Total Drama: Tudo ou Nada Brasil!
5 Treta no Ibira
Notas iniciais
Aeroporto Zumbi dos Palmares, Alagoas, oito da manhã. A câmera filma o saguão pouco movimentado no início da manhã e foca no apresentador que aguarda a chegada das equipes.
— Sejam bem vindos! Depois de uma dura competição no “Caribe”, nossos queridos competidores descansaram no resort, mas não por muito tempo, pois foram acordados de madrugada para encararem uma viagem de mais de duas horas de ônibus até aqui. E lá vêm eles!
Novamente a câmera filma os participantes correndo em direção a Caixa próximo à bandeira do programa. Os primeiros a pegar a dica foram Os Desempregados;
— Pegue seu guarda-chuva, pois a meteorologia promete garoa – leu Alice.
— Exatamente desempregada! – a voz do apresentador soou pelos alto falantes do saguão surpreendendo a todos – Para mais informações dirigiam-se ao guichê laranja – terminou.
— Bom dia! – sorri Olávio ao recebê-los.
— Bom dia nada! – responde Vera coçando os olhos – Me acordaram às quatro horas da madrugada pra pegar ônibus!
— Mas tem males que vem para o bem – riu dando permissão para que pegassem suas passagens – Hoje vocês irão para a cidade grande! Para a terra da garoa, São Paulo!
— Aleluia! – exclama Zebedeu – Não aguentava mais ver mato!
— Voo direto? – observa Diana – Tá melhorando! Breve quero primeira classe.
— Só quando for eliminada – cochicha Brianna.
Momentos depois, já no avião, as equipes rumam ao sudeste, aonde chegam ao Aeroporto de Congonhas depois de três horas de voo. No saguão a Caixa do Olávio os espera para liberar a dica.
— Sejam bem vindos a Sampa! São Paulo! A maior cidade do país, onde a selva é de concreto, o povo vive dentro do transporte, e o tempo muda em um piscar de olhos orientais. E é aqui que a competição vai começarparça! – diz sorridente sentindo o suor descer pelas têmporas, enquanto seu táxi enfrenta um engarrafamento quilométrico na abafada Avenida Vinte e Três de Maio.
Os Jogadores de Futebol são os primeiros a apertar o botão na cabeça do mini-Olávio que libera um bilhete único dourado.
— A Procura da Liberdade – lê André – Enfrente o trânsito de Sampa e encontre a Praça da Liberdade.
— Exatamente, perna de pau – diz Olávio saindo do táxi e chegando em uma praça cheia de barraquinhas de comida – Estamos no bairro oriental, na Praça da Liberdade, onde o desafio será feito. Utilizando nosso bilhete único VIP, eles deverão enfrentar o trânsito paulista e chegar aqui de alguma forma. Metrô, ônibus, táxi, moto até carroça!
— De novo? Transporte público não! – gritam Charlotte e Diana – Me elimina!
— Olha! Eles aceitam em tudo! Até táxi! – lê Mauro.
— Oi? Corre, Di! – alegra Charlotte correndo para a entrada do aeroporto, onde a maioria optou pelos táxis. As Testemunhas de Jeová e Os Sertanejos aceitam a promessa do motorista de maior conforto e rapidez ao destino, e vão em direção ao metrô da Conceição. Os Youtubers, Os LGBT, Os Desempregados e Os Otakus seguem em direção ao metrô São Judas. Os Militares pegam carona em uma viatura da polícia civil, Os Melhores Amigos e Os Funkeiros optam pelo mototáxi, enquanto os demais resolvem seguir direto no automóvel.
Com meia hora de jogo, no metrô Conceição, as duas equipes saem de seus táxis e quase descem rolando as escadarias. Seguindo as placas, passam pela catraca e entram, a tempo, em um vagão cheio.
— Será que vai encher mais? – cochicha Raimunda, vendo os Sertanejos colocarem óculos escuros como se tentassem se esconder de algo. A resposta veio na estação seguinte quando o vagão encheu de pessoas com malas e ela quase se perdeu do seu marido. Na mesma estação, as outras quatro equipes chegaram a tempo de serem empurrados junto com as outras dezenas de pessoas para o interior do vagão, que quanto mais avançava, mais a quantidade de passageiros que entrava era maior do que a que saia.
— Ih, desculpa aí! – lamenta Luis ao pisar no pé de alguém.
— Prestenção! – reclama a voz que revelou ser Raimunda.
— Mas quê isso? Donde tu surgiu Satã? – pergunta Tony vendo-a toda descabelada, mas com a bíblia na mão.
— Olha a boca, herege! Eu e Pastor Zebedeu quase fomos expulsos do trem, só por que estávamos trazendo a palavra.
— Até aqui? Dá um descanso pra Deus – pede Guilherme.
— Toda hora é hora pra trazer a palavra! – aumenta a voz fazendo os passageiros se irritarem.
— Fica quieta aí, varoa! – gritou alguém no vagão, fazendo Brianna rir.
— Viu. Tá doida pra ser jogada pela janela.
Afastados, Os Sertanejos tentavam ao máximo não chamar atenção, já que estavam cansados de fazer shows na cidade, e Os Otakus conferiam quantas estações faltavam para que o sufoco terminasse.
Nas motos, Os Funkeiros e Os Melhores Amigos receberam capacetes com câmeras e seguiam tranquilos pela avenida garantindo os dois primeiros lugares. Em terceiro, Capitão Guerra é paparicado pela polícia que lembra quando ele os ajudou anos atrás a prenderem um bandido na região de Capão Redondo. Nos táxis, a maioria acabou adormecendo no ar condicionado e no trânsito lento da cidade grande.
