Torre
7 Capítulo 6
Ao passar de algumas semanas, o rei ordenou Aron a seguir caminho para a arena da Torre.
A arena era uma instalação fora da Torre, onde os magos treinavam as diferentes artes de combate, tanto o combate corpo a corpo como o mágico. Todos os magos aprendiam diferente tipos de combate, mas Aron não iria a arena para lutar. Lá ele ensinaria a magia branca a alguns magos da Torre.
Chegando o mago branco se encontro com Polo.
—Pronto? — Perguntou o general fingindo se importar.
—Sempre! — Respondeu.
E os dois seguiram caminho um ao lado do outro.
—Polo, —disse Aron puxando assunto — quantos magos terei o prazer de ensinar?
—Nenhum! — Respondeu ele — O rei preferiu que você começasse treinando alguns jovens antes de treinar nossos magos. Ele selecionou três garotos para que começasse a ensinar. Acha que dá conta?
Aron não se importou. Magos ou não, a dificuldade para ensinar a magia branca era a mesma.
—São apenas três, não será difícil ensiná-los...
—Pensei que a magia branca era complexa. — Continuou Polo desviando o olhar — devia ter suspeitado que fosse um blefe.
Aron ignorou o comentário, o mago branco não queria se estressar mais do que já estava. Sendo assim os dois seguiram caminho até um pequeno corredor que levava da arena de combate até inúmeras outras pequenas salas. Os dois entraram em uma sala a esquerda.
Lá dentro Aron pode ver dois jovens meninos e uma menina. Os três jovens ao verem Aron e Polo se ajoelharam em respeito aos dois generais.
—Levantem-se! —Disse o general elegante movendo sua mão para cima.
Os três se levantaram, mas ainda mantinham suas cabeças baixas.
—Aron, — Disse Polo apontando para o primeiro menino — este é Bako de quinze anos.
O garoto deu um passo à frente. Ele vestia uma armadura para combate marrom, assim como os outros dois, nas suas costas ele carregava dois sabres para serem usados em duelos reais. Bako era moreno de olhos escuros e tinha um olhar de determinação, entre os três ele parecia o mais apto à liderança.
O garoto então colocou seu punho direito em seu peito esquerdo, cumprimentando Aron. Ele fazia o gesto demonstrando força e determinação. O mago branco, em sinal de respeito, repetiu o gesto.
—Essa é Pearl, também de quinze anos. — Disse Polo agora apontando para a menina.
A garota ergueu sua cabeça para Aron. Ela era razoavelmente alta. Seus olhos eram verdes claros. Seu cabelo era liso, longo e escuro, com uma grande mecha branca que vinha do começo ao final das suas pontas.
A garota se mostrava ser delicada, mas isso não a impedia de ser forte e calculista. A arma que carregava era uma grande lança escondia nas suas costas.
Ela deu um passo à frente, com a coluna estica e a cabeça para cima ela tocou o seu peito em um ângulo perfeito com seu punho. Aron repetiu o gesto mais uma vez.
—Por último esse é Gahel de quatorze anos. — Disse Polo apontando para ele.
Gahel era baixo, cabelos morenos e olhos azuis. Ele carregava em suas costas uma espada e um grande escudo. O garoto entre os três parecia ser o mais quieto.
Gahel, embaraçado, deu um passo à frente. De uma maneira frouxa ele colocou o punho em seu peito. O general branco outra vez repetiu o gesto.
—Bako, Pearl e Gahel! Aron é seu novo mestre nas artes da magia branca. Se sintam honrados por serem os primeiros a aprenderem essa nova magia em toda da Torre dos Magos.
—Será um prazer para mim ensinar a magia branca a vocês! — Afirmou Aron virado para os três garotos.
—Agora que eu já os apresentei —Retomou Polo — os deixarei sozinhos para treinarem!
Sendo assim o general deu as costas e partiu. Aron e os três jovens seguiram para dentro da arena para o começo do treinamento.
O centro da arena era coberto em areia com pedras e armas espalhadas por todos os lados. Já que o local era um campo de batalha era normal que houvesse diferentes tipos de armas, mas era estranho elas estarem todas jogadas no chão. O general branco apenas ignorou a bagunça e começou o treinamento.
