– Tenho uma ideia... Dragon... pode me ouvir?
Nada aconteceu os olhos de Raghe premaneciam azuis da cor do mar.
– Não é assim que acontece...
– Dragon, por favor, preciso de você. Preciso da sua ajuda agora!
Uma luz branca intensa surgiu do nada, clareando o jardim da mansão como se fosse dia, tudo ficou iluminado.
E lá estava o belo dragão. Mais de três metros de altura tinha o corpo coberto por escamas esverdeadas e púrpuras, dentes e garras afiadas capazes de massacrar um exército inteiro em poucos minutos e grandes olhos totalmente brancos.
– Oi Dragon… puxa, você é grande.
A besta olhou por cima de Lisa e avistou a figura de Wrath. Balançando a cabeça de um lado para o outro e agitando a negra juba o dragão simulou uma reverência, que o Rei entendeu e respondeu sem grandes gestos. Depois retornou o forte olhar para Lisa.
– Lembra-se de mim?
O dragão balançou novamente a cabeça afirmativamente.
– Não consegue falar?
Ele soltou um rugido.
– Acho que isso quer dizer um não. Falou baixo o Rei.
– É… já entendi.
Então o dragão se sentou sobre a grana e esperou tranquilamente o que veria a seguir.
– Agora é a sua oportunidade. Fale com ele, Lisa.
Lisa se aproximou da criatura e em sinal de respeito sentou-se no chão, de frente para ele.
– Dragon, eu não sou digna de estar aqui olhando para você. Meu pai é um demônio, eu nunca o vi. Mas descobri a pouco tempo que me transformarei numa feiticeira e bem... acho que você sabe mais dessa história do que eu, já que habita em Raghe vinte e quarto horas do dia.
O dragão respirou fundo, como se concordasse.
– Em nossa última conversa eu lhe dei a minha palavra que jamais lhe faria mal. Agora preciso de um juramento se sua parte.
Dragon agitou-se e arreganhou os dentes instintivamente.
– Eu não sei onde meus poderes me levarão, não sei no que vou me transformar. Então eu o chamei aqui, na sua verdadeira forma para que jure que se eu...
– Lisa, espere não faça nada precipitado.
– Deixe-me terminar Wrath.
A criatura ficava cada vez mais agitada e agora sua calda sacudia de um lado para o outro no ar.
– Dragon, se eu me tornar um ser maligno quero que me mate. Eu liberto você de toda e qualquer obrigação para comigo. Se eu ameaçar o Rei, a Irmandade ou as shellans, quero que venha até mim e me mate.
A besta colocou-se em pé, como se estivesse pronta para lutar. A respiração era profunda e ela fechou suas garras em sinal de ameaça.
Lisa não tinha medo podia sentir uma ligação, uma união muito forte entre eles. Ela podia jurar que ouvia o sangue correr pelo corpo de Dragon e a sensação da força descomunal daquela criatura lhe enchia de vida e poder.
– Me escute… por Deus, me escute! Sou uma feiticeira do fogo e quando eu concluir o meu “despertar” serei capaz de invocar os mortos e de dominar a energia do espírito e a chama da vida... então poderei destruir tudo o que eu quiser, inclusive meus inimigos. Está me entendendo Dragon... poderei matar você...
O dragão começou a se afastar como se não quisesse ouvir mais nada e grunhiu baixo.
Lisa levantou-se e caminhou em direção a Dragon sem nenhum receio, estendeu a mão e segurou uma de suas enormes garras.
– Fogo! Gritou ela.
O dragão levantou a grande cabeça e abriu a boca liberando fogo pelo nariz e pela boca. A enorme e poderosa chama cortou o ar. O calor era abrasador, terrível. Dragon estava cuspindo fogo pela primeira vez e tudo isso graças ao simples contato da mão de Lisa sobre ele.
Horrorizada, ela olhou para o Rei, sabia que não podia ficar ali parada. Tinha dito a si mesma que contaria tudo e assim o fez.
Num movimento rápido, a mão que segurava a enorme garra moveu-se para cima e Lisa cravou e unha pontuda no centro de sua palma, atravessando-a completamente.
– Jure… pelo sangue que escorre do meu corpo que você fará o que for necessário para conter a minha maldade, inclusive me matar antes que eu complete vinte e oito anos. Jure!
Dragon não se moveu, se fizesse qualquer movimento brusco poderia arrancar não só a mão, mas o braço todo de Lisa tentando se soltar. Em sua sabedoria e ancestralidade ele só desejava protegê-la e não sacrificá-la.
Então as lendas eram verdadeiras... os dragões eram os guardiões de híbridos poderosos como se fossem parte da alma dessas feiticeiras. Não é uma questão de se curvar aos seus desejos e sim proteger com a própria vida.
Se a feiticeira podia sentir sua força, seu sangue. Ele podia ouvir seus pensamentos e sentir seus sentimentos. Dragon baixou o olhar e aceitou o pedido com tristeza ao balançar a cabeça afirmativamente... depois disso só um clarão e Raghe caído ao chão.