— Próxima estação, Paraíso. Acesso à linha 2 – informa a voz pelo alto-falante.
— Tá mais pra estação Inferno! Não cabe mais ninguém nessa lata de sardinha – irrita Alice.
— Só mais duas estações – respira fundo Luis.
— Que perturbação! – reclama Tony – Vai pastora! Vambora puxar um hino aí pra vê se melhora e esse povo sai. Cadê o pandeiro?
Quase uma hora depois de terem saído do aeroporto, Os Funkeiros e Os Melhores Amigos chegam a Praça da Liberdade. Depois de pagarem os mototaxistas, os quatro ouvem o som de sirenes e correm com medo de terem feito alguma besteira, mas eram só Os Militares. Em meio às barracas orientais, eles encontram a Caixa do Olávio junto a três bandeiras. O primeiro a alcançar a Caixa é Mateus, seguido de Isabella e Soldado Mello;
— Tudo em Um – lê o garoto – Des-Oriental-dos: Uma viagem as três potencias do oriente em plena Sampa.
— Exatamente, jovem aborrecente! – diz Olávio terminando de almoçar em um restaurante chinês — São Paulo é o estado com a maior quantidade de orientais do país, e é aqui que a batalha vai acontecer. Os participantes enfrentarão três desafios representando as três comunidades orientais do bairro da Liberdade. Representando o Japão, os participantes deverão comer trinta M&M’s — dehashi! – riu – Representando as Coréias, os participantes deverão jogar Tuho. Um jogo tradicional onde deverão fazer dez pontos jogando cinco flechas dentro do vaso distante dois metros! Que moleza! E por último, e o mais fácil de todos, representando a China, os competidores deverão... – gargalhou subindo em um caminhão e apertando um botão que fez a caçamba levantar — Encontrar dentro desses milhares de biscoitos da sorte, um bilhete dourado que levará a dupla para o próximo destino – ria vendo a quantidade aumentar no chão coberto por um plástico – Jiùmìng!
— Impossível! – irritou Mateus — Competição de comer pastel com caldo de cana não tem, né?
Nas ruas, a carreata de táxis em direção a Liberdade atrai a atenção dos transeuntes que temem sofrerem mais uma greve de taxistas. Enquanto que no subsolo o metrô finalmente chega à estação.
— Estação Liberdade – Anuncia a voz no alto falante.
— Liberdade mesmo,né non – comenta Tony disparando para as escadas.
Frequentadores assíduos da região, Os Otakus sabiam que o truque era ficar próximo a saída, e tomam a liderança, seguido dos Sertanejos que não são reconhecidos. Assim que alcançam a praça e desviam dos entregadores de panfletos, pesquisadores e vendedores de revistas, alcançam a Caixa e pegam suas dicas.
— Trinta M&M's ? — irritou-se Gabriel — Why, japanese people!? Why?
Quando os sete táxis estacionam, seus passageiros correm para pegar suas dicas e se juntam a mesa onde cada participante tem um pratinho com trinta confeitos coloridos, tudo sendo fiscalizado por quatro gueixas. A tentativa de comer os doces não ia bem, e para piorar parecia que cada confeito tinha um sabor diferente;
— Isso não é chocolate nem aqui nem na China! – cospe Diego que reclama quando uma gueixa coloca mais dois confeitos dentro do prato – Ei!
— Se você cuspir ou deixar cair, você ganha mais dois – disse a garota com um sorriso.
— E esse sotaque do interior, japa? – reclama o garoto indignado.
— De que buraco vocês tiraram isso? – indigna Vera cuspindo um confeito marrom longe.
— Vontade de pegar isso com a mão!
— Se controla Antônio – pede Martha vendo mais um confeito saltar longe e cair no chão.
Os Otakus, Os Youtubers, As Patricinhas e Os Esquisitos conseguem terminar sem problemas o desafio, diferente dos outros que, ou quebravam oshashis, ou não sabiam manuseá-los, ou estão ganhando mais M&M’s de sabores duvidosos. Já na segunda etapa, para cada para participante, vasos com aros ao redor da boca estão alinhados na calçada e são fiscalizados por cinco rapazes que pareciam ter saído de algum show deboy band. Ao ver os participantes se aproximando, logo abrem um sorriso e entregam as instruções do jogo;
— O Tuho é um jogo cujo objetivo é conseguir o maior numero de pontos acertando cinco flechas no interior ou nos aros na lateral do vaso – lia Lilith — Cada participante deve se revezar caso não consiga os doze pontos necessários. Acertando dentro ganha cinco pontos, acertando nos aros ganha um ponto – termina a garota notando que eram observados pelos rapazes – Acho que ele quer mais um pra dançar no grupo.
— Eu não danço – responde Lucio vermelho.
“- Ele sabe dançar sim – revela Lilith enquanto tenta completar o desafio.
— Mas não como uma minhoca sem cabeça – responde Lucio mais afastado conversando com o líder da boy band .
— Teu celular acessa aoyoutube? – pergunta ela para um coreano de cabelo cinza que lhe entrega o aparelho — Vejam”
Lilith acessa a internet e pelo celular o som de baterias em ritmo frenético, guitarras, e uma voz masculina em francês soou alto. A câmera focava as costas do rapaz que ainda conversava com o coreano e não demorou para que o ombro e os pés dele se mexessem acompanhando a música.
“-Viu? Por dentro ele tá dançando mais que sambista no carnaval do Rio de Janeiro.
— Desliga isso! – grita o rapaz”
Os Desempregados, Pai e Filho e Os Jogadores de Futebol são os próximos a se juntar para jogarem Tuho, que parece ser mais difícil do que imaginavam. A maioria acertava um aro ou fazia as flechas irem parar espalhadas na calçada.