—Certo! — Começou Aron —Eu quero que vocês saibam que o seu treinamento será longo e cansativo. E desistir não será uma opção!
Os três concordaram com suas cabeças.
—Vocês devem entender que a magia branca não é algo simples de aprender e muito pior de se dominar. Pratica e teoria são duas coisas bem distinguis na magia branca.
Foi quando Bako ergueu sua mão. Não havia necessidade dele erguer sua mão, mesmo assim ele ergueu.
—Diga! — Disse Aron passando a palavra.
—Senhor, — continuou o garoto — com todo o respeito, mas como o senhor conseguiu aprender sobre a magia branca? Ela não havia sido banida?
Aron ficou impressionado que o garoto sabia do banimento da magia branca. Talvez o currículo escolar tivesse mudado na Torre durante esses anos.
— Teoria e pratica são duas coisas diferentes. — ele reprisou a frase — Na idade de vocês eu tinha a teoria nas minhas mãos, mas a pratica foi algo que eu tive que procurar. Foram anos estudando sobre a magia branca para que eu descobrisse a formula perfeita para dominá-la, e mesmo assim eu ainda tenho muito a aprender...
Os garotos ficaram impressionados. Aron não sabia o que a Torre estava contando sobre a magia proibida, mas parecida que eles tinham uma ideia do quão complexa ela era.
—É por isso —Continuou ele retomando a aula — Que eu dividi o treinamento de hoje em dois. O primeiro se trata de um treinamento mental. Vocês três irão meditar até colocar suas mentes em ordem. Como estudantes eu imagino que já saibam como meditar.
Bako balançou sua cabeça com rigor, confirmando o que Aron tinha dito.
—Para a segunda parte do treinamento, vocês três irão lutar entres si, eu preciso saber os quão habilidosos vocês podem ser com suas armas! E somente depois de que vocês controlarem seu corpo e sua mente e que vocês poderão avançar para a magia branca.
Bako e Pearl balançar suas cabeças concordando com Aron, apenas Gahel não concordou, pois enquanto o mago branco falava ele estava distraído olhando para diferentes locais.
—Então vamos começar! —Disse Aron sentando na areia do campo. —Achem uma posição que seja confortável para vocês, quando encontrarem desliguem se de seus corpos.
Os três sentaram em seguida. Para os garotos praticar a meditação era um ato normal que eles tinham desde os 8 anos. E Aron sabia disso, de fato ele estava contando com o treinamento da Torre para facilitar o seu.
Bako foi o primeiro a começar sua meditação. O garoto se sentou entrelaçando suas pernas e colocou seus braços para trás, depois ele fechou seus olhos desligando-se de seu corpo assim como Aron havia mandado.
Pearl logo em seguida se sentou entrelaçando seus pés, a jovem garota esticou suas costas deixando-a totalmente reta, e depois ela colocou suas mãos por cima de seus joelhos, ela fez isso enquanto fechava seus olhos.
Por último Gahel se sentou olhando para Pearl, provavelmente para copiar sua pose, e depois de entrelaçar seus pés esticar suas costas e tocar seus joelhos, Gahel fechou seus olhos, desligando se de seu corpo.
Os garotos entrarem em transe rapidamente. Suas mentes ficaram em silencio e seus corpos refletiram seus pensamentos. Por alguns poucos segundos todos meditaram sem se mover. Aron, que estava sentado de frente para os três, apenas os observou. Tudo ia bem, os três pareciam ter facilidade em refletir, mas isso mudou quando Gahel começou a fazer movimentos involuntários, o garoto jogava sua cabeça para um lado e depois para outro, ele fazia isso enquanto cochichava.
O mago branco não se moveu, ele observou os movimentos do garoto, e depois de alguns segundos o menino cessou. Aron achou que ele havia encontrado a paz em sua mente e que agora tudo ocorreria bem, mas ele se enganou. Foi de repente que Gahel se jogou para o lado, caindo em cima das cochas de Pearl.
O movimento foi o bastante para os três acordarem. Gahel ao perceber que estava caído no colo de sua amiga rapidamente se levantou.
