Tomione: Forbidden Memories
38 Se recuperando.
Elizabeth não gostava de esperar. Por que não podiam dizer para ela como Ewan estava para poder ir embora logo?
No meio de toda aquela confusão, o garoto machucara a perna, mas era só isso que ela sabia. Queria estar em sua cama, debaixo dos cobertores, dormindo. Mas não faria isso até ter notícias dele, ela não era tão sem coração a ponto de saber que o seu garoto estava machucado e não saber a gravidade da situação.
Elizabeth observava os outros alunos no corredor silencioso. Alguns em pé, outros sentados no chão. Ninguém falava.
Todos os Lufanos que não tinham se machucado, estavam ali de pé, o que era só três. Da Grifinória só havia dois e da Sonserina só estava Abraxas Malfoy ali de pé, sozinho. Os outros sonserinos haviam ido dormir e só ele ficara.
Só Tom Riddle daquela casa havia se machucado. O que era estranho porquê Tom estava sentado no fundo, junto com os outros Sonserinos, o que facilitava muito a saída.
E da Corvinal só havia ela, Ethan e Aidan, este último se revelando uma grande surpresa. Quem diria que ele berraria que amava Madeleine na cara de Ethan?
Elizabeth sempre desconfiara que existia algo entre aquele trio, talvez algo entre Ethan e Madeleine, talvez até um ménage à trois entre os três, mas aí Elizabeth se lembrava que eles eram muito puritanos para esta última especulação.
Mas realmente amor entre aqueles dois briguentos? Elizabeth nunca imaginara. Bom, mas não dizia que o ódio e o amor caminham lado a lado? Não que eles se odiassem, mas... Ah, você entendeu.
E também não era como se Elizabeth ficasse perdendo tempo muito neles.
Nesse momento a porta da enfermaria se abriu revelendo o professor Dumbledore. Todos que estavam sentados levantaram-se — incluindo Elizabeth — e, assim como os outros, o encararam ansciosamente.
O professor suspirou cansado.
– Está tarde, vão para seus dormitórios, amanhã saberam sobre seus colegas.
Reclamações começaram e Dumbledore ergueu as mãos, fazendo gestos para silenciar os adolescentes.
– Não se preocupem, a maioria vai ficar bem – Disse o professor.
– A maioria? – A voz de Malfoy se elevou por entre os murmúrios.
Abraxas saíu de onde estava encostado na parede, as mãos nos bolsos e os olhos azuis acinzentados frios como duas pedras de gelo.
– Então tem alguém que pode não ficar bem?
Dumbledore estava sério, mas respondeu calmamente.
– Sua suposição está correta, senhor Malfoy. Suponho que ainda está aqui para ter notícias de seus colega? Tom Riddle? Pois ele está muito bem.
Abraxas crispou a boca. A ténue luz dos archotes dando a ele uma aparência mais sombria.
– Ótimo – disse o loiro – Ótimo.
E se fez de indiferente, mas Elizabeth conhecia Abraxas um pouco mais que a maioria dos presentes na sala, considerando que já transou com ele.
O loiro não estava nem um pouco satisfeito que Tom estivesse bem.
Abraxas desviou seus olhos azuis acinzentados para ela. O aviso era nitído em seus olhos. "Não se intrometa".
E Elizabeth realmente preferia ficar bem longe, principalmente depois de ter recusado ajudá-lo.
– Mas e Madeleine? – Pergutou Aidan.
– E Hermione – Lembrou Ethan.
Isso fez Aidan se sentir culpado. Ele não havia parado para pensar no estado da amiga nem um instante. Só estivera cego de preocupação por Madeleine. Madeleine, Madeleine, Madeleine. Quanto havia se tornado tão dependente dela?
Dumbledore suspirou, vendo que todos os poucos estudantes queriam saber.
– A senhorita Granger sofreu uma... Contusão moderada na cabeça e vai ficar alguns dias dormindo, mas vai ficar bem.
– Contusão moderada? Não entendi – Falou Ethan com seus olhos cinza confusos.
