TRADE STATE: MASCARADACapítulo 2 — O Disco Roubado

Era do Oráculo

CENA 1 — AS MARCAS DE UMA NOITE ANTERIOR

A manhã seguinte ao confronto com Madame Dupont e a Dra. Frankenstein começava a movimentar as ruas de Grande Centro Trade.

Os primeiros ônibus cruzavam as avenidas, funcionários entravam nos edifícios comerciais e os telões espalhados pela região transmitiam notícias sobre o trânsito, a economia e os acontecimentos recentes da cidade. Entre os arranha-céus, a rotina parecia seguir normalmente.

Mas, na central de operações do Oráculo, a noite anterior ainda estava longe de ser encerrada.

Sentinela permanecia diante de uma parede de monitores. Sobre a mesa, equipamentos de comunicação, registros de vigilância e arquivos recuperados durante a última missão estavam organizados em diferentes telas.

Ela havia passado horas examinando os dados incompletos que Mascarada e Harpia Negra trouxeram da instalação onde enfrentaram Madame Dupont e a Dra. Frankenstein.

Os arquivos não permitiam identificar com precisão o propósito da máquina encontrada no laboratório. Algumas informações estavam corrompidas, outras haviam sido apagadas, e os registros restantes não eram suficientes para estabelecer quem financiava a operação.

Mesmo assim, havia detalhes que mereciam atenção.

Sentinela abriu uma comparação entre os registros da instalação e as anotações recebidas das duas heroínas.

— Há informações faltando demais para ser apenas um problema de armazenamento — murmurou.

Ela ampliou uma sequência de dados, verificou os horários e anotou as inconsistências.

Mascarada e Harpia Negra haviam explicado o que aconteceu durante a investigação, incluindo a perseguição, a captura e a fuga. Também haviam alertado sobre a possibilidade de que a operação de Madame Dupont fosse apenas uma parte de algo maior.

Sentinela não tinha como confirmar essa hipótese.

Mas agora sabia o que procurar.

Ela configurou os monitores para acompanhar novas interferências em sistemas de vigilância, comunicações restritas e redes tecnológicas das regiões de Trade State.

Se surgisse alguma ocorrência relacionada à atividade que estavam investigando, ela queria ser a primeira a perceber.

Naquele momento, um sinal discreto apareceu no monitor mais à direita.

Sentinela interrompeu o que estava fazendo.

Uma interferência havia sido registrada em uma rede de segurança situada no Centro Desativado.

Ela abriu o relatório.

O sinal durara poucos segundos, mas fora suficiente para provocar uma interrupção em equipamentos próximos. Pouco depois, outro registro semelhante apareceu em uma área vizinha.

Sentinela aproximou a imagem.

— Isso não é normal.

A ocorrência não provava que havia uma ligação com o caso anterior. Ainda assim, depois das informações trazidas por Mascarada e Harpia Negra, ignorar aquele sinal seria um erro.

Ela iniciou uma análise mais profunda.

E encontrou algo que mudou sua avaliação: a interferência coincidia com uma movimentação não autorizada próxima a uma instalação de armazenamento tecnológico.

Sentinela abriu o mapa de Grande Centro Trade.

O Centro Desativado ficava em uma parte menos movimentada da região, marcada por edifícios comerciais abandonados, antigos depósitos e estruturas que já não recebiam a mesma circulação de pessoas. Muitos estabelecimentos haviam fechado as portas, e alguns imóveis permaneciam à espera de reformas ou de novos proprietários.

Era o tipo de lugar onde um veículo poderia parar sem chamar muita atenção.

E onde alguém poderia esconder uma operação.

Sentinela pegou o comunicador.

— Precisamos verificar isso.

CENA 2 — UMA NOVA OCORRÊNCIA

Alertta chegou à central alguns minutos depois, ainda ajustando as luvas do uniforme.

— Você me chamou?

Sentinela não tirou os olhos do monitor.

— Temos uma ocorrência no Centro Desativado. Uma rede de segurança sofreu interferências, e houve movimentação suspeita perto de uma instalação de armazenamento tecnológico.

