Total Drama: Tudo ou Nada Brasil!
6 Ops - Altas Desventuras
Notas iniciais
— Só acho que deveriam esperar um pouco antes de viajar de novo — desabafa Olávio com alguém atrás das câmeras sem perceber que já estava sendo filmado — E meu sono de be..m vindos a mais uma etapa do meu, do seu, do nosso Total Drama Tudo ou Nada Brasil! – trocou de assunto rapidamente se recompondo com um sorriso amarelo e um olhar fatal para o operador de câmera que não avisou que já estavam no ar – Estamos de volta ao Aeroporto de Congonhas, onde depois de uma tempestade de drama, As Patricinhas disseram “au revoir” à competição. Agora nossos quinze sobreviventes darão continuidade ao jogo em um voo noturno de última hora rumo ao próximo destino. Tragam café! — gritou fazendo um estagiário correr até uma cafeteria.
A poucos quilômetros dali, duas vans seguem em direção ao aeroporto. A maioria cochila no trânsito tranquilo pós-tempestade e nem se incomoda em serem filmados nas poses mais estranhas possíveis. Só acordaram para a realidade quando o motorista buzinou.
— Aeroporto? – estranhou Mauro limpando a baba da boca – O que houve?
Mesmo estranhando o fato de estarem correndo pelo saguão quase vazio do aeroporto, as equipes logo encontram a Caixa do Olávio. A primeira a pegar a dica é Lana.
— “Nós queremos te ver poderoso, lindo berço, rincão Pacaraima!” Que isso?– Lana leu sem entender – “Teu destino será glorioso, nós te amamos, querido...”
— RORAIMA! – gritou Olávio pelos alto-falantes acordando meia dúzia de idosos que aguardavam um voo para a França – Competidores! Dirijam-se para o portão sete!
Em poucos minutos os trinta competidores não tão animados chegam ao portão e são recebidos por Olávio na porta de entrada para o embarque do avião.
— Boa noite competidores! – disse distribuindo as passagens – É hora de despedirmos de São Paulo, e como disse, irmos para o norte do país, para Roraima!
— Saudades viagens sem conexão – lamenta Martha já passando creme nas pernas para não incharem durante o voo.
Em poucos minutos o avião decola do Aeroporto de Congonhas, enfrenta o tempo chuvoso por quase duas horas e pousa no Aeroporto de Brasília, onde depois de esperar pela troca de avião, voam novamente rumo ao norte por quase quatro horas, aproveitando as poltronas vazias para dormir, e acordando somente às quatro da manhã ao pousarem no Aeroporto de Boa Vista. Lá migraram para a Base Aérea, onde são abrigados em um alojamento para descansarem até que o jogo recomeçasse. Coisa que não durou muito, pois no melhor sono, do nada o som do toque de alvorada começa a soar em todos quartos disponíveis fazendo os competidores saltarem de suas camas, menos Os Militares que se exercitavam com os outros soldados da base, correndo em torno dos prédios. Depois de um café da manhã reforçado oferecido pelo exército, as equipes correm para o aeroporto da Base Militar onde encontram Olávio, de farda, os esperando.
— Bom dia soldados! – cumprimentou percebendo que alguns participantes ainda comiam pedaços de pão do café da manhã – Hoje iríamos fazer um desafio em um parque próximo daqui, mas...
— Ótimo, posso voltar a dormir – diz Vera já andando de volta para o alojamento.
— MAS – continua o apresentador – iremos a uma missão especial! Uma equipe de pesquisadores sofreu um acidente no Monte Roraima e iremos para ajudá-los. Eles estão bem, mas hoje é o último dia para que completem uma importante missão, que foi dada a vocês!
— Tem certeza? Logo a gente? – duvidou Alice nervosa.
— Alegrem-se! Isso vai para o currículo de vocês como voluntários! – tranquiliza Olávio, que nem viu quando a garota correu escadas acima para o avião.
Sem escolhas, ou com olho no currículo, as equipes rumam em direção ao norte. Só não esperavam que o voo durasse quatro horas, pousassem em uma pista no meio do mato, onde tiveram que se dividir em três grupos e de helicóptero foram levados ao alto do Monte Roraima. Ao pousarem a mais de 2700 metros de altitude, as equipes foram retirando suas dicas da Caixa.
— “Assistir ou Trabalhar. Mundo Perdido: Parque dos Dinosapos” – leu Lilith – Quem inventa isso?
— Nem eu sei Elvira! – respondeu Olávio com a cara camuflada de verde e marrom ajudando no resgate dos cientistas – Estamos nos 5 % do Monte Roraima pertencente ao Brasil, numa missão muito especial e delicada. Hoje um helicóptero de uma equipe de pesquisa, perdeu altitude e caiu nessa região. Por sorte, todos estão bem, mas a pesquisa pode estar em perigo, pois o prazo termina hoje. Em conjunto com o exército, iremos ajudá-los nesse importante projeto. Essa região da mata é rica em espécies que só existem aqui. Nos anos 40 serviu de inspiração para a criação do livro e série “O Mundo Perdido” onde pessoas encontram um reino perdido de dinossauros nessa região. Mas chega de papo e vamos ao desafio. Essa é uma das poucas regiões onde um minúsculo sapo preto chamado "Anomaloglossus Roraima" pode ser encontrado. Como pouco se sabe sobre esse animal, o desafio será encontrar esse ser de dois centímetros com muito cuidado. Uma vez encontrado, devem colocá-lo numa caixa e seguir uma trilha dentro da mata até encontrarem o local onde o amarrarão numa tirolesa que descerá montanha abaixo até os pesquisadores que estarão esperando e confirmarão o recebimento com fogos de artifício verde. Caso a caixa se solte durante o percurso, eles sinalizarão com vermelho e terão que refazer o desafio, além de levar uma pequena punição – apontou para um grande relógio entre as pedras — O mesmo vale se algum de vocês pisarem fora do limite da fronteira — sorriu diabolicamente pegando uma buzina de ar comprimido.
