Trade State: Mascarada

3 Entre máscaras e obrigações


TRADE STATE: MASCARADACapítulo 3 — Entre Máscaras e ObrigaçõesCena 1 — Quartel do Oráculo, 23h18

A chuva caía sobre Grande Centro Trade, refletindo as luzes dos prédios e dos letreiros comerciais nas ruas molhadas. A cidade ainda estava movimentada, mas, naquela parte do quartel do Oráculo, o clima era de cansaço e frustração.

Na sala de operações, três telas exibiam imagens do complexo de Centro Desativado. Em uma delas, era possível ver o momento em que o Trio Tê escapava levando o disco roubado.

As cinco integrantes da equipe estavam reunidas.

Yanne Pennyhills, conhecida como Mascarada, permanecia diante da mesa central, com os braços cruzados e os olhos fixos nas imagens. Seu jeito calmo escondia a insatisfação por não terem conseguido impedir a fuga.

Ao lado dela estava Anne Unga, a Alertta, a integrante mais velha do grupo e uma combatente experiente, conhecida por sua postura firme e sua habilidade no combate corpo a corpo.

Sentada em uma cadeira, ainda inquieta depois da missão, estava Darla Parizza, a Mascaradinha, a mais jovem das cinco. Seus cabelos curtos e ruivos estavam um pouco desalinhados, e sua expressão demonstrava que ela ainda não aceitara a derrota daquela noite.

Perto dos computadores estava Rose Becky, a Sentinela, responsável pelo monitoramento tecnológico e pelo suporte à equipe. Seus cabelos rosados caíam sobre os ombros enquanto ela examinava os últimos registros recuperados.

Por último, Fiona Reists, a Harpia Negra, permanecia próxima à janela. As grandes asas negras já estavam recolhidas, e sua atenção alternava entre as colegas e as imagens da operação.

— Revisei os registros três vezes — disse Rose, ampliando uma das gravações. — O sistema sofreu interferências antes da invasão. Quando percebi o padrão, vocês já estavam se aproximando da instalação.

— E, quando chegamos, eles já sabiam exatamente o que procurar — comentou Anne.

Darla apoiou os cotovelos na mesa.

— O que continua me incomodando é que não sabemos o que tinha naquele disco. Poderia ser qualquer coisa.

— Justamente por isso precisamos descobrir quem o encomendou — respondeu Yanne.

Fiona afastou-se da janela.

— Amina Pinky foi a responsável por nos manter ocupadas. Moira coordenou a operação, enquanto o Encapuzado encontrou uma maneira de escapar. Eles não estavam improvisando.

— Não — concordou Anne. — Sabiam o que estavam fazendo.

Rose fechou uma das janelas de dados.

— Por enquanto, não consegui recuperar informações suficientes para identificar o conteúdo do disco. Vou continuar trabalhando nisso, mas preciso de registros melhores.

Yanne olhou para as colegas.

— Então vamos continuar investigando. Amanhã, cada uma segue sua rotina normalmente. Se aparecer alguma informação importante, avisamos as outras.

Darla ergueu a cabeça.

— Amanhã? Eu tenho aula cedo.

— Você é universitária, Darla. Isso costuma acontecer — respondeu Fiona.

— Eu sei. Só estou dizendo que seria bom se os criminosos respeitassem o calendário acadêmico.

Anne soltou uma risada curta.

— Vou sugerir isso na próxima reunião com os criminosos da cidade.

— Ótimo. Peça também para respeitarem meus fins de semana.

Por alguns instantes, a tensão diminuiu.

Mas o cansaço logo voltou a pesar sobre todas.

Rose consultou o relógio.

— Preciso dormir. Amanhã tenho que estar no laboratório cedo.

— Eu também preciso ir — disse Anne. — Tenho documentos acumulados na delegacia e não pretendo passar mais uma noite inteira resolvendo pendências.

Fiona pegou sua bolsa.

— Meu turno começa pela manhã. Se eu chegar atrasada de novo, meu gerente vai me olhar como se eu tivesse cometido um crime.

— Depende do crime — brincou Darla.

— Darla — advertiu Yanne, embora estivesse sorrindo.

A universitária levantou as mãos, fingindo inocência.

Yanne foi a última a se afastar da mesa.

— Descansem. Amanhã será outro dia.