Alertta aproximou-se da tela.

— Você acredita que esteja relacionado ao caso de ontem?

— Ainda não posso afirmar. Mascarada e Harpia Negra nos passaram informações importantes sobre a operação de Madame Dupont e da Dra. Frankenstein. Desde então, estou monitorando ocorrências que possam indicar novas atividades semelhantes.

Sentinela abriu os registros de horário.

— A interferência aconteceu há pouco. Depois dela, uma câmera externa deixou de transmitir imagens por alguns segundos. Não consegui identificar quem estava no local, mas há indícios de que alguém utilizou a falha para acessar uma área restrita.

Alertta analisou o mapa.

— O Centro Desativado tem muitas entradas secundárias. Se alguém quiser entrar ou sair sem ser visto, aquele lugar oferece oportunidades.

— Exatamente. E a instalação fica próxima de antigos galpões e ruas de serviço. Se houver uma operação em andamento, precisamos agir antes que os responsáveis desapareçam.

Mascaradinha entrou na sala naquele momento.

— Espero que seja alguma coisa interessante. Passei a manhã inteira ouvindo vocês falarem sobre relatórios.

Alertta lançou-lhe um olhar.

— Você poderia ter aproveitado o tempo para estudar os relatórios.

— Poderia. Mas aí perderíamos a oportunidade de ouvir você dizer que eu deveria ter estudado os relatórios.

Sentinela interrompeu a troca de provocações, ampliando o mapa.

— Prestem atenção. Não sabemos quem está envolvido nem se o incidente tem relação direta com a investigação anterior. Por isso, não vamos entrar presumindo que conhecemos o inimigo.

Mascaradinha se aproximou da tela.

— Qual é o plano?

— Alertta e você irão até o Centro Desativado. Quero que verifiquem a instalação e identifiquem qualquer movimentação suspeita. Eu acompanharei vocês daqui, usando os sistemas disponíveis para monitorar as câmeras, as comunicações e os acessos.

Alertta assentiu.

— E se encontrarmos alguém?

— Primeiro, confirmem o que está acontecendo. Se houver uma invasão em andamento, impeçam a fuga e mantenham o controle da situação. Vou tentar fornecer informações sobre o terreno antes que vocês entrem.

Mascaradinha colocou a máscara.

— Então vamos descobrir quem está brincando com a segurança da cidade.

Sentinela voltou aos monitores.

— E tentem não destruir os equipamentos que eu precisar usar para acompanhar vocês.

— Não prometo nada — respondeu Mascaradinha.

Alertta já caminhava em direção à saída.

— Por isso mesmo vou ficar de olho em você.

CENA 3 — O CENTRO DESATIVADO

O veículo das heroínas deixou as avenidas mais movimentadas de Grande Centro Trade e seguiu para o sul da região, em direção ao Centro Desativado.

A paisagem mudou gradualmente.

As fachadas modernas deram lugar a edifícios antigos, lojas fechadas e estacionamentos parcialmente vazios. Algumas construções ainda conservavam letreiros desbotados, lembranças de um período em que aquela parte da cidade concentrava escritórios e pequenos estabelecimentos comerciais.

Agora, o movimento era irregular. Caminhões utilizavam as vias mais largas, enquanto algumas ruas permaneciam quase vazias durante boa parte do dia.

O local não estava completamente abandonado. Havia oficinas em funcionamento, depósitos e empresas que ainda utilizavam os imóveis antigos. Mas, entre eles, existiam quarteirões inteiros com pouca atividade.

Era justamente essa mistura que tornava a região útil para quem desejava passar despercebido.

Alertta observou as construções pela janela.

— Se eu quisesse esconder alguma coisa, procuraria um lugar assim.

Mascaradinha examinou a rua à frente.

— Você diz isso como se já tivesse feito isso.

— Eu digo isso porque sei observar um ambiente.

— Certo. Então observe aquele sujeito olhando para nós desde a esquina.

Alertta virou o rosto.