— Atchoo! Ai minha garganta!
— Tomou o remédio pato rouco? – perguntou Brianna se preparando para caçar o sapo.
“- Isso que dá! Quer fazer a Rihanna sem guarda-chuva – comenta Brianna.
— Fazer o quê, paixão? Antes rouco do que eliminado.”
— Atenção competidores! — alarmou o apresentador — Já!
Ao som da buzina, os competidores se espalham pela área permitida buscando o sapo entre as pedras, gramado e na beira do córrego, prestando o máximo cuidado para não pisar no animal ou cruzar a fronteira. O mormaço, o sol forte do meio dia e a altitude não estava contribuindo para o desfecho da tarefa. André, Lana e Martha são os primeiros a encontrar o sapo depois de meia hora passada e passam a descer a trilha em meio à vegetação com o bicho dentro de uma pequena caixa de acrílico com terra até o ponto de transporte à base. Por pouco Martha não deixa a caixa cair e se segura numa árvore ao perceber o quão escorregadio estavam as pedras. André com suas pernas compridas consegue saltar entre as pedras e rapidamente encontra o início do cabo de aço que cruzava as árvores e descia em direção à base dos pesquisadores. O próximo passo do trio foi amarrar a caixa à tirolesa, e torcer para chegar inteiro. Depois de segundos de expectativa e ansiedade, três fogos verdes explodem no ar confirmando o recebimento. Aliviados, voltam a subir a trilha de volta e aguardar mais duas equipes terminarem para seguirem em frente. De volta à caça aos sapos, Soldado Mello se arrasta pelo chão quase com o rosto colado nas pedras, em um canto, ajoelhada, ninguém sabe se Raimunda reza ou realiza a tarefa, e Diego e Mateus se unem para seguirem no primeiro voo para a próximo etapa.
“ – Achamos justo que o primeiro campeão do Total Drama Brasil deve ser um adolescente! – discursa Diego.
— É isso aí! Eu vou representar todos os jovens injustiçados do Brasil! – comenta Mateus.
— E quem disse que você vai ganhar?”
Em outro canto, Aruanã, Vera, Tony e Alice buscam desesperadamente entre as pedras próximas a água sem perceber o quão perto estavam de serem punidos. Quando o índio revirou uma pedra o sapinho saltou por entre suas pernas e chamou a atenção dos participantes ao redor, mas antes que eles pudessem disputar com quem o animal ficaria, uma buzina soou alto e Olávio anunciou o pior.
— Deportados! – berrou Olávio por um alto falante – Vocês quatro acabam de cruzar a fronteira da Venezuela. Serão punidos com vinte minutos de espera, sem fazer nada, além de torrar nesse sol infernal!
— Que absurdo! – reclamou Tony – Nem dá pra ver a divisória!
— Pelo menos poderei falar que saí do país – riu Alice – Ei, ele falou que não pode fazer nada!
— Shiu! Estamos em outro país criatura – disse Vera indo em direção ao rio – Água limpa, sol... Vou pegar é um bronze.
Enquanto os deportados curtem a saída do país como se estivessem em um oásis no Egito, dentro do limite estabelecido do jogo, Lilith por pouco não leva uma pedrada quando Raul furioso começou a arremessar tudo o que via pela frente. Uma delas acabou acertando a cabeça de Douglas que quase desmaiou ao ver que pingos vermelhos começaram a escorrer pela sua testa.
— Médico! Fui atingido! – desesperou o rapaz.
— Para de drama – disse Lilith impaciente com o escândalo – Isso é tinta de cabelo e suor, palhaço.
— Ah...
Ignorando o sorriso sem graça de Douglas, Lilith volta a se concentrar na tarefa que finalmente é completada por uma dupla de adolescentes que tiveram a sorte de encontrar dois sapos em um momento “intimo”. Depois de disputarem uma corrida como se corressem atrás de doce de Cosme e Damião, e uma entrega segura, a dupla e seus parceiros entram no primeiro helicóptero que com a quantidade de pessoas o suficiente, incluindo Olávio, levanta poeira rumo ao próximo destino. A partida também simboliza o fim de punição para os quatro participantes que voltam à caça com sorte.
Minutos depois, Aruanã dispara pela trilha já com o sapo na caixa, seguido pelo trio feminino, Alice, Isabella e Lilith. Soldado Mello, sentindo a pressão de seu superior, encontra o animal em meio a folhas de urtiga e segurando as lágrimas tenta ao máximo completar a tarefa. Raimunda também encontra seu sapo e corre para pô-lo na caixa. Tony se enfurece ao deixar o sapo escapar de suas mãos e enfurece quando Raul o captura:
— Isso é meu! – tentou gritar, mas a dor na garganta era tanta que nem discutiu mais.
— Não tem teu nome, e não tenho culpa se você não sabe pegar uma perereca!
— Gente! Que afronta!
Na descida pela trilha, as meninas enfrentam dificuldade para não escorregarem no terreno acidentado em meio a troncos, mata e precipícios.
— Ô Tarzan, seja um cavalheiro e ajuda a gente! – pede Vera vendo-o percorrer o caminho sem dificuldades sumindo no meio do mato – Tu vai ver Mogli! Vou cortar teu cipó fora!
