Total Eclipse of the Heart
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Quem é a doida que nem termina uma história e já vem postando outra? Eu!!
Mas a coisa é que essa já estava quase toda escrita. Na verdade, quem me acompanha das fanfics de THG, vai notar que postei algo muito semelhante em uma das coletâneas que participo. Relaxem, não tem ninguém plagiando. Na verdade, essa história foi escrita Olicity, mas acabei adaptando para postar lá, mas agora estou reescrevendo, aumentando alguns detalhes e transformando, o que foi uma one, uma uma short fic levemente musical. Espero que gostem e deem aquela velha chance para o enredo.
Enfim, capítulo teste para ver se agrada. Nos vemos nas notas finais!! Boa leitura!!
I don't know what to do,
I'm always in the dark.
Living in a powder keg and giving off sparks.
.
A emergência estava uma loucura, e tudo naquela manhã parecia conspirar para um desastre. Macas eram arrastadas, pacientes chegando, sendo transferidos, gritando de dor ou apenas fazendo o tão conhecido e odiado drama. Mal havia começado o plantão e Diggle iria surtar. Ainda havia a bendita festa beneficente à noite e o tal do eclipse solar que havia virado notícia nas últimas horas. Tudo que o chefe de cirurgia Hospital Geral de Star City não precisava era de vinte minutos inteiros de escuridão no meio daquele dia dos infernos.
John Diggle só ocupava as funções na chefia há seis meses, e já não aguentava mais ter de que lidar com o problema de sempre, que não por acaso também eram seus amigos. O gigante negro soltou um suspiro profundo antes de bipar os dois médicos e caminhar em direção ao quarto da paciente da vez.
― Doutora Queen, você comigo ― chamou a morena magrinha e de grandes olhos verdes, que franzia a testa e tentava entender um prontuário, estando debruçada sobre a bancada do posto de enfermagem.
― Diga, chefe. ― Ela o acompanhou caminhando rápido e fazendo uma continência desnecessária, que só não o irritou ainda mais, porque este tinha problemas maiores pra lidar do momento.
― Temos uma paciente VIP no 207, preciso de um cirurgião ortopédico e eu não estou com paciência pro seu irmão hoje ― explicou, e a residente fez uma careta. Ela também não estava com paciência para Oliver. ― Também preciso de uma cirurgiã vascular, então você pode imaginar a confusão que estou criando.
― E você me chama pra encarar Oliver e Felicity juntos num cubículo de 2x2m? Me manda pra triagem, patologia, mas isso não! ― ela suplicou inutilmente com as mãos em prece, o que arrancou um pequeno sorriso do homem. Residentes eram engraçados, às vezes.
― Eu preciso de alguém que impeça que eles se esfaqueiem com os bisturis, você é a mais indicada ― ele detalhou mais o porquê de sua escolha. ― Você e Felicity não são amigas?
― Somos, desde que não envolva o Ollie ― Thea retrucou emburrada. ― E existe uma dezena de ortopedistas aqui, por que ele?
― Como disse, é uma paciente VIP, e se isso de complicar, vou precisar do melhor. ― A caçula dos Queen cruzou os braços e fez um biquinho de birra. Ela não tinha argumentação contra aquilo, seu irmão podia ser um pé no saco, mas era mesmo o melhor no que fazia.
― Qual é o caso? ― perguntou rendida, já sabendo que Diggle não desistiria. Se Oliver e Felicity eram teimosos, John tinha que ser bem mais para suportá-los.
― Sara Lance, lutadora, 26 anos, lesão na perna direita em um acidente de moto.
― Lance, tipo a antipática da Laurel?
― Sim, irmã da nossa querida obstetra. ― O chefe não segurou a risada ao elucidar o parentesco. ― E a garota ainda tem uma luta em dois meses, precisa se recuperar a tempo. Entendeu porque preciso dos dois nessa?
Thea já havia aceitado que seu dia naquele caso seria péssimo, quando uma lembrança lhe atingiu.
― Mas hoje é dia de eclipse solar! Traz mal presságio colocar personalidades como de Oliver e Felicity para trabalhar juntos!