Um homem próximo a uma oficina desviou rapidamente o olhar e voltou a mexer em uma caixa de ferramentas.

— Provavelmente um trabalhador curioso — respondeu ela.

— Ou alguém que não quer ser visto.

— Não transforme toda pessoa que olha para nós em suspeita.

Mascaradinha sorriu.

— Você tira toda a diversão das investigações.

O veículo dobrou a esquina e parou a uma distância segura da instalação indicada por Sentinela.

O edifício era baixo, cercado por uma estrutura metálica e protegido por portões reforçados. Uma placa antiga identificava o local como um centro de armazenamento de equipamentos técnicos. Parte das janelas estava coberta por películas escuras, e um caminhão permanecia estacionado perto de uma entrada lateral.

Alertta examinou o perímetro.

— Não parece abandonado.

— A questão é saber o que estão fazendo aqui — respondeu Mascaradinha.

O comunicador emitiu um sinal.

A voz de Sentinela surgiu no canal.

— Estou recebendo pequenas oscilações na rede local. Há equipamentos ativos no interior, mas não consigo acessar as câmeras internas.

Alertta observou o portão.

— Então temos uma confirmação de atividade, mas ainda não sabemos se é ilegal.

— Correto. Vou tentar identificar a origem das interferências. Enquanto isso, aproximem-se pelo lado norte. Há uma rua de serviço que oferece cobertura.

As duas heroínas saíram do veículo e seguiram a pé.

A investigação estava prestes a se transformar em uma operação de campo.

CENA 4 — A MISSÃO DO TRIO TÊ

Do outro lado do Centro Desativado, uma van escura estava estacionada entre dois galpões.

Dentro dela, Capitã Moira examinava uma planta digital da instalação.

Amina Pink ajustava as luvas, verificando os mecanismos metálicos que utilizava durante os combates. Encapuzado permanecia no banco traseiro, quase imóvel, observando a rua através da janela.

— O acesso principal está sendo monitorado — disse Moira. — Vamos entrar pelo setor de manutenção. O disco deve estar em uma sala de armazenamento restrito.

Amina inclinou-se para ver o mapa.

— E depois?

— Pegamos o disco e saímos pela área de carga. O veículo nos espera na rua de serviço. Nosso contratante receberá o material no ponto combinado.

Encapuzado voltou o rosto para Moira.

— Alguma informação sobre o que estamos levando?

— Não. E não precisamos dela.

Amina abriu um sorriso.

— Melhor assim. Quanto menos eu souber, menos tenho para esquecer.

Moira ignorou a brincadeira.

— A prioridade é entregar o disco intacto. Se houver resistência, neutralizamos quem estiver no caminho e continuamos a missão. Não vamos permanecer no local para enfrentar reforços.

Encapuzado observou a entrada lateral.

— E se o sistema registrar nossa presença?

— Então sairemos antes que consigam nos cercar.

Amina abriu a porta.

— Finalmente. Já estava começando a achar que o plano era ficar sentado discutindo.

Moira guardou o dispositivo e saiu.

Os três avançaram em direção ao acesso de manutenção.

A rua estava quase vazia. O som de um caminhão distante encobriu parte dos passos, e a sombra dos galpões ofereceu cobertura enquanto Encapuzado se aproximava da porta.

Seu corpo perdeu consistência. Ele atravessou a barreira, alcançou o mecanismo interno e liberou a fechadura.

Amina entrou primeiro.

Dois guardas patrulhavam o corredor. Ela avançou rapidamente, desviou do primeiro golpe e derrubou um deles com uma rasteira. O segundo tentou alcançar o rádio, mas Amina atingiu seu braço e o empurrou contra a parede.

— Entrada liberada — disse ela.

Moira passou pelos guardas caídos.

— Sem perder tempo.

O trio seguiu pelos corredores, aproximando-se da sala de armazenamento.

Nenhum deles percebeu que, do lado de fora, duas heroínas já estavam se aproximando do mesmo setor.