Acostumada com as escadarias da comunidade, Isabella também não encontra muita dificuldade, diferente de Lilith que com seus saltos gigantescos se segura nas árvores para não rolar morro abaixo. Na caça aos sapos, os últimos competidores acomodam seus animais em suas caixas e começam a corrida morro abaixo ouvindo durante o caminho três explosões indicando a entrega de Alice, Aruanã e Isabella que garantem o segundo voo. Vera dá dois nós cegos na corda amarrada a sua caixa e fica de olho enquanto desliza pelo cabo. Lilith é a próxima a encaixar sua caixa e quase fica surda com o grito de alegria da concorrente ao ver a explosão verde no céu. No meio da trilha, Soldado Mello, salta pelas pedras como se fugisse da guerra da Síria, até pisar em falso e “catando cavaco” descer o morro descontroladamente, se estatelando no chão, fazendo sua caixa escapar de suas mãos e rolar precipício abaixo. Ao levantar o rosto da lama, o recruta ouve o som de uma explosão no céu e pela cor sabia que aquilo era para ele, se preocupando com o que seu capitão diria. Raul quase cego pelas lágrimas que escorriam de tanto rir, por pouco também não perde sua caixa ao escorregar nas folhas úmidas. Vera quase sem fôlego se junta aos outros no helicóptero n° 2 e os comunica que Lilith é a próxima a subir. Mal ela sabia que a garota estava numa enrascada no meio do mato; Na volta ao topo, a jovem optou por um caminho alternativo e acabou rolando morro abaixo ao pisar em falso em uma folha de árvore. Preocupado, um dos médicos que acompanha os participantes tenta ajuda-la a se levantar e descobre que algo havia quebrado.
— Você está bem? – perguntou o médico ajudando-a a se levantar. Lilith respirou fundo e evitando dar uma resposta debochada ao se ver suja de terra, se esqueceu ao ver algo fora do lugar.
— Droga – sussurrou Lucio ao ouvir o grito.
O grito de Lilith pode ser escutado por todos os competidores que se assustaram com o som antes de ser abafado por mais duas explosões verdes no céu azul.
— Alguém se deu mal – sussurrou Douglas disputando o último lugar com Tony.
Furiosa, Lilith se levanta com a ajuda do cameraman que podia jurar que viu lágrimas nos olhos claros da jovem..
— Esses sapatos custaram quase 500 reais! Foi feito sob encomenda!
— Pensei que tivesse quebrado um osso – alivia o médico.
— Antes fosse!
De volta ao jogo, Lilith avista Soldado Mello correndo morro acima, e pela segunda vez, desce do salto e descalça corre com o objetivo de não ser derrotada novamente e Soldado Mello inventando diversas desculpas em sua cabeça, temendo o que seu superior diria ao vê-lo voltar de mãos vazias, percebe que não está sozinho. Quando seus olhos se cruzaram com o da garota ambos correm em disparada para concluir seus objetivos. Sendo recebidos com gritos de apoio de seus parceiros ao saírem da trilha.
— Pra cá Mello! – gritava o Capitão já vermelho ao ver o rapaz correr em outra direção enquanto Lilith alcança o helicóptero.
— Ué criatura. Encolheu? – perguntou Vera olhando-a de cima a baixo.
— Ah droga – lamentou Lucio – Tá tudo bem?
— Sim – disse com um suspiro — Escorreguei e o salto quebrou.
— Que pena, vai ficar descalça – diz Angélica. Pelo jeito deboche era de família.
— Descalça? – riu golpeando o outro salto com uma pedra até se quebrar. Depois de tirar a poeira, a jovem os calça e volta a se equilibrar sobre par.
“ – Graças á Lady Gaga! – sorriu Lilith sentindo-se vitoriosa – Andar de salto é fácil, quero ver usar um modelo sem salto, ma cherie.
— Ela tem mais dois pares dentro da mala – revelou Lucio inexpressivo – Não sei como ainda não quebrou uma perna”
Com o segundo helicóptero no ar, Capitão Guerra segura a raiva ao saber que terão que sofrer dez minutos de punição antes de refazer toda a prova.
“- Desculpas Senhor! – lamenta o rapaz pagando flexões imposta pelo seu comandante.
— Cala a boca. Vai ficar os próximos nove minutos fazendo flexões pra aprender a se concentrar.”
Enquanto os participantes nos helicópteros dormem na viagem em direção ao próximo desafio, no Monte Roraima, os outros sobem a trilha de volta ao último helicóptero. No meio do caminho, Soldado Mello os encontra e corre para concluir sua missão. Tremendo, o rapaz amarra com todos os nós que conhecia e manda o sapinho tirolesa abaixo. Enquanto rezava para que tudo desse certo, fogos verdes indicaram que a etapa no Monte Roraima havia acabado.
Depois de mais quatro horas de viagem, finalmente o primeiro helicóptero faz seu pouso no Aeroporto de Caracaraí.
— Ainda é Brasil? – pergunta Lana estapeando o braço ao ser picada por um mosquito.
— Sejam bem vindos á Caracaraí, a cidade-porto! – recepcionou Olávio.
— Que porto? – perguntou Mauro estapeando sua perna.
— Ali, no outro lado da pista há alguns quilômetros – apontou Olávio para um portão aberto por onde uma kombi encardida de poeira entrou soltando uma fumaça negra.
— Essa fumaça mata a gente, mas os mosquitos não morrem – irrita Lana estapeando novamente o braço.
A bordo da kombi, as cinco primeiras equipes se sacolejam enquanto atravessam a estrada e entram numa rua de terra no meio do nada seguindo em direção alguma. Chegando em poucos minutos a um vilarejo de pescadores, onde a Caixa do Olávio os esperavam.
— "Trabalhar ou assistir Invertido" – leu André – "História de pescador".