— Pode isso? – gargalhou Douglas ao ver sua flecha quicar no seu vaso, dar duas piruetas no ar e cair em uma das argolas no vaso do lado. Ato que não foi aprovado pelo coreano.
— Droga só mais um e ganharíamos! – lamenta Guilherme dando a vez para que Lana jogasse – Esse vai pro nosso canal noyoutube – disse filmando a parceira jogando.
Mãe e Filha, Os LGBT e Os Índios são os próximos a se unirem no jogo, que é finalmente completado por Alice, Gabriel e Lucio que seguem para a última etapa. Os Índios, na primeira tentativa, arrancam palmas dos expectadores ao conseguir cinquenta pontos de uma única vez.
“ – Foi fácil – riu Quaraçá na sala de entrevistas com fundo oriental.
— Lógico! Caçamos todo santo dia assim – comenta Aruanã”
Os Militares sentem o amargo sabor dos M&M’s – e do último lugar — ao terminarem a segunda prova, enquanto Os Youtubers, Os Melhores Amigos, Os LGBT, Os Otakus e Pai e Filho passam para a fase três e se deparam com um cenário pós briga de algum filme do Jackie Chan no interior de uma fábrica clandestina na China. Onde encontram os primeiros competidores perdidos em meio a milhares de biscoitos da sorte fiscalizados por quatro ninjas. Um deles deu um salto olímpico duplotwist carpado e entregou um papel com as regras.
— Cuidado! Quebrar somente com as mãos, se quebrar com os pés ou qualquer outra parte do corpo, mais cinco biscoitos serão jogados na pilha – leu Tony – Jura, Diego Hypolito? Uma hora dessas? – disse ao ninja que saltou de volta para seu lugar – Tomara que caia de bunda de novo!
— Só queria saber quem falou que esses biscoitos são da China.
— Procura logo o papel, Douglas. Esse povo mal sabe diferenciar quem é chinês, coreano e japonês — respondeu Gabriel.
— Quem acredita sempre alcança – leu Luis quebrando um biscoito – Ah, valeu Renato Russo.
— Biscoito ou bolacha, eis a questão – leu Mateus.
— Vamos brincar de índio, mas sem mocinho pra me pegar – leu Aruanã – Isso é sério?
— A-achei fia! Vambora! – berrou Vera com farelo até nos cabelos agarrando a filha pelo braço e pisando em vários biscoitos, fazendo os ninjas jogarem mais à pilha – Toma, china – disse entregando o bilhete ao ninja que conferiu e deu lhe dica – Siga para o Mercado Municipal. Só isso?
— Sabe onde é? – perguntou a filha calçando a sapatilha.
— Nem sei onde tô!
Enquanto Mãe e Filha consultam um mapa, mais quatro equipes encontram seus bilhetes dourados e se dividem no caminho para o destino. As Patricinhas e Os Índios optam pelos taxis, e Os Melhores Amigos encontram dois mototaxistas japoneses para seguirem ao destino em suas kawasakis. Pai e Filho também conseguem sua dica e correm para um táxi seguindo Os Desempregados e Os Esquisitos.
—Darling, o que aquele coreano queria contigo? – pergunta Lilith retocando a maquiagem.
— Nada de mais. Ele queria saber onde compramos nossas roupas e... Se eu queria dançar no grupo dele.
— Ia ser interessante ver um brasileiro, moreno, fã dedark wave, dançandok-pop.
— Seria um desastre.
— Exatamente.
De volta ao desafio, Os Jogadores de Futebol e Os Sertanejos começam a se desentender com a falta de atenção em não pisar nos biscoitos. As Testemunhas de Jeová e A Velha Guarda encontram seus bilhetes enquanto que Os LGBT e Os Militares já estão até comendo os biscoitos. Por pouco não os engolem a dica.
— Vamos de moto, mona! – chama Tony se aproximando de um japonês – Quanto é até o Mercado Municipal?
— Tá me tirando? Não sou mototaxista não, valeu. Dois parça já foram pra lá meu – irrita o homem.
—Genten! Esse foi feito na China! É um japonês falso! – ri Tony – Para de graça e nos leva até lá! Te dou meu cartão de passagem.
— Tem quanto aí? – pergunta o rapaz interessado.
Tony olha de um lado para outro e no ouvido do rapaz sussurra:
— É ilimitado...
— Sobe aí.
— Que tudo! Vambora miga! Empina a bunda que ele vai nos levar!
Enquanto Os Militares são levados por uma viatura da polícia militar, Os Youtubers e Os Sertanejos entram em um táxi, Os Jogadores de Futebol correm para o metrô, Os Funkeiros chamam um mototaxi não oriental para chegar ao destino, e no subsolo, quatro equipes se espremem no vagão rumo à estação da Luz. Adiantados, Os LGBT quase sofrem um ataque do coração quando um carro da polícia surge em alta velocidade, fazendo o motoqueiro frear bruscamente, e em japonês falar algo com o parceiro que levava Brianna.
— Quê que tá contesseno, miga? – pergunta Brianna assustada.
— Acho que eles são da máfia 'patão.
— Se segurem – pede o motoqueiro de Tony – Vamos cortar caminho.
— Oi?
Se ambos não tivessem se segurado na cintura dos motoqueiros, a dupla tinha voado pela rua. Mesmo com os gritos, eles cruzam as ruas na contramão e chegaram rapidamente ao destino em uma rua lateral ao Mercado Municipal.
“ – Quase que faleço – diz Tony tremendo enquanto bebe água com açúcar na sala de entrevistas – Ó. Tô toda me tremendo!”