Wrath caminhou ao encontro deles e vestiu Raghe com o roupão que haviam trazido.
– Wrath? Disse Raghe num murmúrio.
– Estou aqui, está tudo bem.
– Não... não pode... permitir... a morte.
– O que está feito, não pode ser mudado. Um juramento foi consumado, não pode ser quebrado.
Em toda a sua imponência e majestade, Wrath olhou para Lisa tomou-lhe a mão machucada onde o sangue insistia em correr e depositou um beijo em processo de cura.
– Está livre Lisa Hendrix, por seu caráter e por demonstrar tamanha honestidade diante de mim. Prefere a morte a molestar uma raça que não é a sua. Não poderia ter me dado maior prova de grandeza.
Na clínica, Butch e Phury ainda aguardavam a confirmação pelos corredores de que se tratava de Kateryne , quando Zsadist apareceu.
– Onde está Vishous – perguntou Butch exaltado.
– Levando uns pontos, logo ali. E não sei se não vai ter que operar o joelho.
– Mas que merda meu Irmão, o que aconteceu?
– Resumindo, ele se descuidou Phury.
– Como aconteceu?
– Lutamos e um conseguiu fugir. V. saiu correndo atrás dele e quando estava prestes a por as mãos no infeliz, tinha mais um... de tocaia. Acertou um tiro no ombro e o outro na altura do joelho.
– Caralho. Onde esse filho da puta pensa que está com a cabeça? Butch estava revoltado com o comportamento de Vishous ultimamente.
– Lisa Hendrix ou vocês não sentiram? Perguntou Phury.
– Como se isso fosse possível. Ela estava impregnada com o cheiro dele, cacete. Eu sentiria a dez quilômetros de distância.
– Tentei dizer isso a ele, tira. Mas ele não quer ouvir.
– Isso ainda vai acabar...
– Guerreiros? – Uma enfermeira baixinha se aproximou cortando o assunto. – O Dr. Havers está chamando pelos Senhores.
– Quem vai? Porque alguém precisa ficar com V.
– Não preciso de babá, Phury.
Vishous apareceu bem na hora. Atrás da enfermeira, mancando e com o braço imobilizado, numa tipoia.
– E já vou logo avisando. Quando chegar ao Complexo, vou arrancar esse negócio do braço.
– Mas que merda? Quem deixou você levantar?
– Ninguém tira. Eu me dei alta. Agora que tal atendermos o chamado do doutor?
– Eu irei. Disse Phury andando em direção à enfermeira.
– Desculpem, mas acho que não fui clara. O Dr. Havers pediu para todos os Guerreiros que estivessem presentes fossem conversar com ele.
Sem perda de tempo a enfermeira virou-se e caminhou apressadamente até chegar as portas do necrotério.
– Podem entrar, ele espera pelos Senhores.
Dito isso afastou-se.
Havers estava em pé ao lado da mesa de necropsia onde o corpo da fêmea que eles tinham encontrado estava deitado.
– Não é de meu feitio permitir que leigos entrem aqui, mas o caso é grave...
– Vá direto ao ponto Havers. Não temos a noite toda.
Essas palavras só podiam ter saído da boca de V., afinal seu humor estava insuportável e o fato de ter se ferido em combate só agravava tal realidade.
– Eu retirei isso da vagina dela.
Ele mostrou o vibrador envolto com fita adesiva.
– Que merda!
– Filho da puta, doente!
– Nos chamou aqui para dizer que ela foi estuprada? Pra isso não precisa mostrar o vibrador, sabemos como isso acontece.
– Hei, calma V.
As vozes saiam todas ao mesmo tempo, então era difícil distinguir quem era quem.
– Não foi essa a razão. Não sei o que fazer nesse caso. Dá pra ver claramente, onde a fita não encobre que tem um bilhete e está escrito Irmandade. Está endereçado a vocês, Guerreiros.
– Como é? Vishous tremia por dentro.
– Quero saber se abro... se eu tiro o bilhete desse vibrador... ou se querem que...
– Vamos levá-lo para o Rei do jeito que está. Só coloque em um saco plástico junto com alguns pares de luvas.
– Ok. Vishous.
Havers pegou um sacola plástica, usada especificamente em necrotérios, acomodou o objeto e em outra sacola colocou as luvas, entregando tudo a V.
– Pronto.
– O que mais? O que fizeram com ela? Perguntou Butch
– Foi torturada. Usaram técnicas medievais, foi queimada com ácido e esfolada...
– Vamos embora já ouvi o bastante. E... Havers mantenha isso em segredo para o seu próprio bem.
V. mostrou suas presas.
– Entendeu. Não é?
– Sim, claro que sim Guerreiro.
Notas finais
Contem-me tudinho, quero comentários, opiniões, indagações e sugestões.
Vamos lá... abram seus corações! Espero ansiosa por isso!!!!
Muitos beijos.
Fênix
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