— Isso mesmo catimba! – concordou Olávio ignorando a cara de dúvida de André que cheirava debaixo das axilas ao entender catinga — O Próximo desafio será aqui no Rio Branco que corta o estado, e a bordo desse barco que levara alguns quilômetros rio acima, onde aqueles que não caçaram sapos irão pescar o famoso Tucunaré Açu, esse peixe aqui que quem não irá participar poderá degustar. Hmm que fome! – disse sentindo o cheiro de peixe assado – O objetivo é simples, pescar. Mas só passará para o desafio final aquele que pescar o peixe com peso igual ou superior á oito quilos.
O primeiro barco sai do porto no mesmo momento que o segundo helicóptero pousa no aeroporto e os competidores entram na mesma kombi que levou o primeiro grupo.
— Isso aqui é coco de galinha! – reclamou Angélica se segurando no banco enquanto a kombi desvia dos buracos.
— Escuta. Tá indo pro lugar certo? — interrompe Kauê recendo um “sim” ríspido do motorista – Na minha terra é assim que desova corpo.
— Ou aparece o Jason – completa Lucio.
Com mais um barco saindo do porto, o terceiro helicóptero pousa no aeroporto. Ao verem o estado da kombi, alguns se recusaram a seguir em frente, mas depois de um berro do Capitão Guerra, acabaram enfrentando o veiculo.
— Quando sair daqui tem que tomar vacina contra tétano, né – comentou Douglas.
Nos barcos, os participantes põem seus coletes salva vidas e recebem um kit de pescador, contendo iscas, chapéu e claro uma vara de pescar própria para pegar peixes grandes. No primeiro barco, o capitão anuncia a chegada ao ponto de pesca ligando o barco por uma passarela até uma balsa gigante ancorada no meio do rio com espaço o suficiente para que todos os participantes pescassem. A única pessoa ali era um senhor de chapéu de palha com uma caixa d’água. Mais afastado uma segunda balsa continha jet-skis podia ser usada por quem fosse terminando. No começo a pescaria parecia divertida, mas com o tempo as reclamações começaram a surgir.
— Que coisa chata! – irritou Guilherme secando o suor com sua camisa – Meia hora pescando e nada.
— Tem dez minutos que a gente tá aqui, ô homem bomba – responde Paulo.
Em seguida, o segundo e terceiro barco chegaram com os outros participantes, começando logo a pesca.
— É muita falta de criatividade desses produtores – reclama Lucio.
O primeiro a pescar algo é Gabriel, mas ao se deparar com um chinelo respira fundo e joga a isca de novo, e Mauro consegue o primeiro Tucunaré. Orgulhoso, ele dá o peixe ao pescador que com uma balança portátil pesou o peixe.
— 8.2 quilos – anunciou o senhor – Parabéns. Pode seguir em frente – disse dando a chave do Jet-ski e pondo o peixe dentro da caixa d’água para que não fosse pescado novamente.
Kauê pesca um peixe mais magro que ele e devolve ao rio. Animado, Antônio consegue um peixe de exatos oito quilos e é o segundo a sair da balsa, seguido por Quaraçá e Rian. Guilherme sente o coração acelerar ao sentir sua linha ser puxada e com muita força puxa a bordo um tucunaré de dez quilos e comemora seu pescado dando um mortal no rio. Depois de se enrolar na linha, Brianna consegue seu peixe e junto com Luis partem de volta para a vila. Enquanto Zebedeu e Paulo se irritavam ao pescarem o peixe errado. Em seguida Lucio, Angélica e Pastor Zebedeu se recuperam e conseguem peixes acima da média e seguem para a vila onde as equipes se preparam para a próxima etapa.
— ...entrar nessa Kombi velha de novo? – reclama Lana.
— Vambora! – insiste o parceiro tapando o nariz e se sentando em um canto onde a janela quebrada deixava ventilar ar.
Com a capacidade máxima de dez pessoas, o único jeito era esperar ela voltar do aeroporto para transportar o próximo grupo. Com o fim de tarde se aproximando, Gabriel e Paulo são os últimos a fisgarem seus peixes e rumam de volta ao vilarejo. Com o segundo helicóptero voando rumo a capital, o último grupo se despede da vila e entra na kombi para seguirem ao próximo desafio. Tudo parecia normal até que o cheiro já não tão convidativo do veículo piora.
— Não! Que isso cara! – grita Isabella – Sabe que se cagou todo, né.
— Eita barbantinho cheiroso! – ri Kauê
— Nossa meus olhos estão até ardendo! – ria Mateus no banco da frente abrindo a janela.
“- Me deixe sozinho! – grita André para o cameraman, correndo para o banheiro do Aeroporto e se trancando dentro do cubículo — Sei lá. acho que aquele peixe não caiu bem não – confessa em meio a barulhos constrangedores e risadas histéricas do parceiro – Ah, mano. Não tem papel!”
Em pouco mais de meia hora o primeiro helicóptero sobrevoa a capital e pousa na praça principal no centro da cidade, onde as cinco primeiras equipes correm em direção ao monumento iluminado no meio da praça, onde Olávio e sua Caixa gêmea os esperam.
— “Tudo em Um. Nem Tudo o que reluz é ouro” – lê Mauro.
— Exatamente cara da pochete! Competidores! Sejam bem vindos, a capital de Roraima, Boa Vista, a pequena metrópole da Amazônia, onde será feita a última etapa do dia.
— Amém! – diz Martha sendo massageada nas costas pelo marido.