— E, com sorte, um dia sem roubos — comentou Fiona.

— Você trabalha em Grande Centro Trade — respondeu Anne. — Não peça milagres.

As cinco se despediram e deixaram a sala de operações.

Do lado de fora, a chuva continuava caindo.

O disco permanecia desaparecido, e ninguém sabia o que Madame Dupont pretendia fazer com ele. Por aquela noite, porém, não havia mais nada que pudessem resolver.

Cada uma voltou para sua vida civil.

Sem máscaras.

Sem uniformes.

E sem a garantia de que conseguiriam descansar o suficiente antes da próxima missão.

Cena 2 — Yanne Pennyhills, 6h40

O despertador tocou pela segunda vez antes que Yanne abrisse os olhos.

Ela estendeu o braço, desligou o aparelho e ficou alguns segundos olhando para o teto.

A noite anterior ainda parecia próxima demais. Tinha dormido pouco, e seu corpo parecia cobrar cada minuto que passara acordada no quartel.

— Só mais cinco minutos — murmurou.

Cinco minutos depois, o despertador voltou a tocar.

Yanne sentou-se na cama.

— Está bem. Você venceu.

Levantou-se, tomou banho e preparou um café simples. Enquanto comia, conferiu as mensagens de trabalho e os compromissos do dia.

Yanne trabalhava como fotógrafa para Penélope, uma cliente elegante e exigente que solicitava imagens para projetos comerciais e publicações. O que Yanne não sabia era que Penélope era, na realidade, Madame Dupont, a mulher envolvida na operação investigada pelas heroínas.

Para Yanne, tratava-se apenas de uma cliente com dinheiro, influência e padrões elevados.

Naquela manhã, havia fotografias para editar e uma nova sessão marcada.

Ela conferiu a câmera, separou as lentes e guardou o equipamento na bolsa. Antes de sair, voltou para buscar o carregador que havia esquecido sobre a mesa.

Depois precisou retornar mais uma vez para pegar as chaves.

— Excelente começo de dia — resmungou.

Ao sair do prédio, encontrou a rua já congestionada. Um ônibus estava parado no ponto, e vários passageiros tentavam entrar ao mesmo tempo.

Yanne apressou o passo.

O transporte partiu quase imediatamente depois que ela conseguiu embarcar.

Durante o trajeto, tentou revisar mentalmente as tarefas do dia, mas acabou pensando no disco roubado.

Quem o recebera?

O que havia nele?

E por que alguém estava disposto a contratar criminosos tão especializados para obtê-lo?

Yanne afastou os pensamentos. Não podia investigar durante o expediente, muito menos enquanto precisava cumprir um trabalho que pagaria suas despesas.

Quando chegou ao local combinado, Penélope já a esperava.

— Você está atrasada.

Yanne consultou o relógio.

— Dois minutos.

— Dois minutos também são atraso.

— Bom dia para você também.

Penélope ignorou a observação e apontou para os objetos organizados na sala.

— Preciso de fotografias novas. As anteriores não ficaram exatamente como eu esperava.

Yanne respirou fundo e preparou a câmera.

— Certo. Vamos começar.

A sessão ocupou boa parte da manhã. Penélope pediu mudanças na iluminação, alterações no enquadramento e novas versões de imagens que Yanne já considerava satisfatórias.

Em alguns momentos, a fotógrafa precisou conter a irritação.

Ela sabia que precisava manter o profissionalismo, mas também sabia que, se demorasse demais, poderia comprometer os outros compromissos do dia.

Ao meio-dia, ainda havia imagens para revisar.

Yanne olhou para o relógio e percebeu que mal tivera tempo de comer.

Ser fotógrafa parecia simples para quem via apenas o resultado final. Na prática, exigia paciência, equipamento, planejamento, deslocamento e a capacidade de continuar trabalhando mesmo quando o cliente não estava satisfeito.

E, naquela cidade, até chegar a um compromisso podia se transformar em uma pequena aventura.

Cena 3 — Fiona Reists, 7h05

Fiona Reists despertou com o som de uma notificação no celular.

Por alguns segundos, permaneceu imóvel, tentando lembrar por que precisava levantar tão cedo.

Então viu o horário.

— Não, não, não...

Saiu da cama, preparou-se rapidamente e tomou um café às pressas. Antes de sair, verificou se havia colocado a carteira e as chaves na bolsa.