CENA 5 — SENTINELA PERCEBE A INVASÃO

Na central, Sentinela comparava as oscilações da rede com os registros de segurança do Centro Desativado.

A interferência voltou a aparecer.

Dessa vez, foi acompanhada por uma interrupção breve em uma câmera próxima ao acesso de manutenção.

Sentinela abriu o mapa e marcou a posição.

— Alertta, Mascaradinha, encontrei uma nova falha. A câmera do corredor norte acabou de perder a conexão.

Alertta parou perto de uma estrutura metálica.

— Você consegue recuperar as imagens?

— Estou tentando. A interrupção não parece aleatória. Alguém está acessando a instalação enquanto interfere na rede local.

Mascaradinha espiou por uma abertura entre duas estruturas.

— Há movimento lá dentro.

Ela identificou uma porta entreaberta e sombras se deslocando pelo corredor.

— Três pessoas, pelo menos.

Sentinela consultou os sensores.

— Não consigo confirmar o número exato. As câmeras internas continuam sem sinal.

Alertta fez um gesto para que Mascaradinha permanecesse abaixada.

— Vamos nos aproximar. Se houver uma invasão, precisamos descobrir o objetivo deles.

As duas seguiram até a porta lateral.

Sentinela manteve a comunicação aberta, acompanhando os sinais restantes da rede.

— A sala de armazenamento fica no fim do corredor. Há uma saída de serviço na direção oeste, que dá acesso ao pátio de carga. Se alguém estiver tentando fugir, provavelmente vai utilizar essa rota.

Alertta respondeu em voz baixa:

— Recebido.

Mascaradinha olhou para a colega.

— Você ouviu? Uma saída de serviço, um pátio de carga e três invasores. Parece que alguém planejou tudo.

— Então não vamos facilitar a fuga.

As heroínas entraram.

CENA 6 — O DISCO É ENCONTRADO

Moira finalmente conseguiu abrir a porta reforçada da sala de armazenamento.

No interior, armários metálicos protegiam equipamentos, componentes eletrônicos e unidades de dados. Algumas estações permaneciam ligadas, enquanto outras estavam desligadas e cobertas por proteções contra poeira.

Moira consultou a identificação que recebera do contratante.

— É este.

Ela abriu um compartimento e retirou um pequeno disco de armazenamento protegido por um estojo rígido.

Amina aproximou-se.

— Todo esse esforço por um objeto tão pequeno?

— O tamanho não determina o valor — respondeu Moira.

Encapuzado permaneceu próximo à porta, observando o corredor.

— Temos pouco tempo.

Moira guardou o disco em uma bolsa acolchoada.

— Vamos sair pela área de carga. Se tudo correr como planejado, ninguém saberá que estivemos aqui até já estarmos longe.

Amina abriu a porta.

No mesmo instante, uma voz feminina ecoou pelo corredor.

— Oráculo! Afastem-se do equipamento e levantem as mãos!

Mascaradinha estava na entrada, com os punhos erguidos.

Alertta surgiu logo atrás, bloqueando a passagem para o corredor principal.

Moira parou.

Amina sorriu.

— Parece que nossa visita foi anunciada.

Mascaradinha avançou um passo.

— Vocês invadiram uma instalação, derrubaram os guardas e estão levando alguma coisa. Eu diria que a situação se explica sozinha.

Moira segurou a bolsa.

— Não queremos machucar ninguém. Deixem-nos passar.

Alertta assumiu uma posição de combate.

— Vocês não vão sair daqui com esse disco.

Encapuzado inclinou a cabeça.

— Então teremos um problema.

Amina ergueu as mãos, e as pontas metálicas surgiram entre seus dedos.

— Finalmente.

CENA 7 — O COMBATE COMEÇA

Amina atacou primeiro.

Seu golpe avançou na direção de Mascaradinha, que desviou para o lado e respondeu com um chute. A criminosa bloqueou o ataque e tentou acertá-la com as pontas metálicas.

Mascaradinha recuou, apoiou uma mão na parede e mudou de direção, surpreendendo Amina com um golpe lateral.