— Estamos na Praça do Centro Cívico, e esse – disse apontando para a grande estátua de um homem curvado com uma peneira na mão – É o monumento em homenagem a uma figura importante na história de Roraima, os garimpeiros. Na última tarefa do dia, iremos fazer uma homenagem ao garimpo, mas se você pensa que vai atrás de ouro, e bom recolher sua peneira, pois a busca será atrás de cristal — disse mostrando um cristal com tonalidades roxas e recebendo de um staff do programa, um quadro com o mapa de Roraima montado com quatro pedaços de cristais lapidados — O desafio final é simples, montar esse mapa. Como não encontramos areia o suficiente para montar o local da prova, aproveitamos que no outro lado da rua a companhia de água está consertando uma tubulação da região e enterramos dezenas dessas peças de diversos formatos na terra da escavação. Assim que acharem vocês devem trazer até aqui onde deverão montar em cima do molde. Monte o quebra cabeça com a forma do estado roraimense corretamente e receberão a dica final para a Zona de Relaxamento com esse garimpeiro — disse apresentando um senhor que bebericava de seu copo de cerveja — para ajuda-los a encontrar a peça certa, essa bandeira tem desenhado as formas de todas as peças — terminou apontando para o mastro que tremulava ao vento.
Com a permissão para seguirem em frente, o segundo helicóptero sobrevoa o local e pousa na rua. Ignorando o alerta para esperarem as hélices pararem, as cinco equipes atravessam a rua e retiram suas dicas.
— Que isso gente? – resmunga Vera – Trabalho escravo?
“- Olha aqui queridinho – irrita Vera se sentando na sala de entrevistas mostrando as unhas sujas de terra – Olha o estado das minhas unhas! Só por que são postiças não significa que posso fazer toda semana”.
Sem escolha, as equipes começam a prova escavando buracos em toda a extensão de terra disponível fazendo os moradores locais tirarem foto e rirem da situação das duplas sujas de terra. A tarefa que soava fácil tornava cada vez mais difícil à medida que a noite chegava. O fato de encontrar as peças, atravessar a rua correndo e reorganizar no molde só pra descobrir que alguma, ou todas, estavam erradas já era motivo o suficiente para gritar um palavrão bem alto. Com a chegada do último helicóptero, a praça parecia mais a escavação da Serra Pelada nos anos 90. Cansados e implorando para que terminassem logo, as coisas pioram quando um chafariz surgiu entre os competidores.
— Quem foi o imbecil que fez isso! – irritou Capitão Guerra ao ser atingido por um jato d’água e lama- Aposto que foi um desses moleques!
— Tiou— irritou Mateus – Fica quieto aí. Nós não fizemos nada.
— Nada? Tu que furou o cano né!? E essa pedra na mão?
— Eu vou tacar na tua cabeça se continuar falando mentira.
— Gente! Que absurdo! – exclamou Tony ainda rouco.
— Isso é desacato!– irritou-se Capitão Guerra ainda mais.
— Desacato do quê? – perguntou Kauê – Você é que tá nos acusando!
— Mas eu nem falei contigo, vara pau!
— Eu não deixava! – defendeu Diego.
— Fica quieto filho – pediu Mauro.
— Porrada! Porrada! Porrada!
— Cala a boca Angélica! – sussurra Vera – Se concentra em procurar o treco na terra.
— Irmãos, não é hora de sermos hostis com nossos amigos – tenta Zebedeu.
— Ih, já tinha jogado a pedra – resmunga Lilith encontrando a segunda peça de seu quebra cabeça.
— Olha só – aumentou a voz Kauê – Eu to aqui pelo jogo, não vim pra ficar discutindo com um milico qualquer!
— Ui! – riu Brianna caçando os cristais.
— Tu me respeita! Você sabe com quem tá falando? – irritou Capitão Guerra.
— Ninguém se importa! – berrou Mateus fazendo alguns competidores riem – Se fosse grande coisa dava exemplo e não agia feito um imbecil!
— YASSSS!!! – batia palmas Tony ignorando a dor na garganta.
— Essa foi na minha alma – comentou Lucio.
— Ué, pensei que tinha vendido ao diabo – sussurrou Raimunda.
— Continue cavando. Aí você pergunta pra ele pessoalmente – respondeu o rapaz.
— Gente, se abaixa que daqui a pouco vai rolar tiro! – disse Vera pegando suas peças e correndo para montar seu quebra-cabeça.
Afastados, alguns competidores tentavam ignorar a confusão, mas a aura de confusão havia impregnado o local.
— Isso me lembra de quando eu ajudei meu irmão a construir um puxadinho – disse Luis revirando a terra.
— Senta que lá vem história – comentou Douglas – Cobrou quanto pra fazer esse trabalho?
— Ah é, por que ele já “trabalhou em tudo”— disse Guilherme – Toda hora ele fala isso.
— Pelo menos minha carteira tá assinada e os calos da minha mão são de trabalho e não de outra coisa – respondeu Luis.
— Você sabe quanto nós ganhamos em eventos de anime e vídeos no youtube? – pergunta Gabriel.
— O suficiente pra continuar virgem e comprar papel crepom pra pintar o cabelo! – respondeu Luis rindo com Alice.
— Mas trabalhar com vídeos é um emprego – aumentou a voz Guilherme ignorando os risos dos LGBT, dos Índios e dos Desempregados.
— Como se desafios idiotas, pegadinhas sem noção, amoeba e ficar exibindo seus músculos, fossem algo importante. Ninguém quer saber 50 fatos sobre você! – respondeu Luis quase sem fôlego.
— Pelo menos eu ganho dinheiro sem sair do meu quarto!
— Resumindo. Também é garoto de programa – ri Tony com os outros.
— Tá sabendo das coisas, hein! – comentou Lana.
— Conheço vários! Paga de machão, mas quando abre a boca mia mais que gato no cio.
— O que você tá insinuando?
— Nada mô bem. O Amor é livre – debochou Tony – É de todas as tribos, né Quaraçá.