― Queen, não temos tempo de pensar nisso! ― a censurou. ― E se quer minha opinião sincera, o que traz mal presságio é a safadeza do seu irmão com a mania de controle da sua amiga.
― Eu vou querer umas folgas depois de hoje! ― a baixinha ralhou, mas se encaminhou em direção ao quarto, com o tablet que Diggle lhe entregou em mãos. ― Bom dia, sou a... Ei, eu te conheço! ― A reação foi tão espontânea e genuína que, mesmo um pouco grogue da medicação, Sara riu. ― Você não ganhou a luta da temporada ano passado? Meu Deus, meu namorado é obcecado por você!
― Obrigada, eu acho. Essa é a médica que vai salvar minha perna? ― A última pergunta foi pra John Diggle, que tinha acabado de entrar no quarto.
― Ela vai ajudar. Na verdade, eles estão chegando... ― Nesse momento, Felicity entrou. O sorriso no rosto tentava disfarçar o aspecto cansado de quem já estava tirando um plantão duplo, feito três cirurgias e ainda tinha muitas horas de trabalho pela frente. ― Sara, essa é a doutora Smoak. Ela é a melhor cirurgiã vascular da cidade e vai garantir que sua perna volte ao normal o mais rápido possível.
― Linda assim, e ainda competente? Como só te conheço agora, doutora? ― Os analgésicos estavam fazendo efeito, e como se ainda fosse possível, Sara estava com a língua mais solta. Felicity sentiu as bochechas enrubescerem com o galanteio inesperado.
― Nosso chefe gosta de se gabar dos seus funcionários. ― A médica se aproximou do leito, estendendo a mão à paciente. ― Pode me chamar de Felicity.
― Pode me chamar de solteira ― a loira respondeu de volta, dando uma piscadela à jovem cirurgiã.
― 'Tá arrasando, hein, Fel? ― Thea deu uma cotovelada amistosa no braço da amiga. ― Isso é pra você não se queixar mais de não ter companhia.
― Eu tenho companhia, Thea. ― Felicity disfarçou com um sorriso sussurrando de volta.
― Você sabe que a Netflix e seu cachorro não são seres humanos, não sabe?!
― Por que ainda sou sua amiga, Queenzinha?
― Pra não perder oportunidades de me ver, é claro. ― A voz soou da entrada, e Felicity fechou os olhos com força, acreditando que aquilo era apenas um pesadelo e logo ela acordaria na sala de repouso. ― Como vai, doçura?
Sara abriu a boca observando o belo ser masculino à sua frente, que tinha o sorriso zombeteiro no rosto, o olhar azulado provocativo para a outra médica, que sequer se deu ao trabalho de olhar para trás.
― Me diz que esse também é meu médico!
― Você não é gay? ― Thea questionou realmente confusa, mordendo o bocal de sua caneta.
― Doutora Queen, discrição! ― John pediu.
― Fiquei confusa, oras. ― A mais nova deu de ombros.
― Não me prendo a limitações, doutorinha ― Sara explicou. ― Mas ele é?
― Muito prazer, doutor Oliver Queen, melhor cirurgião ortopédico do Estado. ― Felicity não pôde conter seus olhos de rolarem por trás dos óculos. Maldito narcisista! ― Meninas, eu assumo daqui ― ele continuou, não dando a mínima ao fato de todos ali terem ignorando sua arrogância.
― Na verdade, o caso é de vocês três. Qualquer coisa, me chamem. ― Dig soltou a bomba e saiu do quarto, deixando Oliver e Felicity perplexos.
― Ei, Ei! Eu não vou trabalhar com ele! ― Felicity foi a primeira a sair do choque e correr para alcançá-lo, logo na saída, seguida de perto por Oliver. ― Temos um acordo, John.
― Sara precisa de você. Precisa dos dois.
― Eu não me importo! ― o médico retrucou. ― Não é só que eu não queira, mas é humanamente impossível alguém fazer algo produtivo ao lado dessa loirinha encrenqueira.
― Encrenqueira é a sua avó! ― Foi a vez de Felicity bradar. ― E já havíamos conversado, John. Eu continuaria no hospital se não fosse obrigada a trabalhar com esse aí.