Depois de entregar os cartões de passagem para os japoneses que zuniram com suas motos e sumiram nas ruas, a dupla percebe que não são os únicos no local. Um par de adolescentes corria por entre as barracas de fruta, e outra dupla havia chegado de moto e correram para o interior do mercado. Na rua, o som de sirenes faz os camelôs ao redor do Mercadão promover um corre-corre.
— É o rapa! Corre!
Na confusão, Mãe e Filha, As Patricinhas e Os Índios quase são atropelados ao saírem de seus táxis, e os Desempregados e Os Esquisitos escapam por pouco de não serem pisoteados. No metrô, Os Jogadores se perguntam por que Os Otakus corriam pela plataforma da estação anterior a qual deveriam sair.
— Não disse que seria mais rápido – ri Gabriel logo depois ao chegar de mototáxi a tempo de ver os comerciantes repondo as barraquinhas. A Velha Guarda e dos Sertanejos, novamente de óculos escuros também chegam ao destino, enquanto que na estação de metrô da Luz, os demais participantes correm em direção ao mercadão, onde as primeiras equipes finalmente encontram a Caixa do Olávio na praça de alimentação do segundo andar.
— É um Ou/Ou. Quem está faminto pela vitória?– lê o funkeiro quase sem ar – Com certeza eu!
— É isso aí, mano – diz Olávio sentado em uma mesa na praça de alimentação com um copo d’água com sonrisal— Estamos no Mercado Municipal, onde diferentes tipos de carnes, frutas, temperos e muito mais podem ser encontrados. Aqui a comida reina, famosos lanches são preparados, e nossos competidores vão tirar a barriga da miséria – disse recebendo de um garçom um prato com um hambúrguer gigantesco – Esse monstro de centenas de calorias, é um hambúrguer que já virou até alvo de competição que pagam mil reais para quem o come em meia hora. Além dos ingredientes tradicionais de um hambúrguer normal, ovo de codorna, mortadela, catupiry, queijo cheddar e purê de batata, Uhn... – disse segurando a ânsia –... Foram adicionados a essa delícia de 4,5 kg, 25 centímetros de circunferência e 20 cm de altura! Mas, se não quiserem essa maravilha de literalmente parar o coração, podem optar por esse maravilhoso pastel! – novamente o garçom posta uma travessa gigantesca na frente do apresentador que bebeu o efervescente numa golada – Uh, dá até arrepios! Essa maravilha tem um metro de pura delícia e mais de vinte recheios enfiados separadamente dentro que podem ser encontrados nas barracas de todo o mercadão. Vai do doce ao salgado, da tradicional carne moída ao peixe desfiado e Romeu e Julieta! Hmm, hora do lanche chegou! – disse com uma cara que denunciava enjoo – E terminem rápido, pois há previsão de chuva para hoje – terminou ouvindo trovões ao longe.
Os palavrões de surpresa xingados pelos competidores foram censurados com dezenas depiis para os telespectadores, mas as caras de surpresa eram visíveis.
— Tô até babando – disse Mateus – Minha barriga tá nas costas!
— Tava na hora! Aqueles biscoitos tinha gosto de papelão – disse Soldado Mello.
— Não como desde o Alagoas! – comenta Gabriel.
A escolha foi feita por mesas espalhadas em frente às barracas de hambúrguer e pastel, que iam servindo na ordem de retirada da dica. Os Funkeiros, Os LGBT, Os Melhores Amigos, Pai e Filho, Os Militares, Os Esquisitos, Os Otakus, Os Youtubers e Os Jogadores de Futebol escolheram o hambúrguer, enquanto que os outros aguardavam pelo pastel.
Quando a comilança começou, tudo foi flores, comiam sorrindo. Mas meia hora depois ninguém tinha comido a metade. Se valesse dinheiro, todos teriam perdido. As Patricinhas choravam e Os Otakus haviam dado um tempo, mas As Testemunhas de Jeová comiam feito esfomeados, assim com Os Militares, Os Melhores Amigos e Os Funkeiros que ainda disputavam quem terminava primeiro.
— Pô, mó sede – reclama André engolindo o hambúrguer – Tá osso!
— Pois é! Desce uma cerveja aí – pede Vera abrindo o botão da calça.
— Tio, olha o coração, hein – aconselha Guilherme para A Velha Guarda.
— É mesmo – concorda Tony – Dá um treco aí, tem que usar ponte de safena.
— Mais uma? – ri Martha.
Uma hora e meia mais tarde, a primeira equipe se levanta e pega sua dica das mãos do dono da barraca de pastéis.
— Em busca da Luz – lê Zebedeu – Sigam para a estação de trem da Luz para o último desafio.
— Tava com fome mesmo, hein Belzebu – provoca Vera.
— Pelo menos estamos na frente! – respondeu descendo as escadas com dificuldade.
Com o tempo passando, Os Índios, Os Sertanejos, Mãe e Filha, Os Militares, Os Melhores Amigos e Os Funkeiros vão seguindo para o próximo desafio e escolhendo entre mototáxis ou andando, já que de carro seria impossível chegar lá sem que se perdesse um bom tempo. Os Esquisitos, Os Desempregados e Pai e Filho são os próximos a seguir em frente e optam por mototáxis em direção a Estação da Luz. A Velha Guarda termina primeiro que As Patricinhas e seguem para o próximo destino, seguido dos LGBT e Os Jogadores de Futebol.
“- Cara olha minha barriga – reclama Guilherme exibindo a pança redonda na sala de entrevistas – Cadê meu tanquinho? Meu six pack? Ganhei uns vinte quilos!