— Me põe fora dessa – resmungou o índio.
— Pra quem tava com a garganta ruim... Parece que melhorou – percebeu Vera voltando revoltada por uma peça não ter encaixado.
— É a prática vocal, queridãn— respondeu Tony com uma piscadela – Não faz a pastora egípcia enigmática virginal comigo não.
— O que tem meu nome aí – perguntou Raimunda em busca da terceira peça.
— Gente, mas quem te chamou exu? – perguntou Vera.
— Falso testemunho é pecado – indigna a pastora.
— Fofoca também, varoa – discutir Brianna – Batuquemos!
Enquanto isso, A Velha Guarda encontra suas peças e se afastam da confusão. Martha com lama nos óculos acaba tropeçando no pé de alguém e começando outra briga entre duas outras equipes.
— O de baixo é meu – irrita Rian.
— O que foi? – pergunta Paulo sem entender.
— Essa lancha aí pisou na minha bota.
— Me poupe – respondeu o jogador de futebol dando de ombros.
— Não finge de maluco não.
— Quê que tu falando? Maluco é tu! – irritou Paulo sendo segurado pelo amigo.
— Eu? Desde o Alagoas tu tá implicando comigo.
— Tá maluco? Isso aqui é um jogo, tenho mais o que fazer!
— Já é a segunda vez que tu me pisa com essa chuteira velha. Tá com inveja? Compra uma bota dessas pra tu.
— Pra que vou querer esse treco do falso do Paraguai?
— Falso? Isso é pele de crocodilo! – irritou Raul sentindo a pressão subir com os risos dos jogadores.
— Para de ser caozeiro! – ria André – Isso aí e pele de largatixa! Comprou lá na 25 de Março ontem!
Salvos da confusão, A Velha Guarda e Pai e Filho conseguem montar o mapa corretamente, recebem a dica do garimpeiro que já tava meio bêbado e a população comemora soltando fogos de artifício.
— É tiro! – gritou Vera se jogando na terra – Sabia que ia rolar tiro!
— Pobre é fogo, né – riu Alice – Não pode ouvir fogos que já pensa em tiroteio.
— “No fim do Meiremê encontra-se a vitória” – lê Antônio aproximando o papel dos olhos semicerrados – “Dê o seu melhor para alcançar a Orla Taumanan”. Vambora minha velha.
— Poxa pai – resmunga Mateus enquanto recebem a dica – Eu queria ver no que acabou a discussão.
— Filho, nessas horas você tem que ficar quieto e não dar ouvidos. Se não você se ferra.
— Ah, igual você e a mamãe?
Mauro respirou fundo e Diego sentiu como os prisioneiros se sentem ao ouvir seu nome completo antes de serem executados.
— Diego Gustavo Ferreira da Silva e Souza! O que você disse? Depois a gente conversa, moleque – respondeu enquanto puxava o garoto pela orelha pelo caminho em direção a Zona de Relaxamento.
A terceira dupla a sair da lama são Os Índios. No mesmo instante, Os Militares encontram a quarta peça do quebra cabeça e correm em direção ao molde.
— Até mais moleques! — debochou Capitão Guerra espalhando lama a cada pisada.
"- Só observo — comenta Lilith limpando lama de seus cabelos na sala de entrevistas — Aos poucos as máscaras vão caindo. Ninguém aqui é santo.
— Pelo menos nunca fomos- revela Lucio".
Enquanto Os Esquisitos e Os Desempregados correm para montar o quebra cabeça, uma dupla volta ao perceber que duas peças não estavam encaixando.
— Ué? — debocha Jéssica — Já voltou?
Respirando fundo Capitão Guerra volta a procurar pelas peças que faltam resmungando. As Testemunhas de Jeová correm pela lama com Os Youtubers, Os LGBT e Mãe e Filha em direção ao molde onde quase caem no soco pela ordem de uso. Lana e Tony encaixam os cristais e soltam gritinhos quando suas dicas são liberadas. Zebedeu só faltou ajoelhar quando uma peça não encaixou, mas com a ajuda de Raimunda ele percebe que a peça estava mal encaixada. Na lama, o pessoal da companhia d'água chega para consertar o dano. Os Funkeiros e Os Melhores Amigos encontram suas peças e pisam com força na lama perto dos Militares correndo atrás dos Desempregados para montar o quebra cabeça, encontrando pelo meio do caminho Os Sertanejos e Os Jogados de Futebol que voltam para disputar ombro a ombro a busca da única peça errada.
Espalhados pela reta Av. Silva Botelho, as equipes optam por veículos diferentes: Liderando o jogo, Mauro e Diego seguem de moto taxi que no momento faz o retorno nas proximidades de um terminal rodoviário. De táxi, A Velha Guarda e os Índios disputam o segundo lugar. Mais atrás, Lucio observa uma arara mascote de um supermercado, e Lilith se queixava da vagareza do motorista da van, já que outras equipes estavam os seguindo. Os Desempregados encontram um taxi velho e ignorando o estado do veículo seguem em direção a Zona de Relaxamento, vendo pela janela duas equipes a procura de alguém que os levassem até o ponto final.
Na lama, com muito sufoco, Soldado Mello encontra a peça que faltava e corre para montar o quebra cabeça, enquanto seu superior procura por algum militar nas proximidades para ajudá-los no transporte, enquanto Os Otakus, Os Sertanejos e Os Jogadores de Futebol se queixavam de onde as peças de cristal foram parar.
— Achei Douglas! – alarmou Gabriel encontrando uma peça parecida com a única que faltava para seguir em frente – Vamos!