– Para ser mais claro, é uma pancada na cabeça. Quando a criatura explodiu fez parte do palco explodir juntamente ela. A senhorita Granger foi atingida com um pedaço de soalho na cabeça, mas ela foi tirada de lá bem a tempo, bem heroicamente, me atreva a dizer – Explicou Dumbledore com seus olhos azuis brilhando misteriosamente.
– Heroicamente? Como assim? – Perguntos Aidan.
– Logo saberá, senhor Bell. E quanto a senhorita Clearwater, receio que ela não teve tanta sorte.
O coração de Aidan falhou uma batida.
– Ela está...? — O moreno não conseguiria dizer "morta".
– Ela foi transferida para St. Mungus.
Tanto Aidan quanto Ethan exalaram, um pouco mais alíviados, fazendo sair um pouco de vapor de suas bocas. Chegava até a ser cômico de antes estar tão calor e agora tão frio. Elizabeth ajeitou seu cachecol em volta do pescoço.
– Mas ela vai ficar bem, não é? – Exigiu Aidan.
– Não sabemos – Disse Dumbledore com certa tristeza.
Aidan inspirou e exalou profundamente. Ethan parecia querer chorar, mas não ia. Ele tinha que amparar o amigo, não o contrário.
– Agora, – Começou Dumbledore – nenhum dos outros está em riso, apesar dos ferimentos. Peço que todos se dirijam aos seus salões comunais, amanhã poderão visitar seu amigos e colegas.
Dumbledore voltou-se para a enfermaria e os alunos voltaram em silêncio para suas casas. Ethan colocava a mão no ombro do amigo, amparando-o e rezando para tudo ficar bem.
OoOoOoOoOoO
Hermione estava num estado de semi consciência. Começou lentamente e ela começou a ouvir vozes, mas não conseguia abrir os olhos ou sequer se mexer.
– Ela vai ficar bem? – Perguntava alguém com uma voz familiar.
– Sim, mas vai demorar mais algum tempo para acordar – Respondeu uma segunda voz.
– Mas já faz três dias – Replicava a primeira voz.
– Nesses casos realmente demora, você também dormiria assim se tivesse levado aquela pancada na cabeça. Ela teve sorte.
– Sorte... Madeleine não teve tanta sorte – Dizia amargurado.
– Aidan – Censurava uma terceira voz – Não tente colocar a culpa nela. Ela não tem nada a ver com isso.
– Ela sabia que aquela coisa ia explodir.
– E tentou impedir. – Replicou a terceira voz.
Hermione não conseguia identificar as outras vozes, não estava raciocinando direito. Ela ouviu o que pareceu ser um suspiro.
– Eu sei. Me desculpe, eu só...
– Não preciso explicar. Eu sei.
– Agora vocês tem que ir. É hora da poção para dor e para sono sem sonhos dela e vocês tem que ir ajudar no salão principal. – Disse a primeira voz.
– Certo.
Hermione sentiu alguém lhe afagar a mão e depois sair. Tudo ficava distante e se perdeu quando a garota sentiu liquídos serem derramados em sua boca.
OoOoOoOoO
Na próxima vez em que "acordou" Hermione já estava consciente. Ela já conseguia abrir os olhos, apesar de ter que forçar um pouco o direito por estar dolorido. Porém, Hermione estava muito fraca para falar e sua cabeça doía muito.
Precisou de alguns minutos para extinguir o sono, mas mesmo assim estava muito cansada. Hermione sentia vontade de dormir por mais uma semana. Mais uma semana... Por quanto tempo será que ela esteve dormindo? Não tinha certeza se o que ouvira era uma alucinação. Se fosse real, Madeleine devia estar pior que ela, então Hermione preferiu pensar que não era verdade.