Amina cambaleou, mas recuperou o equilíbrio rapidamente.

— Você é mais rápida do que parece.

— E você é mais lenta do que pensa!

As duas voltaram a se enfrentar.

Mascaradinha utilizava movimentos ágeis e imprevisíveis, tentando contornar a força da adversária. Amina, por sua vez, procurava reduzir o espaço de combate, obrigando a heroína a se defender em vez de atacar.

Do outro lado do corredor, Alertta avançou contra Capitã Moira.

Moira guardou a bolsa junto ao corpo e bloqueou o primeiro golpe. Em seguida, tentou atingir o abdômen da heroína, mas Alertta desviou e respondeu com uma sequência rápida de ataques.

Moira era disciplinada e calculava cada movimento, procurando criar uma abertura para escapar. Alertta tinha mais experiência no combate corpo a corpo e conseguia antecipar parte de suas tentativas.

Um golpe atingiu o ombro de Moira.

Ela recuou até uma bancada.

— Você luta bem — comentou Alertta.

— Não estou aqui para receber elogios.

Moira tentou avançar novamente, mas Alertta desviou do ataque e a obrigou a recuar.

Encapuzado aproveitou a distração para se aproximar da saída lateral.

Sentinela percebeu a movimentação pelas informações que ainda conseguia receber.

— Alertta, um dos invasores está se deslocando para o corredor oeste. Ele pode estar tentando alcançar a saída de carga.

Alertta ouviu o aviso, mas Moira voltou a atacá-la, impedindo-a de perseguir Encapuzado.

— Mascaradinha, não deixe o terceiro escapar!

— Estou um pouco ocupada aqui! — respondeu a jovem, desviando de outro golpe de Amina.

Sentinela voltou aos controles.

Se não conseguisse recuperar as câmeras, precisaria utilizar os mecanismos de acesso que ainda estavam conectados à rede.

CENA 8 — SENTINELA MUDA O JOGO

Na central, Sentinela abriu uma interface secundária e começou a testar os comandos disponíveis.

A rede da instalação estava parcialmente isolada, mas algumas portas ainda respondiam aos sistemas de manutenção.

Ela identificou o corredor oeste e enviou um comando para fechar a passagem.

A porta começou a descer.

Encapuzado chegou a tempo de atravessar parte dela, mas precisou interromper o movimento quando o mecanismo bloqueou o espaço restante.

Ele recuou e procurou outra rota.

— Sentinela, consegui fechar o acesso oeste — informou a heroína. — Mas não vou conseguir manter todas as portas sob controle ao mesmo tempo.

Alertta respondeu pelo comunicador:

— Faça o que puder. Não deixe que cheguem à saída externa.

Encapuzado tentou atravessar uma divisória lateral. Seu corpo tornou-se translúcido, permitindo que passasse parcialmente pela estrutura antes de recuperar a consistência do outro lado.

Sentinela observou a alteração nos sensores.

— Ele consegue atravessar determinadas barreiras. Não confiem apenas nas portas para mantê-lo preso.

Mascaradinha desviou de um golpe de Amina e olhou para o corredor.

— Você poderia ter contado isso antes!

— Eu acabei de confirmar a habilidade dele!

Amina aproveitou a distração e acertou Mascaradinha no tronco, fazendo-a recuar.

A jovem respirou fundo, recuperou a postura e voltou a lutar.

Enquanto isso, Alertta conseguiu afastar Moira da porta. Por alguns segundos, a criminosa ficou sem uma rota direta para a saída.

— Entregue a bolsa — ordenou Alertta.

Moira apertou a alça.

— Não posso fazer isso.

— Então você vai precisar encontrar outra maneira de sair.

Moira olhou rapidamente para Amina.

A criminosa entendeu o sinal.

Amina atacou com mais intensidade, obrigando Mascaradinha a recuar em direção à sala de armazenamento.

Moira aproveitou o espaço aberto e correu para a saída lateral.

Alertta tentou alcançá-la, mas Encapuzado surgiu em seu caminho.