Dessa vez, não precisou voltar para buscá-las.

Considerou isso uma vitória pessoal.

Fiona trabalhava em uma loja de conveniência de uma avenida movimentada de Grande Centro Trade. O estabelecimento recebia trabalhadores, estudantes, motoristas e moradores que precisavam comprar alguma coisa antes de seguir para seus compromissos.

Quando chegou, encontrou algumas caixas de mercadorias esperando para serem organizadas.

— Bom dia — cumprimentou o colega que estava terminando o turno.

— Bom dia. O sistema travou duas vezes e o fornecedor chegou atrasado.

Fiona olhou para as caixas.

— Claro. Porque seria pedir demais ter uma manhã normal.

O colega sorriu, pegou sua bolsa e foi embora.

Fiona amarrou o avental e começou a organizar os produtos. Conferiu as etiquetas, abasteceu as prateleiras e verificou as datas de validade de algumas mercadorias.

Pouco depois, os primeiros clientes começaram a chegar.

Um homem comprou café e reclamou do trânsito. Uma mulher pediu ajuda para encontrar um produto que havia mudado de lugar. Um entregador apareceu perguntando se poderia usar uma tomada para carregar o telefone.

Fiona tentou atender a todos sem deixar a fila crescer.

Então o caixa travou.

Ela apertou algumas teclas, esperou e tentou novamente.

Nada.

Olhou para a fila que começava a se formar.

— Pessoal, só um instante.

Um cliente suspirou alto.

Outro consultou o relógio.

Fiona chamou o gerente, que respondeu pelo telefone com instruções pouco úteis.

— Já tentei isso — disse ela.

— Tente novamente.

Fiona respirou fundo.

— Claro. Porque o caixa provavelmente vai se sentir mais motivado na segunda tentativa.

Apesar da irritação, continuou trabalhando até conseguir reiniciar o sistema.

Quando o atendimento voltou ao normal, ela já estava atrasada para organizar a próxima entrega.

A manhã seguiu entre tarefas repetitivas, reclamações e pequenos problemas que precisavam ser resolvidos imediatamente.

Ninguém naquela loja sabia que Fiona era Harpia Negra, uma heroína capaz de voar sobre a cidade e enfrentar criminosos perigosos.

Para os clientes, ela era apenas a funcionária que precisava encontrar o produto certo, registrar a compra e manter o balcão organizado.

E, naquele momento, isso já era trabalho suficiente.

Cena 4 — Darla Parizza, 7h20

Darla Parizza acordou quando o despertador tocou pela terceira vez.

Abriu um olho, estendeu a mão e desligou o aparelho.

Depois olhou para o horário.

— Estou atrasada.

Levantou-se de uma vez, tropeçou na própria mochila e precisou voltar para buscar um caderno que havia deixado sobre a mesa.

Seu cabelo ruivo curto estava desalinhado, e ela tentou arrumá-lo diante do espelho enquanto escovava os dentes.

Na cozinha, pegou alguma coisa para comer e conferiu o calendário acadêmico no celular.

Havia uma aula pela manhã e um trabalho que precisava entregar. Também tinha anotações pendentes de uma disciplina e uma mensagem de uma colega perguntando se ela havia terminado a parte de um projeto em grupo.

Darla respondeu que terminaria durante o intervalo.

A colega enviou uma mensagem imediatamente:

Você disse isso ontem.

Darla digitou:

E continuo comprometida com a promessa.

Guardou o telefone antes que chegasse uma resposta pior.

A universidade ficava em uma região movimentada, e Darla precisou atravessar parte do campus quase correndo. Quando entrou na sala, a aula já havia começado.

O professor interrompeu a explicação.

— Senhorita Parizza, que bom que decidiu se juntar a nós.

— Também estou feliz por estar aqui, professor.

Alguns estudantes riram discretamente.

O professor apontou para um lugar vazio.

— Sente-se, por favor.

Darla obedeceu.

Durante a aula, tentou se concentrar, mas sua mente alternava entre o conteúdo acadêmico e a lembrança da missão da noite anterior.

Ela sabia que não podia continuar tratando a universidade como uma obrigação secundária. Ser Mascaradinha não a dispensava de estudar, cumprir prazos ou assumir responsabilidades.