Suspirou pesadamente, sentindo dor na cabeça e frio, apesar do grosso cobertor que a cobria. Esticou a mão esquerda e subiu o cobertor para ver os ostragos. Seu braço esquerdo estava envolto em uma tala e apoiado em sua barriga, faixas envolviam o braço e passavam por seu pescoço, para dar apoio quando levanta-se. Pequenos cortes espalhavam-se por sua coxas, quase cicatrizados e levantando a roupa, Hermione viu mais alguns em sua barriga, cobertos com curativos.
Suspirou novamente. Mais alguns para a coleção, pensou. Mas que diferença vai fazer afinal? Eu já estou toda destruída.
Hermione passou a mão pela cabeça, sentindo as faixas enroladas. Conseguia sentir o local onde fora atingida.
Ou melhor, presumira que fora atingida. Só se lembrava de correr em direção ao palco, nada mais.
A garota tentou se sentar, mas sentiu-se tonta e desistiu. Também não consegui afastar as cortinas ao redor da cama, então só resolveu esperar.
Não sabia quanto tempo ficou ali, mas quanto vieram vê-la já era quase noite.
– Olha só quem acordou – Falou Tom com um meio sorriso malicioso puxando as cortinas para o lado.
O moreno tinha as mãos enfaixadas e um corte fino, quase cicatrizado, na sobrancelha direita, mas fora isso ele parecia impecável como sempre. Hermione pigarrou, já se sentindo melhor para falar.
– O que aconteceu com as suas mãos? – Sua voz saiu mais fraca do que desejava.
Tom olhou para suas mãos e depois as colocou nos bolsos.
– Nada de mais, só acabei me machucando um pouco com aquela confusão. – Respondeu indiferente.
Hermione arqueou as sobrancelhas, mas isso fez seu olho doer, assim como um ponto na sobrancelha e bochecha, então voltou ao normal. Tom não queria que Hermione soubesse por ele que a havia salvado. Não queria dizer, pois sabia que isso significava que ela devia a ele. E pela primeira vez ele queria que alguém não devesse nada a ele. Não queria gratidão, não por salvar alguém assim. Alguém de sangue sujo.
– Mas você estava no fundo. Não deu tempo de sair? Muita gente se machucou? – Perguntou Hermione.
Tom deu de ombros e humedeceu os lábios com a língua.
– Foi uma confusão, muita gente acabou machucada – Disse olhando para a janela.
– Tom? – Chamou Hermione seriamente – Alguém morreu?
Tom voltou seu olhos verdes escuros, quase castanhos e opacos para ela.
– Não.
Ele viu que Hermione ficou alíviada. Não ia contar para ela sobre a amiga dela.
– Como você sabia? – Perguntou Tom – Como sabia que aquela coisa ia explodir?
Hermione olhou para ele. Ele não parecia como normalmente, pretensioso e sério. Ele só estava curioso e nada mais.
– De onde eu vim... – Começou a garota olhando para o teto – Já tinhamos estudado sobre a criatura. Era um cinzal. Eles nascem do fogo mágico, por isso tanto calor, e põe ovos tão quentes que podem incendiar facilmente qualquer coisa. Depois de uma hora de vida eles explodem. Simples assim. Não fiz nada no começo porque achava que o professor sabia sobre ele. Mas não sabia. Então...
E deixou as palavras morrerem. Tom sabia sem ela precisar dizer o resto.
– Realmente. O professor Kettleburn vai ter que lecionar sob supervisão agora. E o professor Beery está com a cabeça encolhida. – Deu um meio sorriso malicioso – Ninguém sabe quanto tempo ele vai ficar assim. E o diretor Dippet proibiu terminantemente pantomimas em Hogwarts. E tivemos que ajudar a reconstruir o salão principal, mas ainda vai ficar meses com cheiro de fumaça – Terminou fazendo uma careta.
Hermione deu um pequeno sorriso que logo desapareceu.
– Pode me contar. – Falou ela.
– Contar o que? – Perguntou franzindo as sobrancelhas.
– Sei perfeitamente que está me escondendo alguma coisa, Tom. Você não me engana – Falou ela se ajeitando na cama.
Tom rolou os olhos e passou a mão no cabelo para ajeitar algum fio fora do lugar.