O combate se espalhou pelo corredor.

CENA 9 — A FUGA PELO PÁTIO DE CARGA

Moira atravessou a porta de serviço e chegou ao pátio externo.

O céu estava carregado, e a chuva começava a molhar o asfalto. Caminhões estacionados formavam corredores entre as docas, enquanto refletores iluminavam parcialmente a área.

A van aguardava na rua lateral.

Moira correu em direção ao veículo.

Atrás dela, Mascaradinha conseguiu se desvencilhar de Amina e atravessou a porta.

— Moira! Pare!

A criminosa olhou por cima do ombro.

— Não posso. Tenho um compromisso.

Ela lançou um pequeno dispositivo ao chão.

Um clarão branco iluminou o pátio.

Mascaradinha cobriu os olhos e recuou por um instante. Quando voltou a enxergar, Moira já havia alcançado a van.

A jovem heroína correu novamente.

Amina surgiu na saída e tentou bloquear sua passagem. Mascaradinha desviou, acertou um golpe no braço da criminosa e tentou avançar até o veículo.

Encapuzado apareceu ao lado da porta, tornando-se parcialmente translúcido quando a heroína tentou agarrá-lo.

Ele conseguiu empurrá-la para longe.

— Sentinela, eles estão no pátio! — informou Mascaradinha.

— Estou vendo os movimentos pelo sensor externo. Há uma saída secundária ao norte, mas não consigo fechar o portão principal sem interromper o sistema inteiro.

Alertta surgiu no pátio logo depois, tendo conseguido se desvencilhar de Moira e Encapuzado dentro da instalação.

Ela avançou contra Amina, obrigando a criminosa a recuar.

Durante alguns segundos, as duas trocaram golpes sob a chuva. Alertta conseguiu derrubar Amina contra a lateral de um contêiner, mas Moira já estava dentro da van.

— Chega! — gritou a capitã.

Encapuzado saltou com amina pink para o veículo.

A porta lateral se fechou.

O motor rugiu.

Mascaradinha tentou alcançar a traseira, mas a van arrancou e atravessou o portão de serviço antes que Sentinela conseguisse bloquear a saída.

O veículo desapareceu na rua do Centro Desativado.

As duas heroínas ficaram no pátio, observando as luzes traseiras sumirem entre os edifícios.

Alertta respirou fundo.

— Eles conseguiram fugir.

Mascaradinha baixou os punhos.

— E levaram o disco.

Sentinela, ainda conectada ao sistema, respondeu:

— Vou tentar recuperar o trajeto pelas câmeras externas. Mas eles provavelmente já estão utilizando uma rota secundária.

Alertta olhou para a rua vazia.

— Então precisamos descobrir para quem estão trabalhando.

CENA 10 — O QUE AS HEROÍNAS DESCOBRIRAM

De volta à central do Oráculo, as três heroínas analisavam os registros recuperados da operação.

Sentinela havia conseguido preservar algumas imagens dos corredores e dos acessos externos, mas a interferência deixara lacunas importantes.

Na tela principal, os perfis dos três invasores apareciam lado a lado.

— Amina Pink — começou Sentinela. — Combate direto, armas metálicas nas mãos e tendência a pressionar os adversários com força.

A imagem mudou.

— Capitã Moira. Ela coordenava a operação, conhecia a localização do disco e tomou as decisões durante a fuga.

Por último, apareceu a silhueta de Encapuzado.

— E este indivíduo consegue tornar o corpo translúcido e atravessar determinadas barreiras. Ainda não conhecemos os limites dessa habilidade.

Mascaradinha cruzou os braços.

— Ótimo. Três criminosos, um disco roubado e nenhuma pista sobre o que está dentro dele.

Alertta observou o registro de Moira.

— Eles não estavam ali por acaso. Sabiam qual objeto procurar, quando agir e por onde sair. Alguém preparou essa missão.

Sentinela ampliou o mapa da instalação.