Além disso, não queria depender dos outros para resolver os próprios problemas.

No intervalo, encontrou colegas na área de convivência e abriu o material do trabalho.

— Você trouxe sua parte? — perguntou uma delas.

Darla hesitou por um segundo.

— Trouxe uma parte.

— Darla...

— Uma parte significativa.

A colega cruzou os braços.

— Você ainda não terminou.

— Estou trabalhando nisso.

Apesar das brincadeiras, Darla sabia que a colega tinha razão. Sentou-se com ela e começou a revisar as anotações.

Pela primeira vez naquela manhã, deixou o celular de lado e se concentrou inteiramente no trabalho.

Conseguiu avançar bastante antes que o intervalo terminasse.

Não resolveu tudo, mas pelo menos já não estava tão atrasada.

Ao voltar para a sala, guardou o material e respirou fundo.

Ainda tinha muito a fazer.

E, quando o dia terminasse, precisaria decidir se conseguiria descansar ou se passaria mais algumas horas estudando.

A vida universitária não era exatamente a aventura que imaginara.

Mas era parte da vida que precisava construir.

Cena 5 — Rose Becky, 8h00

Rose Becky chegou ao laboratório alguns minutos antes do horário previsto.

Usava roupas adequadas para o ambiente de trabalho, carregava sua bolsa e já tinha conferido as tarefas que deveria realizar naquele dia.

Como estagiária, precisava aprender os procedimentos, auxiliar a equipe e cumprir as atividades que lhe eram delegadas. Gostava de trabalhar com tecnologia e pesquisa, mas sabia que ainda tinha muito a aprender.

Ao entrar, cumprimentou os colegas e guardou seus pertences.

— Bom dia, Rose — disse um dos pesquisadores. — O supervisor pediu para você revisar os dados de ontem.

— Certo. Vou começar por eles.

Rose sentou-se diante do computador e abriu os registros.

O trabalho exigia atenção. Ela precisava conferir valores, verificar se as informações estavam organizadas corretamente e identificar qualquer inconsistência antes de encaminhar os arquivos.

Enquanto analisava uma planilha, percebeu que duas medições não coincidiam com os resultados anteriores.

Anotou a diferença e conferiu os registros novamente.

A variação era pequena, mas ela preferia ter certeza antes de concluir a tarefa.

Quando o supervisor se aproximou, Rose explicou o que havia encontrado.

— Pode ser apenas uma diferença de leitura — disse ele.

— Pode ser. Mas aparece em duas medições diferentes.

Ele observou a tela.

— Registre a ocorrência e encaminhe o relatório. Não podemos atrasar a entrega.

— Entendido.

Rose voltou ao trabalho.

Não era fácil ser estagiária. Às vezes, recebia tarefas que pareciam simples, mas exigiam horas de conferência. Em outras ocasiões, precisava interromper o que estava fazendo para ajudar em uma atividade urgente.

Naquela manhã, um equipamento apresentou um problema de configuração. Rose foi chamada para auxiliar na verificação e passou boa parte do tempo seguindo os procedimentos de diagnóstico.

Quando finalmente conseguiram resolver a falha, ela percebeu que ainda não havia feito sua pausa.

Olhou para o relógio.

— Já passou das onze?

Um colega confirmou.

Rose soltou o ar lentamente.

— Preciso melhorar minha relação com o tempo.

— Boa sorte — respondeu ele. — Eu tento há anos.

Ela riu e foi buscar algo para comer.

Durante a pausa, recebeu uma mensagem de Yanne perguntando se havia conseguido avançar na investigação do disco.

Rose respondeu que ainda não encontrara nada conclusivo.

Guardou o celular e voltou ao laboratório.

Gostava do que fazia. Queria aprender, ganhar experiência e conquistar espaço profissionalmente.

Mas também precisava aprender a equilibrar suas responsabilidades com a vida que existia fora dali.

Mesmo quando era difícil.

Cena 6 — Anne Unga, 8h12

Anne Unga já estava na delegacia quando o movimento começou a aumentar.

Como escrivã e policial, sua rotina envolvia muito mais do que atender ocorrências. Era necessário conferir documentos, registrar depoimentos, organizar informações e garantir que os procedimentos fossem cumpridos corretamente.