— E eu? – lamenta Lana – Vai tudo para minhas coxas! Vão ficar do tamanho do da Vovózona!”
Andando, As Testemunhas de Jeová disputam a liderança com Mãe e Filha que seguem de moto. Atrás, Os Índios chamam atenção na Vinte e Cinco de Março, seguido dos Sertanejos que usavam óculos escuros mesmo com o tempo fechado. Os LGBT e Os Jogadores de Futebol caminham depois de terem perdido o fôlego e disputam o último lugar com Os Youtubers e As Patricinhas, enquanto Os Militares conseguem carona nas motos dos guardas municipais.
Em dez minutos, Mãe e Filha chegam à próxima etapa e descem à plataforma de embarque dentro da estação, onde encontram a Caixa do Olávio no final da plataforma. Ao ver a correria dos outros participantes, a dupla corre pela plataforma e são as primeiras a conseguir a dica.
— Tudo em Um. Sem Luz na Estação da Luz – lê Angélica – Como assim sem luz? Tenho medo de escuro!
— E quem não tem, henê pelúcia! – disse Olávio dentro da sala de monitoramento de trânsito do CGE – A Estação da Luz é uma das mais importantes estações da capital paulista e é lá que o Museu da Língua Portuguesa também está e que infelizmente foi destruído durante um incêndio. O último desafio vai homenagear três coisas muito comuns na região. Primeiro eles deverão escutar de uma caixa de som, cinco nomes de municípios de São Paulo: Araçariguama, Avanhandava, Biritiba Mirim, Itaquaquecetuba e Pindamonhangaba – disse quase enrolando a língua mesmo tendo decorado os nomes o dia inteiro – Depois terão que correr pela estação lotada na hora do rush e ir até o meio onde terão que recitar sem erros as palavras para uma professora de português. Se acertar, seguem em frente para a próxima etapa, caso contrário terão que refazer tudo de novo. Na próxima etapa, deverão seguir até o extremo oposto da estação onde um labirinto sem luz deve ser atravessado. No final encontrarão uma catraca que soltará a dica, e uma passarela que levará até o viaduto de onde deverão seguir até a Zona do Relaxamento a sete quilômetros daqui.
— Dica da Meteorologia – lê Vera – Alta chance de inundações, tempestades com raios e engarrafamento na próxima hora – Mas não facilitam a vida, hein.
Com A Velha Guarda abrindo caminho pela multidão, as pessoas tentavam entender o que diabos estava acontecendo: Os Índios e sua quase nudez disputam a atenção com Os Otakus e seus cabelos coloridos, que com Os Esquisitos e sua extravagância, parecem fugir de dois militares, que por sua vez são seguidos por uma dupla sertaneja que correm de duas Testemunhas de Jeová.
— Aqueles não são Raul e Rian? – berrou uma mulher ao ver os dois sertanejos correndo pela multidão.
— Ai meu Deus! São eles! LINDO!!! Raul te amo! – berrou outra mulher chamando atenção para a dupla que acelerou o passo para fugir do assédio.
— Eita lasqueira! – exclamou ao ouvir que as pessoas começaram a cantar um de seus sucessos.
“– Nossa Senhora! – Raul emocionou-se na sala de entrevistas enquanto sua música tocava ao fundo – Foi muito gratificante sentir a energia do povo cantando lá na estação.
— Muita energia mesmo – concordou Rian massageando as costas – Era tanta que nem vi quem me jogou no chão”
Com Os Sertanejos no chão depois que um grupo de fãs literalmente se jogou nos cantores, As Testemunhas de Jeová saltam por cima dos dois como se pulassem das chamas do inferno e seguem em direção à Caixa. Na entrada da estação, Pai e Filho, As Patricinhas e Os Jogadores de Futebol aproveitam os gritos de “Pega ladrão” de Tony para abrir caminho entre as pessoas. E Os Youtubers observando Os Sertanejos sofrerem nas mãos dos fãs, tentam não chamarem atenção para que não sejam reconhecidos.
— Tá se escondendo do quê – pergunta Brianna para Lana.
— Da fama – sussurra a youtuber.
— E vocês têm fãs?
“ – Sim! – irrita Lana pegando o celular de um dos câmeras enquanto dava sua entrevista – ‘Vocês têm fãs?’ ela disse na maior cara de pau, como se fossemos desconhecidos. Olha aqui queridinha, nós temos vinte mil fãs – disse mostrando o contador de inscritos.
— Menos um – corrige alguém por detrás das câmeras – Err... Menos dois, três...
— Quê!? – desespera Guilherme – Vamos! Volta pros vinte! Menos quatro!
— Tira a camisa Gui! Vai lá na 25 de março e compra amoeba, pelo amor de Deus!”
Na plataforma, pela terceira vez, as equipes voltam para ouvir o nome dos bairros, e se preocupam com o local se enchendo e o céu escurecendo cada vez mais.
— Araçariguama, Avanhandava, Biritibi... Droga – errou Jéssica.
— Itaquaquecetuba, Biritiba Mirim, Avada... – Gabriel riu.
“ – Eu ia dizer Avada Kedavra – ria Gabriel na entrevista ignorando o olhar furioso do amigo – Ia matar a tia”
— Bin... TÁQUIPARIU – berrou Vera furiosa ao errar.
— Araçariguama, Avanhandava, Biritiba mirim, Itaquaquecetuba e Pindamonhangaba – citou Guilherme sem gaguejar recebendo a permissão para seguir em frente – Ainda bem que somos paulistas.
