Tormento
2 Parte 2 - Amor Proprio
– Filho?! — Ouvi minha mãe gritar da cozinha — Você poderia ir a padaria para mim, por favor?
– Claro mãe! — gritei de volta enquanto descia as escadas.
Fui andando pela calçada — padaria ficava aqui perto — enquanto isso eu ouvia o som dos pássaros, eu gostava de ouvi-los, sua musica me agradava, me sentia em paz ao ouvi-los. Eu estava olhando para as arvores esperando ver algum pássaro, estava tão distraído que nem vi o que estava em minha frente, acabei batendo em algo e ouvi o barulho de coisas caindo.
– Des-desculpe — Disse e ao olhar para baixo vi uma garota de cabelos loiros lisos curtos um pouco acima do ombro
– Poderia me ajudar por favor? — Disse ela se referindo a seus cadernos e livros que haviam caído, ela olhou para mim e, e...
Cara, ela era linda, seus olhos azuis olharam e minha direção e não consegui pensar em mais nada a não ser o fato dela ser muito linda. Além disso ela falou comigo! E nenhuma garota — ou melhor, ninguém — falava comigo após o incidente, ela também estava sorrindo, seu sorriso era lindo, o tipo de sorriso que por mais que sua vida esteja uma merda você tem vontade de sorrir também. Acho que não foi difícil para notar... Eu estava apaixonado.
Quando finalmente concegui sair do encanto da loira sexy eu me aguachei e ajudei a pegar os cadernos e livros.
– Obrigada — Disse ela com seu sorriso sedutor
– Não foi nada — Notei que ela segurava uma mala — Você não é daqui é?
– Na verdade não, sou de Nova York, preciso achar o apartamento que irei ficar porém não sei aonde fica esse lugar — disse ela me entregando um pedaço de papel com o nome da rua.
Claro, estava explicado o porque dela não ter fugido de mim assim que me viu
– Ah fica aqui perto — Aproveitei a oportunidade — Eu ajudo você a levar seus livros para lá
– Muita gentileza sua!
Seguimos até seu apartamento, no caminho pensava numa forma de puxar assunto, como já deve imaginar, eu não era bom nisso
– Então... — Mordi o lábio em busca de palavras — Por que veio pra cá?
– Meus pais decidiram se mudar por conta do emprego — disse ela
– E o que está achando da cidade?
– Estou adorando! tem muitas arvores e ah... — Ela parou quando notou que eu havia parado
Eu estava olhando para frente, em minha vista havia um cara de costas, com os braços cheios de tatuagens até o pescoço. Como você já deve ter imaginado... Sim, pensei que fosse o Nathaniel, eu não o via um mês e isso era um milagre para mim, significa que eu estava me tornando normal de novo, quando eu finalmente achei alguém que não me ignorasse ou que não tivesse medo de mim, não podia suportar a ideia de ele ainda estava... Bem... Em mim. Quando o cara se virou eu suspirei de alivio, ele tinha barba e com certeza não era Nathaniel.
– O que foi? — Perguntou a garota
– Esquece... Achei que fosse outra pessoa. Do que você estava falando mesmo? — Voltamos a andar
– Que eu estou gostando da cidade — Ela olhou para mim, sorriu e disse — E as pessoas daqui também parecem muito legais e gentis
De fato ela estava errada, mas eu estava tão contente com o elogio que decidi não corrigi-la.
– Bem, aqui é o apartamento — disse ela — Muito obrigada pela ajuda, qual o seu nome?
– Daniel e o seu?
– Me chamo Lucinda, mas todos me chamam de Lucy
Ficamos um tempo um olhando para o outro sem dizer nada, até que Lucy foi para frente e beijou levemente minha bochecha, ela não falou nada, nem eu, ela simplesmente virou e entrou no apartamento. Eu voltei para casa, sorrindo , assim que entrei em casa, minha mãe notou que havia algo de errado, eu estava mais feliz que o normal, ou melhor, mais feliz que estivera desde o incendio.
– Oh o que aconteceu? — Ela parecia surpresa — Nunca te vi assim
– Nada não mamãe! — disse eu sorrindo e subindo para o meu quarto
– Mas e o pão que eu pedi?
– Bem mãe eu...
– Ah está tudo bem — Disse ela rindo — Te ver feliz me faz feliz, querido!
Joguei meus sapatos no canto da parede e me deitei na cama, estava lendo livro quando olhei para o relógio e notei que já eram dez horas. Só que eu não estava com sono — muito pelo contrario — eu não conseguia dormir, fiquei um tempo deitado pensando em Lucy, no jeito carinhoso dela de sorrir, o modo gentil que ela fala, seu cabelo e... Merda, o que ela tinha de tão especial afinal? Eu não deveria estar assim, apaixonado, logo ela saberá da verdade e irá me ignorar como todos. Tentei ao máximo não pensar em Lucy, porém isso não me trouxe coisas boas, comecei a pensar então, em umas das conversas minhas e Nathaniel. Eu estava sentado numa praça lendo quando ele se sentou ao meu lado e disse:
– Você não terá que se acostumar com a solidão
– Quem é você? O que quer dizer?
– Eu sempre estarei aqui
E ao mesmo tempo que ele disse isso, começou a jorrar sangue de seus olhos,boca e nariz, eu comecei a gritar e correr pela praça na tentativa de fugir daquilo. Mas claro, tudo o que eu fiz foi fazer papel de louco, mais uma vez, só que eles não virão o que eu vi, eles não virão a merda que eu vi...
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