Ao sentar-se diante do computador, encontrou uma lista de pendências que parecia maior do que no dia anterior.

— Isso não pode estar certo — murmurou.

Abriu o primeiro registro.

Havia informações incompletas que precisavam ser verificadas. No segundo, faltava uma assinatura. O terceiro exigia uma consulta a outro setor.

Anne apoiou os dedos sobre o teclado.

— Um de cada vez.

Começou pelo documento mais urgente.

Pouco depois, um colega se aproximou.

— Anne, você consegue conferir este registro?

Ela estendeu a mão.

— Deixe comigo.

Leu o documento, comparou os dados e percebeu que algumas informações precisavam ser corrigidas.

— Quem preencheu isso?

— Não sei. Recebi assim.

Anne ergueu os olhos.

— Precisamos confirmar os dados antes de encaminhar. Não vou assinar um registro incompleto.

O colega concordou e foi buscar a informação que faltava.

Anne voltou ao computador.

O telefone tocou. Um cidadão precisava de orientação sobre uma denúncia. Ela explicou o procedimento, anotou as informações necessárias e encaminhou a pessoa ao setor responsável.

Antes de terminar, recebeu outra solicitação.

Depois outra.

O trabalho policial tinha momentos de urgência, mas também dependia de tarefas burocráticas que não podiam ser ignoradas. Uma informação registrada de forma errada poderia prejudicar uma investigação ou dificultar o atendimento de alguém que precisava de ajuda.

Anne conhecia bem essa responsabilidade.

Por isso, mesmo quando a pressão aumentava, tentava manter a atenção nos detalhes.

Perto do meio-dia, conseguiu concluir parte das pendências. Ainda havia documentos esperando por ela, mas pelo menos a lista começava a diminuir.

Pegou uma garrafa de água e consultou o celular.

Havia uma mensagem de Darla perguntando se alguém poderia ajudá-la a estudar mais tarde.

Anne respondeu:

Posso tentar. Mas primeiro preciso sobreviver ao meu expediente.

Darla respondeu com um emoji de risada.

Anne guardou o aparelho e voltou ao trabalho.

Naquela manhã, não havia enfrentado criminosos em um combate espetacular. Não havia saltado de telhados nem impedido uma fuga.

Ainda assim, estava fazendo algo importante.

Estava ajudando a manter a cidade funcionando.

Cena 7 — Uma cidade cheia de pequenos problemas

Ao longo do dia, Grande Centro Trade continuou avançando em seu ritmo acelerado.

As avenidas ficaram congestionadas, os transportes públicos circularam lotados e as pessoas atravessaram as ruas com a pressa de quem tinha sempre algum lugar para chegar.

Em uma área comercial, comerciantes discutiam sobre o aumento dos custos. Em um ponto de ônibus, passageiros reclamavam dos atrasos. Em Centro Desativado, uma equipe municipal isolava parte de uma construção deteriorada.

A cidade não estava em guerra.

Não havia uma ameaça extraordinária em cada esquina.

Mas isso não significava que tudo funcionasse bem.

Havia pessoas cansadas, trabalhadores tentando cumprir suas metas, estudantes preocupados com o futuro e funcionários públicos lidando com recursos limitados.

E, em meio a tudo isso, cinco mulheres tentavam viver suas próprias vidas.

Yanne passava a tarde selecionando fotografias, corrigindo pequenos detalhes e respondendo às solicitações de Penélope. Quando finalmente terminou uma sequência de imagens, recebeu uma nova mensagem pedindo alterações em parte do material.

Ela fechou os olhos por um instante.

— Claro. Mais uma revisão.

Fiona continuava atendendo clientes e organizando mercadorias. O movimento aumentou durante o horário de almoço, e ela precisou ajudar a resolver uma divergência no estoque antes de conseguir sentar por alguns minutos.

Darla voltou às aulas e dedicou parte do intervalo ao trabalho acadêmico. Ainda não havia terminado tudo, mas já conseguia enxergar uma maneira de cumprir o prazo.

Rose concluiu a revisão dos dados do laboratório e encaminhou o relatório. Antes de sair para uma nova tarefa, anotou as instruções do supervisor para o dia seguinte.

Anne passou boa parte da tarde organizando documentos e auxiliando no registro de ocorrências. Quando finalmente conseguiu fazer uma pausa, percebeu que havia passado horas sem olhar para o relógio.