Ao ver a dupla correndo em direção ao monumento, as duas duplas restantes se apavoram na busca da peças. Com quase uma hora de jogo, Os Otakus tentam defender a permanência na competição e com as mãos trêmulas encaixam as peças no molde. Quando a ultima foi encaixada Douglas soltou um grito — Ainda não estava completa. Furiosos a dupla observa a peça errada na bandeira e confiando na memória voltam correndo em direção à lama. Na pressa Gabriel acaba deixando os cristais caírem e sente uma dor no coração quando uma delas se parte ao meio.
—Kusoo !!!
Longe da praça, Pai e Filho descem das motos ao chegar à entrada da Orla Taumanan e se esquivando da multidão, procuram a Zona de Relaxamento. Com a ajuda das pessoas, descobrem que o nome “Meiremê” além de significar arco-íris, se refere à plataforma superior da grande estrutura suspensa e correm pela rampa em direção à chegada, seguidos da Velha Guarda que admiram a paisagem, e dos Índios que são admirados pela beleza natural. Finalmente depois de quase dez horas de desafio, a primeira equipe chega triunfante pela primeira vez no Tapete da Complexão.
— Mas que milagre! – comemora Olávio ao ver a dupla comemorando abraçados como se estivessem vencido o final do programa – Pela primeira vez, Pai e Filho, lideram o jogo!
— Já estava na hora — confessa Diego – Podemos descansar agora? Comer algo...
— Não vai trocando de assunto não espertinho! – chamou o pai ao vê-lo sair de fininho em direção aos quiosques – É hora de termos uma conversinha.
— Parece que alguém vai ficar sem mesada – riu Olávio vendo uma dupla de idosos marchando em sua direção – Quando eu envelhecer que estar igual ao senhor, Seu Antônio. Parabéns pelo segundo lugar!
— É muita força nas pernas, meu filho. Graças à fila no banco – riu.
Na Zona de Relaxamento, a dupla que quase não usa roupas chega para garantir a permanecia no jogo.
— Em terceiro, Os Índios! – anuncia o apresentador — Quero ver no dia que tiver frio. Vão usar folha de bananeira como calça.
Mais algum minutos depois a dupla mais misteriosa chega ao Tapete da Complexão.
— Mas como que você consegue ficar em pé em cima disso Lady Gaga? – pergunta Olávio prestando atenção em Lilith sobre o par de sapatos sem salto.
— Sou uma pessoa muito equilibrada – responde andando como se estivesse usando um par de chinelos.
Disputando o quinto lugar, quatro equipes sobem a rampa da orla na base de empurrões e trocas de insultos. Guilherme quase descola o braço de Lana numa tentativa desesperada de ficar entre melhores, e conseguem garantir o quinto lugar, deixando, As Testemunhas de Jeová, Mãe e Filha e Os LGBT, nas posições seguintes. Em seguida Os Desempregados se junta ao grupo em nino lugar. Próximo à entrada da orla, Os Funkeiros descem da van e correm para dentro ouvindo ao longe o som de sirenes. Os Militares cruzavam a avenida no carro da polícia municipal atrás dos Melhores Amigos, que seguiam de moto táxi.
— O que eles querem? – perguntou o mototaxista.
— Querem nada! Eles são malucos e tão com raivinha por que estão tendo um dia ruim – responde Mateus através do capacete.
Enquanto Os Funkeiros chegavam em décimo lugar, as motos sobem no canteiro central e seguem na contramão por uma rua lateral. Os Militares tentam segui-los, mas percebem que algo ficou para trás e o policial que dirigia teve que parar.
— Como o escapamento pôde ter caído? – enfurece Capitão Guerra.
De volta à competição, Os Sertanejos e Os Jogadores de Futebol cobertos de lama discutem quem ficará com a peça de cristal que ambos acharam ao mesmo tempo.
— Vamos resolver isso feito homens! – propõe Paulo tirando a camisa.
—É isso aí – aceita Raul fazendo o mesmo e deixando a mulherada louca enquanto começam a cantar uma de suas músicas — Pronto?
— Pronto – concorda o outro. Depois de se encararem por segundos em silencio ele dispara – Zeeriinho ou um!?
A única coisa que se ouviu foi os “splosh” dos pés dos Otakus na lama correndo para tentar montar o quebra cabeça pela enésima vez. Quando a última peça foi encaixada, os olhos da dupla brilharam ao perceberem que dessa vez estava tudo certo. No mesmo momento, Os Sertanejos vencem a disputa e correm para terminar o desafio. André desesperado começa a chutar e cavar a areia como louco e quase perde um dedo ao se machucar em uma pedra afiada.
— Put... Oh! Não creio, é ela! – comemora chamando o amigo – Corre nego, achei!
— Carai! Vambora!
Quando finalmente a dupla completa o desafio, Os Otakus e Os Sertanejos já corriam longe, e a dupla agora corria atrás do prejuízo e de seus adversários. Os Sertanejos graças à fama conseguem carona de uma fã e ultrapassam Os Otakus que entravam em um taxi. Paulo até que tenta parar um, mas o motorista acelerou quando viu o rapaz enlameado. Enquanto André voltava para a calçada uma cena o chama a atenção: uma bola saia da calçada e rolava em direção à pista e para piorar um garotinho corria atrás dela. Paulo alarma sobre um carro se aproximando e por puro reflexo, André acaba se jogando e puxando o garoto para a calçada. Em seguida os pais desesperados surgem chorando e o agradece pelo salvamento.
— Aqui sua bola – devolve Paulo ao garoto que mesmo assustado sorri em meio às lágrimas.
— Toma cuidado jogador – aconselha André todo dolorido ao menininho – Esse vai dar trabalho quando for pro clubinho.