Mas logo são seguido pelos Índios, cujos nomes já são um trava língua, Os Esquisitos, que estão aprendendo alemão, As Testemunhas de Jeová que falam na língua dos anjos e Os Desempregados, graças a Luis que já trabalhou como trocador de van. Com a plataforma lotada, as equipes atravessam a multidão e encontram um paredão escuro com três portas. A convite de um staff, cada um entra em uma porta diferente e se surpreendem com o interior onde nada podia ser visto. Lanternas com uma luz fraca que piscava de tempos em tempos pouco clareava o caminho que mais parecia ter saído de um filme de terror. O som do exterior aos poucos ia sumindo e só se ouvia o som dos passos ou de algum concorrente batendo com a cabeça ou caindo. O único jeito era seguir o instinto e sair o mais rápido possível dali, que embora fosse grande, as duplas à medida que terminavam a etapa anterior, começavam a se encontrar no escuro, causando ataques de grito e até pancadaria.
“- Seu imbecil! Era eu! – brigou André com um saco de gelo no olho.
— Foi mal. É que pensei ter visto alguma assombração – riu o amigo sem graça”
Quando o som de chuva começou a cair no teto, a água começou a pingar na cabeça dos participantes e alagar o labirinto, a correria e os ataques de pânico começaram. A cada som de raio, alguém gritava, chorava ou rezava. Menos Os Esquisitos que aproveitavam cada minuto na escuridão.
“ — Precisamos de mais momentos assim – pede Lilith”
— Que susto, demonho! – gritou Raimunda ao vê-los passar na sua frente.
— Não fale o nome d’Ele em vão – alertou Lucio sumindo na escuridão.
Arrepiada, Raimunda recitou alguma passagem da bíblia enquanto pensou ter ouvido gargalhadas na escuridão. Acostumados com a atmosferadark, Os Esquisitos são os primeiros a achar a saída e encontram uma catraca. Assim que passam, uma dica salta da caixa e em seu verso um mapa indicava o local da Zona de Relaxamento.
— Terra da Garoa – leu Lilith sendo interrompida por um trovão – O clima mudou, mas o jogo não acabou, a menos que cheguem ao Parque do Ibirapuera antes que sejam levados pela enchente... Que emocionante.
— E como, Mortícia! – disse Olávio no outro lado da cidade dentro de um bote salva vidas dos bombeiros – Como esperado, a chuva, ou melhor, a tempestade, chegou à cidade. Agora nossos queridos participantes deverão cruzar a cidade e enfrentar o caos para chegar ali – apontou para uma grande construção branca ao descer do bote, sendo coberto por uma toalha e um guarda chuva segurado por umstaff do programa — No Obelisco de São Paulo, no Parque do Ibirapuera, onde está localizado a Zona do Relaxamento junto com uma grande tenda onde os primeiros quinze participantes desfrutarão de água limpa para um banho, comida, como se precisassem, e médicos, pois sabe-se lá o que enfrentarão até chegar aqui – terminou ajeitando o cabelo e levando um susto ao ver a enfermeira com uma seringa – Não preciso disso!
De volta à competição, assim que Os Esquisitos começam a correr em direção a Zona de Relaxamento, Os Índios, acostumados com a escuridão da selva e Os Funkeiros, acostumados com a escuridão dos bailes funk, chegam à saída do labirinto e pegam suas dicas. Em seguida, Os Desempregados chegam e respiram aliviados.
— Já tô tão no fundo do poço, que nem ligo pro escuro – ri Alice positivamente pegando a dica e correndo para o viaduto.
As próximas a chegar à catraca, são Mãe e Filha que já chegam xingando a chuva.
— Pensei que tivesse em casa. Chuva, sem luz, teto cheio de goteira, agora enchente... Assim é fácil! – disse procurando algo para proteger da chuva, encontrando duas caixas de papelão que eram carregadas pelo vento – Ali Angélica! Pega o papelão e vambora! Não podemos molhar o cabelo.
Os Melhores Amigos não demoram a sair do labirinto e como se fossem a prova d’água correm em direção à avenida principal em busca de algum transporte sendo seguidos pelos LGBT e Os Militares que correm para um lugar seco para analisar o mapa. Os Youtubers, Os Otakus e Os Sertanejos seguem em busca de um taxi, já que As Patricinhas conseguiram um que surgiu na esquina. Minutos depois, As Testemunhas de Jeová correm para não molhar suas bíblias, Os Jogadores de Futebol enfrentam os pingos grossos de chuva e Mauro veste o filho com um saco de lixo para que não pegue um resfriado. Já A Velha Guarda encontra duas bicicletas deixadas para trás e disparam em direção ao Parque do Ibirapuera.
A cada minuto que passa, mas a chuva aumenta e o desespero das pessoas na rua também. Como se o mundo fosse acabar, relâmpagos e trovões assustam as pessoas que optam esperar antes que seus guarda chuvas fossem levados pelo vento.
— Vamos de metrô – analisa Vera escutando os comentários das pessoas ao redor que também iam para a região.
— Mas mãe vai tá lotado.
— É o único jeito – disse correndo com o papelão na cabeça.
Logo atrás, mais três equipes tem a mesma ideia e correm para a Estação de metrô da Luz. Na liderança, A Velha Guarda enfrenta o mal tempo e o engarrafamento que vai se formando, pedalando. Enquanto isso a chegada dos Militares à um posto do Corpo de Bombeiros causa correria.
— Capitão Guerra, meu amigo! – saudou o chefe responsável do local com um forte aperto de mão, que quase quebrou a do recruta quando cumprimentado.
“ – Eu não sei como eles se conhecem – diz Soldado Mello com os olhos brilhando.
