Tomione: Forbidden Memories
43 Só mais uma vez.
Notas iniciais

– Eu disse que não ia te machucar – Sorriu ele prepotente.
Hermione bufou, mas deu um leve sorriso de canto.
– Ah, cala a boca, Tom.
Ele riu.
– A propósito, feliz aniversário. Não tive tempo de comprar um presente. Desculpe — Disse Hermione, movendo sua cabeça para encará-lo.
Ela e Tom estavam deitados lado a lado, com apenas o cobertor para cobrir seus corpos nus, com pouco espaço entre os dois, porém não se tocavam.
– Hermione Granger se desculpando? Que bela mudança eu causei – Disse se fingindo de nobre.
A garota lhe socou o braço, fingindo-se de irritada.
– Que dama mais educada – Riu – Quanto às suas desculpas, eu chamaria o que acabamos de fazer de um ótimo presente – Sorriu malicioso.
Hermione fez uma careta.
– Rá, rá! Que engraçado.
Depois disso fizeram silencio, ambos encarando o teto. Tom ponderava. O que faria agora? Depois disso, achava que talvez o desejo que sentia por ela passasse, ou até mesmo diminuísse. Mas só fez aumentar. Um pouco incerto da reação dela, já que, aparentemente, ela já estava quase voltando ao seu normal, comprimiu os lábios e pediu:
– Fique... Mais perto de mim.
Hermione observou aqueles olhos um pouco mais verdes do que o normal, se misturando perfeitamente com o castanho opaco. Ficou mais próxima a ele e se deitou em seu peito, com Tom passando o braço envolta dela.
– Então... Como vai ser agora? – Perguntou Hermione dando um sorriso amargo, imaginando como seria – Simplesmente... Esquecer?
Tom comprimiu os lábios novamente. Plausível. Quer dizer, ela era uma sangue ruim. E uma sangue ruim que sabia tudo sobre ele, fazendo-o se contorcer de curiosidade. Ele não devia se envolver com ela. Não fazia parte dos seus planos. Eliminar sangues ruins era o que devia fazer. Não quase morrer por uma, principalmente quando temia tanto a morte. Hermione estava acabando com toda a sua razão. Não estava mais conseguindo achar motivos razoáveis para suas ações. Por quê? Era o que se perguntava. Por que eu fiz isso? Por que eu ainda continuo com isso?
– Eu não quero esquecer. Eu não posso esquecer.
Hermione ajeitou-se, pondo a cabeça no ombro dele, encarando-o.
– E então o quê? – Perguntou sarcasticamente.
– Então, quero que continue sendo minha – Falou ele.
Hermione estava surpresa. Não tinha imaginado que isso poderia acontecer, não com seu pessimismo em ação.
– Oi? – Questionou ela, confusa — Sangue ruim de quem você teve pena aqui – Falou apontando para si mesma, fazendo careta.
– Pena? Do que está falando? Acha que dormi com você por pena?
– E porque mais seria?
– Por que você me atrai?
Hermione emudeceu, desviando o olhar.
– Tola – Disse puxando o queixo dela para que lhe encarasse.
Tom desfez a expressão séria e lhe sorriu.
– Te atrair? – Hermione sentou-se e deixando o lençol cair.
Aquilo lhe proporcionou uma visão de todo o seu tronco nu, com todas as cicatrizes à mostra.
– Como isso pode te atrair?
– Não sei. Mas atrai – Falou sentando-se também – Mas eu também te atraio, não é? Sabe as coisas que fiz e te torturei. Minhas mãos também não são mais o que eram. Então, como eu posso te atrair?
Hermione ficou sem resposta.
– Eu não me importo com isso. E pelo jeito você também não se importou quando fez isso com si mesma. Por que se importar agora? – Perguntou ele, indiferente.
Ela se encolheu. Ele tinha razão. Não devia se importar com isso, mas também não queria ele lhe visse como era, deformada. Puxou o lençol, enrolando-o novamente em volta de si.
– Mas essas cicatrizes são...
– Não importa o que é. Você é tão bonita com elas quanto é sem – Interrompeu.
– Bonita? – Perguntou surpresa.
Um real elogio de Tom Riddle? O apocalipse devia estar chegando.
– Não faça essa cara de surpresa. Você sabe que é – Virou o rosto para que ela não pudesse ver sua expressão.
Droga. Eu estou corando. De novo, pensou ele.
– Você está corando? – Perguntou Hermione, sorrindo.
– Não estou – resmungou virando mais ainda o rosto.
A garota engatinhou na cama para olhar a expressão dele.
– Corado – Riu Hermione.
Tom bufou.
– Você também está – Disse ele.
Porém, Hermione ainda lhe sorria. Olhos castanhos dourados se destacando mais sobre o opaco. Bochechas coradas. Linda.
Tom sentiu a já familiar sensação de euforia preencher lhe o peito. Por Salazar, que tipo de magia está garota está fazendo comigo?
Ela aproximou-se e beijou-lhe. Na bochecha.
– Obrigada.
Tom fitou-lhe confuso, mas assentiu. Então fez uma careta emburrada e disse:
– Não se ache tanto, não vai receber muitos elogios meus.
Porém, a garota só lhe deu um pequeno sorriso. Desviando o olhar, Hermione focalizou o pequeno relógio bruxo na cômoda ao lado da cama.
– Já passou da meia noite.
Tom virou-se para olhar. Ela tinha razão. Já eram 00h05min.
– Feliz ano novo, Tom – Sorriu, sentindo-se bem pela primeira vez em algum tempo.
Sentiu velhos fragmentos de sua antiga personalidade voltando, partes que ela não sabia, mas que fazia falta e a diferença. Nunca seria como era antes, mas um meio termo já era bom o bastante para ela.
– Feliz ano novo, Hermione — Deu um pequeno sorrindo, resolvendo ignorar a razão mais uma vez.
Só sentindo. Beijaram-se e dormiram juntos mais uma vez. De que importava o amanhã se podiam aproveitar o agora? Uma vez mais não faria mal. Só mais uma.
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