– Não estou escondendo nada, você é que é muito paranóica.
Hermione bufou.
– Então pode me contar o que aconteceu com você, sendo que você poderia muito bem ter saído facilmente de lá, que eu sei – Disse séria.
Tom hesitou, mas resolveu contar. Ela saberia de uma maneira ou de outra.
– Acontece que... Eu vi você correndo para o palco então eu corri atrás. O cinzal explodiu, eu caí e perdi a varinha. Tinha visto você ser atingida então eu levantei e fui atrás. Você estava embaixo de uma pilha de madeira que estava começando a pegar fogo e eu tinha que te tirar de lá, mesmo estando sem varinha. – Explicou olhando para a janela.
– Você... Me salvou? Colocou as mãos no fogo... Pra me salvar? – Balbuciava ela sem entender – Por quê?
Tom deu ombros, ainda encarando a janela.
– Não sei... Eu só fiz. – Respondeu ele.
Fez-se silencio por algum tempo até Tom sentir um tapa em seu braço.
– Hey! – Reclamou ele voltando-se para ela.
Hermione tinha a expressão cheia de raiva.
– Por que diabos fez uma coisa dessas?
Tom não estava entendendo nada. Por que ela estava com raiva? Ela... Preferia morrer a ser salva por ele? Tom fez uma expressão séria, pronto para responder quando ela diz:
– Você poderia se morrer também, seu idiota pretensioso! O que é que estava pensando? Vai ficar com cicatrizes para o resto da vida.
Tom, em uma rara vez em sua vida, ficou boquiaberto. Ela estava com raiva porque estava com medo dele morrer?
– E não faça essa expressão idiota, Riddle! Quanto você morrer pode apostar que não vai ser tentando me salvar, eu não vou deixar. – Reclamou Hermione virando o rosto para o lado irritada.
Então Tom riu. Verdadeiramente.
– Você é louca. – Falou ele em meio as risadas.
Hermione o espiou pelo canto do olho. E admirou-o. Até que começou a rir com ele.
– Tudo bem, isso foi estúpido – Admitiu Hermione ainda sorrindo.
– Muito – Concordou ele.
Os sorrisos desaparecem e eles se encararam.
– Isso é estranho. – Disse Hermione – Você sempre fica me avisando para ter cuidado, que algum dia você não vai estar lá para me ajudar. Mas no final você sempre está.
– Eu sempre vou estar lá pra te salvar – Falou sem pensar.
E ficou embaraçado quando notou o que disse e desviou o olhar. Pelas barbas de Merlim, mas que droga eu acabei de dizer? Pensou Tom.
Hermione ficou perplexa, ainda mais quando viu o embaraçado. Ela sorriu.
– Você está envergonhado?
Tom sentiu uma sensação estranha em seu rosto, uma coisa quente.
– Está corado? – Perguntou Hermione surpresa e sorrindo abertamente como poucas vezes vazia.
Tom resmungou e virou para o lado.
– Esqueça isso – E já ia sair quando sentiu os dedos de Hermione puxando sua mão.
Ela tinha um sorriso no rosto e disse:
– Obrigada. Por me salvar.
Tom encarou os olhos castanhos amendoados dela. Pareciam mais brilhantes. Ele assentiu deixando o rubor de lado.
E então, surpreendendo ele e à si mesma, Hermione puxou-o pelo gola da camisa e o beijou. Foi apenas um colar de lábios, por pouco tempo, mas o suficiente para o coração de ambas saltarem do peito.
Ela empurrou-o de volta e desviou o rosto.
– O que... – Começou ele.
– Não pense que isso muda as coisas, Tom – Interrompeu ela dando um meio sorriso malicioso – Eu ainda te odeio.
Tom balançou a cabeça substituindo a expressão confusa por um sorriso igualmente malicioso.
– Ótimo – Falou arrumando o cabelo – Nos vemos por aí, Hermione.
E saiu.
Hermione encarou o teto com um sorriso. Eu, definitivamente devo ter batida a cabeça com muita força, pensou.
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