— É uma longa história, gafanhoto – responde Capitão Guerra orgulhoso”
A parceria dos Militares mais uma vez dá resultado ao serem levados em um caminhão do corpo de bombeiros que havia recebido um alerta de socorro em uma região próxima ao destino da dupla, que com a carona garantida, enfrenta a tempestade em busca do segundo lugar.
Espalhados pela região, os táxis enfrentam dificuldade no transito, fazendo os competidores confiarem nos motoristas que entram e saem em ruas rumo ao parque. No metrô, Mãe e Filha, As Testemunhas de Jeová, Os LGBT e Os Índios enfrentam a multidão na estação da Luz e são arremessados para o interior do vagão que já estava cheio.
— Olha essa mão boba, aê! – Aruanã sentiu alguém apertar seu traseiro.
— Queabsurdõn — debochou Tony em alguma parte do vagão – Povo não perde tempo.
— Foi tu, né!
— Quero é provas!
— Tu vai ver!
— Que loucura! – disse arrancando gargalhadas do povo.
De volta à superfície, Os Melhores Amigos desistem do táxi preso em um alagamento e continuam a rota correndo, mas são impedidos quando veem que a avenida havia se transformado em um verdadeiro rio.
— E agora?
— Vamos dar um jeito Jéssica – disse ouvindo som de sirenes – Olha! são os bombeiros! Eles podem nos ajudar!
A dupla espera o caminhão se aproximar, mas ao verem Os Militares acabam desistindo.
— São aqueles caras – sussurrou Jéssica se escondendo atrás de um carro.
— Eles vão passar no alagamento. É a nossa chance!
Com o caminhão abrindo espaço entre os carros, a dupla sobe na parte traseira do veículo e agarrados na escada se equilibram enquanto o caminhão avança no alagamento que se estendia por um longo caminho. Aproveitando que um dos bombeiros havia deixado o compartimento traseiro destrancado, os dois se abrigam no espaço apertado e seguem Os Militares até que descessem do veículo.
— Moço, tem certeza que tá indo pro lugar certo? – pergunta Diego preocupado ao ver que estavam ao lado do Museu de Artes não percebendo que quase ao seu lado A Velha Guarda abandona as bicicletas e entram em um táxi.
Enquanto os outros participantes enfrentam o mesmo engarrafamento no Bairro Bela Vista com diversas árvores caídas, no outro lado, Os Esquisitos ouvem o motor do táxi parar depois que o motorista forçou a passagem em um alagamento. Antes que jogassem uma praga no individuo, a dupla enfrenta a chuva a pé até um posto de gasolina.
— Que inferno de lugar! Tá tudo parado! – resmunga Lucio vendo o Datena apresentando o engarrafamento na cidade na TV.
— Liga pra ele – pede a garota tirando um saco plástico preso no seu salto.
— Ele quem?
— Seu amiguinho coreano. Aposto que ele vai te ajudar.
— Droga. Tomara que valha o sacrifício.
No metrô mais cheio que lata de sardinha, assim que as portas se abriram na estação Paraíso, as equipes empurraram meio mundo e correram em direção à saída. Atravessando as ruas, contra todas as possibilidades, resolvem dividir dois táxis e irem juntos até o Ibirapuera, mas acaba não dando certo. Depois de meia hora parados no trânsito e a chuva incessante dando um banho nos carros, um raio rasga o céu, atinge uma subestação e desliga a energia de diversos bairros da região.
— CARA... – berrou Vera olhando para a câmera e completando -...MBA! Mais que por...caria! Isso é armação do Otávio! Aposto!
— Chega! Cansei dessa palhaçada! Isso só acontecesse no Brasil! Vambora mana – disse Tony deixando o taxi para a Mãe e Filha e puxando a parceira para correrem pela avenida alagada em direção ao Obelisco, que estava iluminado por canhões de luz graças aos geradores do programa.
Sem escolha, as outras equipes desistem dos táxis e enfrentam a enchente com água no joelho. Angélica por pouco não cai em um buraco, diferente de Zebedeu que tropeçou e mergulhou na água imunda. Com as pistas de acesso ao parque interditadas pela polícia, as equipes esquivam dos sacos de lixo, pulam muretas e alcançam a área verde do parque, por uma via lateral a esquerda do Obelisco, obrigando-os a enfrentar a lama e os relâmpagos em meio às árvores.
De volta ao jogo, Os Esquisitos são ajudados por Hwan, o coreano k-pop e seu amigo Hueh-sek, de cabelos cinza, que em suas motos e roupas de chuva, evitam os alagamentos e a lei ao atravessar a cidade na contramão.
Quase quatro horas depois de terem saído da estação da Luz, os únicos não desesperados eram Os Desempregados, A Velha Guarda, Pai e Filho e Os Otakus que aguardavam pacientemente enquanto os táxis cortam caminho pela escuridão, diferente das Patricinhas que batiam boca com o motorista.
— Ai que ódio! – berrou Diana – Anda motorista, avança!
— Tá osso mina. Tá tudo embaçando no bagulho. Acho que o rolê nas quebrada vai miar. Se pá, é melhor pipocar. Se não vai dar treta. Ninguém passa pro Ibira, mano.
— Mas que diabos você tá falando, criatura?
Na escuridão, duas motos seguem na contramão, fazem o retorno e são os primeiros a chegarem à base do obelisco. Os Esquisitos agradecem a carona, devolvem a proteção contra chuva e correm rampa acima para garantirem seu lugar na corrida.
— Me liga! – grita um dos coreanos.
— Foi pra você futuro dançarino – debocha Lilith.
— Foi o que te trouxe que gritou isso.