—Pearl, me perdoe! —Dizia ele corado —Eu não queria!
A menina vendo o rosto de seu amigo cada vez mais vermelho não se conteve e começou a gargalhar. Enquanto isso Bako observou a cena envergonhado pelos amigos.
—Chega! — Gritou Aron com a palma de sua mão em seu rosto —Se não vão levar minha meditação a sério não precisam fazer! Descansem e voltem depois para o combate.
Os três se levantaram envergonhados, eles cumprimentaram seu mestre e partiram, se dirigiram para a fonte de água da arena que ficava a alguns metros de distância.
Ao chegarem Bako logo se virou para Gahel.
—O que você estava pensando? —Disse ele empurrando o amigo.
—Não foi minha culpa. —Argumento o menino em sua defesa —Eu não pude me controlar, quando percebi já estava caído.
—Você tem ideia de que esta é uma chance única na vida! —Disse Bako furioso —Quantas pessoas no mundo tem a escolha de se tornarem magos brancos? Eu juro que se Aron se recusar a nós treinar eu mato vocês dois.
—Ele não pode desistir de nós treinar! — Disse Pearl —Quero dizer, se nós não podemos desistir do treinamento porque ele poderia?
—Você sabe muito bem que as regras são diferentes para ele. —Respondeu Bako.
—Que seja, de nada adianta reclamar do que já aconteceu, vamos voltar! — A menina se virou para partir.
—Espere! —Gritou o menino agarrando a mão de Pearl —Não podemos mais cometer erros assim. Nessa luta eu quero que vocês deem o seu melhor, para que Aron saiba que nós três levamos o treinamento a sério!
—Pode contar com o meu melhor. —Respondeu ela se soltando e partindo.
—E você Gahel?
O garoto estava novamente distraído. Seus olhos fixavam para Pearl partindo. Bako apenas quis acreditar que ele estava olhando para o nada.
— Gahel?! —Gritou ele abanando sua mão na frente dos olhos de seu amigo.
—A... sim, claro! —Respondeu o garoto voltando a si.
—Certo, apenas não me envergonhe.
Bako bebeu da fonte e logo em seguida partiu de volta para o centro.
Os três se reuniram mais uma vez com Aron. O mago branco então decidiu começar a segunda etapa do treinamento.
—Bako e Pearl, — disse o general apontando para os dois — vocês vão primeiro!
Os dois concordaram com suas cabeças e se posicionaram um na frente do outro.
Bako foi o primeiro a empunhar suas armas. Ele arrancou de suas costas seus dois sabres, sempre demonstrando foco e precisão. E depois ele assumiu sua posição de ataque esperando o sinal do mago branco para avançar. Logo em seguida Pearl arrancou de suas costas sua lança, ela posicionou a lança de uma maneira que proporcionava uma melhor defesa enquanto, se necessário, ela poderia facilmente mudar para uma tática mais ofensiva. Sendo assim ela assumiu sua posição e esperou pelo sinal.
Aron ergueu sua mão esquerda, ele olhou para os dois jovens, e ao ver que os dois estavam prontos ele abaixou sua mão, simbolizando o começo da luta.
Bako, como esperado, foi o primeiro a atacar. Ele pulou para cima de Pearl com seus dois sabres, mas a menina já estava preparada, ela conseguiu defender o ataque, mas ao tentar revidar Bako recuou. Pearl não teve outra escolha a não ser atacá-lo enquanto ele fugia. Sendo assim ela avançou com a sua lança mirada na cabeça do garoto. Porém, quando ela se aproximou, Bako reagiu, ele abaixou e passou uma rasteira nos pés dela, isso fez com que ela caísse sem proteção alguma. Se aproveitando da situação, Bako se jogou para cima da garota a imobilizando-a. Com um de seus sabres apontado para o pescoço dela e o outro apontado para o estomago a vitória foi certa.
—É o suficiente! — Gritou Aron encerrando o combate —Pearl como castigo você lutara contra Gahel.
A menina se levantou envergonhada. Ela odiava falhar, e perder o combate foi um fracasso que ela não viria a repetir.