― Vocês dois tinham um acordo nas minhas costas? ― Oliver gritou, se dando conta que o tal acordo antes citado era de fato algo formal entre eles, e nas suas costas, então logo ficou possesso.
O acordo tinha sido formado anos atrás. Felicity havia acabado de terminar a residência e tinha uma dezena de propostas de emprego, mas o diretor não queria perdê-la, principalmente pelo fato de que isso aconteceria apenas por um ato de cafajestagem de Oliver. Diggle era o chefe da cirurgia geral na época, e, por ser amigo de Felicity, e ter sido um de seus mentores, ajudou a mediar o bendito acordo.
― Claro que eu tinha um acordo! ― ela também elevou a voz. Felicity não era de fazer escândalo, muito menos na emergência do seu local de trabalho, mas Oliver tinha o dom de a levar na borda. ― Acha que eu me arriscaria a ter que dirigir a palavra a você, peste?
― O tanto que você se esforça pra se afastar só pode ser muito amor reprimido e saudades dos nossos domingos nus ― o loiro provocou.
― Argh! ― Felicity berrou. ― Idiota!
― Já chega, os dois! ― Foi a vez de Diggle vociferar. Ele também não era adepto desse tipo de comportamento, mas se deixasse, Oliver e Felicity ficariam nessa discussão para sempre. ― Eu sei do acordo, sei das briguinhas de vocês, e também sei do maldito eclipse, Thea! ― o diretor quase gritou pra residente que já erguia a mão pra falar. ― Mas vocês não se formaram em medicina para serem assunto de fofoca em hospital, muito menos para trabalhar apenas com o que lhe convém. Aquela garota lá dentro é uma lutadora que precisa dos melhores, e esses são vocês, os dois. ― Apontou os indicadores para ambos. ― Então engulam a marra e ressentimento e vão trabalhar! Me avisem quando marcarem a cirurgia, e que seja ainda hoje. ― E saiu.
Felicity sentiu os olhos umedecerem enquanto encarava perplexa seu chefe se afastando. Ela não queria passar um minuto sequer com Oliver, não era apenas marra, a companhia do ortopedista a fazia sofrer. Sofrer pelas boas lembranças que haviam tido juntos e que ele desperdiçou quando dormiu com sua colega residente. Helena não estava mais ali, mas ele sim, e ainda era doloroso demais para ter que lidar com horas em uma sala de cirurgia.
― Você fez mesmo um acordo? ― O humor dele voltou ao modo brincalhão-safado e o médico abriu seu maior sorriso para Felicity, que respirou fundo engolindo o quase-choro para esconder seus sentimentos.
― Argh! ― A loira grunhiu, pegando o tablet das mãos de Thea e voltando ao quarto da paciente, sendo seguida pelos dois Queens. ― Então, Sara, pode me dizer o que houve?
― Eu que quero saber o que houve aqui! Me deixa adivinhar: ex namorados? ― A lutadora apontou para os dois médicos. ― Foi traição? Mentiras? Ciúmes?
― Eu te conto a história toda de como a Fê me deu um pé na bunda quando arrumarmos sua perna, pode ser? ― Oliver desconversou e praticamente roubou o tablet das mãos de Felicity. ― Sara, estou vendo aqui que você teve uma fratura bem grave na perna, quebrou os dois ossos e rompeu vasos importantes.
― Foi o que o médico bonitão de ontem à noite me disse. Aliás, existe algum processo seletivo de beleza aqui? Todo mundo parece o elenco de uma série de TV!
― Eu adorei você! ― Oliver exclamou, jogando seu costumeiro charme para a paciente. ― E não se preocupe, posso consertar, e com dedicação e fisioterapia adequada, você se recupera logo. Felicity vai cuidar de arrumar seus vasos sanguíneos e tudo vai voltar ao normal antes que perceba ― assegurou. ― Algo a acrescentar, doutora Smoak?
― Vou pedir mais uns exames e venho logo te ver, Sara. Tudo vai dar certo, não se preocupe. ― Felicity apertou gentilmente a mão de Sara e acompanhou Oliver para fora do quarto. ― Doutora Queen, pode vir conosco? ― chamou a Thea, que acenou uma despedida, fazendo uma nota mental de voltar ali e pedir um autógrafo de Sara para Roy, seu namorado.