Logo à frente, a dupla encontra uma tenda gigantesca que abriga a Zona de Relaxamento, onde Olávio os espera com toalhas e se assusta quando um trovão brandiu no céu anunciando a chegada da dupla.
— Já vi isso antes. Vandinha e Feioso, ou melhor, Os Esquisitos são os vencedores! – parabeniza o apresentador dando lhe duas toalhas.
— Yay... – comemora Lilith sem nenhum ânimo.
Minutos depois, oito zumbis surgem acionando a segurança do programa, mas eram só quatro equipes enlameadas, sem sapato, vestido rasgado e sem bíblia.
— Que diabos são isso? – pergunta Olávio assustado – Em segundo, Mãe e Samara.
— A culpa é tua! – irrita Angélica com o apresentador – Minha prancha foi por água a baixo.
— Da próxima vez, usa a prancha pra surfar na água – debocha Olávio se afastando antes que a garota voasse em seu pescoço.
— Em terceiro, Os LGBT! Que Milagre!
— Milagre? – berra Tony tirando lama das roupas – Milagre vai ser eu não pegar uma doença!
— Em quarto, As testemunhas de Jeová! Cadê suas bíblias?
— A água levou – lamenta Zebedeu – Mas não se preocupe, pois...
— ...nós temos bíblias extras... – completa Olávio já sabendo da história.
— Em quinto, Os Índios sem pintura corporal! Ué? Mas esse tempo não é comum lá na sua terra?
— Só que não tem enchente, trânsito e nem precisamos correr metade de São Paulo – responde Quaraçá aceitando a toalha.
Em sexto, Os Youtubers chegam ensopados e envergonhados de terem perdido em sua cidade, não perdendo por pouco para A Velha Guarda.
— Isso me fez lembrar quando corremos no Monte Fuji – sorri Martha.
Finalmente depois de enfrentar três enchentes e ajudar algumas pessoas durante o caminho, o caminhão dos bombeiros chega ao Obelisco, mas os primeiros a descer são Os Melhores Amigos que agradecem a carona aos Militares que ficam se entender.
— Quem acredita sempre alcança mesmo! – ri Olávio – Em décimo lugar, Os Desempregados! Olha até trouxeram a luz! – disse ao ver os postes se acenderem.
“- Paciência é a solução – comenta Luis.
— O segredo é não criar expectativas – sorri Alice”
Em décimo primeiro, chegam os Jogadores de Futebol seguido dos, Os Otakus e Pai e Filho vestidos de sacos de lixo que garantem sua participação na corrida.
Na disputa pelo último lugar, Os Sertanejos quase são atropelados quando um taxi resolveu enfrentar a enchente, mas parou mais adiante quando fumaça começou a sair do motor. Preocupados, a dupla resolve ajudar, e se arrepende quando As Patricinhas os empurram ao abrir a porta e correm descalças pela enchente em direção ao destino final. Furiosos, a dupla sertaneja se levanta da água e corre atrás do prejuízo.
— Isso não é justo!
— Não existe justiça nesse jogo – discutiu Diana com Rian.
Com as botinas cheias d’água, a dupla desacelera, mas vê uma oportunidade quando Charlotte parece procurar algo entre os lixos boiando.
— Deixa isso prá lá! Estamos quase chegando!
— Nem pensando! Esses sapatos custaram mais que as passagens de todos os competidores para entrar no avião hoje!
Os Sertanejos evitando serem enganados pela terceira vez na competição, resolvem ignorá-las e seguem pela avenida a esquerda do Obelisco, enfrentando quase que engatinhando a lama dos morros. As Patricinhas tentam passar pela barreira da polícia, mas devido às árvores caídas são impedidas e tomam outro rumo, dando de cara com um túnel. Furiosas, elas pulam a divisa das pistas e correm pelo mesmo caminho que seus rivais passaram, mas já era tarde de mais.
— Em décimo quinto, direto do chiqueiro, Os Sertanejos! – anuncia Olávio.
— Antes tarde do que nunca – ri Raul limpando o rosto cheio de lama.
Dez minutos depois, As Patricinhas chegam enlameadas ao Tapete da Complexão.
— Ufa! Pensei que fosse chegar em último!
— E chegaram! Patricinhas, eu lamento, mas vocês estão eliminadas.
— Não acredito! – lamenta Charlotte caindo de joelhos.
— PobresForever – chora Diana abraçando a irmã.
“— Foi legal enquanto durou – comenta Charlotte lembrando os momentos mais ou menos que tiveram durante a competição – Foi bom repor os pés dentro de um avião, de um Uber ou um táxi.
— Com certeza! E os hotéis! Aquele em Maragogi é tudo de bom! Quero voltar lá novamente.
— Só se for pra deixar currículo, né? Já quase não temos dinheiro! Nem sei como vamos embora.”
— Adeus, pessoas! Não quero ver mais essa gente feia, não quero ver mais os ignorantes! Foi divertido! – acenou Diana como uma miss para as câmeras ao entrar no carro da produção – Ah, o vale transporte...
— Perdeu o juízo!? – cochichou Charlotte pegando o cartão antes que ela o arremessasse pela janela – Guarda isso! Vai que a gente precisa.
— E chegamos a mais um final de etapa da competição – anuncia Olávio – Para quem está sua torcida? Diga-nos com a #Team mais o nome da equipe para quem torce! E não perca o próximo TOTAL-DRAMA-TUDO-OU-NADA-BRASIL! Tchau!– disse acenando para as câmeras antes de entrar na tenda.
— Mãe, Tô toda me coçando! – grita Angélica.
Mapa da Competição em São Paulo [Cap. 5]
...continua...
(^_^)/
by Hikari-Ouji
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