— Eu nem sei como agradecer vocês – diz o pai emocionado – Se eu puder fazer algo...
Os pais do garoto não pensaram duas vezes em realizar o desejo da dupla que ainda sem acreditar disparavam pela avenida em cima da moto emprestada do pai do menino que acabara de ser salvo.
— Ih a lá! – aponta Vera – Chegaram os crakudos!
— Em décimo primeiro — anuncia Olávio – Os Melhores Amigos. O que houve pirralhos?
— Tio, os milico tão meio maluco. Eles querem prender a gente – responde Jéssica.
— Agora a porrada vai comer – diz Brianna vendo Os Militares subirem a rampa a toda.
— Segurança! – grita Mateus se escondendo por detrás das mesas e dos Esquisitos.
— O que vocês querem? – pergunta Lucio.
— Se eles tentarem algo você pode me defender com seu punhal – pede Mateus.
— Com o quê moleque?– riu Lucio – Tá pensando que sou o quê?
— Sei lá, gótico, vampiro, bruxo... Vocês tem cara de mexer com o capeta – respondeu.
— Imbecil – respondeu Lilith se sentando em uma mesa e esperando a tragédia acontecer.
— Em décimo primeiro, Os Militares! – anunciou Olávio – O que aconteceu?
— É tudo culpa daqueles moleques, cadê eles? – perguntou em voz alta enquanto Soldado Mello o segurava pelo braço com medo dele fazer alguma besteira e serem punidos – Eles furaram um cano e aquilo virou um chiqueiro!
— Pessoal, acabo de receber uma notícia – interrompe Olávio com um dedo no ponto eletrônico — Capitão Guerra, a companhia d’água anunciou que um registro foi ligado por engano por um dos funcionários. Logo eles assumem a culpa pelo ocorrido, já que o cano furado era justamente o que eles procuravam. Os pirralhos não culpa.
— Ah, mas... Ah dane-se – disse puxando uma cadeira e se sentando – Logo eles vão sair mesmo.
— Vocês que vão sair! – berrou Mateus por detrás de Lucio.
— Vou nem falar nada pirralho. A gente resolve isso no jogo! – respondeu Capitão Guerra.
— Ugh, não sei quem é o mais pirralho dos dois – diz Lucio revirando os olhos.
Próximo dali, dois taxis fazem o retorno nas proximidades do terminal. André acelera a moto e na contra mão seguem pela rua oposta chegando primeiro a entrada da orla, mas não o suficiente para se distanciarem dos taxis que se aproximavam.
— Mano, não tem jeito – disse André olhando os táxis – O cara nos emprestou a moto e não vou deixar aqui fora.
— E vai fazer o que?
Por sorte a orla estava quase vazia quando a dupla invadiu o local gritando para as pessoas saírem da frente. Mesmo com os guardas atrás deles, a dupla chega ao Tapete da Complexão e recebem palmas de alguns competidores.
— Que audácia! – exclama Olávio surpreso – O que importa é a chegada! Jogadores de Futebol o décimo terceiro lugar é de vocês!
— Ótimo! — agradece André aliviado — Posso lá devolver a moto?
— Você tem meia hora – permite Olávio vendo os últimos competidores subindo a rampa.
Os Sertanejos e Os Otakus disputam a permanência no jogo na base da corrida e se desesperam quando veem André descendo a rampa de moto.
— Droga, só tem uma vaga! – grita Gabriel.
— Estou no meu limite – responde Douglas com a mão no peito.
— Corre cumpadi! – pede Raul ignorando a dor nos calos dos pés.
— Minha botina tá cheia de pedra – responde Rian.
As duas duplas correm o máximo que podem quase sem fôlego, mas uma delas sucumbe às dores e por segundos perdem a competição.
— Em décimo quarto, vocês continuam Sertanejos! – anuncia Olávio – Meus otakinhos, ou será otakuzinhos? Infelizmente é hora de dar “sayounara” a competição.
— Poxa... É uma pena Olávio-Sensei – lamenta Douglas sem fôlego enquanto se senta e lembra-se dos desafios anteriores na tirolesa em Brasília, do primeiro desafio que venceram no Piauí, de quase quando perdeu o braço no Alagoas e as maravilhas do bairro da Liberdade — Mas sinceramente eu tô surpreso de não ter saído nos dois primeiros episódios! Meu coração tá até acelerado. Não sei se é um ataque cardíaco ou cansaço.
— Concordo com o Douglas-kun – diz Gabriel suado dos pés á cabeça lembrando da emoção de quando foram selecionados pelo programa, o salto de tirolesa no prédio do congresso, das paisagens do nordeste e de mergulhar nas águas do Alagoas – Eu percebi que nós temos que sair um pouco da cadeira do computador e fazer um pouco de exercícios físicos. O mundo aqui fora é interessante – ri.
— Só depois que eu por minhas séries, anime e mangá em dia – ri Douglas
— Ih é! Esqueci dessa parte. Já tô esquecendo meu japonês!
— E debaixo dessa lua cheia incrível, nessa noite quente de Boa Vista, dizemos "hasta la vista" para mais uma equipe que nos abandona hoje. O que será que virá em seguida? Nos vemos no próximo episódio em algum lugar do Brasil para mais um TOTAL-DRAMA-TUDO-OU-NADA-BRASIL! – se despede o apresentador enquanto um drone se distancia sobre o Rio Branco e em homenagem aos otakus a palavra “tsuzuku”, que significa “Continua” em japonês, aparece no canto da tela.
— Pera aí. Isso era pra ter sido uma piada? Boa Vista e Hasta la vista? – pergunta Luis – Foi péssimo!
Mapa da Competição em Roraima [Cap. 6]
...continua...
(^_^)/
by Hikari-Ouji
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