— A interferência que detectei antes da invasão foi o que nos levou até o local. Sem as informações que Mascarada e Harpia Negra trouxeram, talvez eu não tivesse percebido a importância daqueles sinais a tempo.

Alertta assentiu.

— Então a investigação anterior nos ajudou a identificar uma nova operação. Mesmo que não tenhamos conseguido impedir o roubo, agora temos nomes e habilidades para acompanhar.

Mascaradinha olhou para as imagens.

— Da próxima vez, vamos estar esperando por eles.

— Da próxima vez, vamos ter mais informações — corrigiu Alertta. — Não podemos presumir que eles repetirão a mesma estratégia.

Sentinela salvou os registros em um arquivo protegido.

— Vou continuar monitorando as interferências e as comunicações da região. Se houver outra movimentação semelhante, teremos um ponto de partida.

As três sabiam que a missão terminara com uma derrota.

Mas também sabiam que o roubo não era um acontecimento isolado.

Alguém queria aquele disco.

E o Trio Tê havia aceitado o trabalho para entregá-lo.

CENA 11 — A ENTREGA A MADAME DUPONT

Já era noite quando a van deixou o Centro Desativado e seguiu por ruas secundárias de Grande Centro Trade.

O trânsito diminuía à medida que o veículo se afastava das avenidas comerciais. Os galpões industriais deram lugar a bairros mais silenciosos, com propriedades cercadas, jardins bem cuidados e ruas iluminadas por postes espaçados.

Depois de algumas mudanças de direção, a van atravessou os portões de uma propriedade particular.

Madame Dupont aguardava em uma sala reservada.

Vestida com elegância impecável, ela observava a cidade através de uma ampla janela. Sobre a mesa, uma pasta estava aberta ao lado de uma xícara de chá.

A porta se abriu.

Capitã Moira entrou primeiro, seguida por Amina Pink e Encapuzado.

Moira colocou o estojo sobre a mesa.

— O disco, conforme solicitado.

Dupont olhou para o objeto.

— Houve algum problema?

— As heroínas apareceram durante a retirada. Conseguimos sair, mas tivemos de alterar a rota.

— E o material?

— Está intacto.

Madame Dupont assentiu e recolheu o estojo.

— Muito bem. O pagamento será realizado conforme o combinado.

Amina cruzou os braços.

— Espero que a próxima missão tenha menos heroínas no caminho.

Dupont esboçou um sorriso discreto.

— Espero que, na próxima vez, vocês não deixem que elas cheguem tão perto.

Amina pareceu prestes a responder, mas Moira tocou de leve seu braço.

— A missão foi concluída. Estamos indo embora.

Dupont fez um pequeno gesto de despedida.

O Trio Tê deixou a sala.

Por alguns instantes, Madame Dupont permaneceu sozinha, com o disco sobre a mesa.

Então, a porta se abriu novamente.

Zorrat entrou.

Ele não parecia surpreso ao ver o estojo.

— Chegou?

Dupont deslizou o disco em sua direção.

— Conforme combinado.

Zorrat observou o objeto, mas não o abriu.

— E as heroínas?

— Interferiram na operação. Não conseguiram impedir a entrega.

Ele esboçou um sorriso discreto.

— Então ainda estão tentando entender o que está acontecendo.

Dupont cruzou as mãos sobre a mesa.

— Espero que saiba o que está fazendo.

Zorrat recolheu o disco.

— Você também tem muito a ganhar com isso.

Os dois trocaram um olhar breve.

Nenhum deles explicou mais nada.

Zorrat se dirigiu à porta.

— Falaremos quando houver novidades.

Ele saiu, levando o disco consigo.

Madame Dupont permaneceu imóvel por alguns segundos antes de voltar a olhar pela janela.

Lá fora, as luzes de Trade State continuavam brilhando.

Naquela noite, as heroínas haviam perdido uma corrida contra o tempo. Mas o roubo deixara algo evidente: o disco era importante o suficiente para mobilizar criminosos experientes e chegar às mãos de duas figuras influentes.

O que havia dentro dele, porém, continuava sendo um mistério.