Fred West era um rapaz tranquilo e de boa aparência. Esguio e, de certo modo, pálido, ele costumava passar despercebido para a maior parte das pessoas. Mas não a quem o conhecesse de verdade; a quem conhecesse sua essência.

Era dia de visita ao "papai". Walter West estava do outro lado do vidro, segurando aquele telefone de cadeia como se sua vida dependesse daquela conversa. O uniforme laranja combinava com seus cabelos escuros e desgrenhados, e seu corpo parecia mais cadavérico do que o normal.

"Por favor, Fred, me perdoe. Diga que quando eu sair daqui vai me aceitar..."

"Eu já o perdoei, papai. Está tudo bem" retorquiu Fred com um sorriso vazio. Percebendo o tom despido de emoção do filho, Walter sacudiu a cabeça, desesperado.

"Não, não. Você não me perdoou ainda."

"Você fez a coisa certa, Walter."

Largou o telefone sobre a mesa e saiu sem esperar pela resposta do pai. Fred o deixou lá, desamparado, gritando. Seus lábios se moviam, mas o som não atravessava o vidro, e Fred não se deu ao trabalho de lhe dedicar qualquer atenção. Saiu do prédio a passos leves, como se flutuasse junto da fumaça de seu cigarro.

Notas finais
O que teria feito Walter West para acabar atrás das grades?