― Eu vou ser a pessoa que vai ficar andando entre os dois para não brigarem? Sabem que tenho mais o que fazer, não é?!
― Mais um comentário desses e te dou peteleco que você vai parar do outro lado da emergência.
― Me respeita, Ollie, aqui sou tão médica quanto você! ― A mais nova colocou as mãos na cintura numa pose autoritária.
― Não, Speedy, aqui você é uma residente do segundo ano sujeita às minhas ordens.
― Ok, chega os dois. Thea, peça uma angiografia de contraste, repete os exames de sangue e suspende a dieta. Pede também uma ressonância magnética e agenda o uso do ultrassom com doppler, esse eu mesmo faço. Acho que só, por enquanto. ― Felicity assinou as autorizações e lhe devolveu o tablet. ― Algo a acrescentar, doutor Queen? ― questionou ironicamente para o homem, que não conseguiu evitar um pequeno sorriso, mesmo involuntário.
Ela havia mudado tanto desde que terminaram, e estava tão mais linda e confiante. Ele sabia como ela havia se tornado a melhor e mais jovem cirurgiã vascular do hospital, mas desde o término, eles sequer se falavam. As provocações e brigas nos corredores e sala de repouso não contavam como conversa.
― Nada a acrescentar, doutora, me avise quando os resultados chegarem ― pediu antes de sair de perto delas. Felicity observou as costas largas dele se afastarem. Deus, ela amava aquelas costas, e amava como ele ficava incrivelmente mais bonito com as roupas bordô do uniforme hospitalar.
― Eita. ― Thea olhava preocupada de um para o outro.
― Oi? “Eita” o quê?
― Isso vai dar uma merda! Eu achava que ia ser ruim só por causa do eclipse, mas depois desses olhares...
― Que olhares, Thea, 'tá maluca?
― Você encantou o meu irmão de novo, e pelo jeito, nunca esqueceu o bastardo. ― O rosto de Felicity aqueceu por ser pega em flagrante. Outro motivo para manter a distância de Oliver: esses sentimentos sem noção aflorarem de volta.
― Não viaja, estou saindo com o Ray, lembra? ― desconversou. ― O cara legal, bonito e o mais importante, não-médico! Quero distância do tipo de Oliver, estou vacinada.
― Eu até acredito que queira, mas hoje é dia de eclipse, amiga. As coisas podem ficar meio doidas por aqui ― Thea falou solenemente.
― Doidas?
― Há mais de uma lenda sobre isso, inclusive uma que diz que a escuridão traz eventos sobrenaturais que não podemos controlar. ― Felicity franziu o cenho, entendendo cada vez menos da conversa, sua curiosidade patológica sendo despertada.
― 'Tá, me pescou. Qual a lenda?
― Existem muitas, orientais, africanas, europeias, sul-americanas, mas se eu fosse você, me preocuparia com a que diz que nos minutos que a lua encobre o sol e o dia se escurece, o tempo e espaço ficam fora de controle. E vocês dois têm muita coisa não resolvida para passarem por isso sem uma morte no final. ― O tom super sério da residente foi quebrado pelas gargalhadas de Felicity.
― Você é mesmo maluca! Somos médicas, logo, cientistas, Thea, não temos tempo pra acreditar nessas coisas. ― Afagou o ombro da amiga com carinho. ― Quando os resultados chegarem ou a sala de exames ficar disponível, você me avisa. Vou ver meus outros pacientes.
― Ok. E só pra você saber, o eclipse total vai durar vinte minutos, a partir das duas da tarde.
Notas finais
Só pra constar, amo histórias em hospitais (Olá fãs de Grey's Anatomy, Saving Hope e Chicago Med!) e não poderia deixar de escrever uma Olicity em algum ponto. Também amo desses casais que tem boas brigas, e esses dois... Só preparem-se, muito bate boca (em todos os sentidos) ainda vem por aí. Isso, claro, se vocês quiserem.
Até os reviews!! Bjs*
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