Sendo assim Gahel e Pearl ficaram frente a frente. Pearl repetiu sua base e colocou sua lança novamente em posição de defesa. Gahel removeu seu escudo e sua espada de suas costas, ele colocou o escudo na frente de seu corpo e a espada apontada para onde o escudo mirava. O garoto assumiu uma posição de defesa e contra-ataque. Aron por alguns segundos elogiou mentalmente a defesa do garoto, que parecia ser equilibrado.
Sendo assim Aron ergueu novamente sua mão esquerda e logo ele a abaixou simbolizando o começo da luta.
Tanto Pearl quando Gahel ficaram imóveis, os dois estavam esperando por um ataque, mas ninguém estava atacando, e depois de um tempo a garota quem decidiu tomar a partida, ela mudou a posição de sua lança e correu em direção ao menino desleixado.
Gahel por sua vez se preparou para o ataque, o garoto colocou seu escudo a frente e quando ele foi atingiu ele absorveu todo o impacto. O menino recuou levemente para trás, ele pretendia manter sua defesa. Pearl calculou uma nova abordagem, ela iria quebrar a defesa dele custe o que custar. E assim começou, ela atacava incansavelmente, mas Gahel defendia com facilidade todos os ataques. Pearl continuou atacando e quando mais ela avançava mais desleixada ela ficava. Em questões de segundos o menino percebeu uma brecha na base dela, então em um movimento rápido ele lançou sua espada em direção ao rosto de Pearl, tudo que Gahel precisava fazer era mostrar para Aron que o seu ataque acertaria a garota e ela seria tirada de combate, não era necessário acertá-la ou machucá-la. Mas Gahel decidiu fazer diferente do que ele devia, no meio de seu ataque ele recuou sua espada, a chance de vitória era perfeita, mas ele preferiu não atacar.
Aron estranhou o movimento, mas ele continuou a observar a luta sem dar uma palavra.
Porém, enquanto Gahel se preocupava em recuar sua arma Pearl se preocupa em avançar a dela, ela então se aproveitou do momento de distração e agarrou o escudo de Gahel por baixo. Pearl com a sua força jogou o escudo para o lado, isso fez com que a defesa do menino se abrisse, e foi o momento perfeito para ela atacar. Ela rapidamente agarrou sua lança com suas duas mãos e, mais veloz do que nunca, ela fez um corte na perna do garoto. Gahel não suportou a dor e caiu de joelhos gritando. Pearl aproveitando a situação virou sua lança — para o lado sem a lamina — e acertou a cabeça de Gahel com toda a sua força, fazendo o pobre coitado cair desmaiar.
No dia seguinte o menino acordou em uma maca com uma tremenda dor de cabeça. Ao lado dele estava Aron sentado em um banco.
—O que aconteceu? —Perguntou o jovem esfregando sua testa.
—Você foi nocauteado.
—Por quem? —Pergunto Gahel surpreso, o garoto ainda não tinha memória do ocorrido.
—Pearl. —Respondeu Aron levantando-se —Você não se lembra?
Gahel pressionou sua cabeça tentando recuperar sua memória e, como uma pancada mais forte do que a de Pearl, sua memória retornou.
—Sim, eu me lembro. Pearl me derrotou, eu falhei.
—Não. —Respondeu Aron —Você tinha a chance para derrotá-la, sua espada estava pronta para atacar. A vitória era certa! Mesmo assim você recou.
O garoto abaixou sua cabeça envergonhado.
—Eu não conseguiria ataca-la... — Murmurou.
—Isso é mentira! —Interrompeu Aron —Eu vi sua espada, você estava pronto, mas algo o impediu! E esse mesmo algo te tirou a concentração em sua meditação, e esse mesmo algo fez você se jogar em...
—Não! —Gritou Gahel interrompendo o seu mestre — você não entende!
—Então explique! —Argumentou Aron agora furioso com a falta de educação do garoto.
—Eu não conseguiria atacar Pearl...
—POR QUÊ?! — Gritou ele agoniado pela demora que o garoto levava em falar.
—Porque... — Gahel respirou antes de continuar — Eu acho que estou apaixonado por ela...
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