Todas tinham motivos diferentes para estarem cansadas.

E todas tinham coisas que ainda precisavam resolver.

A vida civil não era apenas um disfarce que vestiam para esconder suas identidades. Era a parte da vida que precisavam preservar, mesmo quando as missões ocupavam suas noites.

Cena 8 — O fim do expediente não significa descanso

No final da tarde, Yanne deixou o local de trabalho com a câmera guardada e a promessa de enviar as últimas imagens ainda naquela noite.

Fiona terminou o expediente e conferiu se as prateleiras estavam organizadas antes de passar o serviço ao próximo funcionário.

Darla saiu da universidade com a mochila pesada e a cabeça cheia de anotações. Ainda precisava terminar o trabalho acadêmico, mas decidiu comprar alguma coisa para comer antes de voltar para casa.

Rose encerrou suas atividades no laboratório e conferiu o horário do transporte. Seu supervisor havia deixado novas instruções para a manhã seguinte, e ela anotou tudo no celular para não esquecer.

Anne concluiu os registros mais urgentes na delegacia e se preparou para ir embora. O trabalho ainda não estava completamente terminado, mas algumas tarefas precisariam esperar pelo próximo turno.

Ao longo do dia, nenhuma delas tivera tempo de pensar muito sobre a missão da noite anterior.

O roubo do disco continuava sem solução, mas as obrigações cotidianas não podiam ser adiadas indefinidamente.

Quando Yanne finalmente chegou em casa, deixou a bolsa sobre uma cadeira e abriu o computador para concluir o trabalho de fotografia.

Enquanto isso, Fiona preparava algo rápido para comer. Darla tentava estudar sem adormecer sobre o caderno. Rose organizava as anotações do laboratório. Anne, já em casa, revisava mentalmente as pendências que precisaria resolver no dia seguinte.

O relógio avançou.

A cidade começou a se iluminar novamente.

E, pouco a pouco, as cinco perceberam que o dia comum estava chegando ao fim.

Yanne enviou as fotografias para Penélope e fechou o computador.

Fiona terminou de comer.

Darla concluiu mais uma parte do trabalho acadêmico.

Rose separou o material que levaria ao laboratório na manhã seguinte.

Anne deixou os documentos pessoais organizados para não perder tempo ao acordar.

Nenhuma delas teve um dia perfeito.

Nenhuma conseguiu resolver tudo.

Mas todas fizeram o que podiam para continuar.

Cena 9 — O próximo encontro

Mais tarde, Yanne recebeu uma mensagem no celular.

Era Rose.

Consegui terminar a revisão dos registros da investigação. Não encontrei nada conclusivo, mas quero mostrar o que organizei.

Yanne respondeu que iria ao quartel assim que pudesse.

Logo depois, Fiona avisou que já estava em casa. Anne confirmou que havia terminado o expediente. Darla informou que ainda precisava concluir uma parte do trabalho acadêmico, mas tentaria comparecer.

Yanne observou as mensagens e sentiu o peso da rotina mais uma vez.

No dia anterior, elas haviam enfrentado o Trio Tê e falhado em impedir que o disco fosse entregue. Agora, depois de uma jornada inteira de trabalho, estudo e responsabilidades, precisariam voltar à investigação.

Não seria fácil.

Mas nenhuma delas havia entrado para o Oráculo esperando uma vida simples.

Yanne desligou o celular por alguns minutos e foi tomar banho.

Depois separou o que precisaria levar ao quartel e conferiu se as fotografias haviam sido enviadas corretamente.

Antes de sair, olhou para o próprio reflexo no espelho.

Ali estava Yanne Pennyhills: fotógrafa, profissional, uma mulher tentando manter a vida em ordem.

Mais tarde, voltaria a ser Mascarada.

Fiona Reists voltaria a ser Harpia Negra.

Darla Parizza voltaria a ser Mascaradinha.

Rose Becky voltaria a ser Sentinela.

Anne Unga voltaria a ser Alertta.

Mas nenhuma delas deixaria de ser quem era fora das máscaras.

E essa talvez fosse a parte mais difícil de tudo.

Porque, em Grande Centro Trade, não bastava salvar a cidade durante a noite.

Era preciso acordar na manhã seguinte e continuar vivendo nela.