Eu tinha 14 anos era uma noite comum de domingo. Eu estava dormindo quando aconteceu, do nada comecei a sentir cheiro de queimado, o quarto começou a ficar abafado e quente, eu conseguia ver fumaça que começava a entrar no meu quarto por baixo da porta. Levantei-me e fui em direção a porta, na tentativa de avisar meus pais e minhas irmãs, porém ao tocar a maçaneta gritei e recuei, ela estava pelando de quente. Eu conseguia sentir o fogo se aproximando cada vez mais para meu quarto, não havia outro jeito tive de sair pela janela. Segurei a janela e tentei — desesperadamente — me apoiar nas proximidades da casa, acabei escorregando e caindo no gramado com a barriga para cima. Urrei de dor com certeza havia me machucado feio — mas naquela hora eu realmente não me importava — demorei um pouco para conseguir respirar novamente e me levantar, neste meio tempo, os bombeiros chegaram e o resto... Bem... Não gosto de falar sobre isso.
– Você está bem filho? — Perguntou um dos bombeiros e então gritou para outro bombeiro — Este aqui está vivo chame uma ambulância!
Eu fui levado ao hospital, me disseram que eu havia fraturado uma costela. A primeira mentira que eles me disseram foi "Você vai ficar bem" mas é claro, isso eu já sabia que não era verdade.
– Aonde estão meus pais? — Eu estava meio eufórico — E minhas duas irmãs?!
O medico abaixou a cabeça, temia que ele fizesse isso, mas já estava explicado com um simples gesto.
– Sinto muito meu jovem, eles não sobreviveram — E em seguida disse a segunda mentira — Creio que eles estejam num lugar melhor agora.
Nem preciso entrar em detalhes para dizer que chorei a noite inteira, não conseguia dormir, parecia que havia uma cachoeira de lagrimas eternas em meus olhos. No enterro me disseram a 3ª mentira
– Tudo vai ficar bem, você verá — Disse um amigo de meu pai — As coisas voltaram a ser como eram.
É claro que essas mentiras nunca tiveram um pingo de verdade em minha vida. Após isso eu fui mandado para um orfanato e uma família amável me adotou, você deve estar pensado no que há de ruim nisso, bem, realmente não há, mas você simplesmente eu iria esquecer do que me aconteceu? Acha que tudo voltaria ao normal? Que eu superaria? Seria feliz? Bem tudo isso poderia acontecer se Ele não tivesse aparecido em minha vida após o incêndio e aquela noite infernal. Sempre, sempre, sempre! Ele me visita em meus sonhos, antes ele era apenas uma mancha escura, mas foi crescendo, se tornando mais real! Agora ele veem sempre, eu posso senti-lo e ele fala comigo. Agora além de ele aparecer em meus sonhos ele aparece quando eu estou acordado! Mas ele ainda não pode me tocar, mas sera que poderá? Eu tenho medo dele...
Minha mãe — adotiva claro — já me levou ao psicologo, o psicologo diz que "Ele" — que na verdade se nomeia como Nathaniel — é apenas uma lembrança do que ocorreu comigo e que se eu superasse ele desapareceria. Porra! Ele é mais que isso eu posso ver! As pessoas me acham louco, além de pensarem que eu mesmo pus fogo em minha casa pensam também que sou um louco com um monstro imaginário. No colégio não tenho amigos, todos me ignoram — pode escolher os motivos medo ou pena? — não me preocupo com isso, eu sempre gostei de ficar sozinho, gosto de desenhar sabe? Sempre fixo meu olhar em algo e começo a desenha-lo, como já deve ter imaginado, sim , eu já desenhei Nathaniel varias vezes em suas "visitas". Ele tem o braço completo por tatuagens que levam até seu pescoço, ele sempre estava vestido da mesma maneira, um jeans socado e uma blusa branca com manchas de sangue, em sua face também há sangue saindo de sua boca e nariz como se tivesse sido socado varias vezes, ele possui cabelos castanhos curtos e olhos verdes amarronzados, sua voz é rouca e chega a dar arrepios, eu diria que ele tem 17 anos — a minha idade atual — e nunca passa disso. Me lembro da primeira vez que ele falou comigo, quando eu tinha uns 15 anos e prestes a fazer 16, antes eu apenas via-o ali atrás de uma arvore ou se escondendo em uma sombra me observando.
– Como vai garoto? — Sussurrou ele em meu ouvido
Eu levei um susto que pude pular da cama, eu estava lendo um livro que foi parar ao meus pés quando o joguei para o alto. Quando olhei para o lado eu pude vê-lo, olhando diretamente para meus olhos com aquele sorriso ensanguentado. Eu gritei e minha mãe veio correndo ao meu quarto, porém no mesmo instante que ela abriu a porta ele desaparecera. Agora atualmente ele me visita ainda e fala comigo, porem não o vejo com tanta frequência que o via antes.
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